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Cabo Delgado

É o berço da etnia Maconde, oriunda do Planalto de Mueda, um povo com talento natural para esculpir em madeira e marfim e com uma forte e particular forma de expressão cultural, sendo digna de realce a tatuagem e os dentes afiados com fins de identidade cultural, estético-artísticos e de tradições ancestrais.

Caracterização Geral

Superfície total: 82.625Km2, incluindo 4.758Km2 de águas interiores
Situa-se: Extremo nordeste do País
Latitudes: 10° 29° e 14° 01' Sul
Longitudes:35° 58° e 40° 35' Leste

Limites Geográficos

Norte: Rio Rovuma, fronteira natural com a República Unida de Tanzania

Sul: Rio Lúrio, separa-se da Província de Nampula

Oeste: (sucessivamente de norte para sul); os rios Lugenda, Luambeze, Ruaca e Mewo, separam-na da Província do Niassa.

Leste: Oceano Índico, banhando uma extensão de 425 Kms.

Clima: Temperatura média anual é de 25 à 27° C

População: 1.540.000 Habitantes (51% de sexo feminino)

Idiomas

Português - Oficial

Macua, Makonde, Kimwane, Swahili, Ajaua, Macue e Ingoni

Divisão Administrativa

Principais Produções]

Com um mar azul a perder de vista, este paraíso oferece as suas praias desérticas de uma paleta azul esverdeada e de incomparável beleza. O Arquipélago das Quirimbas, que em tempos idos fora grande entreposto de tráfico de escravos, empresta hoje o seu nome ao Parque Nacional em que se transformou.

Fonte: www.visitmozambique.net

Cabo Delgado

É a Província mais setentrional de Moçambique, tendo como limites, a Norte o rio Rovuma que faz fronteira com a Tanzânia, a Sul o rio Lúrio que a separa da província de Nampula, a Leste o Oceano Índico e a Oeste a província de Niassa.

Cabo Delgado é habitada predominantemente pelos grupos étnicos: Maconde, Macua e os Mwani.

O centro urbano mais importante é Pemba, uma cidade histórica situada na baía com o mesmo nome, a terceira maior do mundo, que constitui também um importante centro turístico. Para Norte, ao longo de 200Km de costa, estende-se o arquipélago das Quirimbas, constituído por 32 ilhas, de que ressalta pela sua importância histórica, beleza natural e magníficas praias, Ilha de Ibo que, no passado, foi um importante centro comercial, primeiro dominado pelos árabes e depois pelos portugueses.

Fonte: www.turismomocambique.co.mz

Cabo Delgado

AS MÚLTIPLAS FACES DO BELO

Começar por Cabo Delgado é começar pelo belo, pela arte, pela cultura e história do país, é começar por uma província a desenhar do litoral para o interior, entre Kimwanis, Macondes e Makwas, um universo demo-geográfico multifacetado.

Do palmar da costa entremeado por cajueiros, ao planalto para onde se sobe entre sumaumeiras e plantações de algodão e sisal, às vezes acompanhado pelo rugido das feras ou pelo saltitar duma fauna ainda não destruída, mãos humanas - na forja do ferro ou no arqueio dos barcos, no burilar do mármore ou na escultura do ébano - tecem culturas e abrem caminho ligando o que é ao que se pretende ser.

Se no interior a flora se espalha lilás, verde e amarela colorindo as savanas e atapetando os montes, no litoral praias verde-meraldas recortam-se suaves por entre corais ou desdobram-se num paradisíaco colar de ilhas que vai das Quirimbas ao Cabo Delgado, promontório penetrando no Índico e que deu nome à província.

E este mar tem história. Ainda no primeiro milénio velhas naus árabes, pangaios indianos e juncos chineses demandavam esta zona, onde mais tarde apareceram também as caravelas portuguesas a monopolizar todo o activo comércio de especiarias e escravos com o médio e longínquo Oriente.

A ilha do Ibo, que se ergue no arquipélago das Quirimbas, no século XVIII chegou a ser capital do território moçambicano ostentando ainda hoje os símbolos e arqueologia dessa presença lusíada nestas terras. Palácios e casarões em ruínas, mas, sobretudo, uma portentosa e bem conservada fortaleza em forma de estrela, trazendo ao visitante os ecos distantes desse tempo de misérias e grandezas que misturaram culturas.

De facto, ao longo destes últimos séculos essas populações Kimwanis e Makwas das ilhas e do litoral de Cabo Delgado misturam-se com persas, árabes, indianos, portugueses e mesmo holandeses com marcas mais ou menos visíveis na consanguinidade epidérmica dos seus habitantes, na sua maneira de trajar, de comer, de cantar e musicar, de orar. Do islamismo ao catolicismo, do hinduismo ao animismo um caldeamento religioso-cultural espelha hoje uma realidade de muitos amores e ódios de vida dividida mas, também partilhada.

No planalto interior, os Macondes - outra importante etnia de Cabo Delgado - mantiveram-se um pouco distantes daquelas influencias pluriculturais. Deles subsistem genuínas raízes antropológicas como, por exemplo, a originalidade da pujança de uma escultura em pau-preto ímpar na sua estética e já mundialmente conhecida e estudada. A arte maconde mora ali no planalto. Esculpindo os Homens no seu afã social ou os deuses e mitos da sua ancestralidade, os macondes são em Cabo Delgado e no país inteiro, uma força cultural secular e sólida.

Assim, se vai matizando Cabo Delgado: amálgama de história, povos e culturas em complementaridade.

Do andar dengoso das mulheres do litoral, de capulanas garridas, musiru a embranquecer as faces de beleza e mistério, aos corpos tatuados de homens e mulheres do interior, um mesmo espírito se desnuda de africanidade bebendo e pisando riqueza da sua geografia.

Das jazidas de mármore aos bancos de pesca, do petróleo betuminoso à copra do litoral, uma fauna bravia orla as florestas e savanas para gáudio dos homens.

É preciso aprender, não interessa o lugar. Debaixo de uma árvore, sentado num banco ou no chão, o importante é começar a decifrar os signos que marcam a língua que falo ou que quero aprender. E aprender as primeiras letras sem preconceitos de idade na comunhão do saber.

Estas crianças da aldeia de Metuge começam, assim, a mergulhar nas águas tépidas de outro saber das coisas, outro mundo de ideias e que a partir da própria realidade poderá ser a luz, a energia, o movimento para transformar o seu mundo.

Na aldeia de Metuge não há moageiras
Na aldeia de Metuge não há moageiras

O pilão antigo é o cadinho onde se transforma o milho em farinha. Há beleza no suor destes corpos em contra-luz? Certamente. Mas são corpos de trabalho, sempre mulheres, encurvados pela vida. Um dia, a criança que agora assiste ao espectáculo do labor, talvez inventará um moinho para o vento das mãos, uma torneira para a água do poço, um candeeiro sem fumo para o tecto da casa.

Roda de água na ilha do Ibo
Roda de água na ilha do Ibo

Balouça a mão na sede do poço. Os rios escasseiam em Cabo Delgado. Há que escavar a terra que esconde a água para a boca do Homem e a raiz das plantas. Depois vem o verde. E quando não chove? Fica apenas a esperança do poço a esvaziar-se como uma canção aflita na garganta dos camponeses. Fica apenas o restolhar seco das folhas dos cajueiros no chão ressequido. Fica a natureza sofrendo sedenta de carinho.


Que máscaras são estas para a alma do meu rosto?

Há muitos séculos misturei minha cultura no culto da pele. Descobri o musiru. Com esta raíz-caule, que esmago para fazer um creme, unto-me de mistério para a beleza da derme.

Inventei também um ritual para que o meu rosto se mascarasse em pleno dia e a certas horas, pois para o meu amor a minha pele tem noites imensas de suavidade.

Nossas mãos femininas se ajudam no carinho do gesto feito arte, um toque de sabedoria para a magia do rosto.

Mulheres do litoral Norte de Moçambique põem máscaras no, rosto e espelham a alma; põem um creme de raiz e tonificam o corpo; põem o riso dos simples e são belas. Amam a vida como um sumo doce de caju.

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