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Primeira Fase do Universo

Seres Primordiais

Seres Primordiais

Onde: Caos (O Nada, massa caótica vazia e abstrata; Érebo ( trevas infernais); Eter (O Ar, camada entre o Céu e a Terra); Geia (Terra, mãe de todas as coisas); Hemera (Porsonificação do dia) Montes (Montanhas); Nix (Noite); Pontos (Mar); Tártaro (Inferno, camada mais baixa do Hades); Urano (Céu, o primeiro grande pai do universo).

Inicialmente Geia era a divindade suprema, adorada pelos povos agricultores anteriores aos bárbaros invasores que deram origem ao povo grego. Ela é a deusa-mãe de mil nomes, representação do princípio universal doador e nutridor da vida.

De Geia foram gerados espontaneamente Pontos (o mar) e Urano (o céu), que também a desposaram dando origem a uma série de deuses. De Pontos ela deu à luz a deuses marítimos e de Urano, aos titãs, gigantes, ciclopes e Hecatonquiros. Certamente o casamento de Gaia já representa um extrato mitológico posterior, onde a deusa-mãe necessita do macho para fazer algo que outrora fora espontâneo.

Caos

Caos

Filhos: Geia - Nix - Erebo - Tártaro - Eros (Em algumas Variantes)
Etimologia:
Caos em grego (Kháos), do verbo (khaíein), abrir-se, entreabrir-se, significa abismo insodável.

Ovídio chamou-o rudis indigestaque moles, massa informe e confusa. Consoante Jean Chevalier e Alain Gheerbrant, o Caos é "a personificação do vazio primordial, anterior à criação, quando a ordem ainda não havia sido imposta aos elementos do Mundo" no Gênesis 1,2 diz o texto sagrado: A terra, porém, estava informe e vazia, e as trevas cobriam a face do abismo, e o Espírito de Deus movia-se sobre as águas. Trata-se do Caos primordial, antes da criação do mundo, realizada por Javé, a partir do nada. Na cosmologia egípcia, o Caos é uma energia poderosa do mundo informe, que cinge a criação ordenada, como o oceano circula a terra.

Existia antes da criação e coexiste com o mundo formal, envolvendo-o como uma imensa e nexaurível resrva de nrgias, nas quais se dissolverão as formas nos fins dos tempos. Na tradição chinesa, o Caos é o espaço homogêneo, anterior à divisão em quatro horizontes, que equivale à criação do mundo. Esta divisão marca a passagem ao diferenciado e a possibilidade de orientação,constituindo-se na base de toda organização do cosmo. Estar desorientado é entrar no Caos, de onde não se atua energicamente no elemento primodial.

Do Caos grego, dotado de grande energia prolífica, saíram Géia, Tártaro e Eros.

Ref. Bibliográfica:

BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Greva Vol I. Petrópolis, Vozes, 2004;
CHERVALIER, Jean & GHERBRANT, Alain. Op. cit., p. 206

Érebo

Érebo

Pais: Caos

Etimologia: Em grego (Érebos), designa as trevas infernais. Trata-se de uma concepção indo-européia, cuja raiz é regwos, que aparece em sânscrito como rájas, espaço obscuro, no gótico riqiz, obscuridade, e no armênio erek, crepúsculo..

Bem mais tarde, quando Hades, o mundo infernal, foi "geograficamente" dividido em três compartimentos, Érebo ocupou o centro, à igual distância entre os Campos Elísios e o Tártaro. O Érebo era uma espécie de purgatório grego, onde os espíritos dos mortos cumpriam "pena" antes de irem para os Campos Elísios, e posteriormente reencarnarem.

Ref. Bibliográfica:

BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Greva Vol I. Petrópolis, Vozes, 2004;

Eter

Eter

Pais: Nix

Etimologia: Em grego (Aithér), do verbo (aíthein), brilhar iluminar, onde "o brilhante".

Éter é a camada superior do cosmo, posicionado entre Urano (céu) e o ar e, por isso mesmo, personifica o céu superior, onde a luz é mais pura que na camada mais próxima da terra, dominada pelo ar, que nada tem a vom com Éter.

Ref. Bibliográfica:

BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Greva Vol I. Petrópolis, Vozes, 2004;

Eros

Pais: Caos; Nix; ou Hermes e Afrodite. (Em algumas variantes)

Etimologia: Em grego (Éros), significa desejo incoercível dos sentidos.

Eros

Personificado, é o deus do amor. O mais belo entre os deuses imortais, segundo Hesíodo, Eros dilacera os membros e transtorna o jízo dos deuses e dos homens. Dotado, como não poderia deixar de ser, de uma natureza vária e mutável, o mito do deus do amor evoluiu muito, desde a era arcaixa até a época alexandrina e romana, isto é, do século IX a.e.c., ao século VI d.e.c. Nas mais antigas teogonias, como se vê em Hesíodo, Eros nasceu do Caos, ao mesmo tempo em que Geia e Tartaro. Numa variante da cosmogonia órfica, o Caos e Nix (noite) estão na origem do mundo. Nix põe um ovo, de que nasce Eros, enquanto Urano e Geia se formam das duas metades da casca pertida. Eros, no entanto, apesar de suas múltiplas genealogias, permanecerá sempre, mesmo à época de seus disfarces e novas indumentárias da época alexandrina, a força fundamental do mundo. Garante não apenas a continuidade das espécies, mas a coesão interna do cosmo. Foi exatamente sobre este tema que se desenvolveram inúmeras especulações de poetas, filósofos e mitólogos.

Eros

Para Platão, no Banquete, pelos lábios da sacerdotisa Diotima, Eros é um Demônio, quer dizer, um intermediário entre os deuses e os homens (não do sentido pejorativo de Diabo, para os gregos, "daimónion" eram seres semideuses que vagavem entre deuses e homens, sendo como os anjos são para os cristãos hoje) como o deus do amor está a meia distância entre uns e outros, ele preenche o vazio, tornando-se assim, o elo que une o Todo a sim mesmo. Foi contra a tendência generalizada que lhe atribuiu nova genealogia. Consoante Diotima, Eros foi concebido da união de Póros (expediente) e de Penia (Pobreza), no jardim dos Deuses, após um grande banquete, em que se celebrava o nascimento de Afrodite. Em face desse parentesco tão díspar, Eros tem caracteres bem definidos e significativos: sempre em busca de seu objeto, como Pobreza e "carência", sabe, todavia, arquitetar um plano, como Expediente, para atingir o objetivo, "a plenitude". Assim, longe de ser um deus todo-poderoso, Eros é uma força, uma (enérgueia), uma "energia", perpetuamente insatisfeito e inquieto: uma carência sempre em busca de uma plenitude. Um Sujeito em busco do Objeto.

Com o tempo, surgiram várias outras genealogias: umas afirmam se o deus do Amor filho de Hermes e Ártemis ctônia ou de Pintura sobre tela - Giovanni Baglione 1573-1644Hermes e Afrodite urânia, a Afrodite dos amores etéreos; outras dão-lhe como pais Ares e Afrodite, enquanto filha de Zeus e Dione e, nesse caso, Eros se chamaria Ânteros, quer dizer, o Amor Contrário ou Recíproco. As duas genealogias, porém, que mais se impuseram, fazem de Eros ora filho de Afrodite Pandêmia, isto é, da Afrodite popular, a Afrodite dos desejos incontroláveis, e de Hermes, ora filho de Artemis, enquanto filha de Zeus e Perséfone, e de Hermes. Este último Eros, que era alado, foi o preferido dos poetas e escultores.

Eros

Aos poucos, todavia, sob a influência da poesia, Eros se fixou e tomou sua fisionomia tradicional. Passou a ser apresentado como um garotinho louro, normalmente com asas. Sobe a máscara de um menino inocente e travesso, que jamais cresceu (afinal a idade da razão, o lógos, é incomparável com o amor), esconde-se um deus perigoso, sempre pronto a traspassar com suas flechas certeiras, envenenadas de amor e paixão, o fígado e o coração de suas vítimas.

O fato de Eros ser uma criança simboliza, sem dúvida, a eterna juventude de um amor profundo, mas também uma certa irresponsabilidade. Em todas as culturas, a Aljava, o arco, as flechas, a tocha, os olhos vendados significam que o Amor se diverte com as pessoas de que se apossa e domina, mesmo sem vê-las (o amor, não é raro, é cego), ferindo-as e inflamando-lhes o coração. O globo que ele, por vezes, tem nas mãos, exprime sua universalidade e seu poder.

Gravura - DesconhecidoEros, de outro lado, traduz a complexio oppositorum, a união dos opostos. O Amor é a pulsão fundamental do ser, a libido, que impele toda existência a se realizar na ação. É ele que atualiza as virtualidades do ser, mas essa passagem ao ato só se concretiza mediante o contato com o outro, através de uma série de trocas materiais, espirituais, sensíveis, o que faltamente provoca choques e comoções. Eros procura superar esses antagonismos, assimilando forças diferentes e contrárias, integrando-as numa só e mesma unidade. Nessa acepção, ele é simbolizado pela cruz, síntese de correntes horizontais e verticais e pelos binômios animus-anima e Yang-Yin. Do ponto de vista cósmico, após a explosão do ser em múltiplos seres, o Amor é a d??aµ?? (dýnamis), a força, a alavanca que canaliza o retorno à unidade; é a reintegração do universo, marcada pela passagem da unidade inconsciente do Caos primitivo à unidade consciente da ordem definitiva. A libido então se ilumina de progresso moral e místico. o ego segue uma evolução análoga à do universo: o amor é a busca de um centro unificador, que permite a realização da síntese dinâmica de suas potencialidades.

Dois seres que se dão e reciprocamente se entregam, econtram-se um no outro, desde que tenha havido uma elevação ao nível de ser superior e o dom tenha sito total, sem as constumeiras limitações ao nível de cada um, normalmente apenas sexual. o Amor é uma fonte de progresso, na medida em que ele é efetivamente união e não apropriação. Pervertido, Eros, em vez de se tornar o centro unificador, converte-se em pricípio de divisão e morte. Essa perversão consiste sobretudo em destruir o valor do outro, na tentativa de servir-se do mesmo egoísticamente, ao invés de enriquecer-se a si próprio e ao outro com uma entrega total, um dom recíproco e genroso, que fará com que cada um seja mais, ao mesmo tempo em que ambos se toram eles mesmos. O Erro capital do amor se consuma quando uma das partes se considera o todo. O conflito entre a alma e o amor é simbolizado pelo mito de Eros e Psiqué.

Ref. Bibliográfica:

BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Greva Vol I. Petrópolis, Vozes, 2004;

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