Ele revolucionou uma das marcas mais tradicionais da indústria de luxo na moda e trouxe um novo conceito de glamour, fantasia e espetáculo para a moda.
John Galliano é imprevisível. A cada coleção de uma das mais famosas e tradicionais marcas francesas, o inglês, nascido em Gibraltar, conta uma nova história no comando da Christian Dior, sempre cheia de glamour e fantasia.
Galliano é considerado um dos heróis da moda britânica. Filho de emigrantes da classe operária, Juan Carlos Antonio (seu nome de batismo) nasceu em 1960 em Gibraltar e mudou-se para Londres em 1966. Filho de mãe espanhola, de onde sempre busca inspiração e conserva uma vaidade latina, e de pai inglês, Galliano construiu uma carreira fantástica.
Após cursar a escola Wilson’s Grammar School para rapazes, ingressou na Central Saint Martins em Londres, onde se graduou em 1984. Seu desfile de formatura, com uma coleção inspirada na Revolução Francesa, foi sua primeira vitrine onde desfilou modelos que ostentavam galhos de árvore na cabeça e acenavam com peixes mortos nas mãos. Desde essa época, Galliano já se convencia de que o esquisito, mesmo chocante, vendia.
Em 1990, após um período de problemas e coleções consideradas inviáveis, Galliano mudou-se para Paris, onde apresentou sua primeira coleção em 1991. Em 1992, apresentou a coleção Napoleão e Josefina e A fuga da Princesa Lucrécia e Kiki de Montparnasse em 1994, onde já tinha seu talento reconhecido, mas suas coleções ainda eram consideradas não comerciais.
Em 1995, Bernard Arnault, presidente do grupo LVMH, observando seu talento, nomeou Galliano o sucessor de Hubert de Givenchy na casa homônima, onde tornou-se responsável pelas coleções de prêt-à-porter e alta costura da grife. Essa ação marcou o início de uma invasão inglesa em Paris, quando jovens estilistas ingleses foram contratados por grandes marcas de prestígio para renovar sua imagem (John Galliano para Givenchy e Dior, Alexander McQueen para Givenchy e Stella McCartney para Chloé) e, marcou ainda um breve renascimento da Alta Costura. Em janeiro de 1997, Johan Galliano foi transferido para a Christian Dior, marca que também faz parte do grupo de Bernard Arnault.
O caso de amor de Galliano e Dior completa dez anos em 2007. Desde que assumiu a direção criativa da marca, tanto na Alta Costura quanto no prêt-à-porter feminino e acessórios, John Galliano vem surpreendendo as exigentes platéias de moda com apresentações criativas e enlouquecidas, mesclando sua moda sofisticada e de extremo bom gosto a maquiagens e cenários surpreendentes. Sua entrada na maison foi muito criticada pelos franceses, mas à medida em que conseguiu revitalizar a marca em termos criativos e financeiros, suas criações não pareceram mais tão estranhas. Galliano revolucionou a Dior assim como fez o criador da marca há 50 anos. No comando da grife já colocou trapezistas, acrobatas, chineses, monges Shaolin, freiras, esfinges e até mendigos na passarela, essa aliás, uma das mais marcantes coleções desenhadas pelo inglês.
Completando dez anos de casa, Galliano comentou em entrevista recente para a Harper’s Bazaar que lembra do dia em que chegou à casa, onde encontrou os 800 empregados da empresa enfileirados para cumprimentá-lo pela primeira vez e diz que duas coisas ficaram na memória daquele dia: “Primeiro, que eu queria desesperadamente gravar o nome de todas essas pessoas e segundo, uma pergunta que não saia da minha cabeça: o que foi que eu fiz?”
Seu estilo camaleônico e sua irreverência, que são traduzidos não apenas nas coleções que cria, cerca de 15 por ano, incluindo a Dior e sua própria marca, mas também no seu modo de vestir. Galliano costuma “fantasiar-se” com a história da coleção que está desenvolvendo, o que acaba por vezes gerando comentários de seus colegas pois eles dizem que John vai acabar entregando o tema a seus concorrentes.
Como elementos que caracterizam seu trabalho estão o historicismo e o romantismo: suas coleções sempre têm uma história com referências de outras épocas ou culturas mescladas a vários outros elementos apresentados de forma dramática e espetacular. Cada coleção sua tem uma narrativa e estrutura baseada em elementos ficcionais.
Os desfiles, considerados verdadeiros shows, são desenhados de forma a envolver os espectadores em meio a fantasia e as modelos se movimentam na passarela desempenhando papéis, como se estivessem em filmes. Além disso, as modelos vestem apenas um único traje, não havendo troca de roupas, diferentemente da maioria dos desfiles de hoje em dia.
Caroline Evans comentou o estilo promíscuo de Galliano, quando coloca numa mesma criação elementos da Belle Époque e do período colonial, mesclando culturas e pessoas. Mas, por trás de toda essa fantasia, há uma construção perfeita de modelagem e técnicas de flou e alfaiataria. Sua maior influência está no corte em viés desenvolvido por Madeleine Vionnet, técnica que ajudou a aperfeiçoar.
Sua história com a Dior parece estar longe de ter fim. Após estranhamento inicialdo seu público, hoje Galliano consegue transformar diversos produtos da marca em sucesso de vendas. Quando chega às lojas, muitas peças, sejam elas roupas ou acessórios, já tem lista de espera, mostrando que as mulheres e o mundo da moda se seduziram por Galliano.
Exemplo disso foram as bolsas-sela, as inovações no tailleur Bar e a bolsa detetive. Galliano explica que o truque é achar um equilíbrio entre a criatividade e a originalidade com apelo comercial e que a ousadia é a essência da grife. “Uma roupa Dior é feita para uma mulher que não tem medo de arriscar-se”.
Fonte: www.gramorelli.wordpress.com
John Galliano, aquele que é uma referência na moda mundial, afirma que é muito emocionante utilizar o DNA Galliano para vestir as novas gerações de rebeldes & românticos e deixa claro que as suas roupas são criadas para serem divertidas e vestidas para a aventura do dia-a-dia, num estilo inconfundível!
Moda Criança: Quando cria as colecções de criança, pensa, sente e age como tal?
John Galliano: Não, mas relembro a minha infância, em que não tinha nada assim. O vestuário era mais formal, havia menos escolha. Isto reflecte tanto o que eu gostaria na época quanto o que espero que aconteça com as crianças de hoje.
MC: Qual é para si o maior desafio: surpreender as crianças ou os adultos? Porquê?
JG: Para cada público existem diferentes desafios, objectivos e técnicas. Eu adoro trabalhar na colecção de criança tanto quanto adoro explorar mulher, homem, acessórios e tantas outras áreas... Onde quer que leve o nome Galliano entregar-me-ei a 100% e desejarei sempre a perfeição.
MC: Quais os aspectos mais determinantes para a criança na escolha do estilo?
JG: Não é muito diferente do que acontece com os adultos. Aliás, penso que tratar as crianças como se fossem adultos é a chave. Lembro-me que em criança sempre quis ser tratado como um crescido e ouvia os meus amigos dizerem o mesmo às mães. Mas, independentemente da idade, a qualidade, a originalidade, o corte, a cor, o nome, todos estes elementos contam.
MC: Como vê o futuro da moda infantil?
JG: Vejo-o emocionante e vibrante.
Há muitas oportunidades, muito para fazer e experimentar. A moda é
como vestir sonhos e ideias e quando se é jovem tem-se tantos!
MC: Imagine-se criança e defina o ideal de estilo.
JG: O estilo é algo em que nos transformamos, é revoltarmo-nos contra o que os nossos pais escolhem e tornarmo-nos individuais. É sermos um membro do nosso próprio grupo. O estilo, tanto como a personalidade, está em constante formação e molda-se juntamente com as crianças.
MC: Descreva a nova colecção como se estivesse a contar uma história ao público infantil.
JG: Um certo dia Galliano decidiu que era altura de arrumar os livros da escola, desligar a tv e partir à aventura. Pegou nos amigos e preparam-se para a diversão. Era chegada a altura de entrar em cena, fazer travessuras e mostrar aos mais velhos como isso era divertido. Depois da missão com o exército zarparam com os piratas urbanos em busca de novas ideias... e de uns dias sem escola. As meninas não quiseram ficar atrás.
O seu desejo era encontrar o seu príncipe, tornar-se modelos, bailarinas, artistas e pertencer aos grupos Galliano. E foram directamente para o top com elementos étnicos, Nijinsky, florais e folhos, considerando que com o novo guarda-roupa seriam felizes para sempre.
Fonte: www.omelhordavida.pt