"É impossível, hoje, compreender um mundo cada vez mais complexo, se acreditamos que há somente uma única maneira de o representar ou se nos limitamos, apenas, a uma representação globalizante. As grandes "visões" que frisam a oposição entre o centro e a periferia, o norte e o sul, entre aquilo que, até ontem chamávamos de leste e oeste, são certamente úteis. Contudo, mostram-se cada vez mais insuficientes para serem demasiadamente esquemáticas. Faz-necessário combinar as diferentes representações do mundo." (Ives Lacoste)
O mundo ocidental vinha, aos poucos, penetrando grandes áreas que tinham sido parte do império muçulmano, e na última parte do século XIX, no vácuo deixado pela longa decadência e declínio do império otomano, os europeus chegaram para dominar o Oriente Médio. Os primeiros europeus a fincar o pé naquela região foram os venezianos que, desde o século XIII, tinham estabelecido postos comerciais, no que hoje corresponde ao Líbano, Síria e Egito, e que controlavam a maior parte da navegação entre os portos europeus e árabes. Em 1497, depois que Fernando e Isabela expulsaram os muçulmanos de Granada, terminanado com o último reduto islâmico na Europa, Vasco da Gama, em 1498, chefiando uma esquadra de quatro navios portugueses em direção à África , encontrou um novo caminho para as Índias. Mercadores e fragatas holandesas, inglesas e francesas, começaram a fundar postos comerciais ao longo da costa do oceano Índico, quebrando, finalmente, tanto o monopólio veneziano como o comércio no mar Mediterrâneo, por onde o Oriente Médio tinha prosperado por 1000 anos.
O processo de penetração européia foi gradual e complexo mas houve, não obstante, pontos decisivos claramente identificáveis. No século XVI, por exemplo, o império otomano fez, voluntariamente, uma série de concessões aos europeus, chamadas de "Capitulações" - concessões que davam à Europa vantagens no comércio estrangeiro no império. Um outro ponto decisivo foi a invasão do Egito, em 1798, por Napoleão Bonaparte. Esperando cortar as rotas inglesas para a Índia e enfraquecer seu poder marítimo e econômico, Napoleão aniquilou os mamelucos (que então governavam o Egito) e rapidamente ocupou o país. Derrotando o Egito, à época ainda uma parte do império otomano, Napoleão expôs a fraqueza interior dos sultões, tanto militar quanto administrativa, destruiu o mito do poder otomano e inaugurou mais de 150 anos de intervenção política ocidental direta .
A procura por matéria-prima, mercados, bases militares e colônias pela Europa durante todo o século XIX, finalmente alcançou a maior parte do que tinha sido o império árabe. Em 1820, a Grã-Bretanha impôs um pacto às tribos árabes da costa do golfo árabico; em 1830, a França ocupou a Argélia; em 1839 os ingleses ocuparam Aden, uma entrada estratégica para o mar Vermelho; e em 1869, Ferdinand de Lesseps, com a proteção do imperador francês, terminava o que viria a ser, e ainda é, uma das artérias-chave para a navegação mundial, o Canal de Suez.
A cultura ocidental se espalhou sob o controle político e econômico do Ocidente. No Líbano, missionários de diversos países fundaram uma rede de escolas e universidades. A introdução das modernas idéias ocidentais estimulou o crescimento do nacionalismo árabe, contribuindo para o renascimento da literatura árabe, e fornecendo um impulso poderoso de modernização. Além da educação, o contato com o Ocidente levou a melhorias nos cuidados médicos e à introdução de técnicas ocidentais de agricultura, comércio e indústria. Mas, convém ressaltar que, de um modo geral, a dominação ocidental só trouxe benefícios às nações européias, com um elevado custo político e social para o mundo árabe. Embora o Canal de Suez, por exemplo, tenha sido de imenso valor para o Egito, por aproximadamente um século, os lucros foram carreados para os acionistas europeus da companhia que administrava o Canal. Ocidente e Oriente estimularam os esforços no sentido de modernizar partes do Oriente Médio, o que resultou em dívidas externas contraídas pelos governantes da região e que levaram ao controle financeiro e à dominação política por parte da Europa. Foi essa série de eventos que culminou com a França ocupando a Tunísia em 1881, e os ingleses controlando o Egito, em 1882. Mais tarde, em 1911, a Itália ocupava a Líbia.
A resistência à penetração européia assumiu diversas formas. Nas cidades, os intelectuais árabes debatiam se a modernização, ou um retorno às suas raízes, seria o caminho mais efetivo para expulsão da dominação estrangeira e, consequentemente, para a independência. Por todo lugar, líderes muçulmanos como o Mahdi do Sudão, e Abd al-Qadir al-Jazairi, na Argélia, tomavam atitudes mais diretas. Essas lutas foram mais tarde romanceadas e distorcidas, numa onda de livros e filmes, como por exemplo, os que versavam sobre a Legião Estrangeira Francesa. Outros intelectuais, como o egípcio Mohammad 'Abduh e seu discípulo sírio, Rashid Rida, empreenderam a reforma do sistema educacional e o restabelecimento dos valores islâmicos, adaptando-os aos conceitos modernos - necessidade por demais sentida pela maioria dos pensadores muçulmanos dos séculos XIX e XX.
Uma série de escritores começaram a lançar novas idéias sobre a forma como a sociedade e o estado deviam ser organizados. Foi nesta geração que a idéia do nacionalismo tornou-se explícita entre turcos, árabes, egípcios e tunisinos. Os vários movimentos nacionais resultaram em respostas para os diferentes desafios. No Egito, surgia a Fraternidade Muçulmana (Ikhwan), organização fundada por Hasan al-Banna. O nacionalismo turco foi uma reação à crescente pressão européia e ao colapso do ideal do nacionalismo otomano. O nacionalismo otomano assumiu mais de uma coloração islâmica, mas quando, sob Abdulhamid, a aliança entre o trono e a elite governante turca se partiu, a idéia de uma nação turca emergiu, isto é, o império poderia sobreviver com base na solidariedade de uma nação, unida por uma língua comum.
Uma vez que o império tornou-se um estado turco-árabe, qualquer tentativa de enfatizar a supremacia do elemento turco podia afetar o equilíbrio entre eles e os árabes e, por reação, o nacionalismo árabe pouco a pouco tornou-se explícito. Nesta fase, o nacionalismo não era dirigido especificamente contra a invasão do poder europeu e sim contra os problemas de identidade e de organização política do império. Em que condições a comunidade muçulmana otomana continuaria a existir? Estender-se-ia além do império para aqueles países de fala árabe? Egito, Tunísia e Argélia tinham problemas específicos e, por isso, seu nacionalismo assumiu formas diferentes. Os três tinham sido entidades políticas separadas do império otomano por um longo tempo, primeiro por causa de suas próprias dinastias locais e depois porque ficaram sob domínio francês e inglês por um longo tempo.
Assim, quando o nacionalismo egípcio surgiu, foi uma tentativa de limitar a ocupação inglesa, ou acabar com ela, e foi movido mais por interesses caracterizadamente egípcios, do que árabes, otomanos ou muçulmanos. Mas, não era uma força unificada: havia uma divisão entre aqueles que exigiam a retirada dos ingleses e aqueles que, sob a influência das idéias do "modernismo islâmico", achavam que a primeira necessidade era o desenvolvimento social e intelectual e que o Egito poderia lucrar com a presença inglesa em seu território.
Da mesma forma, em Túnis, havia um tom de sentimento nacionalista na resistência contra a invasão francesa em 1881, mas o que prevalecia era a idéia de que uma mudança na política francesa poderia dar aos tunisinos um acesso maior à educação francesa e a maiores oportunidades no governo. Na Argélia, conquanto o nacionalismo se expressasse em termos tradicionais, surgiu o movimento dos "Jovens Argelinos", que reivindicava educação na França, reformas financeira e jurídica e direitos políticos mais amplos dentro da estrutura vigente.
O que é fato é que esses movimentos foram conceitos de uma minoria urbana letrada e expressavam uma nova relação com o estado e com o mundo externo, em termos de novos conceitos. É possível que tenha havido alguns choques de pensamento e sentimento, que nas gerações posteriores iriam dar forma e vigor aos movimentos nacionalistas. O antigo sistema de escolas tinha perdido sua posição na sociedade. O estudo nelas não mais garantia um posto no governo; como os novos métodos de administração foram introduzidos, era preciso uma nova espécie de experiência e qualificação, e o conhecimento de uma língua européia tornou-se quase que indispensável. Até o código civil do Império Otomano, com os fundamentos na shari'ah, estava sendo remodelado.
No entanto, as antigas escolas continuavam a existir e produziram obras sobre teologia e lei dentro das concepções islâmicas. Os estudantes mais vigilantes em relação aos novos tempos, começaram a expressar descontentamento com a espécie de ensinamentos que recebiam naquelas escolas. Algumas tentativas foram feitas no sentido de se reformá-las, em particular al-Azhar, mas sem grande sucesso, porque elas ainda usufruiam de grande conceito e poder na sociedade, como canais pelos quais os rapazes de famílias rurais pobres tinham acesso à cultura. No final do século XIX, al-Azhar gozava de grande autoridade mas, em contrapartida, sofria o mais ferrenho controle sobre suas atividades. No campo, no entanto, os professores ainda exerciam algum poder. Na época da expansão imperial, os líderes e porta-vozes da resistência rural vieram basicamente dos homens de religião. Aos poucos os movimentos de resistência foram sendo mobilizados com o uso dos símbolos islâmicos. O exemplo mais impressionante da força política de um líder religioso foi dado pelo Sudão, no movimento que terminou com o governo egípcio nos anos 1880. Muhammad Ahmad, que tinha alguma experiência no treinamento sufi, era respeitado por seus seguidores como o mahdi, aquele enviado por Deus para restabelecer o reino da justiça na mundo. Seu movimento se espalhou rapidamente , acabou com o controle egípcio e criou um estado baseado nos ensinamentos do Islam.
No Império Otomano, o sultão estava em posição de canalizar o sentimento religioso em seu próprio interesse. A partir de meados do século XIX, houve um esforço sustentado pelo governo para enfatizar o papel do sultão como defensor do estado que, virtualmente, era o último repositório do poder e independência políticos do Islam sunita.
Em 1914, as rivalidades européias chegaram ao limite e o Império Otomano era o ponto que mais chamava a atenção, por causa da sua importância para os interesses que estavam em jogo. Ainda que as causas da guerra estivessem nas desavenças entre austríacos e russos, por causa dos Balcãs, quando os otomanos entraram na guerra ao lado dos alemães e dos austríacos, contra a Inglaterra, França e Rússia, seu próprio território transformou-se num campo de batalha. O Império perdeu suas províncias árabes e ficou confinado à Anatólia e a uma pequena parte da Europa. O sultão ficou sob o controle das esquadras e de representantes dos aliados em sua capital, e foi compelido a assinar um tratado de paz desfavorável, o Tratado de Sèvres, que impunha uma tutela estrangeira sobre seu governo, que possibilitou a ascensão ao poder de Mustafá Kemal. A população turca da Anatólia, liderada por jovens oficiais do exército, iniciaram o movimento Jovens Turcos, que fortalecido pelo estímulo dos Aliados para que os gregos ocupassem a parte ocidental da Anatólia, resultou na criação de uma república turca e na abolição do sultanato. E o Império Otomano chegava ao fim.
Nos territórios árabes, a Inglaterra reconheceu a independência da Arábia Saudita (1927), o Líbano e a Síria tornaram-se mandatos franceses, enquanto que o Iraque e a Palestina ficaram com os ingleses (1922).
O processo de penetração ocidental na Ásia foi diferente e mais complexo. A Ásia não era um continente de tribos dispersas, tinha muitos povos de culturas antigas e complexas, com tradição de unidade e grandeza. Por outro lado, a Rússia, desde muito tempo ocupara a enorme extensão da Sibéria e contava com facilidades especiais para expandir suas fronteiras na Ásia. Em fins do século XVII, os russos entraram no Turquestão, quase até os limites da Índia. Os ingleses rapidamente enviaram uma expedição ao Afeganistão, com o intuito de impedir o avanço da influênciia russa na região. No norte da Pérsia, os russos gozavam de uma situação privilegiada. No sudeste da Ásia, os principais disputantes eram a França e a Inglaterra e a Tailândia (conhecida como Sião) era o único país a permancer como estado independente.
Desde a expansão marítma dos séculos XV e XVI, o interesse europeu já se manifestava. Através da fundação de feitorias e da obtenção de concessões, os europeus estabeleceram relações comerciais, principalmente de produtos exóticos, que se mantiveram até o século XVIII, quando a Ásia passou a ser encarada como um atraente mercado consumidor da produção da nascente indústria fabril européia. A Revolução Industrial levou os países industrializados a buscar novos mercados para vender seus produtos e para obter matérias-primas a baixo preço. Mas, a ação inglesa só se fez presente a partir do século XVII, através da Companhia das Índias Orientais que, obtendo o monopólio do comércio indiano, fundou entrepostos comerciais. Superando a concorrência francesa e a resistência nativa, a Companhia ocupou quase todo o país no século XVIII, cabendo a administração a um Governo-Geral, com sede em Calcutá.
No decorrer do século XIX, o desenvolvimento do capitalismo inglês importou em novas diretrizes de consquências desastrosas para a Índia. Interessados em ampliar a produção de matérias-primas os ingleses confiscaram propriedades rurais, suprimiram a servidão camponesa e estimularam a produção de algodão, cânhamo e frutas, e estabeleceu o pagamento de um imposto individual em dinheiro, que obrigava os nativos a buscar um trabalho assalariado, ampliando, assim, a oferta de mão-de-obra e o mercado consumidor da produção fabril inglesa. A invasão dos tecidos ingleses, favorecidos por tributos alfandegários reduzidos, provocou a ruína do artesanato local. A reação indiana foi a Revolta dos Sipaios, empreendida principalmente pelas tropas nativas e foi duramente reprimida pelos britânicos. A Índia tornou-se a principal fornecedora de algodão bruto e compradora dos tecidos ingleses. A consolidação do domínio inglês na Índia deu à Inglaterra importante ponto de apoio para a sua política imperialista no Extremo Oriente, e possibilitou o controle de uma sociedade que viria a fornecer excelentes soldados para os exércitos ingleses em suas campanhas de conquista.
Cronologicamente, a luta dos povos asiáticos contra o domínio imperialista europeu antecedeu à Revolução Africana. Desde a I Guerra Mundial multiplicaram-se movimentos nacionalistas que, valendo-se das rivalidades entre as potências coloniais, desenvolveram campanhas pela libertação, as quais, em geral, só atingiram seus objetivos após a II Guerra Mundial. Para isso muito contribuiu o enfraquecimento da França e da Inglaterra, que não conseguiram se recuperar dos desastres sofridos diante do Japão. O mito da "superioridade do homem branco" desmoronou-se diante das derrotas das potências coloniais ocidentais frente aos exércitos japoneses e estimulou as populações asiáticas. O Nacionalismo, que fora encorajado nas colônias pelos próprios colonizadores, com o objetivo de enfraquecer seus adversários, como ocorrera no Oriente Médio contra os turcos otomanos, acabou voltando-se contra eles próprios. As tropas alistadas pelos franceses para combater na Europa, oriundas da Indochina, e pelos ingleses da Índia, regressaram aos seus países com novas noções de independência nacional e com uma firme decisão de não mais aceitarem a antiga situação de inferioridade.
Em 1945, Sukarno proclama a independência da Indonésia, que não foi reconhecida pelos holandeses. Em 1950, instituiu-se uma República Federativa e Parlamentar na Índia. Em janeiro de 1979, forças populares iranianas derrubaram a opressiva monarquia do xá Mohammad Reza Pahlevi e proclamaram a República Islâmica do Irã, chefiada por um conselho revolucionário.
No território indiano ainda persistem algumas questões pendentes de solução, sendo a mais importante a que se refere à Caxemira, e que será tratada a parte.
Quando os hebreus chegaram à região da Palestina, por volta do ano 2.000 a.C., ali já viviam os filisteus, ancestrais dos árabes. Com a decadência dos reinos de Judá e Israel, as populações locais foram dominadas sucessivamente por assírios, caldeus, persas, gregos e romanos. No início da era cristã, os judeus foram derrotados pelos romanos, iniciando-se a Diáspora Judaica. No século VII, com o surgimento do Islam, as populações locais foram islamizadas e quando os turcos otomanos chegaram, toda a região da Palestina já se encontrava sob o domínio dos muçulmanos que controlavam inclusive os lugares sagrados, Meca e Medina em Hijaz (Península Arábica), e Jerusalém e Hebron, na Palestina. Com o fim do Império Otomano, no final da I Guerra Mundial, a Inglaterra obteve da Liga das Nações um mandato para administrar a Palestina e o Iraque.
Apesar de espalhados pelo mundo, os judeus jamais perderam a esperança de voltar à Terra Prometida. Esta possibilidade começou a se materializar com o surgimento do sionismo, um movimento criado por Theodor Hezl, no final do século XIX e que pregava o retorno ao Sion, nome bíblico de Canaã, a Terra Prometida. Em 1917, Lord Balfour, o secretário inglês para Assuntos Estrangeiros, fez publicar a Declaração Balfour, em que apoiava a imigração de judeus para a Palestina e o estabelecimento de um "lar nacional para o povo judeu" na região, afirmando que "nada será feito que possa prejudicar os direitos civis e religiosos das comunidades não judaicas existentes" - numa referência aos árabes, que, então, representavam 92% da população.
A carta foi publicada no The Times de Londres e dizia:
"Prezado Lord Rothschild,
Tenho muito prazer em transmitir-lhe, em nome do governo de Sua Majestade, a seguinte declaração de simpatia com as aspirações sionistas que foram apresentadas ao Gabinete e aprovadas por ele: 'O Governo de Sua Majestade vê com simpatia o estabelecimento na Palestina de um lar nacional para o povo judeu e envidará seus melhores esforços para facilitar a conquista desse objetivos, ficando claramente entendido que nada será feito que possa prejudicar os direitos religiosos e civis das comunidades não judaicas existentes na Palestina ou os direitos e condições políticas usufruídas pelos judeus em qualquer outro país.' Agracederia que você levasse essa declaração ao conhecimento da Federação Sionista.
Atenciosamente
Arthur James Balfour"
Em seu livro intitulado "The Question of Palestine", o famoso escritor palestino, Edward Said, definiu a importância dessa declaração da seguinte maneira:
"O que é importante a respeito da declaração é que, em primeiro lugar, durante muito tempo ela foi a base legal para as reivindicações sionistas em relação à Palestina e, em segundo lugar, e mais importante para os nossos objetivos aqui, que foi uma declaração cuja força só pode ser avaliada quando as realidades demográfica e humana da Palestina ficaram claras na mente. Isto é, a declaração foi feita (a) por um poder europeu, (b) a respeito de um território não-europeu, (c) num claro desrespeito à presença e aos desejos da população nativa residente no território e (d) tomou a forma de uma promessa sobre este mesmo território por um outro grupo estrangeiro, a fim de que esse grupo estrangeiro pudesse, literalmente, fazer desse território uma nação para o povo judeu."
A "Declaração Balfour" foi interpretada pelos líderes sionistas como um apoio à criação de um estado judeu soberano e tornou-se a base do apoio internacional para a formação do moderno estado de Israel. Nas décadas que se seguiram, dezenas de milhares de judeus fixaram-se na Palestina, em sua maioria oriundos da Europa, movidos pelo ideal do sionismo. O estímulo sionista à imigração judaica, as vacilações britânicas para contê-las e a perseguição nazista fizeram aumentar o número de judeus na Palestina, criando áreas de tensão com a população árabe local.
No período de 1928 a 1949, com uma pausa durante a II Guerrsa, o movimento imigratório de judeus europeus se intensificou, alterando profundamente a estrutura da população da Palestina. Em 1922, os judeus representavam 11% da população, e em 1949 eram mais de 30%. Cerca de 20% da terra cultivada pertenciam a um Fundo Nacional Judaico, em nome do povo judeu.
A política do governo inglês foi a de manter sob controle direto a imigração, favorecendo o desenvolvimento econômico da comunidade judaica, o que beneficiou mais aos sionistas do que aos árabes. Em meados dos anos 30, com a chegada dos nazistas na Alemanha, aumentou a pressão da comunidade judaica sobre a Inglaterra para ampliar os limites de imigração, o que acarretou forte oposição nos países árabes vizinhos, com reflexos nas relações entre Inglaterra e aqueles países. A eclosão da II Guerra Mundial manteve o problema em suspenso, e a imigração de judeus para a Palestina foi praticamente interrompida.
Ao final da guerra, foi criada a Liga Árabe que, entre seus objetivos, tinha a defesa da causa palestina. Os judeus europeus, traumatizados com os massacres nazistas, sentiam a necessidade de criar um estado. A Inglaterra tinha consciência de que a criação desse estado na Palestina encontraria forte objeção por parte dos árabes. Estados Unidos, que emergiam da guerra como uma nova potência e sob a pressão do sionismo, usaram de sua influência em favor da causa sionista, que se resumia na criação de um estado judeu e na imigração de um contingente maior de judeus.
Em 1947, a Inglaterra decidiu submeter a questão às Nações Unidas, que aprovou a partilha da Palestina entre árabes e judeus. Com a aprovação do plano pela Assembléia Geral da ONU, em 14 de maio de 1948, a Inglaterra se retirou da Palestina e os judeus proclamaram o Estado de Israel, que foi imediatamente reconhecido pelos EUA e Rússia. Os árabes da Palestina e dos vizinhos, Egito, Jordânia, Iraque, Síria e Líbano, inconformados com a decisão, declararam guerra ao recém criado Estado de Israel.
Com a vitória de Israel em 1949, novas fronteiras foram estabelecidas. Cerca de 75% da Palestina foi incluída dentro das fronteiras de Israel; uma faixa de terra ao sul, que ia de Gaza até a fronteira com o Egito ficou sob controle do Egito; o restante do território foi anexado pelo reino hashemita da Jordânia. Jerusalém foi dividida entre Israel e Jordânia. O estado árabe-palestino deixou de existir. Quase 2/3 da população árabe deixou suas casas e tornou-se refugiada. Centenas de milhares de palestinos emigraram para os estados árabes, nos quais passararam a viver em acampamentos precários e os que permaneceram, ficaram na condição de refugiados em sua própria pátria. Jerusalém, dividida entre cristãos, judeus, e muçulmanos, tornou-se pólo de conflitos que se estendem até os dias atuais.
Os conflitos tornaram-se endêmicos e a guerra eclodiu mais de uma vez, em 1956, 1967 e 1973, sendo a mais importante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, quando Israel incorporou a península do Sinai e a Faixa de Gaza, a Cisjordânia e o território sírio das Colinas do Golã e intensificou sua política de construção de assentamentos para colonos judeus imigrantes. Quanto aos cidadãos árabes de Israel, embora usufruíssem de direitos políticos, eram considerados cidadãos de segunda classe, não pertencendo à comunidade que se estava formando.
Por esta época, uma nova geração de palestinos crescia no exílio, principalmente no Cairo e em Beirute. Aos poucos, surgiram vários movimentos políticos, sendo o mais importante o Fatah, uma organização guerrilheira criada por Yasser Arafat, que se pretendia completamente independente dos regimes árabes, cujos interesses não fossem os mesmos dos palestinos e que pregava um confronto militar com Israel. Em 1964, com o apoio dos países árabes, foi fundada em Jerusalém a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), sob controle do Egito, constituída a partir do Fatah e que passou a ser presidida por Yasser Arafat. A OLP era composta basicamente de membros dos exércitos do Egito, Síria, Jordânia e Iraque. O Fatah começou a agir dentro de Israel. A população israelense continuava a crescer por força da imigração. Em 1967, do total de 2.3 milhões de habitantes, os árabes representavam 13%. A economia crescera em razão da ajuda americana e por causa da contribuição financeira de judeus do mundo inteiro e também por causa das reparações de guerra da Alemanha. Israel sabia que era mais forte militar e politicamente do que seus vizinhos árabes. Diante das ameaças de ambos os lados, israelenses e árabes se enfrentaram novamente e os israelenses vitoriosos ocuparam o Sinai, Jerusalém, a parte palestina da Jordânia e parte do sul da Síria (as colinas do Golan) antes do cessar-fogo acordado com a ONU.
A guerra de 1967 foi o ponto decisivo. A conquista de Jerusalém e o fato de que os lugares sagrados para muçulmanos e cristãos estavam agora sob controle israelense trouxe uma outra dimensão para a crise. A guerra mudou o equilíbrio de forças no Oriente Médio. Estava claro que Israel era mais forte militarmente do que qualquer aliança entre estados árabes e isso mudou a relação de cada um deles com o mundo exterior. Para os árabes foi uma derrota e para os palestinos representou uma nova leva de refugiados. Nos anos seguintes o mundo ignoraria a situação dos palestinos até que, em 1974, Yasser Arafat foi, pela primeira vez a ONU, formalizando, assim, a representação política do povo palestino.
A fim de harmonizar o conflito, foram baixadas numerosas resoluções por parte das Nações Unidas, conclamando à paz, ao retorno dos refugiados às suas casas, à retirada dos israelenses dos territórios ocupados e ao estabelecimento de fronteiras permanentes, nenhuma delas acatadas por Israel.
Em março de 1979, Egito e Israel assinaram um tratado em separado, do qual os Estados Unidos foram signatários. Embora tenha levado a uma melhora nas relações entre egípcios e israelenses, que resultou na evacuação de alguns territórios egípcios ocupados e na abertura do Canal de Suez para os navios de Israel, no entanto este tratado nada fez para efetivar uma retirada das forças de ocupação israelenses de Jerusalém oriental, da Margem Ocidental e das colinas do Golan, na Síria, e, principalmente, deixou intocada a raiz do problema - a condição dos palestinos. Na verdade, o tratado resultou no recrudescimento da tensão no Oriente Médio, que se manifestou por um aumento da intransigência israelense nos territórios ocupados e no isolamento do Egito do resto do mundo árabe.
Em 1987, um caminhão militar israelense atropelou e matou 4 palestinos na Faixa de Gaza. Este incidente foi o estopim para o início dos combates entre jovens palestinos e as tropas de ocupação israelense. A revolta, conhecida como a Revolta das Pedras (intifada) durou 6 anos, resultando em muitas mortes e um profundo desgaste para Israel, pois eram jovens e crianças enfrentando com paus e pedras as armas sofisticadas dos soldados israelenses. A Intifada foi a primeira manifestação dentro dos territórios ocupados a abalar de forma duradoura a rotina da ocupação israelense, iniciada em 1967.
Em 1991, realizou-se em Madri a Conferência Internacional de Paz, marco inicial das conversações diretas entre Israel e os países árabes. Em 1993, os dois lados firmaram em Washington um acordo de paz que previa a extensão da autonomia dos palestinos na Cisjordânia, com a retirada das tropas israelenses. Em 1995, Israel e OLP firmaram um novo acordo, desta vez com a extensão da autonomia a quase toda a Cisjordânia, sem dúvida um passo importante para o surgimento de um estado palestino, mas que se torna irrelevante enquanto Israel detiver o monopólio do uso da força nos territórios ocupados.
Desde o ano passado, Yasser Arafat e Ehud Barak já se encontraram diversas vezes mas sem chegaram a um acordo possível sobre as duas questões fundamentais para os palestinos: Jerusalém e o direito de retorno. Israel simplesmente perderia seu caráter sionista se Jerusalém, unificada e em sua forma ampliada, deixasse de ser sua capital. As circunstâncias pelas quais os israelenses poderiam pensar em abandonar essa reivindicação ainda não foram criadas e portanto não há o que ceder. Por outro lado, a Autoridade Palestina de Yasser Arafat estaria cometendo suicídio político se cedesse nos direitos de palestinos árabes e muçulmanos à cidade sagrada e no direito de retorno dos refugiados.
A visita de Ariel Sharon no dia 28 de setembro passado à Esplanada das Mesquitas detonou uma nova crise que já está sendo chamada de a segunda intifada e que já se anunciava de há muito tempo e cujas consequências agora são imprevisíveis.
Quem quer que visite a Faixa de Gaza, pode perceber as razões para o descontentamento dos palestinos. Com uma população de mais de 1 milhão de habitantes, a Faixa de Gaza, chamada de "Soweto de Israel" (referência ao gueto da África do Sul), não é um estado e não foi anexada a Israel.
As forças de defesa de Israel controlam toda a fronteira. Mesmo com a recente abertura de uma passagem especial de Gaza para a Cisjordânia, se os moradores de Gaza quiserem sair dessa área, precisam obter uma permissão dos israelenses. Muitas palestinos - nascidos a partir de 1967 - nunca sairam da faixa, uma tripa de terra situada entre o deserto de Negev e o mar Mediterrâneo, que mede 46 km de de comprimento e 10 km de largura, aproximadamente.
Algumas das piores condições de vida estão no Acampamento de Dehaishem, visitado pelo papa João Paulo II no início deste ano. Segundo o New York Times, "Quase 10.000 refugiados palestinos, quase todos muçulmanos, vivem em menos de 1 milha quadrada de terra, amontoados em barracos que formam becos salpicados de sucata de carros velhos, velhas bobinas de fio e lixo. Eles são refugiados há 52 anos, e muitos deles ainda guardam as chaves de suas casas que foram forçados a abandonar, na luta que se seguiu á criação de Israel."
Apesar de todos os encontros que se realizam desde 1991, continuam sem solução questões como o status de Jerusalém, reivindicada como capital tanto por judeus como por palestinos, e a questão da diáspora palestina. A grande maioria dos 5 milhões de palestinos vive dispersa pelos países árabes em terríveis condições de vida ou em territórios ocupados por Israel na condição de refugiados em sua própria pátria. E subsiste o ódio, alimentado por décadas de violência, que se expressa em atos terroristas de ambos os lados, como no caso do assassinato do líder israelense Yitzhak Rabin, praticado por um judeu de extrema direita, indignado com a perspectiva de um acordo que pudesse vir a reconhecer direitos mínimos aos palestinos.
Para nós, espectadores do conflito ficam algumas interrogações. A segunda intifada coloca em cena novas forças e tendências que desafiam cada vez mais o statu quo. Novas lideranças estão surgindo e questionam a legitimidade de negociadores, representantes e mediadores do processo de paz. O presidente Clinton em final de mandato, Iasser Arafat sobre quem pesam fortes suspeitas de corrupção e desvio de dinheiro proveniente de ajuda internacional, Ehud Barak, manietado pela ala mais radical da direita israelense, que não tem interesse em ver o país dividido com os palestinos.
Por outro lado, a responsabilidade pela tragédia do povo palestino não pode ser creditada única e exclusivamente ao sionismo. Na verdade, os países árabes jamais chegaram a um acordo quanto à forma de atuação em relação a Israel, desde a aprovação do plano de partilha da Palestina. A última reunião de cúpula da Liga Árabe, realizada em Sharm-al-shair, em outubro último, revelou as enormes contradições internas na busca de uma solução unificada para a Palestina.
O poder das famílias tradicionais dos países árabes também já não consegue mais conter a revolta que vem das populações que anseiam por liberdade e independência e exigem uma retomada do compromisso de defesa da causa palestina, compromisso esse assumido por ocasião da criação da Liga Árabe. O que se espera é que a solução que venha a ser encontrada não seja excludente do povo palestino, que já perdeu tudo o que podia e o que tinha a perder.
Os primeiros registros históricos sobre o Afeganistão datam do século VI a.C, quando foi incorporado ao império persa. Juntamente com os persas, a região foi subjugada, depois, por Alexandre, o Grande (século IV a.C). Após sua morte, a região caiu sob o domínio de um general de Alexandre, Seleucus I, mais tarde do rei indiano, Chadragupta e, mais uma vez, de uma dinastia grega que se estabeleceu em Bactria, ao norte do Afeganistão, e que fundou um estado que durou até 130 a.C. Este estado greco-bactriano se rendeu aos nômades iranianos, chamados de Sakas e adotaram o budismo como religião. Nos séculos III e IV d.C, os persas sassânidas invadiram o país e lá permaneceram até a chegada dos árabes, em meados do século VII d.C.
Séculos se passaram antes que o Islam se transformasse na religião dominante. O controle político árabe, enquanto isso, foi substituído por governos turcos e iranianos. A total ascendência turca sobre a região foi estabelecida mais tarde, no final do século X e início do século XI pelo sultão muçulmano Mahmud de Ghazna (971-1030).
O Império de Mahmud Ghazni em 1027 d.C.
A cultura islâmica depois alcançou o seu auge sob a dinastia dos ghuridas. Aos poucos, eles ampliaram seu governo até o norte da Ìndia, mas foram esmagados pelas invasões mongóis, lideradas por Gêngis Khan, que chegou do norte, em torno de 1220. A maior parte do país permaneceu sob domínio mongol até perto do século XIV, quando Tamerlão, um conquistador turcomano ocupou o norte do Afeganistão. Entre os mais notáveis sucessores de Tamerlão, estava Babur, fundador da dinastia mogol na Índia, que conquistou Cabul em 1504. Mais tarde, no século XVI, os safávidas do Irã e os uzbeques do norte fizeram incursões na região. Os sucessores mogóis e iranianos de Babur enfrentaram contínuas revoltas afegãs.

Mesquita de Mazar-i-Shariff
Durante o século XVI, os afegãos começaram a ganhar poder. A tribo ghilzai conquistou Isfahan, a capital iraniana, em 1722. Em sequida, uma vigorosa contraofensiva iraniana foi iniciada pelo governante turcomano, Nadir Shah, que em 1738, restabeleceu a autoridade iraniana sobre todo o Afeganistão. Nadir foi assassinado em 1747, e foi substituído por Ahmad Shah, um general da tribo abdali, que fundou uma dinastia que permaneceu no poder até 1818. Ahmad Shah ficou conhecido como Durri-i-Dauran e os abdalis como os duranis. Ahmad Shah aumentou seus domínios, conquistando o leste do Irã, o Beluquistão, a Caxemira e parte do Punjab. Em 1826, Dost Mohammad Khan, um membro de uma proeminente família afegã, assumiu o controle do leste do Afeganistão e tomou o título de emir.

O império afegão em 1762
No século XIX, o Afeganistão tornou-se palco de uma acirrada disputa entre os impérios russo e britânico. Em 1839, tropas inglesas invadiram o país, sendo repelidas ao final de quatro anos de combates. Mais tarde, uma nova guerra (1878 - 1880), colocou a monarquia afegã sob a tutela britânica até 1919, quando o país conquistou a sua independência. Abd-ar-Rahman Khan, neto de Dost Mohammad Khan assumiu o trono. Em 1907, durante o reinado de Habibullah Khan, o filho e sucessor de Abd-ar-Rahman-Khan, os governos inglês e russo concluíram o acordo de respeito mútuo, que garantia a integridade territorial do Afeganistão. Habibullah foi assassinado em 1919 e seu irmão, Nasrullah Khan, que assumiu assumiu o trono por apenas 6 dias, foi deposto pela nobreza afegã, em favor de Amanullah Khan, filho de Habibullah. Determinado a retirar seu país completamente da esfera inglesa de influência, ele declarou guerra à Inglaterra. Os ingleses, que ao mesmo tempo enfrentaram o crescente movimento de libertação indiano, negociaram um tratado de paz com o Afeganistão, pelo qual reconheciam a soberania do país e a independência da nação.
A popularidade e o prestígio que Amanullah tinha conquistado logo se dissiparam. Profundamente impressionado com os programas modernizantes do Irã e da Turquia, ele instituiu uma série de reformas políticas, sociais e religiosa. O governo constitucional foi inaugurado em 1923, os títulos de nobreza foram abolidos, a educação foi estabelecida para as mulheres e outras medidas mais amplas que modernizavam as instituições tradicionais foram reforçadas. A hostilidade provocada pelo programa de reformas do rei levaram à revolta de 1929 e Amanullah abdicou e se exilou. Depois de alguns distúrbios, o governo foi passado para Nadir Shah.
O novo governo, aos poucos, restabeleceu a ordem no reino. Em 1932, Nadir iniciou um programa de reformas econômicas mas foi assassinado no ano seguinte. Seu filho e sucessor, Zahir Shah, que tinha apenas 19 anos quando assumiu, foi dominado por 30 anos por seus tios e primos, principalmente seu primo e, mais tarde cunhado, Príncipe Mohammad Daud Khan. O governo intensificou o programa de modernização iniciado por Nadir Shah e estabeleceu relações comerciais com a Alemanha, Itália e Japão. Zahir Shah declarou a neutralidade do Afeganistão quando eclodiu a II Guerra Mundial. No entanto, em 1941, a pedido da Inglaterra e da ex-União Soviética, mais de duzentos agentes alemães e italianos foram expulsos do país. Os Estados Unidos estabeleceram relações diplomáticas com o país em 1942. Em novembro de 1946, o Afeganistão tornou-se membro das Nações Unidas.
No ano de 1953, o primeiro-ministro Daud Khan lançou um programa de modernização da economia, com a ajuda financeira da ex-União Soviética. Renunciou ao cargo em 1963, mas voltou ao governo em 1973, à frente de um golpe militar que depôs o rei Zahir e proclamou a República. Daud tornou-se presidente e durante seu governo contribuiu para o reforço da influência soviética sobre o país.
Em 1974, grupos islâmicos rebelaram-se contra o novo regime mas foram derrotados. Em abril de 1978, Daud foi deposto e morto pelos militares que o haviam conduzido ao poder. Mohamed Taraki, seu sucessor, implantou o regime de partido único, de inspiração comunista. Grupos islâmicos apoiados pelo Paquistão iniciaram as guerrilhas.
Acirrou-se a luta de facções no partido do governo, o Partido Democrático do Povo Afegão, de linha comunista. Incapazes de conter a rebelião, Taraki e Amin pediram ajuda à Rússia. Apesar do apoio militar, a resistência ao governo continuou em 1979. Em dezembro, Amin foi destronado e morto e o Afeganistão foi ocupado por tropas soviéticas. A ex- União Soviética colocou no lugar Babrak Karmal, o antigo vice-presidente. Embora ele tentasse aplacar os rebeldes, a insurreição persistiu e mais de 3 milhões de afegãos fugiram para o vizinho Paquistão. Durante os anos 80, forças do governo e cerca de 118.000 soldados soviéticos ocuparam as estradas e cidades principais, mas não conseguiram desalojar os rebeledes, que tiveram a ajuda da CIA americana. Em maio de 1986, Karmal renunciou, alegando motivos de saúde e foi substituído por Mohammad Najibullah, ex-chefe da polícia secreta.
Em 1989, a ex-União Soviética completou sua retirada do país, iniciada no ano anterior, em cumprimento a um acordo de paz assinado em Genebra. Continuou, no entanto,. a sustentar o regime afegão, a essa altura liderado por Mohammad Najibullah, ex-chefe da polícia secreta que havia derrubado Karmal em 1986. Os conflitos prosseguiram. Uma ofensiva da guerrilha, em abril de 1992, provocou a renúncia de Najibullah, diante das pressões de membros do governo, que negociaram a entrega do poder.
A perspectiva da vitória próxima agravou e trouxe à tona as divergências entre grupos rebeldes rivais. Uma ala, com quartel-general no Paquistão, defendia a instalação de um governo islâmico moderado, aberto a influências do Ocidente. Outros grupos, ligados ao Irã, queriam um estado teocrático, com a aplicação rigorosa da shari'ah.
Em abril de 1992, grupos guerrilheiros rivais ocuparam Cabul, a capital do país e começaram a lutar entre si. O Conselho Islâmico assumiu o poder e escolheu Sibhatullah Mohaddedei para a presidência. Entretanto, o líder da facção guerrilheira mais radical, Gulbuddin Hekmatyar, não aceitou o novo governo e comandou um bombardeio aos bairros da capital, controlados por seus adversários. O Conselho Islâmico escolheu, então,um novo presidente, Burhanuddin Rabbani.
Em 1993, os combates se haviam espalhado por todo o país, dividindo-o em zonas autônomas, sob o controle de grupos locais. Diante desse quadro, foi assinado um acordo de paz, segundo o qual Rabbani continuava na presidência e Hekmatyar se tornaria o primeiro-ministro. Mas o acordo não foi cumprido e os combates se agravaram. Prosseguiu, assim o êxodo de refugiados para o Paquistão e para o Irã. A essa altura, os 15 anos de guerra no Afeganistão já haviam deixado um saldo de 2 milhõe de mortos e 6 milhões de refugiados.
A partir de 1994, enquanto facções simpáticas a Rabbani ocupavam Cabul, um grupo de sunitas fundamentalistas, conhecido como Taleban, conquistava o controle da maior parte do país. O Taleban era um grupo formado por estudantes fundamentalistas muçulmanos, que defendiam práticas extremistas, como a exclusão social das mulheres. Liderado por Mohammed Umar, e com provável apoio do vizinho Paquistão, o Taleban ganhou popularidade e passou a controlar um terço do Afeganistão. Ameaçou invadir Cabul e exigiu a saída de Rabbani e a criação de um estado islâmico "puro". Em março, as forças de Rabbani revidaram com um ataque o Taleban e expulsaram a milícia da área de Cabul. Em setembro, a milícia tomou a cidadde de Herat, no extremo oeste do país.
Em setembro de 1996, os talebans entraram na capital e Rabbani e seus partidários fugiram para o norte. Najibullah foi executado junto com muitos de seu grupo e os taleban estabeleceram um conselho de governo composto de seis integrantes. O conselho, imediatamente começou a impor a sua marca de governo rigorosamente islâmico. Durante o ano de 1997, o Taleban buscou estender seu controle ao resto do país, mas encontrou uma resistência por parte de Rabbani e de seus aliados, que estabeleceram uma fortaleza no norte do país, perto de Mazar-e-Sharif. Em julho de 1998, os Taleban iniciaram uma nova ofensiva e em agosto Mazar-e-Sharif foi ocupada, com a morte de muitos civis, inclusive um grupo de diplomatas iranianos, o que aumentou as tensões com o Irã. Mais tarde, após o ataque às embaixadas americanas no Quênia e Tanzânia, os Estados Unidos atacaram com mísseis o que eles achavam ser um complexo de treinamento para terroristas internacionais do Afeganistão. Provou-se que o prédio era uma fábrica de produtos químicos para a fabricação de remédios. Nesta mesma ocasião, os Estados Unidos acusaram o rico empresário saudita Osama bin Laden de estar envolvido em outros atos de terrorismo. Quando o regime do Taleban se recusou a entregar bin Laden aos Estados Unidos para julgamento, a ONU impôs pesadas sanções ao Afeganistão, que como sempre, afetam a população deste país, já empobrecido em decorência das constantes guerras por que passou.
Em função dos conflitos armados que ainda se sucedem no Afeganistão, a expectativa de vida no país é a mais baixa do planeta. Além disso, o Afeganistão possui um dos mais altos índices de analfabetismo da Ásia.
Com os recentes testes nucleares realizados pela Índia e Paquistão, paira sobre o sul da Ásia a ameaça de um conflito nuclear. A disputa sobre Jammu e Caxemira é a centelha que pode detoná-lo. O povo de Jammu e Caxemira vem lutando pela reunificação e independência do país. Esta é a solução mais justa e lógica para o problema e que poderá trazer uma paz duradoura, tão merecida, para a Índia, Paquistão e Jammu e Caxemira.
A região da Caxemira é o cenário de uma disputa entre a Índia e o Paquistão, desde 1947, ano em que ambos os países se tornaram independentes do Reino Unido. Dois terços de seu território estão sob o domínio indiano, e um terço sob o controle paquistanês. Habitada majoritariamente por muçulmanos, a Caxemira foi alvo de duas das três guerras já travadas entre os dois países. Mas de 30 mil pessoas já morreram nos conflitos que envolvem os exércitos dos dois países e guerrilheiros separatistas. Segundo o governo indiano, esses grupos recebem o apoio financeiro do Paquistão, que diz apenas ampará-los politicamente.
O Paquistão reivindica o controle total da Caxemira, sob o argumento de que lá vive uma população de maioria islâmica - a mesma do país. Já a Índia, tem uma população majoritariamente hindu. Os enfrentamentos costumam se intensificar nos meses de verão. Nessa época, com o derretimento da neve em partes da cordilheira do Himalaia, os separatistas islâmicos têm mais facilidade para se infiltrar na Caxemira indiana, vindos de solo paquistanês.
A rivalidade militar nessa porção do sul da Ásia levou a uma corrida armamentista nas últimas décadas, que culminou com a entrada de Índia e Paquistão, em 1998, no seleto clube dos países detentores de armas nucleares. Desde então, as hostilidades na Caxemira passaram a ser acompanhadas com mais atenção pela comunidade internacional. Nos últimos anos, o presidente dos EUA, Bill Clinton, vem tentando intermediar um processo de paz entre os dois países.

Mapa do estado indiano de Jammu e Caxemira
Jammu e Caxemira é um grande estado, que surgiu da reunião de várias regiões, e que tomou o nome de Jammu e Caxemira por causa das duas maiores regiões no estado que têm esses nomes. Existem outras regiões distintas no estado, inclusive Ladakh, Gilgit, Baltistan e Skardu. Vizinho da Índia, o Paquistão tomou muitas dessas regiões há mais de 50 anos. Algumas partes do estado foram tomadas à força da China. A porção maior do estado original de Jammu e Caxemira permanece como um estado indiano.
A Caxemira é um vale mais ao norte da Índia e é parte do estado Jammu e Cachemira. O vale da Caxemira é circundado pelas mais altas montanhas do mundo. O vale em si é verde e densamente povoado. A população é evoluída e por isso dominou a história e cultura do estado.
A Índia está no sul da Ásia e é o sétimo maior país do mundo e o segundo, depois da China, em população. A Índia compõe-se de vários estados e cada estado tem suas próprias leis e costumes, elege seus próprios governantes, que são chamados de ministro-chefe, mas em questões de relevância nacional, cada estado deve obedecer o governo central, que tem sua sede em Nova Déli.
É o terceiro país muçulmano do mundo, com mais de 85 milhões de adeptos, sendo 15% de xiítas. A relação entre muçulmanos e a maioria hindu tornou-se particularmente tensa em 1986, quando hindus da província de Uttar Pradesh invadiram a mesquita muçulmana de Aiodhia, uma das sete cidades sagradas do hinduísmo. A maior preocupação do governo central é com o crescimento do fundamentalismo em meio a esse clima de confrontação. Além disso, os hindus também têm seus radicais no Partido Bharatiya Janata, o mesmo que liderou a destruição da Mesquita de Aiodhia.
O Paquistão é um país no sul da Ásia, que faz fronteira com a Índia. O país foi criado como resultado da separação da antiga Índia britânica em dois países, um de maioria hindu e outro de maioria islâmica. Em 1971, o próprio Paquistão seria de novo dividido, para a formação de um outro país de maioria islâmica, a leste, de nome Bangladesh.
Desde a sua fundação, o Paquistão já se envolveu em diversos conflitos internos e externos. O país manteve três guerras com a Índia, em 1948, 1965 e 1971. Nas duas primeiras, disputava-se a região da Caxemira, e em 1971, os conflitos resultaram na separação do antigo Paquistão oriental, dando origem a Bangladesh. Há mais de 7 milhões de refugiados paquistaneses na Índia, a maioria muçulmanos que tememsofrer perseguições políticas, caso voltem a seu país.
Bangladesh é uma país de maioria muçulmana, que surgiu da divisão do Paquistão em 1971. Em 1988, o gal. Hussein Ershad instituiu uma ditadura no país e impôs o Islam como religião de estado. Com isso, ele esperava atrair a maioria muçulmana e enfraquecer a oposição islâmica, que era liderada pelo partido fundamentalista Jamaat-e-islam. Mas esta estratégia mostrou-se ineficaz, pois não impediu a eclosão de protestos contínuos contra a sua ditadura, além de provocar a inquietação na minoria hindu.
Fonte: geocities.com