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Poluição Luminosa

O país vai apagar. Mal saíram as primeiras notícias sobre o racionamento de energia e já começou uma corrida desenfreada por lâmpadas de emergência, geradores e velas.

Será que teremos de voltar a queimar pestanas para ler à noite, como faziam nossos avós?

Pois é, por incrível que pareça, a lâmpada elétrica foi inventada há pouco mais de cem anos. Tornamo-nos tão dependentes do clique das chaves de luz que até parece que este tipo de iluminação existiu desde o começo dos tempos.

Mas não: a invenção de Thomas Edison é de 1878. E nem por isso a humanidade deixou de avançar, iluminada por tochas, lamparinas a óleo, lampiões a gás e qualquer coisa que afastasse a escuridão.

A verdade é que todos temos um medo atávico das trevas, que simbolizam tudo de ruim para o ser humano, do caos original ao fim da vida. O medo do escuro, dizem os estudiosos da psicanálise, faz parte da prontidão inata que herdamos dos nossos ancestrais das cavernas, sempre às voltas com perigos visíveis e invisíveis.

Mas o terror moderno com a possível falta de energia elétrica tem outros motivos: as sinaleiras de trânsito se tornarão inúteis, o elevador vai parar, o forno de microondas não vai funcionar, a água vai sair fria do chuveiro, a geladeira vai esquentar e – o horror dos horrores – a televisão vai se desligar.

Ninguém mais queima pestanas para ler à noite, especialmente no horário do Show do Milhão. Sei que vão me considerar um alienado, mas ainda não consegui parar para ver o tal programa que faz imenso sucesso em todas as camadas sociais. Pelo que me contam os amigos – e todos vêem –, deduzo que se trata exatamente de um teste para distinguir aqueles que lêem daqueles que preferem ficar vendo televisão à noite.

Volto ao meu tema, antes que alguém cite o fraco desempenho dos universitários para derrubar a minha tese. Me lembro perfeitamente do apagão de 1999, que deixou 10 Estados brasileiros na mais completa escuridão. Sei que causou transtornos a muita gente, especialmente a pessoas que dependiam da energia elétrica naquelas horas assustadoras.

Porém, naquela ocasião, não senti medo algum, pois estava em casa e pude até mesmo curtir um espetáculo raro para os habitantes das grandes cidades: o brilho mágico de um céu especialmente estrelado. Parecia até que a natureza se aproveitava do acidente para chamar a atenção das pessoas para o seu show de todas as noites – lindo, inigualável e gratuito.

Pois, em vez de apenas amaldiçoarmos o racionamento que vem aí, não seria bom prepararmos nossos olhos para esquecidos encantos, como procurar a Intrusa no Cruzeiro do Sul ou ler algumas páginas de um romance apropriado para a luz das velas?

Anualmente são desperdiçados milhares, talvez milhões, de dólares no Brasil com a luz que é jogada inutilmente para cima. Esta luz poderia ser redirecionada para baixo, aumentando a intensidade luminosa na área útil, ou simplesmente poderíamos reduzida a wattagem da lâmpada necessária para iluminar uma determinada área com o uso de luminárias ditas "inteligentes" que direcionam toda a luz das lâmpadas para baixo. Cerca de 25% a 40% da luz usada em iluminação de exteriores é jogada para o espaço. Uma comparação que demonstra bem este desperdício seria comparar a luz que pagamos na nossa conta mensal com outros produtos.

Por exemplo: este desperdício é equivalente a irmos ao supermercado, comprar 4 latinhas de cerveja, chegar em casa, colocar 3 latinha na geladeira e esvaziar uma latinha no ralo da pia; ou ir ao posto de gasolina, pedir para o frentista colocar 30 litros no tanque e depois pedir para ele colocar 10 litros no ralo.

Alguém em sã consciência faria isso?

Claro que não, mas por que é que com a energia consumida em iluminação todos nós fazemos exatamente isso???!!!

Poluição Luminosa
Vista geral, Zaffari do centro à direita.
Reparem a iluminação provocada nas fachadas dos prédios adjacentes.
As luminárias ofuscam a visão mesmo de um ponto de vista 10 metros acima.

A luminária

Poluição Luminosa

Poluição Luminosa

Poluição Luminosa
As luminárias são caixotes com o fundo e a lateral externa envidraçada.
Jogam a luz a 45° para cima, cerca de 21% da luz/energia é desperdiçada

Poluição Luminosa
Luminárias do estacionamento do Zaffari Ipiranga
Vista em corte lateral da luminária mostrando a posição da lâmpada e áreas de vidro.
75° de ângulo sólido da luz é desperdiçada representando cerca de 42% dos 180° de abertura total.

Supondo que o refletor tenha eficiencia de 90% e jogue a luz corretamente para baixo temos:

50% refletido a 90% de eficiência = 45% da luz para baixo = correta.

5% perdido na reflexão.

105°/360° = 29% de luz direta para baixo = correta.

75°/360° = 21% de luz para cima = desperdiçada.

Totais:

45% + 29% = 74% de luz é aproveitada

21% da luz é desperdiçada

5% da luz não é refletida.

Os efeitos

Poluição Luminosa
Prédio aos fundos, a cerca de 70 metros, 8 andares.

Poluição Luminosa
Prédio a cerca de 80 metros.

Algumas soluções

Poluição Luminosa
Solução 01:Luminárias do estacionamento do Zaffari Ipiranga

Poluição Luminosa
Solução 02: Luminárias do estacionamento do Zaffari Ipiranga

Outras luminárias ineficientes

Poluição Luminosa

Poluição Luminosa
Além de grande parte da luz seguir direto para cima,
a refletância da superfície branca é baixa (85%).
A soma de todas estas perdas resulta em
baixo índice de iluminamento no solo.

Fonte: www.conhecimentogerais.com.br

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