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Pau-Brasil

 

O pau-brasil é colocado sob monopólio da Coroa portuguesa.

A exploração é feita através de contratos de arrendamento com companhias particulares, que devem pagar um quinto do valor obtido ao governo português.

É extraído do litoral do Rio Grande do Norte até o do Rio de Janeiro.

O corte e o transporte local são realizados inicialmente pelos índios, sob controle de feitores, comerciantes ou colonos. Depois, por escravos negros. Até 1875 o "pau de tinta" aparece nas listas de produtos exportados pelo Brasil.

Pau-brasil: um pouco da sua história

A arte da fiação e tecelagem chegou à Europa vinda da China e da Índia, onde já eram praticadas alguns milênios antes de Cristo.

Com a arte da tecelagem, começou a se desenvolver também a tinturaria.

Durante o Renascimento, a Europa precisava quantidades crescentes de corantes naturais para satisfazer as necessidades de um comércio local cada vez mais ávido por roupagens coloridas.

Sua origem distante e a preparação artesanal que exigiam faziam com que alguns destes corantes valessem mais do que o ouro. Foi naquela que época que os europeus passaram a conhecer o azul de índigo, procedente da Índia. Com a descoberta do Novo Mundo, a Europa viu surgir novas fontes de corantes naturais.

Foi, pois, de uma árvore conhecida como pau-brasil, de que se extraía uma tintura vermelha, que os índios já usavam para tingimento de fibras do algodão, que se derivou o nome "Brasil", embora a discussão sobre a origem do nome esteja longe do fim.

Os portugueses chegaram ao Brasil em 1500 e, segundo os registros históricos, não identificaram nenhuma riqueza no país. No entanto, apenas dois anos depois já havia um monopólio para exploração do 'pau-de-tinta'. Para Fernando Fernandes, pesquisador do pau-brasil, esse fato reforça a teoria de um 'pré-descobrimento' do Brasil.

Seus argumentos são simples: em meio à imensa diversidade da Mata Atlântica seria muito difícil identificar em tão curto espaço de tempo uma espécie com propriedades tintoriais como as do pau-brasil. O fato de nenhum dos portugueses conhecer a planta torna ainda mais improvável essa rápida identificação.

Fernandes sugere no livro que, antes de Cabral, outros navios poderiam ter vindo ao Brasil, e que o reconhecimento do país teria sido feito por aventureiros ou degredados. Essa hipótese justifica a ampla exploração da árvore já em 1503, quando foi construída a primeira feitoria para seu comércio.

O pau-brasil ocupou o centro da história brasileira durante todo o primeiro século da colonização.

Essa árvore, abundante na época da chegada dos portugueses e hoje quase extinta, só é encontrada em jardins botânicos e em parques nacionais, plantada vez por outra em cerimônias patrióticas. A disputa pela derrubada desta árvore fez da Mata Atlântica palco de refregas entre portugueses e franceses. Caesalpinia echinata para os botânicos, nome dado por Lamarck, em 1789, em homenagem ao botânico e médico grego do papa Clemente VIII, André Cesalpino, e Ibirapitanga para os índios, que significa árvore ou madeira vermelha, a exploração do pau-brasil marca o início da destruição da Mata Atlântica.

Durante muito tempo, o pau-brasil foi o produto local mais precioso para os portugueses que o vendiam na Europa para o tingimento de tecidos. Este corante foi para os portugueses o que a prata americana foi para os espanhóis. Conhecido desde o século XI na Europa como produto do Oriente, pelo nome de bressil na França e bracili ou brazili na Itália, foi introduzido em 1220 em Portugal e na Espanha. Abundante na Mata Atlântica brasileira foi explorado até sua extinção.

As árvores eram derrubadas e cortadas pelos índios em toras de aproximadamente 1,5 m de comprimento com cerca de 30 Kg cada, em troca de bugigangas.

Carregadas para as embarcações ou armazenadas em feitorias construídas para esta finalidade, as toras eram embarcadas para a Europa. As que chegavam a Lisboa eram levadas para Amsterdã onde eram reduzidas a pó por prisioneiros. Dois homens raspavam em média 27 Kg de pó por dia de trabalho integral. 60 Kg de serragem, o equivalente a 1 quintal custava 2,5 ducados no século XVI. Cada ducado equivalia a 3,5 g de ouro. Um quintal de pau-brasil no valor do dólar atual custaria 875 doláres, ou U$ 1,45 doláres o quilo. Mesmo de qualidade inferior ao pau-de-tinta do Oriente (Caesalpinia sappan L.), o valor do pau-brasil era tão alto para o padrão de comércio da época que nos primeiros cem anos de colonização foram derrubadas 2 milhões de árvores de pau-brasil, isto é cerca de 50 por dia. Já por volta de 1558, os indígenas tinham de se afastar aproximadamente 20 Km da costa para encontrar a árvore. Se for imaginado que o pau-brasil era de incidência média nas baixadas costeiras, quatro árvores por hectare, cada uma com 50 cm de diâmetro, em ponto de cortar, foram varridos em 100 anos 6.000 Km2 de Mata Atlântica.

Em 1775, em Paris, François Tourte projetou o primeiro arco de violino com a madeira do pau-brasil, conhecida como "Fernambouc", uma corruptela de Pernambuco, pois foi principalmente na Capitania de Pernambuco que se iniciou a exploração dessa madeira. O projeto foi considerado como padrão, no que diz respeito a extensão e curvatura. O pau-brasil era considerado a madeira ideal para essa finalidade, pois apresentava peso e espessura ideais, mas também porque era uma madeira abundante na Europa, naquela época. O desperdício da madeira era enorme, pois para a produção de um arco de violino, era exigida a parte mais flexível, sem nó, e cortada no sentido de maior comprimento das fibras, reduzindo o aproveitamento no trabalho artesanal a 15% da tora.

O pau-brasil atualmente continua sendo utilizado na fabricação de arcos de violino. A produção racional da árvore não é estimulada, pois para esse fim é necessário árvores com pelo menos 30 anos de vida.

Muitos químicos importantes se debruçaram sobre a matéria corante do lenho do pau-brasil. Um dos pioneiros foi o francês Michel Eugène Chevreul (1786-1889), diretor da famosa fábrica de tapetes Gobelin, que junto com Gay-Lussac e Vauquelin fizeram de Paris o centro da Química do século XVIII.

William Henry Perkin (1838-1907), o químico que acabou com o reinado dos corantes naturais desbancando o índigo com a síntese da malveína3 e colocando a Inglaterra na liderança mundial da produção de corantes, foi outro que se dedicou ao estudo do corante do pau-brasil. Mas, coube a Robert Robinson, Prêmio Nobel de Química de 1947, o privilégio de chegar à estrutura química da substância responsável pela cor vermelha do pau-brasil. Robinson, que foi estudante de Doutorado de Perkin, em Manchester, investigou esta substância de 1906 a 1974, quando publicou seu último artigo sobre a brasilina, nome que deu à substância extraída de C. echinata.

Numa época em que não existiam métodos espectroscópicos, Perkin em sua genialidade definiu passo a passo a estrutura da brasilina e demonstrou que o produto de oxidação, a brasileína, é a substância responsável pela cor vermelha que provocou o derramento de tanto sangue no litoral do Brasil. Apesar da estrutura da brasilina ter sido comprovada por Perkin, Werner & Pfeiffer haviam proposto a estrutura correta, embora sem qualquer evidência química bem fundamentada. Perkin foi também quem determinou a estrutura química da hematoxilina, a substância corante do pau-campeche ( Hematoxylon campechianum ).

O Brasil deve igualmente ao pau-brasil uma de suas principais manifestações artistícas. Oswald de Andrade, no que denominou Manifesto da Poesia Pau-Brasil, publicado em 18 de março de 1924 no Correio da Manhã do Rio de Janeiro, deu nova dimensão à arte brasileira, contrastando, sem rejeitar o internacionalismo, o Brasil mulato e tropical com o da indústria moderna."Temos a base dupla e presente a floresta e a escola. A raça crédula e dualista e a geometria, a álgebra e a química logo depois da mamadeira e do chá de erva-doce. Um misto de dorme nenê que o bicho vem pegá e de equações. Uma visão que bata nos cilíndros dos moinhos, nas turbinas elétricas, nas usinas produtoras, nas questões cambiais, sem perder de vista o Museu Nacional. Pau-Brasil". Mas, ninguém mais do que Tarsila do Amaral expressou melhor a Pintura Pau-Brasil, redescobrindo com sua arte o passado colonial brasileiro. À frente dos modernistas, Tarsila liderou o movimento que em 1928 ficou mundialmente conhecido como Movimento Antropofágico.

Esta nação, que tem a maior biodiversidade do mundo, cujo nome veio de uma árvore que também denominou um dos principais manifestos do modernismo brasileiro e que foi motivo da devastação de um dos mais ricos ecossistemas do planeta, deve, para não deixar repetir o que aconteceu no passado, fazer cumprir a legislação ambiental, para que o potencial de suas florestas seja explorado racionalmente e evitar o que ocorreu com a Mata Atlântica.

Dia Nacional do Pau-Brasil

O Dia Nacional do Pau-Brasil, que o declarou a Árvore Nacional, comemorado a 3 de maio, conforme a Lei Federal n° 6.607, de 7 de dezembro de 1978, foi instituído com a finalidade de conscientizar a população da necessidade de se preservar o pau-brasil que, para atingir a sua plenitude, demora cem anos, alcançando os 30 metros de altura e 1,5 m de circunferência. Hoje, os remanescentes dessa planta não passam de 3% da quantidade existente à época do descobrimento do Braisl, em 1500.

Fonte: inventabrasilnet.t5.com.br

Pau-Brasil

Definição

Pau-brasil é o nome genérico que se atribui a várias espécies de árvores do gênero Caesalpinia presentes na região da Mata Atlântica brasileira.

O nome de nosso país teve origem nesta árvore.

Uma das características mais importantes do pau-brasil é a madeira pesada com a presença interna de um extrato que gera uma espécie de tinta vermelha.

Por ser de alta qualidade, a madeira desta árvore é muito usada na fabricação de instrumentos musicais como, por exemplo, violinos, harpas e violas.

A presença de pau-brasil na Mata Atlântica era muito grande até o século XVI. Porém, com a chegada dos portugueses ao Brasil teve inicio a extração predatória do pau-brasil.

Os portugueses extraíam a madeira para vender no mercado europeu.

A madeira era transformada em móveis, enquanto o extrato era usado na produção de corante vermelho.

Atualmente, é baixa a presença de pau-brasil na Mata Atlântica. Inclusive, existe lei federal que considera crime o corte ilegal desta árvore.

Dia do Pau-brasil

No dia 3 de maio comemora-se o Dia Nacional do Pau-brasil

Exploração

A exploração do pau-brasil, árvore então abundante na mata Atlântica, é a primeira atividade econômica desenvolvida pelos portugueses em terras brasileiras.

É também a primeira a ser declarada monopólio da Coroa, permanecendo nessa condição por quase todo o período colonial, mesmo quando arrendada a particulares.

A madeira avermelhada é usada na produção de pigmentos largamente empregados na Europa para o tingimento de tecidos e a preparação de tintas para desenho e pintura.

A extração do pau-brasil é inicialmente bastante facilitada pela localização das florestas junto ao litoral e pelo escambo com os indígenas, que cortam e transportam as toras em troca de mercadorias européias baratas, como facões, machados, espelhos, panos etc.

Essa atividade, no entanto, não chega a ter o porte da monocultura exportadora, mantendo sua importância comercial e estratégica ao garantir lucros aos comerciantes portugueses e ajudar na defesa do litoral.

Assim ela permanece até suas reservas naturais começarem a esgotar-se no século XVIII.

História

Pau-brasil é o nome popular da espécie Caesalpinia echinata Lam., uma Leguminosa nativa da Mata Atlântica. Seu nome em tupi é Ibira pitanga, ou "madeira vermelha". O nome popular em português deriva da cor de brasa da resina vermelha contida na sua madeira.

A árvore alcança entre 10 e 15 metros de altura. Possui tronco ereto, cinza-escuro, coberto de acúleos, especialmente nos ramos mais jovens (echinata significa "com espinhos"). As folhas são compostas bipenadas, de cor verde médio, brilhantes. As flores nascem em racemos eretos próximo ao ápico dos ramos.

Possuem 4 pétalas amarelas e uma menor vermelha, muito aromáticas; no centro encontram-se 10 estames e um pistilo com ovário súpero alongado. Os frutos são vagens cobertas por longos e afiados espinhos, contendo de 1 a 5 sementes discóides, de cor marrom.

O corte do pau-brasil para a obtenção de sua mandeira e sua resina foi a primeira atividade econômica dos colonos portugueses na recém-descoberta Terra de Santa Cruz, no século XVI. A abundância desta árvore naqueles tempos conferiu colônia o nome de Brasil.

Detalhe da flor de pau-brasil

A resina vermelha era utilizada pela indústria têxtil européia como uma alternativa aos corantes de origem terrosa e conferia aos tecidos uma cor de qualidade superior. Isto, aliado ao aproveitamento da madeira vermelha na marcenaria, criou uma demanda enorme no mercado, o que forçou uma rápida e devastadora "caça" ao pau-brasil nas matas brasileiras.

Em pouco menos de um século, já não havia mais árvores suficientes para suprir a demanda, e a atividade econômica foi deixada de lado, embora espécimens continuassem a ser abatidos ocasionalmente para a utilização da madeira (até os dias de hoje, usada na confecção de arcos para violino e móveis finos).

O fim da caça ao pau-brasil não livrou a espécie do perigo de extinção

As atividades econômicas subseqüentes, como o cultivo da cana-de-açúcar e do café, além do crescimento populacional, estiveram aliadas ao desmatamento da faixa litorânea, o que restringiu drasticamente o habitat natural desta espécie.

Mas sob o comando do Imperador Dom Pedro II, vastas áreas de Mata Atlântica, principalmente no estado do Rio de Janeiro, foram recuperadas, e iniciou-se uma certa conscientização preservacionista que freou o desmatamento.

Entretanto, já se considerava o pau-brasil como uma árvore praticamente extinta.

No século XX, a sociedade brasileira descobriu o pau-brasil como um símbolo do país em perigo de extinção, e algumas iniciativas foram feitas no sentido de reproduzir a planta à partir de sementes e utilizá-la em projetos de recuperação florestal, com algum sucesso.

Atualmente, o pau-brasil tornou-se uma árvore popularmente usada como ornamental.

Se seu habitat natural será devastado por completo no futuro, não se sabe, mas a sobrevivência da espécie parece assegurada nos jardins das casas e canteiros urbanos.

Fonte: www.geocities.com

Pau-Brasil

Árvore do Brasil, cuja madeira fornece uma tinta vermelha, por ser abundante nas matas do litoral, no século XVI, deu origem ao nome Brasil, com que se passou a designar a Terra de Santa-Cruz.

Pode alcançar mais de 20 metros de altura e circunferência superior a 1,50m. Seu tronco é quase reto, áspero, com galhos sinuosos e casca cinza-escura. Possui folhas verdes luzentes, flores amarelas, discretamente perfumadas. O fruto é uma vagem de cor prata que quando madura, abre com o calor. A semente é irregularmente circular, marrom-claro, passando a escuro com o tempo e germina após cinco dias.

O pau-brasil foi, juntamente com a arara e o papagaio, o primeiro produto de exportação do Brasil. Desde o descobrimento da Terra de Vera Cruz, até o aparecimento dos corantes artificiais em 1875, ocupou lugar de destaque na lista dos produtos exportados para a Europa.

Na época do descobrimento, foi o primeiro produto a despertar o interesse comercial dos descobridores. Chegou a ser incluído na lista das espécies vegetais em extinção, por ter sido usado desordenadamente, sem nenhuma preocupação para com o equilíbrio da natureza.

Com o aparecimento da indústria têxtil, a França foi um dos países mais interessados em obter tecidos na cor púrpura, que era símbolo de nobreza dos povos do Oriente. O pau-brasil, especialmente o nativo de Alagoas e Pernambuco, era o preferido pelo mercado europeu, talvez pela coloração forte e duradoura.

Pode-se dizer que São Lourenço da Mata, em Pernambuco, funcionou como uma espécie de empório (centro de comercio internacional) do pau-brasil enviado para a Europa. De uma só vez, em 1761, chegou-se a embarcar 14.558 quintais (peso correspondente a quatro arrobas - cerca de 60kg); em 1765, através de vários embarques, seguiram 34.428 quintais; em 1770, 10.444 quintais de uma vez e 10.336 de outra; em 1771, 24.499 quintais.

A primeira ação de D. Manoel em defesa do pau-brasil foi considerar a sua exportação como monopólio da Coroa, contrariando os governos da Inglaterra, Holanda, Espanha e principalmente da França. Os franceses ainda tentaram se apoderar da "rota do pau-brasil", mas não conseguiram graças à ação de Portugal no campo diplomático e no campo bélico.

Outra medida tomada por D. Manoel em defesa do pau-brasil foi um contrato de arrendamento com um grupo de mercadores dirigido por Fernão de Noronha, um poderoso armador e comerciante português, pessoa de grande prestígio junto ao Rei, descobridor da ilha de Fernando de Noronha que, mais tarde, tomou seu nome. Fernão não conseguiu cumprir totalmente seu compromisso, porque além das lutas contra a pirataria, lutava também contra os índios que colaboravam com os piratas na obtenção do pau-brasil, em troca de bugigangas e utensílios diversos.

Em decorrência da exploração sem planejamento, o pau-brasil foi extinto das matas, mais do que isso, foi esquecido, lembrado apenas como história ou no dia da árvore. Em 1961, quando Jânio Quadros era Presidente da República, aprovou o Projeto n.3.380/61, que declara o Pau-Brasil árvore nacional e o Ipê Amarelo, a flor nacional.

A Lei n. 6.607, de 7 de dezembro de 1978 (publicada no Diário Oficial da União em 12 de dezembro de 1978) declara o pau-brasil Árvore Nacional e institui o dia do pau-brasil.

FONTES CONSULTADAS

HOUAISS, Antônio. Koogan Larousse. Rio de Janeiro: Ed. Larousse do Brasil, 1979.
SOARES, Célia Marinho da Costa. Pau-Brasil: a árvore nacional. 2.ed. Recife: UFPE/Estação Ecológica de Tapacurá,1980?
SOUZA, Osvaldo Martins F. de. Pau-Brasil, esse ilustre desconhecido. Recife: UFPE/Estação Ecológica de Tapacurá/Campanha Nacional do Pau-Brasil, 1984.

Fonte: www.fundaj.gov.br

Pau-Brasil

Caesalpinia echinata Lam.

Família Leguminosae - Caesalpinoidae

Nomes Populares: Pau-Brasil, ibirapitanga, orabutã, brasileto, ibirapiranga, ibirapita, ibirapitã, muirapiranga, pau-rosado.

Sinonímia Botânica: Guillandina echinata (Lam.) Spreg.

Características Morfológicas: Planta espinhenta de 8-12m de altura (a literatura cita exemplares de até 30m que existiram no passado), com tronco de 40-70cm de diâmetro. Folhas compostas bipinadas de 10-15cm de comprimento, com 5-6 paras de pinas de 8-14cm de comprimento; folíolos em número de 6-10 pares por pina, de 1-2cm de comprimento.

Ocorrência: Ceará ao Rio de Janeiro na floresta pluvial Atlântica, sendo particularmente frequente no sul da Bahia.

Fenologia: Floresce a partir do final do mês de setembro, prolongando-se até meados de outubro. A maturação dos frutos ocorre nos meses de novembro-janeiro.

Utilidade

A madeira atualmente é empregada somente para confecção de arcos de violino. Outrora foi muito utilizada na construção civil e naval e, trabalhos de torno.

Entretanto, seu principal valor residia na produção de um princípio colorante denominado "brasileína", extraído do lenho e, outrora muito usado para tingir tecidos e fabricar tinta de escrever. A sua exploração intensa gerou muita riqueza ao reino e caracterizou um período econômico de nossa história, que estimulou a adoção do nome "Brasil" ao nosso país. A árvore é ótima para o paisagismo.

Fonte: www.clubedasemente.org.br

Pau-Brasil

O Pernambuco ou Pau-Brasil, Caesalpinia echinata, é uma árvore de porte médio e crescimento lento da família Leguminosae, encontrada principalmente na Mata Atlântica brasileira.

O Pau-Brasil é uma árvore nativa da Mata Atlântica, cuja área original estendia-se pela faixa litorânea brasileira em um percurso equivalente a 3 mil quilômetros.

A árvore possui particularidades físicas bem características, como tronco de coloração acinzentada ou avermelhada recoberto por espinhos e miolo cor de brasa.

Pode atingir 30 metros de altura e 1,5 metros de diâmetro. Somente as árvores mais velhas são aptas a produzirem flores e frutos, sendo que a floração inicia-se no final do mês setembro, prolongando-se até meados de outubro.

Logo que chegaram ao Brasil, há 500 anos atrás, os portugueses encontraram uma árvore que produzia corante utilizado para tingir tecidos, semelhante aos das espécies encontradas no extremo Oriente. Adotaram o mesmo nome da espécie oriental e começaram a explorá-la indiscriminadamente.

Por mais de 3 séculos, o Pau-Brasil foi um dos principais produtos exportados do Brasil. Sem dúvida, foi um fator determinante para a escolha do nome do país.

Atualmente, é muito difícil encontrá-lo em estado natural, a não ser em áreas de preservação situadas no litoral dos estados do Rio de Janeiro, Bahia, São Paulo e Pernambuco.

A taxa de crescimento do Pau-Brasil depende de diversos fatores, como a composição do solo, o clima ou a localização geográfica.

Enquanto o alburno predomina nas árvores jovens, o durame amarelo ou marrom-avermelhado, ou seja a parte adequada para a fabricação de arcos, se torna dominante somente após vinte anos.

Um programa de reflorestamento no Estado de Pernambuco demonstrou que árvores de trinta anos de idade já produzem madeira adequada para a fabricação de arcos.

Pau-Brasil
Existem variações genéticas do Pau-Brasil que fornecem madeiras com qualidades muito variadas

Pau-Brasil
Cortes transversais de árvores de Pau-Brasil, uma com 12 anos (acìma) e outra com 27 anos (abaixo)

Pau-Brasil
O tronco da Caesalpinia echinata é coberto por espinhos

Pau-Brasil
De cor amarela, a flor da Caesalpinia echinata dura no máximo dois dias e surge pela primeira
vez quando a árvore está com três ou quatro anos de vida

MATERIAL PARA A FABRICAÇÃO DE ARCOS

Importado pelos países europeus e usado como uma tintura até cerca de 1850, o Pau-Brasil foi usado pela primeira vez na confecção de arcos por volta de meados do século XVIII. Os Irmãos Tourte foram uns dos primeiros a apreciar as qualidades excepcionais desta madeira.

Antes disso, os archetários empregavam diversos outros tipos de madeiras tropicais. Devido a sua notável densidade e dureza, essas madeiras eram geralmente conhecidas como "Madeiras de Ferro".

Pau-Brasil
James Tubbs em sua oficina (por volta de 1915)

Num curto espaço de tempo, o Pau-Brasil substituiu todas estas outras madeiras devido ao fato de que a qualidade sonora que produzia agradava mais aos músicos e também porque suas qualidades físicas faziam dele o material ideal para a confecção de arcos chambrados.

Desde que foi introduzido pela primeira vez há duzentos e cinqüenta anos, archetários e músicos de todo o mundo ainda não tiveram conhecimento de uma madeira de qualidade comparável que pudesse substituir o Pau-Brasil. A combinação de rigidez, flexibilidade, densidade, beleza e capacidade de manter uma curva fixa são propriedades que fazem do Pau-Brasil um material excepcional para a fabricação de arcos.

Fonte: www.ipci-comurnat.org

Pau-Brasil

O pau-brasil é uma árvore nativa da Mata Atlântica brasileira, com o tronco recoberto de espinhos, em tons de cinza ou vermelho, e centro avermelhado.Originalmente, a área de abrangência dessa árvore estendia-se por quase 3 mil quilômetros das costa brasileira, tipicamente em floresta primária densa da Mata Atlântica.

O pau-brasil pode atingir 30 metros de altura, com seu diâmetro chegando a 1,5 metro. Sua floração ocorre no final do mês de setembro até meados de outubro.Entre os meses de novembro a janeiro ocorre a maturação dos frutos.

Os índios brasileiros já utilizavam este árvore para confecção de arcos, flechas, extraindo corante vermelho intenso do tronco.Após o descobrimento , durante o período do Brasil Colônia, a madeira da árvore foi bastante utilizada pelos portugueses, que tiravam o corante produzido pelas árvores e o usavam para tingir tecidos. A madeira do pau-brasil também era aproveitada pelos europeus, nas indústrias civil e naval.

A partir do final do século XVII, a madeira do pau-brasil também começou a ser usada para fabricação de arcos de violinos, por apresentar pesa e espessura considerados idéias.

O desperdício da madeira era enorme, pois para a produção de um arco de violino, era exigida a parte mais flexível, sem nó, e cortada no sentido de maior comprimento das fibras, reduzindo o aproveitamento no trabalhão artesanal a 15% da tora. Ainda hoje o pau-brasil é procurado para a fabricação desses arcos.

Durante três séculos, o pau-brasil foi um dos principais produtos exportados do Brasil. O fator mais importante que levou ao término do ciclo econômico de exploração da madeira do paubrasil, no século XIX, foi exatamente o esgotamento das áreas nativas onde a madeira era encontrada inicialmente.

A exploração indiscriminada praticamente dizimou a espécie.Hoje em dia, é muito difícil encontrar a árvore em estado natural.Os poucos locais onde o pau-brasil ainda pode ser encontrado são áreas de preservação situadas no litoral de alguns estados.

A espécie está tão ameaçada quanto outras de ocorrência na Mata Atlântica, que mesmo sendo um dos ecossistemas de maior diversidade é um dos mais ameaçados do planeta.

A árvore pau-brasil é também conhecida por orabutã, brasileto, ibirapitanga, ibirapita, muirapitanga, ibirapitã, pau-de-pernmabuco e pau-rosado.

A natureza exuberante que se estendia pelos cerca de 1 milhão de quilômetros quadrados de Mata Atlântica na época do descobrimento marcou profundamente a imaginação dos europeus.Mais do que isso, contribuiu para criar uma imagem paradisíaca que ainda hoje faz parte da cultura brasileira, embora a realidade seja outra. A exploração predatória a que fomos submetidos destruiu mais de 93% deste “paraíso”.Uma extraordinária biodiversidade, em boa parte peculiar somente a essa região, seriamente ameaçada.

A Mata Atlântica abrange as bacias dos rios Paraná, Uruguai, Paraíba do Sul, Doce , Jequitinhonha e São Francisco. Originalmente estendia-se por toda a costa nordeste, sudeste e sul do país, com faixa de3 largura variável, que chega a atravessar as regiões onde hoje estão as fronteiras com Argentina e Paraguai.

Espécies impotentes de árvores são encontradas no que ainda resta deste bioma, como o jequitibá-rosa, de 40 metros de altura e 4 metros de diâmetro.

Também destacam-se nesse cenário várias outras espécies: o pinheiro-do-paraná, o cedro, as figueiras, os ipês, a braúna e o pau-brasil, entre muitas outras.Na diversidade da Mata Atlântica são encontradas matas de altitude, como a Serra do Mar (1.100 metros) e Itatiaia (1.600 metros) onde a neblina é constante.

Paralelamente è riqueza vegetal, a fauna é o que mais impressiona na região. A maior parte das espécies de animais brasileiros ameaçados de extinção são originários da Mata Atlântica, comoos micos-leões,a lontra, a onça-pintada, o tatu-canastra e a arara-azul-pequena.Fora dessa lista, também vivem na região gambás, tamanduás, preguiças, antas, veados, cotias, quatis, etc.

Apesar da devastação sofrida, a riqueza das espécies animais e vegetais que ainda se abrigam na Mata Atlântica é espantosa. Em alguns trechos remanescentes de floresta os níveis de biodiversidade são considerados os maiores do planeta.

Fonte: www.rbma.org.br

Pau-Brasil

A extração de pau-brasil

O pau-brasil, assim chamado pelos europeus, crescia naturalmente em quase todo o litoral brasileiro, na mata Atlântica. Os europeus usavam essa madeira para extrair dela uma tinta vermelha empregada para tingir tecidos, pintar manuscritos e ainda para trabalhos de marcenaria.

Sua exploração foi realizada com base no trabalho dos indígenas, que cuidavam do corte e do transporte para os navios, e constituiu a primeira atividade econômi­ca da nova colônia portuguesa na América.

A extração de pau-brasil foi realizada em diversas partes do território. Quando o pau-brasil acabava num lugar, os comerciantes procuravam-no em outro e, assim, iam destruindo as florestas de mata Atlântica.

Por causa dessa atividade foram criadas feitorias em alguns pontos do litoral para defesa e armazenamento do pau-brasil ou de outras mercadorias retiradas da terra.

Os franceses também tinham interesse no pau-brasil e não concordavam que a posse do território ficasse somente com Portugal e Espanha. Com a ajuda de alguns grupos indígenas, os franceses continuavam a explorar a madeira. Diante disso, o rei de Portugal mandou vários navios com soldados para proteger a nossa costa contra os ataques dos franceses.

A exploração de pau-brasil durante esse período foi tão intensa que, atualmente, ele é uma espécie vegetal em extinção. A mata Atlântica, que se esten­dia por boa parte do território, foi sendo derrubada para a implantação de outras atividades econômicas. Hoje existe menos de 10% dessa vegetação.

DADOS DA ESPÉCIE

Especificações Gerais

Familia: Caesalpinaceae
Nome Científico:
Caesalpinia echinata Lam.
Nomes Comuns:
pau brasil, ibirapitanga, arabutã, brasilete, pau rosado, pau vermelho, pau de pernambuco, árvore do brasil, ibiripitinga, sapão, imirá piranga, muirapiranga, orabutã, pau pernambuco
Crescimento:
árvore
Grupo Ecológico:
tolerante
Ocorrência:
floresta estacional semidecídual , floresta ombrófila densa
Distribuição Geográfica:
AL,BA, ES, MG, PB, PE, RJ, RN, SE.
Dispersão:
autocoria
Polinização:
melitofilia
Floração:
SET/OUT/NOV/DEZ
Frutificação:
OUT/NOV/DEZ/JAN

Utilização

Utilizada para: Construção
Carvão
Resina
Arborização Urbana
Melífera
Paisagismo
Madeira Nobre

Dados do Caule

Tipo de Copa: globosa
Tipo de Estrutura:
raízes tabulares
Densidade da Madeira:
1,1

Observações: A madeira, de coloração avermelhada, é atualmente muito utilizada na fabricação de arcos de violinos. Na época colonial era extraído um corante, muito utilizado para tingir tecidos. O tronco possui acúleos grossos, densamente distribuídos.

Dados da Flor

Forma da Flor: taça
Número de Pétalas:
5
Tamanho da Flor:
3
Cor:
amarela
Estrutura:
cacho
Tipo:
Inflorescencia
Sexual:
cacho

Observações: As flores são muito perfumadas e reunidas em panículas terminais. A pétala maior polui mancha vermelha no centro.

Dados da Folha

Estrutura: imparipinada
Tipo:
Composta
Forma da Flor:
oblonga
Tamanho da Flor:
10 x 15
Inserção:
alterna
Consistência:
foliácea

Observações: A folha é composta por 5 a 6 pares de folíolos, medindo 6 a 10 cm de comprimento. Cada folíolo é formado por 8 a 10 pares de folíolos secundários medindo 1 a 2 cm de comprimento. Há presença de pequenos acúleos abaixo da ráquis.

Dados do Fruto

Tipo do Fruto: vagem
Estrutura:
Carnoso
Cor do Fruto:
marrom
Tamanho:
7
Deiscencia:
sim
Periodicidade:
anual

Observações: O fruto é totalmente coberto por acúleos curtos e finos. Possui deiscência explosiva.

Dados sobre Pragas e Doenças

Descrição da Doença: Principalmente ataques de ácaros e formigas cortadeiras.

Dados das Sementes

Cor da Semente: marrom
Tamanho:
2
Quantidade:
2

Técnicas em Viveiro

Beneficiamento: Os frutos devem ser colhidos da árvore, quando mudam da coloração verde para marrom, e levados para ambiente ventilado para abertura das vagens e extração das sementes.
Sementes por Kilo:
3000
Dormência:
não
Quebra da Dormência:
Não há necessidade, mas a imersão das sementes em água fria por 24 horas acelera o início da germinação. O armazenamento deve ser realizado em câmara fria (T = 18 oC).
Quebra Natural:
2 meses
Quebra Câmara:
5 meses
Umidade:
60 %
Germinação:
90 % após 20 dias
Propagação:
estaquia
Condução:
sombreado
Formação:
a 30 cm em 8 meses
Tolerância:
sim, 2 a 3 semanas após a germinação.
Plantio:
Não recomenda-se o plantio puro a pleno sol. O plantio misto, associado com espécies oportunistas e tolerantes, ou em faixas abertas em vegetação secundária (e plantada em linha) são os mais recomendados. Possui crescimento muito lento, não ultrapassando 2,5 m de altura aos 2 anos de idade.
Conservação:
Muito ameaçada.

Fonte: pzaj.files.wordpress.com

Pau-Brasil

D. Sebastião determinou em 1568 a circulação de moedas portuguesas na nova terra descoberta, promovendo a integração entre a América Portuguesa e o império de Portugal.

Começava ali a história da moeda no Brasil. Em cada um dos itens do menu ao lado você vai saber como surgiram as nossas moedas e quais foram os principais acontecimentos históricos da época. Embarque nesta incrível viagem e conheça nosso país através deste importante elemento: a moeda.

Fatos Históricos

Muito antes da chegada de Cabral às terras ameríndias, os europeus já conheciam o pau-brasil, de cujo cerne avermelhado, cor de brasa, extraíam um corante com que se tingiam panos.

Era trazido das Índias pelos árabes, que auferiam grandes lucros nessa empresa, já que a cor vermelha dos tecidos, durante muitas décadas reservada aos eclesiásticos, entrara na preferência do vestuário burguês.

Os primeiros navegantes que aqui aportaram logo se aperceberam da abundância daquele produto natural, a maior riqueza imediatamente visível nas novas terras descobertas.

O território, oficialmente denominado Vera Cruz, passou a ser conhecido como "a terra do brasil", denominação que mais tarde se tornou topônimo. A princípio, a extração da madeira se processava ao longo da costa, para facilitar o embarque.

Logo se estabeleceram feitorias, que eram pequenos entrepostos encarregados da estocagem da madeira, recurso que abreviava a permanência das naus ancoradas, livres assim de esperar pelos demorados trabalhos de extração.

A Coroa portuguesa imediatamente tratou de colocar o produto sob a égide do monopólio e nomeou concessionários para sua exploração, já que essa nova riqueza, fora a perspectiva de outras, desencadeava a cobiça de franceses, ingleses e espanhóis, que passaram a freqüentar a costa brasileira em operações clandestinas.

A necessidade de proteger o pau-brasil do contrabando por outras nações fez com que a Coroa portuguesa enviasse armadas de combate aos piratas e traficantes: e, para agilizar o processo de fixação dos portugueses à terra brasileira, promovesse a vinda, em 1530, de Martim Afonso de Sousa, que trouxe em sua frota cerca de 400 homens para esse fim.

Mais tarde estabeleceu um sistema de capitanias hereditárias, que se incumbiriam igualmente da exploração e do reconhecimento das terras interiores.

O monopólio do pau-brasil durou até 1859, quando foram descobertos os corantes artificiais (anilinas), que tornavam inviável o comércio de madeiro.

Fonte: www.bb.com.br

Pau-Brasil

O Pau-brasil teve uma participação na história do país, não só política como econômica, desde a colonização até os primórdios da República.

A espécie passou a ser considerada Árvore Símbolo Nacional a partir de 7/12/1978, com a Lei 6.607, com base em BUENO (2003). Devido à intensa comercialização da madeira para a extração de corante vermelho (brasilina), a região produtora da Ilha de Vera Cruz ficou conhecida como Costa do Pau-brasil e no ano de 1535, passou a se chamar oficialmente de Brasil.

Essa atividade manteve-se economicamente rentável por aproximadamente 350 anos (1850-1870), quando foi progressivamente substituída por corantes sintéticos”.

O pau-brasil ocupou o centro da história brasileira durante todo o primeiro século da colonização. Essa árvore, abundante na época da chegada dos portugueses e hoje quase extinta, só é encontrada em jardins botânicos e em parques nacionais, plantada vez por outra em cerimônias patrióticas.

A disputa pela derrubada desta árvore fez da Mata Atlântica palco de refregas entre portugueses e franceses. Caesalpinia echinata para os botânicos, nome dado por Lamarck, em 1789, em homenagem ao botânico e médico grego do papa Clemente VIII, André Cesalpino, e Ibirapitanga para os índios, que significa árvore ou madeira vermelha, a exploração do pau-brasil marca o início da destruição da Mata Atlântica.

Pau-Brasil
Pau-Brasil

As viagens ao Rio de Janeiro (Carnaval) e a Minas Gerais (Semana Santa) feitas em 1924, tendo à frente Dona Olívia Penteado - A senhora das Artes -, tinham como objetivo mostrar o Brasil ao poeta suíço-francês Blaise Cendrars. Participavam Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade, Mário de Andrade, que "redescobriram o Brasil". Destas viagens saíram obras primas como o "Noturno de Belo Horizonte" de Mário de Andrade, o livro "Pau-Brasil" de Oswald de Andrade, e a série de Tarsila (também chamada de Pintura Pau-Brasil , nas quais ela utiliza as "cores caipiras" e as imagens que reencontrava depois de sua estadia em Paris.

O Brasil deve igualmente ao pau-brasil uma de suas principais manifestações artistícas. Oswald de Andrade, no que denominou Manifesto da Poesia Pau-Brasil, publicado em 18 de março de 1924 no Correio da Manhã do Rio de Janeiro.

Nome científico da espécie:

Pau-brasil (Caesalpinia echinata Lam.), pertence à família Caesalpiniaceae e o gênero Caesalpinia foi dado em homenagem ao botânico italiano Andrea Caesalpinio e o nome específico echinata significa acúleo no tronco e ramos.

Nome científico da espécie: Pau-brasil (Caesalpinia echinata Lam.), pertence à família Caesalpiniaceae e o gênero Caesalpinia foi dado em homenagem ao botânico italiano Andrea Caesalpinio e o nome específico echinata significa acúleo no tronco e ramos.

Longevidade: Acima de 300 anos.

Qual é a região de origem do pau-brasil?

A espécies é característica da Mata Atlântica e ocorre do Rio Grande do Norte até a costa norte do estado de São Paulo. A espécie já foi erradicada em muitas das regiões de ocorrência natural.

Na Região Cacaueira da Bahia, sua sobrevivência deve-se, basicamente, ao modelo de agricultura - cacau-cabruca - desenvolvido para estabelecimento da cultura.

Uso do pau-brasil:

Suas folhas produzem um chá usado contra diabetes.

A madeira contém brasileína, um corante vermelho cristalino (CI6HI2O5), muito usado para tingir roupas e que o seu uso foi o principal responsável pela exploração da espécies durante os primeiros 300 anos após o descobrimento do Brasil.

O extrativo da casca combate alguns tipos de câncer, é odontálgica e tônica. O uso do seu pó atenua a cólica menstrual.

Sua madeira é resistente e flexível, ótima para construção civil e mobiliário em geral.

Qual é o principal uso do pau-brasil atualmente?

Desde 1881, a madeira vem sendo usada na fabricação de arcos de violino, viola, violoncelo e contra-baixo, sendo que um arco de violino pode chegar ao valor de mil dólares. Motivo pelo qual várias instituições, inclusive a ABA - Associação Brasileira de Archetários estão subsidiando financeiramente o Programa Pau-Brasil no âmbito Nacional.

Pau-Brasil

Como salvar a espécie de alto valor econômico?

O programa Pau-Brasil do CEPEC/CEPLAC prevê o plantio de 500 mil mudas em 5 anos e com a participação de parceiros pretende elevar para 2,2 milhões de mudas plantadas.

Referências

BUENO, E. Brasil - uma história. 2. ed. São Paulo: Ática, 2003. 447p.
CARVALHO, P. E. R. - Espécies arbóreas brasileiras. Colombo: Embrapa, 2003. 1039p.
RYMER, R.- Saving the music tree. Smithsonian, Washington, D.C., v. 35, n. 1, p. 52-63, 2004.

Fonte: www.arara.fr

Pau-Brasil

REGIMENTO DO PAU-BRASIL

Eu Ei-rei. Faço saber aos que este Meu Regimento virem, que sendo informado das muitas desordens que lia no certão do páo brasil, e na conservação delle, de que se tem seguido haver hoje muita falta, e ir-se buscar muitas legoas pelo certão dentro, cada vez será o damno mayor se se não atalhar, e der nisso a Ordem conveniente, e necessaria, como em cousa de tanta importancia para a Minha Real Fazenda, tomando informações de pessoas de experiência das partes do Brasil, e comunicando-as com as do Meu Conselho, Mandei fazer este Regimento, que Hei por bem, e Mando se guarde daqui em diante inviolavelmente.

Parágrafo 1'. Primeiramente Hei por bem, e Mando, que nenhuma pessoa possa cortar, nem mandar cortar o dito páo brasil, por si, ou seus escravos ou Feitores seus, sem expressa licença, ou escrito do Provedor mór de Minha Fazenda, de cada uma das Capitanias, em cujo destricto estiver a mata, em que se houver de cortar; e o que o contrário fizer encorrerá em pena de morte e confiscação de toda sua fazenda.

Parágrafo 2'. O dito Provedor Mór para dar a tal licença tomará informações da qualidade da pessoa, que lha pede, e se delia ha alguma suspeita, que o desencaminhará, ou furtará ou dará a quem o haja de fazer.

Parágrafo 3'. O dito Provedro Mór fará fazer um Livro por elle assignado, e numerado, no qual se registarão todas as licenças que assim der, declarando os nomes e mais confrontações necessarias das pessoas a que se derem, e se declarará a quantidade de páo para que se lhe dê licença, e se obrigará a entregar ao contractador toda a dita quantidade, que trata na certidão, para com elia vir confrontar o assento do Livro, de que se fará declaração, e nos ditos assentos assignará a pessoa, que levar a licença, com o Escrivão.

Parágrafo 4'. E toda a pessoa, que tomar mais quantidade de páo de que lhe fôr dada licença, além de o perder para Minha Fazenda, se o mais que cortar passar de dez quintaes, incorrerá em pena de cem cruzados, e se passar de cincoenta quintaes, sendo peão, será açoutado, e degradado por des annos para Angola, e passando de cem quintaes morrerá por elle, e perderá toda sua fazenda.

Parágrafo 5'. O provedor fará repartição das ditas licenças em o modo, que cada um dos moradores da Capitania, a que se houver de fazer o corte, tenha sua parte, segundo a possibilidade de cada um, e que em todos se não exceda a quantidade que lhe for ordenada

Parágrafo 6'. Para que se não córte mais quantidade de páo da que eu tiver dada por contracto, nem se carregue à dada Capitania, mais da que boamente se pôde tirar delia; Hei por bem, e Mando, que em cada um anno se faça repartição da quantidade do páo, que se ha de cortar em cada uma das Capitanias, em que há mata delle, de modo que em todo se não exceda a quantidade do Contracto.

Parágrafo 7'. A dita Repartição do páo que se ha de cortar em cada Capitania se fará em presença do Meu Governador daquelle Estado pelo Provedor Mór da Minha Fazenda, e Off iciaes da Camara da Bahia, e nelia se terá respeito do estado das matas de cada uma das ditas Capitanias, para lhe não carregarem mais, nem menos páo do que convém para benefício das ditas matas, e do que se determinar aos mais votos, se fará assento pelo Escrivão da Camara, e delles se tirarão Provisões em nome do Governador, e por elle assignadas, que se mandarão aos Provedores das ditas Capitanias para as executarem.

Parágrafo 8'. Por ter informação, que uma das cousas, que maior damno tem causado nas ditas mattas, em que se perde, e destroe mais páos, é por os Contractadores não aceitarem todo o que se corta, sendo bom, e de receber, e querem que todo o que se lhe dá seja roliço, e massiço do que se segue ficar pelos mattos muitos dos ramos e ilhargas perdidas, sendo todo elle bom, e conveniente para o uso das tintas: Mando a que daqui em diante se aproveite todo o que fôr de receber, e não se deixe pelos matos nenhum páo cortado, assim dos ditos ramos, como das ilhargas, e que os contractadores o recebão todo, e havendo dúvida se é de receber, a determinará o Provedor da Minha Fazenda com informação de pessoas de crédito ajuramentadas; e porque outrosym sou informado, que a causa de se extinguirem as matas do dito páo como hoje então, e não tornarem as árvores a brotar, é pelo mão modo com que se fazem os cortes, não lhe deixando ramos, e varas, que vão crescendo, e por se lhe pôr fogo nas raizes, para fazerem roças; Hei por bem, e Mando, que daqui em diante se não fação roças em terras de matas de páo do brasil, e serão para isso coutadas com todas as penas, e defesas, que estas coutadas Reaes, e que nos ditos córtes se tenhão muito tento a conservação das árvores para que tornem a brotar, deixando-lhes varas, e troncos com que os possão fazer, e os que o contrário fizerem serão castigados com as penas, que parecer ao Julgador.

Parágrafo 9'. Hei por bem, e Mando, que todos os annos se tire devassa do córte do páo brasil, na qual se perguntará pelos que quebrarão, e forão contra este Regimento.

Parágrafo 10'. E para que em todo haja guarda e vigilância, que convém Hei por bem, que em cada Capitania, das em que houver matas do dito páo, haja guardas, duas delias, que terão de seu ordenado a vintena das condemnações que por sua denunciação se fizeram, as quaes guardas serão nomeadas pelas Camaras, e approvadas pelos Provedores de Minha Fazenda, e se lhes dará juramento, que bem, e verdadeiramente fação seus Off icios.

Parágrafo 11'. O qual Regimento Mando se cumpra, e guarde como nelle se contém e ao Governador do dito Estado, e ao Provedor Mór da Minha Fazenda, e aos Provedores das Capitanias, e a todas as justiças dellas, que assim o cumprão, e guarde, e fação cumprir, e guardar sob as penas nelle contheudas; o qual se registrará nos Livros da Minha Fazenda do dito Estado, e nas Camaras das Capitanias, aonde houver matas do dito páo, e valerá posto que não passe por carta em meu nome, e o effeito delta haja de durar mais de um anno, sem embargo da Ordenação do segundo Livro, título trinta e nove, que o contrário dispoem. Francisco Ferreira o fés a 12 de Dezembro de 1605. E eu o Secretario Pedro da Costa o fis escrever "Rey".

Fonte: www.historiadobrasil.net

Pau-Brasil

Árvore que deu nome ao país, o pau-brasil tornou-se raro no litoral brasileiro pela ilimitada ganância de portugueses e piratas de outras nacionalidades em mais de três séculos de exploração.

Usada na Europa para a extração da substância corante brasileína, sua madeira, ao lado de papagaios e araras, foi uma das primeiras exportações brasileiras.

Pau-brasil (Caesalpinia echinata) é uma árvore da família das leguminosas, a mesma do pau-ferro e da sibipiruna ou falso-pau-brasil. Frondosa e de lento crescimento, atinge até trinta metros de altura. Dá flores pequenas e amarelas, vermelhas no centro e levemente perfumadas, que se agrupam em cachos nas extremidades dos ramos e desabrocham de setembro a dezembro.

Há espinhos esparsos no tronco, nos galhos e, de forma mais concentrada, junto aos pecíolos das folhas bipinadas, isto é, compostas por duas fileiras de 15 a 20 folíolos com 8 a 18mm de comprimento. O fruto é uma vagem, pequena e revestida de espinhos, que encerra várias sementes.

Os índios o conhecem como ibirapitanga, muirapiranga ou arabutã.

Madeira e corante

A madeira do pau-brasil, que ao ser exposta toma coloração bem vermelha, é dura e resistente à umidade. Já foi muito usada em obras finas de marcenaria, como arcos de violino, e na construção naval. O corante, extraído por infusão da madeira reduzida a pó, permite a obtenção de tonalidades variadas, do vermelho-claro ao quase preto, e serviu principalmente para tingir tecidos até meados do século XIX, quando caiu em desuso após a descoberta das anilinas e outras tintas sintéticas. Nos séculos XVII e XVIII, o pau-brasil teve posição de destaque no comércio internacional e se popularizou nas designações em outras línguas, como bois de brésil, em francês, e brazilwood, em inglês. Na terra de origem era conhecido também como pau-de-pernambuco, pau-vermelho, pau-rosado e pau-de-tinta.

Histórico da exploração

O pau-brasil era comum em larga faixa litorânea, entre os estados do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Norte, dispersando-se eventualmente para o interior, até Minas Gerais e Goiás. Sua existência foi constatada pelo piloto florentino Américo Vespúcio, que acompanhou a expedição de Gaspar de Lemos de 1501. No ano seguinte começou a exploração comercial do produto, com os contratos do pau-brasil, que consistiam em arrendamentos de terras da colônia a exploradores, que se comprometiam a devastar novas áreas e edificar feitorias fortificadas. Um dos primeiros arrendatários foi Fernando de Noronha, a quem a coroa portuguesa doou a ilha de São João, mais tarde designada por seu nome. O pau-brasil era então a única fonte de renda do Brasil, a que emprestou seu nome poucos anos depois do descobrimento, suplantando as várias denominações efêmeras que figuram em mapas, cartas e atos oficiais do começo do século XVI.

A generalização do tráfico de pau-brasil por navios espanhóis e franceses, que Portugal não conseguiu reprimir, levou ao estabelecimento das capitanias hereditárias e, com elas, ao monopólio da coroa portuguesa sobre a madeira, oficializado a partir de 1532. Renovado pelo império brasileiro após a independência, o monopólio estatal durou até 1859, quando as reservas naturais da espécie já estavam comprometidas a fundo. Além da atividade dos portugueses, contribuíram para dizimar o pau-brasil o domínio holandês no Nordeste e as incursões francesas no litoral fluminense, onde a árvore teve presença marcante na região de Cabo Frio.

Fonte: www.biomania.com.br

Pau-Brasil

Distribuição geográfica

Na época do descobrimento, o pau-brasil era abundante no litoral brasileiro, entre Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte, em regiões tropicais e subtropicais, habitando as matas secas ou semi-áridas deste trecho, com exceção de Cabo Frio (RJ) e Santa Cruz de Cabrália (BA), onde ocorre em matas úmidas (Aguiar & Aoki 1983).

O pau-brasil foi intensamente explorado na região denominada de “costa do pau-brasil”, até que a cana-de-açucar ocupou seu lugar em termos de importância econômica, fazendo surgir um novo ciclo.

No entanto, a árvore ainda foi retirada, porém de forma menos intensa até 1875, de maneira que sua distribuição original foi reduzida a pequenos remanescentes na atualidade (Sodré 1985).

É hoje uma espécie ainda ocorrente na costa brasileira desde o Rio de Janeiro até o Rio Grande do Norte (Aguiar & Aoki 1983).

Atualmente, o pau-brasil ainda pode ser encontrado, esporadicamente, em estado silvestre na costa brasileira desde os Estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Alagoas, Pernambuco, Paraíba até o Rio Grande do Norte, sendo o extremo sul da Bahia sua principal região de ocorrência natural (Aguiar & Aoki 1983).

No Estado do Rio de Janeiro, ocorre no município de Araruama, a cerca de 3 km da cidade, em mata secundária, com aproximadamente 10 hectares. Também pode ser encontrado em Iguabá-Grande, Fazenda São Vicente de Paula, município de São Pedro D’Aldeia e Cabo Frio (Aguiar & Aoki 1983). Lima (1994) cita sua ocorrência em Saquarema (RJ).

No Estado do Espírito Santo é citado nos municípios de Aracruz e Guaraná (Aguiar & Aoki 1983).

No sul do Estado da Bahia encontra-se a principal região de ocorrência de pau-brasil em estado nativo. A CEPLAC – Comissão Executiva de Planejamento da Lavoura Cacaueira, criou no município de Santa Cruz de Cabrália, a mais importante reserva natural protegida, a Estação Ecológica do Pau-brasil. Em outros municípios vizinhos também podem ser encontradas pequenas reservas: Barrolândia, Itamaraju, Caraíva (reservas indígenas), Guaratinga, Eunápolis, Porto Seguro, Camacan e Ubaitaba (Aguiar & Aoki 1983).

No Estado de Alagoas, ainda são encontradas pequenas reservas no município de Junqueiro (Aguiar & Aoki 1983).

No Estado de Pernambuco, a Reserva Ecológica do Tapacurá, localizada no município de São Lourenço da Mata, mantém uma reserva natural de pau-brasil com árvores cuja altura varia de 10 a 20 m e diâmetro em torno de 20 a 30 cm. São encontradas, segundo o Prof. João de Vasconcelos Sobrinho - fundador dessa Reserva - remanescentes de pau-brasil em toda a zona da mata seca de Pernambuco, desde São Lourenço da Mata até Vitória de Santo Antão; acompanhando todo o Vale do Tapacurá. Ressalta-se, também, a ocorrência nos municípios de Nazaré da Mata, Tracunhaém, Pau D’Alho, Timbaúba e Goiana (Aguiar & Aoki 1983).

No Estado da Paraíba, o pau-brasil é encontrado no município de Mamanguape e na Estação Ecológica de Camaratuba (Aguiar & Aoki 1983).

Finalmente, no Estado do Rio Grande do Norte encontra-se o pau-brasil nativo, na faixa litorânea, desde o extremo sul do estado (Município de Goianinha) até o Cabo de Touros, de forma esporádica, conforme indicado no mapa (Aguiar & Aoki 1983).

Dentre a área de ocorrência, destacam-se pela freqüência de número de exemplares, os Estados da Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro (Aguiar & Aoki 1983).

Hoje, graças a campanha de divulgação da Universidade Federal Rural de Pernambuco; encontra-se pau-brasil cultivado do Amazonas ao Rio Grande do Sul.

Utilização do pau-brasil

Por ocasião do descobrimento, chamou a atenção dos navegantes portugueses uma árvore de cujo lenho era preparada uma tinta de cor vermelha empregada no tingimento de penas. “Ibirapitanga” era o nome usado pelos nativos, que significa, em tupi, madeira vermelha.

Este corante de imediato passou a ser utilizado pelos europeus, em substituição a um outro similar produzido com o “sappan” para tingir tecidos. O princípio que a madeira encerra é a brasilina, que segundo Rizzini & Mors (1976), ao entrar em contato com o ar passa por uma auto-oxidação e transforma-se em brasileína, a matéria corante vermelha.

Lamarck (1785) também assinalou que a tinta servia para pintar ovos de páscoa e pasta de escovar dentes. Ainda se produzia um composto para pintar o rosto das mulheres, atualmente conhecido por “rouge”.

Esta tinta, procedente do pau-brasil, foi largamente utilizada durante quase quatro séculos. Na segunda metade do século XIX foi substituída pelos corantes oriundos da indústria da anilina.

Entre os indígenas era muito apreciada na fabricação das armas que lhes serviam na guerra, caça e pesca. Damião de Góes (1563) registrou que os índios levados à presença do rei D. Manoel, em 1513, portavam enormes arcos feitos de pau-brasil. É também indicada e de excelente aplicação na fabricação de arcos de violinos.

Na arborização urbana é ocasionalmente utilizada devido a elegância da folhagem e beleza das flores.

A madeira do pau-brasil apresenta propriedades muito específicas para produção de arcos de violinos, seu uso está tão consagrado, que sua substituição encontra enorme resistência por parte dos consumidores, sendo empregada independente do seu custo ou dificuldades de obtenção (Angyalossy 2003).

A madeira é exportada em pequena escala, sob os nomes de Brazil Wood, Pernambuco Wood, Bahia Wood etc. (Rizzini 1971).

Carvalho (1994) caracteriza a espécie como promissora para produção de energia com lenha de boa qualidade. Pode também ser utilizada em construção civil, carpintaria, móveis, moirões e dormentes, com duração média de 20 anos.

Por ser muito ornamental é utilizadas em paisagismo de parques, praças jardins e arborização urbana, além de reflorestamento ambiental para reconstituição de ecossistemas degradados. Para isso, recomenda-se plantio misto, associado com espécies secundárias ou plantio em vegetação matricial, em faixas abertas em vegetação secundária e plantio em linhas.

A planta tem grande potencial ornamental devido a sua beleza e raridade. Apresenta porte elegante, copa arredondada, folhas verde brilhantes, flores em cacho amarelo-ouro, suavemente perfumadas (Aguiar & Barbosa 1985).

O arco de violino de pau-brasil, devido a sua intensidade sonora, tem um timbre incomparável na história da música. O pau-brasil tem destaque em todas as grandes orquestras sinfônicas do mundo que usam arcos de violinos feitos de pau-brasil.

Embora não tendo mais utilidade na fábrica como corante, hoje totalmente substituído por produtos sintéticos, o potencial de utilização dessa espécie arbórea ainda é imenso, podendo se destacar a arborização urbana e a fabricação de instrumentos musicais (Carvalho 1994).

Apesar desse valor tanto histórico quanto econômico, essa espécie está em perigo de extinção (Portaria do IBAMA n.37- N, de 03/04/1992).

Uso medicianal

De acordo com Ramalho (1978) a espécie Caesalpinia echinata Lam. (pau-brasil) tem sido pouco estudada para uso medicinais.

Entretanto tem sido citada, embora raramente, como de utilidade alopática e homeiopática, sendo lembrada como remédio adstringente, corroborante e secante, empregando-se a casca cozida, para debelar diarréias e desinterias e, quando reduzida a pó, a casca também possui aplicação no fortalecimento de gengivas.

Pesquisa realizada pelo Prof. José Camarotti, do Departamento de Química Aplicada, da Universidade Federal de Pernambuco, com a brasileína extraída do cerne da madeira de pau-brasil, com vistas à cura do câncer, os testes com camundongos têm conseguido a regressão de tumores em cerca de 83% dos casos. (FONTE: Resumo, Revista Biológica Brasilica, vol.1, Sup. 1, 1989, p. 10; Cunha & Lima 1992).

Os índios já utilizavam o chá de pau-brasil como abortivo

Dados botânicos

Nome popular: pau-brasil
Nome científico:
Caesalpinia echinata Lam.
Família:
Caesalpiniaceae (Leguminosae)
Sub-família:
Caesalpinioideae
Outros nomes populares:
ibirapitanga, pau-vermelho, ibirapiranga, arabutã, brasileto, araboretam, pau-de-pernambuco.

A zona climática onde ocorre o pau-brasil é semi-árida quente (Aguiar & Pinho 1996).

Caule

Atinge até 30 m de altura e 40 a 60 cm de diâmetro em condições naturais, porém quando cultivado, o pau-brasil dificilmente ultrapassa 15 m, com diâmetro de 20 a 40 cm (Aguiar & Pinho 1996).

Dois anos após plantio, pode chegar a 2 m de altura. É uma árvore de porte elegante, copa arredondada, folhas verde-brilhantes, flores em cachos amarelo-ouro, suavemente perfumadas, prestando-se como ornamental e própria para arborização urbana (Aguiar & Pinho 1996).

Apresenta fuste circular quase reto, com casca pardo-acinzentada e com muitos acúleos que diminuem sensivelmente com a idade da planta. Madeira de cerne castanho-avermelhada e alburno fino de coloração amarelada é bastante resistente e pesada, superfície lisa, galhos ascendentes longos, geralmente finos. flexíveis e com acúleos.

Folha

Pau-Brasil
Pau-Brasil folha de arruda

O primeiro par de folhas cotiledonares das plântulas apresenta folíolos opostos. Já a partir do segundo par de folhas os folíolos são alternos. As folhas do pau-brasil caracterizam-se como alternas, compostas, bipinadas (sub dividida em pinas e estas em folíolos), de folíolos ovais e pequenos, formando folhagem densa verde-escura brilhante (Figura 3b).

Flor

Pau-Brasil

Pau-Brasil

Pau-Brasil
Floração pau-brasil folha de laranja

Pau-Brasil
Floração pau-brasil folha de café

As flores estão reunidas em inflorescência do tipo cacho simples, com pétalas de coloração amarelo-ouro; sendo que uma delas, denominada vexílo ou estandarte, possui coloração vermelho-púrpura o que proporciona às flores caráter bastante ornamental (Figura 3c).

A primeira florada em São Paulo ocorre após cinco anos do plantio, entre setembro e março. Em Pernambuco, floresce aos três anos, entre dezembro e maio. Pesquisa realizada em Moj-Guaçu, SP sobre comportamento fenológico do pau-brasil mostra que o pico da floração ocorre nos meses de setembro/outubro, com frutificação em novembro/dezembro (Aguiar 2001).

Polinização das flores

Apresentando pétalas amarelo-ouro, com uma mancha vermelha-púrpura na pétala superior central, exalando um aroma suavemente perfumado que lembra o jasmim, a inflorescência do pau-brasil torna-se desta forma um grande atrativo para as abelhas.

Com a experiência acumulada ao longo de masi de duas décadas de pesquisa, o autor sugere que as abelhas chamadas de africanizadas (Apis melizera scutellata), provavelmente sejam as principais responsáveis pela polinização das flores de pau-brasil (Figura 3d).

Estas abelhas são excelentes produtoras de mel e, foram introduzidas em São Paulo em 1956. A Apis melizera scutellata é uma abelha híbrida da abelha européia (Apis melizera ligustica, Apis melizera caucasica, Apis melizera carnica) com abelha africana Apis melizera scutellata.

Outras espécies de abelhas eventualmente visitam as flores de pau-brasil, dentre elas a jataí (Tetragonisca angustula Latreille), a arapuá (Trigona spinipes Fabricius) e alumas vespas marimbondo.

Fruto

Pau-Brasil

Vagem deiscente (que se abre quando madura liberando as sementes), espinescentes (cobertas de saliências).

Em São Paulo, a maturação dos frutos ocorre entre novembro e dezembro, podendo esporadicamente ocorrer maturação em maio.

Na fase de maturação, os frutos apresentam coloração amaronzada (Aguiar et al. 2007) (Figura 3e).

Semente

A semente do pau-brasil (Figura 3f) é achatada, elíptica, castanha, lisa de 1 a 1,5 cm de diâmetro por 0,3 cm de espessura, de 2 a 4 por fruto (vagem). A semente do pau-brasil é muito semelhante a da sibipiruna, principalmente quanto à forma, sendo esta porém mais clara.

Propagação e cultivo

A propagação do pau-brasil é feita através de sementes, as quais germinam facilmente ao redor do quinto dia após a semeadura.

Quando postas para germinar logo após a colheita, a percentagem de germinação é alta, podendo chegar aos 100%. Se conservadas em geladeira, em sacos plásticos, hermeticamente fechados, mantém seu poder de germinação por mais de 60 dias. Neste caso, a percentagem de germinação cai para cerca de 50% e, aos 90 dias, para cerca de 33%. A semeadura deve ser feita em canteiro ou em sacos plásticos (polietileno) com terra vegetal (Figura 3g). O substrato deve ser mantido úmido (Aguiar & Barbosa 1985).

A Estação Ecológica do Tapacurá, da Universidade Federal Rural de Pernambuco, usa na produção de mudas, a seguinte mistura no enchimento de sacos plásticos: 30 a 40% de solo arenoso, 40% de solo argiloso e 20 a 30% de esterco (Soares 1985).

Após seis meses, em função do solo e do clima, a muda atinge 20 a 30 cm, quando poderá ser transplantada para local definitivo.

Este deve ser feito em covas de 60 × 60 × 60 cm, com espaçamento de 10 m para arborização e de 5 m para formação de bosques. A adubação por cova pode ser 500 g de N-P-K (6-12-6), matéria orgânica à vontade, 500 g de farinha de osso e 50 g de micronutrientes (Aguiar & Pinho 1996).

Em área experimental no município de Moji-Guaçu, SP, o pau-brasil apresentou aos 10 anos após o plantio, altura média de 7,60 m e 11,60 cm de diâmetro a altura do peito (DAP). Foi verificado neste período, um incremento médio anual (IMA) de 0,74 m para a altura e 0,93 cm para o diâmetro (Aguiar & Kanashiro 1995). Por se tratar de uma essência nativa tida como de crescimento lento, seu desenvolvimento no arboreto experimental de Moji-Guaçu, SP foi considerado moderado, comparado com plantio em outras regiões.

Após 12 anos de plantio em Moji-Guaçu, SP, o pau-brasil apresentou altura média de 9,19 m e diâmetro médio a altura do peito de 12,68 cm.

Ocorrendo neste período um incremento médio anual (IMA) de 0,76 m para a altura e 1,05 cm para diâmetro (Aguiar 2000). A tabela 1 mostra dados médios de crescimento em altura, diâmetro médio a altura do peito (DAP) e incremento médio anual (IMA) de pau-brasil num arboreto experimental homogênio em Moji-Guaçu, SP, aos 5, 10 e 20 anos de idade.

Pau-Brasil
Pau-Brasil folha de arruda

Fonte: www.pau.brasil.nom.br

Pau-Brasil

Pau-Brasil - Extrativismo na Colônia

Extrativismo foi a primeira atividade econômica da colônia

Durante o retorno da Índia, em 1501, Cabral encontrou-se com uma pequena frota portuguesa, formada por três navios que se destinavam ao Brasil, sob o comando de Gonçalo Coelho. Tratava-se da primeira expedição enviada pelo rei de Portugal para fazer o reconhecimento do território, depois de o descobrimento ser comunicado à corte por Gaspar de Lemos.

A bordo de um desses navios, encontrava-se o florentino Américo Vespúcio, que fez várias viagens ao continente americano e escreveu sobre ele, conseguindo batizá-lo com seu nome.

A partir dessa expedição, várias outras - tanto portuguesas quanto espanholas - iriam reconhecendo aos poucos o litoral brasileiro e sul-americano, durante as primeiras décadas do século 16. Freqüentemente, deixaram aqui alguns tripulantes para permanecer entre os indígenas.

Condenados ao exílio ou sobreviventes de naufrágios, esses homens constituíram um importante grupo de intermediários entre os índios e os navegadores europeus, atuando na exploração do que se transformou na principal mercadoria da terra.

O pau-brasil

Rapidamente descoberto pelos primeiros navegantes, o pau-de-tinta ou pau-brasil era uma espécie de árvore abundante no território brasileiro, que servia como matéria-prima para o tingimento de tecidos. Apresentava particular importância para a indústria têxtil européia, que passava por um período de crescimento.

O comércio dessa mercadoria tornou-se um empreendimento lucrativo, que deu início à atividade econômica dos europeus no Brasil, bem como à efetiva ocupação da terra. Além do pau-de-tinta, papagaios e macacos também obtiveram grande valor comercial, devido aos seus aspectos exóticos e ornamentais.

Relacionamento amistoso entre o índio e o branco

Os portugueses realizavam trocas com os índios, dando-lhes principalmente ferramentas - como enxadas e machados - pelos produtos da terra. Ferramentas de metal representavam uma verdadeira revolução tecnológica para os nativos, que só conheciam os instrumentos de pedra e madeira.

O relacionamento amistoso entre o índio e o branco, baseado na troca de mercadorias ou escambo, foi fundamental para os europeus nos seus primeiros momentos no Brasil. Além de fornecer as mercadorias de valor comercial, os índios ainda garantiam a alimentação e os braços para o trabalho de abate e transporte do pau-brasil.

Em 1503, uma associação de comerciantes encabeçada por Fernão de Loronha (ou Fernando de Noronha) havia conseguido uma concessão do rei para explorar o comércio de pau-brasil. Em troca, deveria construir e manter um forte no território, pagando também impostos sobre os carregamentos de madeira.

Para se ter uma idéia do volume de negócios, a nau Bretoa, armada por Loronha em 1511, levou para a Europa 150 toneladas de pau-de-tinta, que seriam revendidas por aproximadamente 2.500 ducados, ou 70 quilos de ouro. Ao longo dos primeiros trinta anos, atraídos pelos lucros, outros empreendedores investiram em viagens com a mesma finalidade, extraindo grandes quantidades de madeira em diversos pontos do litoral, entre os atuais estados de Pernambuco e São Paulo.

À procura de ouro

Nos limites sul do território demarcado por Tordesilhas, que hoje corresponde ao litoral de Santa Catarina, o contato com os náufragos e degredados que aqui haviam se estabelecido tornou conhecida a existência de um caminho que conduzia a regiões supostamente ricas em metais preciosos, localizadas atualmente na Argentina, Paraguai e Peru.

Algumas expedições foram organizadas para atingi-las, tornando-se as primeiras a explorar o interior do território sul-americano. Não foram, porém, bem sucedidas, como no caso da expedição espanhola de Juan Dias de Solis, cujos integrantes foram massacrados pelos índios na confluência dos rios Paraná e Uruguai.

Além dos espanhóis, que disputaram o território com os portugueses por meio de expedições ou negociações diplomáticas, navegantes franceses também se tornaram uma presença constante no Brasil. Tratava-se de empreendedores particulares, com o incentivo de seu rei, Francisco 1º, que não reconhecia as disposições do tratado de Tordesilhas. Ironicamente, alegava não existir um testamento de Adão que dividisse a terra entre Portugal e Espanha.

Expedições guarda-costas

Não se sabe exatamente quando os franceses começaram a agir no Brasil, mas há registros de sua presença na Bahia, em 1526, e em Pernambuco, em 1531. Para combater os invasores, a Coroa portuguesa enviou expedições chamadas de guarda-costas, sob o comando de Cristóvão Jacques, que esteve aqui em 1516 e 1527.

Na segunda viagem, aprisionou diversos navios franceses e mais de 200 marinheiros, mortos com extrema crueldade. Porém, as dificuldades financeiras para organizar essas expedições militares e uma fase de decadência do comércio no Oriente levaram o novo rei de Portugal, D. João 3º, a pressentir a necessidade de povoar o território para garantir a sua soberania nele.

Com essa finalidade, o fidalgo Martim Afonso de Souza, personagem destacado na Corte e membro do Conselho real, foi encarregado de seguir para o Brasil em 1531. Comandava uma frota de cinco navios, com 400 homens, e gozava de amplos poderes, entre os quais o de nomear funcionários para a administração da colônia e o de doar terras para a criação de fazendas.

A expedição derrotou franceses no litoral do Nordeste e navegou para o Sudeste do Brasil No litoral paulista, fundou a vila de São Vicente, que se tornou o primeiro núcleo de colonização portuguesa. Realizou ainda explorações fluviais para descobrir minas de prata nos confins do Paraguai e do Peru.

Antonio Carlos Olivieri

Fonte: educacao.uol.com.br

Pau-Brasil

1. MUITO PRAZER, PAU BRASIL (Caesalpinia echinata Lam.)!

O Brasil é o único país do mundo cujo nome veio de uma planta, o pau- brasil. Não sabemos ao certo como esta peculiaridade pode nos ajudar a sermos diferentes do resto do globo. Mas, pelo menos, em um nível simbólico, somos a única nação do planeta que está plantada em sua própria terra! Ora, isto já é uma boa semente com a qual podemos fazer poesia.

Mas o objetivo deste trabalho é menos “poetar” e mais investigar os nossos quinhentos anos de história, contados sob a ótica desta madeira que nos foi tão primordial: o pau-brasil. Mas, se somos um país, com inúmeras florestas - acredite se quiser, mesmo depois de tanta devastação! - por que escolher, então, o pau-brasil para ser o protagonista desta aventura? Simplesmente porque ele é, dentre todas as madeiras da flora brasileira, a de maior importância histórica.

A Árvore pau brasil

O pau-brasil é uma árvore da família das leguminosas.

As árvores são consideradas vegetais superiores e podem ser divididas em três partes: o conjunto das raízes - também chamado de raizame -, o tronco e a copa. As raízes são os órgãos de fixação da árvore no solo e são responsáveis também pela alimentação da planta. O tronco é o caule, geralmente retilíneo e grosso, por onde circulam os nutrientes que fazem a árvore crescer, florescer e frutificar. Por fim, há a copa, que é uma verdadeira indústria de alimentos produzidos pelo processo chamado fotossíntese. Aquele em que, com a ajuda da luz solar, as folhas combinam a mistura mineral absorvida pelas raízes com o gás carbônico existente no ar. Bom, agora que já somos doutores em vegetais superiores, vamos examinar mais de perto esta árvore testemunha de nossa história.

Você já viu um pau brasil?

Poucos brasileiros já tiveram o privilégio de ver uma árvore de pau- brasil. Isso porque as regiões onde eram encontradas grandes quantidades desta espécie sofreram um violento processo de devastação que praticamente fez com que o pau-brasil fosse incluído na lista das espécies ameaçadas de extinção. Porém, graças a algumas iniciativas louváveis no campo da preservação do meio ambiente, nos últimos anos, nossa árvore aos poucos vai tentando recuperar seu status de cidadã brasileira.

Meu nome cientifico é Caesalpinia echinata Lam., mas pode me chamar de pau brasil.

Talvez você não saiba, mas ás arvores são identificadas sempre por dois nomes. Um (às vezes, vários) é aquele como nós popularmente a chamamos e o outro é como os cientistas, preocupados com a classificação rigorosa de suas espécies, a denominam e registram. Com o pau-brasil não poderia ser diferente. Seu nome científico é Caesalpinia echinata Lam.. Ora, mas isso mais parece um palavrão ou até mesmo uma ofensa para a pobre da árvore! Nada disso! Acontece que, como em todo nome científico, há neste batismo algumas regras bem simples que, uma vez conhecidas, tiram das palavras seu ar arrogante e indecifrável.

Vejamos que regras são essas. Primeiramente, as palavras estão escritas em latim que, apesar de ser uma língua morta (ninguém mais fala latim hoje em dia), ainda batiza diversas descobertas da ciência.

Vamos desvendar o primeiro mistério: o primeiro nome de uma árvore sempre diz respeito a seu gênero, aqui no caso, “Caesalpinia” - que na verdade é uma homenagem a um grande médico e botânico do século XVI - Andrea Cesalpino.

Próximo enigma: o segundo nome de uma árvore se refere à sua espécie. A palavra “echinata” é a forma latina do adjetivo “equinado”, que nada mais quer dizer do que “vegetal cheio de espinhos”. Um bom exemplo de um sujeito prá lá de equinado é o ouriço-do-mar, não é verdade? E, por fim, a terceira palavra que dá nome a uma árvore é a abreviação do nome da pessoa que a registrou. “Lam.” é a abreviação de Lamarck, o botânico que, em 1789, descreveu o pau-brasil, conforme as normas da nomenclatura botânica. Viu como foi fácil desvendar o significado do nome científico!

Agora, vamos aos nomes populares com os quais os indígenas, os europeus e, nós brasileiros, chamávamos e ainda chamamos, nossa amiga Caesalpinia: ibirapitanga, ibirapiranga, ibirapita, muirapiranga, orabutã, brasileto, pau- rosado e pau-de-pernambuco. Ufa! Até que foi bom ter prevalecido a forma “pau-brasil” para batizar nosso país, pois você já pensou se a outrora Terra de Santa Cruz adotasse, por exemplo, o nome Ibirapitanga. A esta altura seríamos todos “ibirapitanguenses”. Nada contra a palavra em si, mas que “brasileiro” é muito mais fácil de pronunciar, ah, isso é verdade!

Caracteristicas do pau brasil

Em relação à sua forma, ela é uma planta espinhenta (equinada, lembra- se?) que chega a medir de 8 a 30 metros de altura. Seu tronco mede de 40 a 70 cm de diâmetro e suas folhas têm de 10 a 20 cm. Sua madeira é dura, muito pesada, compacta, resistente e de textura fina e incorruptível - como aliás deveriam ser muitos políticos brasileiros, não é verdade? Ah, se alguns deles tomassem lições com o pau-brasil!... A madeira é uniformemente laranja ou vermelho-alaranjada e se torna vermelho-violácea com reflexo dourado após o corte. Suas flores são amarelas, sendo que uma das pétalas apresenta uma mancha vermelho-púrpura.

Das flores exala um suave perfume.

A área de ocorrência do pau-brasil se estende do Rio Grande do Norte a São Paulo, sempre na floresta pluvial atlântica, mas sua freqüência mais expressiva se dá no sul da Bahia. As informações biológicas nos dão conta de que ela é uma planta semidecídua, heliófita ou esciófita. Se você ficou na mesma, não se desespere! Faremos uma breve pausa para esclarecer tais conceitos. Semidecíduas são as árvores das quais somente metade das folhas se desprende. Heliófitas são aquelas que precisam do sol (hélio) para se desenvolver. Já as esciófitas, são justamente seus opostos, pois elas precisam da sombra (escio) para sobreviver.

Tais características são peculiares à floresta pluvial atlântica.

Nossa ibirapitanga ocorre preferencialmente em terrenos secos e inexiste na cordilheira marítima, sendo uma planta típica do interior da floresta primária densa.

Sua floração se dá a partir do final de setembro, prolongando-se até meados de outubro. Entre novembro e janeiro se dá a maturação dos frutos.

As sementes são obtidas colhendo-se os frutos (vagens) diretamente da árvore quando iniciam a abertura espontânea. Em seguida, deve-se levá-las ao sol para completar a abertura e a liberação das sementes. Deve-se prestar muita atenção para o início da abertura das vagens, uma vez que esse processo não dura mais que alguns dias. 1 kg de sementes contém aproximadamente 3.600 unidades.

2. PAU BRASIL: TESTEMUNHA DO DESCOBRIMENTO

Quem descobriu quem?

O Brasil foi descoberto em 1500, certo? Bom, mais ou menos... Ao longo de nossa história, pesquisadores das mais diversas áreas (historiadores, antropólogos, arqueólogos e outros especialistas) têm se esforçado para rever a tese do “simples” descobrimento, como veremos um pouco mais adiante. No entanto, descoberta ou não, a terra brasileira abrigava, quando chegaram os primeiros exploradores europeus, povos que aqui já estavam há dezenas de milhares de anos

A pré história do Brasil

Por Pré-história entendemos o período anterior ao conhecimento e à utilização da escrita. Como nossos indígenas eram todos povos ágrafos (que não conheciam, logo, não utilizavam a escrita), nossos primeiros registros escritos somente se deram com a chegada dos portugueses, em 1500.

Portanto, todo o período anterior ao descobrimento é tratado pelos especialistas como a Pré-história brasileira. Para se saber um pouco deste período tão obscuro, recorre-se sempre à arqueologia, que é a ciência que estuda as coisas antigas. Os arqueólogos são aqueles seres obcecados por encontrarem vestígios de antigas civilizações nos mais diferentes lugares.

Arqueólogo adora uma velharia. Por isso, a escritora de livros de mistério Agatha Christie (O caso dos dez negrinhos), que era casada com um arqueólogo, uma vez se saiu com esta: “A vantagem de ser casada com um arqueólogo é que, quanto mais velha, mais atraente me torno para ele!” Bom , mas voltemos à nossa Pré-história. Quando os arqueólogos encontram diversos indícios tais como objetos de pedra ou de cerâmica, pedaços de fogueiras, de casas e de túmulos, eles passam a analisar o possível comportamento dos grupos que deixaram tais vestígios. Tem sido assim com o estudo dos ancestrais de nossos indígenas. Diversos sítios arqueológicos (lugares que concentram grande variedade de vestígios) já foram encontrados e nos dão cada vez mais pistas da chegada dos primeiros habitantes do Brasil. Um dos sítios mais importantes é o Parque Nacional da Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato, no estado do Piauí.

Lá, a arqueóloga Niède Guidon conseguiu reunir provas que revolucionaram as teorias sobre o povoamento da América. Niède encontrou vestígios que datam de 41.500 anos. Antes, acreditava-se que a chegada dos primeiros homens à América tivesse ocorrido há 12 mil anos. Convenhamos que uma diferença de quase 30 mil anos é algo bastante significativo, daí a importância do trabalho de Niède e da preservação de tal sítio arqueológico - que já se tornou patrimônio da humanidade pela UNESCO.

De onde vieram nossos indios?

É unanimidade entre os cientistas a afirmação de que o homem americano não é autóctone. Ops! Vamos parar que lá vem palavra difícil! Autóctones são os seres nascidos na própria terra. “Auto” quer dizer “próprio”, como em “automóvel”, que designa “aquilo que se move por ele mesmo”, ou seja, com um motor. Já “ctone” significa “terra”. Isso quer dizer que os povos indígenas chegaram aqui vindos de outros lugares. Mas de onde? A tese mais difundida é a de que eles vieram, em levas sucessivas, da Ásia, pelo estreito de Bering, que fica a noroeste da América do Norte. Os primeiros grupos chegaram há pelo menos quarenta mil anos, na última era glacial. Eram povos caçadores que desconheciam a agricultura, já que o Velho Mundo, nesta época, não tinha passado ainda da Idade da Pedra Lascada.

Brasil" desde quando?

Diz a tradição que o nome “Brasil” vem da madeira pau-brasil. Mas, às vezes, a tradição se revela insuficiente, pois, esconde outras possibilidades fascinantes de se adquirir um determinado conhecimento. Há, pelo menos, duas possíveis origens para o nome de nosso país. Comecemos pela tradicional. A história do pau-brasil remonta do século IX, ou seja, ao ano 900 d.C. Àquela época, a madeira era encontrada nas Índias Orientais, dentre as variedades de plantas que possibilitavam, por força de sua cor avermelhada, a produção de um corante, igualmente vermelho. Na Europa, para onde eram levados e destinados ao uso, tanto a madeira quanto o corante eram denominados “brecilis’, “brezil”, “brazily” ou “brasil”, todos nomes derivados da palavra latina “brasília” que significa “cor de brasa” ou “vermelho”. As árvores eram plantas que pertenciam a várias espécies de “Caesalpinia”, já difundidas e conhecidas principalmente na Índia, Sumatra e outras regiões da Ásia, sendo “sappan” (que significa igualmente “vermelho”), o seu nome no arquipélago malaio. Data de 1128 o primeiro registro escrito do nome “brasile”, dado tanto ao corante quanto à madeira. Tal informação aparece em um tratado de Muratozi de Ferrara. Ainda nesta concepção tradicional, alguns estudiosos sustentam que a palavra veio diretamente do francês “brésil” que, por sua vez, é originário do toscano “verzino”, como era denominada na Itália a madeira usada para o tingimento.

No entanto, há uma outra versão, mais deliciosamente misteriosa, que nos remete ao termo celta (um antigo povo que habitou a Europa) “bress”, origem do inglês “to bless” (abençoar). Segundo uma lenda celta do século IX, havia uma ilha chamada Bem Aventurança ou Terra Abençoada, ou ainda, Hy Brazil, situada nas brumas do Mar Tenebroso, o Atlântico. Desta versão compactuava o respeitado historiador Sérgio Buarque de Hollanda. Uma adaptação desta lenda pode ser conferida no divertido filme “Aventuras de Erik, o viking” do diretor inglês Terry Jones. Nele, Hy-Brazil se assemelha em muito à também lendária Atlântida...

Dentro desta perspectiva mítica, há ainda um curioso registro do genovês Angelino Dalorto que, em 1325, descreveu assim a cidade imaginária Brazil:

Uma ilha na mesma latitude da Irlanda do Sul. O nome pode ser gaélico, ji que Bresail é um nome de um antigo semideus pagmo, e ambas as sílabas, µbres¶ e µail¶, denotam admiraçmo. Consiste num grande anel de terra cercando um mar interior com ilhotas. O mortal ordinirio nmo pode vê- lo e somente uns poucos eleitos foram abençoados com a vismo do Brazil.´

O fato é que, mítica ou não, a terra brasilis aparece nos mapas, desde 1339. No século XIV, os planisférios de quatro cartógrafos mostravam uma Ilha Brasil, a oeste dos Açores. O primeiro mapa com referências reais, no entanto, é o mapa encomendado pelo espião italiano Alberto Cantino a um cartógrafo de Lisboa.

Nele se vêem papagaios, florestas e o desenho do litoral desde Cabo Frio até o Amazonas. Ora, o mapa data de 1502, época em que as expedições oficiais portuguesas só haviam visitado o Amazonas e a Bahia. Como então já era possível descrever em detalhes o litoral ao sul do território baiano?

Por que a missão - que já não era inédita - de travar comércio com as Índias teve que contar com a maior esquadra montada em Portugal: treze navios e mil e quinhentos homens? E por que, para chefiar tal empreitada, o rei d. Manuel I designou um comandante que não possuía a menor experiência como navegador: Pedro Álvares Cabral?

Tais perguntas são feitas até hoje pelos historiadores que não se contentam com a tese oficial do descobrimento. Pensam eles que o 22 de abril, na verdade, foi uma “tomada de posse” de uma terra já conhecida. Vamos examinar as origens de tal hipótese.

As origens do descobrimento

Segundo a corrente histórica que propôs as questões com que se inicia o tópico anterior, para compreender as origens do descobrimento do Brasil é preciso recuarmos, no tempo, cerca de 400 anos e, nos deslocarmos, no espaço, em direção ao Oriente Médio. E eis que estamos prontos para irmos voltando aos poucos para o futuro! Em 1119, franceses em Jerusalém fundaram o Ordem dos Templários - uma congregação secreta composta por padres-soldados que tinha por objetivo difundir a fé cristã. Enquanto as cruzadas duraram na Europa, os templários receberam milhares de propriedades por doação ou herança e desenvolveram intensa atividade econômica. O seu símbolo máximo era o manto branco com que se vestiam onde estava desenhada uma cruz vermelha. Com a tomada da Palestina pelos muçulmanos, a Ordem passou a ser desprestigiada por toda a Europa, em especial pela monarquia francesa que lhe inflingiu uma sangüinária e injusta perseguição, ocasionada por dívidas contraídas com a abastada instituição militar e religiosa.

Em 1307, então, os remanescentes da Ordem Templária - rebatizada como Ordem de Cristo - tiveram acolhida em terras portuguesas, reino pobre e atrasado, cujo monarca estava interessado na especialização dos antigos templários no transporte marítimo de peregrinos para a Terra Santa e nas valiosas informações que estes adquiriam com os viajantes de toda a Ásia.

Foi assim que, em 1416, a organização passou a ter como grão-mestre o infante d. Henrique, filho do rei português d. João I, resolvendo então concretizar um antigo projeto: circunavegar a África e chegar à Índia, ligando o Ocidente ao Oriente sem a intermediação dos muçulmanos que controlavam por terra tal percurso.

A proposta recebeu o aval do papa Martinho V, que deu caráter de cruzada ao empreendimento. Assim, as terras tomadas dos infiéis passariam administração espiritual da Ordem de Cristo. Mas, somente em 1498, o cavaleiro Vasco da Gama conseguiu realizar a façanha.

No entanto, o monopólio das informações - sempre secretas - dos cavaleiros da Ordem da Cruz aos poucos foi caindo, uma vez que outras nações passaram a adquirir a tão perseguida tecnologia náutica. Assim, em 1492, a Espanha descobriu a América do Norte - o que causou grande irritação no império português, somente abrandada pela assinatura de uma bula papal que dividia o pressentido Novo Mundo entre Portugal e Espanha.

E aqui novamente a tradição do descobrimento perde força: depois de firmadas as negociações, o reino português resolveu esticar 370 léguas a oeste a linha imaginária que dividia as novas terras, reservando naturalmente o Brasil para sua administração. Tal acordo ficou conhecido como Tratado de Tordesilhas.

E o que Cabral tem a ver com esta história?

Bom, é chegada a hora da revelação: segundo essa vertente histórica, Pedro Álvares Cabral era um eminente integrante da Ordem de Cristo, única companhia religiosa militar autônoma do Estado que tinha autorização papal para ocupar - tal como nas cruzadas - os territórios tomados dos infiéis (no caso brasileiro, os índios). Por isso, se destacavam nas velas que aqui aportaram a cruz símbolo da ordem, que ainda tentou batizar por três vezes as novas terras descobertas (Vera Cruz, Ilha de Santa Cruz e Terra de Santa Cruz). Cabral, como se sabe, fincou uma cruz em tecido no solo do Monte Pascal e mandou rezar a primeira missa.

Tais atos estariam plenamente em acordo com a orientação religiosa recebida por ele da Ordem da Cruz. Assim é que, como integrante de uma organização que detinha informações sigilosas a respeito de tantas conquistas, o comandante português nada mais veio fazer do que se apoderar de terras, há um bom tempo, conhecidas.

E eis que o europeu descobre o pau brasil

A primeira riqueza explorada pelos europeus em terras brasileiras foi o pau-brasil, árvore que existia com relativa abundância em largas faixas da costa brasileira.

Embora seu valor fosse muito inferior às mercadorias orientais, a substância corante extraída da madeira foi de grande interesse comercial para Portugal que, antes, a comprava dos mercadores do Oriente que atuavam nas rotas tradicionais do comércio indiano.

Logo, a coroa portuguesa declarou a exploração do pau-brasil um monopólio real. Isso significava que só poderia dedicar-se a esta atividade quem obtivesse uma concessão da coroa portuguesa, que cobrava pelos direitos concedidos. A primeira concessão de exploração foi conferida a Fernando de Noronha (que, quem diria, virou nome de arquipélago paradisíaco!) ainda em 1501. O primeiro arrendatário e seus associados posteriores tinham como obrigação enviar naus à nova terra, descobrir “trezentas léguas de costa” e pagar uma parcela à Coroa, além de construir e manter fortalezas. Ao colono era vedado explorar ou queimar o lenho corante. Registra a História que, pela concessão obtida, Fernando de Noronha pagava, anualmente, 4 mil cruzados. Já em 1519 os negócios do primeiro arrendatário pareciam bastante promissores, pois a essa época já lhe fora possível retirar mais de 5 mil toras, segundo registro de Amazonas de Almeida Torres em seu livro Breves Notas para o Estudo Florestal do Brasil.

Os espanhóis, em respeito ao Tratado de Tordesilhas, afastaram-se do litoral brasileiro. No entanto, corsários franceses - que não reconheciam a legitimidade do acordo - lá agiam com relativa liberdade, extraindo a madeira ilegalmente. A participação de nossos indígenas na extração do pau-brasil foi fundamental, pois somente as tripulações dos navios não davam conta de cortar e transportar uma árvore de grande porte.

A princípio, o trabalho indígena foi conseguido por meio da prática do escambo, isto é, mediante a troca por algumas bugigangas e quinquilharias que despertavam neles grande interesse, como, pedaços de tecido, espelhos, e, às vezes, facas e canivetes.

Mais habilitados no trato com os indígenas, os contrabandistas franceses, no entanto, conseguiram maiores vantagens que os portugueses.

Porém, seu sistema de extração causou graves prejuízos às matas: ao invés de cortar as árvores, ateavam fogo na parte inferior do tronco, provocando assim muitos incêndios, que matavam animais e destruíam preciosas essências.

Pau brasil: lucros à vista, destruição a prazo

Em pouco tempo, o índio passou a perceber o real comportamento do homem europeu. Quando, por qualquer motivo, ele se recusava a realizar o trabalho desejado pelos europeus, estes apelavam para a violência e para o trabalho escravo.

A exploração do pau-brasil não deu origens a núcleos coloniais fixos de ocupação e povoamento, uma vez que, realizada como atividade predatória, era nômade, deslocando-se pelo litoral à medida que a madeira ia se esgotando.

Foram construídas apenas algumas feitorias - fortificações de caráter militar - em alguns pontos onde a madeira era mais abundante. Essas feitorias, construídas tanto por portugueses quanto por franceses, serviam para a defesa contra os concorrentes, contra ataques de tribos hostis e para o depósito das mercadorias.

Como toda atividade predatória, a extração do pau-brasil foi se tornando cada vez mais difícil devido à escassez das árvores, que passaram a ser encontradas somente de 10 a 20 léguas da costa. Já em 1530, em alguns locais do litoral, o pau-brasil se tornara escasso, embora o Brasil tenha continuado a exportar a madeira até o início do século XIX.

A exploração era bastante rudimentar, trazendo como conseqüência a destruição de grande parte de nossas florestas. Assim, com o descobrimento, iniciou-se também o desmatamento indiscriminado que ainda hoje ameaça nossa biodiversidade.

3. O PAU BRASIL E A NECESSIDADE DA CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA

A vegetação dominante do Brasil, com sua exuberante variedade, porte e beleza de flores e frutos, existe há cerca de 80 milhões de anos! Só para você ter uma idéia de tamanha antigüidade, o homo sapiens - nosso ancestral mais imediato - surgiu há, apenas (literalmente), 1 milhão de anos.

Tal vegetação não era exclusividade do Brasil, cobrindo todo o planeta Terra, de pólo a pólo, pois o clima geral era de verão úmido e contínuo. Mas como tudo que é bom dura pouco (embora não houvesse ainda nenhum homem para desfrutar de tal verão constante) começaram a ocorrer cataclismas geológicos e períodos de frio intenso (as chamadas eras glaciais) que modificaram o clima e a topografia da superfície e da biosfera terrestre. Assim, somente a faixa situada entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio passaram a possuir aquela cobertura vegetal primitiva, numa profusão de luz, calor e umidade durante todo o ano, graças ao trânsito predominante do sol em torno da linha do equador.

O Brasil situa-se exatamente nesta região, possuindo como herdeiras daquele período longínquo a floresta amazônica, a mata atlântica e outras formações que perfaziam um total de 5,2 milhões de quilômetros quadrados de área florestal, à época do descobrimento.

Floresta: a casa ancestral

O homem primitivo extraiu das florestas seus recursos de sobrevivência. O que hoje os escoteiros fazem simuladamente, nossos ancestrais faziam pra valer. A madeira era usada para a obtenção do fogo (com o qual eles cozinhavam seus alimentos e se defendiam) e para a confecção de armas (de defesa e caça) e parte das plantas servia de alimento a este ser ávido por sobreviver.

O homem moderno manteve estes hábitos, aperfeiçoando-os. Assim foi que a madeira lhe serviu na confecção de barcos e navios, que possibilitou a realização das grandes viagens de navegação.

Progresso: meu bem, meu mal

Há uma diferença fundamental entre as atitudes do homem primitivo e do homem moderno em relação aos recursos naturais de que eles necessitam.

O homem primitivo tende a respeitar a natureza, encarando-a como uma entidade autônoma - que tem necessidades próprias e cuja existência deve ser, acima de tudo, preservada. Ao contrário, o homem moderno subjuga os recursos naturais às suas necessidades tecnológicas e econômicas. Isto pode parecer uma discussão estéril, mas convém pensarmos um pouco a respeito dela. Você pode argumentar que o atraso do homem primitivo é que o faz respeitar (por medo e ignorância) a natureza. E, ainda, que se o homem não tivesse dominado a natureza, estaríamos vivendo até hoje em condições precárias. Esta discussão, acredita-se, passa ao largo deste maniqueísmo.

Pausa para explicação: maniqueísmo é um sistema de raciocínio que encara um problema somente por dois pontos de vista, o seu lado bom e o seu lado ruim, tratados de maneira estanque. Ou uma coisa é totalmente boa, ou ela é totalmente ruim. Portanto, vamos deixar de lado os argumentos maniqueístas e vamos pensar que é possível ao homem aprender a adequar a conveniência de suas necessidades ao compromisso maior com a natureza, cujos recursos são tão caros à vida do planeta.

Homem: predador civilizado

Um dos exemplos mais brutais de exploração predatória da natureza ocorreu com a extração do pau-brasil. A cobiça mercantilesca de portugueses e de outros europeus se estendeu durante 375 anos por sobre a mata atlântica, um produto potencial que demorou milhões de anos para se constituir. É, sem dúvida, um dos casos mais flagrantes, no mundo, da quase extinção de uma espécie vegetal pela economia destruidora do homem.

Na base de tal violência estava o conceito (infelizmente, ainda hoje praticado em larga escala) de que a natureza funcionava como fonte de recursos ilimitados.

Este comportamento se alastrou pelos sistemas sócioeconômicos posteriores, o que propiciou a devastação de, praticamente, 90% da mata atlântica e a quase extinção do pau-brasil. Da floresta original resta, hoje, cerca de 10%, pulverizada em matas dispersas, geralmente em propriedades particulares. A ilusão da existência permanente de novas áreas de exploração criou atitudes, visões de mundo e táticas de exploração econômica em que tudo era tirado, destruído e abandonado à própria sorte sem reposição alguma.

Satisfazendo principalmente a vaidade da civilização européia, ao lançar no mercado os tecidos de cor púrpura, símbolo de dignidade e nobreza dos povos orientais, os exploradores europeus ignoravam que cada árvore derrubada havia percorrido aproximadamente 100 anos de existência até atingir a condição de corte. De forma brutal e incontrolada, eles abateram centenas de milhares de árvores distribuídas ao longo da costa, desde o Rio Grande do Norte até o Rio de Janeiro. As mais cobiçadas eram as de Alagoas e de Pernambuco, devido a sua coloração intensa e mais duradoura. A história conta sobre a Nau “Bretoa” que, em apenas uma viagem, transportou, em 1511, 150 toneladas do lenho, e sobre a exploração contínua do Cabo São Roque até Cabo Frio, retirando madeira na ordem de 300 toneladas por ano.

O mesmo destino do pau-brasil tiveram também outras espécies, como os cajueiros do litoral e outras árvores frutíferas, extraídas sem o necessário replantio.

A quantas anda nosso sistema ecológico?

Outras espécies hoje em dia são as irmãs trágicas do pau-brasil, em sua trajetória de violência e infortúnio.

A vegetação dos mangues, que é indispensável para a reprodução da fauna marítima (moluscos, ostras, mariscos, caranguejos e peixes), tem sido destruída sistematicamente e esta situação tende a se agravar com outro fator igualmente nocivo: a poluição.

A floresta amazônica vive dias de agressão e ameaça. Nossos rios viraram esgotos a céu aberto, oferecendo poluição às comunidades que deles se avizinham. As matas ciliares (que crescem às margens dos rios) e as matas que cercam lagos, açudes e represas também estão sendo devastadas, o que certamente contribuirá em muito para o ressecamento de diversas vias fluviais.

Viva a diferença!

Um dos males que mais põem em risco a convivência harmônica entre os diversos povos e comunidades do planeta é certamente o etnocentrismo. Etno o quê?

Etnocentrismo é a atitude do indivíduo em valorizar somente as coisas ligadas à raça a qual ele pertence, ou seja, à sua etnia, desprezando os valores e a visão do mundo de povos que agem diferentemente do seu.

O etnocentrismo tem levado a confrontos sangrentos árabes e judeus, brancos e indígenas, e tantas outros grupos étnicos conflitantes. Como muito bem declarou o Papa João XXIII, “a integração é a harmonia dos desiguais”, portanto, caso o homem queira mesmo viver em um mundo globalizado, ele vai precisar urgentemente aprender a conviver com o “outro” em sua infinita “diferença”.

O etnocentrismo sempre fez com que o branco tratasse o indígena de maneira inferior, relegando-o à condição de selvagem, em todos os aspectos. Ora, inicialmente, selvagem só quer dizer aquele que vive nas selvas. Mas por extensão, o branco deu à palavra um caráter de autoritária depreciação que acabou por contaminar outros sinônimos do termo. Basta lembrarmos que, para nós, um evento mal sucedido tornou-se “um programa de índio”.

Uma lição selvagem

Dizem os brancos que os indígenas são ingênuos e ignorantes, dando muita importância ao pensamento mágico e mítico que rege as culturas primitivas. No entanto, podemos parar um pouco e pensar que o pensamento racionalista, científico, do homem branco, tem nos ajudado a evoluir e a progredir em todos os terrenos da atuação humana, mas, no entanto, ele com certeza, não pode garantir nossa sobrevivência como espécie. A mesma razão “branca” que descobre a cura das doenças e calcula a idade do universo, também produz a bomba atômica e devasta o meio-ambiente. Sendo assim, seria muito bom que o homem pudesse voltar-se, de vez em quando, às lições de povos que pensam e agem de maneira radicalmente diferente da sua.

Uma das lições mais brilhantes de um habitante da floresta foi recolhida pelo francês Jean de Léry, no século XVI, de um velho índio tupinambá.

O índio e seus companheiros intrigavam-se com a intensa divisão do trabalho existente entre os colonizadores, não entendendo como as coisas que usavam não eram produzidas por eles próprios. Para um índio, cada um fabrica as coisas que usa e, de modo geral, todos fazem de tudo. Outra divergência estava na finalidade do trabalho. As sociedades indígenas recusavam o trabalho excessivo, não por incapacidade ou indolência, mas por considerá-lo inútil. Sem a ambição do branco em dedicar-se ao acúmulo de riquezas, eles limitavam-se a satisfazer suas necessidades pessoais, vivendo felizes desta maneira. O índio, trabalhava para viver, o branco parecia viver para trabalhar. Por isso, os índios não entendiam por que o colonizador vinha de tão longe para tirar tanta madeira da floresta.

“- Os nossos tupinambás muito se admiram de os franceses e outros estrangeiros se darem ao trabalho de ir buscar o seu arabutã. Por quê vindes vós outros, maíres e perôs (franceses e portugueses), buscar lenha de tão longe para vos aquecer? Não tendes madeira em vossa terra? Seria pra levá-la a algum deus?

Respondi que tínhamos muita, mas não daquela qualidade, e que não a queimávamos, como ele o supunha, mas dela extraímos tinta para tingir, tal qual o faziam eles com os seus cordões de algodão e suas plumas.

Retrucou o velho imediatamente:

- E porventura precisais de muito?

- Sim - respondi-lhe - pois no nosso país existem negociantes que possuem mais panos, tesouras, espelhos e outras mercadorias do que podeis imaginar e um só deles compra todo o pau-brasil com que muitos navios voltam carregados.

- Ah! - retrucou o selvagem - tu me contas maravilhas - acrescentando depois de bem compreender o que eu lhe dissera - Mas esse homem tão rico de que me falas não morre?

- Sim - disse eu - morre como os outros.

Mas os selvagens são grandes discursadores e costumam ir em qualquer assunto até o fim, por isso perguntou-me de novo:

- E quando morrem para quem fica o que deixam?

- Para seus filhos, se os têm - respondi - na falta destes, para os irmãos ou parentes mais próximos.

- Na verdade - continuou o velho, que, como vereis, não era nenhum tolo - agora vejo que vós outros maíres sois grandes loucos, pois atravessam o mar e sofreis grandes incômodos, como dizeis quando aqui chegais, e trabalhais tanto para amontoar riquezas para vossos filhos ou para aqueles que vos sobrevivem!

Não será a terra que vos nutriu suficiente para alimentá-los também? Temos pais, mães e filhos a quem amamos; mas estamos certos de que depois de nossa morte a terra que nos nutriu também os nutrirá, por isso descansamos sem maiores cuidados.”

Fatos que se repetem

O brilhante raciocínio tecido pelo velho índio tupinambá no tópico acima demonstra como, às vezes, somos preconceituosos com as raças ou etnias diferentes das nossas, achando simplesmente que elas não têm o mesmo nível de civilidade que nós. Mas para deixar ainda mais clara a idéia de que os indígenas também refletem, filosofam e deliberam sobre assuntos de grave importância para a humanidade, vamos recorrer a outro testemunho precioso.

O ano é 1854 e o país agora são os Estados Unidos. O presidente americano fez a uma tribo indígena a proposta de comprar grande parte de suas terras, oferecendo, em contrapartida, a concessão de uma outra “reserva”. O texto da resposta do chefe Seatte, distribuído pela ONU (Programa para o Meio Ambiente) tem sido considerado, através dos tempos, como um dos mais belos, profundos e poéticos pronunciamentos já feitos a respeito da defesa do meio ambiente.

“Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa idéia nos parece estranha. Se não possuirmos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los?

Cada pedaço desta terra é sagrado para o meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência de meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho.

Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta bela terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela faz parte de nós.

As flores perfumadas são nossas irmãs: o cervo, o cavalo, a grande águia, são nossos irmãos. Os picos radiosos, os sulcos úmidos das campinas, o calor do potro, e o homem - todos pertencem à mesma família.

Portanto, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, pede muito de nós. O Grande Chefe diz que nos reservará um lugar onde possamos viver satisfeitos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, nós vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. Mas isso não será fácil. Essa terra é sagrada para nós.

Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhe vendemos a terra, vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada, e devem ensinar às suas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala dos acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz de meus ancestrais.

Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar-se de ensinar a seus filhos que os rios são nosso irmãos, e seus também. E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão.

Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção de terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo de que necessita. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e túmulos de seus antepassados e não se incomoda.

Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa. A sepultura de seu pai e o direito de seus filhos são esquecidos. Trata sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que possam ser compradas, saqueadas, vendidas como carneiros ou enfeites coloridos. Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto.

Eu não sei, nossos costumes são diferentes dos seus. A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreenda.

Não há lugar quieto nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou o bater das asas de um inseto. Mas, talvez, seja porque eu sou um selvagem e não compreendo. O ruído parece somente insultar os ouvidos. E o que resta da vida se o homem não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa, à noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio vento, limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros.

O ar é preciso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro - o animal, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro.

Parece que o homem branco não sente o ar que respira. Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao mau cheiro. Mas se vendermos nossa terra ao homem branco, ele deve lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda a vida que mantém. O vento que deu a nosso avô seu primeiro inspirar também recebe seu último suspiro. Se lhe vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la intacta e sagrada, como um lugar onde até mesmo o homem branco possa ir saborear o vento açucarado pelas flores dos prados.

Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra.

Se decidirmos aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos.

Sou um selvagem e não compreendo qualquer outra forma de agir. Vi um milhar de búfalos apodrecendo na planície, abandonados pelo homem branco que os alvejou de um trem ao passar. Eu sou um selvagem e não compreendo como é que o fumegante cavalo de ferro pode ser mais importante que o búfalo, que sacrificamos somente para permanecer vivos.

O que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontece com o homem. Há uma ligação em tudo.

Vocês devem ensinar às suas crianças que o solo a seus pés é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem às suas crianças o que ensinamos às nossas, que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos.

Isto sabemos: a terra não pertence ao homem: o homem pertence à terra.

Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo.

O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra.

O homem não tramou o tecido da vida: ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo. Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para amigo, não pode estar isento do destino comum. É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos.

De uma coisa estamos certos - e o homem branco poderá vir a descobrir um dia: nosso Deus é o mesmo Deus.

Vocês podem pensar que O possuem, como desejam possuir nossa terra: mas não é possível. Ele é o Deus do homem, e Sua compaixão é igual para o homem vermelho e para o homem branco. A terra lhe é preciosa, e feri-la é desprezar seu criador. Os brancos também passarão; talvez mais cedo que todas as outras tribos. Contaminem suas camas, e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos.

Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho. Esse é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os recantos secretos da floresta densa impregnados do cheiro de muitos homens, e a visão dos morros obstruída por fios que falam. Onde está o arvoredo? Desapareceu. Onde está a águia? Desapareceu. É o final da vida e o início da sobrevivência. (Tradução de Irina O. Bunning)

4. PAU BRASIL: MIL E UMA UTILIDADES?

Talvez um dos maiores vícios da espécie humana seja querer atribuir uma função essencialmente prática a tudo o que a rodeia. De todos os elementos, o homem precisa extrair uma utilidade imediata, mecânica. Com a natureza, não é diferente. Seria tão bom se, em alguns casos, o homem abandonasse um pouco esta postura, deixando plantas, rios, animais etc., vivendo em sua “semiose natural”.

Semiose natural é o estado em que a natureza vive em sua função primordial: de existência pura e simplesmente.

Tal estado é interrompido pelo homem quando ele resolve interferir no curso natural das coisas.

Por exemplo: um rio está lá “na dele”, brotando de uma nascente, percorrendo matas, alimentando diversas espécies, abrigando outras tantas, tudo “numa boa”, sem sequer saber que é chamado de “rio”.

Então vem o homem, este “pioneiro”, e resolve interferir na vida do rio: suja suas águas, rouba-lhe seus habitantes, altera seu curso até. Pronto! Mais uma inocência natural perdida!

Evoluir sempre, destruir jamais!

Convém sempre lembrarmos que a postura de quem defende a natureza não implica assumir uma posição retrógrada, ultrapassada, para a qual todo progresso é um mal em si. Se assim fosse, os ecologistas estariam defendendo a idéia de que o homem jamais deveria ter saído do estágio mais primitivo de seu desenvolvimento. Ora, ninguém é louco para compartilhar desta idéia! O que ecologistas e pessoas de bom senso de maneira geral estão sempre defendendo é que evolução não precisa combinar com destruição. A economia deve viver em harmonia com a ecologia. É o que se chama de “manejo sustentado”. Pense nisso!

Da madeira ao corante

Ao lado de sua função natural - fazer parte de determinado sistema ecológico - para o homem, o pau-brasil passou a ser alvo de outras utilidades, desta vez, de caráter cultural. Inicialmente, todos sabemos que o pau-brasil foi utilizado na fabricação de um corante denominado “brasilina”, outrora muito usado para tingir tecidos e fabricar tinta de escrever. A madeira do pau-brasil é dura e muito pesada (1 a 1,1 gramas por centímetro cúbico). O alburno (parte do caule) é claro e o cerne vermelho-laranja vivo, com acentuado brilho dourado quando porém cortado, escurecendo com o tempo, para castanho escuro avermelhado. Esse cerne é que contém a “brasilina” que, em contato com a água levemente oleada, se transforma em vermelho vivo, sendo comumente usada nas tinturarias até a descoberta dos produtos químicos . Mas você sabe exatamente como extrair desta madeira a famosa tinta avermelhada?

Fonte: www.ibflorestas.org.br

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