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Primeira Fase do Universo

Geia ou Gaia

Pais: Caos

Filhos: Gerou Sozinha: Urano (Céu) - Montes (Montanhas) - Pontos - (Mar)

Filhos com Urano: Os Hecatonquiros (Briaréu, Gias e Coto) - Os Ciclopes (Arges, Estérope, Bontes) - Os Titãs (Oceano, Ceos, Crio, Hiperion, Jápeto, Crono) - As Titãnidas (Téia, Réia, Febe, Mnemósina, Temis e Tetis).

Filhos com Pontos: Tauas - Fócis - Ceto - Euríbia.

Etimologia: Em grego Ga?a (Gaîa), etimologia ainda se desconhece.

Geia

Geia é a terra, concebida como elemento primordial e deusa cósmica, diferenciando-se assim, teoricamente, de Deméter, a terra cultivada. Geia se opõe, simbolicamente, como princípio passivo ao princípio ativo; como aspecto feminino ao masculino da manifestação; como obscuridade, fixação e condensação à natureza sutil e volátil, isto é à dissolução. Geia suporta, enquanto Úrano, o Céu, a cobre. Dela nascem todos os seres, porque Geia é mulher e mãe. Suas virtudes básicas são a doçura,a submissão, a firmeza cordata e duradoura, não se podendo omitir a humildade, que, etimologicamente, prende-se a humus, "terra", de que o homo, "homem", que igualmente provém de humus, foi modelado. Ela é a fêmea penetrada pela charrua e pelo arado, fecundada pela chuva ou pelo sangue, que são o spérma, a semente do Céu. Como matriz, concebe todos os seres, as fontes, os minerais e os vegetais. Geia simboliza a função materna: é a Tellus Mater , a Mãe-Terra. Concede e retoma a vida. Prostrando-se ao solo, exlama Jó 1,21: Nu saí do ventre de minha mãe; nu para lá retornarei. Reuertere ad locum tuum, volta a teu lugar, é um lembrete que alguns cemitérios gostam de estampar. "Rasteja par a terra, tua mãe" (Rig Veda, X, 18,10), diz o poeta védico ao morto. Assimilada à mãe, a Terra é símbolo de fecundidade e de regeneração, como escreveu Ésquilo nas Coéforas, 127-128: A própria Terra que, sozinha, gera todos os seres, alimenta-os e depois recebe dels novament o germen fecundo.

Consoante a Teogonia de Hesíodo, 126sq., a própria Geia gerou a Urano, que a cobriu e deu nascimento aos deuses. Esta primeiraEstátua Grega - Desconhecido hierogamia, quer dizer, casamento sagrado, foi imitada pelos deuses, pelos homens e pelos animais. Como origem e matriz da vida, Geia recebeu o nome de Magna Mater, a Grande Mãe. Guardiã da semente e da vida, em todas as culturas sempre houve "enterros" simbólicos, análogos às imersões batismais, seja com a finalidade de fortalecer as energias ou curar, seja como rito de iniciação. De toda forma, esse regressus ad uterum, essa descida ao útero da terra, tem sempre o mesmo significado religioso: a regeneração pelo contato com as energias telúricas; morrer para uma forma de vida, a fim de renascer para uma vida nova e fecunda. É por isso que nos Mistérios de Elêusis se efetuava uma katábasis eis ántron, uma descida à caverna, onde se dava um novo nascimento.

Geia

Mater, mãe, tem a mesma raiz que materia, "madeira": pois bem, quando se quer atrair a sorte ou afastar o azar, bate-se três vezes na materia, na madeira, isto é, na mater, na mãe, detentora das grandes energias e de um mana poderoso.

Ref. Bibliográfica:

BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Greva Vol I. Petrópolis, Vozes, 2004;

Hemera

Hemera

Pais: Nix

Etimologia: Em grego (Heméra), cuja base é o indo-europeu ãmõr, "claridade".

Hemera é a personificação do Dia, concebido como divindade feminina, formando com éter um par, enquanto Érebo e Nix

Ref. Bibliográfica:

BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Greva Vol I. Petrópolis, Vozes, 2004;

Montes

Montes

Pais: Geia

Etimologia: Em grego (Úrea), do verbo (óresthai), "elevar-se", personificados como filhos de Géia, são em Hesíodo a "agradável habitação das Nifas".

Por sua altura e epor ser um centro, a montanha tem um simbolismo preciso. Na medida em que ela é alta, vertical, aproximando-se do céu, é símbolo de transcedência; enquanto centro de hierofanias (manifestações do sagrado) e de teofanias (manifestações dos deuses), participa do simbolismo da manifestação. Como ponto de encontro entre o céu e a terra, é a residência dos deuses e o termo da ascensão humana. Expressão da estabilidade e da imutabilidade, a montanha, segundo os sumérios, é a massa primordial não diferenciada, o Ovo do mundo. Residência dos deuses, escalar a montanha sagrada é caminhar em direção ao Céu, como meio de se entrar em contato com o divino, e uma espécie de retorno ao Princípio.

Todas as culturas têm sua montanha sagrada. Moisés recebeu as Tábuas da lei no Monto Sinai; Garizim foi e continua a ser um cume sagrado nas montanhas de Efrain; o sacrifício de Isaac foi sobre a montanha; Elias obtém o milagre da chuva nos píncaros do monto Carmelo; uma das mais belas pregações de Cristo foi o Sermão da Montanha; a transfiguração de Jesus foi sobre uma alta montanha e sua ascensão, sobre o monte das Oliveiras.

Os exemplos poderiam multiplicar-se. Acrescentemos, apenas, que o monte Olimpo era a morada dos deuses gregos; Dionísio foi criado no monte Nisa e Zeus o foi no Monte Ida. Montesalvat do Graal está situado no meio de ilhas inacessíveis.

Na ralidade, Deus está sempre mais perto, quando se escala a montanha.

Ref. Bibliográfica:

BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Greva Vol I. Petrópolis, Vozes, 2004;

Nix

Nix

Pais: Caos

Filhos: Gerou Sozinha: Éter (Luminosidade), Hemera (Dia), Moro (Destino), Tânatos (Morte), Hipno (Sono), Momo (Sarcasmo), Hespérides, Moîras ou parcas, Queres, Nêmesis, Gueras (Velhice), Éris (Discórdia). Eros (em algumas versões)

Etimologia: Em grego (Nýks), é a personificação e a deusa da noite cuja rais é o Indo-europeu nokwt "escuridão.

Velha divindade, nascida do Caos na primeira fase do Universo, e que dera à luz: Éter e Hemera, tornou-se extremamente fértil na primeira progênie divina. Gerou, por partenogênese, as seguintes abstrações: Moro, Tânatos, Hipno, Momo, Hespérides, Queres, Moiras, Nêmesis, Gueras e Éris. Habita o extremo oriente, além do país de Atlas. Enquanto Érebo personifica as trevas subterrâneas, inferiores, Nix personifica as trevas superiores de cima. Percorre o céu, coberta por um manto sombrio, sobre um carro puxado por quatro cavalos negros e sempre acompanhada das queres. à Nóite só se podem imolar ovelhas negras.

Nix simboliza o tempo das gestações, das germinações de Vida. É muito rica em totdas as potencialidades de existência, mas entrar na noite é regressar ao indeterminado, onde se misturam pesadelos, ícubos, súcubos e monstros. Símbolo do inconsciente, é no sono da noite que aquele se libera.

Ref. Bibliográfica:

BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Greva Vol I. Petrópolis, Vozes, 2004;

Pontos

Pais: Geia

Filhos: Gerou Sozinho: Nereu

Filhos com Geia: Tauas - Fócis - Ceto - Euríbia.

Etimologia: Em grego (Póntos), talvez da raiz pent, ação de caminhar, o sânscrito tem pántbãh, caminho, e o latim pons, ponte, passarela. Pontos é, pois, a marcha, o caminho, "os caminhos do mar".

Personificado, passou a figurar como representação masculina do mar. Não possuindo um mito próprio, aparece apenas nas genealogias teogônicas e cosmogônicas. O mar simboliza a dinâmica da vida. tudo sai do mar e a ela retorna, tornando-se o mesmo o lugar de nascimentos, transformações e renascimentos. Águas em movimento, o mar simboliza um estado transitório entre as possíveis realidades ainda informais e as realidades formais, uma situação de ambivalência, que é a da incerteza, da dúvida e da indecisão, que se pode concluir bem ou mal. Daí ser o mar simultaneamente a imagem da vida e da morte. Cretenses, gregos e romanos sacrificavam ao mar cavalos e touros, ambos símbolos de fecundidade. Símbolo também de hostilidade ao divino, o mar acabou por ser vencido e dominado por um deus. Segundo as cosmogonias babilônicas, Tiamat (o mar), após contribuir para dar nascimento aos deuses, foi por um dels vencido. Javé tinha domínio total sobre o mar e seus monstros, com diz Jó 7,12:

Acaso sou eu o mar ou baleia, para me ters encerrado como num cárcere?

Criação de Deus (Gn 1,9-10), o mar tem que lhe estar sujeito (Jr 31,35). Cristo dá ordens aos ventos e ao mar, e as tempestades setransformam em bonança (Mt 8,24-27).

Ref. Bibliográfica:

BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Greva Vol I. Petrópolis, Vozes, 2004;

Tártaro

Pais: Caos

Etimologia: Em grego (Tártaros), etimologia ainda se desconhece.

Tártaro

É o local mais profundo das entranhas da terra, localizado muito abaixo do próprio Hades. A distância que separa o Hades do Tártaro é a mesma que existe entre Geia, a Terra, e Urano, o Céu. Um pouco mais tarde, quando o Hades foi dividido em três compartimentos, Campos Elísios, local onde ficavam por algum tempo os que pouco tinham a purgar, Érebo, residencia também temporária dos que muito tinham a sofrer, o Tártaro se tornou o local de suplício permanente dos grandes criminosos, mortais e imortais. Na Ilíada, VIII 13sqq., porém quando Zeus proíbe os Imortais de se imiscuírem nas batalhas entre aqueus e troianos, e ameaça lançar os recalcitantes nas profundezas do Tártaro, observa-se que este é perfeito sinônimo de Hades, aonde iam ter, para todo o sempre, sem prêmio nem castigo, todas as almas. A divisão do Hades em compartimentos é pós-homérica.

Em Hesíoso a idéia de permanência eterna na outra vida já parece também existir, pelo menos para alguns deuses e mortais: lá foram lançados os Titãs e as almas dos homens da Idade de Bronze.

Os Ciclópes tiveram mais sorte: duas vezes demonstra que para algumas divindades o Tártaro podia funcionar apenas como prisão temporária, ao menos até Hesíodo. Seja como for, é no Tártaro que as diferentes gerações divinas lançam sucessivamente seus inimigos, como os Ciclopes e depois os Titãs.

Ref. Bibliográfica:

BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Greva Vol I. Petrópolis, Vozes, 2004;

Urano

Pais: Geia

Filhos: Seu sêmen caído na terra: Erínias - Gigantes - Ninfas dos Freixos - Meliades

Seu sêmen caído na Geia: Os Hecatonquiros (Briaréu, Gias e Coto) - Os Ciclopes (Arges, Estérope, Bontes) - Os Titãs (Oceano, Ceos, Crio, Hiperion, Jápeto, Crono) - As Titãnidas (Téia, Réia, Febe, Mnemósina, Temis e Tetis).

Etimologia: Em grego (Uranós). Não mais se aceitando a aproximação com Varuna, talvez se pudesse cotejar o vocábulo grego com (worsanós), sânscrito varsa-, "chuva", onde Urano seria "o que chove", fecundando Geia.

Urano

É a personalização do Céu, enquanto elemento fecundador de Geia. Urano Céu era concebido como um hemisfério, a abóbada celeste, que cobria a terra, concebida como esférica, mas achatada: entre ambos se interpunham o Éter e o Ar e, nas profundezas de Geia, localizava-se o Tártaro, bem a baixo do próprio Hades. Do ponto de vista simbólico, o deus do céu traduz uma proliferção criadora desmedida e indiferenciada, cuja abundância acaba por destruir o que foi gerado. Urano caracteriza assim a fase inicial de qualquer ação, com alternância de exaltação e depressão, de impulso e queda, de vida e morte dos projetos.

Deus celeste indo-europeu, símbolo da abundância, o deus do céu é representado pelo touro. Sua fertilidade, todavia é perigosa, além de inútil. A mutilação de Urano por Crono põe cobro a uma odiosa fecundidade e faz surgir Afrodite, nascida do esperma ensanguentado do deus, a qual introduz no mundo a ordem e a fixação das espécies, impossibilitando qualquer procriação desordenada e nociva. André Virel, com base na mitologia grega, caracterizou as três fases da evervescência caótica e indiferenciada, chamada cosmogenia; Crono (Saturno) é o podador, corta e separa. Com um golpe de foice ceifa os órgãos de seu pai, pondo fim a secreções indefinidas. Ele é o tempo da paralisação. É o regulador que bloqueia qualquer criação no universo. É o tempo simétrico, o tempo da identidade. Sua fase denomina-se esquizogenia. O reino de Zeus (Júpiter) se caracteriza por uma nova partida, organizada e ordenad e não mais caótica e anárquica: a esta fase A. Virel chama autogenia Após a descontinuidade, a criação e a evolução retomam seu caminho.

A únião de Urano e Geia é o que se denomina uma hierogamia, um casamento sagrado, cujo objetivo precípuo é a fertilidade da mulher, dos animais e da terra. É que, na expressão de Mircea Eliade, o hierós gámos, o casamento sagrado, "atualiza a comunhão entre os deuses e os homens; comunhão, por certo passageira, mas com significativas consequências. Pois a energia divina convergia diretamente sobre a cidade - em outras palavras, sobre a Terra - Santificava-a e lhe garantia a prosperidade e a felicidade para o ano que começava". Essas hierogamias se encontram em quase todas as tradições religiosas. Simbolizam não apenas possibilidades de união do homem com os deuses, mas também uniões de princípios divinos que provocam certas hipóstases. Uma das mais célebres dessas uniões é a de Zeus ( o poder, a autoridade) e Têmis (a justiça, a ordem eterna) que deu nascimento a Eunomia (a disciplina), Irene (a paz) e Dique (a justiça).

Curioso é que o casamento, insituição que preside à transmissão da vida, aparece muitas vezes aureolado de um culto que exalta e exige a virgindade, simbolizando, assim, a origem divina da vida, de que as uniões do homem e da mulher são apenas projeções, receptáculos, instrumentos e canais transitórios. No Egito havia as esposas de Amon, deus da fecundidade. Eram normalmente princesas, consagradas ao deus e que dedicavam sua virgindade a essa teogamia. Em Roma, as Vestais, sacerdotisas de Vesta, deusa da lareira doméstica, depois deusa da Terra a Deusa Mãe, se caracterizavam por uma extrema exigência de pureza.

Ref. Bibliográfica:

BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Greva Vol I. Petrópolis, Vozes, 2004;

Odsson Ferreira

Fonte: www.templodeapolo.net

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