O país da Floresta Amazônica, do extenso e belo litoral, da grande rede hidrográfica, também possui um deserto. Um deserto mágico de areia branca e lagoas coloridas com peixes.
O responsável por essa paisagem diferente? A chuva. Suas águas ficam represadas entre as dunas, mas ninguém sabe explicar como as lagoas sobrevivem ao período de seca. A população também sobrevive a duras penas onde a civilização está a quilômetros de distância.
Mesmo a areia finíssima, as dunas e os ventos fortes não conseguem impedir a visita de pesquisadores e aventureiros que se espantam diante da maravilha dos Lençóis Maranhenses.
Para preservar o único deserto brasileiro, constituído por um ecossistema exótico foi criado em 1981 o parque nacional dos Lençóis Maranhenses. Seus 155.000 hectares abrigam dunas e mais dunas que avançam para o interior, oásis de lagoas coloridas e um povo nômade, cuja vida é regida pelo regime das chuvas e das areias.
Aspectos Culturais e Históricos
O parque é um celeiro de pescadores, sendo que alguns deles tornam-se nômades em algumas épocas do ano, principalmente no verão que é mais propício e pesca.
Existem dois oásis dentro do Parque onde vivem diversas famílias. Suas dunas são móveis provocando muitas vezes soterramento de casas e carros. O nome da unidade é devido à visão que se tem ao observar o Parque do alto, a qual lembra um lençol jogado com desleixo sobre cama.
Aspectos Naturais
A paisagem é dominada por dunas de areias de quartzo bem finas. As dunas, que chegam a atingir 20m de altura, cobrem 50 km da costa maranhense.
O vaivém das areias não se deve só ao vento. Os rios Preguiça e Parnaíba carregam-nas até o mar e este as devolve ao litoral. Espelhadas por este cenário desértico estão incríveis lagoas coloridas que dão vida ao local. Seus peixes atraem aves marinhas e ao seu redor cresce vegetação.
Nas bordas do parque existem extensos manguezais, caracterizados pelo mangue-vermelho, mangue-branco e mangue-siriúba. Próximo ao mar, crescem o capim-de-areia, o alecrim-da-praia, a pimenteira e o carrapicho-da-praia. Representando a restinga, há a erva-de-cascavel, a orquídea da restinga e o cipó-de-leite, entre outros.
As praias desertas são procuradas por tartarugas marinhas e caranguejos. Nos manguezais encontram-se o jacaré-tingá, a paca e o veado-mateiro. Além destes, aves migratórias, como o maçarico-rasteirinho, as marrecas-de-asa-azul e o trinta-réis-boreal fazem do parque um ponto de descanso.
Clima
O clima da região é tropical, com temperatura média anual de 26°C. A estação seca vai de dezembro a agosto. Um bom período para visitas é de dezembro a julho, quando as lagoas estão mais cheias, o calor é mais ameno e a vista belíssima. Na época das chuvas a população local vai para o mar pescar.
Atrações
Para conhecer bem o parque, o ideal é caminhar pelas dunas. Para tanto, um guia experiente é indispensável. No meio da imensidão branca surgem lagoas coloridas que refrescam quem se aventura a enfrentar as areias.
Sobrevoar a região dá uma noção exata de sua beleza. Além disso, o parque oferece 70 km de praias desertas. Um passeio interessante é pelo Rio Preguiça, cercado de vegetação nativa.
A visitação é feita a partir de Barreirinhas, onde se obtêm, através de agencias locais, as melhores opções de deslocamento dentro do Parque. As acomodações existentes na região são melhores em Barreirinhas, com pousadas e hotéis, mas também se pode pernoitar em Atins (2 pousadas) e Caburé (4 pousadas).
O Parque não tem acomodações regularizadas dentro de sua área. O deslocamento interno é feito por veículos 4 x 4, que podem ser locados em Barreirinhas.
As melhores atrações do Parque são as belezas cênicas, os passeios nas dunas, os banhos de lagoas, que são melhores nas épocas de chuva (Dezembro a junho), e os banhos de Rio e Mar, em Atins e Caburé.
Infra-estrutura
O parque não possui infra-estrutura nenhuma. Barreirinhas, a 4 horas de barco pelo Rio Preguiças, oferece hotéis, restaurantes, artesanato de palha e serviço de apoio ao visitante. Na Barra do Rio Preguiças, o Vilarejo de Caburé possui pousadas e restaurantes.
Objetivos específicos da unidade
Preservação de ecossistemas, educação ambiental e visitação pública.
Decreto de criação
Foi criada pelo decreto n° 86.060 de 02.06.1981
Localização
O parque nacional dos Lençóis Maranhenses localiza-se no litoral sul do Maranhão, pertencendo aos municípios de Barreirinhas e Primeira Cruz.
Acesso
O acesso é realizado por via terrestre pela BR 135, por via Marítima, entrando no canal do Rio Preguiças em Atins e por via Fluvial, a partir de Barreirinhas, através do Rio Preguiças. Por via terrestre, saindo de São Luis, a capital do estado, percorre-se 58 km até Rosário, e a partir daí mais 22 km até Morros e 162 km até Barreirinhas, cruzando-se o trevo para Humberto de Campos.
Por via fluvial, adentra-se através do mesmo Rio Preguiças, a partir de Barreirinhas, onde se pode chegar até Atins, onde existe uma sede administrativa. A sede do Parque fica a 2 Km de Barreirinhas, do outro lado do Rio Preguiças, onde se atravessa de balsa. Existem passeios a partir de Barreirinhas, utilizando veículos apropriados, aonde se chega até as Dunas e Lagoas de água doce.
Fonte: www.ecoviagem.uol.com.br
Responsável pela preservação de um ecossistema único de dunas, mangues e restingas, o parque nacional dos Lençóis Maranhenses está dividido pela embocadura do rio Piriá, onde ocorre a transição de duas áreas distintas: a oeste predominam as rias e, a leste, as formações arenosas que formam os chamados lençóis do litoral maranhense.

As rias são costas de recortes profundos, onde o mar é raso e as praias lodosas, com manguezais, dunas, restingas e pequenas falésias, enquanto os lençóis correspondem a uma série de dunas que se prolongam desde o Golfão Maranhense até a foz do rio Parnaíba.
Em sua totalidade, o solo do Parque é formado por depósitos
aluvionares recentes, constituídos de cascalhos, areias e argilas.
As dunas, fixas ou móveis, que ocorrem no litoral, avançam em
direção ao continente até uma distância de 50 km
da costa. Devido ao represamento dos rios pelas marés, toda a área
é mal drenada e com alto teor de sais.
Na ponta noroeste do Parque, onde estão os manguezais, a vegetação é formada pelo mangue vermelho (Rhizophora mangle), que pode alcançar até doze metros de altura, mangue-branco (Laguncularia racemosa) e mangues-siriuba (Avicenia tomentosa, Avicenua nitida).
Nas praias e dunas, sob o efeito contínuo da água e dos ventos marinhos, a vegetação tem aspecto peculiar, destacando-se entre as espécies o campim-da-areia (Panicum racemosum), que vive próximo à área lavada pelas ondas, alecrim-da-praia (Remiria maritima), carrapicho-da-praia ou espinho-de-roseta (Acicarpha spathulata) e pimenteira (Gordia curassavica).
Já nas restingas ocorrem espécies não diretamente sujeitas às marés, mas ainda sob influência do solo arenoso e da proximidade do oceano. São encontrados aí o cipó-de-leite (Oxypetalum sp), orquídea-da-restinga (Epidendrum elupticum), erva-de-cascavel (Crotallaria striata), sumaré-da-areia (Cyrtopodium sp), araticum (Annona coriacea), janaúba (Plumieria sp), cebola-da-restinga (Clusia lanceolata) e mangabeira (Hancornia speciosa).

Nos períodos de postura, diversas espécies de tartarugas-marinhas procuram as praias do Parque, destacando-se entre elas a tartaruga-verde (Chelonia mydas), tartaruga-comum (Lepiduchely olivacea), tartaruga-de-pente (Eritmochelys imbricata) e tartaruga-de-couro (Dermochely couriacea).
As aves, principalmente as migratórias, utilizam a região como ponto de apoio em suas viagens, estando nesse caso o trinca-réis-boreal (Sterna hirundo), um visitante regular quando não está no período reprodutivo, e o pequeno maçarico-rasteirinho (Calidris pusilla), procedente do Ártico. De fevereiro a abril é a época das marrecas-de-asa-azul (Anas discors) visitarem o Parque, oriundas dos Estados Unidos.

Nos mangues, além de inúmeras espécies de peixes, crustáceos e moluscos, pode-se observar as jacaretingas (Caiman crocodilus), que se alimentam preferencialmente de peixes. E, entre os mamíferos, há exemplares de veado-mateiro (Mazama americano) e paca (Agouti paca).
Com acesso pela rodovia que liga Teresina a São Luís, o Parque não conta por enquanto com infra-estrutura para hospedagem e locomoção de visitantes.

Mapa do parque nacional dos Lençóis Maranhenses
Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses
Data de criação: 02 de junho de 1.981, pelo decreto federal nº. 86.060.
Localização: Maranhão, abrangendo os municípios de Barreirinha e Primeira Cruz.
Área: 155.000 hectares
Perímetro: 270 km
Clima: tropical, de zona equatorial, quente semi-úmido, com quatro a cinco meses secos.
Temperaturas: média anual de 26ºC, máxima absoluta de 36ºC e mínima absoluta de 16ºC.
Chuvas: Entre 1500 e 1750 mm anuais.
Relevo: plano.
Fonte: paginas.terra.com.br