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Moda dos anos 20

Entre os grandes estilistas do século 20, o parisiense Paul Poiret ocupa, inegavelmente, um lugar muito especial. Filho de um comerciante de tecidos foi, no entanto no ateliê de um fabricante de guarda-chuvas que ele deu os primeiros passos no terreno da moda. Desenhando esboços de roupas femininas nas horas vagas, Poiret acabou por vender alguns deles a Madeleine Cheruit, quando ela ainda estava na Maison Raudnitz Soeurs.

Em 1896, afinal, ele começou a trabalhar diretamente com alta costura, no salão de Jacques Doucet, um dos costureiros mais famosos do final do século 19, respeitado pela qualidade dos tecidos que utilizava em suas criações, e pelo seu esmerado acabamento. Quatro anos mais tarde, passou para o ateliê de Charles Worth, então considerado o maior nome da moda de Paris. Em 1904, finalmente, Paul Poiret abria sua própria maison, tendo como seu padrinho o amigo Doucet, que enviou a ele uma cliente famosa, a atriz Réjane, para um começo auspicioso.

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A partir daí, Poiret começou sua escalada ao topo da vida parisiense, como estilista e como um de seus principais personagens. Como estilista, ele logo percebeu que as mulheres estavam cansadas de viver apertadas por cruéis espartilhos, que lhes davam, a custa de verdadeiros sofrimentos físicos, uma forma ideal, mas irreal, e passou a propor uma moda de roupas mais soltas, que envolviam o corpo em vez de asfixiá-lo.

Como personagem, Poiret tinha uma visão lúcida da sociedade em que vivia: a cidade de Paris jamais conhecera tanta animação, a vida social era pautada por celebrações monumentais, que moviam a nobreza e os artistas da época para festas que disputavam entre si o prêmio de maior riqueza e exuberância. Como estilista, ele coloria a moda, até então de tons soturnos e tristes, com uma verdadeira orgia de verdes, vermelhos e azuis - “Joguei alguns lobos entre os cordeiros”, ele costumava dizer, ao comentar sua inovação. Como personagem, Poiret criava sua própria agenda de festas, onde o maior brilho ficava por conta das roupas que as convidadas usavam.

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Na verdade, na época, quem não vestisse um autêntico Poiret parecia irremediavelmente fora de moda - e então seu ateliê era o endereço certo para encontrar todas as mulheres mais elegantes da Europa, sem contar as ricas norte-americanas que iam passar o verão em Deauville, no norte da França, ou na Côte d’Azur, ao sul. A bailarina Isadora Duncan era uma das presenças mais constantes, em busca de trajes que comportassem toda a liberdade da dança com que surpreendia o mundo. Se as roupas que Poiret criava eram de estilo simples, solto, sem ornamentos em excesso, exatamente o posto do que se usara até então, suas festas eram um exagero de luxo.

A mais famosa delas aconteceu no dia 24 de junho de 1911, nos jardins de sua casa - quase um palácio - no Faubourg Saint Honoré. Amigo dos principais artistas e intelectuais da época, Poiret enviou a 300 felizardos um convite desenhado pelo artista plástico Raoul Dufy, que trabalhava com ele no desenvolvimento de técnicas de tingimento e estamparia em cores, que tinha o texto de ninguém menos do que o poeta, dramaturgo e ilustrador Jean Cocteau. Lia-se no convite: “Nesta noite não haverá nuvens no céu, e nada do que existe existirá. Haverá brilhos e perfumes e flautas e címbalos e tambores”. Para terminar, a afirmação nada modesta: “Será a mil e duas noites...” Se as promessas eram muitas, a realidade não desapontou ninguém.

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Segundo o relato do próprio Poiret, os convidados chegavam a um salão onde um negro, envolto em sedas, com um archote e um punhal nas mãos, os agrupava e os conduzia até o anfitrião, através de um pátio de saibros, coberto por tecidos azuis e dourados, com fontes de porcelana. Subindo alguns degraus, chegava-se a uma enorme jaula também dourada, onde estava a mulher de Poiret, rodeada por outras mulheres que cantavam músicas persas, todas em um cenário com espelhos, aquários, chifons e plumas. Tapetes preciosos cobriam as escadarias, abafando o ruído dos passos. Nos jardins, as árvores ostentavam ‘frutos’ brilhantes, e araras, macacos e papagaios vivos davam o toque final. Ao fundo, como um sultão, estava Poiret, com um chicote de prata nas mãos.

Depois que todos os convidados haviam chegado, ele se dirigiu à jaula onde estava sua mulher, ‘libertou-a’, e todos se dirigiram ao bar, onde cem jarros de cristal continham as bebidas da noite, que se completou com uma arrebatadora chuva de fogos de artifício sobre a casa de Poiret. Sua glória, a partir daí, rompeu as barreiras da França.

De todo o mundo chegavam encomendas de toaletes para festas que procuravam seguir o ‘padrão Poiret’. Um padrão, na verdade, insuperável, que no verão de 1912 criou mais uma festa inesquecível, desta vez em homenagem a Isadora Duncan.

Realizada em um ponto de encontro para caçadas do rei Luis XV, o pavilhão de Butard, que Poiret acabara de comprar, junto com a floresta de Saint Germain, a noitada recebia convidados caracterizados de acordo com a corte que reinara no local. Todos eram recepcionados por mulheres transformadas em ninfas veladas de branco, portadoras de archotes, que eram levados até Poiret, vestido de ouro e marfim, como uma estátua de Júpiter. Vinte maîtres entregavam aos presentes coroas e guirlandas de flores, iguais às que enfeitavam as mesas, onde havia cascatas de melancias, romãs e abacaxis. Em meio às árvores, iluminadas por refletores escondidos, uma orquestra de 40 músicos tocava música clássica da melhor qualidade.

A influência de Poiret era total. Ao mesmo tempo em que lançava turbantes e calças de odalisca, inspiradas na moda do oriente que ganhava adeptos a partir dos espetáculos de dança do russo Sergei Diaghilev, criava objetos para decoração, desenhados por jovens que Poiret recrutava nas fábricas dos bairros de Paris e às quais ensinava a arte do esboço e da estamparia - assim nasceu a famosa École Martine. Pela mesma época, ele lançou uma série de perfumes com nomes como Ah, Noite da China, Fruto Proibido, Flor Estranha, para os quais René Lalique desenhava os frascos, e também encomendou a ilustradores que se tornariam famosos, como Paul Iribe e Georges Lepape, álbuns com suas criações.

Em 1912, depois de ter criado a saia entravada, mais justa no tornozelo, e a saia abajur, cuja bainha era feita com arame, para formar um círculo em torno do corpo, Poiret excursionou pela Europa e, no ano seguinte, pelos Estados Unidos, com um grupo de modelos, o que não era hábito entre os estilistas. Em 1914, pouco antes do começo da 1ª Guerra Mundial, ajudou a fundar o Sindicato de Defesa da Alta Costura Francesa e, com a guerra, fechou seu salão para alistar-se no exército francês, só voltando às suas atividades com o fim do conflito.

Mas, então, a simplicidade das linhas de suas roupas havia sido abandonada pela maioria das casas de alta costura, que agora tinham no comando jovens mulheres como Jeanne Lanvin e Madame Vionnet. Suas festas continuaram - só que agora eram pagas - e ele ainda era o personagem mais célebre de Paris. Assim Poiret entrou pela década de 20, presente a todos os acontecimentos sociais importantes da cidade - em um baile, chegou vestido de Nabucodonosor, em um carro puxado por cem jovens nuas.

O mundo, porém, mudara, as mulheres descobriam outras atividades, além de participar de festas: elas praticavam esportes, trabalhavam. As roupas criadas por Poiret não tinham mais lugar numa época em que a pressa passava a ser uma constante. Assim, aos 50 anos, ele encerrou seu reinado, cedendo espaço ao novo estilo implantado por Coco Chanel e sua ‘moda pobre’, na definição de Poiret. Mas dele ficaram, para sempre, as provas de um talento único, que soube unir moda e arte, captando como ninguém a essência dos sonhos de sua época.

Fonte: informefashionbrasil.terra.com.br

Moda dos anos 20

Um espelho chamado moda

Aos olhos mais desatentos ou menos informados, os desfiles de moda não passam de meros eventos sociais que reúnem antes de cada estação estilistas extravagantes, com suas criações igualmente extravagantes, sem sentido algum. Porém, com um pouco de sensibilidade, informação e cultura é possível entender os significados contidos nas roupas e acessórios que a cada temporada tomam conta de passarelas, capas de revistas, filmes e ruas.

Muito mais do que um mercado que gera milhões de empregos, cifras astronômicas, polêmicas e frisson em todo o mundo, a moda é essencialmente o espelho de uma sociedade em uma determinada época.

Dentro deste contexto, o estilista é um elemento decodificador das expectativas, das aspirações, de uma infinidade de sentimentos coletivos de um momento histórico. Cabe a ele traduzir isso tudo em coisas que possam ser vestidas, calçadas, usadas como forma de expressão . Para entender melhor este conceito, basta observar um determinado período da história, conhecer os fatos dessa fase e relacioná-los com as roupas e acessórios que eram usados. Podemos fazer este exercício com a década de 1920, por exemplo, procurando interpretar a indumentária feminina .

A década de 20 sucedeu o término da I Grande Guerra. A batalha provocou mudanças profundas na ordem político-econômica mundial, já que a Europa, que servira de cenário para a guerra, estava arrasada. A grande potência não era mais a Inglaterra, muito menos a França, seu nome era Estados Unidos da América. O país norte-americano seria, a partir daquela época, o centro do mundo. E sendo assim, as regras da moda também viriam de lá. Pois lá estavam as mulheres que iriam fazer e consumir moda.

Começava a "belle époque americana". Eram os anos de liberdade e prosperidade, das inovações tecnológicas, do início do cinema falado, do rádio, de novas manifestações artísticas, das jazz-bands, das melindrosas, do teatro, de Hollywood.

A mulher americana conseguira o direito de voto e começava a trabalhar fora de casa. Sendo assim, as saias amplas, faixas, cintas e os desconfortáveis espartilhos do fim do século XIX não serviam mais. A mulher precisava (e começava a se conscientizar disso) de praticidade, conforto, liberdade e igualdade.

Esta necessidade foi refletida no cumprimento e na forma dos vestidos, que ficaram mais curtos e tomaram formas retas (ao contrário dos antigos vestidos que marcavam cintura e seios), característica que aproximava a aparência feminina à masculina e revelava o desejo de igualdade social.

O corpo começava a se mostrar; pernas, braços, colo. A ousadia da nova mulher americana se refletia também na maquiagem e nos novos adereços, como o "cloche", chapéu enterrado até os olhos que só podia ser usado com os cabelos curtíssimos (outra inovação).

A liberdade começava, enfim, a ser conquistada pela mulher. Participação política, econômica e social foram o mote dessa mudança refletida nos guarda-roupas femininos do início do século passado.

Assim foi a moda feminina da década de 20, criada e traduzida por nomes como Jean Patou e Coco Chanel, a "estilista do século".

Percebe-se neste pequeno recorte do imenso tecido da história que a moda foi, antes de qualquer outra coisa, apenas um objeto refletor da realidade de uma época.

Na moda nada é por acaso. Muito além de luxo ou glamour, ela expressa sentimentos, interpretações coletivas dos fatos e da vida.

Fonte: www.pretinhobasico.com.br

Moda dos anos 20

Esta foi uma década de prosperidade e liberdade, animada pelo som das jazz-bands e pelo charme das mulheres modernas da época, que frequentavam os salões e que traduziam no seu comportamento e modo de vestir o espírito da chamada Era do jazz.

A mulher começava a ter liberdade e por isso já podia mostrar as pernas e usar maquilhagem. Os vestidos nos anos vinte eram leves e elegantes para facilitar os movimentos frenéticos do Charleston. Os cabelos eram curtos à “garçonne”. A mulher sensual era aquela que não tinha curvas e tinha seios pequenos, a atenção era mais voltada para os tornozelos.

Moda dos Anos 20

Contudo, a euforia dos “loucos anos vinte” acabou em Outubro de 1929, quando a bolsa de valores de New York registou a maior baixa da sua história. De um dia para o outro, os investidores perderam tudo, afectando toda a economia dos Estados Unidos e, consequentemente, o resto do mundo. Os anos seguintes ficaram conhecidos como a grande depressão, marcados por falências, desemprego e desespero.

Fonte: web.rcts.pt

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