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Menstruar ou não?

Eis a questão!

Menstruar ou não menstruar? Está aí uma dúvida cruel do universo feminino, já que, hoje, há diversas alternativas para suspender aqueles dias.

Todos os dias no meu consultório escuto dúvidas com relação à menstruação: "nunca vem no dia certo, será que sou desregulada?" "Nos primeiros dois dias desce bastante sangue e às vezes com pedaços, no terceiro vem bem menos e no quarto quase não sai nada. É normal?" "E se eu ficar sem menstruar? Tem algum problema?" Pronto! Esta é uma das grandes dúvidas feminina: menstruar ou não menstruar? Eis a questão!

Antes de mais nada, vale a pena lembrar que a menstruação é um processo natural do corpo feminino e indica que naquele mês a mulher não engravidou.

Mas, por mais que seja natural, para algumas mulheres este pode ser um período muito incômodo. Nos dias de hoje, grande parte das mulheres leva uma vida bem corrida: casa-trabalho-família e quando sobra um tempinho para passear, ir à praia... é ótimo! Imagina estar menstruada nestas horas? E quando aquele cara que você está de olho há um tempão te chama pra sair e você está naqueles dias? E, para completar, cheia de cólicas e TPM? Que situação!

Isto sem falar naquelas mulheres que realmente precisam ficar sem menstruar, como, por exemplo, as que estão em tratamento para endometriose. Estas e tantas outras situações podem servir de motivo para uma consulta com o ginecologista para saber quais são as alternativas disponíveis para quem quer se livrar temporariamente da menstruação.

Existem diversos medicamentos que podem provocar a suspensão da menstruação, mas os mais utilizados para este fim são os métodos anticoncepcionais que contêm somente um tipo de hormônio: a progesterona.

As injeções trimestrais, a minipílula, o DIU medicado com hormônio (Mirena) e o implante colocado debaixo da pele (Implanon) são exemplos. A suspensão da menstruação é um efeito esperado para quem usa estes métodos.

As pílulas anticoncepcionais combinadas, que contêm estrogênio e progesterona, também têm sido usadas para suspender ou atrasar a menstruação.

Muitas mulheres "emendam" uma cartela na outra sem dar intervalos. Apesar de não ser prejudicial à saúde e nem diminuir a eficácia do método, estas mulheres podem ter mais sangramentos de escape, aquele tipo "fora de hora".

Todos estes métodos são muito seguros e têm vantagens e desvantagens. Entretanto, devem ser sempre utilizados sob recomendação médica, pois não são livres de contra-indicações. Se não forem bem indicados, aí sim, podem trazer danos à saúde da mulher!

Existe uma crença popular que diz que se a mulher não menstruar, pode ficar maluca, pois o sangue "sobe para a cabeça". É claro que isto não acontece, mas é importante estar atenta: em geral, ficar sem menstruar não traz riscos para a saúde feminina e nem para o seu futuro reprodutivo, desde que ela esteja usando algum método que tenha este efeito! Se a mulher não usa nada e fica sem menstruar, é fundamental procurar ajuda médica, pois esta situação não é normal. Ela poderá estar grávida e não saber ou ter algum problema que precisa ser investigado e tratado.

Fonte: www.bolsademulher.com

Menstruar ou não?

"Pílulas" modernas atraem quem não quer menstruar

Quatro décadas depois da revolução provocada pela pílula anticoncepcional, uma grande polêmica se inicia e promete modificar novamente os paradigmas em torno da vida reprodutiva feminina. Um número cada vez maior de mulheres quer informações sobre os novos contraceptivos de uso contínuo, que prometem acabar com os transtornos que a menstruação costuma acarretar -ou pelo menos, diminui-los-, como a tensão pré-menstrual (TPM), os sangramentos em excesso, as cólicas e as temíveis variaçõesde humor.

"Pelo menos uma cliente por dia me procura para obter mais informações sobre esses medicamentos", diz o ginecologista Eduardo Zlotnik, do hospital Albert Einstein. "Há um interesse crescente, particularmente no último ano, por causa do lançamento de novos produtos no Brasil, como os implantes subcutâneos e o dispositivo intra-uterino com hormônios", diz o chefe do setor de planejamento familiar do Hospital das Clínicas, Nilson Roberto de Mello.

Existe atualmente uma extensa gama de novos anticoncepcionais hormonais à disposição no mercado, o que possibilita individualizar os tratamentos de acordo com as necessidades e o estágio de vida da mulher. As novidades estão na forma de apresentação e de uso. Há implantes subcutâneos que liberam hormônios e podem ficar três anos seguidos no corpo e dispositivos intra-uterinos que "pingam" hormônio diretamente no útero, sem exigir troca por um período de até cinco anos.

Sobre a eficácia contraceptiva desses novos medicamentos, ela é próxima de 100%, principalmente os da categoria implante (subcutâneos e intra-uterinos), pois não exigem da mulher disciplina no modo de usar.

Já com relação à eficácia no combate aos incômodos mensais, há controvérsias. Ainda não existem estudos conclusivos no Brasil nem no exterior que garantam a eficiência desses medicamentos no combate aos efeitos indesejáveis da menstruação.

Também não há consenso entre os especialistas sobre possíveis males do uso contínuo desses hormônios no organismo feminino.

Os novos medicamentos jogam lenha na discussão sobre a importância ou não da menstruação para a saúde da mulher.

A fisiologia feminina vem sofrendo alterações ao longo da evolução da espécie humana. No início do século 19, as mulheres menstruavam de 30 a 40 vezes ao longo da vida. Hoje, são mais de 400 ciclos menstruais. No reino animal, fêmeas de poucas espécies ainda menstruam.

"A decisão de menstruar ou não é da mulher. O fato é que há um arsenal terapêutico muito grande, e já é possível resolver com mais eficiência problemas que incomodam as mulheres", afirma o médico Jarbas Magalhães, da Comissão Nacional de Anticoncepção da Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

Para a secretária Elizabeth Costa, 44, o implante representou um bem-estar que ela desconhecia. "Meu sangramento era exagerado, às vezes me impedia de sair de casa", diz. Já para a fisioterapeuta Silvia Waisman, há dois meses com o implante subcutâneo, sangrar não a incomoda. "Eu quero me ver livre da irritação, das cólicas e da enxaqueca que sinto antes de menstruar", diz ela, que também não vê problemas caso a menstruação seja totalmente interrompida.

"Não acredito em alguns mitos sobre a menstruação, como ser importante para "limpar" o corpo da mulher", diz Silvia.

A psicóloga Tânia Maria Soares Sonego, 37, usa uma pílula de uso contínuo há quatro meses. Usuária de anticoncepcionais orais desde os 23 anos, ela diz que, ao fazer as pausas após a ingestão de 21 comprimidos, sentia cólicas e enxaquecas que chegavam a provocar vômitos e outros desconfortos. "Os sintomas pioraram com a idade, e isso me fez optar pelo novo medicamento." Ela diz que não sente mais cólicas e quase não tem mais enxaqueca. Trocou de médico para usar o novo produto, pois o anterior não era favorável. "Agora vou partir para o implante, assim não tenho de lembrar de tomar comprimidos. Você põe e esquece."

Em estudo desenvolvido recentemente na Holanda com mais de 300 mulheres e publicado na "New Scientist", cerca de 70% daquelas entre 15 e 50 anos gostariam de ter seus ciclos mais longos: menos do que uma vez por mês. Dentre elas, a maioria preferiria ciclos a cada três meses ou nunca.

Mas há médicos que defendem a posição de menos interferência nos processos naturais do organismo. "Na idade fértil, querem que a mulher não menstrue. Quando chega a menopausa, indicam hormônios para manter o sangramento. Mas é preciso entender que, embora os remédios hormonais sejam muito mais seguros hoje em dia, todos apresentam algum tipo de risco. Não se pode vender a idéia de que finalmente apareceu uma solução mágica", pondera a ginecologista Juraci Ghiaroni, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O Centro de Apoio à Mulher com TPM do Hospital das Clínicas de São Paulo está realizando um trabalho de pesquisa inédito no Brasil e no exterior com medicamentos que interferem na menstruação de pacientes que sofrem de TPM intensa e desejam eliminar os sintomas.

"Queremos esclarecer cientificamente as vantagens ou desvantagens dos diferentes métodos, seu modo de ação no aparelho reprodutor e no restante do organismo feminino", explica a coordenadora do centro, a médica Mara Diegoli. Os resultados sairão num prazo de seis meses a um ano.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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