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Dia do Gari

16 de Abril

Nos riscos químicos foi observado que nunca houve ferimento dos garis por produtos químicos, ou seja, 100% nunca sofreram quaisquer tipos de acidentes com esse tipo de produto durante o manuseio e/ou transporte do mesmo. Isso se deve pelo fato de tratar de características de lixo urbano e conseqüentemente, possuírem insignificantes volumes de resíduos químicos.

Na identificação dos problemas decorrentes da inalação de odor dos resíduos coletados, observa-se na Figura 4 que, 56% dos entrevistados estão acostumados com o mal cheiro do lixo e que no início do serviço 25% sentiam ou ainda sentem cefaléias diárias.

Dia do Gari Figura 4. Problemas relacionados ao odor de resíduos.

No contato diário com resíduos e outros fatores físicos durante o serviço, pôde-se observar na Figura 5 que, 37% dos trabalhadores da limpeza pública se sentem incomodados com os particulados suspensos no ar, especialmente com as poeiras inspiradas, pois podem causar problemas ao trato respiratório, e outros 25% têm a visão prejudicada.

Dia do Gari Figura 5. Incômodos diários em serviço.

Durante o manuseio e o transporte dos resíduos diários foi observada na Figura 6 a freqüência que o entrevistado se acidenta com objetos cortantes ou perfurocortante e notou que 74% dos entrevistados nunca tiveram qualquer tipo de acidente dessa natureza. Pode se dizer isto, pelo fato de todos eles terem contato indireto com o objeto cortante, manuseando por meio de pás, vassouras e/ou carrinho para coleta.

Dia do Gari Figura 6. Freqüência de cortes com objetos ou vidros.

Na identificação dos riscos ocupacionais diários foi perguntado ao entrevistado quanto à ergonomia durante o tempo de serviço. Observou-se conforme Figura 7 que, 69% dos entrevistados têm algum problema de má postura relacionado ao equipamento de uso diário (carrinho, pá e/ou vassouras), ou seja, 11 garis num total de 16. Isso se deve ao fato das ferramentas serem inadequadas à estatura dos garis e a posição incorreta de varrição ou coleta diária.

Nota-se, que não está em conformidade com o que prevê a Norma Regulamentadora – NR17, que visa estabelecer parâmetros que permitem a adaptação das condições de trabalho às condições psicofisiológicas, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente dos colaboradores, embasados juridicamente pelos artigos 198 e 199 da Consolidação de Leis Trabalhistas – CLT (MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO, 2007).

Dia do Gari Figura 7. Riscos ocupacionais diários.

Observa-se na Figura 8 a percepção do entrevistado em relação ao serviço de gari e nota-se então, uma disparidade entre eles. Pois, 38% dos garis relatam que sentem muito discriminados pela população e uma outra maioria de 56% dizem que a sociedade gosta do que fazem, ou seja, em uma mesma classe de trabalhadores observam-se opiniões opostas quanto à percepção social. Isso se deve talvez, pelo fato da ignorância intelectual do entrevistado diante da visão social e a incapacidade de observação externa.

Dia do Gari Figura 8. Percepção social do serviço de gari.

Na Figura 9, após pesquisa em campo nota-se que 16 entrevistados, ou seja, 100% não utilizam coletes sinalizadores e também se observa a inadequação quanto ao restante dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI), na utilização diária pelos colaboradores de limpeza pública. Isto se deve pela má conduta da gestão do Departamento de Limpeza Pública que não fornece com freqüência os equipamentos adequados a seus colaboradores e/ou a desobediência dos garis quando é fornecido. Estando em desacordo com as normas regulamentadoras (NR’s), em particular as NR6 e NR26, que prevê a obrigatoriedade de fornecimento de EPI’s a seus empregados sempre que as condições de trabalho o exigir e a sinalização de segurança nos ambientes de trabalho, embasados juridicamente pelos artigos 166, 167 e 200 da CLT, respectivamente (MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO, 2007).

Dia do Gari Figura 9. Número de garis referente à ausência de algum tipo de EPI.

CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

O espaço amostral para este trabalho foi insuficiente para uma correlação confiável e consistente entre saúde ocupacional e segurança do trabalho, em função do quantitativo entrevistado, capacidade de auto-avaliação e carência de dados no universo de possíveis doenças adquiridas ao longo do tempo de serviço.

Observou-se então, um acentuado risco à saúde dos garis de Hidrolândia devido à falta de instrumentos que auxiliam na melhoria da qualidade coletiva e na otimização dos serviços prestados.

Para maior proteção desses colaboradores, notou-se a necessidade da implantação da NR 5 referente à uma Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que estabelece a obrigatoriedade das empresas públicas e privadas organizarem e manterem em funcionamento, por estabelecimento, e constituída exclusivamente por empregados com o objetivo de prevenir infortúnios laborais. Através dessa comissão o trabalhador poderá apresentar sugestões e recomendações ao empregador para que melhore as condições de trabalho, e assim eliminar as possíveis causas de acidentes do trabalho e doenças ocupacionais, embasadas juridicamente nos artigos 163 a 165 da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).

REFERÊNCIAS

ABEQ, Associação Brasileira de Engenharia Química. Lixão afeta meio ambiente em todo o estado de Alagoas, 2001. Disponível em: <http://www.abeq.org.br> Acesso em: set.2006.

ANJOS, L. A. & FERREIRA, J. A. A avaliação da carga fisiológica de trabalho na legislação brasileira deve ser revista! O caso da coleta de lixo domiciliar. Cadernos de Saúde Pública, 16:785-790, 2000.

FERREIRA, J. A. Lixo Hospitalar e Domiciliar: Semelhanças e Diferenças – Estudo de Caso no Município do Rio de Janeiro. Tese de Doutorado, Rio de Janeiro: Escola Nacional de Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz, 1997.

GUIZARD, J.B.R. Aterro sanitário de Limeira: diagnóstico ambiental, 2005. Disponível em: <http://www.unipinhal.edu.br> Acesso em: set.2006.

IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Banco de dados, 2000. Disponível em <http://www.ibge.gov.br> Acesso em: mai.2007.

IDEC, Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor. Lixo: um grave problema do mundo moderno, 2001. Disponível em: http://www.idec.org.br/biblioteca/mcs_lixo. Acesso em: set.2006.

MATTOS, U. A. O. Introdução ao Estudo da Questão Saúde e Trabalho. Rio de Janeiro: Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana, Escola Nacional de Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz, 1992.

MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. Segurança e Saúde no Trabalho. Disponível em: <http://www.mte.gov.br/seg_sau/default.asp> Acesso em: mai.2007. PREFEITURA MUNICIPAL DE HIDROLÂNDIA. Departamento de Limpeza e Obras. Coleta de dados: out.2006.

ROBAZZI, M. L. C.; MORIYA, T. M.; FÁVERO, M. & PINTO, P. H. D. Algumas considerações sobre o trabalho dos coletores de lixo. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, 20:34-40, 1992.

RUBERG, C. & PHILIPPI Jr., A. O Gerenciamento de Resíduos Sólidos Domiciliares: Problemas e Soluções – Um Estudo de Caso. In: 20o Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, Anais, CD-ROM III. Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental, 1999.

TAKADA, A.C.S. O Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde e o Direito do Trabalhador. Monografia Final de Curso, Brasília: Escola Nacional de Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz, 2003.

VELLOSO, M. P. Processo de Trabalho da Coleta de Lixo Domiciliar da Cidade do Rio de Janeiro: Percepção e Vivência dos Trabalhadores. Dissertação de Mestrado, Rio de Janeiro: Escola Nacional de Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz, 1995.

VELLOSO, M. P.; SANTOS, E. M. & ANJOS, L. A. Processo de trabalho e acidentes de trabalho em coletores de lixo domiciliar na cidade do Rio de Janeiro, Brasil. Cadernos de Saúde Pública, 1997.

ANEXO 1: Questionário

PESQUISA SOCIOAMBIENTAL DA SAÚDE OCUPACIONAL DOS GARIS DE HIDROLÂNDIA-GO ENTREVISTADO:

IDADE: DT. ADMISSÃO: ITINERÁRIO:

RISCOS BIOLÓGICOS

a) O Senhor(a) já teve algum tipo de doença, como: 1- Gripes 2- Diarréia 3- Dermatites 4- Coluna e Braços (Osteomuscular) b) Qual foi a freqüência que o Senhor(a) utilizou atestados médicos para a ausência ao serviço:

1-Nunca 2- Uma vez/ ano 3- De 2 a 4 vezes/ ano 4- Acima de 5 vezes/ ano RISCOS FÍSICOS

b) Quanto ao odor do resíduo no momento do manuseio e transporte, costuma sentir:

1- Sinto bem, estou acostumado 2- Mal-estar 3- Cefaléias 4- Náuseas c) O que mais te incomoda no dia a dia de trabalho?

1- Não há incômodo 2- Odor 3- Poeira (olhos) 4- Poeira (Nariz) RISCOS QUÍMICOS

d) Já se feriu ou houve algum tipo de desconforto no manuseio ou transporte de:

?? Pilhas, baterias, óleos e graxas, solventes, tintas, remédios e outros.

1- Nunca 2- Raramente 3- Poucas vezes 4- Freqüentemente RISCOS OCUPACIONAIS E ACIDENTAIS

e) Ao manusear ou transportar os resíduos diários, já houve acidentes: ?? Cortes com vidros, materiais perfurocortantes ou pontiagudos.

1-Nunca 2- Sim, 1 vez/ mês 3- 1 vez/ semana 4- 3 ou mais vezes/ semana f) Na rotina diária já houve:

1- Má postura ao equipamento 2- Quedas 3- Ferimentos 4- Atropelamento RISCOS SOCIAIS

g) Qual é a percepção do serviço do Senhor(a) em relação a sociedade: 1- Sinto bem 2- Indiferente 3- Pouco discriminado 4- Muito discriminado

Fonte: www.ucg.br

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