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Solo e Meio Ambiente

A vida dos homens e animais domésticos está condicionada aos elementos indispensáveis à subsistência. O meio ambiente em que vivem deve ter ar puro, para atender a uma das funções orgânicas básicas - a respiração; água potável , para satisfazer às necessidades hídricas, e alimentos com boa qualidade e em quantidades suficientes. A fonte fornecedora desse combustível, que faz a máquina-homem ou animal viver, caminhar e exercer outras atividades é o solo. É desse elemento que o homem retira direta ou indiretamente o seu alimento. O solo deve ser fértil, para atender às demandas da população, em quantidade e qualidade. Se o solo for deficiente em um elemento químico, as plantas nele cultivadas serão carentes nessa qualidade.

Quando o homem deixou de ser nômade, sentiu necessidade de prover sua subsistência e da família. Ao retirar a manta vegetal que cobria o terreno para, em seu lugar, realizar uma exploração, o homem expõe o solo à ação direta da água da chuva e/ou vento que, pela ação erosiva provoca o seu desgaste, portanto, a perda de nutrientes indispensáveis às culturas. A terra carreada pelas enxurradas vai se depositar em leito dos rios e de reservatórios e, após uma chuva forte, ocasiona inundações provocando danos ambientais. Quando o agricultor e/ou pecuarista usam fertilizantes e outros produtos químicos, em terrenos não devidamente protegidos contra os efeitos erosivos da água da chuva, essas substâncias são carreadas juntamente com a terra para cursos d'água, ocasionando sua degradação, alterando as condições ambientais e prejudicando diretamente a subsistência da flora e da fauna aquáticas e, também, dos seres humanos e dos animais que dependem desta fonte para atender às suas necessidades de água.

A manutenção das características produtivas dos solos é uma atividade indispensável à subsistência humana, pela importância do fornecimento direto ou indireto dos alimentos; porque a ação erosiva da água da chuva, carreando a terra para locais indesejáveis, acarreta uma série de prejuízos ao meio ambiente, com conseqüências sócio econômicas.

Os objetivos das práticas conservacionistas são eliminar a ação da água da chuva e do vento sobre os terrenos, a fim de evitar danos ambientais; que os solos atendam às necessidades alimentares da população atual e mantenham suas qualidades potenciais para satisfazer às solicitações das gerações futuras.

Complementarmente, os Conservacionistas trabalham para que a cobertura vegetal e os restos culturais sejam incorporados ao solo, eliminando a queima, cuja conseqüência imediata é a poluição do ar ambiental, ocasionando danos à saúde do homem e dos animais, além dos estragos sobre os terrenos e o maléfico efeito estufa.

O solo tem as funções de servir de suporte mecânico para os vegetais e reter a umidade, libertando os nutrientes e o oxigênio para as raízes, quando as plantas dele necessitam. O solo agrícola é a parte mais externa da crosta terrestre que sofreu a ação dos agentes intempéricos. A riqueza mineral de um solo é variável com os elementos constituintes da rocha-matriz.

A manta de vegetação protetora do solo, que surge após a sua constituição pode ser retirada pelo agricultor, ao realizar uma lavoura, pelos animais, por pastoreio ou eliminada pelas queimadas sucessivas.

A degradação do solo resulta nas alterações de suas características físicas, químicas e biológicas, perda da capacidade de retenção da umidade e diminuição dos nutrientes, reduzindo as condições de desenvolvimento das culturas e aumentando a suscetibilidade à ação da erosão hídrica e eólica.

Meio-ambiente é o conjunto dos elementos que cercam o ser vivo, podendo ser biológicos e físicos (ou abióticos); nestes últimos destacam-se o clima, os solos e os recursos hídricos. Há uma interação de efeitos desses elementos. Devido a esse inter-relacionamento, o solo, a água e as florestas ocupam lugar de realce na qualidade do ambiente. A preservação desses elementos é fundamental para a sustentabilidade dos seres vivos.

O objeto básico da ecologia é o estudo das relações entre os organismos e o ambiente em que vivem. O sistema ecológico que engloba o conjunto de organismos de uma área (comunidade biótica) e os fatores abióticos a ela associados, com suas possíveis inter-relações é denominado ecossistema.

O desenvolvimento sustentável objetiva demonstrar a preocupação da sociedade com a agressão dos elementos da natureza e realça que as atividades para o desenvolvimento da humanidade sejam realizadas de modo a preservar as qualidades essenciais dos recursos naturais.

Sistema agrícola sustentável é a garantia da satisfação das necessidades da população atual, mantida a qualidade ambiental e a preservação dos recursos naturais, a fim de conservar a potencialidade produtiva dos elementos essenciais, não vindo a ocasionar restrições à subsistência das gerações futuras.

A Agricultura Conservacionista é a utilização dos elementos naturais, de modo a que as atividades produtivas sejam realizadas de acordo com a capacidade potencial de cada gleba, objetivando a garantia da demanda da população atual, sem comprometer o atendimento da subsistência dos futuros habitantes. É executada com base no levantamento das condições de cada gleba a fim de, superando os fatores restritivos ou limitantes (se existentes), planejar o seu manejo e uso com o emprego de insumos (se necessário)e de processos que evitem a ação dos agentes erosivos e que possibilitem as explorações mais econômicas para cada terreno, em função de suas peculiaridades. A agricultura conservacionista é baseada na classificação da capacidade-de-uso das terras, feita através da interpretação do levantamento do meio-físico efetuado nas glebas. Objetiva o planejamento da utilização e manejo adequado do solo, culturas e processos conservacionistas.

A Agricultura Conservacionista, embora tenha os mesmos fins que a Agricultura Sustentável, possui uma sistemática definida, devidamente adaptada às condições de tipos de solo, clima e culturas realizadas no território brasileiro.

Altir A. M. Corrêa

Fonte: www.agronline.com.br

Solo e Meio Ambiente

O QUE É O SOLO?

É o material mineral e/ou orgânico, inconsolidado na superfície da terra, que serve para como meio natural para o crescimento e desenvolvimento de diversos organismos vivos (CURI et al., 1993).

DEGRADAÇÃO DO SOLO

Existem vários fatores econômicos, culturais e sociais asssociados à degradação do solo. Porém um dos aspectos que contribui para a degradação dos solos é o desconhecimento sobre este componente do ambiente, e sua importância. Por outro lado, a conservação do solo pode ser estimulado com o acesso ao conhecimento sobre este componente ambiental, e sua importância.

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ALGUNS PROCESSOS DE DEGRADAÇÃO DO SOLO

Redução da fertilidade natural;

Diminuição da matéria orgânica do solo;

Compactação;

Perda de solo e água por erosão hídrica e eólica;

Desertificação e arenização dos solos;

Contaminação por resíduos rurais, urbanos e industriais;

Decapeamento para fins de exploração mineral;

Alteração para obras civis (cortes e aterros).

ALGUMAS FUNÇÕES DO SOLO

Regulação da distribuição, armazenamento, escoamento e infiltração da água de chuva e irrigação.

Ação filtrante e protetora da qualidade da água

Substrato ou matéria prima para obras civis, utensílios e artesanato

Habitat para o crescimento e desenvolvimento de macro e microorganismos (inclusive os vegetais)

Armazenamento e ciclagem de nutrientes

FORMAÇÃO DO SOLO

O solo é formado à partir da alteração do material de origem, sob a ação do clima, organismos e relevo, ao longo do tempo

O material de origem influencia aspectos como a composição e textura do solo

O clima influencia aspectos como o teor de matéria orgânica, profundidade, e grau de intemperização do solo

Normalmente os solos mais profundos encontram-se em relevos mais planos. Afloramentos de rochas e solos rasos usualmente são encontrados em relevos mais declivosos. Na planície aluvial encontram-se solos hidromórficos (com excesso de água)

Os organismos vivos influenciam a formação do solo através de processos como: a) biociclagem; b) adição de matéria orgânica; c) aumentam a agregação do solo; d) bioturbação; e) proteção do solo.

HORIZONTES DO SOLO

A unidade fundamental de estudo do solo é o perfil do solo, que se divide em horizontes (A, B, C, E, F, O, H)

O horizonte O é um horizonte superficial de cobertura, de constituição orgânica.

O horizonte H é um horizonte superficial de constituição orgânica, formado em condições de estagnação de água.

O horizonte A é um horizonte mineral superficial, com concentração de matéria orgânica decomposta.

O horizonte B é um horizonte mineral subsuperficial, bastante afetado pelos processos de formação do solo

O horizonte C é um horizonte mineral subsuperficial, pouco afetado pelos processos de formação do solo

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COMPOSIÇÃO DO SOLO

O solo é formado por matéria orgânica e mineral (fração sólida), solução do solo (fração líquida) e ar do solo (fração gasosa)

A matéria orgânica do solo pode ser dividida em viva e morta.

A matéria orgânica orgânica fresca (adicionada por animais e vegetais) é decomposta pelos organismos do solo, liberando CO2, H2O, íons e energia, e formando húmus como resíduo deste processo.

TEXTURA DO SOLO

As partículas individuais do solo são separadas em areia (tamanho entre 2 e 0,05 mm), silte (tamanho entre 0,05 e 0,002 mm) e argila (tamanho menor que 0,002 mm).

Um torrão não é uma partícula do solo, mas um agregado formado por muitas partículas de areia, silte e argila.

Solo argiloso é um solo que tem predominância de partículas de argila, mas também tem partículas de silte e areia. Solo arenoso é um solo que tem predominância de partículas de areia, mas também tem partículas de silte e argila em menor proporção.

COR DO SOLO

É um indicativo da composição do solo.

Solos escuros indicam a presença de matéria orgânica. Solos vermelhos ou amarelos indicam a presença de oxihidróxidos de ferro. A cor cinza indica a presença de argilominerais, e se expressa em condições de excesso de água. A cor clara indica a presença de quartzo.

ESTRUTURA DO SOLO

A estrutura é a agregação das partículas primárias do solo (areia, silte e argila).

Existem diferentes formas de estruturas no solo (granular, blocos, prismática, laminar). Também ocorrem solos sem estrutura.

POROS DO SOLO

Embora existam poros visíveis a olho nú, a maior parte dos poros do solo não são visíveis.

Os poros são necessários para o crescimento das raízes e outros organismos do solo, além de servir para o movimento de água e ar no solo.

Os solos argilosos normalmente retêm mais água que os solos arenosos, pois possuem mais poros

BIBLIOGRAFIAS BÁSICAS PARA SABER MAIS SOBRE O SOLO

1. CURI, N.; LARACH, J. O. I.; KAMPF, N.; MONIZ, A. C.; FONTES, L. E. F. Vocabulário de ciência do solo. Campinas: SBCS, 1993. 90 p.

2. KIEHL, E. J. Manual de edafologia: relações solo-planta. São Paulo: Ceres, 1979. 262 p.

3. LEMOS, R.C. de; SANTOS, R.D. dos. Manual de descrição e coleta de solo no campo.

3. ed. Campinas: SBCS/EMBRAPA-CNPS, 1996.

4. LEPSCH, I.F. Formação e conservação dos solos. São Paulo: Oficina de Textos, 2002. 178 p. (livro interessante para começar a estudar solos).

5. MONIZ, A. C. (Coord.). Elementos de pedologia. São Paulo: Livros Técnicos e Científicos, 1975. 158 p.

6. SOUZA, C.G. (Coord.) Manual técnico de pedologia. Rio de Janeiro: IBGE, 1994. 104 p. (Manuais Técnicos em Geociências, 04).

Marcelo Ricardo de Lima

Fonte: www.escola.agrarias.ufpr.br

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