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Preposição



Chama-se preposição a uma unidade lingüística desprovida de independência - isto é, não aparece sozinha no discurso, salvo por hipertaxe (à46) - e, em geral, átona, que se junta a substantivos, adjetivos, verbos e advérbios para marcar as relações gramaticais que elas desempenham no discurso, quer nos grupos unitários nominais, quer nas orações.

Não exerce nenhum outro papel que não seja ser índice da função gramatical de termo que ela introduz.

Em:

Aldenora gosta de Belo Horizonte

a preposição de une a forma verbal gosta ao seu termo complementar Belo Horizonte para ser o índice da função gramatical preposicionada complemento relativo (à 419).

Já em:

homem de coragem,

a mesma preposição de vai permitir que o substantivo coragem exerça o papel de adjunto adnominal do substantivo homem - função normalmente desempenhada por adjetivo. Daí dizer-se que, nestes casos, a preposição é um transpositor, isto é, elemento gramatical que habilita uma determinada unidade lingüística a exercer papel gramatical diferente daquele que normalmente exerce. Ora, o substantivo normalmente não tem por missão ser palavra modificadora de outro substantivo, razão por que não é comum dizer-se homem coragem; para que coragem esteja habilitado a assumir o papel gramatical do adjetivo corajoso (homem corajoso), faz-se necessário o concurso do transpositor de: homem de coragem.

Neste papel, o termo anterior à preposição chama-se antecedente ou subordinante, e o posterior chama-se conseqüente ou subordinado.

O subordinante pode ser substantivo, adjetivo, pronome, verbo, advérbio ou interjeição:

O subordinado é constituído por substantivo, adjetivo, verbo (no infinitivo ou gerúndio) ou advérbio:

No exemplo:

De noite todos os gatos são pardos,

o grupo unitário de noite exerce na oração o papel de adjunto adverbial; mas que temos como núcleo é outro substantivo, cujo significado lexical está incluído no amplo campo semântico das designações temporais das partes do dia: noite. Impõe-se a presença do transpositor de para que o substantivo fique habilitado ou constituindo uma locução adverbial temporal (de noite) e assim possa exercer a função de adjunto adverbial na oração acima.

No exemplo primeiro:

Aldenora gosta de Belo Horizonte,

diz-se que a preposição aparece por servidão gramatical, isto é, ela é mero índice de função sintática, sem correspondência com uma noção ou categoria: gramatical, exigida pela noção léxica do grupo verbal e que, exterior ao falante, impõe a este o uso exclusivo de uma unidade lingüística [GGh.1, 99]. É que ocorre, por exemplo, com "a regência obrigatória de determinada preposição para os objetos que são alvo direto do processo verbal (tratar de algum coisa, etc.)" [MC.4, 217].

Preposição e significado

Já vimos que tudo na língua é semântico, isto é, tudo tem um significado, que varia conforme o papel léxico ou puramente gramatical que as unidades lingüísticas desempenham nos grupos nominais unitários e nas orações.

As preposições não fazem exceção a isto:

Nós trabalhamos com ele, e não contra ele.

Contextos deste tipo ressaltam bem o significado de unidades como com ele e contra ele, auxiliados por diferentes preposições. Todavia, devemos lembrar aqui a noção de significado unitário (que não quer dizer significado único), exposta nas páginas de introdução.

Ora, cada preposição tem o seu significado unitário, fundamental, primário, que se desdobra em outros significados contextuais (sentido), em acepções particulares que emergem do nosso saber sobre as coisas e da nossa experiência de mundo.

Coseriu lembra, para tanto, o caso da preposição com, à qual as gramáticas atribuem englobadamente os significados de "companhia" (dancei com Marlit), "modo" (estudei com prazer), "instrumento" (cortei o pão com a faca), "causa" (fugiu com medo do ladrão), "oposição" (lutou com o ladrão), entre outras.

A língua portuguesa só atribui a com o significado de "co-presença"; o que, na língua, mediante o seu sistema semântico, se procura expressar com esta preposição é que, na fórmula com + x, x está sempre presente no "estado de coisas" designado. Os significados ou sentidos contextuais, analisados pela nossa experiência de mundo e saber sobre as coisas (inclusive as coisas da língua, que constitui a nossa competência lingüística) nos permitem dar um passo a mais na interpretação e depreender uma acepção secundária.

Assim, em cortar o pão com faca, pelo que sabemos o que é "cortar", "pão", "faca", entendemos que a faca não só esteve presente ao ato de "cortar o pão", mas foi o "instrumento" utilizado para a realização desta ação.

Já em dancei com Marlit, emerge, depois da noção da "co-presença", o sentido de "companhia", pois que em geral não se pratica a dança sozinho. Em estudei com prazer, o prazer não só esteve "presente", mas representou o "modo" de como a ação foi levada a termo.

Mas que a preposição com por si não significa "instrumento", prova-o que esta interpretação não se ajusta a:

Everaldo cortou o pão com a Rosa,

pois que, assim como sabíamos o que significa faca, sabemos o que é Rosa: não se trata de nenhum instrumento cortante, capaz de fatiar o pão; teríamos, neste exemplo, uma acepção contextual (sentido) de "ajuda", ou "companhia", por esta ou aquela circunstância em que o pão se achava e que só o entorno ou situação poderia explicar o conteúdo da oração.

Assim, não se deve perder de vista que, na relação dos "significados" das preposições, há sempre um significado unitário de língua, que se desdobra em sentidos contextuais a que se chega pelo contexto e pela situação.

O sistema preposicional do português, do ponto de vista semântico, está dividido em dois campos centrais: um que se caracteriza pelo traço "dinamicidade" (física ou figurada) e outro em que os traços de noções "estáticas" e "dinâmicas" são indiferentemente marcados ambos, tanto em referência espaço quanto ao tempo.(1)

Ao primeiro campo pertencem: a, contra, até, para, por, de e desde; segundo: ante, trás, sob, sobre, com, sem, em e entre.

O primeiro grupo admite divisão em dois subgrupos: a) movimento aproximação ao ponto de chegada (a, contra, até, para); b) movimento afastamento (de, desde). A preposição por se mostra compatível com as duas noções aqui apontadas.

O primeiro subgrupo ainda se pode dividir em duas outras noções suplementares: a) "chegada ao limite" (a, até, contra, sendo que a contra se adiciona a noção de "limite como obstáculo" ou "confrontamento"; b) “mera direção” (para).

O segundo subgrupo também admite divisão em duas outras noções afastamento: a) "origem" (de); b) "mero afastamento" (desde).

O segundo grupo admite divisão em dois subgrupos: a) situação definida e concreta (ante, trás, sob, sobre); b) situação mais imprecisa (com, sem, em, entre).

O primeiro subgrupo acima ainda se pode dividir em duas outras noções suplementares: a) "situação horizontal" (ante, trás); b) "situação vertical" (sob, sobre).

O segundo subgrupo também admite divisão em duas outras noções suplementares: a) "co-presença", distribuída em "positiva" (com) e "negativa” (sem); b) em que a noção de "limite", dentro da imprecisão que caracteriza par, marca a preposição entre.

Veja adiante o quadro resumo do sistema preposicional do português ponto de vista semântico.

Unidades convertidas em preposições

No sentido inverso à criação de advérbios ou locuções adverbiais mediante o emprego de preposições combinadas com substantivos (à noite, de tarde, com prazer, etc.), certos advérbios ou outras palavras transpostas à classe de advérbio, e certos adjetivos imobilizados no masculino podem converter-se em preposição:

Fora os alunos ninguém mais pôde entrar no salão.

Após a chuva vieram os prejuízos.

Os negociantes foram soltos mediante fiança.

Durante o jogo, a torcida cantava o hino do clube.

Também podem converter-se em preposição adjetivos como exceto, salvo, visto, conforme, segundo, consoante, mediante e os quantificadores

(1) [AL. 1, § 289], cuja proposta retocada adotamos; [MMa.1, 149]; [MPz.1 ], onde se faz exaustivo estudo do sistema preposicional do espanhol; [VBr.1].

(Observação: A tabela “TRAÇOS SEMÂNTICOS” deve ser consultada na página 300 do livro de Evanildo Bechara).

indefinidos mais e menos quando estão empregados para exprimir não a quantidade, mas a soma e a subtração (mais estes reais, menos estes reais; mais o pai).

Locução prepositiva

É o grupo de palavras com valor e emprego uma preposição.

Em geral a locução prepositiva é constituída de advérbio ou locução adverbial seguida da preposição de, a ou com:

O garoto escondeu-se atrás do móvel.

Não saímos por causa da chuva.

O colégio ficava em frente a casa.

O ofício foi redigido de acordo com o modelo.

Às vezes a locução prepositiva se forma de duas preposições, como: de per (na locução de per si), até a e para com.

Foi até ao colégio.

Mostrava-se bom para com todos.

OBSERVAÇÃO

O substantivo que às vezes entra para formar estas locuções em geral está no singular; mas o plural também é possível: Viver à custa do pai (ou às custas pai), O negócio está em via de solução (ou em vias de solução).

Preposições essenciais e acidentais - Há palavras que só aparecem língua como preposições e, por isso, se dizem preposições essenciais: a, ar, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, perante, por, sem, sob, sob trás.

São ACIDENTAIS as palavras que, perdendo seu valor e emprego primitivos, passaram a funcionar como preposições: durante, como, conforme, feito exceto, salvo, visto, segundo, mediante, tirante, fora, afora, etc.

Só as preposições essenciais se acompanham de formas tônicas dos pronomes oblíquos:

Sem mim não fariam isso.

Exceto eu, todos foram contemplados.

Acúmulo de preposições

Não raro duas preposições se juntam para dar maior efeito expressivo às idéias, guardando cada uma seu sentido primitivo:

Andou por sobre o mar.

Estes acúmulos de preposições não constituem uma locução prepositiva porque valem por duas preposições distintas. Combinam-se com mais freqüência as preposições: de, para e por com entre, sob e sobre.

"De uma vez olhou por entre duas portadas mal fechadas para o interior outra sala..." [CBr.1, 175].

"Os deputados oposicionistas conjuravam-no a não levantar mão de sobre os projetos depredadores" [CBr.l].

OBSERVAÇÕES

l.a) Pode ocorrer depois de algumas preposições acidentais (exceto, salvo, tirante, inclusive, etc. de sentido exceptivo ou inclusivo) outra preposição requerida pelo verbo, sendo que esta última preposição não é obrigatoriamente explicitada:

Gosto de todos daqui, exceto ela (ou dela).

Sem razão, alguns autores condenam, nestes casos, a explicitação da segunda preposição (dela, no exemplo acima).

Senhoreou-se de tudo, exceto dos dois sacos de prata [CBr apud MBa.3, 326].

2) Na coordenação não é necessário repetir as preposições, salvo quando assim o exigirem a ênfase, a clareza ou a eufonia:

Quase não falaram com o diretor e repórteres.

Quase não falaram com o diretor e com os repórteres.

A repetição é mais freqüente antes dos pronomes pessoais tônicos e do reflexivo:

Então desde o Nilo ao Ganges / Cem povos armados vi / erguendo torvas falanges / contra mim e contra ti [Passos apud ED.2, § 223, a].

A norma se estende às locuções prepositivas, quando é mais comum a repetição do último elemento da locução:

Antes do bem e do mal estamos nós.

Quando a preposição se encontra combinada com artigo, deve ser repetida se repetido está o artigo:

"Opor-se aos projetos e aos desígnios d'alguns." [ED.2]

3) Uma expressão preposicionada indicativa de lugar ou tempo pode ser acompanhada de uma segunda de significado local ou temporal:

Levou-o para ao pé da cruz.

Desde pela manhã esperava novas notícias.

"Nós não fazemos senão andar atrás delas, desde pela manhã até a noite desde a noite até pela manhã" [Mesquita apud MB a.2, 70].

Trata-se aqui de expressões petrificadas que valem por uma unidade léxica (ao pé de, pela manhã, etc.) e como tais podem depois ser precedidas de preposição.

Combinação e contração com outras palavras - Diz-se que há combinação quando a preposição, ligando-se a outra palavra, não sofre redução. A preposição a combina-se com o artigo definido masculino: a+ o = ao; a+os = aos.

Diz-se que há contração quando, na ligação com outra palavra, a preposição sofre redução. As preposições que se contraem são1:

1- Pode-se também considerar contração apenas o caso de crase; nos outros, diremos que houve combinação. A NGB não tomou posição neste ponto. Na realidade o termo combinação é muito amplo para ficar assim restringido. A nomenclatura tradicional, por exemplo, só emprega combinação de pronomes.

A

Com o artigo definido ou pronome demonstrativo feminino

a + a = à; a + as = às (esta fusão recebe o nome de crase)

Com o pronome demonstrativo

a + aquele = àquele; a + aqueles = àqueles (crase)

a + aquela = àquela; a + aquelas = àquelas (crase)

a + aquilo = àquilo (crase)

OBSERVAÇÕES

1.ª) Muitas vezes a ligação ou não da preposição à palavra seguinte depende da necessidade de garantir a clareza da mensagem, amparada por entoação especial:

"Para Saussure a "ciência" dos signos era para ser um ramo da psicologia social, e a lingüística uma subespécie deste ramo apesar de a mais importante" [JDe.1, 20].

M. Bandeira sentiu necessidade de não proceder à crase em a aquela no exemplo: “Para tudo isso, porém, existe a adesão em massa. É o maior medo de Oswald de Andrade. De fato nada resiste a aquela estratégia paradoxal" [MB 248].

2.ª) Não se combina o artigo quando este é parte integrante do sintagma nominal como no seguinte exemplo:

Há quem conheça o que se decidiu chamar de o espírito carioca.

É pela mesma razão de conservar a integridade que se deve evitar fazer a combinação da preposição com a palavra inicial dos títulos de livros, jornais e demais periódicos de Os Lusíadas; em Os Sertões.

Também é preferível não se usar apóstrofo (d'Os Lusíadas), nem a repetição do artigo (dos Os Lusíadas).

A prática dos escritores se mostra muito indecisa neste particular [AK.2, 5,

De

1) com o artigo definido masculino e feminino

de+o = do; de+a = da; de+os = dos; de+as = das

2) com o artigo indefinido (menos freqüente):

de + um = dum; de + uns = duns

de + uma = duma; de + umas = dumas

3) com o pronome demonstrativo:

de + aquele = daquele; de + aqueles = daqueles

de + aquela = daquela; de + aquelas = daquelas

de + aquilo = daquilo

de + esse = desse; de + esses = desses; de + este = deste; de + estes = destes de + essa = dessa; de + essas = dessas; de + esta = desta; de + estas = destas de + isso = disso; de + isto = disto

4) como pronome pessoal:

de + ele = dele; de + eles = deles

de + ela = dela; de + elas = delas

5) com o pronome indefinido:

de + outro = doutro; de + outros = doutros

de + outra = doutra; de + outras = doutras

6) com advérbio:

de + aqui = daqui; de + aí = daí; de + ali = dali, etc.

Em

1. com o artigo definido, graças à ressonância da nasal:

em +o = no; em+os = nos; em +a = na; em +as = nas

2) com o artigo indefinido:

em + um = num; em + uns = nuns

em + uma = numa; em + umas = numas

3) com o pronome demonstrativo:

em + aquele = naquele; em + aqueles = naqueles

em + aquela = naquela; em + aquelas = naquelas

em + aquilo = naquilo

em + esse = nesse; em + esses = nesses; em + este = neste; em + estes = nestes; em + essa = nessa; em + essas = nessas; em + esta = nesta; em + estas = nestas; em + isso = nisso; em + isto = nisto

4) com o pronome pessoal:

em + ele = nele; em + eles = neles

em + ela = nela; em + elas = nelas

Per

1) com as formas antigas do artigo definido:

per + lo = pelo; per + los = pelos; per + Ia = pela; per + Ias = pelas

2) Para (pra) - com o artigo definido:

para (pra) + o = pro; para (pra) + os = pros; para (pra) + a = pra; para (pra) + as = pras

3) Co(m) - com artigo definido, graças à supressão da ressonância nasal (ectlipse):

co(m) + o = co; co(m) + os = cos; co(m) + a = coa; co(m) + as = coas

A preposição e sua posição - Em vez de vir entre o termo subordinante e o subordinado, a preposição, graças à possibilidade de outra disposição das palavras, pode vir aparentemente sem o primeiro:

Por lá todos passaram.

(subordinado) (subordinante)

Os primos estudaram com José.

(subordinante) (subordinado)

Com José os primos estudaram.

(subordinado) (subordinante)

"Quem há de resistir?

Resistir quem há de?" [LG]

Principais preposições e locuções prepositivas

a de exceto abaixo de de acordo com fora de acerca de, cerca de debaixo de junto a acima de de cima de junto de a fim de de conformidade com mediante à frente de defronte de na conta de ante dentre não obstante antes de dentro para ao lado de dentro de para com ao longo de dentro em per ao redor de desde, dês por a par com detrás de por baixo de apesar de diante de por cima de após durante por defronte de após de em por dentro de a respeito de embaixo de por detrás de à roda de em cima de por diante de até em favor de por meio de até a em frente de quanto a, enquanto a atrás de em lugar de segundo através de em prol de sem com em razão de sem embargo de como em troco de sob conforme em vez de sobre consoante entre trás contra

EMPREGO DA PREPOSIÇÃO

1) A

Esta preposição aparece nos seguintes principais empregos:

a) Introduz complementos verbais (objetos indiretos) e nominais representados por nomes ou pronomes oblíquos tônicos:

"Perdoamos mais vezes aos nossos inimigos por fraqueza, que por virtude, [MM].

"O nosso amor próprio é muitas vezes contrário aos nossos interesses".

"A força é hostil a si própria, quando a inteligência a não dirige" [MM].

b) Introduz objetos diretos:

"O mundo intelectual deleita a poucos, o material agrada a todos" [MM].

"O homem que não é indulgente com os outros, ainda se não conhece a si próprio"

c) Prende infinitivos a certos verbos que o uso ensinará:

"Os homens, dizendo em certos casos que vão falar com franqueza, parecem dar a entender que o fazem por exceção de regra" [MM].

Geralmente tais verbos indicam a causa, o início, a duração, a continuação ou o termo de movimento ou extensão da idéia contida no verbo principal. Os principais são: abalançar-se, acostumar-se, animar-se, anuir, aparelhar-se, aprender, apressar-se, arrojar-se, aspirar, atender, atrever-se, autorizar, aventurar-se, chegar, começar (também com de e por), concorrer, condenar, continuar, costumar, convidar (também com para), decidir-se, entrar, estimular, excitar-se, expor-se, habilitar-se, habituar-se, meter-se, obrigar, pôr-se, principiar, resolver-se, vir.

d) Prende infinitivos a certos verbos, formando locuções equivalentes e gerúndios de sentido progressivo:

"Anda visitando os defuntos? disse-lhe eu. Ora defuntos! respondeu Virglia com um muxoxo. E depois de me apertar as mãos: -- Ando a ver se ponho os vadios para a rua" [MA apud SS.1, 309].

e) Introduz infinitivo designando condição, hipótese, concessão, exceção:

A ser verdade o que dizes, prefiro não colaborar.

"A filha estava com quatorze anos; mas era muito fraquinha, e não fazia nada, a não ser namorar os capadócios que lhe rondavam a rótula" [MA. 1, 201]

f) Introduz ou pode introduzir o infinitivo da oração substantiva subjetiva do verbo custar:

"Custou-lhe muito a aceitara casa" [MA. 1, 1941.

g) Introduz numerosas circunstâncias, tais como:

1) termo de movimento ou extensão:

"Nesse mesmo dia levei-os ao Banco do Brasil" [MA. 1, 151].

OBSERVAÇÃO: Com os advérbios aqui, lá, cá e semelhantes não se emprega preposição:

"Vem cá, Eugênia, disse ela..." [MA. 1, 96].

2) tempo em que uma coisa sucede:

"Indaguei do guarda; disse-me que efetivamente "esse sujeito" ia por ali às vezes. -A que horas?" [MA. 1, 172].

3)fim ou destino:

"... apresentaram-se a falar ao imperador" [RP apud FB.1, 145].

Tocar à missa (= para assistir à missa).

Tocar o sino a ave-marias [EQ.5, 217].

4) meio, instrumento e modo:

matar à fome, fechar à chave, vender a dinheiro, falar aos gritos, escrever lápis, viver a frutas, andar a cavalo.

Com os verbos limpar, enxugar, assoar indicamos de preferência instrumento com em, e os portugueses com a: "limpar as lágrimas no lenço, "limpar as lágrimas ao lenço".

5) lugar, aproximação, contigüidade, exposição a um agente físico

"Vejo-a a assomar à porta da alcova..." [MA. 1, 14].

Estar à janela, ficar à mesa, ao portão, ao sol, falar ao telefone

6) semelhança, conformidade:

"Não sai a nós, que gostamos da paz..." [MA apud SS. 1, 310].

"Desta vez falou ao modo bíblico" [MA apud SS. 1].

Quem puxa aos seus não degenera.

7) distribuição proporcional, gradação:

um a um, mês a mês, pouco a pouco

OBSERVAÇÃO: Diz-se pouco a pouco, pouco e pouco, a pouco e pouco.

"Pouco a pouco muitas graves matronas... se tinham alongado da para suas honras e solares" [AH.3, 21].

8) preço:

A como estão as maçãs? A um real o quilo.

9) posse:

Tomou o pulso ao doente (= do doente).

10) forma numerosas locuções adverbiais:

à pressa, às pressas, às claras, às ocultas, às cegas, a granel, a rodo, etc.

Emprego do à acentuado

Emprega-se o acento grave no a para indicar que soa como vogal aberta nos seguintes dois casos:

1.°) quando representa a construção da preposição a com o artigo a ou o início de aquele(s), aquela(s), aquilo, fenômeno que em gramática se chama crase:

Fui à cidade.

O verbo ir pede a preposição a; o substantivo cidade pede o artigo feminino a: Fui a a cidade.

2.°) quando representa a pura preposição a que rege um substantivo feminino singular, formando uma locução adverbial que, por motivo de clareza, vem assinalada com acento diferencial:

à força, à míngua, à bala, à faca, à espada, à fome, à sede, à pressa, à noite, à tarde, etc. [SA.4, 11-23; CR.2, 233; ED.2, §§ 58 e 156; SL.1, 224].

OBSERVAÇÕES:

1.ª) Crase é um fenômeno fonético que se estende a toda fusão de vogais iguais, e não só ao a acentuado.

2.º) Não há razão para condenar-se o verbo crasear para significar "pôr o acento grave indicativo da crase". O que se não deve é chamar crase ao acento grave:

"Alencar craseava a preposição simples a" [.103, 27].

Ocorre a crase nos seguintes casos principais:

diante de palavra feminina, clara ou oculta, que não repele artigo: Fui à cidade.

Dirigia-se à Bahia e depois a Paris.

Para sabermos se um substantivo feminino não repele artigo, basta construí-lo em orações em que apareçam regidos das preposições de, em, por. Se tivermos puras preposições, o nome dispensa artigo; se tivermos necessidade de usar, respectivamente da, na, pela, o artigo será obrigatório:

Venho da Gávea.

Fui à Gávea Moro na Gávea

Passo pela Gávea

Venho de Copacabana

Fui a Copacabana Moro em Copacabana

Passo por Copacabana

Fonte: www.vestibular1.com.br

Preposição

Preposição é a palavra que estabelece uma relação entre dois ou mais termos da oração. Essa relação é do tipo subordinativa, ou seja, entre os elementos ligados pela preposição não há sentido dissociado, separado, individualizado; ao contrário, o sentido da expressão é dependente da união de todos os elementos que a preposição vincula.

Exemplos

Os amigos de João estranharam o seu modo de vestir. ...[amigos de João / modo de vestir: elementos ligados por preposição]

...[de: preposição]

Ela esperou com entusiasmo aquele breve passeio. ...[esperou com entusiasmo: elementos ligados por preposição]

...[com: preposição]

Esse tipo de relação é considerada uma conexão, em que os conectivos cumprem a função de ligar elementos. A preposição é um desses conectivos e se presta a ligar palavras entre si num processo de subordinação denominado regência.

Diz-se regência devido ao fato de que, na relação estabelecida pelas preposições, o primeiro elemento – chamado antecedente - é o termo que rege, que impõe um regime; o segundo elemento, por sua vez – chamado conseqüente – é o temo regido, aquele que cumpre o regime estabelecido pelo antecedente.

Exemplos:

A hora das refeições é sagrada. ...[hora das refeições: elementos ligados por preposição]

...[de + as = das: preposição]

...[hora: termo antecedente = rege a construção "das refeições"]

...[refeições: termo conseqüente = é regido pela construção "hora da"]

Alguém passou por aqui. ...[passou por aqui: elementos ligados por preposição]

...[por: preposição]

...[passou: termo antecedente = rege a construção "por aqui"]

...[aqui: termo conseqüente = é regido pela construção "passou por"]

As preposições são palavras invariáveis, pois não sofrem flexão de gênero, número ou variação em grau como os nomes, nem de pessoa, número, tempo, modo, aspecto e voz como os verbos. No entanto em diversas situações as preposições se combinam a outras palavras da língua (fenômeno da contração) e, assim, estabelecem uma relação de concordância em gênero e número com essas palavras às quais se liga. Mesmo assim, não se trata de uma variação própria da preposição, mas sim da palavra com a qual ela se funde (ex.: de + o = do; por + a = pela; em + um = num, etc.).

É importante conhecer essas outras particularidades da preposição.

Fonte: www.interaula.com

Preposição

Preposição é uma palavra invariável que liga dois elementos da oração, subordinando o segundo ao primeiro. Isso significa que a preposição é o termo que liga substantivo a substantivo, verbo a substantivo, substantivo a verbo, adjetivo a substantivo, advérbio a substantivo, etc. Só não pode ligar verbo a verbo: o termo que liga dois verbos (e suas orações) é a conjunção.

Exemplo: "Os alunos do colégio assistiram ao filme de Walter Salles comovidos", teremos como elementos da oração os alunos, o colégio, o verbo assistir, o filme, Walter Salles e a qualidade dos alunos comovidos. O restante é preposição. Observe: "do" liga "alunos" a "colégio", "ao" liga "assistiram" a "filme", "de" liga "filme" a "Walter Salles". Portanto são preposições. O termo que antecede a preposição é denominado regente e o termo que a sucede, regido. Portanto, em "Os alunos do colégio...", teremos: os alunos = elemento regente; o colégio = elemento regido.

Tipos de preposição

Essenciais

Aquelas que só funcionam como preposição, são elas:

a, ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, exceto ou excepto, para, perante, por, salvo, segundo, sem, sob, sobre, trás.

Acidentais

Aquelas que passaram a ser preposições, mas são provenientes de outras classes gramaticais, como: durante-afora-menos-salvo-conforme-exceto-conforme-como-que-etc... Exemplos: Agimos conforme a atitude deles. Conversamos muito durante a viagem. Obtiveram como resposta um bilhete. Ele terá que fazer o trabalho.

Locução prepositiva

As locuções prepositivas são duas ou mais palavras que funcionam solidariamente como preposições. Sempre que há uma locução prepositiva, a segunda palavra do conjunto por si só é uma preposição. Existe uma infinidade de locuções prepositivas, segue alguns exemplos: "graças a"; "para com"; "dentro de"; "em frente a"; "perto de"; "por entre"; "de acordo com"; "em vez de"; "apesar de"; "a respeito de"; "junto de"; "por cima de"; "em cima de"; acerca de; a fim de; apesar de; através de; de acordo com; em cima de; em vez de; junto de; para com; à procura de; à busca de; à distância de; além de; antes de; depois de; à maneira de; junto a; a par de; entre outras. As locuções prepositivas têm sempre como último componente uma preposição.

Contração

Junção de algumas preposições com outras palavras, quando a preposição sofre redução.

Ex. do (de + o); neste (em + este); à (a + a)

Obs.: Não se deve contrair a preposição "de" com o artigo que inicia o sujeito de um verbo, nem com o pronome "ele(s)", "ela(s)", quando estes funcionarem como sujeito de um verbo. Por exemplo, a frase "Isso não depende do professor querer" está errada, pois professor funciona como sujeito do verbo querer. Portanto a frase deve ser "Isso não depende de o professor querer" ou "Isso não depende de ele querer".

Combinação

Junção de algumas preposições com outras palavras, quando não há alteração fonética.

Exemplo

ao (a+o); aonde (a+onde)

Circunstâncias

As preposições podem indicar diversas circunstâncias:

Lugar = Estivemos em São Paulo. Origem = Essas maçãs vieram do Japão. Posse = Recebeu a herança do avô. Matéria = Comprei roupas de lã. Valor = Ele esperneou até comprar aquela roupa caríssima. Autoria = Quadro de Leonardo da Vinci. Tempo = Eu cheguei em ponto.

Fonte: pt.wikipedia.org

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