Localizado entre o Afeganistão, o Irã, a China e a Índia, o Paquistão ocupa uma região estratégica no sul da Ásia. O território pode ser dividido em três áreas geográficas principais: a região montanhosa da Cordilheira do Himalaia ao norte, o vale do Rio Indo e o Planalto do Baluchistão. O clima é predominantemente árido, com verões quentes e invernos rigorosos.
O país possui aproximadamente 156 milhões de habitantes e estima-se que esse número dobre por volta de 2050. A população constitui-se de vários grupos étnicos, entre os quais se destacam os punjabis, os sindis, os patanes e os baluques. Embora o urdu seja o idioma oficial, o inglês também é amplamente utilizado.
O Paquistão e a Índia compartilham uma história cujos registros estão entre os mais antigos do mundo. Uma das primeiras religiões a se instalar no Paquistão foi o budismo, que surgiu 500 anos a.C. e foi difundido na região pelo império de Açoka. A segunda religião a chegar no país foi o Islã, que conquistou a atual província de Sindh, no sudeste do país, em 711 d.C. Anos mais tarde, no século XIII, o sultanato de Delhi era instaurado e, um século mais tarde, era destruído por Tamerlan, que conquistou grande parte do continente asiático. Seu império durou quase um século antes do surgimento do Império Mogul, que se manteria por dois séculos e acabaria apenas com a chegada dos britânicos. A fase européia da história paquistanesa – enquanto o país ainda estava incorporado às possessões do Reino Unido na Índia – foi marcada por vários conflitos de grande escala. Em 1947, os britânicos deixam a colônia, aprovando a divisão em dois Estados independentes: Índia e Paquistão. O Paquistão então passou a ser formado por duas regiões islâmicas separadas por quase 2 mil km de território indiano: o Paquistão Ocidental (atual território paquistanês) e o Paquistão Oriental (atual Bangladesh). Os 20 anos seguintes presenciaram a instabilidade política, a violência generalizada e a guerra entre os dois países vizinhos. Em 1971, o Paquistão Oriental proclama sua independência e passa a se chamar Bangladesh. A partir da metade da década de 80, o Paquistão inicia um movimento de aproximação ainda maior ao islamismo.
Devido a sua posição estratégica, o Paquistão ganhou lugar de destaque na mídia internacional logo após os atentados terroristas contra as cidades de Nova York e Washington do dia 11 de setembro de 2001. Quando decidiram retaliar o Afeganistão militarmente em outubro de 2001, os EUA pediram e obtiveram apoio logístico do Paquistão, assim como a liberação de seu espaço aéreo. Além disso, ao longo do conflito, o país serviu de base para jornalistas estrangeiros e organizações internacionais. O apoio do governo paquistanês aos norte-americanos gerou uma grande tensão política no país, pois uma grande parcela da população possuía afinidades étnicas e ideológicas com a milícia Taleban, que governava o Afeganistão e era a grande inimiga dos EUA.
Nos anos mais recentes, o governo do Paquistão tem adotado vários sistemas – parlamentarismo, presidencialismo, ditadura militar – à medida que a conjuntura política evolui em direção a uma estabilidade maior. A atual forma de governo é o parlamentarismo com um legislativo bicameral. As leis civis paquistanesas devem ser submetidas à Corte Federal da Sharia que decide se a lei civil é aceitável dentro do contexto da lei islâmica. Os principais parceiros do Paquistão são os países ocidentais, as nações do Golfo Pérsico e a China. O relacionamento com a Índia, porém, continua tenso.
Ao apoiar os ataques norte-americanos ao Afeganistão, em 2001, o Paquistão obteve grande ajuda econômica dos EUA na forma de linhas de crédito e reescalonamento de dívidas. Ainda assim, a economia do Paquistão é caracterizada pela pobreza da população, pois a renda per capita é de apenas US$ 500 por ano. Problemas como a precariedade habitacional e a infra-estrutura inadequada de saneamento básico contribuem para o surgimento de doenças e para a alta taxa de mortalidade. Para se ter uma idéia, somente um terço da população tem acesso à água potável. De cada quatro crianças paquistanesas, apenas uma freqüenta a escola, o que contribui para o alto índice de analfabetismo, que atinge dois terços da população adulta. Apesar de pouco conhecida, a heroína paquistanesa abastece grande parte da demanda ocidental pelo produto.
O islamismo foi declarado a religião oficial do Paquistão em 1956, transformando o país em uma importante base da atividade missionária muçulmana em todo o mundo. Atualmente, mais de 95% dos paquistaneses residentes no país são muçulmanos e apenas 1% da população pratica o hinduísmo.
O cristianismo chegou ao Paquistão no século VIII por intermédio de missionários nestorianos. Os jesuítas assumiram o trabalho missionário no século XVI, porém nenhum dos dois grupos teve êxito no estabelecimento de um trabalho duradouro. Atualmente, como resultado de uma grande variedade de esforços missionários, o Paquistão conta com uma pequena parcela de cristãos, a maioria dos quais de etnia punjabi. A igreja continua crescendo em milhares de pessoas todos os anos, devido principalmente aos nascimentos em famílias cristãs. A maioria dos cristãos são membros de igrejas independentes locais ou são de tradição católica romana. A comunidade cristã é, de modo geral, fragmentada e temerosa. Devido ao medo da perseguição, é possível que haja alguns milhares de cristãos que mantêm sua identidade religiosa em sigilo e são poucos os convertidos entre os muçulmanos que declaram sua nova fé abertamente.
A lei da blasfêmia paquistanesa recebeu uma significativa atenção da mídia ocidental na década passada. Embora nenhum cristão paquistanês até agora tenha sido executado após sua condenação, mais de uma dezena de pessoas foram acusadas e forçadas a viver em condições desumanas na prisão, em esconderijos ou no exílio. Apesar disso, muitos missionários cristãos no Paquistão afirmam que a lei de blasfêmia não é o principal problema no país, mas sim o sistema de colégios eleitorais diferenciados para as minorias religiosas. Tal sistema, chamado de "apartheid religioso", é apontado como um elemento fundamental por trás da perseguição aos cristãos e a outras minorias religiosas. O sistema concede às minorias um pequeno número de cadeiras na Assembléia Nacional, ou seja, do total de 217 representantes apenas dez pertencem às minorias não muçulmanas, como os cristãos e os hindus. Conseqüentemente, é muito difícil que estas minorias consigam influenciar o legislativo ou o sistema político e, além disso, nenhum político tem interesse suficiente para assumir o caso de um cristão falsamente acusado de blasfêmia.
Um dos prisioneiros cristãos mais conhecidos no Paquistão é Ayub Masih, que foi condenado por blasfêmia em abril de 1998. Sua sentença de morte foi a presumível causa do suicídio do Bispo John Joseph, da cidade de Faisalabad, que se matou com um tiro em frente ao tribunal de Sahiwal, onde Masih fora condenado e sentenciado.
Masih foi preso em outubro de 1996, após um rapaz muçulmano, que era seu vizinho na aldeia punjabi de Arifwala, acusá-lo de blasfêmia contra o profeta Maomé. Cristãos locais sustentam que toda a acusação foi forjada para vencer uma disputa por terras com a família de Masih. Nenhuma evidência foi apresentada no tribunal além da isolada acusação do reclamante, porém ainda assim o tribunal considerou-o culpado.
Apesar da grande pressão e dos protestos dos líderes religiosos e de ativistas dos direitos humanos, pouca coisa tem mudado para Masih ou para os cristãos paquistaneses em geral. Em fevereiro de 1999, Masih sobreviveu a um segundo atentado na prisão, quando foi atacado por outros quatro prisioneiros armados com facas. A tentativa aconteceu durante a celebração que ocorre ao final do período do Ramadã, quando os prisioneiros desfrutam de maior liberdade de movimentos dentro da prisão. Masih não teve lesões mais sérias graças à pronta intervenção dos guardas carcerários. Anteriormente, em uma tentativa de assassinato durante uma audiência no tribunal, Masih saiu ileso porque o atirador errou o alvo.
Masih afirmou ao serviço de notícias Compass Direct: "Eu nunca considerei que ser cristão era ser infeliz. Pelo contrário, eu me considero feliz porque estou sofrendo pelo nome de Jesus Cristo." Ele ainda salientou que todas as coisas que lhe ocorreram serviram para fortalecer sua fé em Cristo.
O fato de que todos os cristãos acusados de blasfêmia no Paquistão foram eventualmente libertados, após um período na prisão, serve de encorajamento a Masih. No entanto, ele também está consciente de que a maioria destes cristãos foi forçada a pedir asilo no exterior, em virtude das constantes tentativas de assassinato por parte de extremistas muçulmanos. Tal situação tem causado medo e pavor em sua família.
Em agosto de 2001, o site Pakistan Christian Post* informou que a justiça paquistanesa negou um apelo impetrado pelo presidente da Anistia Internacional do Paquistão, Dr. Syed Sajjad Haider Zaidi, e confirmou a sentença de morte de Ayub Masih.
No dia 28 de outubro de 2001, em meio ao crescente descontentamento com os bombardeios americanos ao Afeganistão, a cidade de Bahawalpur testemunhou um massacre sem precedentes na história do Paquistão, que custou a vida de 16 cristãos. Cerca de 70 pessoas celebravam um culto protestante nas dependências da igreja católica de Santo Domingo – que era cedida pelos católicos para os cristãos evangélicos – quando um grupo de homens mascarados e armados com rifles abriu fogo no interior do templo. Entre os mortos estavam sete mulheres, duas crianças e o pastor. O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, manifestou sua angústia em relação à matança, enquanto que o papa João Paulo II prestou solidariedade às famílias das vítimas por meio de um telegrama no qual classificou o massacre como um "ato trágico de intolerância’’.
O crescimento da igreja paquistanesa segue em ritmo acelerado, e a comunidade cristã local poderá alcançar mais de 14 milhões de pessoas por volta de 2050. No entanto, também é provável que a perseguição aumente e atinja níveis críticos.
A zona de fronteira com a Índia pode se tornar palco de sérios conflitos, com conseqüências terríveis para os cristãos que vivem na região, em particular para os que residem na disputada região da Caxemira.
1. A grande maioria da igreja paquistanesa é formada por pessoas da etnia punjabi. Ore para que os cristãos paquistaneses desenvolvam uma igreja transcultural que envolva todas as etnias do país.
2. A igreja tem contra si o forte preconceito do governo. Ore pedindo que as autoridades do país abrandem suas posições contrárias ao cristianismo e permitam que as crenças não muçulmanas tenham uma representação mais ampla no governo.
3. Os líderes cristãos são freqüentemente perseguidos e ameaçados. Ore para que os líderes cristãos continuem a evangelizar com ousadia, façam novos discípulos e treinem novos líderes com o objetivo de implantar a igreja de Cristo em todo o território paquistanês.
4. O clima de tensão entre cristãos e muçulmanos aumentou após o massacre em Bahawalpur. Ore pelo fim da violência contra os cristãos. Ore também para que os conflitos no vizinho Afeganistão não acirrem ainda mais a tensão religiosa no Paquistão.
Islamabad
156,4 milhões (35% urbana)
796.095 km2
Sul da Ásia
Inglês, urdu, punjabi, sindi, pashto
Islamismo 95%, cristianismo 2,4%, hinduísmo 1%
3,8 milhões, fatia da população em crescimento
Atos de hostilidade, em crescimento
A evangelização é proibida e a lei da blasfêmia impede que os muçulmanos se convertam. Há colégios eleitorais diferenciados para as minorias religiosas.
Os cristãos serão cada vez mais marginalizados, ainda que o crescimento do cristianismo se acelere. O desenvolvimento da fé cristã pode originar sérios incidentes de perseguição religiosa.
Fonte: www.portasabertas.org.br
O presente site está sendo desenvolvido com o objetivo de abordar a história do Islam, desde os seus primórdios até os dias atuais. Trata-se de um esforço pessoal no sentido de mostrar, da forma mais imparcial possível, o começo do Islam na península arábica, seu rápido processo de expansão, o período de declínio, e o posterior ressurgimento a partir do século XX.
Como a religião que mais cresce no mundo, o Islam vem sendo pesquisado, reavaliado, discutido e a imagem distorcida de um Islam radical, belicoso, retrógrado, que prevaleceu por séculos, principalmente no ocidente, está sendo revista, tanto por muçulmanos como por não muçulmanos.
Cabe uma explicação para o título do site. Ibn Khaldoun, nascido na Tunísia, em 1332, foi um historiador e filósofo muçulmano famoso no seu tempo. Escreveu a História Universal, fazendo uma análise histórica dos acontecimentos. Procurou identificar a forma como os fatos sociais, econômicos, psicológicos e ambientais contribuem para o avanço da civilização e das correntes da história.
Estabeleceu uma relação entre as mudanças sociais e o nível de atividade econômica de uma sociedade. A introdução a essa obra ficou conhecida como "Prolegômenos" (Muqaddima) e se tornou uma obra prima da literatura sobre a filosofia da história e da sociologia. Com ele, o estudo da História passou a ter uma outra abordagem, propriamente científica e filosófica, adiantando-se em séculos à moderna historiografia ocidental.
Fonte: geocities.com
Nome oficial: República Islâmica do Paquistão
(Islami Jamhuriya-e-Pakistan).
Nacionalidade: paquistanesa.
Data nacional: 23 de março (Dia da Pátria);
14 de agosto (Independência).
Capital: Islamabad.
Cidades principais: Karachi (aglomerado urbano: 10.119.000
em 1996; cidade: 5.208.132 em 1981); Lahore (5.063.000), Faisalabad (1.977.000)
(1998); Islamabad (204.364) (1981).
Idioma: urdu (oficial), punjabi, sindi, saricoli, ingês.
Religião: islamismo 95%, cristianismo 2%, hinduísmo 1,8%, outras 1,2% (1993).
Localização: centro-sul da Ásia.
Hora local: + 8h.
Área: 796.095 km2.
Clima: árido subtropical.
Área de floresta: 17 mil km2 (1995).
Total: 156,5 milhões (2000), sendo punjabis 49%,
patanes 13%, sindis 13%, saricolis 10%, baluques 7%, outros 8% (1996).
Densidade: 196,58 hab./km2.
População urbana: 36% (1998).
População rural: 64% (1998).
Crescimento demográfico: 2,8% ao ano (1995-2000).
Fecundidade: 5,03 filhos por mulher (1995-2000).
Expectativa de vida M/F: 63/65 anos (1995-2000).
Mortalidade infantil: 74 por mil nascimentos (1995-2000).
Analfabetismo: 56,7% (2000).
IDH (0-1): 0,522 (1998).
República parlamentarista (ditadura militar desde 1999).
4 províncias, a capital federal (Islamabad) e áreas tribais.
Liga Muçulmana do Paquistão (PML), do Povo do Paquistão (PPP), Movimento Muttahida Qaumi (MQM).
Senado, com 87 membros eleitos por voto indireto para mandato de 6 anos;
Assembléia Nacional, com 217 membros (207 eleitos por voto direto e
10 representantes de minorias não muçulmanas) com mandato de
5 anos. Suspenso desde 1999.
Constituição: suspensa desde 1999.
Moeda: rúpia paquistanesa.
PIB: US$ 63,4 bilhões (1998).
PIB agropecuária: 26% (1998).
PIB indústria: 25% (1998).
PIB serviços: 49% (1998).
Crescimento do PIB: 4,2% ao ano (1990-1998).
Renda per capita: US$ 470 (1998).
Força de trabalho: 49 milhões (1998).
Agricultura: algodão em pluma, arroz, trigo, milho,
cana-de-açúcar.
Pecuária: búfalos, ovinos, caprinos, aves.
Pesca: 597,2 mil t (1997).
Mineração: petróleo, gás natural,
carvão.
Indústria: têxtil, alimentícia, refino
de petróleo.
Exportações: US$ 8,5 bilhões (1998).
Importações: US$ 9,3 bilhões (1998).
Principais parceiros comerciais: EUA, Japão, Alemanha,
Reino Unido, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos.
Efetivo total: 587 mil (1998).
Gastos: US$ 3,9 bilhões (1998)
Fonte: www.portalbrasil.net
Com cerca de 800 mil km2 de extensão, pouco menor que a Região Sudeste do Brasil e aproximadamente 140 milhões de habitantes, o Paquistão tem um papel importantíssimo no contexto geopolítico do subcontinente indiano e das áreas adjacentes (Oriente Médio e Ásia Central). Isto decorre não só por conta de seu envolvimento em problemas de países vizinhos, especialmente em relação à Índia e ao Afeganistão, mas também por causa de suas tensões étnicas e religiosas internas.
O Paquistão surgiu como país independente em agosto de 1947, como resultado da bipartição da colônia britânica da Índia. A idéia de se criar o Paquistão esteve ligada à oposição dos muçulmanos do subcontinente indiano em passarem a integrar uma Índia plurireligiosa e laica.
A própria palavra que designa o país é relativamente recente e foi “inventada” por jovens intelectuais muçulmanos que estudavam na Grã Bretanha durante a década de 1930. O termo Paquistão, cujo significado é “ o país dos puros”, tem uma origem singular. Cada letra que compõe o nome do país - Pakistan em inglês - tem um significado geográfico: cada uma delas refere-se a uma das regiões que integram o país. Assim, a letra P é de Punjab, o A é de Afegânia, o K é de Kachemira, o S é de Sind e as três últimas letras (TAN) referem-se à área meridional do país, conhecida como Baluquistan.
Desde o início, os jovens líderes muçulmanos fizeram questão de fazer valer a idéia de que a colônia britânica da Índia era composta por duas entidades políticas distintas: o Paquistão e a Índia.. Afirmavam eles que o Paquistão era uma nação com cultura, língua, literatura, leis, códigos, costumes e calendário próprios. No final das contas, o aspecto que acabou prevalecendo foi o religioso: o Paquistão, diferentemente da Índia pluriétnica e plurireligiosa, fez do islamismo o fundamento de sua identidade nacional.
Isso, contudo, não evitou que o Paquistão, no momento da independência, acabasse formado por dois territórios distintos separados por mais de 2.000 km.: o Paquistão Ocidental (atual República Islâmica do Paquistão) e o Paquistão Oriental (que, em 1971, se separaria de seu “irmão ocidental” dando origem a um novo país, Bangladesh) . Também não evitou que permanecesse em território da Índia uma numerosa minoria muçulmana que, embora perfaça aproximadamente 11% do efetivo total do país, representa atualmente em números absolutos mais de 100 milhões de indivíduos.
A federação paquistanesa agrupa vários áreas com estatutos político-administrativos distintos: existem as províncias, (Punjab, o Sind e o Baluquistão), os territórios tribais (localizados junto à fronteira afegã), os “Territórios do Norte” (Gilgit, Baltistão) administrados diretamente pelo governo federal e, por fim, o Azad Cachemir (Cachemira Livre) que goza de uma situação muito particular. Esta complexa construção administrativa mostra o caráter diverso e, até certo ponto artificial, do Paquistão.
Do ponto de vista geográfico podem ser distinguidas no Paquistão duas grandes unidades regionais: o centro-sul e o norte-noroeste.
A primeira delas compreende mais de ¾ do território do país, abriga cerca de 80% do efetivo populacional e pode ser subdividida em três diferentes áreas:
a) o Punjab, com mais de 200.000 km2, cerca de 60 milhões de habitantes, cuja cidade principal é Lahore
b) o Sind, com mais ou menos 150.000 km2, mais de 25 milhões de pessoas, tendo como principal cidade Carachi
c) o Baluquistão, pouco menos de 350.000 km2, mais de 5 milhões de habitantes e tendo Queta como principal núcleo urbano.
Já o norte-noroeste, reúne territórios bastante acidentados (a grande maioria destas áreas apresenta altitudes superiores a 1.500 metros) e divide-se em três áreas distintas:
a) Os territórios tribais, com 27 mil km2 e cerca de 3 milhões de habitantes
b) Os territórios do norte, com 72,5 mil km2 e quase 700 mil habitantes
c) A Cachemira Livre ou Azad Cachemir, pouco mais de 13 mil km2 e uma população pouco superior a 2 milhões de pessoas.
Apesar de serem administradas pelo governo central, paradoxalmente essas áreas, especialmente as duas primeiras (coincidentemente junto às fronteiras com o Afeganistão), tem fugido ao controle governamental. Essa situação tem favorecido não só um intenso tráfico de drogas, como também atividades subversivas. Foi nesse contexto regional que jovens refugiados afegãos, estudantes do Corão nas madrassas (escolas religiosas), fundaram o movimento taliban.
Se existe uma dualidade norte/sul no Paquistão, não é menos verdade que exista também uma diversidade leste/oeste. Esta última tem como linha divisória o rio Indo. O Indo é o eixo vital da geografia do Paquistão e o elemento que separa duas áreas culturais que têm apenas em comum sua devoção ao Islã. Uma delas corresponde a uma porção hindu-islâmica, que se identifica com o Sind e o Punjab (as duas línguas faladas nessas regiões são originárias da Índia) e, outra, mais para oeste, marcada pelo domínio de uma cultura irano-afegã.
Depois de 1947, data de sua independência, o Paquistão conheceu vários ciclos geopolíticos. O primeiro deles vai da independência até 1971, quando o Paquistão Oriental, torna-se independente adotando o nome de Bangladesh.
Durante esse primeiro ciclo geopolítico este “duplo Paquistão” esteve profundamente engajado no jogo da Guerra Fria, fazendo parte de um pacto político-militar, o CENTO (Tratado da Ásia Central, antigo Pacto de Bagdá) em aliança com países da região e sob a égide dos EUA.
A independência de Bangladesh inaugurou um novo ciclo que vai durar aproximadamente duas décadas. Neste período o Paquistão orientou sua política externa para o mundo árabe do Oriente Médio. A invasão do Afeganistão pela URSS (1979) e a Revolução Iraniana no mesmo ano, valorizaram ainda mais a importância do Paquistão aos olhos do Ocidente, transformando-o num aliado de vital importância para os EUA em toda a macrozona que envolve os confins orientais do Oriente Médio, a Ásia Central e o subcontinente indiano
Foi a partir da porção oeste do território paquistanês que a guerrilha afegã anti-URSS, apoiada pelos EUA, se organizou e montou seus pontos de apoio. Ao mesmo tempo, o país se transformou em abrigo para os milhões de refugiados afegãos. Foi justamente nessa região paquistanesa, especialmente em torno da cidade de Peshawar, que foram lançadas as sementes que dariam origem ao movimento taliban.
O terceiro ciclo geopolítico teve seu início em 1991, quando do desaparecimento da URSS e da independência das repúblicas que compunham a antiga Ásia Central Soviética. Ele vai ser marcado pela oposição do país à Índia e sua aliada, a Rússia. Internamente, esse ciclo vai ficar caracterizado por uma reorientação geopolítica do Paquistão em direção às fronteiras setentrionais do país: além do Afeganistão, para o Tajiquistão e Cachemira. A idéia central é que o Paquistão venha se tornar a via privilegiada de escoamento dos recursos da Ásia Central, especialmente o petróleo. Essa estratégia opõe o país ao Irã que também pretende vir a ser essa via privilegiada.
Os atentados nos EUA e seus desdobramentos, relegaram a um plano secundário essas estratégias do Paquistão. Ao mesmo tempo, a ambigüidade de posições do governo paquistanês que, de um lado, continuava a ser o único país do mundo (até o início de outubro) a reconhecer o regime do taliban e, de outro, aceitava uma série de exigências e pressões do governo norte-americano (como a liberação de seu espaço aéreo para eventuais incursões contra o Afeganistão), mostram a difícil situação vivida pelos militares que detém o poder no país.
As tensões étnico-religiosas internas tornam a situação ainda mais complexa porque uma parcela muito significativa da população paquistanesa não só tem simpatias para com o regime dos talibans, como também considera Osama bin Laden um herói.
Desde há muito tempo, o Paquistão vem se defrontando com múltiplos problemas internos A construção política do país se estruturou sobre a hegemonia do grupo punjabi (cerca de 64% da população), que exerce o domínio sobre etnias menores como as dos baluques (9%), sindis (12%) e patas (8%). Todos esses grupos minoritários já apresentaram, em algumas ocasiões, veleidades separatistas. Dado importante: os patãs do Paquistão, são indivíduos de origem pashtun, a etnia majoritária do Afeganistão e que são muito numerosos dos dois lados da fronteira comum aos dois países.
A esses problemas se junta a questão da Cachemira e as tensões que ocorrem na parte meridional do país entre populações mohajires (muçulmanos vindos da Índia no momento em que a partição do império colonial britânico em 1947) e autóctones. Para completar, existem ainda de forma periódica confrontos entre a maioria sunita (cerca de 75%) e as minorias xiitas (aproximadamente 20%).
Dependendo de como evoluir a situação, não só o regime dos generais de Islamabad pode ter seus dias contados, como a própria integridade territorial do país pode ser colocada em xeque.
Fonte: www.clubemundo.com.br
O Paquistão é um país do subcontinente indiano, limitado a norte pelo Afeganistão e pela República Popular da China, a leste pela Índia, a sul pelo Mar da Arábia e a oeste pelo Irã. Capital: Islamabad.
Fonte: pt.wikipedia.org
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