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Oxi ou pasta base?

Uma “nova droga” começa a fazer vítimas no país, que ainda não conta com os esclarecimentos técnicos necessários para definir o que vem a ser o oxi.

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Não bastasse o efeito devastador do uso do crack, que tem se espalhado pelas regiões Sul e Sudeste do Brasil, uma nova droga foi descoberta recentemente no estado do Acre, fronteira com a Bolívia.

Possivelmente uma das mais potentes e perigosas drogas conhecidas, o oxi ou oxidado, como é conhecido pelos seus usuários, é uma variante do crack. A diferença é que, na elaboração, ao invés de se acrescentar bicarbonato e amoníaco ao cloridrato de cocaína, como é o caso do crack, adiciona-se querosene ou cal virgem para obter o oxi. The Narco News Bulletin, 13 de maio de 2005

“O consumo de uma droga derivada da cocaína mais potente e letal do que o crack foi descoberto por acaso, no Acre. Chamada de oxi, a droga é feita a partir de resíduos da folha de coca lacerada e misturada à cal virgem e querosene.

Sua proliferação foi detectada por pesquisadores que estudavam o grau de vulnerabilidade de usuários de drogas às doenças sexualmente transmissíveis.

O oxi é tão potente que pelo menos 13 usuários, não encontrados após a conclusão das pesquisas, foram dados como mortos por conhecidos.” Estadão, 14 de abril de 2005

Desde meados do primeiro semestre deste ano, uma “nova descoberta” vem tomando corpo na imprensa. A partir de uma pesquisa patrocinada pelo Centro de Controle de Doenças dos EUA, a ONG Reard (Rede Acreana de Redução de Danos) levantou-se, junto a viciados nas cidades acreanas de Rio Branco, Epitaciolândia e Brasiléia, dados suficientes para, segundo a instituição, comprovar o uso crescente de uma nova droga.

Desde então o oxi, ou oxidado, passou a sustentar o título de “uma das mais potentes e perigosas drogas conhecidas”, ou ainda, “mais potente e letal do que o próprio crack”, segundo reportagens como as exemplifi cadas acima.

Mas, o que de fato é o oxi?

É realmente uma nova droga como propaga a imprensa ou uma nova forma de consumo da cocaína? E será que é tão nova assim? Este artigo se propõe a lançar essa discussão e colocar o assunto em pauta, para estimular trabalhos que visem ao esclarecimento técnico dessa questão antes que o mito oxi se torne verdadeiro demais.

A SITUAÇÃO DA FRONTEIRA

Com relação ao tráfico, uma das principais características da fronteira acreana é ser notadamente um ponto de passagem da coca. Por isso, historicamente grande parte das apreensões realizadas pela Polícia Federal no estado é de pasta base. O refino e o batismo, etapas seguintes no processo de produção e comercialização da cocaína, não são realizados no estado acreano. Pelo menos essa não é a regra.

A característica de ponto de passagem da cocaína em seu estado de pasta base, “suja”, alia-se à condição socioeconômica da capital acreana, fator que pode ter contribuído para o alastramento do oxi e a difusão do tráfi - co e consumo de drogas na capital. No que concerne ao aspecto socioeconômico, Rio Branco possui o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da região Norte e o 21º do país. Fica em penúltimo lugar do Brasil quando se considera o IDI (Índice de Desenvolvimento Infantil) e é campeã em concentração de renda. A falta de saneamento básico, assistência médico-hospitalar precária e o difícil acesso da população ao sistema público de saúde são causas diretas no desenvolvimento desse quadro. Não há praticamente indústrias no estado, cuja principal renda provém de verbas federais. Segundo José Mastrângelo, em artigo publicado no jornal O Rio Branco, o desemprego chega a cerca de 38% da população ativa.

Isso contribui de forma decisiva para colocar, literalmente, trabalhadores nas mãos de trafi cantes. O serviço de “mula” acaba por se mostrar como a única alternativa de muitos jovens para conseguir alguma renda.

Por conseqüência disso, o sistema os coloca em contato direto com a droga: cocaína na forma de pasta base.

Abundante na região, a pasta base não possui um preço tão elevado quanto o cloridrato de cocaína ou mesmo o crack, formas menos freqüentes de serem encontradas no Acre. A pasta, bastante acessível, é a forma de cocaína consumida pelas camadas mais pobres da população.

Talvez daí tenha surgido o oxi, a pasta base fumada.

O nome oxi, aliás, pode ser ainda originário do fato de a pasta base encontrada na região já ter passado pelo processo de oxidação, pela ação do permanganato de potássio.

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Pasta base de cocaína apreendida em Rio Branco e acondicionada juntamente com pó de café. Dentre as muitas formas de dissimulação da droga utilizadas por traficantes, esta é uma das mais populares

QUANTO AOS ASPECTOS MORFOLÓGICOS E FÍSICO-QUÍMICOS

A dificuldade que se impõe é distinguir o que é o oxi e o que é pasta base. O crack e as formas mais puras da cocaína já refinada – tanto o sal quanto a base livre –, possuem características físico-químicas que os distinguem facilmente de outras formas de apresentação. Já a pasta base e o oxi são muito parecidos, isso admitindo que exista realmente alguma diferença em seus constituintes.

Ambos possuem coloração ocre a amarelada.

No laboratório, quanto aos ensaios físico-químicos mais corriqueiros realizados para a cocaína, não há distinção clara daquilo que é chamado de oxi e de pasta base. Testes como Scott Modifi cado, Mayer e Cromatografi a em Camada Delgada (nos dois sistemas de eluição) apontam indubitavelmente para a presença do alcalóide cocaína e ausência de manchas características, e que possam são apreendidas grandes quantidades de pasta base de cocaína. Não há nenhuma menção relativa ao oxi, mesmo porque, com os recursos técnicos atualmente disponíveis no estado, não há como diferenciá-lo da pasta base. A única distinção fi ca por conta de informações prestadas pelos agentes da Polícia Federal responsáveis pela apreensão, sem nenhum embasamento técnico-científi co.

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O oxi, à esquerda, e a pasta base, à direita: as diferenças são inerentes à procedência do produto

Fonte: www2.mp.pa.gov.br

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Oxi, a mais nova droga, bem mais letal do que o crack e que estaria se espalhando em todo o país a partir do Acre, será o tema central de um debate na Comissão de Segurança Pública da Câmara Federal. Um requerimento apresentada na tarde de ontem pela deputada Perpétua Almeida (PCdoB), membro da comissão, despertou a preocupação das bancadas que compõem o colegiado. Por unanimidade, foi aprovada a solicitação para que representantes da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) compareçam ao Congresso Nacional e explicarem a estratégia de proteção das fronteiras do país.

A deputada propõe um debate público sobre as condições operacionais das instituições que têm a obrigação de fiscalizar e coibir a entrada de drogas no Brasil.

O assunto ganhou o noticiário nacional após reportagem do Jornal O Globo, segundo o qual a proximidade com Bolívia e Peru (os principais produtores de cocaína do mundo) faz do Acre a principal rota internacional para a infestação do Oxi no país. Estarreceu num primeiro momento. Mas devemos agir com a razão neste caso. Se é verdade, as instituições devem agir, e logo. Combater o tráfico e cuidar de quem está doente é uma obrigação do Estado Brasileiro, afirmou a deputada.

As informações da imprensa nacional são avalizadas por Maurício Moscardi, delegado da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Federal no Acre, para quem o oxi chega barato ao Acre, está espalhado por Rio Branco e tem potencial para se difundir por todo o Brasil, já que não precisa de laboratório para ser produzido, e isso facilita a sua expansão.

Perpétua buscará mais informações sobre o noticiado corte de R$ 1,5 bilhão no orçamento da Polícia Federal para 2011, que já estaria afetando a fiscalização em regiões de fronteiras, inclusive as ações de combate ao narcotráfico e contrabando de armas. O fechamento dos postos de fronteira pode ser uma conseqüência real deste corte. Quero acreditar que ninguém no nosso governo aceite tamanho prejuízo, disse a deputada.

Diárias, passagens e a manutenção de equipamentos são relatados com causas para mais prejuízos nas fiscalizações. O ministro da justiça, José Eduardo Cardozo, disse que a medida foi necessária para a estabilidade do país.

Crianças, jovens e adultos se prostituem para comprar Oxi em Rio Branco

Considerada nova por muitos, a droga conhecida como oxi ou oxidado vem se popularizando nos últimos anos, principalmente no estado do Acre.

O oxi se diferencia do crack por ser mais letal e por ter valor menor no mercado da droga. Crianças, jovens e adultos se prostituem para manter o vício. Essa realidade é comum no Centro da cidade e em bairros que ficam próximos às BRs.

O oxi encontra no Acre a principal entrada para o Brasil, a partir dos municípios de Brasileia e Epitaciolândia. Com poder mais letal que o crack, a pedra tem 80% de cocaína, enquanto o crack não passa de 40%. A Polícia Federal no Acre apreendeu em 2010 cerca de 300 quilos de base livre de cocaína, matéria-prima para a fabricação do oxi.

Quando a Bolívia se tornou produtora, o preço caiu e a cocaína se difundiu no Acre. A realidade é que o oxi é barato, está espalhado por Rio Branco e tem potencial para se espalhar por todo o Brasil, já que a base livre de cocaína está em todos os estados do país e já foi apreendida em todos os lugares, explicou o delegado da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Federal no Acre, Maurício Moscardi.

De acordo com informações, a pedra pode ser encontrada pelo preço que varia entre R$ 2 e R$ 5. O valor final se deve aos produtos de baixo custo, usados na composição da droga.

Além disso, o oxi não precisa de laboratório para ser produzido, e isso facilita ainda mais a expansão, declarou o delegado. (Bruna Lopes)

Fonte: www.jornalatribuna.com.br

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Oxi, droga mais letal que crack, provoca epidemia de vício pelo país

Um derivado da cocaína está provocando uma epidemia de vício na capital do Acre, Rio Branco, e está se espalhando pelo país. De acordo com reportagem em cinco páginas publicada na edição deste domingo do jornal "O Globo", a droga chamada de oxi é consumida e procurada por jovens e crianças de todas as classes socioeconômicas do estado da Região Norte. É possível ver viciados perambulando em todas as regiões da cidade.

O nome é uma abreviação de "oxidado": trata-se de uma mistura de base livre de cocaína e combustível (como querosene ou gasolina). É semelhante ao crack por ser uma pedra branca fumada em cachimbo, que custa mais barato e mata mais rápido. A droga veio da Bolívia e do Peru e entrou no Brasil pelo Acre.

Há relatos de que o oxi já tenha deixado viciados nos outros estados da Região Norte e também em Goiás, Distrito Federal, em alguns estados do Nordeste e em São Paulo (nas regiões conhecidas como "cracolândia"). Existe a suspeita de que a pedra já pode ser localizada no Rio de Janeiro, mas a polícia não tem registro de apreensões.

Especialistas ouvidos pelo jornal informam que o derivado tem o poder de dependência no primeiro uso, causando efeitos devastadores no organismo humano: doenças no sistema renal, emagrecimento, diarreia, vômitos e até perda de dentes, por conta do processo corrosivo provocado pela presença dos combustíveis na composição do oxi. A reportagem também ouviu depoimentos de viciados em luta pela recuperação em Rio Branco.

"Você usa oxi uma vez, e quer usar duas, cinco, dez, vinte vezes. Com a droga, fiquei viciado também em jogo", afirmou Irivan Lima do Nascimento, de 25 anos.

Ele diz que chegou a traficar e perder quatro motos oferecidas pelo pai (que é fazendeiro), tudo por conta do vício.

Fonte: www.sidneyrezende.com

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OXI, a nova droga devastadora…

O norte do Brasil está vivendo o surgimento de uma nova droga, mais devastadora que o crack, com origens e formas de consumo e comércio similares.

Chamada de “OXI” (do termo “oxidado”), a droga é o resultado da mistura do resto do refino das folhas de coca, ácido sulfúrico, cal e querosene ou gasolina, enquanto o crack é a mistura de pasta de cocaína com bicarbonato de sódio.

Para que o leitor possa se informar sobre a substância, que já se admite que esteja sendo traficada em 7 estados da Região Norte brasileira, trazemos a íntegra do programa Conexão Repórter, do SBT, que viajou ao Acre (fronteira com a Bolívia) para entender a incidência da droga. O programa traz entrevistas com usuários e autoridades, mostrando a dinâmica do tráfico e uso do OXI.

É importante aos policiais e interessados no tema ficarem atentos ao fenômeno, que tal como o crack pode trazer vítimas de forma epidêmica em nosso país.

Danillo Ferreira

Fonte: abordagempolicial.com

Oxi

Droga resultante de um processo com maceramento de folhas de coca, misturado com cal virgem e querosene, apresentando-se em forma de pedra e utilizado como o crack (pipado em latinhas de metal), também de forma macerada com tabaco ou maconha (fumado) ou ainda passado por um processo de refino primário aspirado. Processo que ainda precisa ser estudado e descrito.

Oxi
Preparo da Mescla e Oxi

Oxi ou OX – Características

A amarelada, que parece rapadura, é que é boa – a escura, preta, tem muito querosene
Tem várias cores, tem amarela, roxa... A roxa é melhor, a branca é pior
A roxinha é bem mais forte, dá efeito mais rápido
Tem a branca e a roxa, mas a melhor é a roxa, é mais pura e mais forte

Oxi: a nova droga na fronteira amazônica

Não bastasse o efeito devastador do uso do crack, que tem se espalhado pelas regiões sul e sudeste do Brasil, uma nova droga foi descoberta recentemente no estado do Acre, fronteira com a Bolívia. Possivelmente uma das mais potentes e perigosas drogas conhecidas, o oxi ou oxidado, como é conhecido pelos seus usuários, é uma variante do crack. A diferença é que, na elaboração, ao invés de se acrescentar bicarbonato e amoníaco ao cloridatro de cocaína, como é o caso do crack, adiciona-se querosene e cal virgem para obter o oxi. “A gente tinha idéia de que havia essa droga, mas nenhuma estudo científico comprovava”, conta Álvaro Ramos, presidente da ONG Rede Acreana de Redução de Danos – Reard.

Durante 2003 e 2004, a Reard pesquisou 75 casos de usuários de drogas provenientes do refugo – ou resto – da produção de cocaína boliviana. O foco do estudo, em princípio, era acompanhar o uso de mescla ou merla, droga amplamente usada nas cidades acreanas, e a vulnerabilidade dos usuários à Aids e demais doenças sexualmente transmissíveis. A mescla é uma espécie de “tia” mais rudimentar do crack, produzida a partir do refugo da cocaína, mais alguns produtos químicos como cal, querosene, acetona, solução de bateria elétrica etc. “Depende do traficante e de que produtos ele tem à mão”, diz Álvaro Mendes.

O projeto, financiado pelo Centro de Controle de Doenças dos EUA, acabou se deparando com uma dura realidade: nas cidades fronteiriças, o oxi substituiu a mescla, com efeitos muito mais nocivos.

As cidades do oxi

Brasiléia e Epitaciolândia são cidades conhecidas de qualquer um que estude o tráfico de cocaína vindo da Bolívia para o Brasil. Cidades pobres, cercadas de periferias principalmente às margens dos rios, onde os habitantes moram em casas de madeiras sobre palafitas, elas ficam à distância de um leito d´água da cidade de Cobija, ao norte do país andino. A rota mais comum usada para a produção de cocaína, oxi e mescla, segundo os entrevistados da Reard, é a partir do Peru para a Bolívia pelo lado brasileiro, onde a estrada é melhor, para na amazônia boliviana ser transformada em cocaína, crack e mescla. Depois, ela volta ao Brasil. “O rio que separa os dois países é alagadiço, enche quando é período de chuvas e quando não chove fica raso, dá para atravessar andando. Isso facilita muito o tráfico”, explica Álvaro Augusto Andrade Mendes.

Foi nessas duas cidades fronteiriças que a equipe da ONG realizou sua pesquisa, acompanhando viciados em oxi.

Não sem dificuldade: “Os usuários costumam se esconder, tivemos que procurar muito, e ganhar a confiança deles”, conta Rodrigo Correia, um dos pesquisadores que a campo realizar o trabalho. E viu a realidade dos bairros onde a droga se alastra. “Bairros bem desprovidos, as pessoas eram bem pobres mesmo. As casas eram de madeira, a maioria na beira dos rios, sem saneamento básico, sem água, sem as mínimas condições de higiene. Eu entrevistei pessoas de 18 a 35 anos, que já usavam o oxi há algum tempo. Todos, sem exceção, estavam desempregados”. Ou então trabalhavam em bicos, o que pode trazer uma renda de até 2 salários mínimos (600 reais). Dentre os entrevistados, 62,5% tinham filhos, mas só 20% viviam com a família.

Vendido em pedras –que podem ser mais amareladas ou mais brancas, dependendo da quantidade de querosene ou cal virgem, respectivamente– o grande apelo do oxi é justamente o seu preço: enquanto a mescla custa de 5 a 10 reais uma trouxinha que serve 3 cigarros, o oxi é vendido de 2 a 5 reais por 5 pedras.

“É uma droga popular, inegavelmente, mas dependendo do período o preço aumenta: se é época de chuva, se a polícia intensifica mais a vigilância”, explica Álvaro. Além dos problemas sociais que claramente empurram esses jovens para o uso da droga, a proximidade com o comércio ilegal também abre as portas.

Segundo Rodrigo Correia, muitos dos seus entrevistados trabalhavam ou haviam trabalhado como “mulas”, atravessando a fronteira portando a droga, ou vendedores. “Muitos deles sofrem a influência de amigos que consomem ou estão envolvidos com o tráfico. Mas a maior questão do oxi é que ela é uma droga mais rápida, causa um efeito mais forte, e é a única coisa que vem para eles, eles não têm opção”.

“Fissura”

Essa falta de opção não poderia ser mais fatal. Altamente aditiva, a pedra é consumida em latinhas com furos, como o crack, o que torna a fumaça mais pura e o efeito ainda mais forte. Mas há casos, também, de consumo de oxi, triturado, em cigarros, misturado à maconha ou ao tabaco, e em pó, aspirado. Seja da maneira que for, o consumo é sempre acompanhado de bebida –cachaça, cerveja, ou coisa pior. “Muitos usam junto com álcool, não o álcool de beber, mas o álcool de tampinha azul, como eles chamam, que eles misturam com suco de groselha”. O “álcool da tampinha azul” nada mais é que álcool etílico, desinfetante usado na limpeza de casas.

O uso do álcool é quase indispensável, segundo apuraram os pesquisadores da Reard, por causa de uma característica do oxi, a chamada “fissura”.

Rodrigo explica o que ouviu dos seus entrevistados: “No começo eles sentem uma sensação de euforia, de ânimo. Depois vem o medo, a mania de perseguição, a paranóia”. A droga só dá “barato” no momento em que está sendo consumida, e cada pedra dura cerca de 15 minutos. Para perpetuar o barato, o álcool serve de alívio entre uma pipada e outra, num ritual que se alonga por mais de 6 horas, geralmente à noite.

Para conseguir mais droga e calar a “fissura”, é comum que os usuários se entregarem a pequenos roubos e à prostituição, o que os torna mais vulneráveis à AIDS e demais doenças sexualmente transmissíveis, ainda mais porque, sem atenção do poder público, o conhecimento sobre sexo seguro é muito pouco entre essa população. “A gente viu na pesquisa que tanto o início do uso da droga quanto início da vida sexual acontece dos 9 aos 14 anos de idade, um dado que alarmou a gente”, conta Álvaro Mendes.

Espectros

Extremamente nocivo ao organismo, o uso do oxi perturba o sistema nervoso central e leva à “paranóia”, ao medo constante.

Mas vai além disso: “Eles ficam nervosos, há emagrecimento rápido, ficam com cor amarelada, têm problemas de fígado, dores estomacais, dores de cabeça, náuseas, vômitos, diarréia constante”, conta Álvaro.

Trabalhando há mais de 5 anos com redução de danos, ele conta que jamais se chocou tanto quanto ao presenciar o consumo de oxi: “Quando parava de pipar a pedrinha, tragando a fumaça pela boca, ele caía vomitando e defecando, e ficava tendo barato no meio do vômito e das fezes, até se levantar para consumir de novo”.

Outro dado alarmante, dessa vez em termos numéricos: cerca 30% dos que foram entrevistados pela equipe da ONG morreram no período de um ano – a grande maioria por efeito da droga, embora alguns também tenham sido mortos por participarem de roubos ou tráfico.

Outro motivo que leva ao adoecimento e até à morte é a própria “paranóia”, que os faz evitar procurar ajuda. Rodrigo conta que o chocou o caso de um jovem de 18 anos que tinha pavor de ir ao hospital e se negava a ser medicado, embora tivesse um ferimento exposto. “Toda vez que ele entrava num hospital, se não segurassem, ele fugia. Ele mesmo se medicava. A gente via que ele estava se acabando mesmo. Magro, com aspecto físico terrível, a questão da higiene pessoal não existia mais, parecia um espectro.

Aliás, essa é uma maneira de conhecer quem usa a droga há muito tempo, se olhar com cuidado: parece um espectro”.

Usuários “marcados”

Mas o que deveria gerar preocupação e mais cuidado do poder público acaba gerando, pelo contrário, asco e repulsa. Segundo relatam os profissionais que estudaram os efeitos das droga, o preconceito ainda é muito grande. Álvaro conta que muitos agentes de saúde nem mesmo se aproximam dos usuários.

“Em uma intervenção que a gente fez, tentado uma aproximação dos agentes de saúde com os usuários, isso ficou muito claro: a gente ficou no meio da rua, de um lado os usuários e do outro os agentes de saúde”. Ele diz também que, por serem as localidades estudadas em cidades do interior, os usuários ficam “marcados”, muitas vezes pelos próprios agentes, que “espalham para a cidade inteira” seu vício.

A polícia não age de maneira diferente. O relatório deixa bem claro que, nas cidades fronteiriças, os usuários são muito mais perseguidos e sofrem uma repressão muito maior do que na capital do Acre, Rio Branco. “Em alguns lugares eles não podiam permanecer na rua até certa hora porque a polícia dava toque de recolher. Chegavam e os mandavam embora. Se não fossem, eram presos, o que é um absurdo, porque não se pode impedir ninguém de ficar numa via pública”, denuncia Rodrigo. A equipe relatou a situação às autoridades da cidade de Epitaciolândia, que se prontificaram a dizer que resolveriam a situação, pois apenas alguns membros da força policial tinham esse “hábito”.

“Um compromisso do poder”

Para lidar com uma droga tão danosa, o trabalho de redução de danos é mais que necessário. Mesmo assim, o que o pessoal da Reard encontrou foi um absoluto descaso das autoridades. “Tem que estabelecer um vínculo com eles, conversar sobre os danos que causa esse tipo de droga e os cuidados que eles devem ter quando consomem”, diz Álvaro. Algumas medidas simples, como cuidar da água que consomem, tomar vitamina C, não consumir álcool “de tampinha azul” e cuidar do local onde usam a droga seriam muito positivas e, em alguns casos, poderiam até evitar a “falência total”. Com esse intuito, a Reard tem se reunido com gestores estaduais para elaborar uma política pública específica para os usuários do oxi. Mas, para Álvaro, “falta um compromisso do poder, principalmente o estadual, porque geralmente se a demanda vem de cima para baixo eles aceitam, mas se vem de ONGs não é muito aceita”.

No próximo dia 24, a Reard vai se reunir com gestores do estado do Acre, representantes do Ministério da Saúde e gestores se saúde do Peru e da Bolívia. E, para dar continuidade ao trabalho, no próximo semestre a ONG vai encabeçar uma pesquisa específica com os usuários de oxi. “Há muita coisa que a gente ainda não sabe, como qual é a causa biológica das mortes pelo oxi e que outras substâncias são usadas no preparo”, diz Álvaro Mendes.

Natalia Viana

Fonte: www.narconews.com

Oxi

Se já não bastassem as drogas atuais como cocaína, crack, álcool e outras, surge agora uma nova droga, conhecida entre os dependentes químicos como oxi ou óleo. Trata-se de uma droga ainda mais nefasta do que o crack pois é um subproduto dele, que já é um subproduto da cocaína.

Na composição do oxi além da pasta base da cocaína entram nada mais nada menos do que querosene, ácido sulfúrico e cal virgem. Por isso os efeitos no organismo são devastadores além de viciar no primeiro contato, tal como o crack.

Para os traficantes o custo de produção do Oxi é menor do que o do crack - com o material gasto para fazer um quilo de crack se faz de 3 a 4 quilos de Oxi.

Devido ao menor custo alguns traficantes estão repassando o Oxi como fosse o crack e essa prática tende a aumentar muito. Maior a repressão da polícia, maior o custo para o tráfico que busca “novas” drogas mais baratas… O oxi é consumido em grande parte pelos consumidores de menor nível social, de menor renda, por ser ainda mais barato que o crack. Infelizmente também são as pessoas que tem maiores dificuldades para fazer um tratamento da dependência química.

A devastação do oxi no organismo

Extremamente nocivo ao organismo, o uso do oxi perturba o sistema nervoso central e leva à “paranóia”, ao medo constante.

Mas vai além disso: causa nervosismo, emagrecimento rápido, cor amarelada, problemas de fígado, dores estomacais, dores de cabeça, náuseas, vômitos e diarreia constante.

Apenas para ilustrar, cerca de 30% dos usuários do oxi foram entrevistados pela equipe de uma ONG de apoio ao dependente químico morreram no período de um ano – a grande maioria por efeito da droga, embora alguns também tenham sido mortos por participarem de roubos ou tráfico.

A diferença entre o crack e o oxi

A diferença entre um e outro está na elaboração do produto. Para a produção do “Oxi”, em vez de adicionar bicarbonato e amoníaco ao cloridrato da cocaína, os traficantes adicionam querosene e cal virgem. A droga tem coloração mais amarelada ou esbranquiçada, dependendo da quantidade de querosene a cal usada no preparo.

Ao ser queimado a substância fica oleosa (por isso também é conhecida como óleo). Fumando num papel, o “Oxi” fica preto; se queimado em um cachimbo, a pedra fica com uma crosta oleosa.

Outro lado perverso do Oxi

Se a dependência química em relação a cocaína já é um problema seríssimo, o uso do oxi quase sempre desencadeia o consumo de álcool – cachaça, cerveja ou até mesmo o álcool de farmácia (os usuários do oxi em geral tem uma renda muito baixa). Além da dependência química o oxi pode levar ao alcoolismo.

No começo o dependente químico em oxi parece sentir uma sensação de euforia, de ânimo. Depois vem o medo, a mania de perseguição, a paranóia”. A droga só dá “barato” no momento em que está sendo consumida, e cada pedra dura cerca de 15 minutos. Para perpetuar o barato, o álcool serve de alívio entre uma dose e outra, num ritual que se alonga por mais de 6 horas, geralmente à noite.

Para conseguir mais droga e dar fim a “fissura”, é comum que os usuários se entregarem a pequenos roubos e à prostituição, o que os torna mais vulneráveis à AIDS e demais doenças sexualmente transmissíveis.

Fonte: www.saudeeforca.com

Oxi

Em recente pesquisa sobre o presente tema notei que alguns setores da imprensa brasileira identificaram o que seria uma nova droga também proveniente da cocaína: o oxi.

Tal droga seria uma espécie de crack piorado, vez que em sua composição química vários outros produtos são adicionados pelos traficantes manipuladores no intuito de aumentar o lucro financeiro do seu comércio, com o barateamento do produto que assim é sempre melhor consumido pela classe mais pobre do nosso país.

É fato científico que para se fabricar o crack, é usada a pasta base da cocaína que adicionada ao bicarbonato de sódio em proporções equivalentes, manipulados com solventes, se transformam em espécie de pedra meio tenra de cor branca caramelizada. Assim, oficialmente o crack é composto basicamente do lixo da cocaína e do bicarbonato de sódio.

Já o oxi vai mais além na sua insanidade. O seu nome de batismo deriva do verbo oxidar, vez que a borra da cocaína ao ser diluída com o ácido sulfúrico e o ácido clorídrico, misturados e manipulados com a cal virgem, querosene ou gasolina, além do próprio bicarbonato de sódio em combinação com o oxigênio, realiza a transformação química, oxidando o produto também em forma de pedra, só que mais amarelo e bem mais nocivo que o crack.Em todos os artigos que escrevi sobre o crack sempre contestei a sua fórmula química oficial que não existe em sua composição qualquer produto inflamável. Em contrassenso, observa-se perfeitamente que há na pedra do crack o cheiro inconfundível de gasolina ou querosene, ademais alguns usuários me disseram que o odor e o gosto da fumaça inalada é semelhante a pneu queimado, razão pela qual, sempre falei que a cal, o querosene ou gasolina, os ácidos sulfúrico e clorídrico e o bicarbonato de sódio, além da pasta base da cocaína, fazem parte da composição química dessa droga, entretanto agora aparece o oxi como sendo o dono de tal fórmula diabólica.

Em assim sendo, fica a dúvida se os viciados brasileiros estariam consumindo o crack ou o oxi, o que, em absoluto não faz muita diferença. Parece a meu ver, apenas uma questão de nomenclatura. Crack ou oxi se confundem e representam a degradação humana, sofrimento e dor nas suas formas mais drásticas possíveis.

Crack e oxi também podem ser uma coisa só e a fórmula que tanto descrevi e combati veementemente pode ser a exata em detrimento à fórmula oficial do crack originada dos EUA, há mais de três décadas. A não ser que o crack dos norte-americanos seja diferente e menos perigoso que o nosso crack. A não ser que o nosso crack seja na verdade o oxi, um crack piorado, falsificado e abrasileirado como tantos outros produtos importados.

Na verdade, sendo crack ou oxi, o usuário ao fumar toda essa parafernália de produtos altamente nocivos e perigosos, aspira o vapor venenoso para dentro de seus pulmões, entrando em consequência na sua corrente sanguínea. Como a droga é inalada na forma de fumaça chega ao cérebro muito mais rápido do que a cocaína ou qualquer outra droga, causando também malefícios mais abrangentes para o usuário que sempre vicia a partir do seu primeiro experimento.

O usuário do crack ou oxi pode ter convulsão e como consequência desse fato, pode levá-lo a uma parada respiratória, coma ou parada cardíaca e enfim, à morte. Além disso, para o debilitado e esquelético sobrevivente seu declínio físico é assolador, como infarto, dano cerebral, doença hepática e pulmonar, hipertensão, acidente vascular cerebral (AVC), câncer de garganta e traquéia, além da perda dos seus dentes, pois o ácido sulfúrico presente na absurda fórmula dessas drogas assim trata de furar, corroer e destruir a sua dentição.

É fácil de concluir que os problemas deixados pelo crack ou oxi em todas as áreas sociais crescem em grandes proporções e atingem em cheio o nosso povo, deixando rastros de lama, miséria, sangue e lágrimas, em destaque para a classe mais pobre do nosso país, mais de perto, para os jovens menos avisados que se lançam nesse profundo poço de difícil retorno.

Archimedes Marques

Fonte: www2.jornaldacidade.net

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