
Pais: Caos
Etimologia: Em grego (Érebos), designa as trevas infernais. Trata-se de uma concepção indo-européia, cuja raiz é regwos, que aparece em sânscrito como rájas, espaço obscuro, no gótico riqiz, obscuridade, e no armênio erek, crepúsculo..
Bem mais tarde, quando Hades, o mundo infernal, foi "geograficamente" dividido em três compartimentos, Érebo ocupou o centro, à igual distância entre os Campos Elísios e o Tártaro. O Érebo era uma espécie de purgatório grego, onde os espíritos dos mortos cumpriam "pena" antes de irem para os Campos Elísios, e posteriormente reencarnarem.

Pais: Nix
Etimologia: Em grego (Aithér), do verbo (aíthein), brilhar iluminar, onde "o brilhante".
Éter é a camada superior do cosmo, posicionado entre Urano (céu) e o ar e, por isso mesmo, personifica o céu superior, onde a luz é mais pura que na camada mais próxima da terra, dominada pelo ar, que nada tem a vom com Éter.
Pais: Caos; Nix; ou Hermes e Afrodite. (Em algumas variantes)
Etimologia: Em grego (Éros), significa desejo incoercível dos sentidos.

Personificado, é o deus do amor. O mais belo entre os deuses imortais, segundo Hesíodo, Eros dilacera os membros e transtorna o jízo dos deuses e dos homens. Dotado, como não poderia deixar de ser, de uma natureza vária e mutável, o mito do deus do amor evoluiu muito, desde a era arcaixa até a época alexandrina e romana, isto é, do século IX a.e.c., ao século VI d.e.c. Nas mais antigas teogonias, como se vê em Hesíodo, Eros nasceu do Caos, ao mesmo tempo em que Geia e Tartaro. Numa variante da cosmogonia órfica, o Caos e Nix (noite) estão na origem do mundo. Nix põe um ovo, de que nasce Eros, enquanto Urano e Geia se formam das duas metades da casca pertida. Eros, no entanto, apesar de suas múltiplas genealogias, permanecerá sempre, mesmo à época de seus disfarces e novas indumentárias da época alexandrina, a força fundamental do mundo. Garante não apenas a continuidade das espécies, mas a coesão interna do cosmo. Foi exatamente sobre este tema que se desenvolveram inúmeras especulações de poetas, filósofos e mitólogos.

Para Platão, no Banquete, pelos lábios da sacerdotisa Diotima, Eros é um Demônio, quer dizer, um intermediário entre os deuses e os homens (não do sentido pejorativo de Diabo, para os gregos, "daimónion" eram seres semideuses que vagavem entre deuses e homens, sendo como os anjos são para os cristãos hoje) como o deus do amor está a meia distância entre uns e outros, ele preenche o vazio, tornando-se assim, o elo que une o Todo a sim mesmo. Foi contra a tendência generalizada que lhe atribuiu nova genealogia. Consoante Diotima, Eros foi concebido da união de Póros (expediente) e de Penia (Pobreza), no jardim dos Deuses, após um grande banquete, em que se celebrava o nascimento de Afrodite.
Em face desse parentesco tão díspar, Eros tem caracteres bem definidos e significativos: sempre em busca de seu objeto, como Pobreza e "carência", sabe, todavia, arquitetar um plano, como Expediente, para atingir o objetivo, "a plenitude".
Assim, longe de ser um deus todo-poderoso, Eros é uma força, uma (enérgueia), uma "energia", perpetuamente insatisfeito e inquieto: uma carência sempre em busca de uma plenitude. Um Sujeito em busco do Objeto.