-Ao se aproximar da toca, feche um pouco os olhos para se acostumar com a escuridão. Olhe bem o interior da toca e em cima. Balançar lentamente a cabeça pode ajudar a enxergar um peixe mimetizado.
-Não deixe que nada provoque barulho, como por exemplo, a espingarda, a lanterna ou as nadadeiras encostarem na pedra.
-Quando estamos explorando uma toca, é comum o peixe sair por outro buraco e ficar próximo ao caçador, observando o que está se passando na "sua casa". Assim, antes de subir, olhe ao redor da pedra. Tente não entrar pelo meio da caverna pois o peixe pode ver o seu corpo inteiro e se assustar com o tamanho. A melhor opção é entrar pelos lados.
-Faça uma espera na areia, em frente a toca, para atrair os peixes, antes de explorá-la.
Devem ser tomados alguns cuidados para este tipo de caça

Ao contrário do que se possa pensar inicialmente, a caça nos buracos requer grande técnica. Cada buraco é uma nova situação e há que improvisar em inúmeros casos. Para um tipo de caça tão diverso, é difícil estabelecer regras, mesmo para caçadores mais experientes, cada um usa a sua técnica, podendo muitas delas ser contestadas entre si. Não existem portanto padrões definidos para capturar este ou aquele peixe dentro de concavidades. Entre as diversas capturas que se podem realizar dentro de buracos, podemos distinguir dois tipos de peixes diferentes: aqueles que ocasionalmente estão em tocas e os que permanecem escondidos nelas.
Há muitos peixes residentes ou semi-residentes em determinados fundos e buracos. Dentro de um vasto leque que podem ser capturados na caça submarina e dentro de tocas, encontram-se: os sargos, os robalos, os meros, os safios, as moréias, as abróteas e os bodeões. Além destes e com menos frequência, podem ainda ser encontradas as douradas e as tainhas. A caça feita em buracos compreende dois métodos base: o primeiro não é mais do que inspecionar sistematicamente todos os buracos existentes no fundo, a fim de encontrar aqueles que estão habitados por peixes . Esta técnica é mais usual quando não há movimento no fundo de outros pequenos peixes, aqueles que dão indícios da presença de outros de maior porte.
O segundo método, muito instintivo, visa a visualização direta da presa ou do buraco bom, isto feito da superfície ou planando sobre o fundo. A eficácia de cada um deles é notavelmente influenciada por uma série de factores: tipo de fundo, profundidade, visibilidade, presença de outro caçador, estado do mar, etc. A descoberta de um determinado buraco, muitas vezes está associado ao movimento de pequenos peixes no fundo, junto à entrada da toca. No caso de sargos, robalos, douradas e tainhas, são exemplares mais pequenos e curiosos que entram e saem do seu local de abrigo. Este movimento que em alguns casos é um autêntico frenesi, é o melhor indicador de presença de boas tocas e de ótimos exemplares. Com o tempo e depois de bem observados estes locais, os fundos, as entradas dos buracos, etc. Podem dar informações preciosas para as situações em que não existe movimentação no fundo de qualquer espécie. Mas que, no entanto, podem estar em buracos. Caso depare com um cardume de peixes a entrar e sair de um determinado buraco, pode estar perante a uma situação tipo e que normalmente tem um procedimento metódico para resultar em pleno. Para rentabilizar o melhor possível a sua descoberta, nada melhor que iniciar a sua caçada aos peixes que nadam cá fora, fazendo pequenas esperas perto da entrada do buraco, ou na descida para o fundo. Além de não criar confusão dentro do esconderijo, os peixes que vêem o que se passa cá fora transmitem um certo receio aos que estão dentro das tocas. Evite, portanto, entrar diretamente para o buraco, quando existem ainda peixes de bom porte nas redondezas da toca. Após a captura de alguns exemplares fora do seu esconderijo, aí sim pode ir dar uma espreitadela ao que se passa lá dentro do buraco.
Há caçadores que só espreitam para dentro das concavidades pelos locais onde saem e entram peixes. É por essas mesmas portas que se deve disparar. Uma técnica muito usada, para tentar agüentar o mais possível um cardume de sargos dentro de uma toca, é colocar espingardas nas diversas portas do buraco. O peixe ao ver tais objetos mantém-se entocado. Claro que esta técnica nem sempre resulta, há dias e dias. Em muitos casos, após o primeiro disparo o peixe foge.
Outra técnica usada é a colocação de uma rede especial á porta do buraco. Esta rede não é mais do que um arpão de uma arma baby a servir de lastro e algumas bóias de pesca a fazerem a sua sustentação. Este princípio base pode ser mais trabalhado por cada caçador. Outro comportamento que o caçador deverá ter, perante um buraco recheado de peixe, é usar o menos possível a lanterna, mas disso já falarei mais à frente. Como nem todos os dias se vêem os pequenos peixes à entrada dos buracos para darem as indicações necessárias, há muitas situações em que a caça é realizada de uma maneira muito criteriosa. Isto é, as tocas a observar devem ser selecionadas, pela sua configuração, pela sua altura pelo tipo de fundo que os buracos têm, areia ou cascalho, etc.
Em muitos outros casos as capturas realizadas nas concavidades devem-se ao fato de se observar a entrada do peixe para dentro dos seus esconderijos. Nestas situações o silêncio é decisivo, uma aproximação barulhenta, um toque do arpão a entrada do buraco, um tubo rígido a raspar pelo teto, etc. pode facilmente assustar o peixe. Se estiver perante um buraco que apresente diversas entradas poderá realizar um ou dois mergulhos para ver qual o melhor local para disparar. Qual a entrada que lhe permite melhor ângulo de tiro e de visão, assim como a que lhe facilita a sua entrada. Caso tenha grandes dificuldades em colocar a espingarda para dentro do buraco, podendo nesta situação provocar algum barulho, o melhor de fato é escolher a outra entrada. Se a água é limpa, não há corrente e o mar está calmo, a caça ao buraco não levanta grandes problemas. O pior é quando a água não é a melhor, a corrente tem força e o mar está agitado. Nestes casos, não é nada difícil perder uma toca com peixe lá dentro. Para evitar estas situações pouco agradáveis, pode recorrer a diversas técnicas, todas com o mesmo fim, não perder o buraco de vista. A mais fácil e usual é andar com a bóia presa à cintura e a qualquer momento soltar a poita para o fundo, marcando a zona desejada.
Outra situação, é ter uma pequena bóia de cortiça com uma chumbada e fio de nylon no cinto, de maneira a ser solto assim que for necessário. Por último pode usar um carreto no braço e deixar a espingarda no fundo a marcar a entrada da toca. As espingardas a utilizar neste tipo de caça podem ser muito diversificadas. As mais utilizadas em Portugal são as juniores (75 cm), as babys (55 cm) e/ou as standards (90 cm ). Isto não quer dizer que não se possa utilizar armas de luxo (100 cm ) ou, ainda maiores, em casos muito particulares. Como normalmente os tiros são curtos e as entradas dos buracos difíceis de passar armas grandes, o mais usual é caçar com juniores ou babys. Apesar de estas espingardas serem pequenas para tiros potentes, para um safio, ou um mero de grande porte. Para isso basta trocar os elásticos pelos mais adequados a estas situações, os de maior dureza ou os de diâmetro de 20mm. Como os tiros não são muitos longos a precisão do arpão pode ser substituída em favor da potência ou força que este pode levar. Outro fator importante para os que os tiros em buracos resultem em pleno prende-se com as barbelas usadas e a sua colocação no arpão.
Como muitos peixes que o caçador pretende capturar dentro dos buracos, estão mesmo encostados á pedra, um tiro efetuado na perpendicular à rocha pode resultar num peixe perdido. Isto, porque o arpão não teve espaço suficiente para atravessar o exemplar de maneira a abrir a barbela. Em muitos casos, o arpão sai com uma força tal, produzindo um impacto tão violento, que pode voltar para trás sem que o peixe seja capturado. Para evitar estas situações pouco agradáveis, o ideal é disparar um pouco de lado, a 45º da pedra ou mais, permitindo que o arpão possa ter espaço de atuação. Se pratica muito a caça aos buracos o ideal é preparar uma arma só para esse fim. Uma barbela curta, para que o arpão possa ter o seu ponto de atuação mais perto da ponta e que esta mesma barbela seja colocada bem perto da extremidade. Estes dois pequenos pormenores podem saldar-se em mais algumas capturas que eram antes quase impossíveis de realizar. Outro pormenor que deve ser alterado na arma de origem é o fio. Este deverá ser alterado para o fio de nylon monofilamento, ou para um fio bem mais grosso de nylon entrelaçado. É que os tiros em buracos têm alguns problemas bem específicos, um deles é o arpão ficar preso. Nestes casos, os fios devem ser resistentes para agüentarem as trações a que são sujeitos quando se pretendem recuperar as hastes. Outros dos problemas dos tiros em tocas prendem-se com a potência da arma e a distância a que se vai disparar. O resultado final poderá ser: arpões tortos e a ponta numa bola. Qualquer destas das situações pode pôr em causa os seus próximos disparos tanto em precisão como em penetração. Um arpão pouco afiado e disparado a alguma distância, pode ser o suficiente para deixar um bom robalo na mesma, sem que este lhe tenha causado qualquer interferência, além de ser um ótimo causador de resvalos nos tiros dados de cima, de frente, ou ainda por trás.

Caça ao buraco é a mais rica, variada, e uma das mais produtivas. Para o mergulhador e observador é a mais rendosa e talvez de fácil execução. Pratica-se a todas as profundidades, desde menos de um metro de água, até uma dada profundidade útil que varia com as capacidades do mergulhador em apneia. Sobretudo entender que a caça ao buraco é a primeira a ser limitada pela profundidade, tornando-se extremamente perigosa.
Numa perspectiva buraqueira, há quatro tipos de peixes:
- Os que nunca entocam; poucos, como linguado e afins, barracudas, serras, salmonete e pouco mais por esses mares afora.
- Os que vivem entocados, saindo eventualmente para caçar, e mesmo neste caso nem sempre, como as moreias e safio, abrótea, faneca e muitos peixes pequenos mas sem interesse de caça e que são fáceis de encontrar ao observador menos experiente.
- Os que vivendo em água livre, podem procurar abrigo debaixo de pedras, furnas, etc, fazem-no para descansar e são quase todos : pargos, salemas, saimas, douradas, tainhas, robalos, badejo, anchova, lírios, enxarréus e até as corvinas, raias e cações!
- Os que vivem perto do fundo e passam grandes períodos entocados, não só em descanso, mas sobretudo para se esconderem ou emboscarem: Mero, bodiões, sargo alcorraz e roçada, rascasso.
Na caça ao buraco a primeira coisa a fazer é não ignorar nenhuma pedra, nenhuma reentrância. Com o tempo se adivinham as pedras mais propícias, mas surgem buracos onde menos parece e são muitas vezes caixa de surpresas, sobretudo se o fundo é pobre ou muito caçado, pois o peixe também sabe e sente onde está mais vulnerável, escondendo-se às vezes em sítios onde não parece caber e até não oferecer protecção, mas discretos.
Basicamente temos cinco tipos de fundo com buracos:
- O Lajão, pedra normalmente chata e lisa, aberta por baixo em grandes fendas, salões ou prateleiras, quase sempre em fundo arenoso.
- O Laredo, pedra muito partida e amontoada, geralmente em volta de acidentes como peões, pontas e falésias. No labirinto que constituem há todo o tipo de buracos e espaços tão do agrado de muitos peixes.
- Os Matacões, grandes pedras, normalmente isoladas no fundo e que podem ou não roçar a superfície. Neles se abrem túneis, falhas e buracos diversos.
- As Furnas, autênticas grutas e cavernas, a descoberto ou submersas, que se abrem nas grandes massas, rochosas, como falésias ou pedras ilhadas.
- As Fendas, são falhas verticais ou longitudinais, raramente oblíquas, estreitas, onde mal cabemos, que se abrem profundamente nas paredes rochosas das grandes massas. Existe um outro tipo de fendas que se abrem paralelas ao fundo e na vertical; não sendo as mais vulgares são normalmente interessantes como refúgio temporário de muitos peixes, sobretudo sargos, quando se sentem ameaçados.
Há ainda a considerar, fora destes buracos típicos, aqueles acidentes como as que são espaços abertos sob uma pedra, autêntico tecto suportado por duas pedras, que oferecem abrigo ou posto de caça a muitos peixes como saimas, pargos e até meros. Também os destroços ou barcos afundados, mais ou menos partidos em peças como chapas, caldeiras, etc. São buracos e excelente refúgio para quase todos os peixes.
Os buracos são regularmente ocupados pelo peixe, portanto devem ser marcados e visitados sistematicamente, aprenderemos com a prática que há buracos de mero, robalos, sargos, safio, etc e os que são mistos; como há os de abrigo, repouso e caça. Convém marcá-los e identificar os ocupantes que podem até variar com a época do ano, maré e hora do dia, isto serão memórias de caçador! Os buracos descobrem-se da superfície ou fazendo meios mergulhos a estudar o fundo. Outro modo é observando o peixe que se movimenta e vai denunciá-los, ao vermos que desapareceram debaixo de alguma pedra, ou pelo o seu entrar e sair. Com alguma prática e poder de observação, acabaremos por desenvolver um sentido da pedra que intuitivamente nos conduzirá. A primeira coisa a fazer é, se o peixe está calmo e voga ao redor do buraco, fazer mergulhos em volta e cosendo-nos com o fundo ou atrás das pedras, esperar que passem ao nosso alcance ou mesmo venham observar, o peixe é curioso. O segundo passo, esgotado este recurso, é pormo-nos frente ao buraco, e afastados, esperar que o peixe assome à porta; outra forma é colocarmo-nos ao lado ou por cima da abertura e esperar que algum se mostre, ou arpoar os que tentem fugir, convidando-os a permanecer entocados. Em ambos os casos não fazer ruídos que perturbem o peixe dentro do buraco, cuidado com a poita por exemplo, como se deve imobilizar imediatamente o peixe arpoado, cujas vibrações vão alarmar os outros. Caçar em volta do buraco, o peixe que voga, vai obrigá-lo muitas vezes a entocar, como há quem aposte em fazer ruído à superfície, por exemplo descrevendo círculos com o barco, o que todavia me deixa dúvidas e não me parece ético. Observar o comportamento do peixe, entrando e saindo calmo do buraco, e se a cor é viva e brilhante ou sem nenhum sinal de avivamento ou mudanças, sinal este, de confiança. Vamos então, depois de tudo, caçar dentro do buraco.
Abordar o buraco de lado ou por cima, ficando de fora, e nunca de frente. Enfiar apenas a cabeça e a ponta da arma que acompanha esta, pronta a um tiro instintivo, meter o resto da arma depois de conhecermos o interior do buraco. Se a introdução da arma é difícil e ruidosa, podemos deixá-la posicionada, desde que tenhamos o buraco bem marcado, quer à vista (punho da arma muitas vezes é branco), ou com a bóia ou uma pequena rígida de emergência que usamos no cinto. Não usar ainda a lanterna. Pode, por exemplo, para se melhorar a habituação ao escuro, fechar um ou ambos os olhos durante a descida. O peixe pode estar à vista ou não, se estiver escondido pode trair-se pelo ruído - barbatanas que rufam, bater na pedra - pelo brilho, ou por levantar poalho (poeira muito fina que cobre muitas vezes o fundo). Se o peixe estiver amontoado, atirar aos das pontas e nunca ao molho. Se estiver algum perto de outra saída, atirar a esse preferencialmente. Se nadar no meio do buraco e houver fendas interiores, atirar primeiro ao que está fora e só depois ao das fendas. Observar se o peixe muda a cor para tons baços e escuros sinal de que está á defesa e tende a esconder-se no mais escuro e recôndito da toca. Só no fim de deve usar a lanterna e entrar no buraco para melhor o inspeccionar. Os que tiverem permanecido ou até os que não vimos, estão agora nos cantos mais escuros, estreitos e escondidos. Se vemos um amontoado de peixe e a situação é propícia, podemos tentar a sorte e fazer um tiro que arpoe vários, deixando-os sobreporem-se ou atirando à sorte, chamam-se duplas, triplas e por aí fora. Há diversas tácticas : se o peixe joga às escondidas e há diversos esconderijos interiores, bater por fora ou iluminar uma zona e ir do outro lado tentar a sorte, esperando assim tocá-los a nosso gosto; meter um pé numa abertura e atirar por outra; colocar diversas armas ou objectos a impedir a saída e atirar à vez em cada abertura, enfim, nesta guerra vale tudo!
Há quem recomende vivamente o não esvaziar de um bom buraco deixando alguns peixes para que atraiam outros e se possa repetir a caçada. Todavia lembro que o peixe tem de fato memória e comportamento adquirido, sendo cada vez mais difícil mantê-lo entocado, sobretudo nos locais mais caçados, por ele acaba por fugir depois de arpoado e até por vezes antes de tal, apenas ao assomarmos o buraco. Assim, pergunto se não será melhor esvaziar a toca para que não havendo sobreviventes não haja aquisição de comportamento defensivo?
Parece-me radical, e também nada benéfico, pelo que sugiro que se mate o peixe entocado, deixando ficar o que se refugie nas fendas e locais e locais mais recônditos, criando-lhe uma ilusão de segurança que não o faça perder o sentido de se esconder em buracos e deste modo mantenha o comportamento e nós a possibilidade de continuar a caçar ao buraco. A posição de tiro nesta caça pode não ser a vulgar, ocorre frequentemente que o buraco é curto e também pela necessidade de enfiar a arma aos poucos, á medida que assomamos a cabeça, tenhamos que recuar muito o braço. Por isso é costume virar o punho ao contrário e apoiando os dedos na parte contrária deste, enfiar o polegar no espaço do gatilho, atirando assim, o que pede apenas alguma prática. Aliás na caça ao buraco usam-se todas as posições de tiro, variando dedos e mãos de acordo com a necessidade e capacidade de improvisação.
As armas devem Ter em conta o tipo de buracos, se são compridos e de fácil acesso (90 a 110 cm), se são curtos ou de difícil acesso (50 a 75 cm). Pessoalmente prefiro caçar com as armas ditas júnior de 75 cm, com arpão de 110 ou 115 cm e elásticos de latex virgem para os buracos compridos, permitindo tiros longos, progressivos e certeiros; ou a mesma arma com arpão de 90 a 110 cm e elásticos tipo dinamite (vermelhos ou pretos, rijos), prevendo tiros curtos e portanto necessitando de maior velocidade inicial. No primeiro caso o nylon de pesca monofilamento por permitir velocidade, no segundo prefiro o clássico trançado e bem forte por :
- A menor velocidade desde, num tiro curto, é irrelevante.
- Permite melhor ponto de apoio para se puxar com as mãos.
- Melhor de cortar, com a faca, se necessário.
Quando os tiros são quase encostados, para ser mais fácil e rápido sacar o peixe, evitando que este fuja, enrole tudo, espante os outros e nos faça perder tempo, deve encurtar-se o fio, puxando-o todo e dando um nó junto ao buraco da cabeça da arma, ficando só um comprimento. Isto com fio do de pesca é complicado!
Para grandes peças, entocadas ou em destroços, pode usar-se mesmo, cabo de aço inoxidável, muito maleável e resistente. Não esquecer que os contratempos maiores são exactamente o partir do fio por fricção, o peixe enrolar o fio dentro do buraco e, sobretudo ficar o arpão preso lá dentro.
Se lhe chegamos, ou podemos enfiar nele a arma, para com jeito e força, rodar e puxar... apesar de ser uma barbaridade para a arma... mas pode estar em local inacessível e termos de o abandonar, se não tivermos um saca-arpões, peça que recomendo vivamente como a um gancho-saca-peixes ou bicheiro (graveto nos açores), que pode poupar muitos esforços e arpões tortos nesta caça.
Depois há que ter em conta que se praticamente todos os peixes entocam, diverso é o seu comportamento, mas isso são contas de outro rosário, e ficará para outra ocasião!
Tentaremos aqui revelar um pouco desse mundo e das regras deste jogo tão apaixonante que á a caça na alga. Referimo-nos à vulgar laminária, Saccorhiza polyschides, que é uma alga castanha, comum no atlântico. Vive na zona limite da maré alta, podendo ficara seco na vazante, e encontra-se até 24 metros. Fixa-se na pedra por um disco e daí parte um talo, longo, que se abre e divide depois em longas tiras de um palmo de largura, que podem ir até mais de 2 metros de comprimento, assemelhando-se uma mão de longos dedos, úmida, escorregadia e maleável.
Forma campos densos e por vezes extensos, chegando a plantar-se em seixos, cobrindo assim zonas de pedra ou de areia. Forma-se em zonas de corrente ou calma, disso dependendo da sua densidade e comprimento, sendo menos densas e mais curtas nas zonas de maior hidrodinamismo. Como é fotófita e sensível à limpidez da água. Surge na Primavera, cresce, forma-se para lá do Verão, e normalmente desaparece com as águas de Setembro; em zonas abrigadas da costa pode encontrar-se em quase todos os meses, sendo, embora, uma planta anual. Do ponto de vista de caça, as que nos interessam particularmente, são as de fim de Primavera-Verão, quando estão pujantes e viçosas, bem fixas à pedra, designadamente : lajes corridas e com falhas horizontais, ou basalto escuro com falhas verticais, normalmente formando manchas, frente a praias largas e arenosas. Sem desprezar as manchas de alga nas zonas pedregosas, é sobretudo para ali que os peixes são atraídos e onde poderemos encontrar quantidade e qualidade. A alga fornece-lhes nesta época, abrigo para o descanso : sentem-se tranqüilos nestes esconderijos sem precisarem de buracos escuros e, gozam as delícias do Sol em recato. Também aí, se encontram mexilhões e um petisco muito apreciado : o caranguejo pilado, por vezes aos milhares, cobrindo os pés da laminária; em busca de refúgio ... acabam por atrair robalos e douradas. Ainda nesta época, as águas estão mais quentes e calmas, portanto mais limpas, o que é tão interessante para os peixes que buscam repouso e abrigo, como para nós!
Estas zonas são facilmente identificáveis no período em que á alga, por ficarem vestígios, sobretudo, discos e pés de alga fixos a depressões do fundo. Normalmente são fracos de peixe na época nua, mas convém tomar nota e visitá-las na época boa. Pelo que tenho observado, parece que o peixe procura aqui, fundamentalmente, abrigo e comida, o que é importante para determinar o seu comportamento e a forma de os localizar. A maré parece-me irrelevante, salvo se, deixar a alga a descoberto... direi que a melhor alga é a que, está sempre abaixo do nível mínimo da maré-baixa, ficando nos 2-3 metros, por vezes, na rebentação se o peixe anda a comer, ou em zona mais calma fora da rebentação, se repousa. Já a limpidez parece-me importante, pois o peixe com água limpa segura-se bem na alga, enquanto se a água estiver suja sente-se protegido e tende mais a sair para fora. Esta é, sem dúvida, uma caça de Verão, dias quentes, Sol, mar parado e água lusa. Sair da praia a preparar-se para uma caça preguiçosa e lenta, para percorrer o fundo, sem pressa, ao correr do tempo.. Encontram-se na alga os mais diversos peixes, são atraídos pelas mais diversas razões e até uns pelos outros. Os robalos são incontestavelmente os grandes freqüentadores, quer para descansar e apanhar sol, amolecidos pelas águas paradas e quentes, quer para caçar em emboscada. Seguem-se os sargos, também ao apelo da preguiça dos dias grandes de calmaria, e aí se sentem abrigados. A as douradas são outro freqüentador comum, dos três principais é o único que entoca, é menos freqüente, robalos e sargos fazerem-no nos campos de laminárias. Os badejos nadam por cima ou nos carreiros de massa de alga, tal como as tainhas que raramente penetram no seu interior, já as salemas evoluem junto aos pés, assim como os bodeões que parecem estar no seu quintal. Corvinas não são de admirar, espécimes isolados são muitas vezes encontrados, pousados na areia, nalgum carreiro, em total imobilidade. Os pargos são outro encontro de esperar, normalmente sob uma frondosa alga, camuflados com ela, com cuja cor se confundem, são muito difíceis de ver e normalmente damos por eles, quando se afastam lentamente, depois de arpoado um sargo ali mesmo ao lado ! As salemas, ou sargo-veado, são outro encontro habitual e quase certo, sobretudo na costa sudoeste, também parados, no meio da massa de alga, por vezes em pequenos cardumes de dois indivíduos grandes e quatro ou cinco pequenos e médios. Os cações, nos meses de Junho e Julho, volteiam nestas massas pelos carreiros de pedra ou areia, enquanto raias e ratões se enterram encostados a elas, do lado de fora. Podemos também contar com linguados e pregados , nos espaços de areia por entre as pedras e massa de alga, por vexes debaixo de uma fita de laminária, assim como pequenos cardumes de salmonetes !
É um mundo de duração limitada, que neste período se nos revela, com as suas regras que convém saber. Como já disse antes o peixe vem aos campos de laminárias basicamente para repousar, sentindo-se protegido, numa época em que tende a estar amolecido e menos ativo devido ao estado do mar, calmo e mais quente. Outros ali caçam, como parece ser o caso do robalo, dourada e pargo. Se notarmos que há pilado nos pés da alga, ou evoluírem pequenos cardumes de sardinha a rasar o topo da massa de alga; de notar ainda, a presença de bancos de mexilhões que atraem também polvos. Salemas e tainhas buscam alimentação nas algas e micro-organismos que se fixam nas grandes laminárias, bodeões e sargos alimentam-se de crustáceos, moluscos e vermes, bem como os salmonetes e linguados. Há uma transferência para estes locais que o caçador acompanha, devendo observar atentamente todas as indicações que lhe digam qual a postura do peixe, quais os espécimes, onde os encontrar e como atuar.
Fundamentalmente é : se a profundidade for pouca, nunca passar com o barco por cima do campo de caça, convém poitar por fora e aproximarmos a nado. Se a massa de alga é muito densa e fechada, será de menor interesse. Pode-se nadar e rasar o fundo, por debaixo da alga se houver espaço, ou, escondido nela só com a cabeça e a espingarda de fora e tentar atrair algum peixe maior que ande à caça, fora do campo da laminária. Este raciocínio é valido, para o caso de se ver peixe miúdo nadando a rasar a laminária e por fora desta. Se a alga é de densidade desejável, isto é, aquela que permite ver para dentro dela e evoluir pelo seu interior, então temos que estudar bem o caso e adotar a estratégia mais correta. Se se trata de manchas de alga a cobrir afloramentos de rocha, disseminadas pelo areal, em maior ou menor extensão, a melhor táctica é rodear cada mancha, sem entrar nela, por cima, começando por fora e descrevendo círculos ou cruzando-a conforme a sua importância. O primeiro objetivo será, localizar possíveis peixes grandes (robalos, alguma corvina ou pargo) que como já referi, estarão logo, na fronteira alga-areia (linguados e pargos), ou nos carreiros, abertos na massa de alga, pelos desníveis do fundo ou pela existência de línguas de areia que cruzam e intercalam a pedra. Nada-se sem ruído, lenta e compassivamente, deslizando, perscrutando o interior e ignorando os sargos, estes manter-se-ão por ali e são de menor importância. O passo seguinte é, escolher de cima, os pontos propícios como, vales, carreiros ou clareiras e, escondendo-nos na alga ou acidente no fundo, fazer "agachon", virados para a zona limpa, apontando para o centro da mancha : aí aguardar o possível aparecimento de um robalo. Esgotadas estas duas tácticas, vamos então procurar os sargos!
O melhor é começar por cima, sem os perseguir quando estão ainda na alga, deixando-os sentir-se seguros; quando deixarem de agüentar a nossa aproximação, vamos então entrar na alga e evoluir por entre ela, efetuando, ora uma aproximação, escondidos com os acidentes do fundo e as próprias algas, ora esperas. Como devem ter presente o "agachon" faz-se para os peixes que andam a alimentar-se, isto é, em atividade, enquanto que a aproximação, seja por fora ou por dentro da alga, é para o peixe estático. Se não adivinharmos movimento, nem detectarmos nenhum tipo de alimentação, praticamos esta última, se, pelo contrário há movimento, pequenos peixes, mexilhão, pilado e, estamos por exemplo, em zona de ressaca ou corrente, então o "agachon", entremeado de pequenas deslocações pelo fundo, para posicionamento e localização, impõe-se de imediato. Quando estamos em presença de um maciço de algas muito extenso e ininterrupto, vulgarmente cobrindo rocha, e aqui sim, com a ocorrência de falhas e buracos, deveremos optar uma táctica polivalente , que nos permita averiguar o que andará o peixe a fazer. Convém notar, que as horas se Sol alto, os robalos parecem gozá-lo, nadando logo por baixo da camada de algas, em movimentos lentos como que em passeio. Os sargos estarão estáticos em pequenos cardumes, também aflorando o topo do campo de laminárias : poderemos localizá-los sobrenadando o campo. De igual modo ao cair de noite, virão em busca de guarita , ficam mansos e estáticos, exigem golpe de vista atento e experiente, ou sorte, quando algum ligeiro do mar e alga os descobrem na sua imobilidade. Fora destas duas ocasiões, o ideal é cruzar o campo de caça, buscando por cima o peixe parado, se a visibilidade o permite. Se percebermos que está em movimento, vamos entrar na alga a tentar atraí-lo com "agachons" nos sítios propícios e alternar com a evolução pelo meio da alga e fundo, tentando a aproximação sempre que a densidade e visibilidade o permitam. Na alga densa, o peixe está menos em movimento, tendendo a deslocar-se por ela se perseguido ou inseguro. Obviamente que a deslocação do caçador se faz na zona mais aberta da alga que é junto ao pé, ou, no caso do talo ser curto ou se a densidade for maior, pelos vales e carreiros já descritos. Julgo que as horas da manhã até ao meio-dia, são as melhores para encontrar pargos e corvinas. Localizada alguma toca ou falha, podendo perceber, ou não, se está ocupada, convém marcar bem o local. Devemos dar uma volta em redor, para caçar o peixe que ande por fora, e, tentar entocar algum, para depois irmos então caçá-lo aí. Normalmente, os buracos estarão vazios, denso só ocupados depois de caçarmos, exceto, no caso das douradas que, todavia também se encontram abrigadas da alga, e dos pargos que gostam especialmente de falhas verticais. As salemas, tirando partido das riscas verticais e da cor que as mimetizam perfeitamente n4este meio, gostam do mais cerrado, mas estão muitas vezes à sombra de uma solapa ou pedra especada entre duas, sempre com amplitude, como quem está debaixo da ponte. Se camufladas na densidão são mesmo difíceis de ver.
Resta dar alguns conselhos sobre o equipamento a usar : as armas devem ser preparadas para tiros curtos, que requerem força imediata e velocidade inicial : aconselho os elásticos rijos, tipo dinamite ou os megaton. O tamanho mais conveniente será o das "júnior" ou "standard", com tubo de 70 a 90 cm, e arpão não superior a 1,20 m, para melhorar maneabilidade. Para os tiros dados por cima, ou para os sargos, uso muito o pentadente. Geralmente pode usar-se o tridente, sendo o arpão taitiano também eficaz, com a vantagem de segurar melhor a tal corvina !
A faca deve colocar-se no interior da perna para não empeçar na alga. Como o uso de bóia é problemático, aconselho para as aflições, uma pequena bóia feita com flutuadores de esferovite, redondos, ou com duas pequenas bóias de rede ou aparelho, unidas com araldite e uma caneta ou tubo plástico, rígido, de pequeno diâmetro e uns 10 cm de comprido, onde enrolaremos uns metros de fio fino, de pesca, e uma chumbada de 100 ou 150 gr. Entala-se no casaco ou cinto se necessário solta-se e desenrola-se de imediato, sozinha, temos assim a localização de emergência!
O tubo respirador deve ser anatômico, dos que envolvem a cabeça e se fixam à máscara na nuca. A lanterna deve ser colocada atravessada na rabeira do fato, pela frente, estando segura e à mão, sem empeçar a nossa progressão discreta pelo meio da alga. A máscara inteira, denominada na gíria de "aquário", de grande visibilidade e dada a pouca profundidade em que se efetua esta caça, é a mais adequada. Se o fato se confundir com a alga, melhor. Aconselho camuflados, verde amarelo, ou caqui.
As barbatanas muito longas, rígidas e de cores vivas são de evitar por dificultarem os movimentos e espantarem o peixe.

De entre as muitas formas que há de caçar, complementando as memoráveis jornadas, por mares dos Açores ou Moçambique, não deixarei, muito justamente, de lembrar as nossas caçadas que se aparentemente menos ambiciosas, não deixarão por outras razões de ser também memoráveis. A modesta saída da praia, pode constituir uma solução ótima e até revelar-se magnífica...Tentarei aqui dar algumas pistas.
Uma expedição destas começa de forma bem simples, com um mapa que nos informe e localize as praias : quanto mais afastadas e desertas melhor. Em qualquer mapa é possível ver se há peões, pontas, se a costa é rochosa e obter outras informações. Depois uma jornada no Portugal-fora-de-estrada, vamos no local procurar o que nos interessa, estudando a costa, pontos de interesse e acessos.
Como já sabemos a costa dá-nos uma idéia dos fundos e estes, uma previsão do peixe que podemos encontrar. Falésias com grandes blocos e amontoados de pedra partida, com reentrâncias, pontas e escolhos, tão comuns na nossa costa são o terreno de caça ideal, onde muitas vezes se localizam pequenas praias, atenção à maré! Praias extensas de areal nu, são suspeitas. Se houver falésia ou dunas podemos identificar a existência de manchas de pedra ou algas, sendo estas arrojadas à praia. Se não houver indícios ou meios de os verificar, o simples exame da zona de rebentação nos dará informações : Conchas de mexilhão é bom; amêijoas; berbigão; cadelinhas e outros bivalves do tipo; é mau. Ouriços e laminarias, são indício seguro de pedra. As vinagreiras com reservas, sozinhas, nada, juntas a outros, bom. Molhos de possidónios e zoostera, algas curtas e verdes, são mau indício. Quero com isto dizer, mau indício de inexistência de pedra ou está a ser muito rasa e dispersa, mas, há que contar com raias, cações e até corvinas, nas épocas próprias de início e fim de Verão, respectivamente; chocos; linguados e outros peixes chatos; polvos; os próprios bivalves que tanto atraem estes; santolas na areia e mesmo robalos.
Caso haja, na própria praia, aflorações de rochas, importantes com falhas e outros acidentes, vamos encontrá-las na água como na praia e aí achar os peixes de areia e de rocha : sargos, robalos e todo o nosso plantel habitual. Se as aflorações forem como folhas na vertical, de pedra escura e dura, partindo-se em finas placas, o fundo será mais fraco. Se forem como que grandes mesas de pedra mais mole e amarelada, haverá fortes probabilidades de as irmos encontrar sob a água, aquilo a que chamamos "lajões", que são estas rochas, semeadas na areia de forma solta ou em formações, mas a água cavou-lhe por baixo, enormes fendas e salões que são o paraíso para os peixes como sargos, robalos, safios, douradas, etc. Identificado o local e os pontos de interesse, convém estudar os pontos de entrada e saída, depois com mais ou menos escaladas e penar por areias, vamos à ação!
É uma técnica de caça que deve ser entendida como de busca, pois sendo a deslocação feita à barbatana, temos por um lado menos terreno para bater mas por outro lado, todo o interesse em fazê-lo metódica e exaustivamente, espreitando todos os buraquinhos, fazendo "agachons" em todo o relevo, não deixando de explorar todas as hipóteses; como a caça é uma atividade de insistência, em que esta torna a mestra, teremos os frutos de acordo com toda a preparação e empenho.
Depois de identificadas as dificuldades, como corrente e rebentação que marcarão o sentido de deslocação e regresso, caçaremos em ziguezague, cruzando todo o campo de caça. O equipamento não deve ser descurado, pois ele dependerá em boa parte o sucesso. Temos de o limitar por razões de esforço mas deveremos prever algumas situações : a bóia é indispensável para sinalização e agora como ponto de apoio e transporte de material e presas. Um saco de rede para marisco - lavagantes, navalheiras, santolas e bivalves são de esperar. Duas armas são de aconselhar, uma "júnior" para buracos e alga e conforme a previsão, uma "luxo" para água livre mas que pode ainda servir para grandes lajões, ou uma "standard" menos especializada mas que dá para tudo. As duas armas não só permitem uma caça especializada como ainda dobrar um grande safio ou se substituem por alguma avaria ou perda de arpão. Prefiro a combinação "luxo-júnior", mas se vemos que o fundo é predominantemente constituído por pedra partida e a caça no buraco de prever, a "standard" será de preferir à de "luxo". Na bóia colocar ainda um enfião para comodidade óbvia, e por via das dúvidas uma lanterna.
O restante equipamento será o normal, mas mesmo que a água esteja fria não aconselho nesta caça fato muito espesso nem colete, que obriga a mais lastro, o que se torna pesado e cansativo e ainda porque vamos nadar bastante o que provoca calor e é desconfortável. Nestas jornadas a presença de um companheiro é particularmente interessante e podem os dois usar uma só bóia, transportando tudo e puxada à vez.
Convém neste caso combinar bem a estratégia e o caminho a seguir, sem esquecer que quem leva a bóia marca o ritmo e o caminho.

Outra técnica de caça, misturando às já antes descritas, e muito utilizada, é a chamada "à índio", pressupondo uma analogia com as técnicas terrestres de caça de aproximação muito praticadas por caçadores usando, como o caçador submarino, as suas capacidades e armas menos sofisticadas.
Esta técnica acaba por ser muitíssimo complexa e exigir do caçador, bons conhecimentos dos locais, fundo em geral e hábitos e comportamentos dos peixes, assim como bons dotes físicos e sobretudo apnéia : trata-se de evoluir pelo fundo, colado a ele, como que rastejando, sem alertar o peixe. Esta técnica é uma das minhas favoritas, quase que diria, que é como caçar de salto, executa-se com quase todo o tipo de condições e profundidade, desde que, conhecedores do fundo e hábitos do peixe, possamos prever onde este está.. O tipo de fundo ideal, independentemente da profundidade é o que seja acidentado, com vales, pedras amontoadas e todo o tipo de obstáculos que nos possam ajudar a progredir escondendo-nos ou pelo menos disfarçando-nos. O caçador mergulha antes do local onde adivinhe ou tenha visto o peixe, que se abrigue, repouse ou alimente, e desliza rente ao fundo nessa direção, de forma lenta e silenciosa para não alertar as suas presas, disfarçando com a lentidão e ritmo as suas reais intenções. É muito costume nem sequer nadar, deixando as barbatanas imóveis e estendidas para trás, impulsionamo-nos com a mão livre, mantendo o braço armado estendido mas rente ao fundo e disfarçando o tal efeito de espadarte de que já falei. Esta progressão faz-se sempre cosido com o fundo, escolhendo os obstáculos naturais, como sejam, depressões, vales, lombas, pedras, algas, que nos escondam. Fazem-se pequenas paragens e curtas esperas, passa-se por debaixo de pedras furadas, sempre atento ao avisar de um peixe que surpreendemos em descanso, outro atraído pelo movimento que sentiu, outros ainda, distraídos a mariscar. Como se entende adivinham-se apnéias muito longas.
Em zonas conhecidas é fácil referenciarmos o peixe, em zonas novas teremos de Ter a sensibilidade para adivinhar, através do conhecimento de fundo e hábitos do peixe, a sua presença e as querenças. Na maré cheia e onde haja rebentação espraiada em baías, escolhos e outros acidentes sobretudo com pedra e comida, é uma técnica excelente para surpreender os mariscadores, douradas e sargos, como os caçadores robalos e anchovas ou as salemas e tainhas pastando o limo. Na maré vazia iremos para fora, voltear o fundo, contornado peões e vales, surpreendendo e atraindo bodeões, robalos, sargos e badejos. Podemos facilmente combinar esta técnica com a calça ao buraco ou à espera, sendo uma excelente forma de conhecer e investigar o fundo, ajudando a localizar os bons postos ou buracos.
Se a água estiver suja é mesmo a técnica mais aconselhável e na minha opinião a mais rendosa, entremeando-a com esperas. O peixe pode ser detectado à vista e aproximado pelo fundo, de forma muito subtil se este for propício, com mais certeza do que da superfície e em queda vertical. Também podemos aproximarmo-nos desta forma, de um local para o emboscar na sua passagem, o que, para os pargos, por exemplo, é muito eficaz. Ainda desde modo podemos fazer da sua toca os bodeões e outros peixes territoriais como meros e garoupas, ou atrair a atenção dos caçadores robalos, anchovas, corvinas...
Nesta técnica o material não precisa de grande especialização, todavia aconselho um lastro que nos mantenha no fundo, luvas, uma máscara dessas tipo "aquário" de incomparável panorâmica e uma arma "standard" ou "luxo" consoante a limpidez da água seja maior ou menor aberta. No primeiro caso o tridente ou pentadente são de preferir.

Se a caça no buraco é uma forma imediata de caçar, em que os progressos serão rápidos, a caça à espera, pelo contrário, leva mais tempo a aperfeiçoar até porque, exige mais conhecimentos do fundo e dos peixes. Trata-se de esperar que o peixe nos passe a tiro, atraindo-o emboscando-o, o que desde já, deixa entrever da dificuldade da empresa!
Todos vimos já que o peixe freqüenta certos locais ou passa por determinados sítios : quando mergulhamos eles desaparecem e deixam-nos, caçador ou observador, no fundo, a olhar para um deserto depois, viramo-nos para subir e vemos que esteve um peixe ou mesmo um cardume atrás de uma pedra, nas nossas costas, a observar-nos! Se os atraímos sem querer, porque não fazê-lo intencionalmente?
A primeira grande premissa é o perfeito domínio do gesto, ou seja, uma irrepreensível técnica de mergulho que nos permita movimentar como peixe na água, dominando o equipamento e a nós próprios naquilo que designamos por aquaticidade e que é só possível a mergulhadores treinados e experientes : sobriedade de movimentos e ruídos ao mínimo, o peixe deve ser atraído pelo invulgar do nosso volume e forma, não espantado por um comportamento que além de invulgar será alarmante. Lembremos que o peixe tem padrões de comportamento tão mais rígidos quanto mais simples ele é, o que quer dizer que serão sempre os mesmos e que convém observar e reter. Para isto concorre ainda, um equipamento discreto na cor que, como já disse, é um fator de aviso importante : fato e demais componentes de cor discreta e tanto quanto possível mimética ajudando o caçador a ser menos visível, o que estimula a curiosidade do peixe.
O segundo ponto é o local e a sua escolha. Consoante o tipo de peixe e de fundo assim vamos agir, é necessário observar o que é que o peixe anda a fazer, se voga, se se alimenta e neste caso se caça ou marisca. Logo daqui se depreende a dificuldade desta técnica que abriga a um bom conhecimento do local ou, pelo menos, dos movimentos do peixe com a maré e hábitos alimentares ou defesas. O peixe que voga, na época da reprodução, anda alheio e é de simples aproximação mas, menos de atrair. Se voga entre marés esperando a hora de comer ou em busca de refúgio pode ser atraído explorando-lhe a curiosidade ou cortando-lhe o caminho, uma vez descoberta a sua querença que é o caminho que habitualmente torna em busca de refúgio ou no seu deambular, uma rápida observação do sentido em que se desloca, para onde foge e de onde vem, impõe-se. Depois, é eleger um ponto de espera discreto e escondido, virado no tal sentido a aguardar! Inclusive, há que considerar as situações em que o peixe não se vê mas "anda por ali" e, o caçador sente-o. Sensação esta que não sou capaz de a explicar e, se calhar, ninguém o consegue, salvo a reconhecer das condições ideais de comida, abrigo e fundo, em geral, favoráveis que o caçador, inconscientemente, reconhece. Quando se alimenta, e sabemos que o faz preferencialmente na maré cheia, depende se marisca, isto é se se alimenta de organismos nas rochas / fundo ou se caça de emboscada ou ativamente. Aqui, o conhecimento intrínseco de cada espécie e local, é preponderante e apanágio de caçadores com experiência.
O peixe mariscador é o mais difícil de atrair. O ideal, será perceber qual o sentido da sua deslocação e escondermo-nos perto dos locais onde está a comida, esperando-o aí ou na aproximação da comedoria. O peixe será mais atraído pela nossa presença, vindo ele investigar um sempre possível competidor ou fonte de alimento. Se é caçador ativo como o robalo será a presa clássica desta técnica, se é caçador de emboscada, como o mero será mais difícil mas ainda vulnerável, pois estes são por norma muito mais territoriais. Uma boa espera, tanto mais proveitosa quanto experiência e domínio da técnica, como material adequado, começa pela escolha do local : Pode fazer-se a espera deitado na areia, simplesmente, mas os locais mais produtivos são os fundos rochosos, acidentados, e que permitam, simultaneamente, ao peixe evoluir escondido, portanto mais confiante, e ao caçador emboscar-se sendo este sentido por aquele mas não visionado e portanto suscitando curiosidade. A espera faz-se em termos gerais : sabendo que peixe esperamos, usando alguma técnica ou cuidado especial, ou generalizando se for o contrário, sabendo se o peixe voga, está abrigado ou se se alimenta, o peixe voga se o mar está agitado ou em época de reprodução, ou alimenta-se em cardume e plena água.
Ainda entre marés sobretudo na vazante, quando o peixe de água livre ganha o largo e o da pedra tende a entocar. Estará em estado de se abrigar se, a maré for baixa, e, atenção à presença de grandes ou "superpredadores", falo de robalos, anchovas, carangídeos, meros, corvinas, tubarões e até roazes, que fazem também entocar peixe. A profundidade influi no comportamento do peixe. Devemos virar as costas à corrente, o peixe tende a nadar contra ela, que lhe trás alimento e foge a favor o que o ajuda a escapar, portanto devemos tê-la "na cara".
Se houver uma massa rochosa importante ou algum acidente no fundo, colocamo-nos virados para fora deste. Se houver reentrâncias, falhas ou pedras isoladas, serão ótimos pontos para nos emboscarmos, inclusive debaixo das pedras. Tanto os altos como os baixos fundos são elegíveis, aqueles atingem-se mergulhando na vertical, escolhendo-os da superfície e através de meios mergulhos de verificação; estes mergulhando antes e deslocando-nos pelo fundo até eles, pois de outra forma o possível espadanar e agitação do "pato" será um fator de perturbação. As esquinas ou virar de pontas ou pedras submersas são outros excelentes pontos de espera : aqui especificamente se farão esperas, com o corpo meio erguido, virados para o azul, esperando o aproximar do peixe que por ali vogue, ou nos emboscaremos atrás da esquina, surpreendendo os peixes que não nos vêem. No posto de espera a imobilidade deve ser absoluta, bem como o silêncio, tudo começa à superfície; aproximação deve ser feita na maior descrição, a natação silenciosa, o pato perfeito. Nesta altura a água que entra no tubo e borbulha pode ser evitada, tirando o tubo da boca, ou mais fácil e prático, apenas abrindo-a sem largar o tubo, que se enche de água sem ruído nem bolhas.
Podemos optar por nos dirigirmos para o posto mergulhando na vertical ou melhor, mergulhando uns metros antes e nadando pelo fundo, sempre discretos. O braço flexionado, não agressivamente esticado com a arma em riste. Aliás, a arma e o seu empunhar são muito importantes : a espingarda nesta técnica deve ser entendida como fundamental, sobretudo porque o peixe dela desconfia. É agressiva e denunciadora, como tal deve ser disfarçada. Primeiro encostá-la ao corpo a não a separar deste, evitando ser como o rosto de um espadarte, depois encostá-la ao relevo como se fosse parte do fundo ou um seu acidente, é essencial imobilidade absoluta : os peixes decoram os acidentes "arbalete" tem de estar imóvel. Posso arriscar a informação de que se o peixe exige imobilidade na aproximação, ao entrar, tolera um pequeno movimento, a ajustar a pontaria, quando se afasta. Aliás o tiro é fundamental na caça à espera, ao contrário do geral em que se faz de instinto, este é quase sempre apontando, pedindo calma e pontaria. Como se faz? Pois, traçando uma linha imaginária ponta-do-arpão-peixe. Se percebermos que apontamos o dedo de uma forma absolutamente natural, e, que a espingarda é o prolongamento sete, os tiros serão óbvios. Aliás o tiro aqui é sempre apontado, pois o peixe deixa escolher e para que não se espantem os outros convém segurá-lo bem, senão, matá-lo logo. O tiro mortal é na cabeça, atrás do olho ou por cima da barbatana peitoral, na linha que acompanha a "espinha". Se pudermos esconder a máscara e olhos, melhor, há quem diga que os nos traem ou que o espelhar do vidro da máscara espanta o peixe, o certo é que algo há que por vezes dificulta a aproximação, na falta de vidro anti-reflexo, a mão a tapar a máscara é clássico. As barbatanas leves e que se levantam ou agitam com a força do mar são outro empecilho, pelo que é vantajoso usar pesos nos tornozelos nesta caça específica.
O lastro deve ser, no geral, superior ao usual, pois esta caça exigindo imobilidade é praticada normalmente a profundidades médias ou baixas e em zonas de movimento de água, convém estar pesado, e ainda, porque o fato deve ser mais espesso ou usar-se um colete. Sendo uma caça de espera em que a imobilidade é fundamental, o frio é de esperar e que, para além do desconforto, diminui a apnéia, que em termos físicos é quesito fundamental que é de prever. Esta técnica pede prolongadas permanências no fundo, imóvel, à espera que o peixe passe a tiro! A caça de espera pode realizar-se com maior proveito em condições de visibilidade fraca, pois o peixe tem de aproximar-se para ver; se a água estiver mais limpa, entra menos pois pode-nos estudar a maior distância, o que quer dizer : quanto mais limpa a água, mais e melhor, teremos de nos esconder. A finalizar, ainda, uma palavra para a arma, que deve ser preparada para tiros compridos e certeiros. Preferindo eu as de luxo ou super-luxo, com elásticos macios e progressivos, que provocam, menos desvios na pontaria e transmitem ao arpão maior energia de modo a ir mais longe. Este deve ser longo e leve, para tirar partido dos elásticos, em que a velocidade inicial é melhor e o comprimento influi na precisão na razão direta, além de diminuir a distância ao peixe. Se em local mais agitado, uma standard serve, sempre com a condição de ter elásticos progressivos e arpão longo.
O arpão de 6mm deve ter a seguinte correspondência ao tubo :
Arma Super Luxo - (Arpão 6,5 mm por causa do varejar) - Tubo 1,20 m e arpão 1,70 m
Arma Luxo - Tubo 1,0 m e arpão 1,50 m
Arma Standard - Tubo 0,90 m e arpão 1,40 m ou 1,30 m
O carreto, é nesta circunstância de grande valia, caçando fundo ou a peixe de maior porte, enquanto que um fio ou mangueira atrás de nós é francamente de evitar. Para mim os grandes peixes de caça de espera ou "agachon" são :
O Robalo - Caçador de água livre, a atrair com uma espera franca na espuma e água agitada, mesmo com meio metro de água, onde maior for o reboliço.
A Dourada - Nos bancos de mexilhão e outras comidas, em falésias e, em geral, vogando entre pedra e mar aberto.
O Pargo - Caçando perto de terra, um eterno desafio, normalmente fundo em grandes lajões ou calhaus, a pedir um mimetismo e imobilidade absolutos.
O Lírio - Vogando ou caçando, de formas nobre e como tal previsível, atraído pela sua nobreza , a indagar da nossa presença. Entra bem se nos destacarmos um pouco da pedra, soerguendo meio corpo.
Anchova - Voraz caçador, difícil, mas presa fácil da sua agressividade, sobretudo se nos escondermos totalmente e com algum cardume de peixe miúdo à volta.
O Enxaréu - que entra a um "agachon" perfeito de imobilidade.
As Salemas e Badejos - Numa perspectiva mais modesta são-no ainda como os sargos sobretudo se em cardume, quando se alimentam junto ao fundo ou na sua passagem.
As tainhas - Quando andam "amajoadas" isto é, em cardume, são particularmente atraídas e, afinal, todo e qualquer peixe, pois se até um tubarão capturamos ao "agachon"!
Afinal, a caça é exatamente isto : emboscar e esperar a presa! Existe algo de novo aqui, debaixo do sol?

No meio da caça submarina Rolando Oliveira é conhecido como inventor, adaptador e fabricante de novos utensílios para otimizar a prática da modalidade. Desta vez fomos como usa e como adaptou uma "scooter" de superfície para a caça submarina.
Durante a viagem até ao local de ensaio, inevitavelmente fui "disparando" inúmeras perguntas ao caçador setubalense sobre este veículo aquático. Quais as capacidades desta máquina, as suas limitações e as performances mais fantásticas. Em primeiro lugar, e para compreender melhor até onde pode ir com esta alternativa, apresento as características desta "scooter" aquática : peso - cerca de 4 kg, depósito de combustível - 2 litros, autonomia - 2,5/3 horas, potência - 2 cv, alimentação - mistura (super + óleo), velocidade - 2-3 nós. Se já memorizou as capacidades desta máquina, poderá rapidamente compreender que este veículo se transporta por cima das pedras sem grandes dificuldades, ou ao longo de uma praia. Com este aparelho pode ir ao longo da costa, sem nadar, quer isto dizer, sem se cansar, observando o fundo e caçando ao mesmo tempo. Se o local apresentar alguma corrente, com este sistema esse problema, que o poderia limitar nas suas deslocações, deixou de ser uma preocupação. Segundo Rolando Oliveira, quando se caça em zonas de corrente, o ideal é viajar sempre contra a força da água, caso a "scooter" falhe, tem sempre a possibilidade de voltar para trás com a ajuda da corrente. Esta "mota" de água que não é tão silenciosa como se poderia pensar à primeira vista, tem ainda, a vantagem de servir de ótimo utensílio para entocar sargos. Salvaguardando que só em casos muito concretos e apenas quando se sabe o que se está a fazer, esta situação poderá acontecer.
"Em zonas de baixa profundidade em que é impossível, ou difícil ir com barco, e se algum cardume de sargos andar por perto e com predisposição para entocar, a "scooter" poderá ser extremamente útil", continua "como esta máquina é barulhenta, em vez de andarmos nós a fazer barulho, a gesticular e a dar tiros para entocar o peixe, podemos, da superfície, controlar a situação fazendo alguns círculos em volta da zona pretendida". Na parte dianteira foi colocado um carreto, além de várias dezenas de metros, possui numa das extremidades um pequeno ancorete. Na parte posterior da "scooter" foi colocado um cabo com um destorcedor que irá servir de ligação a uma bóia. O cabo tem cerca de 2 metros e termina com uma bóia tipo defensa. Na extremidade e através de um mosquetão, é colocado um enfião porta peixe. Esta bóia, além de servir como mais um ponto de sinalização, é um ótimo apoio para fazer reboques. "Nos Açores já vieram mais dois caçadores a reboque eu m enfião com cerca de 70 quilos de peixe" conta-nos Rolando Oliveira, mais uma vez, ficando demonstradas as capacidades do seu aparelho. "Quando vou para os Açores levo a "scooter" sempre comigo. Alugo um carro e todos os dias entro em locais diferentes. Vou contra a corrente e venho a favor da mesma. Como as águas são limpas este veículo não podia ser melhor". Para evitar a entrada de água na zona de alimentação do ar, Rolando Oliveira adaptou ainda um tubo, tipo traquéia, na extremidade do "snorkel". Este tubo de respiração pode servir ainda como local de apoio às bandeiras de sinalização de mergulhador.
Num dia de caça normal este meios de transporte serve perfeitamente para dois caçadores. Se por qualquer motivo, intencional, ou não, largar a "scooter", mesmo que esta se encontre a trabalhar, passa automaticamente para a sua velocidade mais baixa e começa a descrever um circulo com um diâmetro de 20 metros aproximadamente. Isto acontece devido à configuração de posicionamento da hélice. Mesmo para quem tem barco, esta máquina pode revelar-se bastante útil. "Por vezes, vou às santolas para a as zonas de areia e alguma corrente. Até à área pretendida vou de barco, depois salto para a água e reboco o semi-rígido com a "scooter", ao mesmo tempo vou vislumbrando as santolas no fundo". Outros caçadores rebocam pranchas, algumas de fabrico próprio, outras comercializadas em diversas lojas do nosso país. Além de facilitar um dia de "caça a partir da pedra" esta "scooter" já foi utilizada em competições internacionais. No mundial de Palma de Maiorca as equipas de França e Itália serviram-se de "motas" como esta para realizarem os seus trabalhos de prospecção em fundos de baixa profundidade. Atenção que esta "scooter" é de superfície, existem outras máquinas que fazem trabalho semelhante mas que têm, no entanto, as suas desvantagens, como por exemplo, autonomia muito mais reduzida. Por outro lado, têm duas características muito boas, como sejam o poder de submergir até profundidades consideráveis e serem silenciosas. No mercado nacional existem diversas marcas de "scooters" submarinas.


Muitas vezes, no meio da descida, o caçador visualiza o peixe no fundo do mar. A partir deste momento ele deve começar a bater os pés de forma mais lenta possível, com o mínimo de barulho e movimentos.
Quando chegar abaixo da barreira dos 10 metros e a flutuabilidade negativa começar e empurrá-lo para o fundo, ele para totalmente os movimentos (economizando energia e não espantando o peixe) e deixa seu corpo "cair" em direção ao peixe, como se fosse uma "folha morta".
Fonte: www.portalsubmarino.com.br