Qual o sentido da "arte pela arte" da poesia parnasiana?
As formas literárias do Romantismo da primeira metade do século XIX foram-se tornando antiquadas. Assim como no romance, na poesia procuravam-se novas formas de expressão. Entre elas destaca-se um estilo que surgiu na França sob o nome genérico de Parnasianismo centralizado na revista Le Parnasse Contemporain , cuja criação poética se baseava na doutrina da "arte pela arte" e procurava combater os excessos sentimentais e o descuido formal dos românticos. No Brasil, os poetas de maior prestígio na virada do século XIX para o XX foram os parnasianos Alberto de Oliveira, Raimundo Correia e Olavo Bilac

Vista do Rio de Janeiro, tomada de Santa Tereza. Jorge Grimm, 1883.
Os poetas parnasianos brasileiros inspiraram-se na poesia dos franceses Théophile Gautier (1811-1872), Leconte de Lisle (1818-1894), Théodore de Banville (1823-1891) e Charles Baudelaire.
O movimento francês durou uma década, entre a primeira e a última publicação da revista Le Parnasse Contemporain (1866 a 1876).
Além de reforçar maior rigor formal, os parnasianos procuravam dissociar a poesia da vida cotidiana e rejeitavam a emotividade exacerbada dos românticos.
Baudelaire dizia: "A poesia não tem outro objetivo senão ela mesma", reafirmando o princípio da "arte pela arte". Mas a poesia de Baudelaire não esqueceria o dia-a-dia de Paris e originaria um outro movimento, o Simbolismo.

Sílvio Romero
Os opositores do Romantismo no Brasil foram os poetas das tendências realista-socialista e científica. Os primeiros usavam a poesia como arma para mudar a sociedade. Seu principal representante foi Teófilo Dias (1854-1889). A poesia científica, defendida por Sílvio Romero (1851-1914), pretendia divulgar a Filosofia e a Ciência. Destaca-se aqui Martins Jr. (1860-1904). Essas tendências não perduraram, dando espaço ao ideal da "arte pela arte" do Parnasianismo estilo dominante no país na virada do século.
A preocupação formal dos franceses traduziu-se, na poesia brasileira, em preciosismo vocabular os escritores procuram utilizar a língua portuguesa mais "pura" e erudita, livre de estrangeirismos e do linguajar popular e virtuosismo técnico os poetas, preferindo a métrica clássica dos versos decassílabos e alexandrinos, evitam os recursos às vezes apelativos dos românticos para manter a regularidade métrica e fogem da rima pobre.
A poesia parnasiana brasileira busca a criação de uma poesia objetiva, recorrendo ao descritivismo que a aproxima das artes plásticas. Procura nos modelos clássicos o universalismo, abandonando o nacionalismo exagerado dos românticos.
A poesia é considerada fruto do trabalho, do suor, e não mais da inspiração romântica.
O elitismo dessa poesia requintada é inegável e rendeu aos parnasianos críticas das gerações seguintes.
Não faltam poetas parnasianos no final do século XIX. Seguindo as rígidas normas do estilo, proliferam pelo país os "fazedores" de sonetos. Surgem alguns poetas de real valor, como Vicente de Carvalho (1866-1924) e Francisca Júlia (1874-1920). E alguns prosadores, como Coelho Neto (1864-1934) e o orador Rui Barbosa (1849-1923). Eles também aproximam-se da estética parnasiana pelo rigor formal e pelo preciosismo vocabular.
Mas, acima de todos, pairava o trio de poetas que se tornou conhecido como a "plêiade parnasiana": Alberto de Oliveira, Raimundo Correia e Olavo Bilac.
5a. Alberto de Oliveira (1859-1937)
O mais parnasiano dos poetas brasileiros estreou em 1878 com Canções Românticas. Mas só publicaria Meridionais, o primeiro e principal livro parnasiano, em 1884. Sua poesia tende a ser descritiva, objetiva e impassível. São notáveis os poemas em que descreve objetos decorativos.
5b. Raimundo Correia (1859-1911)

Raimundo Correia
Em seu primeiro livro parnasiano, Sinfonias (1883), Raimundo Correia oferece alguns dos sonetos mais admirados da nossa literatura, como "As Pombas" e "A Cavalgada". Seguidor de Leconte de Lisle, manifesta intensa amargura, somando ao Parnasianismo um tom sombrio. Alguns de seus poemas aproximam-se do Simbolismo.
5c. Olavo Bilac (1865-1918)

Olavo Bilac
Carioca, tornou-se o mais conhecido poeta parnasiano do Brasil. Escreveu crônicas e artigos para jornais. Participou de campanhas cívicas, escreveu a letra do Hino à Bandeira, poemas infantis e livros didáticos. Sua primeira obra, Poesias (1888), traz como abertura o hino do Parnasianismo brasileiro, o poema "Profissão de Fé", em que compara o poeta a um ourives, que trabalha detalhadamente sua jóia.
Para lembrar:
A poesia de Bilac, como em alguns sonetos da série Via Láctea, afasta-se muitas vezes do ideal parnasiano e cai no sentimentalismo. É talvez uma das razões para o poeta ter-se tornado tão popular.
Fonte: www.klickeducacao.com.br
O parnasianismo é uma escola literária ou um movimento literário essencialmente poético, contemporâneo do Realismo-Naturalismo. Um estilo de época que se desenvolveu na poesia a partir de 1850, na França.
Movimento literário de origem francesa, que representou na poesia o espírito positivista e científico da época, surgindo no século XIX em oposição ao romantismo.
Nasceu com a publicação de uma série de poesias, precedendo de algumas décadas o simbolismo. O seu nome vem do Monte Parnaso, a montanha que, na mitologia grega era consagrada a Apolo e às musas, uma vez que os seus autores procuravam recuperar os valores estéticos da Antiguidade clássica.
Caracteriza-se pela sacralidade da forma, pelo respeito às regras de versificação, pelo preciosismo rítmico e vocabular, pela rima rica e pela preferência por estruturas fixas, como os sonetos. O emprego da linguagem figurada é reduzido, com a valorização do exotismo e da mitologia. Os temas preferidos são os fatos históricos, objetos e paisagens. A descrição visual é o forte da poesia parnasiana, assim como para os românticos são a sonoridade das palavras e dos versos.
Os autores parnasianos faziam uma "arte pela arte", pois acreditavam que a arte devia existir por si só, e não por subterfúgios, como o amor, por exemplo.
O primeiro grupo de parnasianos de língua francesa reúne poetas de diversas tendências, mas com um denominador comum: a rejeição ao lirismo como credo.
Os principais expoentes são Théophile Gautier (1811-1872), Leconte de Lisle (1818-1894), Théodore de Banville (1823-1891) e José Maria de Heredia (1842-1905), de origem cubana, Sully Prudhomme (1839-1907). Gautier fica famoso ao aplicar a frase arte pela arte ao movimento.
Preciosismo
Focaliza-se o detalhe; cada objeto deve singularizar-se, daí as palavras raras e rimas ricas.
Objetividade e impessoalidade
O poeta apresenta o fato, a personagem, as coisas como são e acontecem na realidade, sem deformá-los pela sua maneira pessoal de ver, sentir e pensar. Esta posição combate o exagerado subjetivismo romântico.
Arte Pela Arte
A poesia vale por si mesma, não tem nenhum tipo de compromisso, e justifica por sua beleza. Faz referências ao prosaico, e o texto mostra interesse a coisas pertinentes a todos.
Estética/Culto à forma
Como os poemas não assumem nenhum tipo de compromisso, a estética é muito valorizada. O poeta parnasiano busca a perfeição formal a todo custo, e por vezes, se mostra incapaz para tal.
Aspectos importantes para essa estética perfeita são:
Rimas Ricas
São evitadas palavras da mesma classe gramatical. Há uma ênfase das rimas do tipo ABAB para estrofes de quatro versos, porém também muito usada as rimas ABBA.
Valorização dos Sonetos
É dada preferência para os sonetos, composição dividida em duas estrofes de quatro versos, e duas estrofes de três versos. Revelando, no entanto, a "chave" do texto no último verso.
Metrificação Rigorosa
O número de sílabas poéticas deve ser o mesmo em cada verso, preferencialmente com dez (decassílabos) ou doze sílabas(versos alexandrinos), os mais utilizados no período.
Ou apresentar uma simetria constante, exemplo: primeiro verso de dez sílabas, segundo de seis sílabas, terceiro de dez sílabas, quarto com seis sílabas, etc.
Descritivismo
Grande parte da poesia parnasiana é baseada em objetos inertes, sempre optando pelos que exigem uma descrição bem detalhada como "A Estátua", "Vaso Chinês" e "Vaso Grego" de Alberto de Oliveira.
Temática Greco-Romana
A estética é muito valorizada no Parnasianismo, mas mesmo assim, o texto precisa de um conteúdo. A temática abordada pelos parnasianos recupera temas da Antiguidade Clássica, características de sua história e sua mitologia. É bem comum os textos descreverem deuses, heróis, fatos lendários, personagens marcados na história e até mesmo objetos.
Cavalgamento ou encadeamento sintático (enjambement)
Ocorre quando o verso termina quanto à métrica (pois chegou na décima sílaba), mas não terminou quanto à idéia, quanto ao conteúdo, que se encerra no verso de baixo. O verso depende do contexto para ser entendido. Tática para priorizar a métrica e o conjunto de rimas.
Como exemplo, este verso de Olavo Bilac:
Cheguei, chegaste. Vinhas fatigada
e triste e triste e fatigado eu vinha.
Em Portugal, o movimento não foi muito importante, tendo como autores Gonçalves Crespo (que na verdade é um escritor brasileiro que se casou com uma portuguesa e mudou-se para Portugal), João Penha, António Feijó e Cesário Verde
No Brasil, o parnasianismo dominou a poesia até a chegada do Modernismo brasileiro. A importância deste movimento no país deve-se não só ao elevado número de poetas, mas também à extensão de sua influência, uma vez que seus princípios estéticos dominaram por muito tempo a vida literária do país, praticamente até o advento do Modernismo em 1922.
Na década de 1870, a poesia romântica deu mostras de cansaço, e mesmo em Castro Alves é possível apontar elementos precursores de uma poesia realista.
Assim, entre 1870 e 1880 assistiu-se no Brasil à liquidação do Romantismo, submetido a uma crítica severa por parte das gerações emergentes, insatisfeitas com sua estética e em busca de novas formas de arte, inspiradas nos ideais positivistas e realistas do momento.
Dessa maneira, a década de 1880 abriu-se para a poesia científica, a socialista e a realista, primeiras manifestações da reforma que acabou por se canalizar para o Parnasianismo. As influências iniciais foram Gonçalves Crespo e Artur de Oliveira, este o principal propagandista do movimento a partir de 1877, quando chegou de uma estada em Paris. O Parnasianismo surgiu timidamente no Brasil nos versos de Luís Guimarães Júnior (Sonetos e rimas. 1880) e Teófilo Dias (Fanfarras. 1882), e firmou-se definitivamente com Raimundo Correia (Sinfonias. 1883), Alberto de Oliveira (Meridionais. 1884) e Olavo Bilac (Relicário. 1888).
O Parnasianismo brasileiro, a despeito da grande influência que recebeu do Parnasianismo francês, não é uma exata reprodução dele, pois não obedece à mesma preocupação de objetividade, de cientificismo e de descrições realistas. Foge do sentimentalismo romântico, mas não exclui o subjetivismo. Sua preferência dominante é pelo verso alexandrino de tipo francês, com rimas ricas, e pelas formas fixas, em especial o soneto. Quanto ao assunto, caracteriza-se pela objetividade, o universalismo e o esteticismo. Este último exige uma forma perfeita (formalismo) quanto à construção e à sintaxe. Os poetas parnasianos vêem o homem preso à matéria, sem possibilidade de libertar-se do determinismo, e tendem então para o pessimismo ou para o sensualismo.
Além de Alberto de Oliveira, Raimundo Correia e Olavo Bilac, que configuraram a chamada tríade parnasiana, o movimento teve outros grandes poetas no Brasil, como Vicente de Carvalho, Machado de Assis, Luís Delfino, Bernardino Lopes, Francisca Júlia, Guimarães Passos, Carlos Magalhães de Azeredo, Goulart de Andrade, Artur Azevedo, Adelino Fontoura, Emílio de Meneses, Antônio Augusto de Lima, Luís Murat e Mário de Lima.
A partir de 1890, o Simbolismo começou a superar o Parnasianismo. O realismo classicizante do Parnasianismo teve grande aceitação no Brasil, graças certamente à facilidade oferecida por sua poética, mais de técnica e forma que de inspiração e essência. Assim, ele foi muito além de seus limites cronológicos e se manteve paralelo ao Simbolismo e mesmo ao Modernismo em sua primeira fase.
O prestígio dos poetas parnasianos, ao final do século XIX, fez de seu movimento a escola oficial das letras no país durante muito tempo. Os próprios poetas simbolistas foram excluídos da Academia Brasileira de Letras, quando esta se constituiu, em 1896. Em contato com o Simbolismo, o Parnasianismo deu lugar, nas duas primeiras décadas do século XX, a uma poesia sincretista e de transição.
Fonte: pt.wikipedia.org