Facebook do Portal São Francisco Google+
+ circle
Home  Moçambique  Voltar

Moçambique

MOÇAMBIQUE, PRAIAS FORMOSAS

É um dos países mais pobres do mundo, mas sua população e generosa e aberta. Além, possui as melhores praias da costa leste da África, e embora tendo em conta suas circunstâncias pode parecer um lugar para aventureiros, a verdade é que vale a pena o tempo e o esforço que se faça para conhece-la.

SITUAÇÃO E GEOGRAFIA

LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA

A República de Moçambique ocupa um área de 799.380 quilômetros quadrados que se repartem em 10 províncias e a capital, subdivididos em 112 distritos. Limita-se ao norte com Tanzânia e ao noroeste, em parte, com Malawi e Zâmbia; ao oeste com Zimbabuê e África do Sul; e Suazilândia ao sul; ao leste com o oceano Índico. todo o território está dentro do hemisfério sul, atravessado em sua parte meridional pelo Trópico de Capricórnio.

Ocupa a planície maior da África, quase mais da metade do território está a menos de 230 m a nível do mar. O terreno mais elevado encontra-se na fronteira com Zimbabuê, Zâmbia e Malawi. A costa extende-se de norte a sul, ao longo de 2.470 km. são costas muito acidentadas.

No sul está a Baia de Delagoa; ao norte desta a costa descreve uma curva saliente até Punta Burra Falsa, e dali, em direção nordeste, até a Baia de Mokambo. Daqui até Cabo Delgado, no extremo norte, na desembocadura do Roviema há pequenos cabos e calas.

O sistema hidrográfico é importante; destaca o Zambeze, no centro, e o Limpopo, no sul. O clima é tropical ao norte e subtropical ao sul.

FLORA E FAUNA

Existem seis classes de palmeiras, entre elas a do coqueiro e datilera; a primeira, na costa; e a segunda, nos rios e zonas pântanosas. Outras árvores próprias de sua flora são os cedros, palos de rosa, ébanos, mangles, baobabs, acácias e bambus. Também há várias espécies de arbustos.

A fauna está constituida por leopardos, leões, hienas, chacais, ginetas, mangostas, elefantes, rinoceronte branco e preto, hipopótamos, javalis, zebras, búfalos, antílopes e várias classes de macacos. Entre os répteis encontra-se o crocodilo, lagartos, pitones, etc. Possui além, uma esplêndida variedade de aves.

HISTÓRIA

DADOS HISTÓRICOS

Foi uma província portuguesa da África Oriental. Os árabes chegaram, em seu avanço pela costa oriental, até Sofala, e ali permaneceram até finais do século XVI. Em 1498, Vasco de Gama, em sua viagem à Índia, fez um escala no que hoje é a cidade de Moçambique. Os árabes não viram bem esta escala e atacaram Vasco de Gama. Em 1502 regressou a Sofal e ao ver que tinha minas de ouro, informou a seu país, provocando em 1505 a chegada de seis navios procedentes de Portugal.

Em 1507 os portugueses ocupam o porto de Moçambique. A o longo da segunda metade do século XVI, se estabelecem os jesuitas, que foram expulsos em 1759.

Durante o século XVII os holandeses tentaram várias vezes tomar o porto, mas não o conseguiram. Até o século XIX houve comércio de escravos que levavam para o Brasil; em 1878 se aboliu a escravidão em Moçambique.

Em 1891 chegou-se a um acordo de limites com os ingleses, e depois com os alemães.

Em 1919 o Tratado de Versalles cedeu o triângulo de Kionga a Moçambique. Em 1914 tinha-se concedido uma autonomia parcial que em 1920 foi sancionada. É em 1951 quando converte-se em província de ultramar.

A resistência colonial começa em 1962 com a formação de Frelino, a Frente de Liberação de Moçambique. Em 1975 consegue a independência.

ARTE E CULTURA

Ainda ficam alguns restos das construções coloniais portuguesas. Na capital estão sendo recuperados alguns cenários onde realizam-se esporadicamente diversos espetáculos.

Na chamada Ilha de Moçambique pode-se ver mesquitas, igrejas, palácios e edifícios coloniais portugueses dos séculos XVII e XVIII e outras construções que têm sobrevivido ao passar do tempo e ao passar de um ciclone caido no ano de 1994.

LOCAIS TURÍSTICOS

MAPUTO

É a capital de Moçambique. Foi uma bela cidade evidentemente tempos atrás, pois tem sido vítima da guerra civil acontecida durante dezessete anos, embora segue sendo e possua todas as acomodidades.

Vale a pena visitar o Museu da Revolução, situado na avenida 24 de julho, mas realmente se necessita de um guia, a menos que se entenda o português. Na avenida 25 de setembro, encontra-se o animado e corista mercado municipal, onde pode-se comprar frutas, verduras e cestaria. Aos sábados pela manhã celebra-se um mercadinho de artesanato no pequeno parque que há ao lado da avenida Samora Machel, por volta da esquina do Café Continental. Também celebra-se diariamente, desde as 5 da manhã, um mercado de peixe, justo depois de passar o club de mini-golfe.

A recentemente restaurada estação de trens, com uma cúpula de cobre, é também interessante. Ideal para divertir-se é a Costa do Sol, um centro turístico muito animado situado a 5 quilômetros da cidade; outro bom lugar para visitar é a Ilha de Inhaca. Pode-se incluir um dia de viagem em transbordador às Ilhas de Xefina, a praia de Macaneta e uma viagem em barco pelo rio Incomati e uma visita a Marrachene.

BEIRA

Este é um dos portos mais importantes de Moçambique e o terminal do oleoduto e linha de ferrocarril de Zimbabuê e Malaui. Há pouco que ver em Beira, mas sem lugar a dúvidas, vale a pena estar percorrendo-a durante algum tempo. É uma cidade encantadora de ambiente tranquilo e fechado pela praia de Harare.

O porto é um bom lugar para ver. Beira é também um lugar com boas praias. A alguns quilômetros ao norte da cidade, 6 quilômetros, encontra-se um dos melhores lugares de banho, Macuti.

CHIMOIO

É uma cidade comercial que encontra-se no corredor de Beira. Pela sua situação estratégica nesta estrada escapou-se durante a guerra civil.

MANICA

É uma cidade fronteriça com Zimbabuê, na estrada de Beira para Harare. Há dois hotéis nas aproximidades das ruas principais.

MAXIXE E INHAMBANE

Maxixe é uma pequena cidade costeira na que não há muito que ver, mas podemos dar um passeio em barca desde o malecóm até a vila de Inhambane. Também há alguns transbordadores que viajam até às 19 horas.

Há uma excelente praia, Praia do Tofu, 12 quilômetros ao sul de Inhambane e de fácil acesso.

ISA MOÇAMBIQUE

Se tiver a oportunidade é uma visita obrigatória. Trata-se de uma fascinante cidade-ilha cheia de mesquitas, igrejas, palácios e edifícios coloniais portugueses dos séculos XVII e XVIII. Se gosta destas antigas relíquias de atmosferas perdidas não deve perder, mas tendo em conta que em 1994 um ciclone fez bastantes destroços na localidade.

NAMPULA

É a maior cidade ao norte do Moçambique. A represa em torno da cidade é muito popular aos domingos; há um bar e uma discoteca. Pega-se trens daqui até Cuamba, perto da fronteira com Malaui.

QUELIMANE

É uma das maiores localidades do norte de Moçambique, e a mais importante ao norte do Rio Zambezi. Como a ponte sobre o Zambezi a Caia ainda não tem sido reconstruido, não há conexões por estrada como o sul. Chega-se em avião ou em barco.

TETE

Muita gente passa por Tete quando viaja de ônibus, mas poucos param para ver os arredores. A povoação está cortada em dois pelo Rio Zambezi, e a ponte sobre o mesmo oferece uma boa vista.

VILANCULOS

Esta pequena vila pesqueira está convertendo-se em destino popular de viajantes. tem boas praias e as cinco ilhas do Arquipélago de Bazaruto, situadas perto da costa, são facilmente acessíveis e oferecem uma grande paisagem. A cidade está a 20 quilômetros da estrada principal.

A ilha mais interessante para visitar é Benguerra, na que pode-se acampar em Gabriel's, único lugar com alojamento barato. pode-se alugar pequenas embarcações.

GASTRONOMIA

Podemos desfrutar de deliciosos peixes e mariscos. Um lugar onde podemos desfrutar as delícias da zona (além da comida indiana) é o Restaurante Taj Mahal, em Maputo. Entre as especialidades do país deve distinguir em goat water, o prato nacional a base de carne de cabra, rum, verduras frescas, cebola, farinha de trigo e tomilho, Se é possível pode-se degustar de ancas de rã e outros pratos preparados com frango e marisco.

Bebidas

Devido às guerras, o desabastecimento é a nota predominante. Encontrará algo de rum e outros licores. Recorde-se de beber somente água engarrafada.

COMPRAS

Podemos adquirir belo artesanato em madeiras, artigos de couro, variada cesteria e belas máscaras e talha de madeira.

POPULAÇÃO E COSTUMES

A população é de 18.165.0000 habitantes composta de pretos, brancos, mulatos, indianos e chineses; a população negra pertence em sua maioria aos bantúes com mistura de árabes, malgaches, comoranos e hindus. Ao norte do rio Zambeze vivem os makua, que constituem 47% da população total, são em sua maioria muçulmanos. Ao sul, no vale do grande rio estão os nyanja; na zona meridional os batonga e ao norte os caranga.

A capital é Maputo com uma população de 931.591 habitantes. O idioma oficial é o português, embora fala-se vários dialetos bantúes.

ENTRETENIMENTO E FESTIVIDADES

ENTRETENIMENTO

O lugar mais popular é o clube de mini-golfe na Costa do Sol. O complexo conta com restaurante, club, bares, discoteca, etc. Todo ele sem esquecermos que estamos no país da costa leste da África que tem as melhores praias. Em determinados lugares pode-se praticar diversos esportes náuticos. Debe assinalar que as conseqüências das guerras têm deixado certa insegurança enquanto viagem.

FESTIVIDADES

São dias festivos oficiais o 1 de janeiro Ano Novo, 3 de fevereiro, Dia dos Heróis; 7 de abril, Dia da Mulher; 1 de maio Dia do Trabalho, 25 de junho, Dia da Independência; 7 de setembro, Dia da Vitória; 25 de setembro e 25 e 26 de dezembro Natal. Também celebram-se algumas festas cristãs como Semana Santa, o Dia de Todos os Santos e outras nas que se honra à Virgem Maria.

TRANSPORTES

Avião

O aeroporto encontra-se a 3 km do centro da cidade. As linhas aéreas de Moçambique, LAM, unem os pontos de rotas internas. A principal linha opera entre Beira, Nampula, Bemba e Tete. Infelizmente os vôos são frequentemente atrasados ou cancelados.

Ônibus

Ao sul do rio Zambezi tem diariamente ônibus que ligam as populações mais importantes. No sul do país são muito confortáveis; são linhas modernas que unem todos os pontos do país.

Carro

Devido à falta de manutenção durante a guerra, as estradas no país estão geralmente em más condições, a exceção da estrada de Tete e a que liga Beira com a fronteira de Zimbabwe.

Fonte: www.rumbo.com.br

Moçambique

Moçambique

Presidente: Joaquim Chissano

Capital: Maputo

Localização: A República de Moçambique está situada na costa Sul-Oriental da África. O território cobre uma superfície de 799.380 Km2, tendo a fronteira terrestre uma extensão de 4.330 Km.

A norte situa-se a Tanzânia, a noroeste faz fronteira com o Malawi e com a Zâmbia, a oeste com o Zimbabué e República da África do Sul e a sul com a Suazilândia. A leste, é banhado pelo Oceano Índico, tendo uma extensão de costa de 2.515 km.

Relevo, vegetação e hidrografia: O território é, em cerca de 44%, constituído por planícies, sobretudo a sul.

Mais para norte e interior, surgem os planaltos. As zonas montanhosas constituem 13% do país, sendo o monte Binga o ponto mais elevado, com 2.436 m.

A rede hidrográfica compreende mais de 60 rios, de que se destacam o Zambeze, o Limpopo, o Rovuma, o Lúrio, o Incomati,entre outros.

Clima

O clima é influenciado pelo regime de monções do Índico e pela corrente quente do canal de Moçambique.

Apresenta características de temperado nas regiões montanhosas e de tropical nas restantes zonas - chuvoso no norte e centro e mais seco na metade neridional. A temperatura e a humidade diminuem de norte para sul, distinguindo-se duas estações: a das chuvas, de Novembro a Março, e a seca, mais acentuada de Abril a Setembro.

População

18.027.600 habitantes em 1996, segundo projecções

Grupos Etno-linguísticos

Existem minorias de origem asiática e europeia, mas a maioria é de origem Bantu, com diversos grupos étnicos e diferentes idiomas. A língua oficial é o Português.

História

No século XV mercadores árabes fundaram colónias comerciais em Sofala, Quelimane, Angoche e na ilha de Moçambique. A Ilha de Moçambique viria a ser visitada pela frota de Vasco de Gama no dia 2 de Março de 1498, vindo os Portugueses a ocupar Sofala em 1506. De início, Moçambique era governada como parte constituinte da Índia portuguesa, tornando-se mais tarde numa administração separada. Foi colónia portuguesa até 1951 e a partir daí província ultramarina.

A FRELIMO - Frente de Libertação de Moçambique constituiu-se em 1962 e lançou uma campanha militar em 1964. Moçambique torna-se país independente no dia 25 de Junho de 1975.

Política: República de Moçambique.

Constituição: proclamada com a independência, a 25 de Junho de 1975. Revista em Agosto de 1978 e em Novembro de 1990.

Poder Político: são reconhecidos como órgãos de soberania o Presidente da República, o Conselho de Ministros, os tribunais e o Conselho Constitucional.

O Presidente da República é eleito por sufrágio directo, secreto e pessoal para mandatos de cinco anos, podendo ser reeleito apenas duas vezes consecutivas. Joaquim Alberto Chissano é o Chefe de Estado desde 4 de Janeiro de 1987.

Representação Diplomática

Em Angola - Embaixador Falézio Teodoro Nalyambipano
Em Portugal - Embaixador Pedro Comissário Afonso

Perfil económico

PIB per capita: 867 US Dólares (1996 - estimativa)
Taxa de crescimento médio anual: 5,4%
Importações: 547 milhões de dólares (1996 - estimativa)
Principais produtos importados: bens alimentares, produtos químicos e combustívais, maquinaria e equipamento
de transporte.
Exportações: 154 milhões de dólares (1996 - estimativa)
Principais produtos exportados: caju, crustáceos, algodão, açucar.
Principais fornecedores: Estados Unidos da América 5,7%; União Europeia 33,4 %; PVD 47,5% (1985/93).
Principais clientes: Estados Unidos da América 5,7%; União Europeia 40,1%; PVD 40,6% (1985/93).
Moeda: Metical (MZM)
1 USD = 11.140 MZM (1996)

Desenvolvimento de Moçambique

O desenvolvimento de Moçambique é condicionado pelo forte crescimento da população, que duplicará até ao ano 2014. Estima-se que, em 2025, atinja 35 milhões de pessoas. A enorme percentagem de população com menos de 15 anos (44,7% do total em 1995) condiciona a diminuição da taxa de mortalidade, e especialmente a mortalidade infantil, a alfabetização (apenas 18% das mulheres e 52% dos homens sabiam ler e escrever, em 1990), bem como as condições de acesso a água potável (apenas 17% da população urbana e 40% da população rural) e ao saneamento básico (disponível apenas para 4,6% da população rural).

O Rio Zambeze, o maior rio do país, divide Moçambique ao meio, constituindo uma autêntica fronteira natural entre as duas regiões geográficas distintas que existem no país: a região norte, de terras altas, com solos férteis e onde há maior concentração florestal; e a região sul, de terras baixas e com solos mais pobres, com uma paisagem caracterizada pela existência de savanas.

O clima de Moçambique é tropical húmido, havendo a registar a existência de uma estação húmida (que decorre entre Novembro e Março) e de uma estação seca (de Abril a Outubro), que variam de intensidade conforme a altitude. Nas terras altas do norte, a temperatura média registada na estação húmida varia entre 22 oC e 25 oC, enquanto que na estação seca a temperatura não ultrapassa 15 oC. Nas terras baixas do sul, a temperatura média nos meses de Novembro a Março varia entre 26 oC e 30 oC, enquanto que de Abril a Outubro a temperatura varia entre 15 oC e 20 oC.

É de salientar que a região norte é mais húmida que a do sul, facto ao qual não está alheia a influência das monções vindas do Oceano Índico e que atingem com maior incidência a costa norte, já que a costa sul está de certa forma protegida pela barreira geográfica constituída pelas ilhas de Madagáscar, das Comores e as Seychelles.

Toda a economia moçambicana se encontra num estado de profundo subdesenvolvimento: 43% da população subsiste no estado pobreza absoluta. Uma criança nascida em 1995 tinha uma esperança de vida de 46,4 anos. O principal sector económico, a agricultura, apesar de ocupar 80% do total da mão-de-obra, constitui apenas 33% do PIB (segundo dados de 1994).

De característica familiar e praticamente sem aplicação de qualquer tecnologia, a agricultura moçambicana tem como principais produções o milho, a mandioca, o feijão e o arroz, sendo a actividade complementada pela criação de gado. Por outro lado, a produção agrícola para exportação assenta no açúcar, no chá e nos citrinos, produtos incrementados na era colonial e que continuaram a ser produzidos (embora a níveis mais baixos) em plantações privadas, em quintas estatais ou em cooperativas do estado. Também a exploração florestal decresceu após a independência, apesar do interesse já revelado por investidores internacionais.

Quanto à actividade piscatória, ela tem-se revelado praticamente imune à instabilidade geral verificada em Moçambique, já que os rendimentos provenientes da captura e venda de cavala, sardinha, atum e, sobretudo, camarão e lagosta, têm vindo a aumentar gradualmente desde o início da década de 70.

O sector industrial engloba pequenas indústrias ligadas, quer à exploração mineira, quer à manufacturação de matérias-primas para exportação. Ambas as vertentes se encontram subexploradas, principalmente a ligada à exploração mineira, já que os recursos minerais são consideráveis, pois, para além de possuir a maior reserva de tantalite (minério raro e muito importante para a indústria electrónica), encontram-se facilmente outros minérios com elevados níveis de qualidade, como o ferro, bauxite, cobre, grafite, mármore, granada (pedra preciosa) e pedra de cal.

Destaque-se ainda que Moçambique poderia ser o mais importante produtor de energia eléctrica do sul de África, se a barragem de Cahora Bassa e os seus condutores de energia estivessem devidamente aproveitados. Contudo, devido à guerra civil que se viveu durante anos e anos após a independência, este gigantesco projecto hidroeléctrico, concebido por um consórcio internacional (com o objectivo primordial de satisfazer as necessidades da África do Sul) e concluído em 1974, continua a não contribuir em mais de 10% do total da produção de energia eléctrica, que é sustentada, na sua maioria, por estações termais.

O desenvolvimento de Moçambique é condicionado pelo forte crescimento da população, que duplicará até ao ano 2014. Estima-se que, em 2025, atinja 35 milhões de pessoas. A enorme percentagem de população com menos de 15 anos (44,7% do total em 1995) condiciona a diminuição da taxa de mortalidade, e especialmente a mortalidade infantil, a alfabetização (apenas 18% das mulheres e 52% dos homens sabiam ler e escrever, em 1990), bem como as condições de acesso a água potável (apenas 17% da população urbana e 40% da população rural) e ao saneamento básico (disponível apenas para 4,6% da população rural).

O Rio Zambeze, o maior rio do país, divide Moçambique ao meio, constituindo uma autêntica fronteira natural entre as duas regiões geográficas distintas que existem no país: a região norte, de terras altas, com solos férteis e onde há maior concentração florestal; e a região sul, de terras baixas e com solos mais pobres, com uma paisagem caracterizada pela existência de savanas. O clima de Moçambique é tropical húmido, havendo a registar a existência de uma estação húmida (que decorre entre Novembro e Março) e de uma estação seca (de Abril a Outubro), que variam de intensidade conforme a altitude.

Nas terras altas do norte, a temperatura média registada na estação húmida varia entre 22 oC e 25 oC, enquanto que na estação seca a temperatura não ultrapassa 15 oC. Nas terras baixas do sul, a temperatura média nos meses de Novembro a Março varia entre 26 oC e 30 oC, enquanto que de Abril a Outubro a temperatura varia entre 15 oC e 20 oC. É de salientar que a região norte é mais húmida que a do sul, facto ao qual não está alheia a influência das monções vindas do Oceano Índico e que atingem com maior incidência a costa norte, já que a costa sul está de certa forma protegida pela barreira geográfica constituída pelas ilhas de Madagáscar, das Comores e as Seychelles.

Toda a economia moçambicana se encontra num estado de profundo subdesenvolvimento: 43% da população subsiste no estado pobreza absoluta. Uma criança nascida em 1995 tinha uma esperança de vida de 46,4 anos.

O principal sector económico, a agricultura, apesar de ocupar 80% do total da mão-de-obra, constitui apenas 33% do PIB (segundo dados de 1994). De característica familiar e praticamente sem aplicação de qualquer tecnologia, a agricultura moçambicana tem como principais produções o milho, a mandioca, o feijão e o arroz, sendo a actividade complementada pela criação de gado. Por outro lado, a produção agrícola para exportação assenta no açúcar, no chá e nos citrinos, produtos incrementados na era colonial e que continuaram a ser produzidos (embora a níveis mais baixos) em plantações privadas, em quintas estatais ou em cooperativas do estado.

Também a exploração florestal decresceu após a independência, apesar do interesse já revelado por investidores internacionais. Quanto à actividade piscatória, ela tem-se revelado praticamente imune à instabilidade geral verificada em Moçambique, já que os rendimentos provenientes da captura e venda de cavala, sardinha, atum e, sobretudo, camarão e lagosta, têm vindo a aumentar gradualmente desde o início da década de 70.

O sector industrial engloba pequenas indústrias ligadas, quer à exploração mineira, quer à manufacturação de matérias-primas para exportação. Ambas as vertentes se encontram subexploradas, principalmente a ligada à exploração mineira, já que os recursos minerais são consideráveis, pois, para além de possuir a maior reserva de tantalite (minério raro e muito importante para a indústria electrónica), encontram-se facilmente outros minérios com elevados níveis de qualidade, como o ferro, bauxite, cobre, grafite, mármore, granada (pedra preciosa) e pedra de cal.

Destaque-se ainda que Moçambique poderia ser o mais importante produtor de energia eléctrica do sul de África, se a barragem de Cahora Bassa e os seus condutores de energia estivessem devidamente aproveitados. Contudo, devido à guerra civil que se viveu durante anos e anos após a independência, este gigantesco projecto hidroeléctrico, concebido por um consórcio internacional (com o objectivo primordial de satisfazer as necessidades da África do Sul) e concluído em 1974, continua a não contribuir em mais de 10% do total da produção de energia eléctrica, que é sustentada, na sua maioria, por estações termais.

Quando a armada de Vasco da Gama atingiu a costa moçambicana, encontrou um território com um complexo sistema político, económico e social, estruturado por povos que, não só habitavam aquela zona desde o século III d. C., como também tinham contactos comerciais com árabes e asiáticos desde os finais do primeiro milénio, contactos esses que assentavam na bem sucedida exploração do ouro, ferro e cobre.

Tendo como pontos de partida Sofala e a Ilha de Moçambique, os exploradores portugueses foram penetrando no interior do território, estabelecendo os primeiros entrepostos comerciais e fazendo as primeiras concessões de terras aos colonos ao longo do Rio Zambeze, como medida para obter o controlo das rotas comerciais, ao mesmo tempo que se assegurava o povoamento do território pelos portugueses. Todo este processo teve, desde o início, de lutar contra as movimentações árabes na região, conseguindo Portugal controlar praticamente toda a costa moçambicana até ao início do século XVIII, situação que se inverteu a partir do momento em que os portugueses perderam, em 1698, o Forte Jesus em Mombaça (Quénia) para os árabes.

Durante o século XVIII, outro comércio floresceu no território - o comércio escravista. De facto, devido à necessidade de mão-de-obra existente no Brasil, os naturais das regiões do interior começaram a ser capturados para serem vendidos como escravos. E, apesar dos acordos feitos, em meados do século XIX, entre Portugal e a Inglaterra com vista à cessação deste comércio, a verdade é que o tráfico clandestino de escravos se manteve até aos primeiros anos do século XX.

Ainda no século XIX, Portugal deparou com outra contrariedade no território moçambicano: o desencadear de conflitos tribais no sudoeste de Moçambique, com origem em ataques perpetrados, quer pelo emergente reino dos Zulos, quer pelos povos Zwangendaba e Soshangane (que recusavam subjugarem-se aos portugueses). Este último foi responsável pela fundação do estado de Gaza, no sul de Moçambique, que apenas em 1897 foi desmantelado pelos portugueses, passando, assim, todo o território a ser controlado por Portugal.

Com as fronteiras definidas através de acordos diplomáticos com a Inglaterra (em que Portugal foi obrigado a ceder aos interesses ingleses devido às elevadas dívidas que tinha para com a Inglaterra), Moçambique desenvolveu-se através da implantação de grandes companhias privadas que se dedicavam à agricultura, à exploração mineira ou mesmo à construção de vias rodoviárias e ferroviárias. Estas companhias cresciam à custa da utilização de trabalho forçado, da imposição de elevados impostos e do estabelecimento de baixos salários.

Este quadro não se alterou quando em Portugal o golpe de Estado de 1926 instituiu uma ditadura (baptizada depois de Estado Novo) que passou a controlar directamente as colónias, e entre elas Moçambique. O governo português terminou neste caso com as concessões a empresas privadas, e instituiu políticas proteccionistas por altura da Grande Depressão de 1930.

Estas medidas viriam a resultar na acumulação de capital que só seria investido na década de 50, quando grandes projectos para o desenvolvimento de infra-estruturas comunicacionais. Este investimento coincidiu com a chegada de milhares de colonos portugueses que pretendiam aproveitar as várias oportunidades que o Estado Novo lhes oferecia e que eram recusadas aos moçambicanos. Este aspecto da política ultramarina portuguesa proporcionou o aparecimento de ideais independentistas, tal era o ressentimento que o povo de Moçambique sentia para com Portugal.

Estes ideais foram consolidados, em 1962, com o nascimento da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) que, após alguns desentendimentos internos, iniciou uma política de guerrilha armada em 1964, uma guerra que, para Portugal, representava mais um conflito a juntar aos que ocorriam nas outras colónias portuguesas em África.

O golpe de estado de 25 de Abril de 1974, ocorrido em Portugal, derrubou a ditadura e implantou a democracia, abrindo as portas ao processo de descolonização. A FRELIMO, aproveitando as suas posições militares no norte e centro de Moçambique, liderou o processo de independência, declarando, a 25 de Junho de 1975, a República Popular de Moçambique como estado independente com uma Constituição que permitia apenas a existência de um partido - a FRELIMO. Contudo, pouco tempo depois da independência, Moçambique mergulhou numa guerra civil que opunha a FRELIMO à Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO).

Este movimento contava com o apoio dos governos da Rodésia e da África do Sul (como resposta ao apoio dado pela FRELIMO, quer à guerrilha oposicionista, quer ao movimento do ANC), para além do apoio de antigos colonos portugueses e de algumas camadas da população moçambicana. Este conflito teve consequências extremamente negativas na vida do país, e nem o acordo de Nkomati, assinado em 1984, e que previa o fim do apoio sul-africano à RENAMO, conseguiu alterar o quadro belicoso que caracterizava Moçambique. A situação só foi ultrapassada com o acordo de paz assinado entre a FRELIMO e a RENAMO a 4 de Outubro de 1992, após uma alteração constitucional que previa a abertura da vida política a outras forças que não a FRELIMO.

A 27 e 28 de Outubro de 1994 tiveram lugar as primeiras eleições multipartidárias para a legislatura e a presidência da República, cujos resultados deram a vitória à FRELIMO (44,3%) e a Joaquim Chissano (53,3%), líder daquele partido. Por outro lado, a RENAMO, pela voz do seu líder Afonso Dhlakama (que obtiveram, respectivamente, 33,7% e 37,7% dos votos), reconheceu e aceitou a vitória da FRELIMO, ao mesmo tempo que assegurava o empenho em desmobilizar as suas forças militares, compromisso esse assumido, também, pelo governo.

Esta estabilidade política e social veio encorajar o investimento estrangeiro no território, destacando-se a Inglaterra pelas medidas tomadas no que tocava, não só à redução drástica da enorme dívida que Moçambique tinha para com aquele país, como também à enorme doação de capital efectuada pela Inglaterra. Estas iniciativas tiveram o condão de fortalecer os laços entre os dois países, levando mesmo a que, em 1995, Moçambique entrasse para a Commonwealth, embora sem alteração, por exemplo, na língua oficial, que continua a ser o português.

Fonte: www.geocities.com

voltar 12345678avançar
Sobre o Portal | Política de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal