
O milho é um ícone da cultura Americana. Não só representa
as tradições dos Americanos Nativos e serve de símbolo ao mesmo tempo duma
festa dum barbecue e duma saída ao cinema à noite, mas o milho, sob a forma
de xarope de milho, também é um ingrediente acrescentável em muitos outros
alimentos que consumimos diariamente.
Embora normalmente associemos o milho à cor amarela, ele pode surgir em diferentes
variedades com um naipe de diferentes cores, tais como vermelho, rosa, preto
e azul. O milho cresce em espigas, cada uma das quais está coberta por filas
de sementes que são depois protegidas por fios semelhantes à seda, conhecidos
como «seda de milho», e envolvidas numa casca.
O milho é conhecido cientificamente como Zea mays. Este apelido reflecte o
seu nome tradicional, maize, pelo qual é conhecido em muitos áreas por todo
o mundo.
| 165 grs / 178.00 Calorias | ||||
|---|---|---|---|---|
| NUTRIENTES | qUANT. | DDR (%) |
dENSIDADE DO NUTRIENTE |
CLASS. |
| vitamina B1 (tiamina) | 0.36 mg | 24.0 | 2.4 | bom |
| folatos | 76.10 mcg | 19.0 | 1.9 | bom |
| fibras | 4.60 g | 18.4 | 1.9 | bom |
| vitamina C | 10.16 mg | 16.9 | 1.7 | bom |
| fÓsforo | 168.92 mg | 16.9 | 1.7 | bom |
| manganÉsio | 0.32 mg | 16.0 | 1.6 | bom |
| vitamina B5 (Ácido pantotÉnico) | 1.44 mg | 14.4 | 1.5 | bom |
Afecções Intestinais
Dispepsia
Cólon Irritável
Colites Crónicas
Dieta de Desmame (nos lactentes)
Celiaquia
Doenças Renais Crónicas
Colesterol
Hipertiróidismo
Magreza em Geral
Fonte: www.alimentacaosaudavel.org
Cidadão Americano, Cidadão do Mundo

Cristóvão Colombo é considerado o descobridor não
só do Novo Continente, a América, mas também de seu mais reputado alimento,
o Milho. Rico em lipídios, proteínas, vitaminas (A e C) e carboidratos, esse
cereal branco ou amarelo, protegido por camadas de folhas fibrosas, era há
muito tempo a principal fonte de energia consumida pelos índios americanos.
O modo mais comum de utilização do milho pelos nativos americanos era como
farinha ou fubá. Depois de pilado, o cereal era então fervido e comido como
polenta ou ainda, transformado em deliciosas tortilhas e massas comestíveis
que faziam a festa dos Mexicas (ou Astecas), Maias, Incas e demais povos da
região centro-americana e andina. Essas tradições foram preservadas até os
dias de hoje e esses alimentos derivados do milho continuam sendo muito populares.
Além das mencionadas tortilhas e polentas, também é comum o consumo do milho
cozido temperado apenas com sal (aos quais algumas pessoas gostam de adicionar
manteiga) ou ainda assado na grelha (sendo que em algumas regiões coloca-se
a espiga no fogo sem que se retire a palha). Recomenda-se que o Milho Verde
seja sempre comprado com a palha que o recobre intacta, pois o açúcar contido
em seus grãos se transforma em amido quando se retira sua camada protetora
que é justamente essa palha.
Entre os povos que o consumiam regularmente nas Américas deve ser dado um
destaque todo especial aos Maias, Astecas e aos Incas, civilizações desenvolvidas
que foram encontradas nas Américas pelos europeus. Seus habitantes tinham
muitos conhecimentos em astronomia, arquitetura, matemática, irrigação, agricultura,
drenagem, artesanato e economia, entre outras. Destaque-se também que souberam
se apropriar dos elementos naturais que lhes eram fornecidos nas regiões em
que se estabeleceram para não apenas sobreviver, e sim, para viver de forma
confortável e majestosa.

As tortilhas produzidas à base de milho constituíam uma das principais
fontes alimentares dos Maias, Incas e Astecas.
Muito ligados à religiosidade, costumavam atribuir
os ciclos da natureza a seus deuses. Como conseqüência disso, a fertilidade
dos solos, o período de chuvas, a época apropriada para o plantio ou o momento
exato de colher seus alimentos eram motivo de festas e celebrações rituais
em agradecimento pela fartura.
Nesse sentido o milho ou maiz era o principal motivo de satisfação e orgulho
desses povos. Para obter o milho e os outros alimentos basilares de sua alimentação,
essas avançadas civilizações pré-colombianas tiveram que desenvolver técnicas
agrícolas que solucionassem as dificuldades encontradas em seus territórios.
Os Astecas, por exemplo, construíram canais, ilhas artificiais flutuantes
(conhecidas como chinampas) e drenaram ou irrigaram as regiões onde esse trabalho
era necessário. Os Incas lidaram com terrenos montanhosos onde criaram um
engenhoso sistema de plantio nas encostas que evitava a erosão e o desgaste
do solo. Em ambos os casos há registros de que o principal alimento a ser
preservado e produzido era justamente o milho.
O que também chamou muito a atenção dos conquistadores espanhóis que dominaram
essas civilizações foram os mercados públicos onde se vendiam muitos e muitos
produtos, alguns conhecidos pelos europeus e outros totalmente desconhecidos,
como é o caso do próprio milho, do cacau (e consequentemente do chocolate),
do tomate e de várias espécies de pimentas. O mercado principal da maior cidade
asteca, Tenochtitlán, acomodava 5 mil barracas vendendo produtos e tinha uma
circulação de aproximadamente 60 mil pessoas por dia.

O consumo de milho e dos produtos feitos a base desse cereal eram
parte do cotidiano das civilizações pré-colombianas que dominaram a América
Central, o México e a América Andina.
Incas, Maias e Astecas ficaram historicamente conhecidos
como civilizações do milho por sua relação tão intensa e mística
com esse cereal. Conta-se que, a despeito da luxuosidade das refeições dos
líderes desses povos, o dia a dia era pautado em refeições simples, onde o
granturco (milho em italiano) era presença obrigatória.
O maïs (milho em francês), quando fresco, dura cerca de três dias sob refrigeração.
Como o processo de resfriamento é contemporâneo, esse alimento também se destacou
entre os povos antigos por poder ser estocado quando maduro. Era então colocado
em local seco e protegido onde acabava sendo guardado durante algum tempo
e servia para sustentar as comunidades em períodos de escassez e fome. O controle
desses estoques de alimentos, entre os quais o milho, também se tornava fonte
de poder e autoridade dos imperadores e reis em relação a seus povos.
Apesar de destacado em praticamente todas as referências como um alimento
típico das Américas, o milho, a partir de algumas de suas variedades, é mencionado
na história desde a Antiguidade. A partir de escritos do romano Plínio, o
Velho - há menções ao uso e consumo do milho miúdo (milium) e do milhete (panicum)
entre os etruscos, célebres e desenvolvidos ancestrais dos romanos. Não se
tratava, evidentemente, do milho verde encontrado em terras americanas, mas
é importante lembrar esse registro tão antigo sobre parentes próximos do Zea
Mays (nome científico).
As menções ao milhete e ao milho miúdo na história européia não se restringem
a Idade Antiga e aos Etruscos e Romanos, estendem-se também ao Medievo. Nesse
outro período verifica-se que o consumo desses cereais constituiu um adendo
alimentar expressivo para alguns períodos do ano, particularmente para as
épocas de crise.

Somente a partir da chegada de Colombo e de outros navegadores europeus
a América é que o mundo extra-americano veio a conhecer o milho. Por esse
motivo alguns historiadores notórios como Fernand Braudel chamaram as Américas
de Civilização do Milho.
É, no entanto, a partir da visita de Colombo que o
milho que conhecemos embarca em direção a Europa de forma definitiva para
se tornar cidadão do mundo. Na Europa da Modernidade o consumo do milho se
consolidou primeiramente entre as pessoas mais humildes. A elite européia,
constituída pelos nobres e burgueses, reagia de forma discriminatória em relação
a um cereal que também era utilizado como ração animal e, por esse motivo,
só se renderia aos encantos do Corn (milho em inglês) algumas décadas depois
da plebe.
Entre a população mais pobre dessa Europa Moderna (séculos XV a XVIII), a
utilização do milho se deu principalmente enquanto farinha grossa que dava
substância e sustentação a sopas, papas e guisados confeccionados em suas
pobres residências. A aceitação se deu principalmente a partir da Itália,
onde o milho verde rapidamente suplantou seus antecessores (milhete e milho
miúdo) e fez surgir uma das maiores tradições gastronômicas da Bota, a polenta.
Os franceses, que também acabaram aderindo ao consumo do milho americano a
partir do século XVII, fabricavam a partir de sua farinha grossa ou mesmo
do fubá uma iguaria conhecida como milhade ou millasse. Ao se espraiar pelo
Velho Continente ao longo dos séculos XVIII e XIX, o milho juntamente com
a Batata acabou também ajudando a resolver um dilema fundamental dos novos
tempos, ou seja, como aumentar a produção de alimentos a ponto de abastecer
os cada vez mais densamente povoados centros urbanos surgidos na esteira das
revoluções burguesas.

As polentas celebrizaram-se a partir da Itália, país europeu que melhor
acolheu o milho. No Brasil, além das polentas e do cuscuz, celebrizaram-se
as sobremesas a base desse aclamado cereal, como o curau, o creme de milho,
as pamonhas, os bolos de milho verde...
Atualmente o milho é utilizado na confecção de pratos
doces e salgados das mais variadas espécies. Do fubá surgem pratos deliciosos
como o cuscuz, pães, bolos e polentas. Há também as pamonhas, o curau, o creme
de milho ou ainda saborosos sucos e sorvetes. Além desses acepipes devemos
destacar que o milho é utilizado para a confecção de subprodutos como óleo
de milho, xarope de milho, farinha de milho e até bebidas destiladas.
Na história do Brasil há informações a respeito do milho desde a chegada dos
portugueses. Era também uma das bases alimentares de nossa terra juntamente
com a mandioca, se bem que, diferentemente dos demais povos americanos, tinha
importância secundária quando comparado ao pão da terra dos índios tupi-guaranis,
muito mais ligados à chamada Rainha do Brasil, como era conhecida a Mandioca.
Os portugueses não demoraram - como os espanhóis em outras regiões americanas
- a se apropriar do milho tanto para seu próprio consumo como também para
a alimentação de seus animais. Em 1618, conforme nos diz Câmara Cascudo, o
milho dava bolos, havendo ovos, leite, açúcar e a mão da mulher portuguesa
para a invenção. O que não se pode negar, definitivamente, é que a partir
de suas matrizes americanas, o milho ganhou o mundo e se tornou, sem dúvida
alguma, um dos mais importantes alimentos de que se tem notícia.
Fonte: www.planetaeducacao.com.br