Tarde de 23 de outubro de 1906. Campo de Bagatelle, França. A multidão está dividida. Alguns, eufóricos com a expectativa do que estava por vir. Outros, impacientes, já não acreditavam que algo de especial pudesse acontecer. Mas aconteceu.
A bordo do 14 Bis, um brasileiro chamado Alberto Santos Dumont, confere a hora em seu relógio de pulso, também uma invenção sua. Verifica a direção do vento e decide fazer mais uma tentativa.
Voou cerca de 60 metros a uma altura de 2 a 3 metros com seu 14 Bis. Poucos dias depois, repetiu o feito e percorreu 220 metros a uma altura de 6 metros.

[Santos Dumont] Este foi o primeiro vôo de um aparelho mais pesado que o ar. Os irmãos Wright, dos EUA, reclamam para si este feito. Mas, diferentemente de Santos Dumont, que fez seu vôo em um circuito pré-estabelecido sob testemunho oficial de especialistas, jornalistas e da população parisiense, os irmãos Wright realizaram seu suposto vôo em uma fazenda, sem testemunhas.
Ao longo do tempo, a invenção de Santos Dumont foi se aperfeiçoando até chegar aos modernos aviões de hoje. Por seu pioneirismo e sua ousadia, Alberto Santos Dumont é considerado o Pai da Aviação, tendo recebido inúmeras honrarias por seu feito.
Em homenagem ao primeiro vôo de Dumont, 23 de outubro é considerado o Dia do Aviador. A Lei n° 218, de 4 de julho de 1936, declara 23 de outubro o dia do aviador, em homenagem ao primeiro vôo da história, realizado nesta data, em 1906. Conforme Lei nº 11.262, publicada no Diário Oficial da União, 2006 será o Ano Nacional Santos Dumont, o Pai da Aviação.
Estão marcadas para este dia uma séria de atividades relacionadas ao centenário do primeiro vôo do 14 bis.
Fonte: lproweb.procempa.com.br
O mundo que assistiu atônito e esperançoso à decolagem do 14 bis ansiava por libertar-se das amarras que restringiam a integração entre os povos. As distâncias físicas e culturais à época impediam que milhões de pessoas tivessem acesso aos benefícios advindos da evolução pela qual a humanidade passava.

T-27 Tucano do EDA
Foi esta ânsia milenar que sustentou as asas daquele protótipo durante os seis segundos que mudaram a trajetória do homem. A primeira máquina voadora a ganhar os céus por meios próprios tornava-se, também, uma autêntica máquina do tempo, unindo o passado e o futuro, e conferindo ao presente uma aceleração jamais concebida.
Ao tocar os gramados do Campo de Bagatelle, o genial, intrépido e generoso Alberto Santos-Dumont entregava ao homem um novo mundo, diferente daquele que o viu decolar: um mundo próspero e repleto em oportunidades.
Celebrar o 23 de outubro – o Dia do Aviador – é, na verdade, enaltecer o real sentido que aquela façanha conferiu à história e aos rumos da humanidade. É refletir sobre o significado do domínio dos céus e seus inerentes desafios e responsabilidades. É renovar o orgulho em sermos brasileiros – como Santos-Dumont.
Nos dias de hoje, herdeiros das virtudes e dos sonhos do pai da aviação, bravos aviadores cruzam o azul de todos os fusos, e dão continuidade à grandiosa obra por ele iniciada.
Em suas asas, altaneiros, conduzem a esperança e o progresso; aproximam famílias e nações; vigiam e defendem o espaço aéreo; asseguram aos aflitos, na terra e no mar, a certeza do resgate.
Eis o espírito de devoção e profissionalismo que anima aviadores de todas as bandeiras, civis e militares. Eis o espírito altruísta que os faz despertar a cada manhã e oferecer em holocausto suas próprias vidas, se preciso for, munidos do entusiasmo nascido ainda no primeiro vôo.
Dassault Mirage IIIBR da FAB
Comungando deste contagiante júbilo, celebramos, também, o Dia da Força Aérea Brasileira, uma instituição composta pelos legítimos e valorosos sucessores dos bandeirantes do Correio Aéreo Nacional e dos guerreiros do Primeiro Grupo de Aviação de Caça. São homens e mulheres que, atuando nos mais diversos setores, voando e fazendo voar, contribuem para que esta grande aeronave se mantenha em seu vôo ascendente.
Por isso, é impossível conter, neste momento, os sentimentos de realização e altivez que afloram no peito ao constatarmos que cada gota de suor dedicada ao cumprimento de nossa missão tem colaborado de forma fundamental para o engrandecimento do país.
Nesse mister, vêm à memória as inúmeras comunidades atendidas em nossos hospitais de campanha; o empenho em minimizar o sofrimento de milhares de vítimas de calamidades de toda sorte; o comprometimento de nossas tripulações nas buscas das aeronaves acidentadas, como o triste episódio do voo Air France 447; as missões humanitárias de ajuda aos países amigos, e tantas outras ações que exultam o nome do Brasil e da Aeronáutica.
Graças ao empenho de cada um dos integrantes de nossa organização, somos hoje uma Força Aérea respeitada e atuante, perfeitamente inserida no contexto nacional e internacional.
Os esforços empreendidos nos campos da ciência e tecnologia, formação de recursos humanos, capacitação operacional e apoio ao homem têm proporcionado notável incremento em nossas capacidades e assegurado ao povo brasileiro a certeza da paz, da soberania e do desenvolvimento.
Este é o auspicioso horizonte que se descortina diante de nossos olhos, e que trás os frutos deste magnífico e gratificante trabalho. Esta é a Força Aérea que sempre sonhamos. E cada um dos senhores e senhoras faz parte desta realidade.
Recebam, pois, meu mais elevado respeito e meu profundo orgulho em comandá-los!
Aos céus, aviadores! Avante Força Aérea Brasileira!
Que esta chama permaneça sempre muito viva em cada um de nós, guiando nossas atitudes, inspirando nossos ideais e ratificando nosso compromisso com este magnífico Brasil.
Fonte: www.loucosporaeromodelismo.com.br