
(1792 - 1868)
Compositor de mais de trinta óperas, Rossini foi um dos gigantes
de sua época.
Atingiu esta importância já na primeira metade de sua vida: embora tivesse vivido até os setenta e seis anos, Rossini deixou de compor óperas aos trinta e sete anos. Sua retirada da música marcou o fim de uma era.
Apesar da ligação com Donizetti e Bellini e outros mestres da era do bel canto, em seus gostos e sua fidelidade Rossini pertencia a uma época anterior à sua, talvez por ter estudado, quando criança, na escola de canto antiga.
Após ter escrito a grande ópera tipicamente francesa, Guillaume Tell (Guilherme Tell), em 1829, ele não poderia ter ido mais adiante no caminho que havia escolhido; em pouco anos, Rossini assistiu até mesmo a ópera Guillaume Tell ser posta de lado, como uma obra fora de moda.
A decisão de Rossini de abandonar
a composição de óperas pode também ser compreendida pelos seus sérios problemas
de saúde e pela fadiga extrema de uma juventude vivida em trabalho permanente.
Nascido em Pesaro, Itália, Rossini era o filho de pequenos
músicos.
Seu pai tocava trombeta e corneta, enquanto sua mãe, adorada por ele, cantava papéis secundários em companhias de ópera itinerantes.
Conhecido pela pureza de sua voz como membro de coro, Rossini foi para Bolonha estudar, tendo escrito sua primeira ópera aos dezoito anos.
Trabalhando sob encomenda para teatros em diversas cidades italianas, Rossini adaptava suas ópera aos cantores e às preferências específicas do público de cada local, fazendo alterações para adaptar as obras caso fossem mais tarde produzidas em outro lugar.
Seus primeiros trabalhos eram, predominantemente, comédias, pelas quais demonstrava uma aptidão especial, mas quando lhe pediram para fazer dramas sérios, ele atendeu à solicitação com satisfação.
Fonte: archive.operainfo.org

Gioachino Rossini, circa 1815 (por Vincenzo Camuccini).
Gioachino Antonio Rossini (Pésaro, 29 de fevereiro de 1792 Passy, Paris, 13 de novembro de 1868) foi um compositor erudito italiano, muito popular em seu tempo, que criou 39 óperas, assim como diversos trabalhos para música sacra e música de câmara. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão Il barbiere di Siviglia ("O Barbeiro de Sevilha"), La Cenerentola ("A Cinderela") e Guillaume Tell ("Guilherme Tell").
Rossini foi dos compositores que mais óperas escreveu e o primeiro e também conhecido como o pai do bel canto.
Rossini admirava muito Mozart e portanto, no estilo de Mozart, escreveu uma das aberturas mais belas de toda a história da ópera "O Barbeiro de Sevilha".
Há quem diga que apesar das óperas de Mozart serem mais bem orquestradas no seu todo, Rossini superou Mozart nas aberturas.
Rossini também é considerado um dos maiores orquestradores que já existiram. É ainda dito que ele seria um grande sinfonista, caso tivesse se aventurado por esse gênero.

Gioachino Rossini, circa 1820
Gioachino Antonio Rossini nasceu numa família de músicos
em Pesaro, cidade na costa do mar Adriático, na Itália. Seu pai, Giuseppe,
era um trompista e inspetor de matadouros, e sua mãe, Anna Guidarini, era
uma cantora, filha de um padeiro. Os pais de Rossini começaram
cedo sua educação musical, e aos seis anos de idade ele já tocava o triângulo
na banda de seu pai.
O pai de Rossini simpatizava com a Revolução Francesa, e
deu as boas-vindas às tropas de Napoleão quando elas invadiram o norte da
Itália. Isto tornou-se um problema quando os austríacos restauraram o antigo
regime, em 1796. O pai de Rossini foi preso, e sua mãe o
levou a Bolonha, onde ela passou a ganhar a vida como cantora nos diversos
teatros da região da Romanha, onde seu pai eventualmente pode juntar-se a
eles. Durante todo este tempo, Rossini freqüentemente foi
deixado sob os cuidados de sua avó, já idosa, que não podia controlar efetivamente
o garoto.
Após o retorno de seu pai, Rossini permaneceu em Bolonha,
sob os cuidados de um talhante de porcos, enquanto seu pai tocava a trompa
nas orquestras dos mesmos teatros em que Anna cantava. O garoto teve aulas
de cravo por três anos com Giuseppe Prinetti, de Novara; este seu professor,
que costumava tocar as escalas com apenas dois dedos. Paralelamente à sua
profissão musical tinha um emprego como vendedor de bebidas alcóolicas, e
uma propensão para adormecer de pé; tais qualidades tornaram-no objeto de
ridicularização por parte de seu pupilo

Gioachino Rossini, (Ransom Humanities Research Center, The University of Texas at Austin).
Aos quatorze anos (idade que ele tinha no ano de 1806), Rossini inscreve-se no liceu musical da cidade e apaixona-se pelas composições de Haydn e Mozart, mostrando grande admiração pelas óperas de Cimarosa. Estuda violoncelo com Cavedagni no Conservatório de Bolonha.
Em 1807 é admitido na classe de contraponto do padre Stanislao Mattei. Aprende a tocar violoncelo com facilidade, mas a pedante gravidade de Mattei nas suas opiniões sobre o contraponto só serviu para impulsionar o jovem compositor em direcção a uma escola de composição mais liberal.
Sua visão sobre recursos orquestrais não é geralmente atribuída às regras de composição estritas que ele aprendeu com Mattei, mas aos conhecimentos adquiridos independentemente ao seguir as sinfonias e quartetos de Haydn e Mozart. Em Bolonha, ele era conhecido como "il Tedeschino" ( "o alemãozinho") por conta de sua devoção a Mozart.
Através da amigável interposição do Marquês Cavalli, a sua primeira ópera,
La cambiale di matrimonio, foi produzida em Veneza quando ele era um jovem
de apenas 18 anos. No entanto, dois anos antes, já tinha recebido o prémio
no Conservatório de Bolonha para sua cantata Il pianto de Armonia sulla morte
de Orfeo.
Entre 1810 e 1813, em Bolonha, Roma, Veneza e Milão, Rossini seguiu produzindo
óperas de sucesso variável. A memória destas obras foi suplantada pelo enorme
sucesso de sua ópera Tancredi.
O libreto foi uma adaptação feita por Gaetano Rossi da tragédia Tancrède de
Voltaire. Vestígios de Ferdinando Paër e Giovanni Paisiello estão inegavelmente
presentes em alguns fragmentos da música. Contudo, qualquer sentimento crítico
por parte do público foi afogado pela apreciação de tais melodias como "Di
tanti palpiti
Mi rivedrai, ti rivedrò", que se tornou tão popular
que os italianos cantavam-na em multidões nos tribunais até que o juíz ordenasse
que parassem.
Rossini continuou a escrever óperas para Veneza e Milão durante
os anos seguintes, mas a sua recepção era fria e, em alguns casos, insatisfatória
após o sucesso de Tancredi. Em 1815 retira-se para a sua casa em Bolonha,
onde Domenico Barbaia, o empresário do teatro de Nápoles, concluiu um acordo
com ele para a tomar a direcção musical do Teatro San Carlo e do Teatro Del
Fondo em Nápoles, escrevendo para cada um deles uma ópera por ano. Seu vencimento
deveria ser 200 ducados por mês; a este valor juntar-se-ia uma parte dos lucros
das mesas de jogo instaladas no ridotto do teatro, que se elevava a cerca
de 1000 ducados por ano. Este era um acordo extremamente lucrativo para qualquer
músico profissional nessa altura.
Alguns compositores mais velhos, em Nápoles, nomeadamente Zingarelli e Paisiello,
estavam inclinados à intriga contra o sucesso do jovem compositor, mas toda
essa hostilidade foi fútil face ao entusiasmo com que foi recebida a execução
na corte de Elisabetta, regina d'Inghilterra, na qual Isabella Colbran, que
posteriormente se tornou a esposa do compositor, desempenhou um papel principal.
O libreto da ópera feito por Giovanni Schmidt, foi em muitos aspectos uma
antecipação do que seria apresentado ao mundo alguns anos mais tarde, em Kenilworth
de Sir Walter Scott.
Esta ópera foi a primeira em que Rossini escreveu os ornamentos das árias em vez de deixá-los a cargo dos cantores, e também a primeira em que o recitativo secco foi substituído por um recitativo acompanhado de um quarteto de cordas.
A sua mais famosa ópera foi apresentada em 20 de Fevereiro de 1816, no Teatro Argentina, em Roma. O libreto de Cesare Sterbini, uma versão da polémica peça de Beaumarchais, Le Barbier de Séville, era o mesmo que havia sido utilizado por Giovanni Paisiello no seu próprio Barbiere, uma ópera que tinha beneficiado de popularidade na Europa durante mais de um quarto de século. Mais tarde, Rossini afirmou ter escrito a ópera em apenas doze dias.
Foi um estrondoso fracasso quando fez a sua estreia como Almaviva; os admiradores de Paisiello ficaram extremamente indignados, sabotando a produção assobiando e gritando durante todo o primeiro ato. Contudo, pouco tempo depois da segunda apresentação, a ópera tornou-se tão bem sucedida que a fama da ópera de Paisiello foi transferida para a de Rossini, para quem o título O Barbeiro de Sevilha passou como um património inalienável.
Entre 1815 e 1823 Rossini produziu 20 óperas. Destas, Otello foi o clímax da sua reforma da ópera séria, e oferece um sugestivo contraste com o tratamento do mesmo assunto numa altura semelhante de desenvolvimento artístico pelo compositor Giuseppe Verdi.
No tempo de Rossini o desfecho trágico foi tão mal recebido
pelo público que tornou-se necessário inventar um final feliz para Otello.
As condições de produção em palco em 1817 são ilustradas pela aceitação por
Rossini do tema da Cinderela para um libreto apenas na condição
de que o elemento sobrenatural fosse omitido. A ópera La Cenerentola foi tão
bem sucedida como Il Barbiere. A ausência de uma precaução semelhante na construção
de sua Mosè in Egitto levou ao desastre na cena que retrata a passagem dos
israelitas através do Mar Vermelho, na qual os defeitos nos mecanismos de
palco sempre suscitavam uma gargalhada geral, de tal modo que, após algum
tempo, o compositor foi obrigado a introduzir o coro "Dal tuo stellato
Soglio" para desviar a atenção da partição das ondas.
Em 1822, quatro anos após a elaboração deste trabalho, Rossini
casou com a soprano Isabella Colbran. No mesmo ano, dirigiu a sua Cenerentola
em Viena, onde Zelmira também foi apresentado. Após isto, voltou a Bolonha;
contudo um convite do príncipe Metternich para ir a Verona e "auxiliar
no restabelecimento da harmonia" era muito tentador para ser recusado;
ele chegou ao Congresso em tempo útil para a sua abertura em 20 de Outubro
de 1822. Aqui fez amizade com Chateaubriand e Dorothea Lieven.
Em 1823, por sugestão do gerente do King's Theatre, em Londres, foi para Inglaterra,
sendo muito festejado na sua passagem por Paris. Em Inglaterra, foi agraciado
com um generoso acolhimento, que incluiu ser apresentado ao Rei Jorge IV e
a recepção de £7000 após uma permanência de cinco meses. Em 1824 tornou-se
diretor do Théâtre italien de Paris em Paris, com um salário de £800 por ano,
e quando o acordo chegou ao fim, foi recompensado com o gabinete de Compositor
Chefe do Rei e Inspetor-Geral da Canção em França, cargo a que foi anexado
o mesmo rendimento.
Com a idade de 32, Rossini entrou em semi-aposentadoria, com independência financeira.
A produção de seu Guilherme Tell em 1829 marca o final da sua carreira como
escritor de óperas. O libreto foi escrito por Étienne Jouy e Hippolyte Bis,
e posteriormente revisto por Armand Marrast. A música é notável pela sua liberdade
relativamente às convenções descobertas e utilizadas por Rossini
nas suas obras anteriores, e marca uma fase de transição na história da ópera.
Embora seja uma boa ópera, hoje em dia raramente é ouvida na íntegra, pois
a sua versão original tem uma duração superior a quatro horas.
Em 1829 Rossini voltou para Bolonha. Sua mãe tinha morrido
em 1827, e ele estava ansioso por estar com seu pai. Diligências com vista
ao seu regresso a Paris, com um novo acordo, foram afetadas pela abdicação
de Carlos X e pela Revolução de Julho de 1830.
Rossini, que considerava o tema de Fausto para uma nova
ópera, regressou a Paris em Novembro daquele ano.
Seis movimentos do seu Stabat Mater foram escritos em 1832 e os restantes
em 1839, o ano da morte de seu pai. O sucesso desta obra é comparável com
os seus sucessos em óperas; mas seu comparativo silêncio durante o período
de 1832 até sua morte em 1868 faz sua biografia parecer quase a narrativa
de duas vidas - uma vida de rápido triunfo, e a longa vida de reclusão, da
qual os biógrafos nos dão imagens na forma de histórias da sagacidade cínica
do compositor, as suas especulações na cultura de peixes, a sua máscara de
humildade e indiferença.
Sua primeira esposa morreu em 1845, e em 16 de Agosto de 1846, ele casou com Olympe Pélissier, que havia posado para Vernet no seu quadro de Judite e Holofernes.
Distúrbios políticos levaram Rossini a abandonar Bolonha, em 1848. Depois de viver durante um tempo em Florença, instalou-se em Paris em 1855, onde sua casa era um centro da sociedade artística. Ele morreu em sua casa de campo em Passy numa sexta-feira, 13 de Novembro de 1868 e foi sepultado no cemitério Père Lachaise, em Paris, França. Em 1887, os seus restos mortais foram transferidos para a Basílica da Santa Cruz, em Florença, onde agora repousam.
Segundo parece, Wagner não tinha lá uma opinião muito lisonjeira de Rossini: "Foi um fabricante extraordinariamente hábil de flores artificiais, que fazia de veludo e de seda e que pintava com cores enganadoras." Mas o crítico brasileiro Moreira de Sá acrescenta: "Essas flores são as melodias acariciadoras e sensuais que constituem a principal substância das óperas de Rossini, e para as quais a letra é mero pretexto".
Para fazer idéia da indiferença pela verdade dramática basta isto: a cavatina de tenor Ecco ridente in cielo no primeiro ato do Barbeiro de Sevilha tinha sido primeiramente escrita para Ciro in Babilonia, e transferida depois para Aureliano in Palmira, na saudação à deusa Ísis, Sposa del grande Osiride; de sorte que a mesma música foi julgada própria para ser cantada por um rei persa na antiga capital de Nabucodonosor, por um imperador romano numa cidade da Síria, e por um conde enamorado da Andaluzia.
Igualmente curiosa é a história da abertura dessa mesma ópera; serviu para Aureliano in Palmira e depois para Elisabetta, Regina d'Inghilterra. Parece que a mesma música era própria para exprimir o conflito do amor e do orgulho de uma das mais altivas damas de que reza a história e as manhas do esperto Fígaro, ou os sentimentos da graciosa Rosina e do sentimental Almaviva.
Outros exemplos de "reciclagem" rossiniana: a abertura de La Cenerentola havia sido composta inicialmente para uma outra ópera, La Gazzetta. Maometto II teve seu material musical totalmente reciclado e foi transformada noutra ópera, L'Assedio di Corinto.
Estas e outras incoerências eram uma das pechas da ópera italiana. O predomínio absoluto da melodia não só deleitava o público, mas também fazia brilhar exímios vocalizadores que, naquela época de predileta coloratura, gostavam de encher de ornatos as árias, cavatinas, cabaletas e rondós.
Rossini tentou coibir esses abusos, escrevendo ele próprio floreios mais artísticos e harmoniosos com o estilo da melodia. Conta-se que em certa ocasião Adelina Patti cantou para Rossini Una voce poco fa (de O Barbeiro de Sevilha) tão sobrecarregada de ornamentos que a reação do maestro foi: "Bela ária. Quem é o autor?"
Mas, apesar de tudo, a reputação de Rossini como autor de óperas cômicas permanece indestrutível. Suas óperas ainda hoje são uma das principais colunas de sustentação do repertório de teatros de ópera do mundo inteiro. Além de O Barbeiro de Sevilha, A Italiana na Algéria, O Turco na Itália e La Cenerentola (adapatação operística feita por Rossini da imortal história da Cinderela) estão entre as mais populares.
As qualidades que são geralmente reconhecidas nele são: espontaneidade, versatilidade, brio, animação, clareza de plano, idéias melódicas elegantes, quentes e abundantes.
La Cambiale di Matrimonio(Veneza,1810)
L'Equivoco Stravagante(Bolonha,1811)
Il Cambio della Valigia,ovvero L'Occasione Fa il Ladro (Veneza,1812)
Demetrio e Polibio(Roma,1812)
L'Inganno Felice(Veneza,1812)
La Pietra del Paragone(Milão,1812)
La Scala di Seta(Veneza,1812)
Ciro in Babilonia,o sia La Caduta di Baldassare(Ferrara,1812)
Aureliano in Palmira(Milão,1813)
L'Italiana in Algeri(Veneza,1813)
Tancredi (Veneza,1813)
Il Signor Bruschino, ossia Il Figlio per Azzardo(Veneza,1813)
Il Turco in Italia(Milão,1814)
Elisabetta,Regina d'Inghilterra(Nápoles,1815)
Sigismondo(Veneza,1815)
Torvaldo e Dorliska(Roma,1815)
Il Barbiere di Siviglia(Roma,1816)
La Gazzetta(Nápoles,1816)
Otello(Nápoles,1816)
La Cenerentola(Roma,1817)
La Gazza Ladra(Milão,1817)
Armida(Nápoles,1817)
Adelaide di Borgogna ovvero Ottone, Rè d'Italia(Roma,1818)
Adina,o il Califfo di Bagdad(Lisboa,1818)
Mosè in Egitto(Nápoles,1818)
Ricciardo e Zoraide(Nápoles,1818)
Bianca e Faliero(Milão,1819)
I Due Bruschini(Veneza,1819)
La Donna del Lago(Nápoles,1819)
Ermione(Nápoles,1819)
Edoardo e Cristina(Veneza,1819)
Maometto II(Nápoles,1820)
Matilde di Shabran(Roma,1821)
Zelmira(Nápoles,1821)
Semiramide(Veneza,1823)
L'Assedio di Corinto(Paris,1826)
Guglielmo Tell(Paris,1829)
Fonte: pt.wikipedia.org