Início geralmente súbito, com febre, cefaléia intensa, náuseas, vômitos e rigidez de nuca, acompanhada, em alguns casos, por exantema petequial. Associam-se sinais de irritação meníngea, conforme a descrição que se segue:
Sinal de Kernig: resposta em flexão da articulação do joelho, quando a coxa é colocada em certo grau de flexão relativo ao tronco. Há duas formas de se pesquisar esse sinal:
paciente em decúbito dorsal: eleva-se o tronco, fletindo-o sobre a bacia; há flexão da perna sobre a coxa e dessa sobre a bacia; e
paciente em decúbito dorsal: eleva-se o membro inferior em extensão, fletindo-o sobre a bacia, após pequena angulação, há flexão de perna sobre a coxa. Essa variante chama-se, também, manobra de Laségue.
Flexão involuntária da perna sobre a coxa e dessa sobre a bacia ao se tentar ante-fletir a cabeça. Delírio e coma podem surgir no início da doença ocorrendo, às vezes, casos fulminantes com sinais de choque. Dependendo do grau de comprometimento encefálico (meningoencefalite), o paciente poderá apresentar também convulsões, paralisias, tremores, transtornos pupilares, hipoacusia, ptose palpebral e nistagmo.
A meningite em crianças dessa faixa etária raramente apresenta sinais de irritação meníngea. Outros sinais e sintomas permitem a suspeita diagnóstica, tais como: febre, irritabilidade ou agitação, grito meníngeo e recusa alimentar acompanhada ou não de vômitos, convulsões e abaulamento da fontanela.
Infecções do Sistema Nervoso Central (SNC), com acometimento das meningites, causadas por múltiplas etiologias e caracterizadas por: febre, cefaléia intensa, vômitos, sinais de irritação meníngea e alterações do Líquido Céfalo-Raquidiano (LCR). Seu prognóstico depende do diagnóstico precoce e do início imediato do tratamento. Algumas delas se constituem em problemas relevantes para a saúde pública.
Etiologia: As meningites são causadas por uma variedade de microorganismos, cujos principais estão relacionados no quadro abaixo:
| VÍRUS | BACTÉRIAS | OUTROS |
|---|---|---|
| - Da caxumba - Enterovírus (picornavírus) - Coxsakie A e B - ECHO - Da poliomielite - Arbovírus - Do Sarampo - Do Herpes simples - Da varicela - Adenovirus - Da Coriomeningite linfocitária (Arenavírus) |
- Neisseria meningitidis (meningococo) - Mycobacterium tuberculosis e outras micobactérias - Haemophilus influenzae - Streptococcus pneumoniae e outros Streptococcus (grupo A e B) - Staphylococcus aureus - Escherichia coli - Klebsiella sp - Enterobacter sp - Salmonella sp - Proteus sp - Pseudomonas aeruginosa - Listéria monocytogenes - Leptospira sp |
- Ameba de vida livre . Naegleria . Aconthamoeba - Outros Protozoários . Toxoplasma gondii . Trypanosoma cruzi (fase tripanomastigota) - . Plasmodium sp - Helmintos: . infecção larvária da Taenia solium ou Cisticercose (Cysticercus cellulosae) - Fungos: . Cryptococcus neoformans . Candida albicans e C. tropicalis |
Em saúde pública, duas etiologias são de especial importância: meningococo (Neisseria meningitidis) e bacilo da tuberculose (Mycobacterium tuberculosis).
Todavia, para o seu correto acompanhamento, é fundamental que todas as meningites sejam investigadas e tratadas. Deve-se levar em consideração que outras etiologias podem ter importância maior em determinados momentos, pelo aumento do número de casos ou pelo aumento da letalidade, por exemplo.
As meningites causadas pelo Haemophilus e pelo Pneumococo têm merecido atenção especial, devido às suas elevadas incidências, bem como pela evolução no conhecimento sobre métodos de prevení-las.
Notificação: é realizada através da coleta sistemática das informações sobre a doença, da investigação dos casos e óbitos, da análise dos dados obtidos e da adoção de medidas de controle oportunas. O conhecimento dos casos dar-se-á dentre outras pelas seguintes fontes:
Hospitais: constituem a fonte principal de notificação de casos de meningites, uma vez que o tratamento de um doente é efetuado em ambiente hospitalar, geralmente especializado, e que deve estar integrado ao sistema de vigilância epidemiológica. O conhecimento dos casos através dos hospitais de atendimento pode se dar de modo passivo, quando se aguarda as notificações por eles enviadas, ou de modo ativo, quando se busca nesses locais os casos que tiveram diagnóstico de meningite.
Laboratórios: são importantes fontes de informação para o sistema.
Declaração de Óbito: proporcionam o conhecimento dos casos com evolução fulminante (meningococcemia), bem como outros que não tenham sido notificados.
AIH: constitui importante fonte de conhecimento de casos.
Suspeito: Todo paciente com sinais e sintomas de meningite (febre, cefaléia intensa, vômitos, rigidez da nuca, sonolência, convulsões, principalmente se forem acompanhados de manifestações cutâneas). Crianças abaixo de um ano de idade, principalmente as menores de oito meses, que apresentarem: vômitos, sonolência, irritabilidade aumentada, convulsões e, especificamente, abaula-mento de fontanela, acompanhados ou não de exantema petequial.
Confirmado: a confirmação laboratorial de etiologia das meningites é fundamental para a vigilância epidemiológica. Mesmo em condições ideais de laboratório, não é possível esperar que, em todos os casos, se consiga a identificação do agente causal. Assim sendo, a confirmação pode ter diferentes graus de refinamento, dependendo das condições existentes. Esgotar todas as possibilidades diagnósticas, no caso do líquor, abrange os exames: físico, citológico, bioquímico, microbiológico (bacteriológico, micótico e virológico) e imunológico. Quanto ao sangue, soro e outros, essas possibilidades também devem ser esgotadas. A confirmação é feita através de vários critérios:
diagnóstico clínico + exame bacteriológico positivo (cultura e bacte-rioscopia) + imunológico/sorológico positivos (contraimunoeletrofore-se/aglutinação pelas partículas do látex);
diagnóstico clínico + cultura positiva;
dignóstico clínico + contra-imunoeletroforese e/ou látex positivo;
diagnóstico clínico + bacterioscopia positiva;
diagnóstico clínico + líquor com neutrocitose, hiperproteinorraquia e hipoglicorraquia.
meningites serosas, assépticas ou a líquor claro (vírus, rickettsias, leptospiras, brucelas, fungos e outros)
diagnóstico clínico + líquor (geralmente linfomononucleares) + epidemio-lógico + outros exames pertinentes (pesquisa ao exame direto/ tomógráfico/sorológico/imunológico/microscópico);
diagnóstico clínico + epidemiológico;
diagnóstico clínico + citoquímico.
Fonte: dtr2001.saude.gov.br
É uma inflamação das meninges, membranas que envolvem o encéfalo e a medula espinhal. Pode ser causada por vírus ou por bactéria, a qual é a mais comum. A meningite meningocócica é causada pela bactéria Neisseria meningitidis ou Neisseria intracelullaris. o meningicoco é uma bactéria do tipo diplococo que só causa a doença no ser humano, não infectado outros animais.
A transmissão é feita pelo contato direto com secreções da garganta ou do nariz de pessoas portadoras ou convalescentes.
Estas pessoas liberam os agentes etiológicos no ar que podem ser inspirados por outros indivíduos e causar a doença. Felizmente, os meningococos não sobrevivem muito na atmosfera.
O período de incubação é de dois a dez dias. A doença meningocócica evolui em três etapas: nasofaríngea, septicêmica ou meningococcêmica e meningítica.
A fase nasofaríngea é normalmente pouco sintomática, mas é o ponto de partida para as formas evolutivas da doença. Os sinais gerais são: febre, mal-estar, falta de apetite, náuseas e vômitos.
A fase septicêmica ou meningococcêmica caracteriza-se pelo aprecimento da febre, calafrios, dores musculares e toxemia. Geralmente, aparecem lesões cutâneas purpúricas.
O último estágio evolutivo da infecção é a meningite meningocócica, em que ocorre a inflamação das meninges, com fortes dores de cabeça, dores no pescoço e nas costas, rigidez na nuca, confusão mental, etc. O corpo assume posturas de defesa contra a dor, para evitar o estiramento doloroso dos nervos que saem da medula espinhal.
Pode ocorrer ainda aumento ou diminuição do ritmo cardiorrespiratório.
As principais medidas profiláticas que devem ser tomadas são: utilização de pratos, talheres e copos bem lavados; dar preferência a utensílios descartáveis; evitar ambientes abafados onde há aglomerações de pessoas; isolamento dos doentes em hospitais especializados.
Existem vacinas contra a meningite, mas, como apresentam algum tipo de problema, nenhuma delas é amplamente utilizada. As mais conhecidas são desenvolvidas em Cuba, Noruega e Estados Unidos. Todas protegem apenas contra o meningococo do tipo B e não são eficientes em crianças com menos de quatro anos, justamente as que mais necessitam.
O tratamento, muito demorado pela dificuldade de se fazerem os antibióticos atingirem as meninges, é feita com penicilina, tetraciclina e cloranfenicol.
Lembre-se: Nunca use remédios sem prescrição médica.
Fonte: www.brasilescola.com