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Atena

Deusa da sabedoria

Atena

 

Surgiu toda armada do cérebro de Zeus, depois de ele ter engolido sua primeira esposa Métis.

Era o símbolo da inteligência, da guerra justa, da casta mocidade e das artes domésticas e uma das divindades mais veneradas.

Um esplêndido templo, o Partenon, surgia em sua honra na Acrópole de Atenas, a cidade que lhe era particularmente consagrada.

Obra maravilhosa de Ictino e de Calícrates, o Partenon continha uma colossal estátua de ouro dessa deusa, de autoria do famoso escultor Fídias.

Fonte: www.geocities.ws

Atena

Atena é a deusa virgem de Atenas e é, por isso mesmo, que seu templo gigantesco da Acrópole se denomina até hoje, o Partenon, já que, em grego, virgem se diz (parthénos).

Filhas de Cecrops abrindo o baú de ErictônioÉ bem verdade que a deusa chamava a Erictônio, o filho da Terra, de seu filho, mas a concepção desse "filho da Terra" foi muito estranha.

Tendo Atena se dirigido à forja de Hefesto, para lhe encomendar armas, o deus, que havia sido abandonado por Afrodite, se inflamou de desejo pela deusa virgem e tentou prendê-la em seus braços. Esta fugiu, mas embora coxo, Hefesto a alcançou. A filha de Zeus se defendeu, mas, na luta, o sêmen do deus lhe caiu numa das pernas.

Atena retirou-o com um floco de algodão, que foi lançado na terra, que, fecundada, deu à luz um menino que aquela recolheu, chamando-o Erictônio, quer dizer "filho da Terra". Sem que os deuses soubesse, a deusa fechou-o num cofre e o confiou secretament às filhas de Cécrops, antigo rei mítico da Ática e fundador de Atenas. Apesar da proibição de Palas, as jovens princesas, Aglauro, Herse e Pândroso, abriram o cofre, mas fugiram apavoradas, porque do mesmo havia uma criança, que, da cintura pra baixo, era uma serpente, como normalmente acontece com os seres nascidos da Terra. Uma outra versão relata que ao lado de Erictônio rastejava medonha serpente. Diz-se que, como punição de três princesas enlouqueceram e pricipitaram-se do alto do rochedo da Acrópole.

A partir de então, Atena se encarregou de educar seu filho no recinto sagrado de seu templo na Acrópole. Quando Erictônio atingiu a maioridade, Cécrops entregou-lhe o poder. Casado com uma ninfa náiade, Praxítea, foi pai de Pandión, que o sucedeu no poder. ao rei Erictônio se atribui a introdução na Ática do uso do dinheiro e a organização das Panatenéias. Algumas de suas inovações são igualmente atribuídas a seu neto Erecteu.

Atena

Além de haver dirigido os trabalhos de seus colegas, Ictino e Calícrates, na construção do Partenon, fídias (séc. V a.e.c.), o gênio da escultura ateniense, foi o autor das duas mais célebres estátuas da deusa da inteligência, a Parthénos Criselefantina no interior do Partenon e, ao ar livre, o bronze colossal de Atena Prómokhos.

A ave predileta da deusa era a coruja, símbolo da reflexão que domina as trevas; sua árvore favorita, a oliveira.

Alta, de traços calmos, mais solene e majestosa que bela, Atena era a deusa de olhos garços...

Palas Atena, Atena Polías, era a defensora e a garante de Atenas. Lá de cima da Acrópole, contemplando sua Cidade, transmitiu-lhe pelos lábios de Ésquilo, seu discurso de paz, de liberdade, de justiça e de democracia. Era o fecho do julgamento de Orestes, perseguido pelas Erínias.

Vencendo-as, Atena, mais uma vez, dessa feita com o escudo da razão, restabeleceu o domínio da ordem sobre o Caos, da luz sobre as trevas, do primado do ius fori (do direito do homem) sobre o ius poli (o direito das trevas).

Atena

Eis seu discurso

Ouvi agora o que estabeleço, cidadãos de Atenas, que julgais a primeira causa de sangue. Doravante o povo de Egeu conservará este conselho de Juízes, sempre renovado, nesta Colina de Ares. Nem anarquia, nem despotismo, esta é a norma que a meus cidadãos aconselho observarem com respeito.

Se respeitardes, como convém, esta augusta insituição, tereis nela baluarte para o país, salvação para a Cidade, Incorruptível, venerável, inflexível, tal é o Tribunal, que aqui instituo para vigiar, sempre acordado, sobre a Cidade que dorme.

O perfil de Atena, como o de Zeus e o de Apolo, evoluiu consideravelmente no mito, de maneira constante e progressiva, no sentido de uma espiritualização.

Dois de seus atributos configuram os termos dessa evolução, a serpente e a ave (cojura), Antiga Grande Mãe minóica, proveniente de cultos ctônios, domínios da serpente, elevou-se, com o sincretismo creto-micênico, a uma posição dominante nos cultos urânios e olímpicos, domínios da ave, como deusa da fecundidade e da sabedoria; virgem, protetora das crianças; guerreira, inspiradora das artes e da paz.

Atena - Gravura

DesconhecidoSeu nascimento foi como um jorro de luz sobre o cosmo, aurora de um mundo novo, atmosfera luminosa, semelhante à hierofania d euma divindade emergindo de uma montanha sagrada. Sua aparição marca um transtorno ha história do mundo e da humanidade.

Uma chuva de neve de ouro caiu sobre Atenas, quando de seu nascimento: neve e ouro, pureza e riquza, tombando do céu com a dupla função de fecundar, como a chuva, e de iluminar, como o sol. E é, por isso mesmo, que em certas festas de Atena se ofereciam bolos em forma de serpente e de falo, símbolos da fertilidade e da fecundidade.

Para Relembrar o nascimento de Erictônio, o instituidor das Panatenéias, e que Atena escondera num cofre em companhia e sob a proteção de uma serpente, se oferecia aos recém-nascidos atenienses um amuleto representando uma pequena serpente, símbolo da sabedoria intuitiva e da vigilância protetora. Como "Palas Atena", ela é defensora, no sentido físico e espiritual, das alturas, das Acrópoles, em que se estabelece.

A cabeça de Medusa colocada no centro de seu escudo é como um espelho da verdade, para combater seus adversários, petrificando-os de horror, ao constemplarem sua própria imagem. Foi graças a tal escudo que Perseu levou de vencida a terrível Górgona, mostrando assim que Atetna é a deusa vitoriosa pela sabedoria, pelo engenho e pela verdade.

Sua lança é uma arma de luz: separa, corta e fere, como o relâmpago resga as nuvens. A proteção concedida a heróis como Aquiles, Héracles, Perseu e consequente transformação da personalidade do herói.

Deusa da fecundidade, deusa da vitória e deusa da sabedoria, Atena simboliza mais que tudo a criação psíquica, a síntese por reflexão, a inteligência socializada.

A coruja em grego (glaúks), etimologicamente, "brilhante, cintilante", porque enxerga nas trevas; em latim noctua, "ave da noite", era, como se viu, consagrada a Atena.

Ave noturna, relacionada, pois, com a lua, a coruja não suporta a luz do sol, opondo-se desse modo, à águia, que a recebe de olhos abertos. Deduz-se, daí que o mocho, em relação a Atena, é o símbolo do conhecimento racional com a percepção da luz lunar por reflexo, opondo-se, destarte, ao conhecimento intuitivo com a percepção direta da luz solar. Explica-se talvez, assim, o fato de ser a coruja um atributo tradicional dos mânteis, dos adivinhos, simbolizando-lhes o dom da clarividência, mas através de sinais que os mesmos interpretam. Noctua, ave das trevas, ctônia portanto, a coruja é uma excelente conhecedora dos segredos da noite. Enquanto os homens dormem, ela fica de olhos abertos, bebendo os raios da lua, sua inspiradora. Vigiando os cemtérios ou atenta aos cochichos da noite, essa núncia das trevas sabe tudo o que se passa, tendo-se tornado em muitas culturas uma poderosa auxiliar da mantéia, da mântica, da arte de adivinhar. Daí a tradição segundo a qual quem come carne de coruja participa de seus poderes divinatórios, de seus dons de previsão e presciência.

No mito grego a coruja é representada por Ascálafo, que, tendo denunciado a Perséfone, foi transformado em mocho.

Para os astecas, a coruja configura o deus dos infernos, representada como a guardiã da morada obscura das entranhas da terra. Associada às potências ctônias, é um avatar da chuva, das tempestades e da noite.

Atena

Referência Bibliográfica

BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Greva Vol II. Petrópolis, Vozes, 2004;
CHEVALIER, Jean e GHEERBRANT, Alain. Op. cit., p. 496;
DUMÉZIL, Georges. op. cit., p. 21-27;
ELIADE, Mircea. op. cit., p. 147.

Fonte: www.templodeapolo.net

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