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Pau-Brasil

D. Sebastião determinou em 1568 a circulação de moedas portuguesas na nova terra descoberta, promovendo a integração entre a América Portuguesa e o império de Portugal. Começava ali a história da moeda no Brasil. Em cada um dos itens do menu ao lado você vai saber como surgiram as nossas moedas e quais foram os principais acontecimentos históricos da época. Embarque nesta incrível viagem e conheça nosso país através deste importante elemento: a moeda.

Pau-Brasil

Fatos Históricos

Muito antes da chegada de Cabral às terras ameríndias, os europeus já conheciam o pau-brasil, de cujo cerne avermelhado, cor de brasa, extraíam um corante com que se tingiam panos. Era trazido das Índias pelos árabes, que auferiam grandes lucros nessa empresa, já que a cor vermelha dos tecidos, durante muitas décadas reservada aos eclesiásticos, entrara na preferência do vestuário burguês.

Os primeiros navegantes que aqui aportaram logo se aperceberam da abundância daquele produto natural, a maior riqueza imediatamente visível nas novas terras descobertas. O território, oficialmente denominado Vera Cruz, passou a ser conhecido como "a terra do brasil", denominação que mais tarde se tornou topônimo. A princípio, a extração da madeira se processava ao longo da costa, para facilitar o embarque. Logo se estabeleceram feitorias, que eram pequenos entrepostos encarregados da estocagem da madeira, recurso que abreviava a permanência das naus ancoradas, livres assim de esperar pelos demorados trabalhos de extração.

A Coroa portuguesa imediatamente tratou de colocar o produto sob a égide do monopólio e nomeou concessionários para sua exploração, já que essa nova riqueza, fora a perspectiva de outras, desencadeava a cobiça de franceses, ingleses e espanhóis, que passaram a freqüentar a costa brasileira em operações clandestinas. A necessidade de proteger o pau-brasil do contrabando por outras nações fez com que a Coroa portuguesa enviasse armadas de combate aos piratas e traficantes: e, para agilizar o processo de fixação dos portugueses à terra brasileira, promovesse a vinda, em 1530, de Martim Afonso de Sousa, que trouxe em sua frota cerca de 400 homens para esse fim. Mais tarde estabeleceu um sistema de capitanias hereditárias, que se incumbiriam igualmente da exploração e do reconhecimento das terras interiores.

O monopólio do pau-brasil durou até 1859, quando foram descobertos os corantes artificiais (anilinas), que tornavam inviável o comércio de madeiro.

Fonte: www.bb.com.br

Pau-Brasil

É caesalpinia echinata / o nome do pau-brasil

Que deu nome a nossa Pátria / terra de encantos mil.

País único no mundo / que nome de planta tem

A cruz da primeira Missa / foi desta árvore também.

Célia Soares

Árvore do Brasil, cuja madeira fornece uma tinta vermelha, por ser abundante nas matas do litoral, no século XVI, deu origem ao nome Brasil, com que se passou a designar a Terra de Santa-Cruz.

Pode alcançar mais de 20 metros de altura e circunferência superior a 1,50m. Seu tronco é quase reto, áspero, com galhos sinuosos e casca cinza-escura. Possui folhas verdes luzentes, flores amarelas, discretamente perfumadas. O fruto é uma vagem de cor prata que quando madura, abre com o calor. A semente é irregularmente circular, marrom-claro, passando a escuro com o tempo e germina após cinco dias.

O pau-brasil foi, juntamente com a arara e o papagaio, o primeiro produto de exportação do Brasil. Desde o descobrimento da Terra de Vera Cruz, até o aparecimento dos corantes artificiais em 1875, ocupou lugar de destaque na lista dos produtos exportados para a Europa.

Na época do descobrimento, foi o primeiro produto a despertar o interesse comercial dos descobridores. Chegou a ser incluído na lista das espécies vegetais em extinção, por ter sido usado desordenadamente, sem nenhuma preocupação para com o equilíbrio da natureza.

Com o aparecimento da indústria têxtil, a França foi um dos países mais interessados em obter tecidos na cor púrpura, que era símbolo de nobreza dos povos do Oriente. O pau-brasil, especialmente o nativo de Alagoas e Pernambuco, era o preferido pelo mercado europeu, talvez pela coloração forte e duradoura.

Pode-se dizer que São Lourenço da Mata, em Pernambuco, funcionou como uma espécie de empório (centro de comercio internacional) do pau-brasil enviado para a Europa. De uma só vez, em 1761, chegou-se a embarcar 14.558 quintais (peso correspondente a quatro arrobas - cerca de 60kg); em 1765, através de vários embarques, seguiram 34.428 quintais; em 1770, 10.444 quintais de uma vez e 10.336 de outra; em 1771, 24.499 quintais.

A primeira ação de D. Manoel em defesa do pau-brasil foi considerar a sua exportação como monopólio da Coroa, contrariando os governos da Inglaterra, Holanda, Espanha e principalmente da França. Os franceses ainda tentaram se apoderar da "rota do pau-brasil", mas não conseguiram graças à ação de Portugal no campo diplomático e no campo bélico.

Outra medida tomada por D. Manoel em defesa do pau-brasil foi um contrato de arrendamento com um grupo de mercadores dirigido por Fernão de Noronha, um poderoso armador e comerciante português, pessoa de grande prestígio junto ao Rei, descobridor da ilha de Fernando de Noronha que, mais tarde, tomou seu nome. Fernão não conseguiu cumprir totalmente seu compromisso, porque além das lutas contra a pirataria, lutava também contra os índios que colaboravam com os piratas na obtenção do pau-brasil, em troca de bugigangas e utensílios diversos.

Em decorrência da exploração sem planejamento, o pau-brasil foi extinto das matas, mais do que isso, foi esquecido, lembrado apenas como história ou no dia da árvore. Em 1961, quando Jânio Quadros era Presidente da República, aprovou o Projeto n.3.380/61, que declara o Pau-Brasil árvore nacional e o Ipê Amarelo, a flor nacional.

A Lei n. 6.607, de 7 de dezembro de 1978 (publicada no Diário Oficial da União em 12 de dezembro de 1978) declara o pau-brasil Árvore Nacional e institui o dia do pau-brasil.

Fonte: www.fundaj.gov.br

Pau-Brasil

REGIMENTO DO PAU-BRASIL

Eu Ei-rei. Faço saber aos que este Meu Regimento virem, que sendo informado das muitas desordens que lia no certão do páo brasil, e na conservação delle, de que se tem seguido haver hoje muita falta, e ir-se buscar muitas legoas pelo certão dentro, cada vez será o damno mayor se se não atalhar, e der nisso a Ordem conveniente, e necessaria, como em cousa de tanta importancia para a Minha Real Fazenda, tomando informações de pessoas de experiência das partes do Brasil, e comunicando-as com as do Meu Conselho, Mandei fazer este Regimento, que Hei por bem, e Mando se guarde daqui em diante inviolavelmente.

Parágrafo 1'. Primeiramente Hei por bem, e Mando, que nenhuma pessoa possa cortar, nem mandar cortar o dito páo brasil, por si, ou seus escravos ou Feitores seus, sem expressa licença, ou escrito do Provedor mór de Minha Fazenda, de cada uma das Capitanias, em cujo destricto estiver a mata, em que se houver de cortar; e o que o contrário fizer encorrerá em pena de morte e confiscação de toda sua fazenda.

Parágrafo 2'. O dito Provedor Mór para dar a tal licença tomará informações da qualidade da pessoa, que lha pede, e se delia ha alguma suspeita, que o desencaminhará, ou furtará ou dará a quem o haja de fazer.

Parágrafo 3'. O dito Provedro Mór fará fazer um Livro por elle assignado, e numerado, no qual se registarão todas as licenças que assim der, declarando os nomes e mais confrontações necessarias das pessoas a que se derem, e se declarará a quantidade de páo para que se lhe dê licença, e se obrigará a entregar ao contractador toda a dita quantidade, que trata na certidão, para com elia vir confrontar o assento do Livro, de que se fará declaração, e nos ditos assentos assignará a pessoa, que levar a licença, com o Escrivão.

Parágrafo 4'. E toda a pessoa, que tomar mais quantidade de páo de que lhe fôr dada licença, além de o perder para Minha Fazenda, se o mais que cortar passar de dez quintaes, incorrerá em pena de cem cruzados, e se passar de cincoenta quintaes, sendo peão, será açoutado, e degradado por des annos para Angola, e passando de cem quintaes morrerá por elle, e perderá toda sua fazenda.

Parágrafo 5'. O provedor fará repartição das ditas licenças em o modo, que cada um dos moradores da Capitania, a que se houver de fazer o corte, tenha sua parte, segundo a possibilidade de cada um, e que em todos se não exceda a quantidade que lhe for ordenada

Parágrafo 6'. Para que se não córte mais quantidade de páo da que eu tiver dada por contracto, nem se carregue à dada Capitania, mais da que boamente se pôde tirar delia; Hei por bem, e Mando, que em cada um anno se faça repartição da quantidade do páo, que se ha de cortar em cada uma das Capitanias, em que há mata delle, de modo que em todo se não exceda a quantidade do Contracto.

Parágrafo 7'. A dita Repartição do páo que se ha de cortar em cada Capitania se fará em presença do Meu Governador daquelle Estado pelo Provedor Mór da Minha Fazenda, e Off iciaes da Camara da Bahia, e nelia se terá respeito do estado das matas de cada uma das ditas Capitanias, para lhe não carregarem mais, nem menos páo do que convém para benefício das ditas matas, e do que se determinar aos mais votos, se fará assento pelo Escrivão da Camara, e delles se tirarão Provisões em nome do Governador, e por elle assignadas, que se mandarão aos Provedores das ditas Capitanias para as executarem.

Parágrafo 8'. Por ter informação, que uma das cousas, que maior damno tem causado nas ditas mattas, em que se perde, e destroe mais páos, é por os Contractadores não aceitarem todo o que se corta, sendo bom, e de receber, e querem que todo o que se lhe dá seja roliço, e massiço do que se segue ficar pelos mattos muitos dos ramos e ilhargas perdidas, sendo todo elle bom, e conveniente para o uso das tintas: Mando a que daqui em diante se aproveite todo o que fôr de receber, e não se deixe pelos matos nenhum páo cortado, assim dos ditos ramos, como das ilhargas, e que os contractadores o recebão todo, e havendo dúvida se é de receber, a determinará o Provedor da Minha Fazenda com informação de pessoas de crédito ajuramentadas; e porque outrosym sou informado, que a causa de se extinguirem as matas do dito páo como hoje então, e não tornarem as árvores a brotar, é pelo mão modo com que se fazem os cortes, não lhe deixando ramos, e varas, que vão crescendo, e por se lhe pôr fogo nas raizes, para fazerem roças; Hei por bem, e Mando, que daqui em diante se não fação roças em terras de matas de páo do brasil, e serão para isso coutadas com todas as penas, e defesas, que estas coutadas Reaes, e que nos ditos córtes se tenhão muito tento a conservação das árvores para que tornem a brotar, deixando-lhes varas, e troncos com que os possão fazer, e os que o contrário fizerem serão castigados com as penas, que parecer ao Julgador.

Parágrafo 9'. Hei por bem, e Mando, que todos os annos se tire devassa do córte do páo brasil, na qual se perguntará pelos que quebrarão, e forão contra este Regimento.

Parágrafo 10'. E para que em todo haja guarda e vigilância, que convém Hei por bem, que em cada Capitania, das em que houver matas do dito páo, haja guardas, duas delias, que terão de seu ordenado a vintena das condemnações que por sua denunciação se fizeram, as quaes guardas serão nomeadas pelas Camaras, e approvadas pelos Provedores de Minha Fazenda, e se lhes dará juramento, que bem, e verdadeiramente fação seus Off icios.

Parágrafo 11'. O qual Regimento Mando se cumpra, e guarde como nelle se contém e ao Governador do dito Estado, e ao Provedor Mór da Minha Fazenda, e aos Provedores das Capitanias, e a todas as justiças dellas, que assim o cumprão, e guarde, e fação cumprir, e guardar sob as penas nelle contheudas; o qual se registrará nos Livros da Minha Fazenda do dito Estado, e nas Camaras das Capitanias, aonde houver matas do dito páo, e valerá posto que não passe por carta em meu nome, e o effeito delta haja de durar mais de um anno, sem embargo da Ordenação do segundo Livro, título trinta e nove, que o contrário dispoem. Francisco Ferreira o fés a 12 de Dezembro de 1605. E eu o Secretario Pedro da Costa o fis escrever "Rey".

Fonte: www.historiadobrasil.net

Pau-Brasil

Árvore que deu nome ao país, o pau-brasil tornou-se raro no litoral brasileiro pela ilimitada ganância de portugueses e piratas de outras nacionalidades em mais de três séculos de exploração. Usada na Europa para a extração da substância corante brasileína, sua madeira, ao lado de papagaios e araras, foi uma das primeiras exportações brasileiras.

Pau-brasil (Caesalpinia echinata) é uma árvore da família das leguminosas, a mesma do pau-ferro e da sibipiruna ou falso-pau-brasil. Frondosa e de lento crescimento, atinge até trinta metros de altura. Dá flores pequenas e amarelas, vermelhas no centro e levemente perfumadas, que se agrupam em cachos nas extremidades dos ramos e desabrocham de setembro a dezembro. Há espinhos esparsos no tronco, nos galhos e, de forma mais concentrada, junto aos pecíolos das folhas bipinadas, isto é, compostas por duas fileiras de 15 a 20 folíolos com 8 a 18mm de comprimento. O fruto é uma vagem, pequena e revestida de espinhos, que encerra várias sementes. Os índios o conhecem como ibirapitanga, muirapiranga ou arabutã.

Madeira e corante. A madeira do pau-brasil, que ao ser exposta toma coloração bem vermelha, é dura e resistente à umidade. Já foi muito usada em obras finas de marcenaria, como arcos de violino, e na construção naval. O corante, extraído por infusão da madeira reduzida a pó, permite a obtenção de tonalidades variadas, do vermelho-claro ao quase preto, e serviu principalmente para tingir tecidos até meados do século XIX, quando caiu em desuso após a descoberta das anilinas e outras tintas sintéticas. Nos séculos XVII e XVIII, o pau-brasil teve posição de destaque no comércio internacional e se popularizou nas designações em outras línguas, como bois de brésil, em francês, e brazilwood, em inglês. Na terra de origem era conhecido também como pau-de-pernambuco, pau-vermelho, pau-rosado e pau-de-tinta.

Histórico da exploração. O pau-brasil era comum em larga faixa litorânea, entre os estados do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Norte, dispersando-se eventualmente para o interior, até Minas Gerais e Goiás. Sua existência foi constatada pelo piloto florentino Américo Vespúcio, que acompanhou a expedição de Gaspar de Lemos de 1501. No ano seguinte começou a exploração comercial do produto, com os contratos do pau-brasil, que consistiam em arrendamentos de terras da colônia a exploradores, que se comprometiam a devastar novas áreas e edificar feitorias fortificadas. Um dos primeiros arrendatários foi Fernando de Noronha, a quem a coroa portuguesa doou a ilha de São João, mais tarde designada por seu nome. O pau-brasil era então a única fonte de renda do Brasil, a que emprestou seu nome poucos anos depois do descobrimento, suplantando as várias denominações efêmeras que figuram em mapas, cartas e atos oficiais do começo do século XVI.

A generalização do tráfico de pau-brasil por navios espanhóis e franceses, que Portugal não conseguiu reprimir, levou ao estabelecimento das capitanias hereditárias e, com elas, ao monopólio da coroa portuguesa sobre a madeira, oficializado a partir de 1532. Renovado pelo império brasileiro após a independência, o monopólio estatal durou até 1859, quando as reservas naturais da espécie já estavam comprometidas a fundo. Além da atividade dos portugueses, contribuíram para dizimar o pau-brasil o domínio holandês no Nordeste e as incursões francesas no litoral fluminense, onde a árvore teve presença marcante na região de Cabo Frio.

Fonte: www.biomania.com.br

Pau-Brasil

O Pernambuco ou Pau-Brasil, Caesalpinia echinata, é uma árvore de porte médio e crescimento lento da família Leguminosae, encontrada principalmente na Mata Atlântica brasileira.

A taxa de crescimento do Pau-Brasil depende de diversos fatores, como a composição do solo, o clima ou a localização geográfica.

Enquanto o alburno predomina nas árvores jovens, o durame amarelo ou marrom-avermelhado, ou seja a parte adequada para a fabricação de arcos, se torna dominante somente após vinte anos.

Um programa de reflorestamento no Estado de Pernambuco demonstrou que árvores de trinta anos de idade já produzem madeira adequada para a fabricação de arcos.

Pau-Brasil
Existem variações genéticas do Pau-Brasil que fornecem madeiras com qualidades muito variadas

Pau-Brasil
Cortes transversais de árvores de Pau-Brasil, uma com 12 anos (acìma) e outra com 27 anos (abaixo)

Pau-Brasil
O tronco da Caesalpinia echinata é coberto por espinhos

Pau-Brasil
De cor amarela, a flor da Caesalpinia echinata dura no máximo dois dias e surge pela primeira vez quando a árvore está com três ou quatro anos de vida

MATERIAL PARA A FABRICAÇÃO DE ARCOS

Importado pelos países europeus e usado como uma tintura até cerca de 1850, o Pau-Brasil foi usado pela primeira vez na confecção de arcos por volta de meados do século XVIII. Os Irmãos Tourte foram uns dos primeiros a apreciar as qualidades excepcionais desta madeira.

Antes disso, os archetários empregavam diversos outros tipos de madeiras tropicais. Devido a sua notável densidade e dureza, essas madeiras eram geralmente conhecidas como "Madeiras de Ferro".

Pau-Brasil
James Tubbs em sua oficina (por volta de 1915)

Num curto espaço de tempo, o Pau-Brasil substituiu todas estas outras madeiras devido ao fato de que a qualidade sonora que produzia agradava mais aos músicos e também porque suas qualidades físicas faziam dele o material ideal para a confecção de arcos chambrados.

Desde que foi introduzido pela primeira vez há duzentos e cinqüenta anos, archetários e músicos de todo o mundo ainda não tiveram conhecimento de uma madeira de qualidade comparável que pudesse substituir o Pau-Brasil. A combinação de rigidez, flexibilidade, densidade, beleza e capacidade de manter uma curva fixa são propriedades que fazem do Pau-Brasil um material excepcional para a fabricação de arcos.

Fonte: www.ipci-comurnat.org

Pau-Brasil

Caesalpinia echinata Lam.

Família Leguminosae-Caesalpinoidae

Nomes Populares

Pau-Brasil, ibirapitanga, orabutã, brasileto, ibirapiranga, ibirapita, ibirapitã, muirapiranga, pau-rosado.

Sinonímia Botânica

Guillandina echinata (Lam.) Spreg.

Características Morfológicas

Planta espinhenta de 8-12m de altura (a literatura cita exemplares de até 30m que existiram no passado), com tronco de 40-70cm de diâmetro. Folhas compostas bipinadas de 10-15cm de comprimento, com 5-6 paras de pinas de 8-14cm de comprimento; folíolos em número de 6-10 pares por pina, de 1-2cm de comprimento.

Ocorrência

Ceará ao Rio de Janeiro na floresta pluvial Atlântica, sendo particularmente frequente no sul da Bahia.

Pau-Brasil

Madeira

Pau-Brasil
Madeira muito pesada, dura, compacta, muito resistente, de textura fina, incorruptível, com alburno pouco espesso e diferenciado do cerne.

Fenologia

Floresce a partir do final do mês de setembro, prolongando-se até meados de outubro. A maturação dos frutos ocorre nos meses de novembro-janeiro.

Utilidade

A madeira atualmente é empregada somente para confecção de arcos de violino. Outrora foi muito utilizada na construção civil e naval e, trabalhos de torno. Entretanto, seu principal valor residia na produção de um princípio colorante denominado "brasileína", extraído do lenho e, outrora muito usado para tingir tecidos e fabricar tinta de escrever. A sua exploração intensa gerou muita riqueza ao reino e caracterizou um período econômico de nossa história, que estimulou a adoção do nome "Brasil" ao nosso país. A árvore é ótima para o paisagismo.

Fonte: www.clubedasemente.org.br

Pau-Brasil

Pau-Brasil

A exploração do pau-brasil, árvore então abundante na mata Atlântica, é a primeira atividade econômica desenvolvida pelos portugueses em terras brasileiras. É também a primeira a ser declarada monopólio da Coroa, permanecendo nessa condição por quase todo o período colonial, mesmo quando arrendada a particulares. A madeira avermelhada é usada na produção de pigmentos largamente empregados na Europa para o tingimento de tecidos e a preparação de tintas para desenho e pintura. A extração do pau-brasil é inicialmente bastante facilitada pela localização das florestas junto ao litoral e pelo escambo com os indígenas, que cortam e transportam as toras em troca de mercadorias européias baratas, como facões, machados, espelhos, panos etc. Essa atividade, no entanto, não chega a ter o porte da monocultura exportadora, mantendo sua importância comercial e estratégica ao garantir lucros aos comerciantes portugueses e ajudar na defesa do litoral. Assim ela permanece até suas reservas naturais começarem a esgotar-se no século XVIII.

Fonte: geocities.yahoo.com.br

Pau-Brasil

Pau-brasil é o nome popular da espécie Caesalpinia echinata Lam., uma Leguminosa nativa da Mata Atlântica. Seu nome em tupi é Ibira pitanga, ou "madeira vermelha". O nome popular em português deriva da cor de brasa da resina vermelha contida na sua madeira.

Pau-Brasil
Pau-brasil plantado na Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro

A árvore alcança entre 10 e 15 metros de altura. Possui tronco ereto, cinza-escuro, coberto de acúleos, especialmente nos ramos mais jovens (echinata significa "com espinhos"). As folhas são compostas bipenadas, de cor verde médio, brilhantes. As flores nascem em racemos eretos próximo ao ápico dos ramos. Possuem 4 pétalas amarelas e uma menor vermelha, muito aromáticas; no centro encontram-se 10 estames e um pistilo com ovário súpero alongado. Os frutos são vagens cobertas por longos e afiados espinhos, contendo de 1 a 5 sementes discóides, de cor marrom.

O corte do pau-brasil para a obtenção de sua mandeira e sua resina foi a primeira atividade econômica dos colonos portugueses na recém-descoberta Terra de Santa Cruz, no século XVI. A abundância desta árvore naqueles tempos conferiu colônia o nome de Brasil.

Pau-Brasil
Pau-brasil plantado na Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro

Detalhe da flor de pau-brasil.A resina vermelha era utilizada pela indústria têxtil européia como uma alternativa aos corantes de origem terrosa e conferia aos tecidos uma cor de qualidade superior. Isto, aliado ao aproveitamento da madeira vermelha na marcenaria, criou uma demanda enorme no mercado, o que forçou uma rápida e devastadora "caça" ao pau-brasil nas matas brasileiras. Em pouco menos de um século, já não havia mais árvores suficientes para suprir a demanda, e a atividade econômica foi deixada de lado, embora espécimens continuassem a ser abatidos ocasionalmente para a utilização da madeira (até os dias de hoje, usada na confecção de arcos para violino e móveis finos).

O fim da caça ao pau-brasil não livrou a espécie do perigo de extinção. As atividades econômicas subseqüentes, como o cultivo da cana-de-açúcar e do café, além do crescimento populacional, estiveram aliadas ao desmatamento da faixa litorânea, o que restringiu drasticamente o habitat natural desta espécie. Mas sob o comando do Imperador Dom Pedro II, vastas áreas de Mata Atlântica, principalmente no estado do Rio de Janeiro, foram recuperadas, e iniciou-se uma certa conscientização preservacionista que freou o desmatamento. Entretanto, já se considerava o pau-brasil como uma árvore praticamente extinta.

No século XX, a sociedade brasileira descobriu o pau-brasil como um símbolo do país em perigo de extinção, e algumas iniciativas foram feitas no sentido de reproduzir a planta à partir de sementes e utilizá-la em projetos de recuperação florestal, com algum sucesso. Atualmente, o pau-brasil tornou-se uma árvore popularmente usada como ornamental. Se seu habitat natural será devastado por completo no futuro, não se sabe, mas a sobrevivência da espécie parece assegurada nos jardins das casas e canteiros urbanos.

Oswald de Andrade fez um manifesto sobre a nova poesia brasileira intitulado "Manifesto da Poesia Pau Brasil" em 1924).

Fonte: pt.wikipedia.org

Pau-Brasil

DADOS DA ESPÉCIE

Especificações Gerais

Familia: Caesalpinaceae

Nome Científico: Caesalpinia echinata Lam.

Nomes Comuns: pau brasil, ibirapitanga, arabutã, brasilete, pau rosado, pau vermelho, pau de pernambuco, árvore do brasil, ibiripitinga, sapão, imirá piranga, muirapiranga, orabutã, pau pernambuco

Crescimento: árvore

Grupo Ecológico: tolerante

Ocorrência: floresta estacional semidecídual , floresta ombrófila densa

Distribuição Geográfica: AL BA ES MG PB PE RJ RN SE

Dispersão: autocoria

Polinização: melitofilia

Floração: SET OUT NOV DEZ

Frutificação: OUT NOV DEZ JAN

Utilização

Utilizada para: Construção

Carvão

Resina

Arborização Urbana

Melífera

Paisagismo

Madeira Nobre

Dados do Caule

Tipo de Copa: globosa

Tipo de Estrutura: raízes tabulares

Densidade da Madeira: 1,1

Observações: A madeira, de coloração avermelhada, é atualmente muito utilizada na fabricação de arcos de violinos. Na época colonial era extraído um corante, muito utilizado para tingir tecidos. O tronco possui acúleos grossos, densamente distribuídos.

Dados da Flor

Forma da Flor: taça

Número de Pétalas: 5

Tamanho da Flor: 3

Cor: amarela

Estrutura: cacho

Tipo: Inflorescencia

Sexual: cacho

Observações: As flores são muito perfumadas e reunidas em panículas terminais. A pétala maior polui mancha vermelha no centro.

Dados da Folha

Estrutura: imparipinada

Tipo: Composta

Forma da Flor: oblonga

Tamanho da Flor: 10 x 15

Inserção: alterna

Consistência: foliácea

Contem:

Observações: A folha é composta por 5 a 6 pares de folíolos, medindo 6 a 10 cm de comprimento. Cada folíolo é formado por 8 a 10 pares de folíolos secundários medindo 1 a 2 cm de comprimento. Há presença de pequenos acúleos abaixo da ráquis.

Dados do Fruto

Tipo do Fruto: vagem

Estrutura: Carnoso

Cor do Fruto: marrom

Tamanho: 7

Deiscencia: sim

Periodicidade: anual

Observações: O fruto é totalmente coberto por acúleos curtos e finos. Possui deiscência explosiva.

Dados sobre Pragas e Doenças

Descrição da Doença: Principalmente ataques de ácaros e formigas cortadeiras.

Dados das Sementes

Cor da Semente: marrom

Tamanho: 2

Quantidade: 2

Técnicas em Viveiro

Beneficiamento: Os frutos devem ser colhidos da árvore, quando mudam da coloração verde para marrom, e levados para ambiente ventilado para abertura das vagens e extração das sementes.

Sementes por Kilo: 3000

Dormência: não

Quebra da Dormência: Não há necessidade, mas a imersão das sementes em água fria por 24 horas acelera o início da germinação. O armazenamento deve ser realizado em câmara fria (T = 18 oC).

Quebra Natural: 2 meses

Quebra Câmara: 5 meses

Umidade: 60 %

Germinação: 90 % após 20 dias

Propagação: estaquia

Condução: sombreado

Formação: a 30 cm em 8 meses

Tolerância: sim, 2 a 3 semanas após a germinação.

Plantio: Não recomenda-se o plantio puro a pleno sol. O plantio misto, associado com espécies oportunistas e tolerantes, ou em faixas abertas em vegetação secundária (e plantada em linha) são os mais recomendados. Possui crescimento muito lento, não ultrapassando 2,5 m de altura aos 2 anos de idade.

Conservação: Muito ameaçada.

Fonte: pt.wikipedia.org

Pau-Brasil

A arte da fiação e tecelagem chegou à Europa vinda da China e da Índia, onde já eram praticadas alguns milênios antes de Cristo. Com a arte da tecelagem, começou a se desenvolver também a tinturaria. Durante o Renascimento, a Europa precisava quantidades crescentes de corantes naturais para satisfazer as necessidades de um comércio local cada vez mais ávido por roupagens coloridas.

Pau-Brasil

Sua origem distante e a preparação artesanal que exigiam faziam com que alguns destes corantes valessem mais do que o ouro. Foi naquela que época que os europeus passaram a conhecer o azul de índigo, procedente da Índia. Com a descoberta do Novo Mundo, a Europa viu surgir novas fontes de corantes naturais. Foi, pois, de uma árvore conhecida como pau-brasil, de que se extraía uma tintura vermelha, que os índios já usavam para tingimento de fibras do algodão, que se derivou o nome "Brasil", embora a discussão sobre a origem do nome esteja longe do fim.

Os portugueses chegaram ao Brasil em 1500 e, segundo os registros históricos, não identificaram nenhuma riqueza no país. No entanto, apenas dois anos depois já havia um monopólio para exploração do 'pau-de-tinta'. Para Fernando Fernandes, pesquisador do pau-brasil, esse fato reforça a teoria de um 'pré-descobrimento' do Brasil. Seus argumentos são simples: em meio à imensa diversidade da Mata Atlântica seria muito difícil identificar em tão curto espaço de tempo uma espécie com propriedades tintoriais como as do pau-brasil. O fato de nenhum dos portugueses conhecer a planta torna ainda mais improvável essa rápida identificação. Fernandes sugere no livro que, antes de Cabral, outros navios poderiam ter vindo ao Brasil, e que o reconhecimento do país teria sido feito por aventureiros ou degredados. Essa hipótese justifica a ampla exploração da árvore já em 1503, quando foi construída a primeira feitoria para seu comércio.

O pau-brasil ocupou o centro da história brasileira durante todo o primeiro século da colonização. Essa árvore, abundante na época da chegada dos portugueses e hoje quase extinta, só é encontrada em jardins botânicos e em parques nacionais, plantada vez por outra em cerimônias patrióticas. A disputa pela derrubada desta árvore fez da Mata Atlântica palco de refregas entre portugueses e franceses. Caesalpinia echinata para os botânicos, nome dado por Lamarck, em 1789, em homenagem ao botânico e médico grego do papa Clemente VIII, André Cesalpino, e Ibirapitanga para os índios, que significa árvore ou madeira vermelha, a exploração do pau-brasil marca o início da destruição da Mata Atlântica.

Durante muito tempo, o pau-brasil foi o produto local mais precioso para os portugueses que o vendiam na Europa para o tingimento de tecidos. Este corante foi para os portugueses o que a prata americana foi para os espanhóis. Conhecido desde o século XI na Europa como produto do Oriente, pelo nome de bressil na França e bracili ou brazili na Itália, foi introduzido em 1220 em Portugal e na Espanha. Abundante na Mata Atlântica brasileira foi explorado até sua extinção. As árvores eram derrubadas e cortadas pelos índios em toras de aproximadamente 1,5 m de comprimento com cerca de 30 Kg cada, em troca de bugigangas. Carregadas para as embarcações ou armazenadas em feitorias construídas para esta finalidade, as toras eram embarcadas para a Europa. As que chegavam a Lisboa eram levadas para Amsterdã onde eram reduzidas a pó por prisioneiros. Dois homens raspavam em média 27 Kg de pó por dia de trabalho integral. 60 Kg de serragem, o equivalente a 1 quintal custava 2,5 ducados no século XVI. Cada ducado equivalia a 3,5 g de ouro. Um quintal de pau-brasil no valor do dólar atual custaria 875 doláres, ou U$ 1,45 doláres o quilo. Mesmo de qualidade inferior ao pau-de-tinta do Oriente (Caesalpinia sappan L.), o valor do pau-brasil era tão alto para o padrão de comércio da época que nos primeiros cem anos de colonização foram derrubadas 2 milhões de árvores de pau-brasil, isto é cerca de 50 por dia. Já por volta de 1558, os indígenas tinham de se afastar aproximadamente 20 Km da costa para encontrar a árvore. Se for imaginado que o pau-brasil era de incidência média nas baixadas costeiras, quatro árvores por hectare, cada uma com 50 cm de diâmetro, em ponto de cortar, foram varridos em 100 anos 6.000 Km2 de Mata Atlântica.

Em 1775, em Paris, François Tourte projetou o primeiro arco de violino com a madeira do pau-brasil, conhecida como "Fernambouc", uma corruptela de Pernambuco, pois foi principalmente na Capitania de Pernambuco que se iniciou a exploração dessa madeira. O projeto foi considerado como padrão, no que diz respeito a extensão e curvatura. O pau-brasil era considerado a madeira ideal para essa finalidade, pois apresentava peso e espessura ideais, mas também porque era uma madeira abundante na Europa, naquela época. O desperdício da madeira era enorme, pois para a produção de um arco de violino, era exigida a parte mais flexível, sem nó, e cortada no sentido de maior comprimento das fibras, reduzindo o aproveitamento no trabalho artesanal a 15% da tora. O pau-brasil atualmente continua sendo utilizado na fabricação de arcos de violino. A produção racional da árvore não é estimulada, pois para esse fim é necessário árvores com pelo menos 30 anos de vida.

Muitos químicos importantes se debruçaram sobre a matéria corante do lenho do pau-brasil. Um dos pioneiros foi o francês Michel Eugène Chevreul (1786-1889), diretor da famosa fábrica de tapetes Gobelin, que junto com Gay-Lussac e Vauquelin fizeram de Paris o centro da Química do século XVIII. William Henry Perkin (1838-1907), o químico que acabou com o reinado dos corantes naturais desbancando o índigo com a síntese da malveína3 e colocando a Inglaterra na liderança mundial da produção de corantes, foi outro que se dedicou ao estudo do corante do pau-brasil. Mas, coube a Robert Robinson, Prêmio Nobel de Química de 1947, o privilégio de chegar à estrutura química da substância responsável pela cor vermelha do pau-brasil. Robinson, que foi estudante de Doutorado de Perkin, em Manchester, investigou esta substância de 1906 a 1974, quando publicou seu último artigo sobre a brasilina, nome que deu à substância extraída de C. echinata.

Numa época em que não existiam métodos espectroscópicos, Perkin em sua genialidade definiu passo a passo a estrutura da brasilina e demonstrou que o produto de oxidação, a brasileína, é a substância responsável pela cor vermelha que provocou o derramento de tanto sangue no litoral do Brasil. Apesar da estrutura da brasilina ter sido comprovada por Perkin, Werner & Pfeiffer haviam proposto a estrutura correta, embora sem qualquer evidência química bem fundamentada. Perkin foi também quem determinou a estrutura química da hematoxilina, a substância corante do pau-campeche ( Hematoxylon campechianum ).

O Brasil deve igualmente ao pau-brasil uma de suas principais manifestações artistícas. Oswald de Andrade, no que denominou Manifesto da Poesia Pau-Brasil, publicado em 18 de março de 1924 no Correio da Manhã do Rio de Janeiro, deu nova dimensão à arte brasileira, contrastando, sem rejeitar o internacionalismo, o Brasil mulato e tropical com o da indústria moderna."Temos a base dupla e presente a floresta e a escola. A raça crédula e dualista e a geometria, a álgebra e a química logo depois da mamadeira e do chá de erva-doce. Um misto de dorme nenê que o bicho vem pegá e de equações. Uma visão que bata nos cilíndros dos moinhos, nas turbinas elétricas, nas usinas produtoras, nas questões cambiais, sem perder de vista o Museu Nacional. Pau-Brasil". Mas, ninguém mais do que Tarsila do Amaral expressou melhor a Pintura Pau-Brasil, redescobrindo com sua arte o passado colonial brasileiro. À frente dos modernistas, Tarsila liderou o movimento que em 1928 ficou mundialmente conhecido como Movimento Antropofágico.

Esta nação, que tem a maior biodiversidade do mundo, cujo nome veio de uma árvore que também denominou um dos principais manifestos do modernismo brasileiro e que foi motivo da devastação de um dos mais ricos ecossistemas do planeta, deve, para não deixar repetir o que aconteceu no passado, fazer cumprir a legislação ambiental, para que o potencial de suas florestas seja explorado racionalmente e evitar o que ocorreu com a Mata Atlântica.

Fonte: http://inventabrasilnet.t5.com.br

Pau-Brasil

A arte da fiação e tecelagem chegou à Europa vinda da China e da Índia, onde já eram praticadas alguns milênios antes de Cristo. Com a arte da tecelagem, começou a se desenvolver também a tinturaria. Durante o Renascimento, a Europa precisava quantidades crescentes de corantes naturais para satisfazer as necessidades de um comércio local cada vez mais ávido por roupagens coloridas. Sua origem distante e a preparação artesanal que exigiam faziam com que alguns destes corantes valessem mais do que o ouro. Foi naquela que época que os europeus passaram a conhecer o azul de índigo, procedente da Índia. Com a descoberta do Novo Mundo, a Europa viu surgir novas fontes de corantes naturais. Foi, pois, de uma árvore conhecida como pau-brasil, de que se extraía uma tintura vermelha, que os índios já usavam para tingimento de fibras do algodão, que se derivou o nome "Brasil", embora a discussão sobre a origem do nome esteja longe do fim1.

O pau-brasil ocupou o centro da história brasileira durante todo o primeiro século da colonização. Essa árvore, abundante na época da chegada dos portugueses e hoje quase extinta, só é encontrada em jardins botânicos e em parques nacionais, plantada vez por outra em cerimônias patrióticas.

A disputa pela derrubada desta árvore fez da Mata Atlântica palco de refregas entre portugueses e franceses. Caesalpinia echinata para os botânicos, nome dado por Lamarck, em 1789, em homenagem ao botânico e médico grego do papa Clemente VIII, André Cesalpino, e Ibirapitanga para os índios, que significa árvore ou madeira vermelha, a exploração do pau-brasil marca o início da destruição da Mata Atlântica.

Pau-Brasil

Durante muito tempo, o pau-brasil foi o produto local mais precioso para os portugueses que o vendiam na Europa para o tingimento de tecidos. Este corante foi para os portugueses o que a prata americana foi para os espanhóis. Conhecido desde o século XI na Europa como produto do Oriente, pelo nome de bressil na França e bracili ou brazili na Itália, foi introduzido em 1220 em Portugal e na Espanha.

Abundante na Mata Atlântica brasileira foi explorado até sua extinção. As árvores eram derrubadas e cortadas pelos índios em toras de aproximadamente 1,5 m de comprimento com cerca de 30 Kg cada, em troca de bugigangas. Carregadas para as embarcações ou armazenadas em feitorias construídas para esta finalidade, as toras eram embarcadas para a Europa. As que chegavam a Lisboa eram levadas para Amsterdã onde eram reduzidas a pó por prisioneiros. Dois homens raspavam em média 27 Kg de pó por dia de trabalho integral. 60 Kg de serragem, o equivalente a 1 quintal custava 2,5 ducados no século XVI. Cada ducado equivalia a 3,5 g de ouro.

Um quintal de pau-brasil no valor do dólar atual custaria 875 doláres, ou U$ 1,45 doláres o quilo. Mesmo de qualidade inferior ao pau-de-tinta do Oriente (Caesalpinia sappan L.), o valor do pau-brasil era tão alto para o padrão de comércio da época que nos primeiros cem anos de colonização foram derrubadas 2 milhões de árvores de pau-brasil, isto é cerca de 50 por dia. Já por volta de 1558, os indígenas tinham de se afastar aproximadamente 20 Km da costa para encontrar a árvore. Se for imaginado que o pau-brasil era de incidência média nas baixadas costeiras, quatro árvores por hectare, cada uma com 50 cm de diâmetro, em ponto de cortar, foram varridos em 100 anos 6.000 Km2 de Mata Atlântica2.

Pau-Brasil

Muitos químicos importantes se debruçaram sobre a matéria corante do lenho do pau-brasil. Um dos pioneiros foi o francês Michel Eugène Chevreul (1786-1889), diretor da famosa fábrica de tapetes Gobelin, que junto com Gay-Lussac e Vauquelin fizeram de Paris o centro da Química do século XVIII. William Henry Perkin (1838-1907), o químico que acabou com o reinado dos corantes naturais desbancando o índigo com a síntese da malveína3 e colocando a Inglaterra na liderança mundial da produção de corantes, foi outro que se dedicou ao estudo do corante do pau-brasil.

Mas, coube a Robert Robinson, Prêmio Nobel de Química de 1947, o privilégio de chegar à estrutura química da substância responsável pela cor vermelha do pau-brasil. Robinson, que foi estudante de Doutorado de Perkin, em Manchester, investigou esta substância de 1906 a 1974, quando publicou seu último artigo sobre a brasilina, nome que deu à substância extraída de C. echinata.

Numa época em que não existiam métodos espectroscópicos, Perkin em sua genialidade definiu passo a passo a estrutura da brasilina e demonstrou que o produto de oxidação, a brasileína, é a substância responsável pela cor vermelha que provocou o derramento de tanto sangue no litoral do Brasil. Apesar da estrutura da brasilina ter sido comprovada por Perkin, Werner & Pfeiffer haviam proposto a estrutura correta, embora sem qualquer evidência química bem fundamentada. Perkin foi também quem determinou a estrutura química da hematoxilina, a substância corante do pau-campeche ( Hematoxylon campechianum ). O trabalho de Perkin sobre a brasilina pode ser resumido no esquema mostrado abaixo4.

Pau-Brasil

O Brasil deve igualmente ao pau-brasil uma de suas principais manifestações artistícas. Oswald de Andrade, no que denominou Manifesto da Poesia Pau-Brasil, publicado em 18 de março de 1924 no Correio da Manhã do Rio de Janeiro, deu nova dimensão à arte brasileira, contrastando, sem rejeitar o internacionalismo, o Brasil mulato e tropical com o da indústria moderna.

"Temos a base dupla e presente- a floresta e a escola. A raça crédula e dualista e a geometria, a álgebra e a química logo depois da mamadeira e do chá de erva-doce. Um misto de dorme nenê que o bicho vem pegá e de equações. Uma visão que bata nos cilíndros dos moinhos, nas turbinas elétricas, nas usinas produtoras, nas questões cambiais, sem perder de vista o Museu Nacional. Pau-Brasil"5.

Mas, ninguém mais do que Tarsila do Amaral expressou melhor a Pintura Pau-Brasil, redescobrindo com sua arte o passado colonial brasileiro. À frente dos modernistas, Tarsila liderou o movimento que em 1928 ficou mundialmente conhecido como Movimento Antropofágico6.

Esta nação, que tem a maior biodiversidade do mundo, cujo nome veio de uma árvore que também denominou um dos principais manifestos do modernismo brasileiro e que foi motivo da devastação de um dos mais ricos ecossistemas do planeta, deve, para não deixar repetir o que aconteceu no passado, fazer cumprir a legislação ambiental, para que o potencial de suas florestas seja explorado racionalmente e evitar o que ocorreu com a Mata Atlântica

Fonte: www.cq.ufam.edu.br

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