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Incêndios e Queimadas em Parques Nacionais

Os parques nacionais, estaduais e municipais são áreas relativamente extensas, que representam um ou mais ecossistemas, pouco ou não alterados pela ocupação humana, onde as espécies animais, vegetais, os sítios geomorfológicos e os habitat ofereçam interesses especiais do ponto de vista científico, educativo, recreativo e conservacionista.

São superfícies consideráveis que contém características naturais únicas ou espetaculares, de importância nacional, estadual ou municipal. Podemos apreciar certas diferenças entre um incêndio e uma queimada, como por exemplo um incêndio preventivo, ou comumente chamado de aceiro.

Esta vem a ser a prática utilizada por bombeiros e agricultores no combate e prevenção de incêndios florestais. Consiste numa faixa de terra aberta em volta da área que está sendo queimada ou que se quer proteger, mantida livre de vegetação, com capina ou poda, a qual impede a invasão do fogo. Já a queimada é um incêndio proposital de uma área vegetada por ação antrópica (do homem), em que a eliminação da vegetação tem o objetivo de preparar o terreno para agricultura ou pasto.

A queimada contribui, entretanto, para a gradual esterilização do solo, acidificando-o e destruindo grande parte de sua microvida. As queimadas são as responsáveis pela maioria dos incêndios florais.Mas nenhum contribui com o meio ambiente.

Queimadas e incêndios

O pecuarista desmata mais que madeireiro, diz estudo do Bird (Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento). Os criadores de gado na Amazônia ganham mais do que os do Interior Paulista. Mas o custo ambiental e social desta produção é muito elevado.

Outro estudo do Bird mostra que políticas de combate ao desmatamento na Amazônia deveriam ser focalizadas nos criadores de gado, e não nos madeireiros. Os pecuaristas são, segundo o Bird, responsáveis por mais de 75% dos cortes na floresta. Seu lucro supera o obtido por produtores de Tupã, cidade do interior paulista considerada um termômetro para a pecuária no Brasil.

Enquanto um criador de gado de Ji-Paraná (RO) ou de Alta Floresta (MT) tem receita líquida anual superior a R$ 132 por hectare, um pecuarista de Tupã obtém R$ 65,32, de acordo com o Bird. Intensidade de chuvas, alta temperatura e escala de produção na Amazônia favorecem a pecuária.

Os três Estados com maior índice de destruição da floresta – Pará, Mato Grosso e Rondônia – contribuíram para o crescimento de 100% do rebanho nacional. O relatório observa que as exportações de carne no país passaram de 350 mil toneladas em 1999 para 900 mil em 2002.

Custo maior que ganho - A atividade tem um alto custo ambiental e não é boa distribuidora de renda, diz o mesmo economista. Ele estima que os custos sociais dos desmatamentos girem em torno de 100 dólares por hectare ao ano (perto de 300 reais).

O valor foi calculado comparando recursos ambientais perdidos com benefícios futuros que poderiam trazer para a população a partir da exploração madeireira, não madeireira, o ecoturismo, a bioprospecção e a estocagem de carbono.

Os grandes e médios produtores de gado são os maiores responsáveis pelo desmatamento na Amazônia. Os pequenos proprietários, apontados com vilões da floresta em avaliações anteriores do governo federal, são identificados no estudo do Bird como “fornecedores de mão-de-obra ou agentes intermediários que esquentam a posse da terra”. O estudo também identificou desinteresse dos pequenos produtores por atividades sustentáveis.

Para se ter uma idéia, em setembro o índice de focos de fogo foi quase duas vezes maior do que o total de agosto: 57.892 pontos ou 94% a mais do que os 29.778 focos do mês passado. O número impressiona, mas ainda é mais baixo do que o registrado em setembro do ano passado, quando 61.991 focos foram detectados.

As imagens dos satélites norte-americanos da série NOAA, processadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Embrapa Monitoramento por Satélite (CNPM), revelam também uma expansão das principais concentrações de fogo no sentido Leste-Oeste, com as chamas dominando a paisagem em praticamente todo o Brasil Central.

O ranking da fumaça

O estado recordista continua sendo o Mato Grosso, com 16.136 focos ou 28% do total brasileiro. Em seguida, no “ranking da fumaça”, vem o Pará (7.538 focos), Tocantins (6.125), Maranhão (5.157) e Bahia (4.683). Fora de época, como resultado de uma estiagem excessivamente prolongada, em sexto lugar vem Minas Gerais, com 4.254 focos, um índice impressionante para um estado que em agosto havia registrado 754 focos, praticamente cinco vezes menos. Concentrações importantes ainda ocorreram no interior do Paraná, oeste da Bahia e sertão do Piauí, Ceará e Pernambuco.

As atenções se voltam para os incêndios em unidades de conservação, que cresceram de modo assustador e atingiram grandes porções de parques e reservas de importância biológica.

No Jalapão (TO), denúncias de entidades ambientalistas consideraram vários incêndios como criminosos, resultado de disputas fundiárias. Na Amazônia, o fogo atingiu principalmente os parques nacionais da Serra do Divisor (Acre); Jaú e Amazônia (Amazonas); Pacás Novos (Rondônia); Araguaia (Tocantins); Chapada dos Guimarães (Mato Grosso) e até os parques do Viruá e Serra da Mocidade, em Roraima, e os de Cabo Orange e das Montanhas do Tumucumaque, no Amapá, onde ainda é cedo demais para queimar.

Nos estados do hemisfério norte, o fogo também surgiu precocemente nas estações ecológicas de Caracaraí e Niquiá (Roraima) e na reserva Biológica do Lago Piratuba (Amapá).

Frentes de incêndios destruíram parte das florestas nacionais de Itaituba, Tapajós-Aquiri, Tapajós, Caxiuanã, Xingu, Altamira, Itacaiúnas e Carajás (Pará), Purus e Tefé (Amazonas), Jamari e Bom Futuro (Rondônia), esta também objeto de disputas fundiárias.

O fogo se instalou igualmente nas reservas biológicas do Jaru e Guaporé (Rondônia), Gurupi (Maranhão) e Tapirapé (Pará) e nas estações ecológicas da Serra Geral do Tocantins (Tocantins) e de Anavilhanas (Amazonas).

Fora da Amazônia, incêndios ocorreram nos parques nacionais de Ilha Grande (Paraná); São Joaquim (Santa Catarina), Serra das Confusões, Nascentes do Rio Parnaíba, Serra da Capivara e Sete Cidades (Piauí), Chapada Diamantina e Grande Sertão Veredas (Bahia), Chapada dos Veadeiros (Goiás), Serra da Canastra e Itatiaia (Minas Gerais), Lençóis Maranhenses (Maranhão). E a Estação Ecológica de Uruçuí-Una, no Piauí, completou 4 meses com frentes de fogo constantes.

Nota:Para entender o mapa: quanto mais forte (vermelho) a cor, maior a incidência de focos de queimadas e incêndios

El niño

Estudos apresentados na 3ª Conferência Científica do LBA, mostraram que fenômenos como do El Ninõ e o aumento das queimadas na Amazônia produzem um efeito cascata de destruição da floresta por causa da seca cada vez mais rigorosa.

As conseqüências do El Niño para a floresta amazônica foram analisadas por um grupo de cientistas que simulou os efeitos do fenômeno em pequenas faixas da floresta. O trabalho também contou com parceria de um grupo de cientistas, entre eles Daniel Curtis Nepstad, da Woods Hole Research Center (USA).

As queimadas, por sua vez, alteram o regime das chuvas por causa das conseqüências na formação das nuvens na Amazônia. Numa pesquisa feita para se conhecer o mecanismo de formação de nuvens na floresta, se verificou que na Amazônia elas são formadas a partir de compostos emitidos pela própria vegetação. Nesse caso, as partículas produzidas pelas plantas são, em última análise, responsáveis por toda a formação de chuva e pela precipitação. Com as queimadas, há um fenômeno que faz com que o tamanho da gota de água da nuvem seja muito pequena e ela evapora antes de chover.

Aquecimento global - Para piorar as coisas, a fumaça contém grandes quantidades de carbono grafítico, o mesmo da fuligem produzida por motores a diesel. Essas partículas absorvem a luz solar e aquecem a nuvem, favorecendo a evaporação das gotículas de água.

Há também casos em que a nuvem de fumaça, por conter partículas menores e ficar por mais tempo em suspensão, é lançada a altitudes elevadas, o que favorece ainda mais a evaporação e pode afetar o clima em escala global.

Queimadas

As queimadas prejudicam o solo, pois além de destruir toda a vegetação, o fogo também acaba com nutrientes e com os minúsculos seres (decompositores) que atuam na decomposição dos restos de plantas e animais.

As queimadas são severamente criticadas pelos ambientalistas por prejudicar a fertilização do solo, favorecendo a erosão, concorrendo para o assoreamento dos rios e o agravamento dos fenômenos El Ninõ.

Em outras palavras, o fogo em floresta recém-derrubadas ou em florestas em pé contribui para o efeito estufa devido à emissão de dióxido de carbono, monóxido de carbono e óxido de nitrogênio.

O incremento do efeito estufa altera o clima e a ocorrência de secas prolongadas, em áreas de floresta tropical, facilita a dispersão do fogo. Na Amazônia o monitoramento de queimadas por satélite iniciado nos anos 80, tem demonstrado que os anos muito secos causam problemas extras, as queimadas feitas pelo homem em área derrubadas fogem ao controle com mais facilidade penetram na floresta. Abrem-se grandes frentes de incêndios, especialmente quando há trilhas de caças e de coleta extrativista.

São necessárias algumas décadas para recompor o cenário e a prova de que as catástrofes ambientais não podem ficar à mercê de tanta burocracia.

Fonte: www.zone.com.br

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