Facebook do Portal São Francisco Google+
+ circle
Home   Voltar

Oswald de Andrade

Mesmo para pesquisadores sofisticadamente especializados as várias facetas da figura de Oswald permanecem obscuras.

As fissuras realizadas pela sua obra no quadro acadêmico da vida cultural brasileira são vistas, geralmente, como lances imprevistos e momentâneos de uma intuição privilegiada.

Daí a necessidade de se chamar atenção, por exemplo, para a lista das obras fundamentais do pensamento e da literatura ocidentais lidas e anotadas pelo escritor; para as suas pacientes e renovadas tentativas de reescrever seus livros.

Muita lenda e anedota têm corrido sobre a figura humana e a personalidade literária do escritor Oswald de Andrade.

Ora rasgados elogios às suas descobertas geniais, reconhecidas como fruto da intuição e imaginação fabulosas, ora críticas ao gosto pela improvisação e pela surpresa. Esta exposição não almeja um panorama frio sobre a vida de mais um escritor modernista.

Antes pretende divulgar ângulos e facetas desconhecidas ou pouco exploradas deste escritor ao longo da história do Modernismo: o criador atento a melhor estruturação do seu texto; o homem de negócios planejando lucros e administrando à sua maneira seus bens; o pai carinhoso; o político engajado no partido que lhe pareceu no momento atender aos anseios de reestruturação social, etc.

CRONOLOGIA (1847 - 1930)

1847

Nasce José Oswald Nogueira de Andrade.

1881

Chega a São Paulo, proveniente do interior de Minas o Sr. José Oswald Nogueira de Andrade.

1890

Nasce em São Paulo José Oswald de Souza Andrade, filho único de José Oswald Nogueira de Andrade e Inês Henriqueta de Souza Andrade, na rua Barão de Itapetininga, esquina com a atual D. José de Barros, antiga 11 de março.

1896

Faz sua primeira viagem ao Guarujá.

1900

Mora no alto da ladeira Santo Antônio, com João Adolfo.

Estuda na Escola Caetano de Campos.

1901

Estuda no Ginásio Nossa Senhora do Carmo.

Colega de Pedro Rodrigues de Almeida, o João de Barros do Perfeito Cozinheiro das Almas desse mundo...

1903

Estuda no Ginásio São Bento.

Colega do futuro poeta modernista Guilherme de Almeida.

1905

Começa a participar da roda literária de Indalécio Aguiar da qual faz parte o poeta Ricardo Gonçalves.

1908

Conclui os estudos no Ginásio São Bento.

1909

Redator e crítico teatral do Diário Popular, assinando a coluna Teatro e Salões.

Ingressa na Faculdade de Direito.

1910

Monta um atelier com o pintor Oswaldo Pinheiro, no vale do Anhangabaú.

Conhece o Rio e fica hospedado no palacete da Rua.S.Clemente, nº 271, residência de seu tio, o escritor Inglês de Souza.

Passa o primeiro Natal longe da família em Santos, numa hospedaria de carroceiros das docas.

1911

Com a ajuda financeira de D. Inês funda O Pirralho, cujo primeiro número é lançado em 12 de agosto, tendo como colaboradores Amadeu Amaral, Voltolino, Alexandre Marcondes, Cornélio Pires, etc.

Conhece o poeta Emílio de Meneses de quem se torna amigo.

Lança a campanha civilista em torno de Rui Barbosa.

Passa uma temporada em Baependi, Minas, nas terras da família de seu Avô.

1912

fevereiro a setembro: viaja à Europa, a bordo do Marta Washington, o mesmo navio de João Miramar.

Visita vários países: Itália, Alemanha, Bélgica, Inglaterra, França, Espanha.

Conhece durante a viagem a jovem dançarina Carmen Lydia, (Helena Carmen Hosbale) que Oswald batiza em Milão.

Morre em São Paulo sua mãe Inês Henriqueta Inglês de Souza Andrade, no dia 6 de setembro.

Retorna ao Brasil a bordo do Oceania, trazendo a estudante francesa Kamiá (Henriette Denise Bouffers).

Reassume sua atividade de redator de O Pirralho.

1913

Participa das reuniões da Vila Kirial e conhece o artista plástico Lasar Segall.

Escreve A recusa, drama em três atos

1914

Nasce o seu filho José Oswald Antonio de Andrade (o artista plástico Oswald de Andrade Filho) com Kamiá. Reside à rua Teodoro Sampaio 114, esquina com a Oscar Freire.

Cursa a Faculdade de Filosofia de S. Bento, sendo aluno do Pe.Sentroul, abade do convento de S.Bento.

1915

Participa do almoço em homenagem a Olavo Bilac, promovido pelos estudantes da Faculdade de Direito no restaurante PROGREDIOR.

Membro da Sociedade Brasileira dos Homens de Letras, fundada em São Paulo por Olavo Bilac.

Chega ao Brasil a dançarina Carmen Lydia, com quem mantém um barulhento namoro.

Passa a residir na rua Augusta nº 64, onde hoje é o restaurante Pirandelo.

Tem casa de veraneio na Praia de São Vicente 23.

Faz viagens constantes de trem ao Rio a negócio ou para acompanhar Carmen Lydia.

No Rio freqüenta a Rotisserie Rio Branco.

Hospeda-se no Avenida Hotel, quarto 12.

1916

Publica em A Cigarra, 1º capítulo da peça Mon Coeur Balance.

Lança com Guilherme de Almeida Mon Coeur Balance e Leur Âme,pela Typographie Asbahr.

Faz a leitura das peças em vários salões literários de São Paulo na Sociedade Brasileira de Homens de Letras, no Rio de Janeiro e na redação A Cigarra.

Publica trechos de Memórias Sentimentais de João Miramar n'A Cigarra e n'A Vida Moderna.

Sofre de artritismo.

A atriz Suzanne Després recita no Municipal trechos de Leur Âme.

Passa a colaborar regularmente em A Vida Moderna, que publica em 24 de maio, cenas de Leur Âme.

Volta a estudar Direito, cujo curso havia interrompido em 1912.

Recebe o convite de Valente de Andrade para fazer parte do Jornal do Comércio, edição de São Paulo e em 1º de novembro começa seu trabalho como redator.

Redator social de O Jornal.

Passa temporada com a família em Lambari no Hotel Mello.

Veraneia em São Vicente casa 56, rua 16.

Vai regularmente a Santos, em companhia de Carmen Lidia, hospedando-se no Palace Hotel.

Continua a viajar intermitentemente ao Rio, hospedando-se no Avenida Hotel e Bristol Hotel.

No Rio frequenta a roda literária de Emílio de Meneses, João do Rio, Alberto de Oliveira, Eloi Pontes, Olegário Mariano, Luis Edmundo, Olavo Bilac, Oscar Lopes, etc.

Passa temporada em Aparecida do Norte, no Hotel das Famílias.

Em Santos, hospeda-se no Washington Hotel.

Está escrevendo o drama O Filho do Sonho.

1917

Monta em S.Paulo a Garçonnière da rua Líbero Badaró,67 - 3º - andar.

Conhece Mario de Andrade.

Defende a pintora Anita Malfatti das críticas violentas feitas por Monteiro Lobato ("A exposição de Anita Malfatti", no Jornal do Comércio, S.P. 11 jan.1918).

Participa do primeiro grupo modernista com Mário de Andrade, Guilherme de Almeida, Ribeiro Couto, Di Cavalcanti e este escritor.

De 1917 a 1922 escreve regularmente no Jornal do Comércio.

Fecha a revista O Pirralho.

1918

Trabalha em A Cazeta.

Começa a compor O Perfeito cozinheiro das almas desse mundo... diário coletivo escrito em colaboração com Dasy (Miss Cíclone) Guilherme de Almeida, Monteiro Labato, Leo Vaz, Pedro Rodrigues de Almeida, Inácio Pereira da Costa, Edmundo Amaral e outros.

1919

Orador do Centro Acadêmico 11 de agosto da Faculdade de Direito.

Pronuncia a palestra "Árvore da Liberdade".

Torna-se bacharel em Direito, e é orador da turma.

Morre seu pai, em fevereiro.

Casa-se in extremis com Dasy (Miss Ciclone),ou Maria de Lourdes Pontes de Andrade.

Muda-se para o Grand Hotel Rotisserie Sportsman.

Publica no jornal dos estudantes da Faculdade de Direito - Onze de Agosto - três capítulos de Memórias Sentimentais de João Miramar.

1920

Instala-se em S.Paulo numa garconnière na Praça da República, esquina com a Rua Pedro Américo.

Edita Papel e Tinta até 1921, assinando com Menotti del Picchia o editorial e escrevendo regularmente para o periódico.

Descobre o escultor Brecheret.

Escreve em A Raposa artigo elogiando Brecheret com texto ilustrado com fotos de trabalhos do artista.

1921

julho - publica artigo sobre o poeta Alphonsus de Guimarães, ressaltando a forma de expressão, no seu entender, precurssora da linguagem modernista. (Jornal do Comércio, S.P. 10/25, jul.1921).

Faz a saudação a Menotti del Picchia no banquete oferecido para políticos e poetas no Trianon.

Revela Mário de Andrade poeta, em polêmico artigo "Meu poeta futurista".

Principia a colaboração do Correio Paulistano até 1924.

Participa da caravana de jovens escritores paulistas ao Rio de Janeiro, a fim de fazer propaganda do Modernismo.

Toma aula de boxe com o antigo pugilista suiço Delaunay.

1922

Faz parte da Semana de Arte Moderna.

Participa dos festejos comemorativos do centenário da Bandeira nacional fazendo conferência em 18 de setembro.

Faz parte do grupo da revista Klaxon, onde colabora.

Integra o grupo dos cinco com Mário de Andrade, Anita Malfatti, Tarsila do Amaral e Menotti del Picchia.

Orador do banquete oferecido em homenagem ao escritor português Antonio Ferro, por ocasião de sua visita ao Brasil, no Automóvel Clube do Brasil (São Paulo).

Publica Os Condenados com capa de Anita Malfatti.

Viagem a negócios ao Rio, ficando hospedado no Yankee Hotel.

Em dezembro embarca para a Europa pela Compagnie de Navegation Sud Atlantique.

Começa sua amizade com Tarsila.

Em Paris tem como endereço o nº 25, Rue Louis Le Grand.

1923

Ganha na justiça a custódia do seu filho Nonê.

Janeiro/fevereiro - Viagem a Portugal e Espanha, com passagem pelo Senegal, acompanhado de Tarsila.

Matricula seu filho Nonê no Licée Jaccard em Lausanne, Suiça.

Reside em Paris até agosto, Hégésipe Moreau n. 9 (Montmartre), onde Tarsila tinha um atelier e no nº 6 da rua Le Chapelais.

23 abril Participa do almoço oferecido pelo embaixador na França aos intelectuais franceses.

11 de maio - Pronuncia a Conferência L'effort intellectuel du Brésil contemporain, na Sorbonne.

28 de maio - conhece Blaise Cendrars.

Agosto - Férias de verão com Tarsila na Itália, ficam hospedados em Roma no Hotel Windsor, na Via Veneto 54, em Veneza na Pensione G.de Po.

Assiste entusiasmado o bailado negro de Blaise Cendrars, com música de Darius Milhaud e cenários de Fernand Léger, apresentado pelo Ballets Suédois, no Teatro dos Champs-Elyseés.

Visita a exposição de Arte Negra, no Museu de Artes Decorativas.

Reescreve João Miramar.

Julho - faz conferência em Lisboa.

Em Paris, de volta ao Brasil, é homenageado com um banquete pela Sociedade Amis des Lettres Françaises, sendo saudado pela presidente do grupo Mme.Rachilde.

Retorna ao Brasil no final do ano pelo navio Santarém.

1924

18 de março - publica no Correio da Manhã o Manifesto Pau Brasil.

Toma parte na excursão ao carnaval do Rio de Janeiro e à Minas com outros intelectuais brasileiros e Blaise Cendrars.

Em Minas Gerais excursionam pelas cidades históricas inclusive Ouro Preto, onde se hospedam no Hotel Toffolo.

No Correio Paulistano publica o artigo Blaise Cendrars - "Um mestre da sensibilidade contemporânea".

Participa do V Ciclo de Conferência da Vila Kyrial falando sobre "os ambientes intelectuais da França".

Publica Memórias Sentimentais de João Miramar com capa de Tarsila.

Faz uma leitura do Serafim Ponte Grande, em casa de Paulo Prado para uma platéia de amigos modernistas.

Viagem à Europa pelo Massília.

20 de novembro - Viagem à Espanha (Medina e Salamanca), de passagem para Suiça.

Monta com Tarsila um novo apartamento em Paris no nº 9, Boulevard Berthier (l7e), conservando este endereço até 1929.

Passa o Natal com Tarsila na casa de campo de Blaise Cendrars em Tremblay-sur-Mauldre.

1925

Visita seu filho na Suiça em março, hóspede do Hotel Victoria, em Lausanne.

Em fevereiro e março faz curso de inglês na Berlitz School, em Paris.

Assiste ao festival Satie, em Paris.

Em maio, a bordo do Andes viaja ao Brasil.

Participa do jantar na Vila Fortunata (casa de René Thiollier) em homenagem a D.Olivia Guedes Penteado.

junho, volta à Europa pelo Avon, passando em Lisboa.

julho, está em Deauville para alguns dias de férias.

Publica em Paris pela editora Au Sans Pareil o livro de poemas Pau Brasil.

Em 22 agosto retorna ao Brasil pelo Massilia.

Setembro, está no Rio, hospedado no Pálace Hotel.

Candidata-se à Academia Brasileira de Letras.

Novembro oficializa o noivado com Tarsila do Amaral.

Dezembro, nova viagem à Europa pelo Cap.Polonio.

Com Tarsila passa novamente o final do ano em Le Tremblay-sur- Mauldre, residência de campo de Cendrars.

1926

De 13 de janeiro a 18 de fevereiro viagem ao Oriente, em companhia de Tarsila, Nonê, Dulce (filha de Tarsila), do escritor Cláudio de Souza, do governador de São Paulo Altino Arantes, a bordo do navio Lotus da Companhia Messagier Maritimes.

No Cairo se hospedam no Sheferds Hotel, mais tarde, destruído por um incêndio; em Jerusalém no Allemby Hotel; em Haila no Windsor Hotel.

05 de maio é recebido com outros brasileiros em audiência pelo papa, a fim de tentarem anulação do casamento de Tarsila.

Permanece em Paris, com Tarsila, ajudando-a nos preparativos para a exposição na Galérie Percier.

Chega ao Brasil em 16 de agosto pelo Almanzorra.

Casa-se com Tarsila do Amaral, em 30 de outubro, em cerimônia paraninfada pelo Presidente Washington Luis.

Passa a residir na rua Barão de Piracicaba, 44.

Publica na Revista do Brasil o prefácio de Serafim Ponte Grande,1ª versão, "Objeto e fim da presente obra".

Divulga em Terra Roxa e Outras Terras a "Carta Oceânica", prefácio ao livro Pathé Baby de Antônio de Alcântara Machado e um trecho do Serafim Ponte Grande.

Viagem a Cataguazes, Minas Gerais, mantém contato com o Grupo da Verde, se hospeda no Hotel Villas.

1927

Publicação de A Estrela de Absinto pela Editora Helios com capa de Brecheret.

Publica Primeiro Caderno de Poesia do Aluno Oswald de Andrade, ilustrado pelo autor, com capa de Tarsila.

Começa no Jornal do Comércio a coluna "Feira das Quintas".

Participa do jantar literário em homenagem a Paulo Prado, em abril na Vila Fortunata.

Permance uma temporada, de junho até agosto, em Paris para a exposição de Tarsila, voltando ao Brasil faz escala na Bahia.

Abre escritório comercial na Pr. Patriarca. 20.

Disputa o prêmio romance, patrocinado pela Academia Brasileira de Letras, com A Estrela de Absinto, que obteve menção honrosa.

Publica trechos de Serafim Ponte Grande no nº 3 da revista Verde.

1928

Viagem à Bahia pelo Manaus.

Ler o Manifesto Antropófago para amigos na casa de Mário de Andrade.

Compra quadros do surrealista De Chirico: Enigma de um dia e Os cavalinhos, um deles comprado diretamente do pintor e o outro da viúva do escritor Apollinaire.

Publica o Manifesto Antropófago e ajuda a fundar a Revista de Antropofagia.

Viaja à Europa, regressando no mesmo ano pelo Asturias com passagem por Lisboa.

Fica em Paris os meses de junho e julho para a 3ª exposição de Tarsila, de 18 de junhoa 2 de julho.

1929

Julho, excursão pelo trem da Cruzeiro do Sul, em viagem ao Rio para a exposição de Tarsila, com Anita Malfatti, Waldemar Belisário, Patricia Galvão. Hospedam-se no Palace Hotel .

Está em Paris em julho.

Entra em contato com Benjamin Péret que mora no Brasil até 1931.

Hospeda na sua fazenda - Santa Tereza do Alto - o filósofo alemão Hermann Keyserling e a dançarina Josephine Baker.

É expulso do Congresso de Lavradores, realizado no Cinema República (SP) por propor um acordo com o trabalhador do campo.

Separa-se de Tarsila do Amaral.

Rompe com Mário de Andrade e Paulo Prado.

Viagem à Bahia com Pagú.

1930

Reside no Terminus Hotel em São Paulo.

lº de abril e 1930 - casamento com Patricia Galvão (Pagu).

Escreve "A casa e a língua", em defesa da arquitetura de Warchavchik.

Nasce seu filho Rudá com a escritora Patricia Galvão.

Preso pela polícia do Rio de Janeiro, por ameaçar o antigo amigo, poeta Olegário Mariano.

CRONOLOGIA (1931 - 1945)

1931

Escreve O mundo político .

Tem um encontro com Prestes em Montevidéu, que muda o rumo político do escritor Oswald.

Começa a escrever ensaios políticos, geralmente sobre a situação e os problemas do operário.

Reside na Rua dos Ingleses, 56.

Funda com Queiroz Lima e Pagu O Homem do Povo.

Engaja-se no P.C.

1932

Redige o prefácio definitivo de Serafim Ponte Grande.

1933

Pronuncia conferência - O Vosso sindicato - no sindicato dos padeiros de São Paulo.

Mora na Rua Oswald de Andrade, 57.

Publica Serafim Ponte Grande.

Patrocina a publicação de Parque Industrial, romance de Pagu.

1934

Está casado com a pianista Pilar Ferrer.

Publica A Escada Vermelha e o O Homem e o Cavalo, com capa de Nonê (Oswald de Andrade Filho).

Lê cenas da peça O Homem e o Cavalo no Teatro de Experiência de Flávio de Carvalho.

Programada a apresentação dessa peça para o teatro que é interditado pela polícia.

24 de dezembro - assina contrato ante-nupcial em regime de separação de bens com Julieta Guerrini.

1935

Compra uma serraria.

Com sua mulher Julieta, acompanha C. Levis-Strauss em excursão até Foz do Iguaçu.

Escreve sátira política para A Platéia.

Faz parte do movimento artístico cultural Quarteirão.

Está fichado na polícia civil do Ministério da Justiça, sob o nº 70, como subversivo.

1936

Publica na revista XI de agosto, "Página de Natal" do Marco Zero.

Conclui o poema O Santeiro do Mangue, 1ª versão, dedicado criticamente a Jorge de Lima e Murilo Mendes.

Empenha um cordão de ouro na casa Leão da Silva Ltda.

Dezembro - casa-se com a escritora Julieta Barbara Guerrini, tendo como padrinho o jornalista Casper Líbero, o pintor Portinari e uma irmã da noiva, Clotilde.

Passa a residir no Rio de Janeiro, na Av.Atlântica, 290, aptº 103 e em São Paulo na Rua Júlio de Mesquita, 50, 13º andar, apt. 13A, edf. Itapetininga.

1937

Escreve O pais da sobremesa.

Tentativa de encenação da peça O Rei da Vela pela Companhia de Alvaro Moreyra.

Atua na Frente Negra Brasileira.

Escreve na revista Problemas (São Paulo).

Publica A Morta e O Rei da Vela.

No Rio de Janeiro, Serafim Ponte Grande é dado como esgotado.

1938

Publica o trecho "A vocação" da série Marco Zero, vol. IV, A presença do Mar.

Está ligado ao Sindicato de Jornalista de São Paulo, matrícula nº 179.

Redige Análise de dois tipos de ficção.

Hospeda-se no Rio de Janeiro, no Natal Hotel.

1939

16 de fevereiro - Oswald ingressa no Pen Club do Brasil.

8 de agosto - Viagem à Europa pelo Alameda Star, com sua mulher Julieta, para participar do Congresso do Pen Club, em Estocolmo, que não se realizou por causa da guerra.

Retorna pelo navio cargueiro Angola.

Publica no jornal Meio Dia as colunas "Banho de Sol" e "De literatura".

É o representante do jornal Meio Dia em São Paulo.

Escreve para o Jornal da Manhã (S.P.) uma série de reportagens sobre personalidades importantes da vida política, econômica e social de São Paulo.

Reside na Brigadeiro Luis Antonio 3085, São Paulo.

Passa uma temporada em S.Pedro, perto de Piracicaba, em tratamento de saúde.

1940

Escreve O lar do operário.

Reside na rua Martiniano de Carvalho, n. 689.

Candidata-se à Academia de Letras pela segunda vez, enviando uma carta aberta aos imortais.

1941

Monta um escritório de imóveis na rua Marconi, com o filho mais velho.

1942

Expõe trabalhos de pintura na Sala dos Intelectuais, no VII Salão do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo.

Publica Cântico dos Cânticos para Flauta e Violão, dedicado à sua mulher Maria Antonieta.

Lança, em 2ª edição pela Globo, Os Condenados com capa de Koetz.

1943

Publica Marco Zero - lº vol. pela José Olympio, capa de Sta.Rosa.

Reside na João Passalaqua.

Começa a publicar no Diário de S.Paulo a coluna "Feira das Sextas".

Casa-se com Maria Antonieta d'Alkmin.

1944

Pronuncia na Faculdade de Direito a conferência "Fazedores da América", publicada no Diário de S.Paulo, 31 out. 1944.

Tem como endereço em S.Paulo, Rua Aurora, 579, aptº 23, Tel. 49296.

Inicia a série Telefonema, publicada no Correio da Manhã, até 1954.

Viaja a Belo Horizonte, com uma caravana de intelectuais e faz uma conferência na Exposição de Arte Moderna, organizada pelo Prefeito Juscelino Kubstichek.

1945

Escreve "O sentido da nacionalidade no Caramurú e no Uruguai".

Publica "A arcádia e a inconfidência" tese apresentada à cadeira de literatura brasileira da FFCL da USP.

Nasce sua filha Antonieta Marília.

Reúne no volume Ponta de Lança artigos esparsos.

Publica "A sátira na poesia brasileira", conferência pronunciada na Biblioteca Pública Municipal de São Paulo.

Participa do Congresso de Escritores em São Paulo.

Publica Poesias Reunidas O.A, ed. Gaveta e Marco Zero, 2º vol. pela José Olympio.

Faz a saudação a Pablo Neruda em visita ao Brasil.

Inicia a organização da Ala Progressita Brasileira, programa de conciliação nacional.

Lança um manifesto ao "Povo de São Paulo, Trabalhadores de São aulo. Homens livres de São Paulo".

Agosto - escreve o "Canto do Pracinha só".

Rompe com o Partido Comunista do Brasil e Luis Carlos Prestes, seu secretário geral.

junho - publica na Gazeta de Limeira "A lição da inconfidência", conferência pronunciada em Piracicaba.

CRONOLOGIA (1946 - 1954)

1946

Publica O Escaravelho de Ouro (poesia).

Contrato entre o escritor Oswald de Andrade e o governo de São Paulo para a realização da obra "O que fizemos em 25 anos", espécie de levantamento da vida nacional, em todos os setores da atividade técnica e social à literária e artística.

Conferência "Informe sobre o modernismo".

Apresenta o escritor norte-americano Samuel Putnam, em visita ao Brasil, na Escola de Sociologia e Política (São Paulo).

Participa em Limeira - SP do Congresso de Escritores.

1947

outubro - candidato a delegado regional da Associação Brasileira de Escritores e perde a eleição. Envia bilhete-aberto ao Presidente da Seção Estadual, escritor Sérgio Buarque de Holan da, protestando e desligando-se da Associação.

1948

Pronuncia em Bauru a conferência "O sentido do interior".

Nasce seu filho Paulo Marcos.

1949

Publica na revista Anhembi o texto "O modernismo".

25 de janeiro - Conferência no Centro de Debates Casper Líbero: "Civilização e dinheiro".

19 de maio - Conferência no Museu de Arte de São Paulo: - "Novas dimensões da poesia".

Excursão a Iguape, com Albert Camus para assistir às tradicionais festas do Divino.

É encarregado de apresentar e saudar o escritor francês de pas sagem por São Paulo para fazer conferências.

Escreve a coluna "3 linhas e 4 verdades" na Folha de S.Paulo, até 1950.

5 novembro - Conferência na Faculdade de Direito em homenagem a Rui Barbosa.

1950

Escreve O antropófago

Homenageado com um banquete, no Automóvel Clube, pela passagem do 60º aniversário, saudado por Sérgio Milliet.

Defende tese para livre docente na FFLCH-USP, "A crise da filosofia messiânica".

Candidato a deputado federal pelo PRT, tendo comitê na rua Vitória, 653, 2º andar. Telefone 39017.

Pronuncia as seguintes conferências: "A arte moderna e a arte soviética", "Velhos e novos livros atuais".

Redige "Um aspecto antropofágico da cultura brasileira - o homem cordial" para o 1º Congresso Brasileiro de Filosofia.

Reside na rua Ricardo Batista, 18, 5º andar, (esquina da rua Major Diogo).

Apresenta a versão definitiva de O Santeiro do Mangue.

1952

Escreve Introdução à antropofagia.

Abril - Discurso de saudação em homenagem a Josué de Castro, representante da ONU, por iniciativa da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Escreve o artigo "Dois emancipados: Júlio Ribeiro e Inglês de Souza".

Reside na rua Bolivar, 130.

1953

Membro da Comissão Julgadora do Salão Letras e Artes Carmen Dolores.

Saudou o escritor José Lins do Rego, pelo prêmio recebido em torno do romance Cangaceiros, patrocinado pelo Salão de Letras e Artes Carmen Dolores Barbosa.

Começa a publicar a série A Marcha das Utopias para O Estado de S.Paulo.

Tenta em vão vender sua coleção de quadros (1 Léger óleo, 1 aquarela com dedicatória, 3 Chirico óleo, 1 Picasso guache, 1 Picasso aquarela, 1 Chagall desenho, 1 Miró têmpera, 1 Delaunay litografia com dedicatória, 1 Archipenko óleo, 1 Laurens desenho, 1 Pruna óleo, 1 Severini óleo, 1 Picabia desenho.

1954

Escreve o ensaio Do orfico e mais cogitações; O primitivo e a antropofagia.

Envia comunicação, por intermédio de Di Cavalcanti, para o Encontro de Intelectuais, no Rio de Janeiro.

Publica o primeiro volume das Memórias - Um homem sem profissão - com capa de Nonê, pela José Olympio.

Graças à interferência de Vicente Rao, foi indicado para ministrar um curso de cultura brasileira em Genebra.

Retorna como sócio à Associação Brasileira de Escritores (A.B.D.E.).

Falece em São Paulo, em 22 de outubro, na sua residência da rua Marquês de Caravelas, 214. É sepultado no jazigo da família, no cemitério da Consolação, rua 17, nº 17.

Fonte: www.unicamp.br

Oswald de Andrade

Formou-se bacharel em Direito em São Paulo, em 1919. Dois anos depois começou a articular a campanha modernista, com a publicação do artigo O Meu Poeta Futurista, que lançou o poeta Mário de Andrade, no Jornal do Comércio, e o contato com os artistas e intelectuais, como Anita Malfatti e Manuel Bandeira, que participariam na Semana de Arte Moderna, em 1922.

Oswald de Andrade
Oswald de Andrade

Na década de 1920, colaborou em vários periódicos, principalmente nos modernistas, como a revista Klaxon, publicou os romances da Trilogia do Exílio e trabalhou na divulgação da estética modernista com os manifestos Pau-Brasil (1924) e Antropofágico (1928).

Nos anos seguintes publicou romances, entre eles Serafim Ponte Grande e Marco Zero, além de peças teatrais, dentre as quais se destaca O Rei da Vela.

Oswald de Andrade
Oswald de Andrade

Foi integrante do Partido Comunista, entre 1931 e 1945, e sofreu perseguições políticas pela sua militância.

Em 1945 tornou-se livre-docente em Literatura Brasileira na USP, com a tese A Arcádia e a Inconfidência. Publicou, em 1954, o livro de memórias Um Homem Sem Profissão.

Destacam-se, em sua obra poética, os livros Pau-Brasil (1925) e Primeiro Caderno do Aluno de Poesia Oswald de Andrade (1927). Oswald de Andrade é um dos nomes fundamentais do Modernismo.

A respeito de sua poesia, Haroldo de Campos afirmou: "Oswald recorreu a uma sensibilidade primitiva (como fizeram os cubistas, inspirando-se nas geometrias elementares da arte negra) e a uma poética da concretude ('Somos concretistas', lê-se no 'Manifesto Antropófago') para comensurar a literatura brasileira às novas necessidades de comunicação engendradas pela civilização técnica.".

Oswald foi também cronista inovador; criou, em 1912, a crônica da imigração na revista O Pirralho, escrevendo em estilo macarrônico. Ao longo da OSWALD DE ANDRADE, "registrou e comentou, de modo crítico, praticamente todos os grandes e momentosos temas e problemas do seu e do nosso tempo", segundo Mário da Silva Brito.

Fonte: www.itaucultural.org.br

voltar 12345avançar
Sobre o Portal | Política de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal