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Floresta Pluvial Tropical

Floresta Pluvial Tropical

Segundo Mantovani (1993, apud Adams, 2000), a floresta encontrada sobre serrarias costeiras denomina-se Floresta Pluvial Tropical, Floresta Ombrófila Densa ou, genericamente, Mata Atlântica. A elaboração dos textos que seguem, teve como referência esta classificação.

A Mata Atlântica é a segunda floresta neotropical em tamanho, depois da Floresta Amazônica (Adams, op.cit.) Localiza-se sobre uma antiga cadeia de montanhas, que se estende ao longo da costa brasileira.

Os primeiros estudos e registros sobre a Mata Atlântica, desenvolvidos a partir do Século XIX, mostram que esta floresta cobria boa parte do litoral brasileiro, estendendo-se desde o RN até o RS, de forma quase contínua.

Atualmente, seus remanescentes correspondem a menos de 8% da cobertura original (SOS Mata Atlântica, 1995), sendo que as maiores áreas estão nas regiões Sul e Sudeste.

Algumas características homogeneízam este ecossistema que, por estender-se de Norte a Sul, poderia apresentar diversas formações florestais.

São elas:

a) suave e gradual mudança na biota
b) regime climático similar
c) história geológica longa e comum
d) tipo de solo similar

CONSERVAÇÃO

Floresta Pluvial Tropical

Movimentos conservacionistas começaram no Brasil na década de 1930. A primeira área protegida, o Parque Nacional de Itatiaia (RJ), foi estabelecido em 1937. (Por, 1992)

No nível governamental, as primeiras leis importantes, foram aprovadas em 1934, regulando a utilização da água, exploração da floresta, caça e pesca. (Por, 1992)

No âmbito mundial em 1968, a UNESCO sugeriu que fosse estabelecida uma rede mundial de proteção para áreas especiais do planeta. Em 1971, foi criado o programa MaB (Man and Biosphere), o Homem e a Biosfera, com o objetivo de conciliar a proteção do ambiente ao desenvolvimento humano. Nesta mesma década, 1977, foi criado o Parque Estadual da Serra do Mar, que justaposto ao Parque da Serra da Bocaina, formou com ele o maior corredor de proteção do bioma Mata Atlântica, até então. (Rocha, 1998)

Entre as organizações não governamentais houve um aumento na sua participação nas últimas décadas, com a atividade de organizações mais antigas como a Fundação Brasileira de Conservação da Natureza (FBCN), mais novas, como a Fundação SOS Mata Atlântica e ONGs internacionais como a WWF e a Conservation International, que atuam na preservação da Mata Atlântica de diversas formas: colaborando na definição de um método e sua aplicação, possibilitando a identificação de prioridades para a proteção da Mata Atlântica, apoiando movimentos contra agressões ao ecossistema e desenvolvendo projetos de educação ambiental.

Muitos já perceberam que a única forma de enfrentar o enorme desafio da civilização de nossos dias é construindo uma nova concepção de desenvolvimento, que não destrua a natureza, que atenda às necessidades do presente sem comprometer as gerações futuras.

Com a defesa da mata e a criação de Unidades de Conservação um novo problema surgiu: as populações tradicionais que vivem nas áreas destinadas à conservação. Há muitas gerações, utilizam seus recursos, originalmente em harmonia com o ambiente. Estes povos foram, em muitos casos, vítimas de uma política ambiental restritiva e sem a devida visão social, que os tratava como intrusos de suas próprias terras. Atualmente, os programas de gerenciamento das Unidades de Conservação contemplam a participação da comunidade local, envolvendo-a no seu gerenciamento e dando abertura para a utilização de seus recursos.

Algumas práticas podem ser desenvolvidas de tal forma que causem um mínimo impacto e permitam a utilização da mata, como é o caso do ecoturismo, respeitando os limites naturais das áreas visitadas, os costumes e tradições locais. O manejo sustentável dos recursos florestais, como é o caso do palmito Jussara (em risco de extinção) e da fauna local, projetos de agricultura orgânica, de apicultura, a utilização de energias alternativas (eólica e solar), a criação das Reservas Particulares de Patrimônio Natural (RPPN), a implantação da Agenda 21 local, o ICMS ecológico, que destina recursos de impostos de circulação de mercadorias aos municípios que abrigam parques e áreas protegidas, são alguns dos exemplos dos mecanismos de conservação existentes atualmente. Mas ainda existem lacunas a serem preenchidas no campo do desenvolvimento sustentável até que se alcance uma relação equilibrada e sadia entre as atividades econômicas e sociais e a Mata Atlântica.

AGENDA 21

Na Conferência das Nações Unias sobre Meio Ambiente e desenvolvimento, a Rio-92, a comunidade internacional adotou a Agenda 21, um compromisso entre várias nações do planeta para a implantação de um modelo de desenvolvimento sustentável para o século XXI. Contém 2500 recomendações e responsabilidades a curto, médio e longo prazos, inclusive propostas detalhadas sobre como reduzir padrões de consumo sustentáveis, combater a pobreza, proteger a atmosfera, os oceanos e a biodiversidade, e promover a agricultura sustentável. Da mesma forma que os países se reuniram e criaram a Agenda 21, as cidades, os bairros, os clubes, as escolas também podem fazer suas próprias Agendas 21 locais.

ÁGUA

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A Mata Atlântica apresenta um alto índice pluviométrico e, em média, estes valores variam entre 1.800 e 3.600 mm/ano, podendo chegar à 4.000 mm/ano, como é o caso de Paranapiacaba (SP). Por este motivo, está incluída nas florestas pluviais do Planeta (pluvio = chuva).

Esta característica é conseqüência da condensação da brisa oceânica carregada de vapor que é empurrada para as regiões continentais chegando nas escarpas das serras. Quando estes ventos atingem determinada altura e grau de condensação, encontram correntes de ar com diferentes temperaturas fazendo com que o excesso de vapor d´água se precipite em forma de chuva ou nevoeiro (serração), tornando o ambiente muito úmido.

Mas, qual será o papel da água nesta floresta?

Ao cair sobre a floresta, escorre pelas folhas e troncos até atingir a serrapilheira e, ao umedecê-la, acelera o processo de decomposição. Ao atingir o solo infiltra-se alimentando o lençol freático até aflorar na superfície, através dos "olhos d´água" ou nascentes. As folhas das plantas dos diversos estratos (arbóreo, arbustivo e herbáceo) têm o papel importante de diminuir a intensidade com que a água chega no solo, prevenindo a erosão e protegendo plantas muito jovens. Ao percorrer este caminho vertical, a água vai sendo enriquecida com sais minerais e substâncias orgânicas que serão incorporadas ao solo e assim a água, torna-se disponível para as raízes, sendo utilizada na hidratação das células e na fotossíntese.

A água contribui também para a determinação da fisionomia da floresta, uma vez que, através da chuva, carrega o material superficial do solo das regiões mais íngremes, expondo as rochas e tornando o solo raso. No meio das encostas, deposita parte do material vindo de cima, mas também transporta mais sedimento para baixo, não só através da chuva, mas escava fundos de rios e riachos. O sopé da serra é uma área plana, que acaba sendo entulhada de sedimento de diferentes origens vindos das regiões mais altas.

Em alguns locais onde predominam as rochas calcárias, os rios e a água infiltrada no solo, contribuem para a formação de cavernas, podendo originar grandes complexos cavernícolas, como é o caso da região do Vale do Ribeira (SP).

A maioria dos rios é perene, constantemente alimentados pela água da chuva que, com maior intensidade, contribui para a mudança de curso destes rios, resultando na erosão de suas margens externas e acúmulo de sedimento nas margens internas-meio-ambiente. À partir da mudança de curso, também podem ser formadas lagoas de água doce, brejos e lagunas de água salobra (próximas ao mar). Estes rios, alimentados pela chuva, são chamados "rios de água clara", mas também existem os "rios de água preta", que possuem lentos cursos de água que drenam as planícies das restingas e mangues, recebendo grande quantidade de matéria orgânica ainda em decomposição, o que lhes confere a coloração escura. São rios que formam os estuários e, portanto, possuem relação com a água salgada, dependendo das condições da maré e da época do ano.

Existem alguns mecanismos desenvolvidos pelas plantas para adaptarem-se à quantidade de água disponível. Em locais muito úmidos, a eliminação de água pelas bordas das folhas (gutação) é um deles. Plantas que vivem sobre as rochas, onde a disponibilidade de água é muito menor do que no solo, possuem estruturas de armazenamento de água e podem até comportar-se como plantas de deserto, se necessário. Mais detalhes sobre as plantas e suas adaptações, serão vistos em FLORA. Quanto aos animais aquáticos, peixes, camarões, lagostins e caranguejos, habitam o leito dos rios. O fluxo de água proporciona uma temperatura amena, alimento e oxigênio. Na foz dos rios (estuários) vivem também mamíferos aquáticos e freqüentam peixes de água salgada, aumentando a diversidade de espécies e a abundância. Mais detalhes em FAUNA.

Fonte: www.ib.usp.br

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FAUNA

A fauna da Floresta Atlântica representa uma das mais ricas em diversidade de espécies e está entre as cinco regiões do mundo que possuem o maior número de espécies endêmicas. Está intimamente relacionada com a vegetação, tendo uma grande importância na polinização de flores, e dispersão de frutos e sementes. A precariedade dos levantamentos sobre a fauna da Mata Atlântica torna sua descrição e análise mais difícil que no caso da vegetação (Adams, 2000), mas, apesar da carência de informações para alguns grupos taxonômicos, estudos comprovam uma diversidade bastante alta.

Os animais podem ser divididos em dois grupos, de acordo com o grau de exigência:

Os generalistas são pouco exigentes, apresentam hábitos alimentares variados, altas taxas de crescimento e alto potencial de dispersão. Estes fatores permitem a estes animais viverem em áreas de vegetação mais aberta ou mata secundária. São chamados de generalistas por causa do alto grau de tolerância e à capacidade de aproveitar eficientemente diferentes recursos oferecidos pelo ambiente. Ex: sabiá-laranjeira, sanhaço, pica-pau, gambá, morcegos, entre outros.

Os especialistas, ao contrário dos primeiros, são extremamente exigentes quanto aos hábitats que acupam. São animais que vivem em áreas de floresta primária ou secundária em alto grau de regeneração, apresentando uma dieta bastante específica. Para este grupo, a alteração do ambiente significa a necessidade de procurar novos hábitats que apresentem condições semelhantes às anteriores. Ocorre também a necessidade de grandes áreas para sobreviverem, sendo que sua redução pode ocasionar a impossibilidade de encontrar um parceiro para reprodução, comprometendo o número de indivíduos da espécie, podendo levá-la à extinção. Alguns destes animais, por representarem o topo de cadeias alimentares, possuem um número reduzido de filhotes, o que dificulta ainda mais a manutenção destas populações. Ex: onça-pintada, mono-carvoeiro, jacutingas, gavião-pombo, entre outros.

A relação entre animais e plantas da Mata Atlântica é bastante harmônica. O fornecimento de alimento ao animal em troca do auxílio na perpetuação de uma espécie vegetal, é bastante comum. As plantas com flores e seus polinizadores foram adaptando hábitos e necessidades ao longo de milhões de anos de convívio. Flores grandes e coloridas atraem muitos beija-flores, as perfumadas atraem as mariposas e algumas flores, para atrair moscas, exalam um perfume semelhante ao de podridão. Acredita-se que três a cada quatro espécies vegetais da Mata Atlântica, sejam dispersadas por animais, principalmente por aves e mamíferos, que alimentam-se de frutos e defecam as sementes ou as eliminam antes da ingestão. Pássaros frugívoros possuem grande percepção visual e se alimentam de sementes muitas vezes bem pequenas. Jacarés e lagartos, aproveitam os frutos caídos no chão e mamíferos como os macacos, acabam proporcionando a dispersão em grandes áreas.

Um breve resumo sobre os grupos

Mamíferos

No final do Pleistoceno, com a extinção maciça dos animais gigantes, a fauna brasileira de mamíferos terrestres foi empobrecida, mas as variedade de espécies de pequeno porte se manteve.

A Mata Atlântica possui 250 espécies de mamíferos, sendo 55 endêmicas, com a possibilidade de existirem diversas espécies desconhecidas. São os componentes da fauna que mais sofreram com os vastos desmatamentos e a caça, verificando-se o desaparecimento total de algumas espécies em certos locais.

Há uma grande quantidade de roedores e quirópteros (morcegos), e apesar de não ser tão rica em primatas quanto a Amazônia, possui um número razoável de espécies (Adams, 2000).

Exceto em relação aos primatas, quase nada se sabe sobre a situação dos demais grupos de mamíferos da Mata Atlântica. (Coimbra filho, 1984; Câmara, 1991).

Aves

A Mata Atlântica apresenta uma das mais elevadas riquezas de aves do planeta, com 1020 espécies. É um importante centro de endemismo, com 188 espécies endêmicas e 104 ameaçadas de extinção. Estas espécies encontram-se ameaçadas principalmente pela destruição de hábitats, pelo comércio ilegal e pela caça seletiva de várias espécies. Um dos grupos que corre maior risco de extinção é o das aves de rapina (gaviões, por exemplo), que apesar de ter uma ampla distribuição, estão sofrendo uma drástica redução de seus nichos. Várias espécies quase se extinguiram pela caça, como é o caso dos beija-flores e psitacídeos em geral (araras, papagaios, periquitos) (Por, 1992).

Anfíbios

Com hábitos predominantemente noturnos e discretos, o que os torna pouco visíveis em seu ambiente natural, os anfíbios representam um dos mais fascinantes grupos. Exploram praticamente todos os hábitats disponíveis; apresentam estratégias reprodutivas altamente diversificadas e muitas vezes bastante sofisticadas, ocupam posição variável na cadeia alimentar e possuem vocalizações características, demonstrando a diversificação biológica e seu sucesso evolutivo.

Em relação aos anuros (sapos, rãs e pererecas), um ecossistema bastante importante é o conhecido "copo" das bromélias, um reservatório que serve de moradia, alimentação e local para reprodução de algumas espécies.

A Mata Atlântica concentra 370 espécies de anfíbios, cerca de 65% das espécies brasileiras conhecidas. Destas, 90 são endêmicas, evidenciando a importância deste grupo.

Répteis

Em relação à fauna de répteis, grande parte apresenta ampla distribuição geográfica, ocorrendo em outras formações como a Amazônia, Cerrado e até na Caatinga. No entanto, são conhecidas muitas espécies endêmicas da Mata Atlântica, por exemplo, o jacaré-do-papo-amarelo (Caiman latirostris) (MMA,2000). Uma comparação entre os répteis da Amazônia, da Mata Atlântica e do Nordeste dos Andes (Dixon, 1979, apud Por, 1992) mostrou que a Mata Atlântica possui 150 espécies, das quais 43 também existem na Amazônia, 1 nos Andes e 18 são de larga distribuição neotropical. O endemismo dos répteis da Mata Atlântica é bastante acentuado, entretanto novas espécies ainda estão sendo descobertas. (Por, 1992)

Peixes

Os ecossistemas aquáticos da Mata Atlântica brasileira possuem fauna de peixes muito variada, associada de forma íntima à floresta que lhe proporciona proteção e alimento. ( MMA, 2000)

O número total de espécies de peixes da Mata Atlântica é 350, destas, 133 são endêmicas. O alto grau de endemismo é resultado do processo de evolução das espécies, em área isolada das demais bacias hidrográficas brasileiras. (MMA, 2000)

A maior parte dos rios encontra-se degradada, principalmente pela eliminação das matas ciliares, erosão, assoreamento, poluição e represamento. Apesar de estudada há bastante tempo, a fauna de água doce brasileira não é bem conhecida . Nos rios da mata ombrófila densa, existem espécies dependentes da floresta para seu ciclo de vida, principalmente aquelas que se alimentam de insetos, folhas, frutos e flores (Adams, 2000), contribuindo também para a dispersão de sementes e frutos e para a manutenção do equilíbrio do ambiente aquático.

HISTÓRIA

Há 500 anos atrás, a paisagem dominante na costa brasileira era a densa e exuberante Floresta Atlântica, com árvores gigantescas. Este ecossistema estendia-se á partir do litoral, penetrando o continente em direção ao interior por extensões variadas, de acordo com as características geográficas e climáticas.

Entretanto, a floresta não era intocada quando chegaram os europeus, estima-se que em 1500 havia cerca de dois a quatro milhões de índios no Brasil e uma grande parte deles vivia na Mata Atlântica.

A sua utilização se dava através da extração de material para construção de seus abrigos, de alimento, remédios e cultivos, principalmente da mandioca e o milho. Para tal atividade, era necessário queimar trechos da mata para a formação de clareiras que, inicialmente, apresentavam áreas férteis. Porém, com alguns ciclos de plantio, estas áreas tornavam-se pobres em nutrientes e fazia-se necessário queimar novas áreas para o plantio.

Desde o início da colonização, os Portugueses começaram a explorar o pau-brasil (Caesalpinia echinata), do qual se extraía tinta para tecido, sendo o produto no qual se estabeleceu a primeira atividade econômica da colônia. De 1500 a 1530 não houve um projeto de colonização para o Brasil e a extração do pau-brasil foi feita primordialmente por particulares europeus, os quais pagavam impostos para a coroa portuguesa.

Era usada mão-de-obra indígena, cujo pagamento era feito na forma de escambo, os índios em troca do trabalho recebiam objetos sem valor como facas e chapéus. Desde esta época até cerca de 1850, foram devastados enormes áreas de mata às custas da mão de obra escrava (indígena e africana, principalmente), de forma desordenada.

Além da prática da extração comercial, mata foi destruída para a construção de vilas e cidades.

Paralelamente ao uso do Pau-Brasil, foram implantados engenhos de cana-de-açúcar, contribuindo substancialmente para a devastação da Florestas Atlântica. Na Zona da Mata Nordestina, o primeiro local ocupado pelos colonizadores, a floresta foi completamente devastada e em seu lugar surgiram extensos canaviais. A cana-de-açúcar (Saccharum officinarum) foi a principal atividade econômica nos séculos XVI e XVII. Era plantada em latifúndios, que ocupavam imensas áreas para conseguir suprir o mercado europeu, tendo também como base a mão-de-obra escrava africana. Foi uma atividade de monocultura, causando o empobrecimento do solo e, consequentemente, tornando necessária a troca de local para a plantação, aumentando as áreas devastadas. Trazida principalmente para servir como força motriz nos engenhos, foi implantada a pecuária expandindo-se como atividade econômica causando sérios danos sobre a Mata Atlântica.

Ao contrário das práticas citadas até agora, o cultivo do cacau foi introduzido pelo sistema das cabrucas, que é o plantio feito em áreas sombreadas, o que proporcionou a manutenção das árvores maiores e mais antigas da mata. Esta atividade se deu principalmente na região do sul da Bahia estendendo-se também para o norte do Espírito Santo.

Cronologicamente, segue a devastação da Mata Atlântica através da mineração, destruindo extensas áreas do estado de Minas Gerais para a retirada do ouro e, consequentemente, a instalação de vilas e arraiais.

Desde o período colonial, foram retiradas da mata árvores nobres, como as canelas, o jacarandá, a peroba, o cedro, entre outras. O espaço urbano cresceu e seus habitantes originais, empurrados para o sertão, desmatando novas áreas.

Com a queda da mineração, um outro ciclo econômico do Brasil, localizado em área de Mata Atlântica, foi o café ( Coffea arabica), este se instalou inicialmente na região do Vale do Paraíba, Baixada Fluminense e Sul de Minas, que se expandiu para o oeste a partir de 1850, passando por Campinas (SP), posteriormente chegando em Ribeirão Preto (SP), onde se consolidou.

Esta atividade, gerou um adensamento urbano ainda maior, proporcionou a construção de ferrovias, contribuindo para o aumento do desmatamento no século XIX.

Na Serra do Mar, devido às altas escarpas e à relativa escassez de terras nas planícies litorâneas para a agricultura, o litoral da região sudeste passou à margem dos ciclos econômicos do açúcar e do café, que alteraram profundamente a paisagem do planalto interior. Por isso nessa região há áreas extensas com cobertura florestal preservada.

Em seguida, as atividades industriais foram implantadas e expandiram-se rapidamente, principalmente no Centro-Sul do país e a retirada de matéria-prima acompanhou sua expansão.

Atualmente, o crescimento urbano e o consumo dos recursos é o principal fator de degradação da Mata Atlântica, além da falta de políticas públicas que incentivem seu uso sustentável. Este bioma possui grande importância social, econômica e ambiental e sua porção atual correspondente à 8% da cobertura original, nos mostra a necessidade de adoção de medidas eficientes para a sua conservação e recuperação.

Fonte: www.ib.usp.br

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