Evoluir sem radicalizar: esta tem sido a norma dentro da Mercedes-Benz em suas últimas criações — ao menos depois do Classe E de 1995, que chocou com os faróis ovalados, hoje tão habituais na marca da estrela de três pontas. A mesma diretriz nota-se agora no lançamento do novo Classe S, que chega no último trimestre (a apresentação oficial é no Salão de Frankfurt, em setembro) para substituir a geração de 1998, da qual 485 mil unidades já foram vendidas.
O que mais chama a atenção ao ver o novo "S" é o ar esportivo que o luxuoso sedã assumiu, com formas mais angulosas, arcos de pára-lamas bem destacados (lembrando os do Ford Focus de primeira geração) e um discreto defletor incorporado à tampa do porta-malas. A queda suave do teto na traseira, similar à de um cupê, busca semelhança com o CLS da própria Mercedes. Já o desenho das lanternas posteriores remete ao Maybach. Curioso é que a solução dessa parte do desenho, com o porta-malas mais alto que os pára-lamas, parece imitar um dos elementos mais polêmicos do atual BMW Série 7, um de seus concorrentes diretos.

O Classe S é mais um carro a crescer em sua renovação: as duas opções de comprimento, 5,07 e 5,20 metros, são 33 e 43 mm (na ordem) mais longas que as anteriores. A distância entre eixos aumentou em 70 e 80 mm (na mesma ordem), para 3,03 e 3,16 metros, enquanto a largura ganhou 16 mm e a altura 29 mm. O resultado é uma ampliação bem perceptível de espaço interno, como 50 mm adicionais para a cabeça e 39 mm a mais para os ombros. O porta-malas também cresceu, de 500 para 560 litros.
Como se espera, todo o requinte e conforto foi aplicado a esse topo de linha entre os automóveis com o emblema da estrela. Como opção, os bancos dianteiros podem ter aquecimento, ventilação e apoios laterais dinâmicos, que assumem novos contornos em curvas acentuadas para manter o corpo firme (ajustes dos apoios são disponíveis também no banco traseiro, mas não dinâmicos). Esse recurso inclui a função de massagem, obtida ao inflar e desinflar automaticamente as câmaras de ar. O teto da versão longa (o carro prateado das fotos) pode ter uma ampla área envidraçada.
A Mercedes destaca sua funcionalidade no acionamento de comandos — de certo modo uma alfinetada na BMW, cujo sistema iDrive do Série 7 foi criticado pela operação complexa. Funções como rádio, TV, sistema de áudio (com DVD), telefone e navegação podem ser acionadas por botões convencionais, pelo sistema Comand ou por teclas no volante. Os controles de climatização também permitem escolha entre o Comand e os interruptores comuns. E o mapeamento de navegação pode vir de fábrica em um disco rígido, para acesso mais rápido.

Dos quatro motores, três trazem novidades. Acima do conhecido V6 de 3,5 litros e 272 cv (S 350) está um novo V8 (S 500) com potência de 388 cv e torque máximo de 54 m.kgf, para acelerar de 0 a 100 km/h em 5,4 segundos (a velocidade permanece limitada a 250 km/h). No primeiro trimestre de 2006 chegam dois outros motores. O V12 do S 600 passa a 517 cv, com um torque de 84,6 m.kgf a 1.900 rpm! O outro é um V6 a diesel com injeção direta (S 320 CDI), 231 cv e 55,1 m.kgf a 1.600 rpm.
O câmbio automático de sete marchas, padrão nos V6 e V8, tem alavanca própria junto ao volante — como no Série 7 —, o que liberou espaço no console. A suspensão usa molas pneumáticas (a ar) e sua firmeza pode ser ajustada em movimento. Acima de 120 km/h ou em modo esportivo a altura de rodagem diminui 20 mm. O ABC, controle ativo de rolagem (inclinação em curvas), é de série no S 600 e opcional nos demais. E o freio de estacionamento, aplicado por um botão, é liberado quando se põe o carro para rodar.
A nova geração é uma oportunidade para a Mercedes introduzir grandes avanços em tecnologia e segurança — uma dúzia deles, afirma a empresa. Um deles é a maior integração entre o controlador de velocidade ativo Distronic e a assistência adicional de frenagem (BAS), já presentes no antigo modelo. Denominado Brake Assist Plus, o sistema é agora capaz de determinar e aplicar o esforço ideal de frenagem para que a distância segura até o veículo à frente seja mantida, mesmo que o motorista pise nos freios com muito pouca pressão. O intuito é também evitar colisões traseiras geradas por uma frenagem excessiva — contribuem para isso as luzes de freio que piscam em desacelerações mais intensas.
A manutenção de uma distância segura pode ser ativada de 0 a 200 km/h. O controlador de velocidade também movimenta e pára o Classe S no trânsito lento, sem intervenção do motorista, de modo a seguir o veículo à frente. É o mais próximo que já se viu do termo "piloto automático", tão mal empregado por alguns que se refere ao controle de velocidade...
O mesmo sistema baseado em radar é usado como sensor auxiliar de estacionamento, com maior alcance que o de ultra-som comumente usado nesse dispositivo. Outra novidade, embora em uso há anos por fabricantes como a Cadillac, é uma assistência de visão noturna com base em luzes infravermelhas, que permite visibilidade de 150 metros à noite com o uso de faróis baixos. As imagens captadas por uma câmera no pára-brisa são mostradas no painel de instrumentos, que também monitora o que acontece atrás do carro em manobras.
O sistema Pre-Safe, que percebe a iminência de uma colisão e prepara o veículo para esse evento, passa a ter recursos adicionais: os vidros são fechados automaticamente e os apoios dos bancos são inflados quando há uma derrapagem ou uma frenagem intensa, para que motorista e passageiros sejam mantidos na posição ideal e aumente a eficácia das bolsas infláveis.
A concorrência não está para brincadeira: o Audi A8 e o BMW Série 7 tiveram evoluções recentes, a Bentley apresentou o Continental Flying Spur e a Maserati tem o charmoso Quattroporte. Mas a Mercedes-Benz comprova com o novo Classe S que, sem gerar polêmica pelas linhas, pode surpreender pela evolução técnica.
Fonte: www2.uol.com.br