
No começo não havia nada, nem luz nem trevas. O Grande Espírito existia sem ter o conhecimento de sua própria existência, assim permanecendo até que no Nada despertou e ao despertar começou a se expandir. Desta expansão, surgiu Nix e seu irmão Érebo. Os dois irmãos coexistiam opostos, no Nada, no Caos, até que esta oposição explodiu em luz. Érebo mergulhou para sempre nas trevas e Nix envolvido de luz, curvou-se até transformar-se numa esfera que continuou a se expandir ainda mais.
Assim foram criadas a luz e as trevas, o dual, o positivo e o negativo, o mais e o menos, Luz e Escuridão. Nix pulsava e expandia na Luz até que se partiu em duas partes iguais. As duas metades de Nix converteram-se, uma no céu, em Urano e a outra na Terra, em Gaia.
Os dois uniram-se. Gaia tornou-se mãe e seus filhos eram seis Titãs: Oceano, Crio, Ceos, Hiperião, Jápeto e Cronos.
Suas filhas foram as seis Titãnidas: Téia, Réia, Themis, Mnemosina, Febe e Tétis. Hiperião uniu-se a Téia e dessa união nasceram: Hélio - o Sol, Selene - a Lua, e Éos - a Aurora.
Cronos uniu-se a Réia e nasceram: Héstia, Deméter, Hera, Hades e Posseidon. Cada filho ao nascer, era devorado por Cronos, pois este temia perder o poder para algum deles. Réia, grávida novamente, decidida a não entregar este filho a Cronos, foi para a Ilha de Creta onde poderia dar à luz em segurança.
Quando Zeus nasceu, Réia o entregou aos cuidados das Ninfas e partiu levando consigo uma pedra no formato de uma criança recém nascida, embrulhada em panos. Assim que Cronos viu Réia aproximar-se, segurando o que para ele era, sem dúvida, seu sexto filho, não tardou a pegá-lo e engoli-lo. Réia expressou tristeza e se afastou. Tão logo Réia deixou Creta com a falsa criança de pedra, Gaia, mãe de Cronos, surgiu.
Tomou o pequeno Zeus nos braços e falou:
- Eu as convoco, Ninfas, para reunirem-se em torno desta divina criança. Façam com que ela cresça em meio a paz, amor e alegria. Sua existência não poderá ser conhecida pelos Deuses, até o momento adequado. O destino dos Deuses está em suas mãos, Ninfas. E eu, estarei velando por vocês.
Gaia partiu. Zeus começou a chorar.
As Ninfas fizeram de tudo, mas a criança não parava, até que uma delas, Amaltéia inspirada por Gaia, teve a idéia:
- Algumas vezes, vi a cabra Aix amamentando seus filhotes. Talvez o pequeno Zeus esteja com fome.
- Zeus é um Deus e Aix uma cabra. Deuses tomam leite de cabra?
- Vamos tentar, é isso que temos de fazer.
Trouxeram Aix para dentro da gruta, retiraram o leite e o aqueceram em uma tigela de barro. Recolheram o vapor no bojo de uma flor e a aproximaram do pequeno nariz de Zeus que, sentindo o cheiro, logo se acalmou. Assim, a criança cresceu forte e saudável, alimentando-se de leite e mel. Aix era um animal tão feio que os Titãs haviam anteriormente pedido a Gaia que a encerrasse em uma caverna, bem longe de seus olhares. Desta forma a cabra foi ter na Ilha de Creta e recebeu o privilégio de amamentar o filho de Cronos.
Ao menino Zeus não importava a fealdade do animal. Adorava correr com ela pelos campos e, certa feita, em meio às brincadeiras arrancou-lhe um dos chifres.
Deu-o então à ninfa Amaltéia, prometendo-lhe que todos os frutos que desejasse ali encontraria. Era a Cornucópia, o corno da eterna abundância. Quando Aix morreu, Zeus retirou o couro da cabra e com ele fez fez para si uma couraça impenetrável, a égide.
Depois, apontou para os céus e desejou que a lembrança de Aix fosse permanente. Surgiram, então, as estrelas da constelação de Capricórnio.
Gaia apareceu e disse:
- Zeus, chegou a hora de você ocupar o lugar de seu pai.
Zeus e Gaia partiram de Creta. Chegando nos céus, Gaia entregou a Zeus uma porção mágica, preparada por Métis, a Prudência.
Tratava-se de uma beberagem milagrosa: Cronos deveria bebe-la para devolver os filhos devorados, que viviam dentro dele, vivos, crescidos e adultos. Quando Réia viu Zeus, logo o reconheceu como seu filho e se abraçaram. Réia perguntou o que era preciso fazer para destituir Cronos.
- Temos que dar-lhe esta porção para que liberte meus irmãos.
Crono não percebeu o ardil e bebendo a porção, desmaiou. Do seu corpo saíram, intatos, os cinco irmãos que logo se reuniram em volta de Zeus e o elegeram seu Rei.
A batalha entre Cronos e Zeus parecia não ter fim até que Gaia procurou Zeus e disse-lhe:
- Vá até as Trevas em um lugar chamado Tártaro. Lá você encontrará aprisionados os Hecatônquiros e os Cíclopes. Eles o ajudarão.
Zeus foi e libertou os Hecatônquiros e os Cíclopes.
A batalha foi grande: trovões, relâmpagos, a água do mar ferveu, explodiram vulcões e terremotos. Vencidos, Cronos e seus irmãos foram lançados ao Tártaro. Gaia não desejando ver seus filhos desterrados pediu a Zeus que os libertasse. Não sendo atendida, ajudou os Titãs na luta contra o novo poder. Mas Zeus e seus aliados triunfaram em todas as batalhas. Os Gigantes foram vencidos e destruídos em combate, exceto Atlas e Menécio. Menécio foi atirado ao Tártaro e Atlas condenado a carregar a abóbada da Terra nas costas, pela eternidade. Zeus reuniu todos os deuses e diante deles recebeu dos Cíclopes o trovão e o raio divino. Hades foi presenteado com um capacete capaz de torná-lo invisível e a Posseidon foi ofertado um tridente mágico com o poder de rachar a terra e o mar.
- Irmãos - disse Zeus, neste momento assumo o reino dos céus. Meu irmão Posseidon, a você entrego o reino dos mares e a meu irmão Hades, confio o reino do Tártaro.
Os raios e relâmpagos cortavam os céus. Hades se dirigiu às profundezas infernais. Zeus e os outros irmãos, Héstia, Deméter, Hera e Posseidon partiram para a Terra.
Lá chegando, Zeus dirigindo-se aos outros deuses, afirmou:
- Neste lugar eu nasci e cresci; a ele sou grato e nele fixarei meu reinado. No alto daquele monte, o Monte Olimpo, ficará a nossa eterna morada.
Do Olimpo, Zeus comandou, altíssimo e absoluto, a terra e o céu, os homens e os deuses.
Fonte: www.mauxhomepage.com

Júpiter, dizem os poetas, é o pai, o rei dos deuses e dos homens; reina no Olimpo, e, com um movimento de sua cabeça, agita o universo. Ele era o filho de Réia e de Saturno que devorava a descendência à proporção que nascia. Já Vesta, sua filha mais velha, Ceres, Plutão e Netuno tinham sido devorados, quando Réia, querendo salvar o seu filho, refugiou-se em Creta, no antro de Dite, onde deu à luz, ao mesmo tempo, a Júpiter e Juno. Esta foi devorada por Saturno. O jovem Júpiter, porém, foi alimentado por Adrastéia e Ida, duas ninfas de Creta, que eram chamadas as Melissas; além disso Réia recomendou-o aos curetes, antigos habitantes do país. Entretanto, para enganar seu marido, Réia fê-lo devorar uma pedra enfaixada. As duas Melissas alimentaram Júpiter com o leite da cabra Amaltéia e com o mel do monte Ida de Creta.
Adolescente, ele se associou à deusa Metis, isto é, a Prudência. Foi por conselho de Metis que ele fez com que Saturno tomasse uma beberagem cujo efeito foi fazê-lo vomitar, em primeiro lugar a pedra e depois os filhos que estavam no seu seio.
Antes de tudo, com o auxílio de seus irmãos Netuno e Plutão, - Júpiter resolveu destronar seu pai e banir os Titãs, ramo rival que punha obstáculo à sua realeza.
Predisse-lhe a Terra uma vitória completa, se conseguisse libertar alguns dos Titãs encarcerados por seu pai no Tártaro e os persuadir a combater por ele, coisa que empreendeu e conseguiu depois de haver matado Campe, a carcereira a quem estava confiada a guarda dos Titãs nos Infernos.
Foi então que os Ciclopes deram a Júpiter o trovão, o relâmpago e o raio, um capacete a Plutão, e a Netuno um tridente. Com essas armas, os três irmãos venceram Saturno, expulsaram-no do trono e da sociedade dos deuses, depois de o haverem feito sofrer cruéis torturas. Os Titãs que haviam auxiliado Saturno foram precipitados nas profundidades do Tártaro, sob a guarda dos Gigantes.
Depois dessa vitória, os três irmãos, vendo-se senhores do mundo, partilharam-no entre si: Júpiter teve o céu, Netuno o mar e Plutão os infernos. Mas à guerra dos Titãs sucedeu a revolta dos Gigantes, filhos do Céu e da Terra. De um tamanho monstruoso e de uma força proporcionada, eles tinham as pernas e os pés em forma de serpente, e alguns com braços e cinqüenta cabeças. Resolvidos a destronar Júpiter amontoaram o Ossa sobre o Pelion, e o Olimpo sobre o Ossa, desde onde tentaram escalar o céu. Lançavam contra os deuses rochedos, dos quais os que caíam no mar formavam ilhas, e montanhas os que rolavam em terra.
Júpiter estava muito inquieto, porque um antigo oráculo dizia que os Gigantes seriam invencíveis, a não ser que os deuses pedissem o socorro de um mortal. Tendo proibido à Aurora, à Lua e ao Sol de descobrir os seus desígnios, ele antecipou-se à Terra que procurava proteger seus filhos; e pelo conselho de Palas, ou Minerva, fez vir Hércules que, de acordo com os outros deuses, o ajudou a exterminar os Gigantes Encelado, Polibetes, Alcioneu, Forfirion, os dois Aloidas, Efialtes e Oeto, Eurito, Clito, Titio, Palas, Hipólito, Ágrio, Taon e o terrível Tifon que, ele só, deu mais trabalho aos deuses do que todos os outros.
Depois de os haver derrotado, Júpiter precipitou-os no fundo do Tártaro, ou, segundo outros poetas, enterrou-os vivos em países diferentes. Encelado foi enterrado sob o monte Etna. É ele cujo hálito abrasado, diz Virgílio, exala os fogos do vulcão; quando tenta voltar-se, faz tremer a Sicília, e um espesso fumo obscurece a atmosfera. Polibetes foi sepultado sob a ilha de Lango, Oeto na de Cândia, e Tifon na de Isquia.
Segundo Hesíodo, Júpiter foi casado sete vezes; desposou sucessivamente Metis, Temis, Eurinome, Ceres, Mnemosine, Latona e Juno, sua irmã, que foi a última das suas mulheres.
Tomou-se também de amor por um grande número de simples mortais, que umas e outras lhe deram muitos filhos, colocados entre os deuses e semideuses.
A sua autoridade suprema, reconhecida por todos os habitantes do céu e da terra foi, no entanto, mais de uma vez contrariada por Juno, sua esposa. Ela ousou mesmo urdir contra ele uma conspiração dos deuses. Graças ao concurso de Tetis e a intervenção do terrível gigante Briareu, essa conspiração foi prontamente sufocada, e reentrou o Olimpo na eterna obediência.
Entre as divindades, Júpiter ocupava sempre o primeiro lugar, e o seu culto era o mais solene e o mais universalmente espalhado. Os seus três mais famosos oráculos eram os de Dodona, Líbia e de Trofônio. As vítimas que mais comumente se lhe imolavam eram a cabra, a ovelha e o touro branco com os cornos dourados. Não se lhe sacrificavam vítimas humanas; muitas vezes as populações se contentavam em lhe oferecer farinha, sal e incenso.
A águia, que paira no alto dos céus e fende como o raio sobre a presa, era a sua ave favorita.
A Quinta-feira (jeudi, em francês), dia da semana, era-lhe consagrada (Jovis dies).
Na fábula, o nome de Júpiter precede ao de muitos outros deuses, mesmo reis: Júpiter-Amon na Líbia, Júpiter-Serapis no Egito, Júpiter-Bel na Assíria, Júpiter-Apis, rei de Argos, Júpiter-Astério, rei de Creta etc.
Júpiter é geralmente representado sob a figura de um homem majestoso, com barba, abundante cabeleira, e sentado sobre um trono. Com a destra segura o raio que é representado ou por um tição flamejante de duas pontas ou por uma máquina pontiaguda dos dois lados e armada de duas flechas; com a mão esquerda sustém uma Vitória; a seus pés, com as asas desdobradas, descansa a águia raptora de Ganimedes. A parte superior do seu corpo está nua, e a inferior coberta.
Esta maneira de representá-lo não era contudo uniforme. A imaginação dos artistas modificava o seu símbolo ou a sua estátua, conforme as circunstâncias e a região em que Júpiter era venerado. Os cretenses representavam-no sem orelhas, para mostrar a sua imparcialidade; em compensação, os lacedemônios davam-lhe quatro para provar que ele ouvia todas as preces. Ao lado de Júpiter vêem-se muitas vezes a Justiça, as Graças e as Horas.
A estátua de Júpiter, por Fídias, era de ouro e marfim: o deus aparecia sentado em um trono, tendo na cabeça uma coroa de oliveira, segurando com a mão esquerda uma Vitória também de ouro e marfim, ornada de faixas e coroada. Com a outra mão empunhava um cetro, sobre cuja extremidade repousava uma águia resplandecendo ao fulgor de toda espécie de metais.
O salão do deus era incrustado de ouro e pedrarias: o marfim e o ébano davam-lhe, pelo seu contraste, uma agradável variedade. Aos quatro cantos havia quatro Vitórias que parecia se darem as mãos para dançar, e outras duas estavam aos pés de Júpiter. No ponto mais elevado do trono, sobre a cabeça do deus, estavam de um lado as Graças, do outro as Horas, uma e outras filhas de Júpiter.
Rosana Madjarof
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Fonte: www.saudadeeadeus.com.br