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IMPORTÂNCIA DA PRESERVAÇÃO DOS ECOSSISTEMAS DUNARES

Os sistemas dunares ocupam cerca de 450 quilómetros da linha de costa portuguesa. Com especial importância, entre outras, refira-se a ria de Aveiro, o sector compreendido entre Tróia e Vila Nova de Milfontes, o sotavento algarvio e, em particular, a Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa de Caparica.

As dunas são estruturas móveis resultantes da acumulação de areias transportadas pelo vento, nas quais as plantas têm um papel fundamental no seu processo de formação. Constituem ecossistemas costeiros que estabelecem a transição entre os sistemas marinho e terrestre e são uma barreira natural de protecção à paisagem humanizada adjacente. Deste modo, devem ser protegidas.

Como se originam e evoluem as dunas

As correntes existentes ao longo da costa, a acção dos ventos e da ondulação marítima, originam fenómenos de erosão e movimentação de sedimentos muito complexos, dos quais poderão resultar o aparecimento de zonas de acumulação sedimentar submersos vulgarmente chamados de Bancos de Areia.

Estas zonas de acumulação sedimentar fornecem a areia que irá alimentar as praias e entrar no processo de formação das dunas. Assim, acima das cotas alcançadas pela água do mar (área de areia permanentemente seca) na sua dinâmica natural, a areia depois de seca ao sol é transportada para o interior pela acção do vento. Os grãos de areia rolam uns sobre os outros à superfície do solo, parando quando encontram vegetação ou outros obstáculos que possibilitem a sua acumulação formando uma pendente suave para o lado do oceano (barlavento) e um declive mais acentuado no lado oposto (sotavento). São estas pequenas acumulações que se denominam por Dunas de Obstáculo.

Esta pequena duna de obstáculo que de princípio apresenta um pequeno declive, vai aumentando a sua inclinação devido à acumulação de areia, podendo atingir do lado de onde sopra o vento uma inclinação da ordem dos 5 a 12°. Do lado contrário ao sentido dos ventos dominantes a rampa é muito mais rápida podendo atingir os 34°. Quando este declive alcança um ângulo superior a 34°, a massa do talude desliza bruscamente e a duna avança alguns centímetros. A chamada Pré-Duna está formada e sobre ela começa a surgir um agrupamento vegetal constituído por Gramíneas, assumindo particular importância o Feno das Areias. Estas plantas ao instalarem-se favorecem o crescimento em altura da duna devido à deposição de areias junto aos obstáculos que elas formam e dá-se assim origem à Duna Primária.

Normalmente as dunas primárias constituem um cordão paralelo à linha de costa de dunas frontais transversais. A duna primária apresenta normalmente uma elevada diferença entre os seus flancos. O flanco marítimo é geralmente caracterizado por um agrupamento vegetal espesso de gramíneas onde assume particular importância o Estorno.

Por evolução natural se a acção nefasta do homem não se fizesse sentir, a pré-duna e a duna primária apresentariam um dinamismo anual próprio (o que se verifica em áreas que se mantém em equilíbrio), observando-se geralmente no Outono um recuo da frente dunar por erosão dos sedimentos, que atinge o seu máximo no Inverno (se alcan-çada pelo mar). Na Primavera dá-se o início do avanço da frente dunar por reposição dos sedimentos, estando no Verão totalmente reposta a duna primária.

Para a manutenção do equilíbrio dos sistemas dunares deveria impedir-se qualquer utilização de carácter contínuo e persistente da duna primária, sendo absolutamente necessário interditar qualquer actividade na linha de cumeada da duna primária, assim como no flanco de exposição marítima. No entanto, com o grande número de veraneantes que todos os anos utilizam as praias, e apesar da existência de legislação que regula a utilização destas áreas, as dunas são sistematicamente destruídas. Os efeitos desta acção destruidora são bastante significativos a vários níveis.

Factores de degradação: o caso da Área da Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa de Caparica

Pisoteio: a construção de parques de estacionamento na zona posterior à duna, o campismo selvagem, a prática de actividades motorizadas e a falta de estruturas aéreas de acesso às praias são factores que levam à destruição da vegetação dunar e consequentemente aumenta por falta de protecção a vulnerabilidade da duna à acção dos agentes erosivos.

Construções: as edificações sobre as dunas constituem factor de grande erosão, porque sendo um obstáculo à movimentação constante das areias interrompe assim o seu ciclo natural de deposição e transporte.

Captação de água: A abertura de poços pode provocar o abaixamento do nível do lençol freático a um nível tal que não permita a vida da vegetação dunar que assim devido à sua escassez oferece menor protecção ao sistema.

Vegetação infestante: espécies alógenas aos sistemas dunares como, por exemplo, o chorão e as acácias, contribuem para a redução das espécies endógenas das dunas, que devida às suas características fisiográficas protegem-nas da acção dos ventos.

Obras de engenharia costeira: esporões e molhes, por exemplo, são estruturas que alteram completamente as correntes costeiras, constituem obstáculos ao transporte litoral de areias (deriva litoral), que em Portugal se faz preferencialmente, de Norte para Sul, no litoral Ocidental e de, Oeste para Leste, no litoral meridional. Assim, há retenção de areias a Norte ou a Oeste, respectivamente, daquelas estruturas e com erosão acrescida a Sul e a Este. As consequências são erosão das praias e das frentes dunares.

Que comportamentos para proteger as dunas?

O facto de os sistemas dunares serem formações FITOGEODINÂMICAS em permanente equilíbrio dinâmico, intimamente dependente do coberto vegetal vivo, implica que qualquer factor externo ao sistema terá consequências desequilibrantes e dificilmente compensáveis (pisoteio, vegetação infestante, obras de engenharia costeira, etc.). Caso a vegetação fixadora das dunas seja degradada e destruída, todo o sistema dunar será afectado negativamente. A areia nua facilmente será arrastada para o interior do território, quer pela acção do mar quer, essencialmente pela acção eólica, podendo invadir e mesmo cobrir terrenos agrícolas, explorações, habitações e caminhos. Em épocas de tempestade podem mesmo ocorrer catástrofes em que o mar não encontrando obstáculos ao seu avanço, destrói culturas e construções que antes estavam protegidas das dunas.


Estes são fenómenos que todos os invernos acontecem e que acabamos por ser com eles confrontados pelo menos através dos media. Como forma de contrariar esses fenómenos indesejáveis todos nós, enquanto utentes das praias, deveremos ter comportamentos adequados no sentido de evitar a degradação das dunas:
- utilizar as passadeiras aéreas quando existam, caso contrário utilizar os trilhos já existentes sobre a duna (nunca traçar novos trilhos);

- não passear ou apanhar banhos de sol nas dunas, não andar a cavalo e de veículos motorizados;

- não colher a vegetação das dunas;

- chamar a atenção de amigos e familiares para a correcta utilização das dunas;

- tomar conhecimento e respeitar a legislação que existe para efeitos de protecção das dunas.

A protecção do ambiente começa em cada um de nós pela adopção de comportamentos correctos e educando os outros!


Fonte: www.esec-emidio-navarro-alm.rcts.pt

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