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Niassa

Localiza-se no planalto de Lichinga rodeado por extensas matas de verdejantes pinheiros. O planalto é parte do "Rift Valley" africano que abrange os Grandes Lagos africanos e o declive que vai de Djibouti até ao lago Niassa.

Caracterização Geral

Superfície: 122.176 km2

Limites

Norte: Tanzânia
Sul: Nampula e Zambézia
Oeste: Lago Niassa e Malawi
Este: Cabo Delgado.
Densidade Populacional: 6 habs/ km2
Etnias representativas Macua, Ajaua e Nianja.

Principais produções

Faz fronteira com a República da Tanzânia e comporta em si a maior reserva faunística do país, com a sua elevada população de elefantes e animais bravios.

O lago Niassa, com as suas águas tranquilas e transparentes, propícias a inesquecíveis actividades de pesca desportiva, mergulho, passeios de barco ou de canoa, é outro dos grandes atractivos da província.

Fonte: www.visitmozambique.net

Niassa

É a maior Província de Moçambique, com locais de extraordinária beleza e onde ainda se podem encontrar áreas cobertas de selva natural.

O Lago Niassa, o terceiro maior de África, e o Malawi delimitam a província a Oeste, enquanto a Este faz fronteira com a província de Cabo Delgado, a Norte com a Tanzânia e a Sul com as províncias de Nampula e Zambézia.

O principal centro urbano é Lichinga, localizada no planalto com o mesmo nome na parte ocidental da Província não muito distante do Lago Niassa.

Fonte: www.turismomocambique.co.mz

Niassa

UM SONHO LÁ NO ALTO

Em todo o país a natureza encarregou-se de recortar para os olhos do Homem a beleza caprichosa de uma paisagem ora amena ou agreste, ora tímida e impetuosa. A Província do Niassa parece ser a síntese desta explosão da natureza, onde as forças telúricas desenharam nos momentos cruciais da criação um rosto inconfundível.

Atravessado por auríferos rios de leito estreito mas caudaloso correndo por entre montanhas rochosas mas normalmente bastante arborizados, o Niassa é uma espécie de cadinho onde se mistura a riqueza singular do seu solo e subsolo, com a majestosa dignidade da sua geografia humana.

Par quem sobe estas montanhas que emolduram quase toda a Província vindo do Sul ou do litoral distante de Cabo Delgado, há algo de surpreendentemente belo que o espera ao chegar aos limites nacionais deste território. Deslumbrante, depara-se aos olhos do caminhante um mar nunca imaginado, um mar de águas doces, bonançoso, e que só nos dias de tempestade perde o azul do céu transformando-se na cor da lama do início do mundo.

É o lago Niassa, espantoso mar interior que faz fronteira entre Moçambique, Malawi e Tanzânia. Porém, ao contrário de uma fronteira ele é sobretudo um grande caminho de água por onde, milenarmente, homens de toda aquela zona se comunicam e ali vão também ganhar o pão-peixe de cada dia.

De facto, falar do Niassa é ter nos olhos este lago-mar que chega a ter marés. É sentir nos pés a macieza das suas areias a fazer esquecer as caminhadas difíceis pelas montanhas que tocam o céu. Mas falar do Niassa é também referir a grande encruzilhada humana, é falar dos Nianjas, Ajauas e Macuas, povos bantu que para aqui emigraram e fazem agora um caldeamento rico de cultura com as línguas, suas tradições, seus ritos, sua arte.

Das canoas do lago, cuja técnica de construção se perde na memória-mão da história, ao entrançado fino mas consistente dos carecterísticos cestos cilíndricos de Lichinga e Metangula, há toda uma antropologia cultural a preservar e que enriquece o país.

Milho, feijão, mandioca, batata rena, batata doce, horticulas são as principais produções agrícolas que aqui se cultivam em abundância. Nos últimos anos foram também introduzidos árvores de fruto da europa como a macieira, a pereira, a cerejeira e outras espécies que o clima frio e seco desta província favorece. O trigo é outra cultura introduzida neste chão riquíssimo do Niassa. Não se pode falar do solo sem se falar de imediato no seu subsolo ainda não explorado, mas cujos estudos mostram riquezas que podem transformar o Niassa numa das Províncias mais desenvolvidos do país. Ferro, carvão, ouro são alguns dos muitos minerais que estão à espera de uma exploração imediata.

E tudo isso precisa de homens e mulheres, de jovens trabalhadores, Acontece, porém, que o Niassa é a Província menos povoada do país. Nos seus 119 mil quilómetros quadrados de superfície (não incluindo a superfície do lago) vivem pouco mais de 500 mil pessoas, número este que certamente ficou ainda mais reduzido devido à guerra que provocou muitos mortos e fugas maciças para os países vizinhos.

O Niassa é assim um convite cheio de promessas para um povoamento interno, para uma sedentarização urgente de milhares e milhares de pessoas dispostas ao desenvolvimento. Servida por uma linha de caminho de ferro que a liga à Província de Nampula e ao bem situado porto de Nacala, o Niassa tem por isso e para já uma forma de escoamento rápida e barata dos seus produtos tanto para o mercado interno como para todo o mundo.

Explosão de sorrisos que uma terra úbere despoleta em cada rosto humano sedento de fraternidade. Estas mulheres e homens, velhos e jovens confraternizam em Metangula, vila à beira-lago, um ponto de encontro nos caminhos de terra e deste mar de águas doces. O Niassa inteiro é uma promessa de riqueza, de bem estar, é um convite à sedentarização, ao amanho da terra, à colheita dos frutos dos montes, à pesca no lago-mar. É um convite ao desenvolvimento num clima privilegiado de altitude, onde o que é tropical coabita com o que exige mais frio e menos humidade. Por isto esta explosão de sorrisos tem no Niassa um significado mais profundo.

Por uma semântica de comunicação escrita e icónica a que a imprensa moçambicana não é alheia, a palavra cultura passou a significar quase que exclusivamente conto-e-dança.

Contudo, todos nós sabemos que o canto e dança são algumas das múltiplas formas de cultura do Homem. Ter cultura, fazer e produzir cultura são modalidades, formas de complementaridade que dão mais vida ao espírito de um povo, de um país.

Entre estas crianças de uma escola dos arredores de Lichinga (capital do Niassa) que aprendem o segredo das letras como forma de comunicação escrita, e estas mulheres de Metangula que se exprimem artisticamente com uma dança típica da região do lago, há na verdade um elo de ligação cultural que enriquece e que não é antagónico ao progresso do povo deste país.

O homem da bicicleta desce calmo o declive suave de um dos montes da periferia de Lichinga. Acontece que ele não é apenas o transportador da cestaria que emoldura a sua ginga; é o próprio artesão destes cestos e peneiras que agora vai vender num dos mercados da capital do Niassa. Nianjas, Ajauas e Macuas desta Província nortenha de Moçambique produzem um artesanato utilitário muito característico e bem demarcado de outras regiões do país.
Por exemplo, os típicos cestos cilíndricos são oriundos desta região do lago e distinguem-se pela palha fina mas resistente, capazes de aguentar por muito tempo as diversas actividades para que são utilizados. Mãos rudes tecem com delicadeza esta cestaria singular ensinada de geração em geração numa arte de séculos.

Aqui ainda não há moinho de vento ou o triturador manual para transformar os grãos em farinha. Nesta aldeia do Niassa a alguns quilómetros de Lichinga, é o milenar pilão que resolve esta necessidade alimentar, E, tal como em quase todo o país, onde as tradições da divisão de trabalho entre homens e mulheres se mantêm ainda como há centenas de anos, é a mulher que pila o grão para a farinha da casa.

O farelo que sobra, servirá para os galináceos ou mesmo para a produção de uma cerveja tradicional. Da farinha bem pilada fazem-se as papas para as crianças ou a conhecida xima, farinha cozida que serve de prato de base para o molho de couves, carne ou peixe, molho esse que aqui, tal como em todo o país, se chama caril. Com pequenos investimentos e melhorias técnicas, o Niassa poderia ser um grande produtor de cereais.

Com as mãos se faz a casa, o celeiro, a canoa. Com as mãos se sedimento o conhecimento que veio dos avós e se prolonga pelos netos para que dentro da casa não chova e o calor não incomode. Para isso escolhe-se a madeira própria, a palha de cobertura ideal também para que o bicho daninho não se aninhe para incomodar o descanso dos Homens

Na tradição das etnias desta Província do País, sobretudo entre Nianjas e Ajauas, são os homens que constroem a casa, são os homens que cavam o tronco para as almadias, são os homens que vão à caça. E há um ritual próprio que acompanha cada um destes empreendimentos.

Conhecer a cultura destes povos é penetrar nestes rituais seculares, onde permanece viva a memória do nome e do fazer das coisas, o segredo de certos comportamentos aparentemente estranhos ou sem sentido para quem não entende ou, infelizmente, não quer mesmo entender um pouco que seja da antropologia cultural dos povos.

A Província do Niassa é um extenso território carente de uma rede diversificada de vias de comunicação, sobretudo rodoviárias.

Possui um excelente aeroporto e à sua capital chega uma das mais longas linhas de Caminhos de Ferro do País que, partindo do Porto de Nacala, serve também a Província de Nampula e o interland vizinho, nomeadamente o Malawi.

A linha férrea, que vinda do Sul rasga o território da Província até à sua capital no Centro Nordeste, mostra que o Niassa tem possibilidades de desenvolver a sua agricultura, a sua pesca, a sua extracção mineira na certeza do escoamento desses produtos quer para o interior do país quer para o estrangeiro.

A vida no Niassa ocidental está intrinsecamente ligada ao lago. Esta grande massa de água interior que também banha as costas do Malawi e da Tanzânia tem a sorte de não estar poluída e se configurar ainda como nos primórdios da sua formação.

Do lado moçambicano, o lago Niassa é por ora um simples lugar de lazer, uma fonte de água e, economicamente, apenas um espaço útil para a pesca artesanal.

Com poucos meios de transporte marítimos modernos para a população ribeirinha, são ainda as velhas almadias que cumprem a função de transportadores e de pesqueiros.

Desde que se respeite o ecossistema e a despoluição das suas águas, há todo um processo de desenvolvimento económico que se pode iniciar com sucesso ao longo destas dezenas e dezenas de quilómetros de costa lacustre.

Singularmente bonito e acolhedor, mesmo quando se transforma em oceano furioso nos dias de tempestade, o lago Niassa é bem um sonho lã no alto à espera que mãos e inteligência humanas concretizem esse sonho lindo em bela riqueza colectiva.

A um antropólogo talvez pudéssemos perguntar por que razão são, preferencialmente, os instrumentos de sopro que proliferam nas orquestras tradicionais do Niassa ocidental e oriental. Embora tenham também outro tipo de instrumentos são estas cabaças secas e eximiamente perfuradas que dão som musical aos anseios artísticos orquestrais destes homens ricos de uma tradição que também inclui o canto e a dança.

Terão sido a abundância destas cabaças e o ar pleno das montanhas os principais motivadores para a expansão deste tipo de trompete?

Há quem diga, pelo contrário, que ele surge em resultado de um outro instrumento de sopro comum em todo o país e feito à base de um chifre animal e que na Província vizinha de Cabo Delgado é muito utilizado com o nome de Lipala-panda.

Seja como for a música é uma componente muito importante na cultura tradicional de todas as etnias que povoam a Província de Niassa.

Esta bela mulher do Niassa parece estar a dizer: Quando me visto, visto-me bem. Vou buscar o que mais brilha em mim no sentido da minha beleza. E os meus cordões, estes que vocês estão a ver, uns aqui feitos pela mão dos nossos artistas, outros comprados nas lojas da terra, não são apenas voltas para enfeitar meu pescoço e colorir de desejo o meu peito.

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