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Dia do Teólogo

30 de Novembro

3. O PROFISSIONAL TEÓLOGO

A profissão de Teólogo pertence à família de profissões 2631 que é composta também por Ministros de culto, missionários e profissionais assemelhados. O código específico na CBO para a profissão é o T2631-15.

O Teólogo pode ser chamado por outros nomes, isso conforme a religião: Agbá, Álim, Bokonô, Cádi, Consagrado, Conselheiro correicional eclesiástico, Conselheiro do tribunal eclesiástico, Especialista em história da tradição, doutrina e textos sagrados, Exegeta, Imã, Juiz do tribunal eclesiástico, Leigo consagrado, Mufti, Oba, Teóloga.

Os profissionais podem desenvolver suas atividades de forma profissional ou voluntária, em templos, igrejas, sinagogas, mosteiros, casas de santo e terreiros, aldeias indígenas, casas de culto etc. Também estão presentes em universidades e escolas, centros de pesquisa, sociedades beneficentes e associações religiosas, organizações não-governamentais, instituições públicas e privadas.

Espera-se que os Teólogos tenham formação superior em Teologia; não é incomum entre eles, porém, a presença de títulos de pós-graduação ou cursos equivalentes. Ascender a níveis superiores de estudo pode facilitar também a progressão das outras duas ocupações na carreira eclesiástica. Qualquer que seja a tradição religiosa, contudo, tanto ou mais que a formação, contam a fé e o chamamento individual para o serviço do divino.

4. ATIVIDADES REALIZADAS PELO TEÓLOGO

4.1 DIRIGIR E ADMINISTRAR COMUNIDADES

Orientar religiosamente a comunidade; Organizar a catequese; Organizar as pastorais; Orientar sobre a lei islâmica (charia); Participar de assembléias, conselhos, sínodos, concílios; Orientar espiritualmente a comunidade; Participar de confederações, federações, conselhos dos mais velhos; Elaborar estatutos e regimentos internos; Requerer registros de funcionamento junto aos órgãos competentes; Responder juridicamente pela entidade; Buscar recursos financeiros (dízimos, ofertas, empréstimos etc).

4.2 FORMAR PESSOAS SEGUNDO PRECEITOS RELIGIOSOS DAS DIFERENTES TRADIÇÕES

Proferir palestras; Publicar artigos em revistas, jornais, livros e afins; Orientar a formação religiosa; Avaliar os formandos no seu processo de aprendizagem; Dar aulas; Divulgar tradição; Adequar leis religiosas ao ambiente sócio-cultural; Promover retiros espirituais; Dirigir centros de formação religiosa; Dirigir estabelecimentos de ensino; Atuar como missionário dentro ou fora do país; Ensinar idioma original da tradição religiosa; Fazer ou formar discípulos; Elaborar material de ensino e difusão audiovisual, digital etc.

4.3 ORIENTAR PESSOAS

Opinar sobre assuntos polêmicos;

4.4 REALIZAR AÇÃO SOCIAL JUNTO À COMUNIDADE

Apoiar movimentos populares; Realizar ações contra discriminação e exclusão; Manter com recursos próprios publicações impressas, áudio visual etc.

4.5 PESQUISAR A DOUTRINA RELIGIOSA

Realizar estudos especializados sobre a doutrina religiosa; Consultar bibliotecas, videotecas etc; Pesquisar na tradição e nos textos sagrados; Buscar significado da tradição e textos sagrados para o contexto atual; Sistematizar informações relativas aos textos sagrados; Sistematizar informações das tradições orais e escritas; Participar de diálogos inter-religiosos; Participar de diálogos inter e trans-disciplinares; Exercer espírito crítico sobre a tradução de textos sagrados; Traduzir textos religiosos a partir dos originais; Participar de congressos, seminários especializados; Atuar em centros de pesquisa; Fazer análise e interpretação da tradição e textos religiosos; Assessorar a comunidade religiosa e seus líderes; Prestar assessoria sobre questões éticas e religiosas; Divulgar resultados da pesquisa; Atuar em universidades (docência e pesquisa); Traduzir literatura especializada; Traduzir e textualizar as tradições orais.

4.6 TRANSMITIR ENSINAMENTOS RELIGIOSOS

Atuar dentro ou fora dos templos (zona urbana ou rural); Zelar pelo ensino ortodoxo e sistemático da tradição; Transmitir ensinamentos religiosos utilizando os meios adequados e específicos de cada tradição; Proclamar os princípios bíblicos; Ensinar o alcorão; Ensinar o respeito à vida, à ecologia, à cosmologia; Promover a paz e a justiça; Ensinar os sutras budistas; Ensinar Ilahis (música mística sufi).

4.7 PRATICAR VIDA CONTEMPLATIVA E MEDITATIVA

Orar; Trabalhar e orar (leigos religiosos).

4.8 PRESERVAR A TRADIÇÃO

Registrar a memória religiosa; Adequar o 'ethos' religioso às condições locais.

4.9 DEMONSTRAR COMPETÊNCIAS PESSOAIS

Estudar a doutrina religiosa; Participar de atividades inter-religiosas; Estar aberto ao diálogo inter-religioso; Receber a revelação; Receber palavras de inspiração; Viver coerentemente com os ensinamentos; Fortalecer a fé através de atos, devoções e orações; Respeitar as tradições religiosas e seus preceitos morais; Professar a fé; Buscar equilíbrio de vida; Cultivar o amor, a justiça, a paz, a sabedoria e a compaixão; Estudar os valores humanos e princípios religiosos; Manter-se atualizado nas questões sociais polêmicas.

4.10 RECURSOS DE TRABALHO

Seiten (livro sagrado budista); Sagrado Alcorão; Bíblia; Textos (sutras, conciliares, da patrística etc.); Livros e literatura de cunho religioso; Material didático para instrução; Computadores, material de informática e aparelhos; Hadice (Tradições do profeta Muhammad - saws).

5. PROJETO DE LEI DO SENADO Nº , DE 2005.

Dispõe sobre o exercício da profissão de Teólogo, e dá outras providências.

O CONGRESSO NACIONAL decreta:

Art. 1º. O exercício da profissão de Teólogo, observadas as condições de habilitação e as demais exigências legais, é assegurado:

I - aos diplomados em Teologia por estabelecimento de ensino superior, oficial ou reconhecido pelo poder público;

II - aos diplomados em curso superior similar, no exterior, após a revalidação do diploma, nos termos da legislação em vigor;

III - aos que, à data da publicação desta Lei, embora não diplomados nos termos dos incisos anteriores, venham exercendo efetivamente, há mais de cinco anos, a atividade de Teólogo, na forma e condições que dispuser o regulamento da presente Lei.

Art. 2º. Compete ao Teólogo:

I - ministrar o ensino da Teologia, desde que cumpridas as exigências legais;

II - elaborar, supervisionar, orientar, coordenar, planejar, programar, implantar, controlar, dirigir, executar, analisar ou avaliar estudos, trabalhos, pesquisas, planos, programas e projetos atinentes à realidade científica da religião;

III - assessorar e prestar consultoria a pessoas físicas e jurídicas, públicas ou privadas, relativamente à realidade científica da religião;

IV - participar dos trabalhos de elaboração, supervisão, orientação, coordenação, planejamento, programação, implantação, direção, controle, execução, análise ou avaliação de estudo, trabalho, pesquisa, plano, programa ou projeto global, regional ou setorial, atinente à realidade científica da religião.

Art. 3º. É permitida a formação de empresas ou entidades de prestação de serviços previstos nesta Lei, desde que mantenham Teólogo como responsável técnico e não atribuam a pessoas não habilitadas o desempenho das atividades que lhe sejam privativas.

Art. 4º. O exercício da profissão de Teólogo requer prévio registro no órgão competente.

§ 1º. O Poder Executivo adotará as providências necessárias para a criação do Conselho Nacional de Teologia e as suas Seccionais.

§ 2º. O registro de que trata o caput deste artigo se fará mediante a apresentação de documento comprobatório de conclusão dos cursos previstos nos incisos I, II e III do art.1º, ou a comprovação de exercício da profissão, na forma do inciso IV do mesmo artigo.

Art. 5º. O livre exercício dos cultos religiosos não é condicionado à participação, de qualquer forma, do Teólogo.

Art. 6º. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

JUSTIFICAÇÃO

Na Europa, a Teologia, como ciência, floresceu a partir do século XI. Naquele tempo, de fato, a Teologia já tinha incorporado um milênio de história. O desenvolvimento de uma Teologia científica, dotada de uma própria e relativa autonomia, foi impulsionado pelo nascimento das universidades como corporações jurídicas autônomas, e pela integração da Teologia à universidade. Não menos importante é a distinção entre Filosofia e Teologia como áreas de estudos com objetivos diferentes. Entre os séculos XI e XII, a Teologia aparece como ciência autônoma.

Atualmente, a Teologia não se ocupa apenas com as questões internas de uma determinada igreja. Embora o seu estudo seja exigido, tanto pelas igrejas evangélicas, quanto pelas igrejas católicas, para a formação de seus pastores e padres, a Teologia não mais representa o único critério para as questões sobre como e em que lugar ela deva ser exercida. Seu estudo, combinado com o de outras disciplinas, confere-lhe uma competência interdisciplinar que fornece ao Teólogo um campo de atuação bastante amplo em todas as atividades em que o ser humano está presente.

Ao estudar o fenômeno religioso, algo tão profundo e arraigado em todos nós, o Teólogo procura, até onde é possível e de maneira objetiva e científica, explicar o fenômeno da fé.

No Brasil, os cursos de Teologia existem há séculos mas, infelizmente, sempre foram vistos apenas como formadores de recursos humanos para as organizações religiosas, de especialização de eclesiásticos.

O reconhecimento da Teologia, em 1999, pelo Ministério da Educação, como uma área específica do conhecimento humano, recupera para o País um atraso de séculos em relação à Europa, que, há muito, dispõe de dezenas de faculdades especializadas na formação de teólogos.

Apesar de vivermos num mundo secularizado e consumista, nunca se viu tanto interesse pela religião e sua aplicação em todos os setores em que atua o homem. Em conseqüência, a regulamentação do exercício dessa profissão se faz imperiosa, a fim de afastar do meio profissional aventureiros que podem causar sérios danos à transmissão científica de conhecimentos nessa importante área das ciências humanas.

Fonte: adbrasil.ning.com

Dia do Teólogo

30 de Novembro

Karl Rahner, o primeiro teólogo católico moderno

Para o teólogo italiano Rosino Gibellini, Karl Rahner, especialmente no momento histórico do Concílio Vaticano II, colocava-se na linha da renovação e se ocupava em lançar uma ponte entre tradicionalistas e progressistas. Segundo Gibellini, a teologia de Rahner estava em plena sintonia com o grande projeto inovador do Concílio.

“Rahner é o protagonista da virada antropológica na teologia católica, que mantém ‘o ouvinte da Palavra’ sempre presente na proposição da verdade cristã, e se confronta, portanto, com a cultura moderna. Essa é uma das maiores linhas da teologia do século XX, que se diferencia (sem se contrapor) das teologias da identidade católica, representadas pelas figuras de Von Balthasar e Ratzinger”, afirma.

Rosino Gibellini é doutor em teologia pela Universidade Gregoriana de Roma e doutor em filosofia pela Universidade Católica de Milão. Dirige as coleções Giornale di Teologia e Biblioteca de teologia contemporânea da Editora Queriniana de Brescia, Itália. O estudioso é autor, entre outros livros, de A teologia do século XX (Edições Loyola, 1998). Ele já concedeu várias entrevistas para a revista IHU On-Line.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Quais eram, para Rahner, os principais desafios e as principais possibilidades da modernidade para a vida de fé?

Rosino Gibellini – Karl Rahner compreendeu os sentidos dos desafios da modernidade para a teologia cristã, assim como, em seu tempo, Schleiermacher as tinha compreendido. Na análise da situação cultural e teológica – a qual era possível diagnosticar já nos anos 50 do século XX –, Rahner identificava três elementos característicos:

a) vivemos numa sociedade secular e pluralista, em que os enunciados da fé perderam a sua obviedade;

b) justamente com o pluralismo, é preciso registrar um aumento dos conhecimentos em todas as áreas do saber, o que torna particularmente difícil fazer sínteses;

c) a essas dificuldades modernas da anunciação cristã e do fazer teologia, deve-se acrescentar uma espécie de enrijecimento (Fixierung) e de incrustação (Verkrustung) de conceitos teológicos que, permanecendo imutáveis no decorrer dos séculos, não correspondem mais à situação transformada da vida e da cultura do homem moderno. Daí a sua tentativa de uma reforma metodológica da teologia católica.

IHU On-Line – Como avaliar as ideias de Rahner, claramente em diálogo com a modernidade, quando alguns pensadores afirmam que já estamos vivendo na pós-modernidade? Rahner estaria superado?

Rosino Gibellini – Poder-se-ia dizer que Rahner é o primeiro teólogo católico moderno. A modernidade é caracterizada pela racionalidade crítica (Descartes, Kant), e Rahner introduziu na teologia católica o exercício da racionalidade crítica, que iria substituir a racionalidade metafísica da neoescolástica e da prática católica. A grande teologia francesa visava principalmente uma reforma do tomismo na linha de Maritain e Gilson. A tentativa de Rahner é mais ousada.

E o dever do exercício da racionalidade crítica na teologia permanece também no tempo da pós-modernidade, que é interpretada como “modernidade tardia” (Habermas) ou como “nova modernidade” (Robert Schreiter): o exercício da racionalidade crítica deverá unir-se, no tempo da pós-modernidade, à atenção aos temas que foram esquecidos ou desvalorizados pelo projeto moderno (David Tracy).

IHU On-Line – Por que Rahner teve tanta importância nos debates do Concílio Vaticano II? Quais foram as circunstâncias que possibilitaram que ele tivesse essa relevância nos debates?

Rosino Gibellini – O Concílio Vaticano II (1962-1965) – anunciado de surpresa por João XXIII há 50 anos, no dia 25 de janeiro de 1959 – propôs uma “atualização” da igreja, para torná-la mais correspondente à sua missão pastoral. A teologia de Rahner estava em sintonia com esse programa. Justamente em 1959 – ano da proposta do Concílio – Rahner publicou “Missão e Graça”, que inicia com um significativo ensaio intitulado “Significado teológico do cristão no mundo moderno” (de 1954), em que ilustra a passagem do regime da cristandade para uma situação na qual a igreja existe como minoria no interior das nações; e no qual sustenta que tal situação não deve ser suportada, e sim assumida como “imperativo histórico de salvação” e afrontada como uma renovação dos métodos da práxis eclesiástica. Nota-se, então, que a teologia de Rahner estava em sintonia com o grande projeto inovador do Concílio.

IHU On-Line – Como Rahner se posicionava nas polarizações conceituais e políticas do Concílio? Frente a quais ideias e teólogos Rahner se posicionou contra ou a favor?

Rosino Gibellini – Com o Concílio já anunciado, Rahner foi atingido por uma “censura preventiva” para excluí-lo completamente do evento. Mas acabou chegando a Roma como perito pessoal do cardeal König, de Viena, presidente da Conferência Episcopal Austríaca. Introduziu-se nas comissões com cautela. Escreverá na “Breve correspondência do período do Concílio” publicada em 1986: “Pode ser que Alfredo Ottaviani, então prefeito do Santo Ofício, tenha notado que sou um teólogo completamente inofensivo e normal. E, dessa forma, aquele decreto romano (da censura preventiva), foi simplesmente esquecido”. Mas trabalhou com afinco, a ponto de tornar-se um dos teólogos mais célebres justamente durante o Concílio. Deve-se reconhecer, porém, que a verdadeira estrela do Concílio era Joseph Ratzinger, na época docente de teologia fundamental em Bonn e consultor oficial do cardeal Frings de Colônia, presidente da Conferência Episcopal Alemã. Escreveu Rahner (1962): “Com Ratzinger, me entendo bem. Ele é muito estimado por Frings”.

Rahner colocava-se na linha da renovação e nas polarizações se ocupava em lançar uma ponte entre tradicionalistas e progressistas. Suas maiores contribuições são em sede eclesiológica, mas também, e principalmente, sobre a doutrina católica da revelação e sobre uma compreensão mais profunda da vontade de salvação universal. Mas é no pós-Concílio que os caminhos se dividem. Para Rahner, o Concílio é o início de um caminho de reforma a dar continuidade para uma “transformação estrutural da Igreja”, como diz o título de um seu volume programático de 1972. O teólogo Ratzinger estará longe desse programa e insistirá sempre num retorno aos textos do Concílio, dos quais somente resulta o espírito do evento Conciliar. Se Rahner ressalta a descontinuidade operada pelo Concílio, Ratzinger interpretará o Concílio no sentido da continuidade.

IHU On-Line – Quais foram as contribuições de Rahner para o diálogo inter-religioso e o ecumenismo?

Rosino Gibellini – O maior ecumenista católico no Concílio era o teólogo francês Congar, mas a solução católica mais avançada para o problema ecumênico no pós-Concílio foi dada por Karl Rahner e por Heinrich Fries, que assinaram o mediato e corajoso texto “União das Igrejas – Possibilidade real” (1984), que aparecia como nº 100 da célebre Biblioteca Herderiana “Quaestiones Disputatae”. Livro e projeto que o teólogo Ratzinger criticou.

Rahner também deu sua contribuição à teologia das religiões com a sua tese dos “cristãos anônimos”, que lhe permitia ver as religiões não-cristãs como “vias legítimas de salvação”, na dependência de “todo o verdadeiro e o bom do cristianismo”, como a monografia completa de Doris Ziebritzki sobre o tema publicada na Coleção “Innsbrucker theologische Studien” reconstruiu.

A contribuição de Rahner deve ser agora criticamente integrada a uma grande bibliografia, católica e ecumênica, que se desenvolveu nas últimas duas, três décadas. Resumo a passagem desta forma: “Do cristianismo anônimo a um cristianismo relacional”.

IHU On-Line – Frente aos atuais problemas de governo da Igreja, Rahner ainda oferece respostas? Como Ratzinger vê Rahner?

Rosino Gibellini – Rahner e Ratzinger são duas grandes figuras da teologia da época moderna. O teólogo jesuíta espanhol Santiago Madrigal dedicou uma recente monografia ao confronto entre os dois teólogos: duas grandes personalidades que colaboraram na realização do Concílio, mas que depois se diferenciaram na concreta aplicação deste, até entrar, sob certos aspectos, como teólogos, em contraste entre si, mas convergentes sobre a dificuldade do dever, assim expresso por Rahner: “Com certeza passará muito tempo até que a igreja, que recebeu de Deus a graça do Concílio Vaticano II, seja a igreja do Concílio Vaticano”.

IHU On-Line – Como Rahner é visto hoje na teologia? Quais são seus principais discípulos nos debates teológicos atuais?

Rosino Gibellini – Rahner é o protagonista da virada antropológica na teologia católica, que mantém “o ouvinte da Palavra“ sempre presente na proposição da verdade cristã, e se confronta, portanto, com a cultura moderna. Essa é uma das maiores linhas da teologia do século XX, que se diferencia (sem se contrapor) das teologias da identidade católica, representadas pelas figuras de Von Balthasar e Ratzinger.
Rahner fez escola e teve numerosos discípulos, dos quais o mais criativo, que, partindo de Rahner foi além de Rahner, é Johann Baptist Metz, em cujo pensamento a racionalidade crítica se concretiza com a racionalidade prática, que desenvolve as implicâncias históricas e sociais do pensamento cristão.

IHU On-Line – Passados 25 anos de sua morte, qual é a principal herança que Rahner deixou para a Igreja?

Rosino Gibellini – Vinte e cinco anos após sua morte (30 de março de 1984), está em fase de avançada realização a edição crítica da Opera omnia do grande teólogo, que representará um seguro ponto de referência para o futuro da teologia. Recordo de ter participado, com Gustavo Gutiérrez (que se encontrava naquele mês em Roma) dos solenes funerais do teólogo alemão em Innsbruck, onde havia se retirado nos últimos anos.

Nos funerais também estavam presentes Metz, Lehmann, Kasper e Schillbeeckx. Aos participantes, foi distribuído o Boletim informativo dos Jesuítas da província da Alemanha meridional (datado em München, abril 1984/2), dedicado à figura de Rahner. Sempre o conservei e comentei várias vezes com os jovens teólogos a sua última entrevista ali reproduzida. O entrevistador perguntava: “Como se pode transmitir a fé à nova geração?” Rahner respondia: “Antes de tudo deve-se pregar bem (grifo do texto). Para pregar bem, deve-se primeiro estudar bem teologia. Mas, para pregar bem, devem existir homens vivos, devotos, radicalmente cristãos, que possam pregar. Naturalmente também deve existir uma certa liberdade no exercício de uma atividade apostólica ou pastoral”. A teologia, portanto, é um instrumento do anúncio e da missão.

O teólogo evangélico Wolfhart Pannenberg identificou bem o maior legado de Karl Rahner, vendo na teologia rahneriana uma das tentativas mais consistentes do nosso tempo de manter aberta a racionalidade reduzida da cultura secular ao mais vasto horizonte de uma racionalidade que reconhece também o mistério de Deus “enquanto ele nos ensinou a ver em cada tema teológico, aquilo que é universalmente humano”, introduzindo-se assim no vasto sulco da mais autêntica teologia cristã: “A aliança com a razão pertence desde o início á dinâmica missionária do Evangelho”.

Fonte: amaivos.uol.com.br

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