Devem ser levados em consideração:
As vantagens relativas em comparação com outros métodos de tratamento, tais com cirurgia e quimioterapia;
Os riscos de indução de detrimentos malignos, e os riscos devido a tratamento alternativos;
O balanço entre a gravidade da condição a ser tratada e a possibilidade de ocorrência de efeitos estocásticos e determinísticos (fora do volume alvo).
A Direção do Serviço de Radioterapia – TITULAR- É responsável pela segurança e radioproteção dos pacientes e da equipe médica e deve assegurar:
Que somente pessoal treinado e autorizado opere fontes de radiação;
Todos recursos necessários para minimizar a probabilidade de ocorrência de acidentes;
Treinamento e recursos materiais para atuação em situação de incidente ou acidente;
Instrumentação para medição da radiação
Plano para situação de emergência, fornecendo as possíveis condições de acidentes, prováveis conseqüências, e os procedimentos que serão adotados para controlá-las;
Procedimentos de radioproteção utilizados durante as sessões de Radioterapia, incluindo em braquiterapia a monitoração de área com o paciente internado;
Gerência de rejeitos radioativos, (CNEN-NE-6.05)
Controle físico das instalações;
Que as fontes de radiação (e rejeitos radioativos) estejam adequadamente instaladas e protegidas;
Que sejam fornecidas e aplicadas todas as normas de Radioproteção e instruções de segurança aos pacientes e à equipe médica;
Pronta comunicação à CNEN sobre a retirada de uso de qualquer fonte, bem com sobre a ocorrência de perdas, roubos ou danos de fontes.
Procedimentos e resultados de monitorações radiológicas de todas as áreas onde são manuseadas, utilizadas e armazenadas fontes de radiação;
Dosimetria inicial completa das fontes de radiação (comissionamento) e freqüência de realização (das dosimetrias e controles periódicos);
Inventário das fontes de braquiterapia existentes;
Procedimentos empregados para transporte de material radioativo, interno e externo ao Serviço, incluindo materiais adquiridos.
O Serviço de Radioterapia deve estar equipado com:
Blindagens, intertravamentos, mecanismos de controle de feixe de radiação, dispositivos e avisos de segurança
Verificação da aplicação de restrições, se o projeto e/ou emprego de uma instalação depende das mesmas com relação ao fator de uso de qualquer barreira primária
Registro em livro próprio, de todos os dados e resultados obtidos, inclusive observações e recomendações necessárias para a tomada de ações corretivas.
Antes do início de operação de qualquer instalação de Radioterapia e após a ocorrência de qualquer modificação em equipamentos, carga de trabalho, condições de operação e de blindagem que possam alterar significantemente os níveis de radiação, devem ser realizados controles e monitorações de área.
Realização de medições de níveis de radiação em barreiras secundárias usando fantomas e feixe útil de radiação com o maior tamanho de campo clinicamente utilizado;
Devem atender aos seguintes requisitos:
Blindagens e as dimensões das instalações serão tais que as operações possam ser executadas em conformidade com os limites autorizados e o princípio da otimização;
Janelas e portas de salas de tratamento atenderão aos mesmos requisitos de blindagem aplicáveis às paredes onde estão localizadas;
Projetos de novas instalações e/ou modificações envolvendo blindagem estrutural serão revistos e aprovados por perito qualificado e estão sujeitos à aprovação por Autoridade Competente;
Projetos e/ou modificações em instalações, incluindo especificações de blindagens, estarão arquivados em local próprio e acessível à auditoria da CNEN.
A dosimetria da fonte (dos equipamentos irradiadores) está incluída no programa de GQ de modo a verificar (garantir):
O valor da grandeza radiológica (*) utilizada para todos os tamanhos de campos e qualidades (energia) de feixes de radiação empregados para todas as distâncias e condições de irradiação
A qualidade (energia) do feixe útil de radiação para todas as condições de operação;
A congruência entre o campo de radiação e o campo indicado pelo dispositivo localizador;
A uniformidade do campo de radiação e sua dependência com relação à direção do feixe útil de radiação.
Devem ser empregados:
Dispositivos de segurança que previnam a ocorrência de erros na seleção dos parâmetros essenciais à Radioterapia e para desempenho dos equipamentos;
Intertravamento nas portas que previnam acesso indevido de pessoas durante o tratamento;
Dispositivos luminosos indicadores na sala de controle e na (entrada) sala de tratamento;
Medidas de segurança para prevenir a remoção acidental ou não autorizada de fontes, (ocorrência de incêndios e inundações)
Dispositivos que interrompam automaticamente as irradiações após um período de tempo ou dose preestabelecidos;
CQ para os dosímetros clínicos (DC) e monitores de área (MA), considerando:
Calibração periódica (1 ano para MA e 2 anos para DC de referência) em laboratórios autorizados pela CNEN
Recalibração (independente aos períodos estabelecidos), em casos de ocorrências de defeitos, consertos ou indicação de funcionamento irregular;
Aferições periódicas com fontes-testes
Aferição imediatamente após a realização de transportes;
Não é permitida a presença de acompanhantes na salas de irradiação e em quartos de braquiterapia;
Não é permitida a irradiação de pessoas para propósitos de treinamento ou demonstração;
Em tratamento com feixe superiores a 60 keV não é permitido a presença de pessoas na sala e inferior a 60 keV é obrigatório o uso de vestimentas de proteção com espessura equivalente a 0,5 mm de Pb;
Possibilidade de observar e comunicar com os pacientes a partir da sala de comando;
Planejamento do tratamento radioterápico de forma a reduzir (ALARA) a dose equivalente efetiva em pacientes e a dose em órgãos radiosensíveis que não sejam objeto do tratamento;
O Supervisor de Radioproteção do Serviço de Radioterapia é responsável por:
Proceder à análise de resultados de controle e monitoração, de medidas de segurança;
Calibração e aferição de equipamentos, e quando necessário, providenciar as devidas correções ou reparos;
A CNEN realiza auditorias para verificar o cumprimento dos requisitos estabelecidos em suas normas
A CNEN exercerá a necessária autoridade para intervir em caso de não cumprimento dos requisitos descritos
A CNEN pode, a seu critério, cancelar provisória ou definitivamente as autorizações fornecidas no âmbito da sua competência.
O Supervisor é responsável por Registrar integralmente, em livro próprio:
Walter Huda e Richard Slone, Review of Radiologic
Physics, Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins, 1994.
2.Steve Webb (Org.), The Physics of Medical Imaging,
London: Institute of Physics, 1988.
3.T.J.Godden “Physical Aspects of Brachytherapy”
MPHandbooks-19 – Adam Hilger-1998.
4.SC Klevenhagen “Physics of Electron Beam Therapy”
MPH – 13 Adam Hilger 1998
Normas da CNEN www.cnen.gov.br
www.fsc.ufsc.br/~canzian/fismed/programa.html
www.iradioterapia.com/pacientes/leftlistapac.htm
www.ird.gov.br - Maria Helena Maréchal
www.ird..gov.br - Delano Batista
Fonte: www.segurancaetrabalho.com.br
Este trabalho tem como objetivo principal a divulgação e os principais fundamentos da radioterapia com prótons e íons pesados.
Como sabemos, o câncer representa um grande problema de saúde pública hoje em dia, e segundo as estatísticas, o Brasil ocupa o décimo quinto lugar na mortalidade por câncer. Por tanto é necessário um estudo sobre o assunto, e procurar novas técnicas de terapia.
Vamos ver neste trabalho que a terapia com prótons e íons pesados mostra-se vantajosa em muitas situações. Muitas vezes esta técnica tem-se mostrado eficiente a ponto de evitar a própria cirurgia.
As três formas convencionais de terapia são: a cirurgia, quimioterapia e a radioterapia, que hoje é mais utilizada sob forma de raios X e raios ?. Em qualquer que seja o caso, o principal objetivo de toda terapia é a destruição de células tumorais de modo a produzir o menor dano aos tecidos saudáveis em volta do tumor. Neste estudo, como já foi dito, iremos apenas discutir a terapia com radiações, e mostrar que a terapia com prótons e íons pesados é viável, e em alguns casos a melhor opção.
A radiação começou a ser utilizada para a terapia do câncer tão logo Röntgen descobriu o raio X em 1895. Muitas complicações apareceram pois a radiação concentrava quase toda a sua energia na pele (ver figura 1). Após a segunda guerra, devido ao grande avanço na área de eletrônica e na quântica, iniciou-se a contrução de Betatrons e aceleradores lineares, aumentando assim as energias dos raios X, fazendo que o raio X depositasse mais energia a quatro centímetros de profundidade.
No final da década de 30 os irmãos Lawrence ( Ernest e Jonh) iniciaram a terapia de câncer com nêutrons, utilizando um ciclotron desenvolvido pelo próprio Ernest. Mas eles não obtiveram nenhum resultado conclusivo.
Em 1946, Robert Wilson propôs a utilização de prótons a partir de sua observação sobre a distribuição de dose com estas partículas.
No artigo em que ele escreveu sobre isto ele disse:
"... the specific ionization or dose is many times less where the proton enters the tissue at high energy than it is in the last centimeter of the path where the ion is brought to rest; ... these properties make it possible to irradiate intensely a strictly localized region within the body, with but little skin dose; ... since the range of the beam is easily controllable, precision exposure of well defined small volumes within the body will soon be feasible."
Onde ele antecipou os efeitos de uma terapia de prótons num tumor.
Outras técnicas de terapia com radiação foram surgindo a partir de 1975, utilizando partículas ?, núcleos pesados como o de carbono e de neônio, mas o neônio ou mais pesados que ele foram logo descartados pois tendem a fragmentar, formando assim um "chuveiro" de partículas.
O efeito básico da radiação ionizante é destruir a capacidade das células se dividirem e crescerem. Isto ocorre tanto para células cancerosas como para as saudáveis.
O efeito biológico de um feixe depende de vários fatores, mas iremos definir apenas dois:
TLE (Transferência Linear de Energia) : Taxa de energia depositada por partículas carregadas, por unidade de distância percorrida. Define o grau de ionização de uma radiação.
EBR (Eficiência Biológica Relativa) : É definida como a razão do raio X com uma dose da partícula necessária para produzir o mesmo efeito biológico. Esta definição pode ser usada no caso de curvas de "sobrevivência" (ver figura 2).
A utilização de prótons e ions pesados na radioterapia tem duas grandes vantagens, primeiro estas partículas apresentam uma superior dosagem a distribuições profundas, e tem um desvio lateral muito menor que qualquer outra radioterapia convencional, como fótons ou elétrons ou até mesmo nêutrons. É uma característica de todos os ions que a energia depositada no percurso aumenta com a profundidade, e tem um máximo logo antes da partícula parar ( chamado PICO DE BRAGG )(ver figura 1). Em segundo eles tem uma EBR alta na região de máximo de depósito da energia.
Os dois efeitos, alto depósito de energia e o elevado EBR no final do percurso da partícula se deve ao mecanismo de interação entre as partículas e o tecido humano.
Prótons e ions pesados apresentam uma interação com a matéria completamente diferente que a radiação eletromagnética como Raio X e Raio ?. Radiação eletromagnética interage com a matéria via efeito comptom, foto elétrico e produção de par. Devido a isso a intensidade decai exponencialmente com a profundidade, não tendo um alcance finito e com um desvio lateral muito grande. Prótons e ions pesados quando passam através da matéria, dissipam sua energia por interação com os elétrons. Devido a grande diferença de massa (~1/2000) a deflexão do ion é muito pequena.
A radioterapia com prótons tem sido utilizada em tumores de cabeça, pescoço e região pélvica. Atualmente é o método escolhido para tratamento de melanomas oculares, conseguindo-se a cura desta doença com a preservação da visão, em 95% dos casos. Este índice deve ser comparado ao obtido pelo método cirúrgico, que só oferece 60% de sucesso, mas com perda da visão e desfiguramento do paciente.
O método mais comum de irradiação com prótons e ions pesados é usar a sua maior energia para irradiar a parte posterior do tumor e, a seguir, ir diminuindo a energia de modo a percorrer todo o tumor. O pico de Bragg para estas partículas é de apenas alguns milímetros de largura, o que é muito inferior à maioria das dimensões características dos volumes tumorais a serem irradiados. Porém, este pico pode ser alargado para qualquer profundidade desejada, através da modulação da energia e do uso de absorvedores. Para um Síncroton a energia pode ser continuamente variada, logo o pico de Bragg pode tomar a forma de modo a distribuir doses homogêneas de irradiação em volumes regulares tridimensionais (superposição de picos de Bragg) (ver figura 3).

Figura 1: Comparação do depósito de energia de raio X,
co-gama, fótons de 18 MeV, com ions de carbono de 250 MeV/u e 300 MeV/u.

Figura 2: Definição da Eficiência Biológica Relativa
RBE, ilustrada por uma curva de celulas sobreviventes.

Figura 3: Superposição de picos de Bragg, para se ajustar ao
tumor.
A radioterapia com prótons e ions pesados é muito mais eficaz em muitos casos de câncer. Os seus efeitos colaterais sâo mínimos em relação a radioterapia convencional.
Mas o que impede a sua utilização em grande escala é o fator financeiro. Para se fazer um centro de terapia com prótons é necessário um acelerador de partículas, que hoje em dia, os mais baratos custam na faixa de 20 milhões de Dolares. Além disto este tipo requer um monitoramento constante, ou seja é também necessário adquirir aparelhos para tal fim, aumentando assim o custo do centro.
Não podemos deixar de falar que a radioterapia convencional (raios X), pode ter os seus defeitos, mas em muitos casos consegue acabar com o tumor.
Na tabela abaixo estão listados os centros pioneiros na terapia com prótons e íons pesados.
De todos estes centros de tratamentos, o Loma Linda University Medical Center foi o que mais tratou pacientes, aproximadamente 6000 pacientes, ele também se destaca por tratar várias áreas do corpo, não se restringindo a apenas um local, como o Triumf no Canada que apenas trata a Melanoma no olho, e o GSI que trata apenas tumores no cérebro. Até hoje se tem uma estimativa de que 28.500 pessoas já foram tratadas com este tipo de radioterapia, que é um número muito pequeno para a quantidade de pessoas com câncer.
Fotos do tratamento com prótons no centro Triumf no Canada:


1) Kraft G. The Radiobiological and physical basis of radiotherapy
with protons and heavy ions, Strahlenther. Onkol., 1990, 166, 10-13.
2) Kraft G. Tumor therapy with heavy charged particles, Progress in particle
and nuclear physics., 2000, 45, S473-S544.
3) Wilson RR. Radiological use of fast protons, Radiology, 1946, 47, 487-491.
4) www.triumf.ca
5) www-aix.gsi.de
6) www.rpunn.org.uk
7) www.hps.org
8) www.proton-therapy.org
Fonte: omnis.if.ufrj.br
A radioterapia é um tratamento que emprega feixe de radiações ionizantes para destruir células tumorais.
Uma dose pré-calculada de radiação é aplicada, em um determinado tempo, a um volume de tecido que engloba o tumor, buscando erradicar todas as células tumorais, com o menor dano possível às células normais circunvizinhas, à custa das quais se fará a regeneração da área irradiada.
A radioterapia é um tratamento local e/ou regional, podendo ser indicada de forma exclusiva ou associada aos outros métodos terapêuticos.
Em combinação com a cirurgia, poderá ser pré-, per- ou pós-operatória. Também pode ser indicada antes, durante ou logo após a quimioterapia.
Radical (ou curativa), quando se busca a cura total do tumor;
Remissiva, quando o objetivo é apenas a redução tumoral;
Profilática, quando se trata a doença em fase subclínica, isto é, não há volume tumoral presente, mas possíveis células neoplásicas dispersas;
Paliativa, quando se busca a remissão de sintomas tais como dor intensa, sangramento e compressão de órgãos;
Ablativa, quando se administra a radiação para suprimir a função de um órgão.
Fonte: d18146183.bighost60.bighost.com.br