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Nelson Rodrigues

Nelson Rodrigues foi o mais revolucionário personagem do teatro brasileiro, abrindo as portas à moderna dramaturgia do país. Percorreu, contudo, um árduo itinerário, marcado pelas tragédias familiares e pela crítica contraditória. Desde seu primeiro texto, A Mulher Sem Pecado (1942), foi considerado ao mesmo tempo um imoral e um moralista, reacionário e pornográfico, um gênio e um charlatão, escandalizando, como nunca, o público e a imprensa especializada da época com seu teatro desagradável. Explorando a vida cotidiana do subúrbio do Rio de Janeiro, preencheu os palcos com incestos, crimes, suicídios, personagens beirando a loucura, inflamadas de desejos e agindo apaixonadamente, até matando, e diálogos rápidos, diretos, quase telegráficos, carregados de tragédia e humor.

Quando lançou Vestido de Noiva (1943), montado pelo grupo Os Comediantes, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, renovou o teatro do país, quer pelo texto quer pela direção de Ziembinsky, e obteve sucesso. Nos anos seguintes, no entanto, teve suas peças interditadas pela censura, passou a ser sinônimo de obsceno e tarado e ficou conhecido como autor maldito. Nascido à beira-mar no Recife, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, para o pai tentar a vida como jornalista, em 1916.

Foi o filho, no entanto, que brilhou na profissão. Aos 13 anos já era repórter policial do jornal A Crítica. Seu talento estendeu-se a todos os grandes jornais do Rio. Fanático torcedor do Fluminense, foi um grande cronista esportivo, ao mesmo tempo que escrevia reportagens policiais e folhetins romanescos. Obsessivo, escreveu 17 peças, centenas de contos e nove romances. Entre as peças, destacam-se A Falecida (1953), Os Sete Gatinhos (1958), Boca de Ouro (1959), Beijo no Asfalto (1960) e Toda Nudez Será Castigada (1965).

Fonte: www.netsaber.com.br

Nelson Rodrigues

Nelson Falcão Rodrigues nasceu no dia 23 de agosto de 1912, em Recife (PE), filho de Mário Rodrigues e Maria Esther Falcão.

Ainda menino, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro. Com 13 anos de idade, já trabalhava nos jornais A Manhã e Crítica, ambos de propriedade de seu pai. Em 1932, começou a trabalhar em O Globo. Acometido tuberculose, em abril de 1934 foi internado num sanatório de Campos do Jordão (SP), só recebendo alta 14 meses depois. Retomou sua carreira jornalistica em 1936, passando a colaborar regularmente com a imprensa carioca, vindo a escrever crônicas, contos, correio sentimental, folhetins, comentários esportivos e artigos opinativos.

Sua primeira peça, A mulher sem pecado, foi escrita em 1941. Dois anos mais tarde escreveu Vestido de noiva, encenada pelo diretor polonês Zbigniew Ziembinski. Considerada um marco do moderno teatro brasileiro, a peça foi aclamda pelo público e pela crítica. Apesar das polêmicas sobre obras posteriores e problemas enfrentados com a censura, o valor dramático de Nelson foi em pouco tempo reconhecido por grande parte dos diretores, atores e críticos da época.

Devido ao sucesso da peça, foi convidado a trabalhar no Diários Associados, rede jornalistica de Assis Chateubriand. Deixou então o Globo Juvenil e tornou-se redator e cronista de O Jornal. Assumindo o pseudônimo de Suzana Flag, passou a assinar a coluna "Meu destino é pecar", folhetim que triplicou a tiragem do jornal. Como Suzana, Nelson publicou sete livros resultantes da coluna. Durante dez anos, de 1951 a 1961, manteve uma coluna diária no jornal Última Hora entitulada "A vida como ela é...", na qual temas como o adultério, a traição, o incesto e a morte eram freqüentemente abordados.

Na televisão, Nelson participou de mesas-redondas de futebol, fez "A cabra vadia", no qual entrevistava pessoas de destaque, com a presença, no estúdio, de uma cabra viva, e foi ainda pioneiro na teledramaturgia brasileira, ao escrever, em 1963, para a TV Rio, a novela "A morta sem espelho". Acompanhou a adaptação de sua obra para o cinema e chegou a colaborar com o roteiro de A dama do lotação, de Neville D`Almeida, Bonitinha, mas ordinária e Álbum de família, de Braz Chediak.

Em 1972, sofreu um rude golpe, quando seu filho Nelson Rodrigues Filho, militante de uma organização clandestina de esquerda, foi preso e torturado, permanecendo detido ate 1979. O Brasil vivia então sob o governo mais repressivo da ditadura instalada no pais em 1964, o do general Emilio Garrastazu Medici. Nelson Rodrigues, que apoiara a implantação do regime militar, intercedeu diversas vezes junto as autoridades para manter o filho com vida.

Nelson Rodrigues faleceu no dia 21 de dezembro de 1980, no Rio de Janeiro. Foi enterrado com a bandeira do Fluminense, do qual era torcedor fanático.

Foi casado com Elza Bretanha, com teve dois filhos. De uma outra relação, teve mais três filhos. Separado, passou a viver com Lúcia Cruz Lima, com que teve uma filha. Viveu maritalmente também com Helena Maria. Separou-se dela em 1977, voltando então a viver com sua primeira esposa.

Fonte: www.cpdoc.fgv.br

Nelson Rodrigues

Cronista, dramaturgo e romancista, Nelson Falcão Rodrigues nasceu no Recife, a 23 de agosto de 1912. Filho do jornalista Mário Rodrigues, aos 13 anos de idade começa a trabalhar em jornal. Em 1929, vai morar no Rio de Janeiro, onde viveria até sua morte, a 21 de dezembro de 1980.

Era considerado o mais importante autor do teatro brasileiro contemporâneo - sua peça "vestido de Noiva" (1943) é tida como um marco do teatro nacional.

Escreveu a primeira peça ("Mulher sem Pecado") em 1941. O primeiro romance ("Meu Destino é Pecar") foi publicado em 1944. A reunião dos seus contos, sob o título "A Vida Como Ela É", foi publicada em 1961, em dois volumes.

Jornalista polêmico, amado ou odiado, defendia publicamente a ditadura militar instalada no Brasil em 1964 (que, aliás, prendeu e torturou um dos seus filhos) e se rotulava "o único reacionário assumido do País".

Duas das personalidades que mais atacava em suas crônicas, durante o regime militar, eram o arcebispo de Olinda e Recife, Dom Hélder Câmara, e o pensador católico progressista Alceu Amoroso Lima. Escreveu frases que ficaram famosas, como, por exemplo: "a seleção brasileira de futebol é a Pátria de chuteiras", "a pior solidão é a companhia de um paulista", entre outras.

A crítica divide o seu teatro em três fases: peças psicológicas, peças mitológicas e tragédias cariocas. Sua vida pessoal foi marcada por uma série de tragédias que ele transformou em contos, peças de teatro e romances.

O primeiro episódio aconteceu em 1915, quando o seu pai teve que abandonar o Recife, fugindo de ameaças por conta dos artigos que escrevia. Em seguida, Nelson Rodrigues perdeu o irmão Roberto, assassinado aos 21 anos de idade, na redação do jornal A crítica que o pai fundara no Rio de Janeiro.

O motivo do crime foi uma notícia sobre adultério e a assassina foi a adúltera que, na verdade, pretendia matar o dono do jornal. Mário Rodrigues, o pai, ficou deprimido e morreria dois meses depois.

Tuberculoso, Nelson Rodrigues internou-se várias vezes, uma delas juntamente com o irmão mais novo, Jofre, que não resistiu e morreu aos 21 anos.

Por conta de uma hemorragia intra-ocular, ficou parcialmente cego. A próxima tragédia seria a morte do irmão Paulinho, soterrado junto com esposa e filhos quando o apartamento onde moravam desabou. O filho Nelsinho ficou sete anos na prisão, durante a ditadura militar. E a filha de Nelson Rodrigues, Daniela, nasceu cega, surda e muda.

Sua obra completa é composta por 17 peças de teatro, 09 romances e centenas de contos e crônicas.

Principais obras

Teatro

"Mulher sem Pecado" (1941); "Vestido de Noiva" 91943); "Álbum de Família" (1945); "Anjo Negro" (1946); "Dorotéia" (1947); "Valsa Número Seis" (1951); "A Falecida" (1953); "Senhora dos Afogados" (1954); "Perdoa-me por me Traíres" (1957); "Os Sete Gatinhos" (1958); "Boca de Ouro" (1959); "Beijo no Asfalto" (1960); "Bonitinhas mas Ordinárias" (1961); "Toda Nudez Será Castigada"(1965); "O Anti-Nélson Rodrigues" (1974); "A Serpente" (1979). romance: "Meu Destino é Pecar" (1944); "Escravas do Amor" (1945, sob o pseudônimo de Suzana Flag); "Minha Vida" (1946, idem); "Núpcias de Fogo" (1947); "A Mulher que Amou Demais" (1949, sob o pseudônimo de Mirna); "O Homem Proibido" (1951); "A Mentira" (1953); "Asfalto Selvagem: "Engraçadinha dos 12 aos 18" e "Engraçadinha depois dos 30" (1960/61); "Elas Gostam de Apanhar" (1964); "O Casamento" (1966); contos: "A Vida como Ela É" (2 volumes, 1961);

crônicas:
"Memórias de Nélson Rodrigues" (1967); "O Óbvio Ululante" (1968); "A Cabra Vadia" (1970); "O Reacionário" (1977).

Frases famosas

Adultério - "O adultério não depende da mulher, e sim, do marido, da vocação do marido. O sujeito já nasce marido enganado."

Amor - "Todo amor é eterno e, se acaba, não era amor."

Beleza - "São incompatíveis a beleza e a felicidade. E se a mulher bonita é feliz, estamos certos de um equívoco visual: não é bonita."

Burle Marx - "Os jardins de Burle Marx não têm flores. Têm grama e não flores. Mas, para que grama, se não somos cabras?"

Casamento - "Só o cinismo redime o casamento. É preciso muito cinismo para que um casal chegue às bodas de prata."

Críticos - "Ou o sujeito é crítico ou é inteligente."

Idade - "Aos 18 anos, o homem não sabe nem como se diz bom-dia a uma mulher. O homem devia nascer com trinta anos."

Marx - "Se me perguntassem quais seriam as minhas últimas palavras, eu diria: Que besta quadrada, o Carlos Marx!"

Ódio - "Ninguém trai o seu ódio, e repito: o homem é mais fiel ao seu ódio do que ao seu amor."

Psicanálise - "Para a mulher, a psicanálise é como se fosse um toque ginecológico, sem luva."

Sorte - "Sem sorte, não se chupa nem um chica-bom. Você pode engasgar com o palito ou ser atropelado pela carrocinha".

Fonte: www.pe-az.com.br

Nelson por Nelson

“Nasci a 23 de agosto de 1912, no Recife, Pernambuco. Vejam vocês: eu nascia na rua Dr. João Ramos (Capunga) e, ao mesmo tempo, Mata-Hari ateava paixões e suicídios nas esquinas e botecos de Paris. Era a espiã de um seio só e não sabia que ia ser fuzilada. Que fazia ela, e que fazia o marechal Joffre, então apenas general, enquanto eu nascia? A belle époque já trazia no ventre a primeira batalha do Marne. Mas por que “espiã de um seio só?” Não ponho minha mão no fogo por uma mutilação que talvez seja uma doce, uma compassiva fantasia. Seja como for, o seio solitário é, a um só tempo, absurdamente triste e altamente promocional.

Mas a belle époque não é a defunta que, de momento, me interessa. Tenho mortos e vivos mais urgentes. Por outro lado, minhas lembranças não terão nenhuma ordem cronológica. Hoje posso falar do kaiser, amanhã do Otto Lara Resende, depois de amanhã do czar, domingo do Roberto Campos. E por que não do Schmidt? Como não falar de Augusto Frederico Schmidt? Seu nome ainda tem a atualidade, a tensão, a magia da presença física. Todavia, deixemos o Schmidt para depois. O que eu quero dizer é que estas são memórias do passado, do presente, do futuro e de várias alucinações”. (p.11)

“Toda a minha primeira infância tem gosto de caju e de pitanga. Caju de praia e pitanga brava. Hoje, tenho 54 anos bem sofridos e bem suados (confesso minha idade com um cordial descaro, porque, ao contrário do Tristão de Athayde, não odeio a velhice). Mas como ia dizendo: - ainda hoje, quando provo uma pitanga ou um caju contemporâneo, sou raptado por um desses movimentos proustianos, por um desses processos regressivos e fatais”. (p.15)

“1913. O que a memória consciente preservou de Olinda foi um mínimo de vida e de gente. Eu me lembro de pouquíssimas pessoas. Por exemplo: - vejo uma imagem feminina. Mas é mais um chapéu do que uma mulher. Em 1913, mesmo meu pai e minha mãe pareciam não ter nada a ver com a vida real. Vagavam, diáfanos, por entre as mesas e cadeiras. Depois, eu os vejo parados, com uma pose meio espectral de retrato antigo. Mas nem meu pai, nem minha mãe falavam. Eu não os ouvia. O que me espanta é que essa primeira infância não tem palavras. Não me lembro de uma única voz. Não guardei um bom-dia, um gemido, um grito. Não há um canto de galo no meu primeiro e segundo ano de vida. O próprio mar era silêncio”. p.15-6)

“Já falei da louca, filha da lavadeira. Foi a primeira mulher nua que vi na minha infância. E, ainda agora, ao bater estas notas, tenho a cena diante de mim. Eu me vejo, pequenino e cabeçudo como um anão de Velásquez. Empurro a porta e olho. O espantoso é que sinto uma relação direta e atual entre mim e o fato, como se a memória não fosse a intermediária. A demente tem a tensão e o cheiro da presença viva. Mas como ia dizendo: - no fundo, encostada à parede, está a nudez acuada”. (p.39)

“No primeiro momento, a glória é casta. Desde garotinho, a minha vida fora a desesperada busca da mulher primeira, única e última. No período da fome, o amor passara a um plano secundário ou nulo. Mas a glória é ainda mais obsessiva, mais devoradora do que a fome. Eis o que eu queria dizer: _ com o artigo de Manuel Bandeira, só eu existia para mim mesmo. Tudo o mais era paisagem.” (...)

“Sim, ainda me lembro do primeiro dia do artigo de Manuel Bandeira. Depois do trabalho, fui para casa. Tranquei-me no quarto como se fosse praticar um ato solitário e obsceno. Comecei a reler o poeta. Primeiro, repassei todo o artigo, da primeira à última linha. Depois, reli certos trechos. O final dizia assim: - “Vestido de noiva, em outro país, consagraria um autor. No Brasil, consagrará o público”. Antes de mais nada, o poeta influiu na minha auto-estima”. (p.162)

“Uma meia dúzia aceitou Álbum de família. A maioria gritou. Uns acharam “incesto demais”, como se pudesse haver “incesto de menos”. De mais a mais, era uma tragédia “sem linguagem nobre”. Em suma: - a quase unanimidade achou a peça de uma obsessiva, monótona obscenidade. Augusto Frederico Schmidt falou na minha “insistência na torpeza”. O dr. Alceu deu toda razão à polícia, que interditaria a peça; meu texto parecia-lhe da “pior subliteratura.

Assim comecei a destruir os meus admiradores. Foi uma carnificina literária. Mas não me degradei, eis a verdade, não me degradei”. (p.215)

“O número de ex-admiradores aumentava. E, pouco a pouco, ia fundando a minha solidão. Fora proibida a representação de Álbum de família. Em seguida, houve a interdição de Anjo negro. De peça para peça, me tornava, e cada vez mais, um caso de polícia. Escândalo nos jornais. E, um dia, encontro-me com Carlos Lacerda. Pediu o meu novo texto: - “Você me dá, que eu escrevo contra a censura”. Ótimo. No dia seguinte, fui levar-lhe uma cópia.” (...)

“Desde aquela época, cada um, na vida literária, tinha que ser um engajado. Ninguém ia à rua sem a sua pose ideológica. Lembro-me de Isaac Paschoal me perguntando, depois de um discurso de Prestes: - “E você? Qual é a sua contribuição?”. Baixei a vista, rubro de vergonha. E, como ainda não contribuíra, senti-me um fracassado nato e hereditário. Daí porque não posso ver, hoje em dia, o Guimarães Rosa, sem uma sensação de deslumbramento. Durante anos, pratiquei a solidão com certo pânico e certa vergonha. E eis que vem o autor de Sagarana e ergue a sua torre de marfim, assim como um cigano põe a sua barraca. Nada existe: - só a sua obra. Estão brigando no Vietnã? Pois o nosso Rosa escreve. Há a guerra nuclear, o fim do mundo? Guimarães Rosa funda outro idioma. A torre de marfim fez dele o maior artista brasileiro do século”. (p.218)

(Excertos de A menina sem estrela - Memórias, de Nelson Rodrigues; São Paulo: Companhia das Letras, 1999, Coleção das Obras de Nelson Rodrigues, sob a coordenação de Ruy Castro).

Bibliografia de Nelson Rodrigues

Romances

Com o pseudônimo de Suzana Flagg: Meu destino é pecar (O Jornal 1944 e Edições O Cruzeiro 1944). Escravas do Amor ( O Jornal 1944 e Edições O Cruzeiro 1946). Minha vida ( O Jornal 1946 e Edições O Cruzeiro 1946). Núpcias de fogo (O Jornal 1948). A mulher que amou demais (Diário da Noite, 1949, inédito em livro), como Myrna. O homem proibido (Última Hora, 1951, e Editora Nova Fronteira, Rio, 1981) e A mentira (Flan, 1953, inédito em livro), ambos novamente como Suzana Flag. Como Nelson Rodrigues: Asfalto Selvagem (Última Hora, 1959-60, J.Ozon Editor, Rio, 1960, e Companhia das Letras -Coleção das Obras de Nelson Rodrigues, coordenada por Ruy Castro, v. 7,1994); O casamento (Ed. Guanabara, Rio, 1966, e Companhia das Letras, v. 1, 1992).

Contos

Cem contos escolhidos - A vida como ela é... (J. Ozon Editor, Rio, 1961, 2v.) Elas gostam de apanhar (Bloch Editores, Rio, 1974); A vida como ela é - O homem fiel e outros contos (Companhia das Letras, S. Paulo, Coleção das Obras de Nelson Rodrigues, Coordenação de Ruy Castro, v.2, 1992); A dama do lotação e outros contos e crônicas (Ediouro, 1996); A coroa de orquídeas e outros contos de A vida como ela é (Companhia das Letras, Coleção das Obras de Nelson Rodrigues, v.5)

Crônicas

Memórias de Nelson Rodrigues (Correio da Manhã, Ed. Correio da Manhã, Rio, 1967); O óbvio ululante: primeiras confissões (O Globo, Editora Eldorado, 1968, Ed. Record e Companhia das Letras, Coleção das Obras de Nelson Rodrigues, v.3); O Reacionário: memórias e confissões (Editora Record, 1977, e Companhia das Letras, Coleção das Obras de Nelson Rodrigues, v.10)
À sombra das chuteiras imortais: crônicas de futebol (Companhia das Letras, Coleção das Obras de N. Rodrigues, v.4); A menina sem estrela: memórias (Companhia das Letras, 1993, Coleção das Obras de N. Rodrigues, v.6);
A pátria em chuteiras: novas crônicas de futebol (Companhia das Letras, Coleção..., v.8); A cabra vadia: novas confissões (O Globo, Editora Eldorado, 1970, e Companhia das Letras, Coleção..., v.9); O remador de Ben-Hur: confissões culturais (Companhia das Letras, Coleção..., v.11).

Teatro

A mulher sem pecado, 1941; Vestido de noiva, 1943; Álbum de família, 1946
Senhora dos Afogados, 1947; Anjo Negro, 1947; Dorotéia,1949; Valsa nº 6, 1951; A falecida, 1953; Perdoa-me por me traíres, 1957; Viúva, porém honesta, 1957; Os sete gatinhos, 1958; Boca de Ouro, 1959; O beijo no asfalto, 1960; Otto Lara Resende ou Bonitinha, mas ordinária, 1962; Toda nudez será castigada, 1965; Anti-Nelson Rodrigues, 1974; A serpente, 1978.

(Todas as peças se encontram reunidas nas publicações Nelson Rodrigues - Teatro Completo, organizado e prefaciado por Sábato Magaldi, constando de Fortuna Crítica da Editora Nova Fronteira, Rio, 1981-89, em 4 vols., e da Editora Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1994,volume único).

Novelas

A morta sem espelho,1963 (TV Rio); Sonho de Amor, 1964 (TV Rio); O desconhecido, 1964 (TV Rio).

Outras

Flor de obsessão: as 1000 melhores frases de Nelson Rodrigues, selecionadas por Ruy Castro (Companhia das Letras, Coleção das Obras de Nelson Rodrigues, v.12).

Fontes: www.revista.agulha.nom.br

Nelson Rodrigues

A vida foi cruel com Nelson Rodrigues. Aos 17 anos, perdeu o irmão Roberto, assassinado aos 21 anos. Dois meses depois da tragédia, morreu o pai, Mário Rodrigues. Por causa da tuberculose, Nelson internou-se diversas vezes. Uma úlcera lhe causava dores terríveis e uma hemorragia intra-ocular o deixou parcialmente cego. Joffre, o irmão mais novo, morreu vítima da tuberculose, aos 21 anos. Perdeu o irmão Paulinho num desabamento. O filho Nelsinho ficou preso durante sete anos durante o regime militar. A filha Daniela nasceu cega, surda e muda.

Tarado

Todas as tragédias da vida ele transformou em peças de teatro, contos, crônicas e romances. Machista, tarado, reacionário. Chamem-no do que quer que seja, ele sempre será o pai da moderna dramaturgia brasileira. Abriu caminho para o uso coloquial da língua e inovações na temática dos textos teatrais. Colocou no palco, pela primeira vez, a vida cotidiana do subúrbio carioca. A obra é vasta: escreveu 17 peças, centenas de contos e nove romances. Além disso, fanático torcedor do Fluminense, foi um dos maiores cronistas esportivos de todos os tempos.

Quando Nelson Rodrigues tinha três anos, a mãe, dona Maria Esther, recebeu em casa uma vizinha enfurecida: "Este seu filho Nelson é um tarado! Peguei-o tentando beijar minha filhinha!" Nelson não sabia, mas ainda seria chamado de tarado centenas de vezes. Como jornalista, trabalhou em todos os grandes jornais do Rio. Impressionava pela capacidade de criar histórias fantásticas sobre os fatos mais corriqueiros. Simples atropelamentos viravam assassinatos passionais e coisas do gênero. Começou cedo. Aos 13 anos e meio já era repórter policial do jornal A Crítica, que o pai fundou no Rio logo que chegou do Recife, em 1915, onde Nelson nasceu, em 23 de agosto de 1912.

Rebeldia

Na Aldeia Campista, subúrbio carioca, o garoto não levava uma vida como a dos outros de sua idade. Passava horas observando a movimentação dos vizinhos para saber quem eram os adúlteros. O dinheiro que ganhava na redação ele gastava nos prostíbulos da região do Mangue. Embora fosse notavelmente inteligente, foi expulso do colégio na segunda série do ginásio. A alegação dos diretores: rebeldia. Nelson não passava uma aula sequer sem questionar os professores e dava opinião sobre tudo o que ensinavam. Ele seria assim até o fim da vida. Inquieto, questionador, irreverente.

Anjo pornográfico

Escrevia como um louco. Chegava sempre atrasado na redação, mas bastava sentar à máquina de escrever para em poucos minutos produzir os folhetins que ruborizavam as donas de casa das décadas de 40 e 50. A revolucionária peça Vestido de noiva, de 1943, ele fez em seis dias. Depois do sucesso da montagem de Ziembinski, mentia que levara meses trabalhando em cima do texto. Talvez porque, se dissesse a verdade, ninguém acreditaria.

Para alguns, um conservador asqueroso que o Brasil deveria colocar no paredão de fuzilamento; para outros, simplesmente um gênio. Além das obras escandalosas, o escritor ainda dava declarações do tipo "mulher tem que ser burra", "adoro visitar cemitérios" e "nem toda a mulher gosta de apanhar, só as normais". É verdade que jamais bateria em alguém. Porém, logo que casou com Elza - escondido dos pais dela, que também o consideravam um depravado -, em 1940, pediu que ela deixasse de ser secretária para ficar cuidando da casa. Embora tivesse várias amantes, foi um marido dedicado, até a separação, 22 anos depois. Só não trocava nenhum Fla-Flu no Maracanã pelos programas familiares de domingo.

Nelson morreu em 21 de dezembro de 1980, aos 68 anos, depois de sobreviver a sete paradas cardíacas. Sucumbiu a uma trombose e à insuficiência respiratória e circulatória. "Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura, é realmente, minha ótica ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico."

VOCÊ SABIA?

Era parcialmente cego e tinha dificuldade para ver da tribuna do Maracanã o que acontecia dentro de campo. Era tricolor roxo, mas às vezes torcia por engano para o Flamengo. Se perguntavam sua opinião sobre o jogo, pedia ajuda ao amigo Armando Nogueira: "E aí, Armando, o que nós achamos do jogo?"

EM CENA *

(*) peças de teatro

Fontes: www.terra.com.br

NELSON RODRIGUES

Eu devia ter uns 7 anos. A professora sempre mandava a gente fazer composição sobre estampa de vaca, estampa de pintinho. Uma vez ela disse: ' Hoje cada um vai fazer uma história da própria cabeça ' . Foi nesse momento que eu comecei a ser Nelson Rodrigues. Porque escrevi uma história tremenda, de adultério." (Entrevista concedida à Revista Playboy em novembro de 1979).

Dramaturgo, romancista e jornalista pernambucano, Nelson Falcão Rodrigues (1912-1980) nasceu em 23 de agosto de 1912 e foi o mais importante autor do teatro brasileiro contemporâneo. Ainda criança, mudou-se do Recife para o Rio de Janeiro. Aos sete anos começou a desenvolver sua veia literária na Escola Prudente de Moraes, na Tijuca, Zona Norte do Rio, quando a professora da turma criou um prêmio para a melhor redação. Dois alunos dividiram o primeiro lugar. Um deles redigiu uma história inspirado nas mil e uma noites, baseada na aventura de um rajá e seu elefante. O outro pequeno, um magrinho vindo de Recife, descreveu a desgraça de um marido traído que esfaqueou a mulher ao flagrá-la com o amante em sua própria cama. Como o autor relata, foi a partir deste momento que "nasceu" Nelson Rodrigues.

Aos 13 anos começou a trabalhar nos jornais A Manhã e Crítica, de propriedade de seu pai, Mário Rodrigues. A vida pessoal foi marcada pela polêmica e pela tragédia, o que muito influenciou o "estilo Nelson" de escrever. Seu irmão Roberto, um talentoso desenhista, foi assassinado com um tiro dentro da redação do jornal Crítica por engano, por uma mulher que desejava matar seu pai, Mário Rodrigues. Anos depois, em uma de suas crônicas, Nelson redigiu: "Confesso: o meu teatro não seria como é, e nem eu seria como sou, se eu não tivesse sofrido na carne e na alma, se não tivesse chorado até a última lágrima de paixão o assassinato de Roberto".

O problema da tuberculose, a morte do pai, uma irmã morta aos oito meses, o irmão Paulo que morreu num desabamento, as amantes, a miséria, um filho preso e torturado pelo regime militar - cujas diretrizes ele defendia - fizeram com que o dramaturgo adotasse um processo de criação cujas linhas enfatizam um ambiente mórbido, pessimista e descrente da vida.

Já casado, em 1940, ao saber da gravidez da mulher, Elza Bretanha, Nelson resolveu escrever uma comédia a fim de ganhar dinheiro e combater as dificuldades do começo de sua carreira. Em 1941 redigiu a primeira peça, A Mulher sem Pecado, cujo contexto apresentava uma vinculação entre teatro e crônica jornalística. Logo no início da obra, as marcas de sua infância e adolescência, aliadas ao seu inovador estilo, fizeram com que a história se transformasse num terrível drama. A peça estreou no ano seguinte.

Em 1943, Nelson revolucionava a dramaturgia brasileira com Vestido de Noiva. A obra foi montada pelo consagrado diretor polonês Zbigniew Ziembinski. A partir de então, foi considerado pela crítica como o fundador do moderno teatro brasileiro. O crítico Sábato Magaldi classificou a obra do pernambucano em peças psicológicas (nas quais se incluem A mulher sem pecado e Vestido de Noiva), mitológicas (entre elas, Anjo Negro, Álbum de Família, ambas de 1946) e tragédias cariocas (entre elas, A Falecida, de 1954 e O Beijo no Asfalto, de 1961).

No Brasil, a obra O Vestido de Noiva foi a pioneira na liberdade de expressão no país. O dramaturgo Nelson Rodrigues tornou-se o principal nome ligado ao movimento expressionista, cujas características marcam a primeira fase de sua produção.

Depois do sucesso de Vestido de Noiva - que já era discutida em todo o mundo - Nelson foi convidado a trocar o Globo Juvenil pelos Diários Associados, do então poderoso Assis Chateuabriand. O dramaturgo não titubeou ao receber a proposta, cuja quantia era sete vezes mais o que ganhava. Nelson conversou com Roberto Marinho e o proprietário do Globo aceitou sua saída.

Trabalhando em "O Jornal", carro-chefe dos Diários, Nelson foi muito mais que redator ou cronista. Ele se tornou Suzana Flag, o pseudônimo adquirido quando começou a escrever folhetins para O Jornal. Por que o pseudônimo? Primeiro, o dramaturgo não queria assinar o folhetim, e segundo porque os diretores do jornal queriam um nome estrangeiro, para atrair a atenção dos leitores. A coluna diária "Meu destino é pecar" não fugia dos traços rodrigueanos, mas ninguém - além do meio jornalístico - sabia que Suzana Flag era Nelson.

A tiragem de O Jornal triplicou, a coluna era amplamente discutida, Suzana Flag tornou-se um mito e, com o tempo, todos os jornais dos Diários já publicavam as histórias. O sucesso foi tamanho a ponto de um leitor, presidiário apaixonado, escrever uma carta a Suzana Flag, querendo conhecê-la. Nelson se esquivou, repondendo que Suzana era casada. Daí por diante, dos folhetins para os livros foi um salto inevitável. Como Suzana, Nelson publicou sete livros resultantes das colunas: "Meu destino é pecar" e "Escravas do amor" - outro grande sucesso - em 1944. "Minha vida" (1946), "Núpcias de fogo" (1948), "O homem proibido" (1951), "A mentira" (1953). E, com o pseudônimo Mirna, "A mulher que amou demais" (1949).

Nelson considerava-se um conservador, mas foi um dos mais censurados teatrólogos brasileiros. Revolucionário com sua obra, deixou a marca de seu talento, hoje referência para muitos escritores e escola para dramaturgos. Um homem com personalidade forte, torcedor eufórico do Fluminense Futebol Club, uma de suas paixões.

Nelson influenciou a literatura nacional com um estilo incomparável. Em 1962, transformou o amigo escritor Otto Lara Rezende no primeiro brasileiro a ser título de peça teatral. A obra "Bonitinha, mas ordinária" também se chama Otto Lara Rezende, que veio a estrear em novembro daquele ano. O pernambucano é responsável pelas principais obras teatrais brasileiras em 40 anos de atuação. Nelson Rodrigues inspirou também vários filmes, como "Engraçadinha"; "Perdoa-me por me traíres"; "Toda nudez será castigada".

Durante dez anos, de 1951 a 61, escreveu numa coluna diária no jornal Última Hora : "A Vida Como Ela É.." Os textos o consagraram por seu estilo despojado de romantismo. Nos contos, Nelson reflete a realidade nua e crua de uma sociedade obsessiva e materialista. O adultério, a traição, o incesto e a morte são tratados com naturalidade, o que inovou o processo de criação sob uma nova ótica moderna.

Numa época de agitação política, colaborou em outros jornais com crônicas nas quais expressava pensamentos que depois ganhariam o vocabulário popular, como a conhecida frase "Toda unanimidade é burra" e os ditados "óbvio ululante", "padre de passeata", "freira de minissaia".

Em abril de 1980, ano de sua morte, sentado em sua poltrona preferida no apartamento do Leme durante uma entrevista, Nelson demonstrava estar satisfeito com sua contribuição para a literatura, o jornalismo, o cinema e o teatro brasileiros. Sua rotina se resumia em passear em seu opala, com chofer - pois não sabia dirigir -, até a Quinta da Boa Vista, onde caminhava. Depois, passava pelas redações dos jornais, deixando suas crônicas. À noite, voltava a redigir no escritório do apartamento.

Entretanto, como todo intelectual, sonhava em pleitear uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. Ao ser perguntado se disputaria a vaga de José Américo de Almeida, ele comentou: "Não sei como fazer no meu discurso de posse. Minhas mãos tremem muito e eu enxergo mal, não ia conseguir segurar o papel. Teria que improvisar o discurso na hora". Ele não se candidatou devido ao precário estado de saúde. A cadeira foi ocupada por José Sarney.

Na mesma entrevista, o jornalista o perguntou se ele iria "a nado" receber o prêmio Nobel, caso fosse premiado, e Nelson respondeu: "Bem... A nado eu não iria, porque não sei nadar. De avião, também não, porque tenho medo. Mas de navio... Bem, de navio bem que eu ia."

Nelson Falcão Rodrigues não se tornou imortal e não ganhou o Nobel de literatura. Ele morreu aos 68 anos de idade, em 21 de dezembro de 1980, vítima de insuficiência vascular cerebral, após ter sofrido sete paradas cardíacas. Entretanto, Nelson permanece vivo nas páginas e na memória de todos aqueles que se aventuram por suas magníficas obras.

Fonte: JB OnLine

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