O presente site está sendo desenvolvido com o objetivo de abordar a história do Islam, desde os seus primórdios até os dias atuais. Trata-se de um esforço pessoal no sentido de mostrar, da forma mais imparcial possível, o começo do Islam na península arábica, seu rápido processo de expansão, o período de declínio, e o posterior ressurgimento a partir do século XX. Como a religião que mais cresce no mundo, o Islam vem sendo pesquisado, reavaliado, discutido e a imagem distorcida de um Islam radical, belicoso, retrógrado, que prevaleceu por séculos, principalmente no ocidente, está sendo revista, tanto por muçulmanos como por não muçulmanos.
Cabe uma explicação para o título do site. Ibn Khaldoun, nascido na Tunísia, em 1332, foi um historiador e filósofo muçulmano famoso no seu tempo. Escreveu a História Universal, fazendo uma análise histórica dos acontecimentos. Procurou identificar a forma como os fatos sociais, econômicos, psicológicos e ambientais contribuem para o avanço da civilização e das correntes da história. Estabeleceu uma relação entre as mudanças sociais e o nível de atividade econômica de uma sociedade. A introdução a essa obra ficou conhecida como "Prolegômenos" (Muqaddima) e se tornou uma obra prima da literatura sobre a filosofia da história e da sociologia. Com ele, o estudo da História passou a ter uma outra abordagem, propriamente científica e filosófica, adiantando-se em séculos à moderna historiografia ocidental.
Nos anais da história da humanidade, em todas as épocas e lugares, há sempre o relato de pessoas que devotaram suas vidas às reformas sociais e religiosas de seus povos. Na Índia, viveram aqueles que transmitiram ao mundo os Vedas e também lá viveu Sidarta Gautama. Na China, houve Confúcio. A Babilônia deu ao mundo um dos maiores reformadores, o Profeta Abraão. O povo judeu pode, muito justamente, se orgulhar de uma longa série de reformadores: Moisés, Samuel, Davi, Salomão e Jesus, entre outros. Esses reformadores, de um modo geral, reivindicaram ser portadores de uma missão divina e legaram livros sagrados que incorporavam códigos de vida para orientação de seus povos.
O homem sempre teve consciência da existência de um Ser Supremo, Mestre e Criador de tudo. Os métodos e abordagens podem ter diferido, mas os povos em cada época deixaram as marcas de suas tentativas de submissão a Deus. Fosse essa comunicação sob a forma de uma encarnação da Divindade, ou simplesmente a recepção das mensagens divinas, o objetivo em cada caso era a orientação das pessoas.
Ao final do século VI d.C, os homens já haviam alcançado grande progresso em diversos setores da vida. Naquela época, havia algumas religiões que abertamente se proclamavam destinadas a apenas alguns grupos e raças de homens e claro que elas não traziam em si qualquer remédio para os males da humanidade. Havia também umas poucas que reivindicavam a universalidade, mas declaravam que a salvação do homen estava na renúncia a este mundo. Eram as religiões da elite e congregavam um pequeno número de pessoas.
Nessa época, a península arábica era habitada por povos instalados em acampamentos, da mesma forma que os povos nômades. Muitas vezes, membros de uma mesma tribo se dividiam em outros grupos e, muito embora mantivessem uma relação, seguiam diferentes modos de vida. Os meios de subsistência na Arábia eram escassos. O deserto tinha suas desvantagens e o comércio das caravanas era mais importante do que a agricultura ou a indústria. Isso exigia muitas viagens e os homens tinham que ir além da península, para a Síria, Egito, Abissínia, Iraque, Índia e outras terras.
Na Arábia Central, estava localizado o Iêmen, muito justamente conhecida como Arábia Felix. Na época do Mohammad, o Iêmen estava dividido em inúmeros principados e ocupado em parte por invasores estrangeiros. Os sassânidas da Pérsia, que tinham penetrado o Iêmen, já tinham obtido a posse da Arábia Oriental. Havia um caos sócio-político na capital (Madain), com reflexos em todos os seus territórios. A Arábia do Norte havia sucumbido às influências bizantinas e enfrentava seus próprios problemas. Somente a Arábia Central permanecia imune aos efeitos da ocupação estrangeira.
Nesta área limitada da Arábia Central, a existência do triângulo Meca-Ta'if-Medina parecia alguma coisa providencial. Meca, desértica, privada de água e de outros encantos, representava a África e o ardente deserto do Saara. A umas poucas milhas dali, Ta'if apresentava um aspecto mais europeu. Medina, ao norte, não era menos fértil do que a maior parte dos países asiáticos como a Síria, por exemplo. Se o clima tem alguma influência sobre o caráter do ser humano, este triângulo, mais do que qualquer outra região da terra, era uma reprodução miniaturizada do mundo todo. E nesse lugar nasceu Mohammad, o Profeta do Islam.
Do ponto de vista da religião, a Arábia era politeísta e apenas uns poucos indivíduos haviam abraçado uma religião. O povo de Meca tinha noção de um Deus único, mas acreditava também que os ídolos tinham poder para interceder junto a Ele. Curiosamente, não acreditavam na ressurreição e na vida após a morte. Eles tinham preservado o ritual da peregrinação à Casa de Deus, a Caaba, uma instituição construída sob inspiração divina por seu ancestral Abraão. Os 2000 anos que os separavam de Abraão haviam transformado a peregrinação em um espetáculo de feira comercial.
Apesar da pobreza em recursos naturais, Meca era o mais desenvolvido dos três pontos do triângulo. Meca era uma cidade-estado, governada por um conselho de dez chefes hereditários, que usufruíam uma clara divisão de poder. Os chefes de caravanas gozavam de boa reputação e tinha permissão para visitar os impérios vizinhos para efetuar negócios. Embora não muito interessados na preservação das idéias e no registro escrito de sua história, eles cultivavam as artes e as letras, como, por exemplo, a poesia, a oratória e as lendas. Foi nesse ambiente que nasceu Mohammad, o profeta do Islam.
No século VII, a península arábica era habitada por povos que levavam uma vida nômade, divididos por tribos, incapazes de constituir uma federação mais ampla e estável. Sua religião era politeísta, com algumas crenças semíticas. Adoravam pedras e eram profundamente supersticiosos, com a prática de jogos de advinhação e oráculos. Ao sul da península, no Iêmen, havia formas de sociedades mais desenvolvidas. Importante porto, por ali passava todo o comércio vindo do Oriente, que ganhava o interior da península através de caravanas de cameleiros que iam até à Síria. Persas e etíopes disputavam a posse de pontos essenciais. Os sassânidas tinham o monopólio comercial do Oceano Índico e tentavam impedir a concorrência de Bizâncio, que pelo Egito tentava infiltrar-se na região. Em decorrência, Meca tornara-se um centro comercial importantíssimo, rota de passagem entre o Iêmen e a Síria e o atual Iraque. Portanto, os árabes não viviam confinados, como podemos imaginar, mas nas fronteiras das duas grandes civilizações existentes então. E sua religião absorvia essa realidade, posto que sua fé refletia um pouco de todas as crenças populares do Oriente.
É nesse ambiente que nasce Mohammad, o homem que pregou a religião única, revelada aos árabes para completar as revelações anteriores. Membro de uma tribo tradicional em Meca, os coraixitas, órfão desde muito cedo, foi criado por seu avô, primeiro, e depois por seu tio, Abu Talib. Homem de hábitos simples, dado à contemplação, era conhecido no seu meio por sua honradez no trato com os negócios e por sua simplicidade. Aos 25 anos casa-se com Khadija, uma viúva mais velha do que ele, uma rica empresária que administrava seus próprios negócios. Aos 40 anos recebe a primeira mensagem e, a partir daí, durante os 23 anos seguintes, o conjunto dessas mensagens foi sendo ordenado e sistematizado em um livro, o Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos.
Em linhas gerais, o Islam é uma religião simples, isenta de dogmas e fundamenta-se em 5 pilares básicos: crença em Deus, nos Seus anjos, nos livros e nos mensageiros, no dia do juízo final, e na predestinação. São pilares da fé: o testemunho, a oração 5 vezes ao dia, o pagamento do zakat, o jejum no mês do Ramadã e a peregrinação, pelo uma vez na vida. As fontes do Islam são basicamente três: o Alcorão, a sunnah do profeta e as biografias escritas.
Mensagens simples, num estilo candente e direto, de fácil compreensão por parte das pessoas, de imediato surgem as adesões em massa, o que vem abalar o poder da classe dominante em Meca, à época em mãos dos coraixitas. O Alcorão promove uma verdadeira revolução na vida social e política árabe. Ele realçava a igualdade das pessoas dentro da comunidade muçulmana. Os mercadores das cidades e os nômades do desertos estavam unidos sob a mesma liderança. As mulheres passaram a usufruir de uma condição até então desconhecida. Em 622, após anos de perseguições, embargos, humilhação e sofrimento, Mohammad busca refúgio em Iatrib, chamada de A Cidade (Madina) do Profeta. É a Hégira, que dá início à era muçulmana. Em Medina, já não é mais apenas a pregação de uma fé. Mohammad organiza uma comunidade dentro dos princípios islâmicos revelados por Deus, e cuja lei o muçulmano não dissocia da fé, posto que sua origem é divina. Ao morrer, em 632, Mohammad tinha fundado uma religião consciente de sua especificidade, esboçara um regime social externo e superior à organização social e unificara a Arábia, coisa até então inconcebível. Toda a Arábia havia se tornado muçulmana e os árabes já não mais estavam divididos entre a lealdade ao Islam ou às tribos, porque todos eram muçulmanos e o Islam havia absorvido a todos por igual.
No entanto, as discórdias internas coraixitas foram muito mais perigosas. Durante a existência do Profeta, os coraixitas haviam sido os mais ferrenhos opositores ao Islam e à família do Profeta, os descendentes de Hashim. Quando 'Ali, primo e marido da filha de Mohammad, portanto, um hashimita, foi escolhido como califa, encontrou forte oposição por parte de Muawiya, filho de Abu Sufyan, descendente do clã dos omíadas. Foram cinco anos de guerra civil entre hashimitas e omíadas, culminando com o assassinato de 'Ali. Muawiya tornou-se califa e estabeleceu a dinastia omíada, que governou o mundo muçulmano por 90 anos, de 661 a 750. Husain, neto do Profeta, foi assassinado pelos Omíadas, em Kerbala, no Iraque. As dissenções entre omíadas e hashimitas dividiram o mundo islâmico e se estenderam até os dias atuais. Aqueles que defendem o direito dos descendentes de 'Ali ao califado, ficaram conhecidos como xiítas (Shia - Partido de 'Ali) e, do ponto de vista espiritual, constituem-se numa facção separada dos sunitas, aqueles que seguem as sunas (ditos e atos) do Profeta.
Após a morte de Mohammad, seguem-se as primeiras conquistas, iniciadas com a tomada da Síria (633-636), depois Iraque (637), Egito (639-642), Irã (651), no século VIII a ocupação da Africa do Norte e Turquia, e daí, cruzando o Mediterrâneo, para a Espanha e Sicília, atingindo a Gália. Em 712, o Islam tocava as fronteiras da China e ocupava o que hoje corresponde ao Paquistão ocidental. Em direção ao Ocidente, eles alcançaram o auge de sua expansão em 732, exatamente 100 anos após a morte do Profeta, quando foram derrotados em Tours, na região central da França, a um passo de cruzar o canal da Mancha e alcançar Dover, na Inglaterra.
A expansão árabe, partindo de um emaranhado de tribos nômades hostis, de um deserto remoto, para transformar-se no maior império do mundo, é um dos eventos mais impressionantes e dramáticos da história mundial. De início, essas conquistas não apresentaram efeitos perturbadores sobre as populações conquistadas. Não havia perseguição religiosa por parte dos muçulmanos. Só se exigia que os não-muçulmanos admitissem a supremacia política do Islam, materializada no pagamento de um imposto especial, na proibição de qualquer proselitismo junto a muçulmanos e no caráter puramente árabe do exército. Na verdade, essas reservas pouco afetavam o cotidiano dos povos vencidos. O que é fato é que a vida intelectual floresceu, tanto em Córdoba e Granada como em Damasco e Bagdá. Após 200 anos de iniciada a expansão islâmica, surgem as primeiras divergências e o domínio do Islam começa a se fragmentar em uma série de governos independentes, cada um deles com uma feição própria, e a supremacia titular do califado passa a ser recusada. Nos cinco séculos seguintes as regiões centrais da Ásia começam a sofrer as invasões nômades e o mundo islâmico vai perdendo a unidade política e o brilho militar que haviam caracterizado os primeiros séculos do Islam. A Ásia Ocidental é ocupada pelos turcos seljúcidas, que passam a controlar o califado, partilhando com os fatimidas do Egito, o poder dominante da comunidade muçulmana. Tão importante quanto a chegada dos turcos, foi o aparecimento dos mongóis na última grande invasão nômade do mundo civilizado.
Em 1492, Granada rendeu-se ao exército de Fernando e Isabela, da Espanha, marcando o fim do domínio islâmico na Europa ocidental. Em 1500, já não mais havia esperança de unidade política no mundo islâmico. Eram dois os principais centros islâmicos: o Egito e o império otomano. Duas grandes culturas dividiam os muçulmanos: a cultura árabe, com o predomínio do Egito, e a cultura persa, que se tinha difundido entre os grandes impérios continentais criados pelos povos turcos. Apesar disso, o Alcorão, as tradições e a lei, foram os instrumentos aglutinadores para transformar as divergências em uma força social, o que, em última análise, significava o domínio do árabe.
Quando falamos em estado islâmico, estamos nos referindo ao período da história islâmica em que os princípios e as instruções do Islam foram totalmente aplicados em seu verdadeiro sentido. Esse período começa em 622 DC, quando o profeta Mohammad estabeleceu o primeiro estado islâmico na cidade de Medina. Depois de sua morte, os quatro primeiros Califas que se seguiram, conhecidos como os califas probos (Abu Bakr, Omar, Osman e Ali), aplicaram em sua totalidade todos aqueles princípios islâmicos. O período que se seguiu e que se estende até os dias atuais, podemos dizer que o sistema islâmico autêntico se modificou, transformando-se em monarquias, sem a participação popular na escolha de seus governantes. São sistemas hereditários, semelhantes aos tempos pré-islâmicos, baseados no sistema tribal. O Islam não reconhece esses governos e sequer pode ser responsabilizado por eles.
A seguir, para que se tenha uma melhor compreensão dos acontecimentos desse período, apresentamos uma cronologia que melhor poderá orientar no estudo do Islam.
A história dos patriarcas de Alexandria-Relatos de Al-Baladhuri
E naqueles dias, Heráclio teve um sonho no qual era dito a ele: "Em verdade, chegará a você uma nação de circuncisados e eles o vencerão e tomarão posse de suas terras". Heráclio pensou que se tratasse dos judeus e, por conseguinte, deu ordens para que judeus e samaritanos fossem batizados em todas as suas províncias. Mas, alguns dias depois, apareceu um homem árabe, dos distritos do sul, isto é, de Meca, ou vizinhanças, cujo nome era Mohammad; e ele havia reconduzido os adoradores de ídolos para o conhecimento de um Deus único, e mandou que eles declarassem que Mohammad era seu apóstolo; e sua nação era circuncisada, e rezava na direção sul, voltando-se para um lugar que eles chamavam de Ca'aba. E eles se apossaram de Damasco e Síria, cruzaram o Jordão e o represaram. E o Senhor abandonou o exército dos romanos como uma punição por terem corrompido a fé e por causa dos anátemas proferidos contra eles pelos antigos padres, por conta do concílio de Calcedônia.
Quando Heráclio viu isso, reuniu todas as suas tropas, do Egito até às fronteiras de Aswan. E continuou a pagar aos muçulmanos, por três anos, as taxas que eles tinham pedido; e eles costumavam chamar a taxa de bakt, isto quer dizer que era uma importância obrigatória por cabeça. E assim continuou até que Heráclio tivesse pago aos muçulmanos a maior parte de seu dinheiro e muitas pessoas tivessem morrido devido aos problemas que eles tinham suportado.
Assim, quando dez anos tinham-se passado do governo de Heráclio junto com o Colchian, que buscava pelo patriarca Benjamin, enquanto fugia dele de lugar em lugar, escondendo-se em igrejas fortificadas, o príncipe dos muçulmanos enviou um exército ao Egito, sob o comando de um de seus mais fiéis companheiros de nome 'Amr ibn Al-Asi, no ano diocleciano de 357. E este exército do Islam chegou ao Egito com grande força, no 12º dia de Baunah, que é o 6º do mês de junho, de acordo com os meses dos romanos.
O comandante 'Amr destruiu o forte e incendiou os barcos e derrotou os romanos e tomou posse de parte do país. Ele tinha chegado pelo deserto, e os seus cavaleiros tomaram a estrada através das montanhas até chegarem a uma fortaleza construída em pedras, entre o Alto Egito e o Delta, chamada Babilon. Assim, eles armaram suas tendas lá até que estivessem preparados para lutar contra os romanos e guerreá-los; em seguida eles deram nome ao lugar, digo, à fortaleza, de Bablun Al-Fustat, em sua língua, e é o seu nome até hoje.
Depois de três batalhas contra os romanos, o muçulmanos os derrotaram. Assim, quando o líderes da cidade viram essas coisas, foram até 'Amr e receberam um certificado de segurança de que a cidade não seria saqueada. Essa espécie de acordo que Mohammad, o líder dos árabes, os ensinou, eles chamavam de Lei, e ele diz, com relação a ela: "Quanto à província do Egito e qualquer cidade que concorde com que seus habitantes paguem o imposto sobre a terra a vocês e se submetam à sua autoridade, façam um acordo com eles e não os maltratem. Mas saqueiem e façam prisioneiros todos que não consintam com isso e resistam a vocês." Por esta razão, os muçulmanos mantiveram suas mãos fora da província e de seus habitantes, mas destruíram a nação dos romanos e seu general de nome Marianus. E os romanos que escaparam, fugiram para Alexandria e fecharam seus portões para os árabes e se fortificaram dentro da cidade.
E, no ano diocleciano de 360, no mês de dezembro, três anos depois de 'Amr ter tomado posse de Memphis, os muçulmanos tomaram a cidade de Alexandria, destruíram seus muros e queimaram muitas igrejas. E queimaram a igreja de São Marcos; e este foi o lugar para o qual o patriarca Pedro, o Mártir, foi antes de seu martírio e abençoou São Marcos, e delegando a ele seu rebanho, como ele o tinha recebido. Assim, eles queimaram esse lugar e os monastérios em volta ...
Quando 'Amr ocupou completamente a cidade de Alexandria e estabeleceu ali sua administração, aquele infiel, o governador de Alexandria, temia que, sendo ele prefeito e patriarca da cidade no tempo dos romanos, 'Amr o mataria; portanto, ele bebeu veneno de um anel e morreu no local. Mas Sanutius fez saber a 'Amr as circunstâncias daquele padre militante, o patriarca Benjamin, e como ele havia fugido dos romanos por causa do temor a eles. Então 'Amr, filho de Al-Asi, escreveu uma carta para as províncias do Egito, na qual ele disse: "Existe proteção e segurança para o lugar onde Benjamin, o patriarca dos cristãos coptas esteja e a paz de Deus; portanto, deixe-o seguro e livre daqui para a frente e que administre os assuntos de sua igreja e o governo de sua nação".
Assim, quando Benjamin ouviu isso, voltou para Alexandria com grande alegria, vestido com a coroa da paciência e o grave conflito que tinha acontecido com os ortodoxos por causa de sua perseguição aos heréticos, depois de ter estado ausente durante trinta anos, dez dos quais foram anos de Heráclio, o considerado romano, com os três anos antes dos muçulmanos conquistarem Alexandria. Quando Benjamin apareceu, o povo e toda a cidade rejubilaram-se e fizeram com que sua chegada fosse conhecida até Sanutius, aquele que tinha ajustado com o comandante 'Amr que o patriarca retornaria e que receberia um salvo-conduto de 'Amr para ele. Em seguida, Sanutius foi ao comandante e anunciou que o patriarca tinha chegado e 'Amr deu ordens para que Benjamin fosse trazido a sua presença com honra, veneraçãoe amor. E 'Amr, quando viu o patriarca, recebeu-o com respeito e disse a seus companheiros e amigos íntimos: " Na verdade, em todas as terras que ocupamos até agora, jamais vi um homem de Deus como este." Porque o padre Benjamin era de semblante bonito, de excelente oratória, discursava com tranquilidade e dignidade.
Então, 'Amr voltou-se para ele e lhe disse: "Assuma o governo de todas as suas igrejas e de seu povo e dirija seus negócios. E se for de sua vontade, reze por mim, porque estou indo para o Oriente e para Pentápolis, a fim de ocupar aquelas terras, da mesma forma como fiz com o Egito e retornarei a salvo e rapidamente, farei por você tudo o que me pedir." Então o santo Benjamin rezou por 'Amr e pronunciou um discurso eloquente que fez com que 'Amr e os presentes ficassem maravilhados e que contém palavras de exortação e de muito benefício para aqueles que o ouvem; e ele revelou certos assuntos a 'Amr e saiu de sua presença honrado e reverenciado. E tudo o que aquele padre abençoado disse ao comandante 'Amr, filho de Al-Asi, era verdade e nenhuma letra deixou de ser cumprida.
A história dos patriarcas de Alexandria-Relatos de Al-Baladhuri
'Amr manteve seu caminho até chegar em Alexandria, cujos habitantes ele imaginava que fossem resistir, mas os coptas que lá residiam preferiam a paz. Al-Mukaukis comunicou-se com 'Amr e pediu paz e uma trégua por algum tempo; mas 'Amr recusou. Al-Mukaukis, então, ordenou que as mulheres ficassem diante dos muros, com os rostos voltados em direção à cidade e que os homens permanecessem armados, com suas faces voltadas para os muçulmanos, esperando, assim, que eles se amedrontassem. 'Amr enviou uma palavra, dizendo "Estamos vendo o que vocês fizeram. Não foi por uma questão de número que conquistamos aqueles que conquistamos. Encontramos o seu rei Heráclio e sucedeu a ele o que tinha que suceder" Ouvindo isto, al-Mukaukis disse para seus seguidores, "Essas pessoas estão dizendo a verdade. Eles perseguiram nosso rei em seu reino até Constantinopla. É melhor, portanto, que nos submetamos." Seus seguidores, contudo, falaram rispidamente com ele e insistiram que continuassem lutando. Os muçulmanos lutaram ferozmente contra eles por três meses. Afinal, 'Amr conquistou a cidade pela espada e saqueou tudo que tinha nela, poupando seus habitantes, que não foram mortos ou tornados cativos. Ele os reduziu à posição de dhimis, como o povo de Alyunah. 'Amr comunicou a notícia da vitória a 'Omar através de Muawiah ibn-Hudaij al-Kindi (mais tarde, as-Sakuni) e mandou por ele o quinto.
Os gregos escreveram a Constantino, filho de Heráclio, que era o rei naquela época, dizendo-lhe quão poucos os muçulmanos eram e como tinham conseguido rebaixar a condição dos gregos e como eles tinham que pagar impostos. Constantino mandou um de seus homens, chamado Manuwil, com 300 navios repletos de soldados. Manuwil entrou em Alexandria e matou toda os sentinelas que estavam nela, com exceção de uns poucos, que, por meio de sutilezas, conseguiram escapar. Isto aconteceu no ano 25. Ouvindo as notícias, 'Amr partiu à frente de 15.000 homens e encontrou os soldados gregos semeando a discórida nas cidades egípcias próximas a Alexandria. Os muçulmanos os encontraram e por uma hora foram submetidos a uma saraivada de flechas, mas estavam protegidos por seus escudos. Eles, então, avançaram intrepidamente e a batalha se intensificou com grande violência, até que os politeístas debandassem em carreira em direção a Alexandria, sem que nada os pudesse deter. Aqui, eles se fortificaram. 'Amr promoveu um assalto violento e destruiu os muros da cidade. Ele pressionou a luta tão duramente até que conseguisse entrar na cidade, matando os padres e tomando as crianças como cativas. Alguns de seus habitantes gregos deixaram para se juntar aos gregos em algum lugar; e o inimigo de Allah, Manuwill, foi morto. 'Amr e os muçulmanos destruíram os muros de Alexandria no cumprimento a uma promessa que 'Amr tinha feito no caso de submeter a cidade ... 'Amr ibn-al-Asi conquistou Alexandria e alguns muçulmanos fizeram dela sua morada, como guardas da cavalaria.
Em meados do século VIII, os mulçumanos tinham completado sua ocupação e o príncipe Abdul Rahman, fugindo dos abássidas que tinham ocupado Damasco, foi buscar refúgio entre os bérberes. Contando com o apoio de uma das tribos muçulmanas da península, ele conseguiu derrotar, em 755, o governador abássida da Andaluzia e se proclamou Emir de Córdoba, independente de Damasco. Na primeira terça parte do século X, um sucessor seu, Abul Rahman III, ampliou o emirado Al-Andalus e tornou-se o primeiro Califa espanhol.

Califado omíada na Espanha, séculos IX e X (*)
A proclamação do califado tinha um duplo objetivo. Internamente, os omíadas queriam fortalecer o reino peninsular, e externamente, queriam consolidar as rotas comerciais do Mediterrâneo, garantir uma relação com Bizâncio oriental e assegurar o suprimento de ouro. Melilla foi ocupada em 925 e, em meados desse mesmo século, os omíadas controlavam o triângulo formado pela Argélia, Siyimasa e Atlântico. O poder andaluzo do califado também se estendeu até a Europa ocidental e, em 950, o império germano-romano estava trocando embaixadores com o califado de Córdoba. Alguns anos antes, Hugo de Arles tinha pedido ao poderoso califado espanhol um salvo-conduto para seus navios mercantes navegaram o Mediterrâneo. Os pequenos fortes cristãos do norte da península acabaram reconhecendo a superioridade do califado.
As bases da hegemonia andaluza estavam assentadas na extraordinária capacidade econômica proveniente de um comércio importante, uma indústria desenvolvida e um conhecimento agrícola revolucionário para a época. A sua economia estava baseada na moeda e a emissão de dinheiro desempenhou um papel fundamental para o esplendor financeiro. A moeda de ouro de Córdoba tornou-se a moeda principal do período. Assim, o califado de Córdoba foi a primeira economia urbana e comercial que floresceu na Europa, depois do desaparecimento do império romano. A capital, e a mais importante cidade do califado, Córdoba, tinha uma população de 100.000 habitantes.
A fragmentação do califado aconteceu no final da primeira década do século XI e decorreu do enorme esforço de guerra empregado pelos últimos governantes e da asfixia das pressões fiscais. O califado dividiu-se em 39 taifas (reinos insignificantes), um nome que foi incorporado pelo vocabulário espanhol como sinônimo de ruína, em razão da fragmentação política da península. Esta divisão aconteceu duas vezes mais, o que faclitiou novas invasões e o consequente enfraquecimento da região. Em meados do século XIII, a Espanha islâmica estava reduzida à dinastia nasarida, em Granada, que resistiu aos constantes ataques dos cristãos até 1492, quando, então, capitulou.
A Andaluzia foi uma civilização que irradiou uma personalidade própria, tanto para o ocidente quanto para o oriente. Situada na terra dos encontros, dos cruzamentos culturais e de fecunda miscigenação, al-Andalus acabou sendo esquecida, depois de todo seu esplendor, tanto pela Europa como pelo universo muçulmano, como uma lenda que não tivesse pertencido a nenhum dos dois mundos. A seguir, as etapas principais de seus oito séculos de existência.

Emirado e Califado de Córdoba

Reinos de Taifa

Almorávidas e almoádas

Reino nasari de Granada
Al-Andalus, terra dos vândalos, em árabe, assim é conhecida a região da península ibérica ocupada pelos muçulmanos, a partir do século VIII até ao final do século XV, e que chegou a compreender grande parte do território espanhol. A extensão do estado islâmico na região conhecida por al-Andalus, sofreu alterações no decorrer do tempo, pois, à medida em que se modificavam as fronteiras, tanto hispano-muçulmanos como castelano-aragoneses avançavam conquistando território.
O processo de expansão do Islam, em seus primórdios, tomou a direção do ocidente: Magrebe, Espanha e parte da Itália e França. Durante o século VIII, vindos do norte da África, uma série de grupos e famílias nobres árabes oriundas do oriente, e de grupos bérberes procedentes do Magrebe, pouco a pouco foram se assentando em terras andaluzas. Este processo, no entanto, não siginificou a ruptura com a cultura então reinante, pelo contrário, ambas se imbricaram, dando um resultado muito peculiar e deslumbrante, e que diferenciou, de forma bem característica, o Islam ocidental do oriental. A fusão entre os árabo-bérberes e os hispanogodos deu-se sem grandes traumas e com naturalidade.
Durante a segunda metade do século VIII, começaram as dissenções no império muçulmano. O fim da dinastia omíada em Damasco, e a ascensão dos abássidas em Bagdá, mudaria o rumo dos acontecimentos.
A revolução abássida de 750, destruiu o poder omíada em quase todo o mundo muçulmano. Durante a revolução, Abdul Rahman, neto de um ex-califa omíada, conseguiu escapar de Damasco para a Espanha, estabelecendo lá seu próprio califado em nome dos omíadas. Esta dinastia manteve o controle da Espanha por 300 anos, até que os bérberes almorávidas, vindos do norte da África, tomassem o poder no século XI. Esta casa omíada independente se intitulava Emirado, ao invés de califado, uma vez que seus governantes não acreditavam que pudesse haver mais de um califa. Esta foi a primeira instância regional de separação do califado abássida em Bagdá. Os abássidas fizeram inúmeras tentativas para retomar o controle da Espanha mas não conseguiram. A Espanha permaneceu sob o governo de dinastias locais até a completa rendição aos reis católicos, no final do século XV.
O governo omíada na Espanha também sofreu disputas internas pelas populações locais. O território era uma mistura de cristãos, judeus e muçulmanos de várias etnias, principalmente árabes e bérberes, e cada uma desafiando, até certo ponto, os governantes. Apesar das lutas internas, os omíadas marcaram profundamente a cultura espanhola - um legado de arte, arquitetura, língua e tradições que permanecem até hoje. Abdul Rahman transformou Córdoba em um centro de referência, a ponto de ela se tornar uma das mais importantes cidades da Europa e do mundo islâmico da época. A Grande Mesquita foi construída por ele em 785 e é um dos exemplos mais impressionantes do legado islâmico na Espanha.

A grande Mesquita de Córdoba
De 756 a 929, oito emires se sucederam, numa época brilhante do ponto de vista cultural - ainda que obscurecida por diversos levantes -, até que Abdul Rahman III decidiu fundar um califado, declarando-se o Emir al-Muminin (príncipe dos crentes), e se outorgando, além do poder temporal, o espiritual, sobre a ummah (comunidade muçulmana).
Este califa, e seu sucessor, al-Hakam II, soube favorecer a integração étnico-cultural entre os bérberes, árabes, hispânicos e judeus. Ambos apaziguaram a população, pactuaram com os cristãos, construíram e ampliaram numerosos edifícios, alguns tão notáveis como a Mesquita de Córdoba - e se cercaram do que havia de mais erudito na época. Mantiveram contatos comerciais com Bagdá, França, Túnis, Marrocos, Bizâncio, Itália e até a Alemanha.
2. Reinos de taifas* e dinastias norte-africanas
No entanto, nem todos os sucessores destes brilhantes califas seguiram essa política tão acertada, uma vez que acabaram perdendo o poder. Em 1031, após 21 anos de guerra civil, o califado foi, finalmente, abolido. As lutas separatistas e as rebeliões surgiram de novo com grande força e a divisão e decomposição impuseram-se na Andaluzia. Todas as grandes famílias árabes, bérberes e muwaladis, cristãos hispânicos que abraçaram o Islam durante a dominação muçulmana, queriam, de uma forma ou de outra, usufruir das benesses do estado, ou pelo menos, de suas cidades. Surgiram então, por toda parte, os reis de taifas, que se elevaram à categoria de donos e senhores dos principais lugares do território andaluz. Este desmembramento representou o começo do fim da Andaluzia e, enquanto se enfraquecia cada vez mais, o inimigo cristão crescia, organizando-se para combater os muçulmanos. A primeira grande vitória sobre o Islam peninsular foi protagonizada por Alfonso VI, quando, em 1085, tomou a importante cidade de Toledo.
A unidade étnico-religiosa alcançada até aquele momento, também se ressentiu, surgindo os mercenários muçulmanos e cristãos (como El Cid), dispostos a lutar contra seus próprios correligionários, desde que mantivessem determinadas posições de poder. No entanto, nesta época surgiram figuras importantes no campo do saber e da arquitetura, com as construções suntuosas de palácios, almunias (hortos) e mesquitas.
Enquanto isso, ao final do século XI, no Magrebe ocidental, atual Marrocos, surgia um novo movimento político e religioso no seio de uma tribo bérbere do sul, os lamtuna, que fundaram a dinastia dos almorávidas. Em pouco tempo, a austeridade e pureza religiosa deles convenceu grande parte da população desencantada e, com o seu apoio, empreenderam uma série de campanhas. Conseguiram formar um império que compreenderia parte do norte da África e da Andaluzia, que havia pedido ajuda a eles para freiar o avanço cristão. Chefiados por Ibn Tashfim, os almorávidas penetraram na península, infligindo uma grande derrota às tropas de Alfonso VI, em Sagrajas. De imediato, conseguiram acabar com os reis de taifas e governar a Andaluzia, mas encontraram uma certa oposição por parte da população, que se revoltou com o rigor e rigidez deles. Apesar de tudo, a nova situação deu um incremento ao bem-estar social e econômico.
Os cristãos iam conseguindo, enquanto isso, importantes avanços. Alfonso I, de Aragão, conquistou Saragossa, em 1118. Ao mesmo tempo, os almorávidas viam ameaçada a sua própria supremacia por um novo movimento religioso surgido no Magrebe: os almoadas.
Esta nova dinastia surgiu numa tribo bérbere, procedente do Atlas, que, liderada pelo guerreiro Ibn Tumart, logo se organizou para derrotar seus predecessores, usandos argumentos semelhantes de pureza e revitalização religiosa. Foram grandes construtores e também se cercaram dos melhores literatos e cientistas da época. No entanto, da mesma forma que os almorávidas, acabaram por sucumbir ao relaxamento dos costumes, que quase sempre caracterizou Al-Andalus.
Quando parecia que tudo estava perdido e o avanço de Castela era inexorável, surgiu em Jaén uma nova dinastia, a nasri (nasari), fundada por Al-Ahmar ibn Nasr, o célebre Abenamar do romanceiro, que havia de dar um novo alento aos muçulmanos. Com sede em Granada, seu reino compreendia as regiões granadina, almeriense e malaguenha, e parte da murciana. Cercados ao norte pelos reis cristãos, e ao sul pelos sultões marinidas do Marrocos, os nasaris estabeleceram um reino cercado de instabilidades.
Apesar de tudo, Granada foi uma grande metrópole em seu tempo, que acolhia muçulmanos de todas as partes do mundo e onde se construíram palácios suntuosos - a Alhambra - mesquitas e banhos públicos.

Casa de Banhos
Em meados do século XIII, tudo o que restava da Espanha islâmica era o reino de Granada, na costa sul da península ibérica. Os cristãos tinham reconquistado Córdoba, em 1236, e Sevilha, em 1248, e, em breve toda a península seria cristã de novo. O ponto decisivo chegou ao final do século XV, com o casamento de Fernando de Aragão e Isabela de Castela e Leon, que unificou a Espanha e fortaleceu os exércitos cristãos. Em 1492, os cristãos finalmente derrotaram os muçulmanos. O rei Bobadilha, Abu Abd Allah, capitulou ante os reis católicos, entregando-lhes Granada. Se bem que as condições da rendição tenham sido generosas por parte dos vencedores, não demoraram muito a ser esquecidas, começando uma perseguição e aculturação sem tréguas dos mouriscos que permaneceram sob o domínio cristão, até que aconteceram as expulsões maciças a partir de 1610.
Os 700 anos de ocupação da península ibérica pelos muçulmanos deixaram marcas indeléveis na cultura espanhola, que absorveu muito das primeiras influências islâmicas e que podem ser vistas hoje na arquitetura, língua e tradições da Espanha.

Alhambra, exemplo da arquitetura mourisca
711: Tarik, oficial do governador do norte da África,
Musa ben Nusayr, sai de Tânger chefiando um exército de 9.000
homens e desembarca em Gibraltar. A ocupação da península
se completa em 5 anos.
718: Possível data da batalha de Covadonga, que assinala
o começo da resistência astúria.
720: As muralhas e a ponte romana, de Córdoba, são
reconstruídas e é fundado o primeiro cemitério muçulmano.
756: Abdul Rahman I, o último omíada de Damasco,
chega à península e ocupa Córdoba. Estabelece uma dinastia
que governará a Andaluzia até 1031.
784: Começa a construção da Mesquita
de Córdoba.
822: O sucessor de Al-Hakam I, Abdul Rahman II, traz um período
de prosperidade à Andaluzia. Aumenta a Mesquita de Córdoba e
são construídas outras em Jaén e Sevilha.
831: Fundação de Murcia.
844: Incursão dos normandos a Lisboa, Sevilha,Cádiz
e Sidônia.
851: Levante mossárabe em Córdoba.
879: O muladi Umar ben Hafzun se rebela contra o emirado
omíada.
929: Abdul Rahman III se proclama Príncipe dos crentes
e torna-se independente de Bagdá.Começa o califado de Córdoba.
936: Início da construção da cidade
de Madinat al-Zahra.
955: Fundação de Almería.
961: Al-Hakam II, sucessor de Abdul Rahman III cria uma biblioteca
de mais de 400 mil volumes.
997: Campanha contra Santiago de Compostela, a cargo de Almanzor.
1031: Com a queda da dinastia omíada, começam
a surgir reinos independentes de taifas em toda Andaluzia.
1042: Começam as obras do Alcázar de Sevilla.
1062: Fundação de Marraquesh. Fundación
de Marrakech.
1064: Construção da Alcazaba, al-qasbah, recinto
fortificado, deMálaga.
1081: Desterro de El Cid.
1085: Alfonso VI toma Toledo. O rei de Sevilha, al-Mutamid,
pede ajuda aos almorávidas e junto a eles derrota os cristãos
em Sagrajas.
1163: Sevilha, capital de al-Andalus.
1184: Começa a construção da Giralda
de Sevilla.
1195: As tropas almoadas de Yaqub vencem ao exército
cristão de Alfonso VIII, de Castela, em Alarcos.
1198: Morre Ibn Rushd, mais conhecido como Averróes.
1212: Os exércitos aliados de Castela, Aragão
e Navarra vencem aos almoadas na batalha de Navas de Tolosa.
1231: Al-Ahmar ibn Nasr, fundador da dinastía nazarí,
é nomeado governador de Arjona, sua cidade natal, e pouco depois estenderá
seu poder a Jaén e Guadiz.
1236: Córdoba rende-se a Fernando III, de Castela.
Alguns anos mais tarde, cairiam Jaén e Arjona (1246), Sevilha (1248)
e outras cidades de Andaluzia.
1237: Começa a construção de Alhambra,
sob a orientação de al-Ahmar.
1314: Começam as obras do Generalife.
1482: Inicia-se a guerra de Granada. Bobadilha arrebata o
trono a seu pai.
1487: Após uma luta renhida, Málaga se rende
às forças cristãs.
1489: Baeza e Almería rendem-se pacificamente aos
reis católicos.
1491: Bobadilha, último rei nasari, capitula ante
os reis católicos e negocia a entrega de Granada em 25 de novembro.
1492: No dia 2 de janeiro, os reis católicos entram
em Granada, o último reduto muçulmano na Europa.
*Taifa : cada um dos reinos em que se dividiu a Andaluzia, depois da dissolução do califado.
Fonte: geocities.com