A caça-submarina, ao contrário de outros esportes que sempre dispõe de um terreno de jogo com características inalteráveis, é uma atividade que se desenrola em um meio muito inconstante, sob condições muito variáveis e às vezes imprevisíveis. Isto faz com que não se possa planejar de uma forma exclusiva a prática desse esporte. A estação do ano, a corrente, a visibilidade, a temperatura e muitos outros fatores incidem das mais variadas maneiras no ambiente físico no qual o mergulhador irá se encontrar.
Para cada situação concreta poderíamos estabelecer um tipo de caça, mas dada a complexidade de fatores que podem provocar e de quanto provocam tantas e tão variadas situações ambientais, o bom mergulhador deverá ser extremamente versátil e possuir uma boa dose de capacidade de adaptação a estas diferentes situações. Não obstante e apesar do que foi dito anteriormente, vamos esclarecer duas modalidades de caça que apresentam características bem definidas e que permitem um tratamento especial. São elas:
Como é lógico, esta modalidade de pesca é a que praticamos quando iniciamos neste esporte, mas nem por isso é uma modalidade exclusiva dos aprendizes, porque em muitas ocasiões os grandes especialistas também recorrem a ela.
Tem-se realizado grandes caçadas e tem-se ganho importantes competições caçando a pouca profundidade, porque há fatores que aconselham a caçar a pouca profundidade. Estes fatores são:
No inverno e por regra geral, em todas as regiões de água fria pratica-se esta modalidade de caça, porque uma roupa muito grossa necessita de muito peso, tornando-se desaconselhável descer a grandes profundidades e em determinadas épocas do ano, os peixes se encontram em maior quantidade a pequenas profundidades.
- Lugar: Há zonas do litoral em que é mais conveniente praticar este tipo de caça, é inútil caçar a partir de uma certa profundidade. Além disso, existem espécies de peixe que têm o seu habitat a pouca profundidade.
- Visibilidade: Quando a água está turva, é preferível caçar a pouca profundidade e conseguir ver o fundo que caçar a grandes profundidades e não distinguir nada.
- Corrente: Quando houver forte corrente, pois nos cansamos com mais facilidade, tornando-se perigoso descer à grandes profundidades.
Geralmente o peixe, no raso, é desconfiado e arisco. Se sente menos seguro que o que se encontra no fundo, e sabe se esconder muito bem. Por isso o mergulhador deve ser muito meticuloso e procurar com muita paciência em todos os lugares onde o peixe pode ter-se escondido.
Nunca tente caçar a uma profundidade maior que aquela em que se sente bem. A profundidade é uma meta que deve ser conseguida gradualmente, de forma natural, caso contrário corremos um grande risco.
É uma modalidade exclusiva de caçadores experimentados. Não existe um limite determinado entre a caça a pouca e a grande profundidade. Isso varia de mergulhador para mergulhador, dependendo da sua experiência. Cada um deve estabelecer a sua fronteira, deixando de lado quantidades em metros.
Podemos definir a caça a grande profundidade, quando as condições em que se desenvolvem nos obrigam a usar todas as nossas faculdades físicas e psíquicas. Por isso só se deve ser feita com total controle.
Os fatores que influem neste tipo de caça, não são somente os metros, mas a temperatura, visibilidade e corrente, ou seja, quando descemos a uma determinada profundidade normalmente não teremos nenhum problema, mas com água turva, fria e com corrente teremos que realizar um esforço físico maior, nos obrigando a ter o máximo de prudência. Um mergulho a vinte metros numa área abrigada e calma é muito mais fácil que em alto mar com o mar revolto.
Temperatura da água: ideal no verão, com água mais quente.
Visibilidade: água clara, caso contrário perde-se muito tempo procurando bons pontos para caça.
Corrente: Aumenta com a sua intensidade. Devemos fazer um grande esforço para subir e descer.
Estar em perfeito estado de saúde;
Estar bem treinado, nunca realizar os primeiros mergulhos muito fundo, para que o nosso organismo se adapte pouco à pouco à profundidade.
Se após observarmos todas estas regras, sentirmos algum sintoma estranho em nosso organismo, que nos alerte de algum possível perigo, devemos abandonar imediatamente estas águas e buscar outras menos profundas.
Antes de iniciar o mergulho, devemos estar fisicamente descansados e psicologicamente relaxados. A fadiga e a tensão emocional podem nos trair.
Uma vez no fundo não se deve esquecer da distância para a superfície, este é o momento mais crítico, pois nosso organismo está com menos ar e forças.
Nunca suba com peso excessivo. Tudo que se puder subir com uma corda desde a superfície não suba com seu próprio esforço. Em caso de emergência, abandone o cinto de lastro. O mais importante de todos os conselhos: caçar vigiado por um companheiro que chegue a mesma profundidade. Esta regra evita muitas mortes. Cace com um amigo.
Evidentemente o homem é um intruso no fundo do mar. Sua fisiologia, apesar de sua extraordinária capacidade de adaptação, se encontra em meio estranho. Esta observação deve estar sempre presente e o mergulhador em um excesso de confiança em si mesmo, nunca deve superestimar sua capacidade e esta é uma maneira perigosa de enganar a si mesmo. É importante ter em conta que somos seres terrestres e, por tanto, nossas incursões submarinas requerem uma grande dose de prudência e uma preparação fisiológica e psicológica especial.
Fonte: www.portalsubmarino.com.br