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Moussia Pinto Alves

Moussia von Riesenkampf nasceu na Rússia imperial no início do século XX, onde iniciou seus estudos em arte. Pertencente à aristocracia da região da Criméia, foi diretamente afetada pela revolução bolchevista de 1917. Seu pai, um almirante do czar, foi assassinado em fins de 1918; sua mãe morreria logo depois. Fugiu para Constantinopla, de lá foi para Paris e, posteriormente, Hamburgo. Nesta última cidade conheceu o intelectual e empresário paulista Carlos Pinto Alves, com quem partiu para Portugal.

Foi batizada em igreja católica e recebeu o nome "Maria", mas manteve Moussia como nome artístico. Logo depois, casaram-se e vieram para o Brasil. Aqui, o casal passou a freqüentar um círculo da elite paulistana que incluía desde pensadores como Mário de Andrade até aqueles que buscavam forjar uma distinção para além do ponto financeiro, cultivando o então exótico gosto pelo moderno.

Apresentou-se pela primeira vez ao público nacional no bombástico Salão Revolucionário de Belas Artes do Rio de Janeiro, em 1931, expondo as obras Imagem e Retrato da Srta. Alves de Lima. Mário de Andrade, analisando os retratistas nacionais, destacou os trabalhos de Portinari, Tarsila, Guignard e Moussia.

No ano seguinte a artista organiza, ao lado de Regina Graz, uma exposição de pintura e de "arte decorativa" na Galeria Guatapará, à R. Barão de Itapetininga. Seguiram-se algumas exposições individuais, como a da Gallery Passedoigt (Nova York) em 1949. Foi justamente nesta mostra que o MAM-SP adquiriu as obras Nu com Frutas (1940). Posteriormente o acervo deste museu foi doado à USP e desde então esta obra da artista integra a coleção do MAC. Dentre exposições coletivas, figurou no 1º e 2º Salões de Maio.

Foi uma das primeiras defensoras da arte abstrata no Brasil, proferindo uma palestra na Faculdade de Direito de Recife, na ocasião da exposição de Cícero Dias -em 1948, neste mesmo local. Moussia merece que se destaque positivamente sua obra escultórica, pois através desta expressão, nos anos 50, ela soube se valer das questões em voga da época. Produziu trabalhos extremamente antenados com seu tempo, tempo de abstracionismos, em justa oposição a boa parte de seus companheiros modernistas, que levantavam a bandeira da figuração. É com essas esculturas que a artista será devidamente notada nas primeiras Bienais de São Paulo. Logo após a 2ª Bienal foi convidada a configurar o livro "Plastik der Gegenwart" (A Arte do Presente), publicação alemã que pretendia reunir os escultores mais significativos do século. Em 1961, obteve insenção de júri na VI Bienal.

Moussia, desde a conversão, nunca se desvinculou do catolicismo, que com freqüência foi tema de suas obras, mesmo quando estas eram mais abstratas. Explicava não seguir estilos; dizia amar os tons quentes e brilhantes e, em escultura, que Moore era seu artista favorito.

Fez incursões pelo desing de jóias, que considerava "obras plásticas derivadas da escultura", expondo seus trabalhos neste ramo em 1959, no Rio de Janeiro.

Aventurou-se também no cinema, atuando em Brasil Ano 2000, de Valter Lima Jr. e Um Asilo Muito Louco, de Nelson Pereira dos Santos.

Nu com frutas, 1940

Nu com Frutas (1940), dentre tantas outras, fez parte da primeira mostra da artista nos EUA, em 1949. Na ocasião, a crítica local elogiou seus trabalhos, realçando a riqueza e o brilho em seu estilo e as colorações exóticas. Já não era novidade a atração que uma vertente da arte brasileira - a vertente da exaltação dos "valores nacionais", exercia sobre a política cultural estadunidense, sendo que o exemplo máximo de colhedor de glórias neste contexto foi Cândido Portinari.

Esta obra é representante de um esforço por exaltar certos traços típicos do Brasil. O nu tem exuberância física, exaltada pela luz que lhe atravessa, e a região dos quadris, aparece coberta por viçosas frutas, num jogo metafórico interessante: fala de fertilidade e abundância por meio do corpo e dos frutos abundantes da terra. Os olhos que encaram o espectador completam um quadro convidativo e sensual. Neste exercício estético, Moussia se fez valer de temas tradicionais – nu e frutas, e nos deixou uma tela perpassada por paradigmas próprios de seu momento histórico e do local de onde surgiu este discurso.

Carnaval, 1945

Como boa parte dos artistas estrangeiros que se estabeleceram no Brasil durante os anos subsequentes ao modernismo dos anos 20, Moussia também se encantou pelos supostos caracteres constituintes de uma certa brasilidade, dos aspectos representativos da nação. Tais caracteres já estavam presentes no horizonte de artistas e intelectuais brasileiros que procuravam explicar o que era o Brasil. Daí a acentuação de uma série de aspectos como clima - tropical, cores - essencialmente quentes, corpos - fortes e mulatos, luzes - incisivas nas formas.

O primeiro plano desta obra trata de uma cena de festa, festa de carnaval, aparentemente numa praia. Ao fundo, a lua cheia ilumina prédios e um morro. Esses componentes falam de uma cena tipicamente carioca. A cultura material -trajes e instrumentos das figuras podem indicar facilmente que estas pessoas têm origem naquele morro. Indiscutivelmente, há a intenção de narrar uma cena popular, tipicamente brasileira.

São presenças constantes na obra de Moussia os retratos do cotidiano de pessoas que vivem com poucos recursos, habitantes dos subúrbios ou das favelas, imagens populares e folclóricas. Tais assuntos a aproxima, em determinados momentos, a Di Cavalcanti, de quem foi aluna em aulas de ateliê.

OBRAS

    

 

 

 

   

Fonte: www.mac.usp.br

Moussia Pinto Alves

Moussia Von Rilsenkamp Pinto Alves (Sebastopol, Rússia 1910 - São Paulo SP 1986).

Pintora, escultora, designer de jóias e gravadora. Inicia seus estudos artísticos com Ivan Schveleff e com Catarina Sernoff, na Rússia.

No Brasil, participa da Sociedade Pró-Arte Moderna de São Paulo (SPAM), entre 1932 e 1934.

Faz sua primeira exposição individual em 1946, no Instituto dos Arquitetos do Brasil de São Paulo.

Moussia (1910 - 1986)

Nascimento/Morte

1910 - Sebastopol (Rússia)
1986 - São Paulo SP

Formação

s.d. - Rússia - Inicia estudos de arte com Ivan Schveleff e Catarina Sernoff

Cronologia

Pintora, escultora, designer de jóias, gravadora

1932/1934 - São Paulo SP - Participa da Sociedade Pró-Arte Moderna de São Paulo - SPAM
1958 - São Paulo SP - Participa do júri do 7º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia
1968 - São Paulo SP - Participa do júri do 17º Salão Paulista de Arte Moderna

Exposições Individuais

1946 - São Paulo SP - Individual, no IAB/SP
1948 - Nova York (Estados Unidos) - Individual, na Gallery Passedolgt

Exposições Coletivas

1931 - Rio de Janeiro RJ - Salão Revolucionário, na Enba

1937 - São Paulo SP - 1º Salão de Maio, no Esplanada Hotel de São Paulo

1938 - São Paulo SP - 2º Salão de Maio

1944 - São Paulo SP - 9º Salão do Sindicato dos Artistas Plásticos, na Galeria Prestes Maia

1951 - São Paulo SP - 1ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão do Trianon

1952 - Rio de Janeiro RJ - 1ª Salão Nacional de Arte Moderna

1953 - São Paulo SP - 2ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão dos Estados

1954 - São Paulo SP - 3º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia

1955 - São Paulo SP - 3ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão das Nações

1955 - São Paulo SP - 4º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia - medalha de bronze

1957 - Rio de Janeiro RJ - 4º Salão Nacional de Arte Moderna

1957 - São Paulo SP - 4ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão Ciccilo Matarazzo Sobrinho

1957 - São Paulo SP - 6º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia

1957 - São Paulo SP - 12 Artistas de São Paulo, na Galeria de Arte das Folhas

1958 - São Paulo SP - 47 Artistas do Prêmio Leirner de Arte Contemporânea, na Galeria de Arte das Folhas

1961 - São Paulo SP - 6ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão Ciccilo Matarazzo Sobrinho

1963 - São Paulo SP - 7ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1965 - São Paulo SP - 8ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1970 - São Paulo SP - Pré-Bienal de São Paulo, na Fundação Bienal

1972 - São Paulo SP - 4º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP

1975 - São Paulo SP - SPAM e CAM, no Museu Lasar Segall

1976 - São Paulo SP - Os Salões: da Família Artística Paulista, de Maio e do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo, no Museu Lasar Segall

1978 - Rio de Janeiro RJ - Escultura Brasileira no Espaço Urbano: 50 anos, na Praça Nossa Senhora da Paz

1978 - São Paulo SP - 10º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP

1982 - São Paulo SP - Um Século de Escultura no Brasil, no Masp

1984 - Fortaleza CE - 7º Salão Nacional de Artes Plásticas

1984 - Rio de Janeiro RJ - Salão de 31, na Funarte

1984 - São Paulo SP - Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras, na Fundação Bienal

1985 - São Paulo SP - 18ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

Exposições Póstumas

2004 - São Paulo SP - Mulheres Pintoras, na Pinacoteca do Estado

Críticas

"(...) voltou-se, como pintora, para temas e tipos populares, fixando carnavais, favelas e flagrantes de rua. Entre suas obras: CARNAVAL NA FAVELA, O CIRCO, FESTA DE SÃO JOÃO e MENINA VENDENDO VIOLETAS (...)".

Carlos Cavalcanti

CAVALCANTI, Carlos; AYALA, Walmir, org. Dicionário brasileiro de artistas plásticos. Apresentação de Maria Alice Barroso. Brasília: MEC/INL, 1973-1980. (Dicionários especializados, 5).

Fontes de Pesquisa

ARTE no Brasil. Apresentação de Pietro Maria Bardi e Pedro Manuel. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
CAVALCANTI, Carlos; AYALA, Walmir, org. Dicionário brasileiro de artistas plásticos. Apresentação de Maria Alice Barroso. Brasília: MEC/INL, 1973-1980. (Dicionários especializados, 5).
LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
PONTUAL, Roberto. Dicionário das artes plásticas no Brasil. Apresentação de Antônio Houaiss. Textos de Mário Barata et al. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969.
ZANINI, Walter, org. História geral da arte no Brasil. Apresentação de Walther Moreira Salles. São Paulo: Instituto Walther Moreira Salles, Fundação Djalma Guimarães, 1983.

Fonte: www.itaucultural.org.br

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