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História do Chapéu

Chapéu

A palavra “chapéu” provém do latim antigo "cappa", "capucho" que significa peça usada para proteger ou enfeitar a cabeça. Esta cobertura já era conhecida desde a mais remota antiguidade: os egípcios tinham-na em formatos variáveis; gregos e romanos também possuíam modelos de vários tipos com nomes diversos, cada um deles aproveitado em circunstâncias diferentes; os chineses cobriam-se com um chapéu de copa quadrada e cordões de seda, fabricado com fibras de bambu e palha, aos quais davam o nome de mien. Antes deles, porém, egípcios, babilônios e gregos costumavam usar faixas para prender e proteger os cabelos (por sinal, a faixa estreita de tecido colocada em torno da copa dos chapéus da atualidade - fita ou bandana - é uma reminiscência desse hábito antigo).

Por volta do ano 2.000 a.C.. o chapéu usado pelos gregos em suas viagens era o pétaso, que lhes servia como proteção contra a chuva ou os raios solares. Era uma peça de feltro, baixo, redondo e de abas largas, um modelo prático e ajustável que podia ser retirado com facilidade. Em meados do ano 1.000 a.C. os escravos romanos eram proibidos de usar chapéus, mas quando alforriados, eles colocavam na cabeça uma cobertura semelhante ao barrete (boné em forma de cone, com a ponta caída para um lado), um sinal de liberdade. Mais tarde originaram-se os turbantes, as tiaras e as coroas, usadas por nobres, sacerdotes e guerreiros como símbolo de status social. Como sinal de distinção social ou profissional permanecem até hoje os chapéus específicos destinados a pessoas que ocupam determinadas atividades (soldados, marinheiros, eclesiásticos, etc.).

Na Idade Média usou-se um chapéu que cobria a cabeça e descia até os ombros; mais tarde o homem do povo adotou barretes de formados variados, mas os nobres e patrícios davam preferência aos modelos elegantes que perduraram até o final do século 13. Já a predileção das mulheres voltava-se para os chapéus em que entravam bordados e adornos metálicos, penas, flores e pedras preciosas, ou ainda modelos de palha ou bicornes (terminados em duas pontas) de tecidos preciosos, com véus ondulantes. Mas somente com Luis XI da França (1423-1483) o chapéu se tornou de uso comum na Europa.

O chapéu de feltro, ou pêlo de castor, passou a ser fabricado no início do século 14, mas no seguinte, século 15, com a generalização do uso desse tipo de cobertura, eles podiam ser encontrados nas mais diferentes formas, havendo os de veludo e peles, com plumas, borlas, penas, etc., embora entre o povo, predominasse o de formato redondo. No fim deste mesmo século, a ascendência da corte espanhola aumentou o tamanho dos chapéus ornados com rendas, borlas, medalhas e plumas, tanto para os homens como para as mulheres.

A corte francesa de Luis XIII (1641-1643), adotou as perucas e cabeleiras, e o chapéu ganhou um ou dois laços de fita. O uso dos cabelos compridos, em cachos, vigorou no reinado de Luiz XIV (1638-1715), na França. Esse monarca usava longos cabelos cacheados e por isso foi logo imitado por seus cortesãos.

Mas como eles também começaram a usar perucas de cabelos naturais, isso fez com que as abas dos chapéus passassem a ser dobradas, primeiramente só de um lado, depois dos dois, o que fez surgir o chapéu tipo tricorne, com duas dobras laterais e uma outra na parte traseira. Este hábito perdurou por mais de um século.
Depois da Renascença (séculos 13 a 17), os chapéus masculinos adquiriram diversos formatos, sendo ricamente enfeitados, e usados pelos homens poderosos. Data desta época o aparecimento das boinas, na Itália, constituídas de uma peça circular de tecido franzido nas laterais, contendo uma faixa por onde passava um cordão ajustável. Alguns chapéus masculinos ainda guardam essa influência, sendo dotados de pequenos laços em seu interior destinados a ajustar seu tamanho. Outros tipos vieram a seguir, sendo um dos mais marcantes o chapéu de abas largas, enfeitado por peles, ou plumas de avestruz. Nessa época os chapéus sofreram grandes modificações: o que era usado no século anterior, de copa alta e abas curtas, deu lugar a um modelo de feltro com aba larga e não tão rígida, enfeitado pelos nobres com uma pluma pendente. Geralmente confeccionados em feltro negro, castanho ou branco, eles eram, por vezes, enriquecidos com uma jóia.

O reinado de Luís XV (1710-1774) trouxe o chapéu mais baixo e de abas mais estreitas, e no que o procedeu (Luis XVI), período em que ocorreu a Revolução Francesa (1789-1799), as vestimentas foram influenciadas pelo movimento popular e se tornaram mais simples, surgindo nessa época os chapéus de copa alta de formato côncavo, que se desenvolveram até darem origem à cartola, um chapéu masculino de aba estreita, copa alta e cilíndrica, geralmente de cor preta e brilhante, e usada habitualmente em ocasiões solenes, em conjunto com o fraque. Este modelo era chamado originalmente de chapéu alto, mas no século 19 o espírito popular já o criticava, apelidando-o de chaminé, de canudo ou de cartola, variante de quartola, nome dado a uma pequena pipa que correspondia a um quarto de tonel, com a qual o chapéu se parecia. Como curiosidade, vale registrar que nas caricaturas mostradas pela imprensa recente, a cartola e o charuto compõem a figura dos novos-ricos e dos magnatas, passando a denominar a classe dos dirigentes que enriqueceram administrando clubes de futebol (a origem dessa definição vem da mascote do Fluminense, agremiação do Rio de Janeiro).

Da cartola proveio o chapéu cilíndrico criado em 1805 pelo chapeleiro Harrington, que por esse motivo foi advertido como perturbador da ordem pelo governo britânico. Em 1812 surgiu o chapéu de mola, de invenção parisiense, mais um modelo entre os muitos que surgiram durante esse século. Entre eles, incluíam-se os de uso comum, de formato constantemente cilíndrico e muito baixo; os de abas largas, usados pelos boêmios; os de feltro escuro, que tinham a preferência dos revolucionários de alguns países europeus; além do chapéu coco, surgido em 1900. Alguns anos depois apareceram os chapéus de palha, os do tipo marinheiro, e outros mais, sendo que a grande maioria desses modelos se originou no Reino Unido.

Já os chapéus femininos evoluíram de forma diferente. Na Idade Média as mulheres, por força de imposições religiosas, cobriam os cabelos completamente, e a forma mais simples com que faziam isso era colocando uma peça de linho caída sobre os ombros ou abaixo deles (os véus de noiva e as mantilhas das espanholas são sobrevivência da moda desse tempo). No século XIII, este véu era preso de forma costumeira por duas faixas - uma passada sobre o queixo e outra sobre a testa -, de modo semelhante ao hábito que as freiras conservam até hoje. No final da Idade Média, as mulheres colocavam habitualmente uma armação de arame com formatos de coração, borboleta, etc sob a peça de tecido, tornando-os extravagantes; além disso, escondiam os cabelos penteando-os para trás, e se porventura eles cresciam na testa, eram raspados, para que o chapéu se tornasse a atração principal.

Mais adiante, no século 18, a evolução do chapéu feminino aconteceu de forma tão variada que é praticamente impossível descrevê-la. Para confeccioná-los em vários formatos eram usados materiais como pano, veludo, palha, crina, pelúcia, rendas; simples, ornados com plumas, flores, fitas, alfinetes, broches, etc.. Dentre os modelos mais afamados destacaram-se o Gainsborough - nome de um célebre pintor inglês -, feito de feltro, ornado de grandes plumas e tendo sua aba larga levantada de um lado ; outro foi o cabriolet - que permaneceu em moda de 1830 a 1840 -, usado inclinado sobre os olhos e preso ao queixo por fitas; além do caprichoso chapéu do Segundo Império, de tamanho reduzido e arrumado sobre intrincadas cabeleiras; e finalmente, os grandes chapéus emplumados e de abas enormes, em voga por volta de 1900. No início do século 20 os volumosos penteados da época originaram chapéus de grandes dimensões, que cobriam os penteados, mas depois da primeira guerra mundial, o formato do chapéu feminino foi-se uniformizando, embora continue sendo fabricado até os dias de hoje com os materiais mais variados, e de conformidade com as estações do ano.

Nas primeiras décadas do século XX os chapéus masculinos quase não foram alterados em suas formas e estilos, ao contrário dos chapéus femininos que conheceram variações freqüentes, notadamente em relação às estações do ano. Depois da década de 30, e até os dias atuais, os chapéus passaram a ser encarados como um acessório de vestimenta e proteção: enquanto nos países tropicais eles têm função protetora contra o sol e contra as intempéries, nos países de clima frio seu uso mais freqüente é o de proteção contra o vento e as temperaturas baixas. Além disso, o chapéu também é um acessório importante do vestuário, servindo para caracterizar a personalidade de uma determinada pessoa através de suas diferentes formas, materiais e cores.

Tradicionalmente, os materiais mais empregados na fabricação de chapéus são o feltro (obtido do pêlo de animais como o coelho, a lebre, o castor e o carneiro), a palha (incluindo-se aí tipos diversos de fibras vegetais como a juta, o sisal, a ráfia, etc.). e o tecido, além de misturas variáveis que resultam em produtos mais rudes, geralmente usados em artesanato, até materiais industrializados e mais refinados, como o Panamá. Mas a tendência atual é a de utilização de materiais artificiais, principalmente nos chapéus destinados ao abrigo das intempéries, no sentido de impermeabilização.

Uma curiosidade sobre os chapéus é que durante a Idade Média fôrmas especiais foram usadas por judeus, devedores, falidos fraudulentos, adúlteros, etc., tendo ha-vido, também, formatos e cores diferentes que caracterizavam os ofícios e as agremiações.

FERNANDO KITZINGER DANNEMANN

Fonte: recantodasletras.uol.com.br

História do Chapéu

Chapéu

Chapéu é um protector para a cabeça que pode ter formas variadas, com ou sem abas, e que se utiliza essencialmente para andar na rua.

O chapéu surgiu para a protecção da cabeça, ainda nos povos primitivos da pré-história, das intempéries climáticas (sol escaldante, frio, chuva), como prerrogativa masculina - sendo o homem o responsável pela defesa da tribo ou do clã, sendo depois estendido para a caracterização dos níveis sociais: os reis usavam coroas, os sacerdotes a mitra e os guerreiros o elmo. Teriam, assim, nos mais primitivos formatos, uma espécie de gorro feito em couro, ou em tecido, nos antigos turbantes já presentes cerca de 4.500 anos antes de Cristo.

Cerca de 3000 antes de Cristo, na Mesopotâmia, surgem os chapéus que trazem um misto de elmo com capuz, que uns mil anos depois cerca de 2000 antes de Cristo, evolui para um formato mais aprimorado. Torna-se, neste mesmo período, um adereço de dignidade, nobiliárquica, militar e sacerdotal do Antigo Egipto. O primeiro chapéu que encontra em suas formas mais semelhantes com o formato "clássico", ou seja, contendo as partes principais do adorno, é o pedaço grego, cuja origem remonta ao século IV antes de Cristo, junto ao píleo. O primeiro encontrou sua forma romana, junto ao capucho, sendo este povo o primeiro a criar um capacete.

Portanto, foi no antigo Egipto, na Babilónia e na Grécia que começaram a surgir as primeiras modalidades de chapéus. Inicialmente, usavam-se faixas com a finalidade de prender o cabelo e, mais tarde, os turbantes, as tiaras e as cordas.

Usados por nobres, sacerdotes e guerreiros, o chapéu era considerado como símbolo de status social.

A faixa estreita colocada em torno da copa dos chapéus da actualidade é um remanescente desse primeiro tipo de protecção usada na cabeça. O primeiro chapéu efectivamente usado, no entanto, foi o pétaso, que consistia num chapéu dotado de copa baixa e abas largas, que os gregos gostavam de levar em suas viagens como uma forma de proteção. Era um tipo prático, ajustável, podendo ser retirado com facilidade, tendo perdurado seu uso por toda a Idade Média. Na antiga Roma, os escravos eram proibidos de usar chapéus, mas quando eram libertados passavam a adotar um chapéu semelhante ao barrete frígio (boné em forma de cone, com a ponta caída para um lado), em sinal de sua liberdade.

Esse tipo foi revivido durante a Revolução Francesa, chamado de “bonnett rouge”, e se tornou, na época da república, um símbolo do partido republicano. Outro tipo bastante parecido com o barrete frígio foi o capuz, unido ou não a um manto, amplamente usado na Idade Média. Depois da Renascença os chapéus masculinos adquiriram diversos formatos, sendo ricamente enfeitados e usados pelos homens poderosos. Nessa época, apareceram na Itália as boinas, constituídas de uma peça circular de fazenda franzida em sua extremidade, contendo um faixa por onde passava um cordão ajustável. Alguns chapéus masculinos ainda guardam certas influências do tipo, sendo dotados de pequenos laços em seu interior, destinados a ajustar seu tamanho. Outros tipos vieram a seguir, sendo um dos mais marcantes o chapéu de abas largas, enfeitados por peles, levados da América com plumas de avestruz. O uso de cabelos compridos em cachos (moda posta em vigor no reinado de Luiz XVI, na França) fez com que se começasse a dobrar as abas dos chapéus, primeiramente de um lado, depois dos dois, aparecendo em seguida o tipo tricórnio com duas dobras laterais e uma traseira. Essa moda durou mais de um século.

Mais tarde apareceu o boné que é uma espécie de chapéu de formato circular com uma aba voltada sobre os olhos.

É uma peça de amplo uso tanto por homens como por mulheres de todas as idades. Mas tem uma aceitação maior entre o público infanto-juvenil, especialmente entre os adolescentes e os praticantes de actividades desportivas, como o ténis, o beisebol e o golfe - que podem também algumas vezes se constituir em uma simples viseira - , sendo sua função primordial proteger a cabeça dos raios solares e impedir que a luz incida directamente sobre os olhos. Também pode compor o traje casual e é comum o seu uso com a aba voltada para a parte de trás da cabeça, especialmente pelos mais jovens. Os quépis militares são um subtipo de boné.

Chapéus que ficaram famosos

Chapéu de Santos Dumont

Chapéu de Fernando Pessoa

Chapéu de Napoleão Bonaparte

Chapéu-coco de Winston Churchill

Chapéu de John Lennon

Boné de Tiger Woods

Chapéu de Indiana Jones

Chapéu de Sherlock Holmes

Chapéu de Humphrey Bogart no filme Casablanca

Chapéu de cangaceiro de Lampião

Carlos Leite Ribeiro

Fonte: www.caestamosnos.org

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