KENZO hoje é sinônimo de fragrâncias cobiçadas, aprisionadas em frascos simples e belos. Mas também, há mais de três décadas a grife é sinônimo de inovação e ousadia, aliando a tradição milenar japonesa às novas tendências da moda internacional. A mistura de padrões e estilos é a imagem da marca, que mistura idéias orientais e ocidentais, transformando modelos tradicionais em roupas contemporâneas e inovadoras.

Moda “made in japan?”. Estranho. Mas foi isso que o renomado e famoso estilista Kenzo Takada, que nasceu na cidade de Himeji em 1939, fez. Formado em artes, iniciou sua carreira como estilista desenhando moldes para uma revista de Tóquio, depois de terminar seus estudos na renomada Bunka Fashion College. Em 1965, mudou-se para a cidade de Paris, onde pretendia passar somente seis meses para conhecer a moda e o estilo de vida dos franceses. Depois de cinco meses, queria ficar mais. Começou a procurar emprego e conseguiu mostrar seus desenhos para o costureiro Louis Féraud, estilista francês que tinha sua maison em Cannes e foi prestigiado por muitas estrelas do festival, e para a influente revista Elle. Eles acabaram comprando os desenhos e indicaram o caminho das pedras.

Em cinco dias, o jovem e talentoso estilista conseguiu trabalho, e no restante da década criou inúmeras coleções como freelancer. Nesse período, Kenzo só tinha dinheiro para comprar tecidos em brechós e a maioria do que conseguia eram retalhos. Como resultado Kenzo tinha de misturar muitos tecidos diferentes e ás vezes com estampas muito diversas para fazer uma peça. As estampas, coloridas, nasceram da necessidade de improvisação, mas acabaram se tornando uma de suas marcas registradas. Em 1970, o talentoso estilista resolveu alçar vôo solo, realizou seu primeiro desfile na Galeria Vivienne e logo depois inaugurou sua própria loja, chamada na época de Jungle Jap. O sucesso foi quase imediato, com um de seus modelos indo parar na capa da prestigiosa revista Elle, trazendo mais visibilidade para seu trabalho.

Rapidamente, se tornou conhecido e mudou o nome da loja para KENZO. Ele conquistou a França com um conceito inteiramente novo de moda: a recriação da figura humana de um modo até então não tentado, com novos volumes e proporções. Suas primeiras roupas, de algodão, foram muito populares e fizeram enorme sucesso. No ano seguinte, realizou desfiles em Nova York e Tóquio, iniciando assim seu reconhecimento internacional. Suas primeiras criações tinham evidentes referencias da vestimenta tradicional japonesa, o kimono, mas foi a amplitude de suas peças que atraiu mais atenção. Em 1972, a grife do estilista já estava estabelecida, conhecida inicialmente por seus modelos audaciosos, ou em extravagantes cores de cabúqui ou tons austeros.

Um mestre em misturar estampas e sobreposições, Kenzo produziu blusas, túnicas, batas, calças largas e roupas de veludo estampado em estilo japonês e deu especial atenção à malharia. Seu criativo tratamento de tendências em malha firmou sua posição como estilista de prêt-à-porter, injetando cor e novas proporções em modelos clássicos. As idéias e a influência de KENZO foram de longo alcance. Ele conseguiu com sucesso misturar idéias orientais e ocidentais, transformando modelos tradicionais em roupas inovadoras e contemporâneas.
