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Paulo Freire

Aos dezenove dias do mês de setembro de um mil novecentos e vinte e um, na cidade de Recife, teve início o ciclo vital que viria re-significar as palavras, as quais na ambiência educacional se transformam, fundamentalmente, em simbologia escrita. Neste dia iluminado nasceu Paulo Reglus Neves Freire, ou simplesmente Paulo Freire, homem que dedicaria toda sua vida a uma educação dialogada, nutrida de amor, humildade e esperança, na qual a humanização é ponto central da mais verdadeira liberdade - e não de uma liberdade falseada em prol de sistemas dominadores.

Foi, na casa onde nasceu, à sombra da mangueira do quintal que aprendeu, com a ajuda dos pais, a dar sentido oral ao que inicialmente parecia um amontoado de traços denominados letras. Da intimidade com as árvores à intimidade com o universo pedagógico viveu um tempo que o fez conhecer a sensação da fome e as conseqüências da miséria – a crise econômica mundial de 1929 fez-se realidade no nordeste brasileiro. Ainda jovem reconheceu a dimensão política da educação, cujo processo apaixonado desencadeou múltiplos frutos teórico-práticos de valor incomensurável. Em 1944, aos 23 anos de idade, outra paixão se consolidou: Freire se casou com a professora Elza Maria Costa de Oliveira. União de amor intenso, compartilhado com vigor mesmo nos momentos de dificuldade extrema. Tiveram cinco filhos e juntos construíram uma história ímpar.

Separaram-se no dia 24 de outubro de 1986, com a morte de Elza. Foram mais de quarenta anos de um conviver harmonioso e solidário, um “namoro eterno” em profundidade. Após a partida da esposa, escreveu cartas a ela direcionadas e nunca quis torná-las públicas.

Fez-se conhecido ao se aprofundar na temática da alfabetização. Mas o que significava, para Paulo, alfabetizar? Na verdade, desde o início, ele reconheceu a necessidade de redefinir o conceito de alfabetização, a partir de princípios diferenciados para desencadear numa aprendizagem reflexiva, crítica, contextualizada. Na proposta freiriana, palavras e temas geradores surgem em proximidade com o cotidiano, com a realidade sócio-político-cultural, conduzindo a uma conscientização produtiva - capaz de compreender as relações que a envolve – e então, transformá-las. Neste contexto, princípios humanizados regem a práxis do educador e do educando, não apenas para ler e escrever, mas também para se lê e no que se escreve em liberdade de pensamento - a consciência do que se conhece, assim como do que é valor para o opressor na relação com o oprimido, o que ele necessita para manter-se ou não na posição de dominador. Paulo via na “investigação”, “tematização” e “problematização” etapas necessárias a uma alfabetização que tem por finalidade, além do ato de ler e escrever, constituir-se em formação de consciência crítica. Obteve êxito nas suas primeiras experiências na região nordeste do Brasil e, como conseqüência, foi convidado, pelo governo do então presidente João Goulart, para coordenar o Plano Nacional de Alfabetização. Oportunidade única de conduzir os marginalizados da sociedade a uma posição de dignidade.

Oportunidade única de transformar o quadro educacional brasileiro, tendo por fundamento o caráter qualitativo e não o quantitativo que desvirtua a realidade e a todos entristece ao preencher as tabelas estatísticas oficiais. Infelizmente, o golpe militar de 1964 interrompeu o processo que instalaria 20 mil “círculos de cultura” que atenderia dois milhões de “alfabetizandos”. Tinha início uma fase perversa da história brasileira, na qual forças ditatoriais ganharam posições de destaque no cenário político nacional.

Paulo Freire foi preso em junho de 1964, por ser um brasileiro politizado, por ter consciência das estratégias utilizadas por quem massacra, por ver no amor a arma maior para a revolução, por ser um homem que comunica com a diferença, por acreditar na educação como fonte de libertação - enfim, por crer na mudança e a favor dela agir incansavelmente. Foram setenta dias de angústia e sofrimento. A partir daí o exílio: Bolívia, Chile, Estados Unidos, Suíça, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Austrália, ..., o mundo. Professor da Universidade Católica de Santiago, Consultor especial da UNESCO, Professor convidado do Centro de Estudos de Desenvolvimento em Harvard, Consultor do Conselho Mundial das Igrejas, Conselheiro Educacional dos governos do 3º mundo, Presidente do Comitê Executivo do Instituto de Ação Cultural, Organizador dos programas nacionais de alfabetização de Guiné Bissau e São Tomé e Príncipe. Estas são algumas das funções exercidas ao redor do mundo por esse educador que, ao mesmo tempo que se entregava às atividades funcionais que lhe cabia, produzia obras escritas que ganhariam reconhecimento mundial e delas fariam uma luz cujos feixes eram sustentáveis o suficiente para, por meio da valorização cultural, criar sociedades mais justas.

O diálogo, no cerne das suas perspectivas pedagógicas de Freire, constrói uma teoria dialógica constituída por colaboração, união, organização e síntese cultural. Contrapõe-se, assim, ao anti-diálogo que se funda nos respectivos opostos: necessidade da conquista, divisão para dominação, manipulação e invasão cultural - é contrário às concepções educacionais que posicionam o educando num patamar inferior. A “pedagogia do oprimido” busca estabelecer o encontro entre a consciência dominada, que nela hospeda o dominador, e a liderança revolucionária para constituir-se em teoria favorável à ação do oprimido. Em suas próprias palavras:

...o povo, por sua vez, enquanto esmagado e oprimido, introjetando o opressor, não pode, sozinho, constituir a teoria de sua ação libertadora. Somente no encontro com a liderança revolucionária, na comunhão de ambos, na práxis de ambos, é que esta teoria se faz e se refaz.

Em 1979, como cidadão do mundo, pôde pisar novamente no solo brasileiro. Mas somente em março de 1980, ao desembarcar no aeroporto de Viracopos, Campinas, após mais de quinze anos de exílio, retornou definitivamente à pátria que muito perdera com a sua ausência – um dentre os vários malefícios causados por um insensato preconceito ideológico. Segundo Freire, o longo tempo que passara fora do país exigia edificar uma maior intimidade com a sua atualidade. Era preciso “...reaprender o Brasil”. Logo em seguida ao retorno foi contratado pela Universidade de Campinas, apesar das dificuldades impostas pelo reitor. Talvez este não tenha considerado que a Paulo Freire já havia sido designado o título de Doutor Honoris Causa por quatro expressivas instituições: Open University de Londres, Universidade de Louvain (Bélgica), Universidade de Michigan (Estados Unidos) e Universidade de Genebra (Suíça) – mais tarde este número chegaria a vinte e sete.

Filiou-se ao Partido dos Trabalhadores e durante seis anos trabalhou como diretor da Fundação Wilson Pinheiro, onde mais uma vez, esteve envolvido com alfabetização de adultos. Em 1986, recebeu o prêmio UNESCO da Educação para Paz reafirmando não acreditar em qualquer mecanismo educacional que esconda o mundo das injustiças, desde que a perversão social é o empecilho primeiro para se alcançar a paz. Foi reintegrado, como professor, à Universidade Federal de Pernambuco e, no fim da década de 80, assumiu o cargo de Secretário de Educação no Município de São Paulo. Dentre as várias outras atividades com as quais se envolveu, posteriormente ao exílio, encontram-se os trabalhos teóricos que a cada publicação tornavam a sua obra mais rica e fundamentada. A busca da transformação consciente, a paixão pelo ensino, brotada na juventude, permaneceu ao seu lado, servindo-lhe de guia, durante toda a caminhada que constitui a sua história.

Em 1987, casou-se com Ana Maria Hasche, que se tornou Ana Maria de Araújo Freire, posicionando, assim, o recomeço não só como uma possibilidade contínua, como uma oportunidade de todos perceberem que a felicidade é viável quando preconceitos não se estabelecem no ser que a deseja.

Paulo Reglus Neves Freire faleceu no dia dois de maio de 1997, pouco tempo após ter lançado o seu último livro: “Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários à Prática Educativa”. Fez da produção um ato contínuo. Doou ao mundo uma história de vida que a todos ensina. Doou à Educação um conjunto de trabalhos em harmonia com as realidades sócio-políticas. Mostrou à academia que ela própria é culturalmente situada. Vida e obra transcenderam os padrões globalizados a favor da coerência e da justiça. Por isso, serão eternamente lembrados. Mais do que isso: servirão de parâmetro para quem vê “A Educação como Prática da Liberdade”.

Daniel Orey, José Pedro Machado Ribeiro e Rogério Ferreira

Fonte: www2.fe.usp.br

Paulo Freire

Nasceu em Recife em 1921 e faleceu em 1997. É considerado um dos grandes pedagogos da atualidade e respeitado mundialmente. Em uma pesquisa no Altavista encontramos um número maior de textos escritos em outras línguas sobre ele, do que em nossa própria língua.

Embora suas idéias e práticas tenham sido objeto das mais diversas críticas, é inegável a sua grande contribuição em favor da educação popular.

Publicou várias obras que foram traduzidas e comentadas em vários países.

Suas primeiras experiências educacionais foram realizadas em 1962 em Angicos, no Rio Grande do Norte, onde 300 trabalhadores rurais se alfabetizaram em 45 dias.

Participou ativamente do MCP (Movimento de Cultura Popular) do Recife.
Suas atividades são interrompidas com o golpe militar de 1964, que determinou sua prisão. Exila-se por 14 anos no Chile e posteriormente vive como cidadão do mundo. Com sua participação, o Chile, recebe uma distinção da UNESCO, por ser um dos países que mais contribuíram à época, para a superação do analfabetismo.

Em 1970, junto a outros brasileiros exilados, em Genebra, Suíça, cria o IDAC (Instituto de Ação Cultural), que assessora diversos movimentos populares, em vários locais do mundo. Retornando do exílio, Paulo Freire continua com suas atividades de escritor e debatedor, assume cargos em universidades e ocupa, ainda, o cargo de Secretario Municipal de Educação da Prefeitura de São Paulo, na gestão da Prefeita Luisa Erundina, do PT.
Algumas de suas principais obras: Educação como Prática de Liberdade, Pedagogia do Oprimido, Cartas à Guiné Bissau, Vivendo e Aprendendo, A importância do ato de ler.

Pedagogia do Oprimido

Para Paulo Freire, vivemos em uma sociedade dividida em classes, sendo que os privilégios de uns, impedem que a maioria, usufrua dos bens produzidos e, coloca como um desses bens produzidos e necessários para concretizar o vocação humana de ser mais, a educação, da qual é excluída grande parte da população do Terceiro Mundo. Refere-se então a dois tipos de pedagogia: a pedagogia dos dominantes, onde a educação existe como prática da dominação, e a pedagogia do oprimido, que precisa ser realizada, na qual a educação surgiria como prática da liberdade.

O movimento para a liberdade, deve surgir e partir dos próprios oprimidos, e a pedagogia decorrente será " aquela que tem que ser forjada com ele e não para ele, enquanto homens ou povos, na luta incessante de recuperação de sua humanidade". Vê-se que não é suficiente que o oprimido tenha consciência crítica da opressão, mas, que se disponha a transformar essa realidade; trata-se de um trabalho de conscientização e politização.

A pedagogia do dominante é fundamentada em uma concepção bancária de educação, (predomina o discurso e a prática, na qual, quem é o sujeito da educação é o educador, sendo os educandos, como vasilhas a serem enchidas; o educador deposita "comunicados" que estes, recebem, memorizam e repetem), da qual deriva uma prática totalmente verbalista, dirigida para a transmissão e avaliação de conhecimentos abstratos, numa relação vertical, o saber é dado, fornecido de cima para baixo, e autoritária, pois manda quem sabe.

Dessa maneira, o educando em sua passividade, torna-se um objeto para receber paternalisticamente a doação do saber do educador, sujeito único de todo o processo. Esse tipo de educação pressupõe um mundo harmonioso, no qual não há contradições, daí a conservação da ingenuidade do oprimido, que como tal se acostuma e acomoda no mundo conhecido (o mundo da opressão)- -e eis aí, a educação exercida como uma prática da dominação.

Ensinar exige estética e ética Paulo Freire

Paulo Freire
Paulo Freire

A necessária promoção da ingenuidade à criticidade não pode ou não deve ser feita à distância de uma rigorosa formação ética ao lado sempre da estética. Decência e boniteza de mãos dadas. Cada vez me convenço mais de que, desperta com relação à possibilidade de enveredar-se no descaminho do puritanismo, a prática educativa tem de ser, em si, um testemunho rigoroso de decência e de pureza. Uma crítica permanente aos desvios fáceis com que somos tentados, às vezes ou quase sempre, a deixar as dificuldades que os caminhos verdadeiros podem nos colocar.

Mulheres e homens, seres histórico-sociais, nos tornamos capazes de comparar, de valorar, de intervir, de escolher, de decidir, de romper, por tudo isso, nos fizemos seres éticos. Só somos porque estamos sendo. Estar sendo é a condição, entre nós, para ser. Não é possível pensar os seres humanos longe, sequer, da ética, quanto mais fora dela. Estar longe ou pior, fora da ética, entre nós, mulheres e homens, é uma transgressão. É por isso que transformar a experiência educativa em puro treinamento técnico é amesquinhar o que há de fundamentalmente humano no exercício educativo: o seu caráter formador. Se se respeita a natureza do ser humano, o ensino dos conteúdos não pode dar-se alheio à formação moral do educando. Educar é substantivamente formar.

Divinizar ou diabolizar a tecnologia ou a ciência é uma forma altamente negativa e perigosa de pensar errado. De testemunhar aos alunos, às vezes com ares de quem possui a verdade, um rotundo desacerto. Pensar certo, pelo contrário, demanda profundidade e não superficialidade na compreensão e na interpretação dos fatos . Supõe a disponibilidade à revisão dos achados, reconhece não apenas a possibilidade de mudar de opção, de apreciação, mas o direito de fazê-lo. Mas como não há pensar certo à margem de princípios éticos, se mudar é uma possibilidade e um direito, cabe a quem muda - exige o pensar certo - que assuma a mudança operada. Do ponto de vista do pensar certo não é possível mudar e fazer de conta que não mudou. É que todo pensar certo é radicalmente coerente.

Fonte: www.centrorefeducacional.com.br

Paulo Freire

Paulo Freire
Paulo Freire

Educador brasileiro

19/9/1921, Recife (PE)
02/05/1997, São Paulo (SP)

Por seu empenho em ensinar os mais pobres, Paulo Freire tornou-se uma inspiração para gerações de professores, especialmente na América Latina e na África. Pelo mesmo motivo, sofreu a perseguição do regime militar no Brasil (1964-1985), sendo preso e forçado ao exílio.

O educador apresentou uma síntese inovadora das mais importantes correntes do pensamento filosófico de sua época, como o existencialismo cristão, a fenomenologia, a dialética hegeliana e o materialismo histórico. Essa visão foi aliada ao talento como escritor que o ajudou a conquistar um amplo público de pedagogos, cientistas sociais, teólogos e militantes políticos.

A partir de suas primeiras experiências no Rio Grande do Norte, em 1963, quando ensinou 300 adultos a ler e a escrever em 45 dias, Paulo Freire desenvolveu um método inovador de alfabetização, adotado primeiramente em Pernambuco. Seu projeto educacional estava vinculado ao nacionalismo desenvolvimentista do governo João Goulart.

A carreira no Brasil foi interrompida pelo golpe militar de 31 de março de 1964. Acusado de subversão, ele passou 72 dias na prisão e, em seguida, partiu para o exílio. No Chile, trabalhou por cinco anos no Instituto Chileno para a Reforma Agrária (ICIRA). Nesse período, escreveu o seu principal livro: Pedagogia do Oprimido (1968).

Em 1969, lecionou na Universidade de Harvard (Estados Unidos), e, na década de 1970, foi consultor do Conselho Mundial das Igrejas (CMI), em Genebra (Suíça). Nesse período, deu consultoria educacional a governos de países pobres, a maioria no continente africano, que viviam na época um processo de independência.

No final de 1971, Freire fez sua primeira visita a Zâmbia e Tanzânia. Em seguida, passou a ter uma participação mais significativa na educação de Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe. E também influenciou as experiências de Angola e Moçambique.

Em 1980, depois de 16 anos de exílio, retornou ao Brasil, onde escreveu dois livros tidos como fundamentais em sua obra: Pedagogia da Esperança (1992) e À Sombra desta Mangueira (1995). Lecionou na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Em 1989, foi secretário de Educação no Município de São Paulo, sob a prefeitura de Luíza Erundina.

Freire teve cinco filhos com a professora primária Elza Maia Costa Oliveira. Após a morte de sua primeira mulher, casou-se com uma ex-aluna, Ana Maria Araújo Freire. Com ela viveu até morrer, vítima de infarto, em São Paulo.

Doutor Honoris Causa por 27 universidades, Freire recebeu prêmios como: Educação para a Paz (das Nações Unidas, 1986) e Educador dos Continentes (da Organização dos Estados Americanos, 1992).

Fonte: educacao.uol.com.br

Paulo Freire

Paulo Freire, O educador libertário

Quando se fala em educação no Brasil, a lembrança de um nome é quase obrigatória: o de Paulo Reglus Neves Freire. Nascido em Recife, no estado de Pernambuco, em 1921, ele dedicou sua vida à educação popular e tornou-se uma das mais prestigiadas figuras da pegagogia em todo o mundo.

Paulo Freire foi alfabetizado pela própria mãe, de maneira incomum, como ele mesmo descreveu no livro “A importância do ato de ler”, publicado em 1982: “Fui alfabetizado no chão do quintal de minha casa, à sombra das mangueiras, com palavras do meu mundo, não do mundo maior dos meus pais. O chão foi o meu quadro-negro; gravetos, o meu giz”. Mais tarde, ele arremataria: “Veja como isso me marcou, anos depois. Já homem, eu proponho isso! Ao nível da alfabetização de adultos, por exemplo.”

O trabalho de Freire foi voltado tanto para o ensino quanto para a formação de uma consciência crítica. Ele desenvolveu um plano de alfabetização para adultos, implantado em Pernambuco nos anos 60, que serviu de base para a concepção de método de alfabetização popular que ainda hoje, nove anos após sua morte, é adotado por uma série de educadores e reconhecido internacionalmente.

Durante o regime militar, Paulo Freire foi preso, acusado de atividades subversivas, e viu-se obrigado a deixar o país. Seu exílio durou de 1964 a 1980, tendo vivido na Bolívia, no Chile, nos Estados Unidos e na Suíça. Ainda no exílio, em 1971, ajudou a fundar o Instituto de Ação Cultural (Idac). Beneficiado pela anistia aos presos políticos retornou ao Brasil e decidiu se filiar, pela primeira vez, a um partido político: o Partido dos Trabalhadores . Em 1988, assumiu a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, durante o governo de Luíza Erundina.

O educador ainda lançou a semente para a criação, em 1991, também em São Paulo, do Instituto Paulo Freire, que seria um espaço para reunir pessoas e instituições de todo o mundo que compartilhassem do mesmo ideal de educação como prática libertadora, para troca de experiências que pudessem resultar num mundo socialmente mais justo e solidário.

Paulo Freire morreu de infarto, em 1997, aos 75 anos.

Fausto Rêgo

Fonte: www.educacionenvalores.org

Paulo Freire

Paulo Freire
Educador pernambucano (1921-1997).
É internacionalmente conhecido por seu método
para alfabetização de adultos

Paulo Régis Neves Freire (19/9/1921-2/5/1997) nasce no Recife e é alfabetizado pela mãe, Edeltrudes Neves Freire, que o ensina a escrever as primeiras palavras com gravetos no quintal de casa.

Ao 10 anos, muda-se para a cidade de Jaboatão, onde passa a adolescência e começa a se interessar pelo estudo da língua portuguesa.

Aos 22 anos ingressa na Faculdade de Direito do Recife, uma vez que, em Pernambuco, não havia curso superior para a formação de educadores.

Enquanto cursa a faculdade, casa-se com a professora primária Elza Maia Costa Oliveira – com quem tem cinco filhos – e trabalha como professor no Colégio Oswaldo Cruz, na capital pernambucana.

Em 1947 é contratado como diretor do setor de educação e cultura do Sesi e, pela primeira vez, entra em contato com a educação de adultos.

Permanece no Sesi até 1954; ao sair ocupava o cargo de superintendente do órgão.

Em 1958 participa de um congresso de educação no Rio de Janeiro, em que apresenta um trabalho cujos princípios vão nortear sua atividade como educador.

Ele defende que a alfabetização dos adultos não deve ser somente o aprendizado de letras, palavras e frases e sim fundamentar-se no dia-a-dia dos educandos.

Para ele, a alfabetização deve levar o adulto a conhecer os problemas que enfrenta e o estimular a participar da vida social e política de seu meio.

Durante o governo do presidente João Goulart, Paulo Freire é convidado a coordenar o Programa Nacional de Alfabetização, lançado em janeiro de 1964.

Em abril do mesmo ano, após o golpe militar, seu método é considerado subversivo.

Obrigado a se exilar, vai para o Chile e depois para a Suíça.

Em 1969 lança o livro Pedagogia do Oprimido, sua obra mais conhecida, na qual trata de seu método de alfabetização.

Com a anistia política, volta ao Brasil em 1979.

Após a morte da mulher, em 1986, se casa dois anos mais tarde com sua aluna-orientanda Ana Maria Araújo Freire, de quem era amigo de infância.

Em 1989 é nomeado secretário municipal da Educação de São Paulo na administração de Luiza Erundina (PT).

Depois de deixar o cargo, assessora projetos culturais na América Latina e África.

Morre em São Paulo de infarto.

Referências bibliográficas

Almanaque Abril.Quem é quem na história do Brasil.São Paulo, Abril Multimídia, 2000.(bibliografia completa)

Fonte: www.meusestudos.com

Paulo Freire

Paulo Reglus Neves Freire nasceu no dia 19 de setembro de 1921 em Recife, nonordeste do Brasil, e faleceu em 2 de maio de 1997 em São Paulo.Como estudioso, ativista social e trabalhador cultural, Freire desenvolveu, mais doque uma prática de alfabetização, uma pedagogia crítico liberadora.

Em suaproposta, o ato de conhecimento tem como pressuposto fundamental a cultura doeducando; não para cristalizá-la, mas como ”ponto de partida” para que ele avancena leitura do mundo, compreendendo-se como sujeito da história. É através darelação dialógica que se consolida a educação como prática da liberdade.Em sua primeira experiência, em 1963, Freire ensinou 300 adultos a ler e escreverem 45 dias.

Esse método foi adotado em Pernambuco, um estado produtor de cana-de-açúcar. O trabalho de Freire com os pobres e, internacionalmente aclamado, teveinício no final da década de 40 e continuou de forma ininterrupta até 1964.Os 16 anos de exílio foram períodos tumultuados e produtivos: uma estadia de cincoanos no Chile como consultor da UNESCO no Instituto de Capacitação eInvestigação em Reforma Agrária; uma nomeação, em 1969, para trabalhar noCentro para Estudos de Desenvolvimento e Mudança Social da Universidade deHarvard; uma mudança para Genebra, na Suíça, em 1970, para trabalhar comoconsultor do Escritório de Educação do Conselho Mundial de Igrejas, ondedesenvolveu programas de alfabetização para a Tanzânia e Guiné Bissau, que seconcentravam na reafricanização de seus países; o desenvolvimento de programasde alfabetização em algumas ex-colônias portuguesas pós-revolucionárias comoAngola e Moçambique; ajuda ao governo do Peru e da Nicarágua em suascampanhas de alfabetização...Paulo Freire (1921-1997) representa um dos maiores e mais significanteseducadores do século XX.

Sua pedagogia mostra um novo caminho para a relaçãoentre educadores e educandos. Caminho este que, consolida uma proposta político-pedagógica elegendo educador e educando como sujeitos do processo deconstrução do conhecimento mediatizados pelo mundo, visando a transformaçãosocial e construção de uma sociedade justa, democrática e igualitária..Na América do Sul, Europa, África, América do Norte e Central, suas idéiasrevolucionaram o pensamento pedagógico universal, estimulando a prática educativa de movimentos e organizações de diversas naturezas. Três filosofiasmarcaram sucessivamente a obra de Paulo Freire: o existencialismo, afenomenologia e o marxismo sem, no entanto adotar uma posição ortodoxa. Seupensamento rompeu a relação cristalizadora de dominação, buscando pensar arealidade dentro do universo do educando, construindo a prática educacionalconsiderando a linguagem e a história da coletividade elementos essenciais dessaprática.

Em Paulo Freire vida, pensamento e obra se juntam. Pensa a realidade e a açãosobre ela, trabalhando teoricamente a partir dela. Segundo ele, as questões eproblemas principais de educação não são só questões pedagógicas, ao contrário,são políticas. Sua proposta, a pedagogia crítica, como práxis cultural contribui pararevelar a ideologia encoberta na consciência das pessoasSeu trabalho revela dedicação e coerência aliados a convicção de luta por umasociedade justa, voltada para o processo permanente de humanização entre aspessoas onde ninguém é excluído ou posto à margem da vida. Paulo Freire provouque é possível educar para responder aos desafios da sociedade, neste sentido aeducação deve ser um instrumento de transformação global do homem e dasociedade, tendo como essência a dialogicidadeO "Método Paulo Freire"Creio que é preciso, mesmo que numa biografia, fazer algumas considerações sobreo "Método Paulo Freire" uma vez que ele é ainda muito utilizado, com algumasadaptações, nos dias de hoje em todo o mundo, e quase sempre ao falar-se deFreire e alfabetização, a compreensão desta é reduzida a puro conjunto de técnicasligadas à aprendizagem da leitura e da escrita.

É preciso deixar este ponto maisclaro para, sobretudo, quem se inicia em Freire.O "convite" de Freire ao alfabetizando adulto é, inicialmente, para que ele se vejaenquanto homem ou mulher vivendo e produzindo em determinada sociedade.Convida o analfabeto a sair da apatia e do conformismo de "demitido da vida" emque quase sempre se encontra e desafia-o a compreender que ele próprio é tambémum fazedor de cultura, fazendo-o apreender o conceito antropológico de cultura. O"ser-menos" das camadas populares é trabalhado para não ser entendido comodesígnio divino ou sina, mas como determinação do contexto econômico-político-ideológico da sociedade em que vivem.Quando o homem e a mulher se percebem como fazedores de cultura, está vencido,ou quase vencido, o primeiro passo para sentirem a importância, a necessidade e apossibilidade de se apropriarem da leitura e da escrita. Estão alfabetizando-se,politicamente falando.Os participantes do "círculo de cultura", em diálogo sobre o objeto a ser conhecido esobre a representação da realidade a ser decodificada, respondem às questõesprovocadas pelo coordenador do grupo, aprofundando suas leituras do mundo. Odebate que surge daí possibilita uma re-leitura da realidade de que pode resultar oengajamento do alfabetizando em práticas políticas com vista à transformação dasociedade Quê? Por quê? Como? Para quê? Por quem? Para quem? Contra quê? Contraquem? A favor de quem? A favor de quê? - são perguntas que provocam osalfabetizandos em torno da substantividade das coisas, da razão de ser delas, desuas finalidades, do modo como se fazem, etc.As atividades de alfabetização exigem a pesquisa do que Freire chama "universovocabular mínimo" entre os alfabetizandos.

É trabalhando este universo que seescolhem as palavras que farão parte do programa. Estas palavras , mais ou menosdezessete, chamadas "palavras geradoras", devem ser palavras de grande riquezafonêmica e colocadas, necessariamente, em ordem crescente das menores para asmaiores dificuldades fonéticas, lidas dentro do contexto mais amplo da vida dosalfabetizandos e da linguagem local, que por isso mesmo é também nacional.A decodificação da palavra escrita, que vem em seguida à decodificação da situaçãoexistencial codificada, compreende alguns passos que devem, rigorosamente sesuceder.Tomemos a palavra TIJOLO, usada como a primeira palavra em Brasília, nos anos60, escolhida por ser uma cidade em construção, para facilitar o entendimento do(a)leitor (a).

1º.) Apresenta-se a palavra geradora "tijolo" inserida na representação de umasituação concreta: homens trabalhando numa construção

2º.) Escreve-se simplesmente a palavraTIJOLO

3º.) Escreve-se a mesma palavra com as sílabas separadas:TI - JO - LO

4º.) Apresenta-se a "família fonêmica" da primeira sílaba:TA - TE - TI - TO - TU

5º.) Apresenta-se a "família fonêmica" da segunda sílaba:JA - JE - JI - JO - JU

6º.) Apresenta-se a "família fonêmica" da terceira sílaba :LA - LE - LI - LO - LU

7º.) Apresentam-se as "famílias fonêmicas" da palavra que está sendo decodificada:TA - TE - TI - TO - TUJA - JE - JI - JO - JULA - LE - LI - LO - LU

Este conjunto das "famílias fonêmicas" da palavra geradora foi denominado de "fichade descoberta" pois ele propicia ao alfabetizando juntar os "pedaços", isto é, fazerdessas sílabas novas combinações fonêmicas que necessariamente devem formarpalavras da língua portuguesa.

Fonte: www.abec.ch

Paulo Freire

1921 – Nasce no Recife-PE-Brasil Paulo Reglus Neves Freire / Paulo Reglus Neves Freire is born in Recife, Brasil

1927 – Paulo Freire , já alfabetizado pelos pais, inicia seus estudos na escolinha particular da professora Eunice Vasconcelos / Paulo Freire , taught by his parents, begins his studies in the private school of Professora Eunice Vasconcelos

1929 – Quebra da Bolsa de Nova York – a crise afeta drasticamente o mercado brasileiro / Stock Market Crash in New York – the crisis drastically affects the Brazilian market

1931 – A família Freire muda para Jaboatão-PE, a 18 quilômetros distante de Recife / The Freire family moves to Jaboatão, 18 km from Recife

1934 – Paulo Freire perde seu pai, com quem tinha muita afetividade e amor / Paulo Freire looses his father, for whom he had great affection and love

1937 – Paulo Freire ingressa no Colégio Oswaldo Cruz (COC) no Recife para cursar, tardiamente, o 2o ano secundário / Paulo Freire entered the Colégio Oswaldo Cruz (COC) in Recife. He started to study secondary school late in his life

1943 – Inicia o curso de Direito na Faculdade de Direito do Recife (hoje anexada à Universidade Federal do Pernambuco – UFPE) / Began studying at the Law College of Recife (today part of the Federal University of Pernambuco – UFPE)

1944 – Paulo Freire casa-se com a professora primária Elsa Maria Costa Oliveira – com quem viveria uma intensa paixão cheia de dedicação / Paulo Freire marries elementary teacher Elsa Maria Costa Oliveira – with whom he shared an intense passion full of dedication

1944 – De aluno, Paulo Freire , passa a professor de Língua Portuguesa do colégio Oswaldo Cruz / Graduating, Paulo Freire , passes to professor of the Portuguese language of the Colégio Oswaldo Cruz

1944 – Os Pracinhas da FEB são enviados ao combate na 2a Grande Guerra, na Itália. Paulo Freire foi dispensado por estar exercendo docência / The Brazilian military forces are sent to combat the 2a World War, in Italy. Paulo Freire was exempted because he was teaching

1947 – Realização do I Congresso Nacional de Educação de Adultos / The 1st National Congress for Adult Education

1947/1954 – Trabalhou como diretor do Setor de Educação e Cultura do serviço Social da Industria (SESI). Foi nesse período que ele aprendeu a dialogar com a classe trabalhadora . Por meio da prática tornou-se um educador / Worked as director for the Education and Culture Sector of the Industial Social Service (SESI). It was during this period that he learned to dialogue with the working class; through practice he became an educator

1954/1957 – Exerceu o cargo de superintendente do SESI / He worked as the Superintendent of SESI

1956 – Nomeado membro do Conselho Consultivo de Educação do Recife / Named member of Board of Education of Recife

1958 – Apresentou no II Congresso Nacional de Educação de Adultos o relatório intitulado “A Educação de Adultos e as populações marginais: o problema dos mocambos” / Presented at the II National Adult Education Congress a report “The Education of Adults and the Marginal Populations: The Problem of the “shanties”

1959 – Paulo Freire escreveu “Educação e Atualidade Brasileira” tese que concorreu a cadeira de professor de História e Filosofia da Escola de Belas Artes do Recife / Paulo Freire wrote “Education and the Brazilian Actuality” thesis that earned him the chair of Professor of History and Philosophy of School of Arts and Letters of Recife

1961 – Paulo Freire assume o cargo de diretor da divisão de Cultura e Recreação do Departamento de Documentação e Cultura da Prefeitura Municipal do Recife / Paulo Freire became diretor of the division of Culture and Recreation of the Department of Documentation and Culture of the Municipal Government of Recife

1961 – Assumiu a cadeira de Professor Efetivo de Filosofia e História da Educação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade do Recife (hoje UFPE) / Became “Professor Efetivo” of History and Philosophy of School of Arts and Letters of Recife (today UFPE)

1961 – O presidente da República Jânio Quadros renuncia após quase oito meses de governo. Os militares resistem em entregar o poder ao vice presidente João Goulart / Jânio Quadros renounces the Presidency after almost eight months in office. The military resist awarding power to the Vice President João Goulart

1961/1962 – Paulo Freire desenvolve suas primeiras experiências de alfabetização de adultos nos municípios de Angicos (RN) e Mossoró (RN) – utilizando o sistema “Método Paulo Freire ” de alfabetização / Paulo Freire develops his first experiences in adult literacy in the municipalities of Angicos (RN) and Mossoró (RN) – using the system “Paulo Freire ’s Method of Literacy”

1962 – Em Angicos alfabetiza 300 trabalhadores rurais em 45 dias / At the end of 45 days 300 rural workers learned to read and write in Angicos because of his method

1963 – Paulo Freire desenvolve um trabalho de alfabetização de adultos no Gama-DF – utilizando o sistema “Método Paulo Freire ” de alfabetização / Paulo Freire developed an adult literacy project in Gama-DF – using the system “Paulo Freire ’s Method of Literacy”

1964 – Criado pelo presidente João Goulart o “Plano Nacional de Adultos”. Sua coordenação sob os cuidados de Paulo Freire , que tinha como objetivo alfabetizar, conscientizando e politizando, 5 milhões de adultos em dois anos / The National Plan for Adult Literacy was created by President João Goulart. It was first coordinated by Paulo Freire , and it had as an objective the teaching of reading and writing, consciousness, and politicalization, of 5 million adults in 2 years

1964 – Golpe de Estado no Brasil – Golpe Militar / Coup d'état in Brazil – Military Seige

1964 – Paulo Freire ficou preso (prisão política) por dois meses e meio / Paulo Freire was emprisioned (poltical prisioner) for 2½ months

1964 – Paulo Freire exila-se na Bolívia por poucos dias, onde durante a sua estada ocorre um golpe de estado neste país. Em seguida exila no Chile / Paulo Freire exiled to Bolivia for a few days, where during his time there was a coup d'état. After that he was exiled to Chile

1964/1969 – Trabalhou no Instituto de Capacitação e Investigação em Reforma Agrária (ICIRA) na reformulação do Plano de Educação e Massa do Chile. Professor da Universidade Católica de Santiago do Chile / He worked in the Instituto de Capacitação e Investigação em Reforma Agrária (ICIRA) to reform the Educational Plan for Chile. Professor of Universidade Católica de Santiago do Chile

1967 – Publica o livro “Educação como pratica da liberdade” / Published the book “Education as Liberatory Practice”

1969 – Convidado para trabalhar na Universidade de Harvard-EUA e pelo Conselho Mundial da Igrejas em Genebra-Suíça. Decide ir para Harvard onde permanece por dez meses / Invited to work in the Harvard and with the World Council of Churches in Geneva, Switzerland. Decided to go to Harvard where he stayed for ten months

1970 – Publica o livro “Pedagogia do Oprimido” / Published the book “Pedagogy of the Oppressed”

1970 – Paulo Freire muda para Genebra para trabalhar como consultor do Departamento de Educação do Conselho Mundial de Igrejas / Paulo Freire moved to Geneva to work as a consultant in the Department of Education of the World Council of Churches

1971 – Funda o Instituto de Ação Cultural (IDAC) / Founded the Institution of Cultural Action (IDAC)

1975/1977 – Paulo Freire e sua equipe do IDAC contribuiu para o desenvolvimento do Programa Nacional de Alfabetização da Guiné-Bissau / Paulo Freire and and the IDAC team contributed to the development of the National Program for Literacy in Guinea-Bissau

1975/1978 – Paulo Freire trabalhou em São Tomé e Príncipe como educador militante da causa da libertação dos oprimidos / Paulo Freire worked in São Tomé and Príncipe as militant educator for the cause of libertation of the oppressed

1979 – O presidente da república João Baptista Figueiredo sanciona a lei que concede anistia aos exilados políticos / President João Baptista Figueiredo enacts a law that concedes amnesty to political exiles

1980 – Depois de 16 anos de Paulo Freire volta do exílio – marcando nova etapa na sua vida: “reaprender o Brasil”, palavras dele / After 16 years Paulo Freire returns from exile marking a new stage in his life or, in his own words “to relearn Brazil”

1980 – Paulo Freire começa a trabalhar como docente na Pontifica Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) / Paulo Freire began work as a professor in the Pontifica Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)

1980/1990 – Professor da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) / Professor at Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)

1984 – Diretas Já – Movimento nacional em prol da redemocratização política do Brasil / Diretas Já – National movement towards the political redemocratization of Brasil

1986 – Falece Elsa Maria Costa Oliveira, a esposa de Paulo Freire que o acompanhou durante todo o seu exílio / The wife of Paulo Freire, Elsa Maria Costa Oliveira, passes away. She accompanied him during his exile

1986 – Recebe o prêmio “Educação para a Paz” da UNESCO em Paris-França / Received the prize “Education for Peace” from UNESCO in Paris, France

1988 – O segundo casamento de Paulo Freire , com Ana Maria Araújo Freire / The second marrige of Paulo Freire , to Ana Maria Araújo Freire

1989 – Primeira eleição direta para presidente do Brasil depois do Golpe de 64 / First direct election for President of Brazil after the coup d'état 1964

1989 – Paulo Freire assume a Secretaria de Educação do Município de São Paulo, no pleito da prefeita Luiza Erudina de Sousa do Partido dos Trabalhadores / Paulo Freire assumes the position of Secretary of Education for the City of São Paulo under the Mayor Luiza Erudina de Sousa of the Worker’s Party

1990/1993 – Paulo Freire, o então Secretário de Educação do Município de São Paulo, propõe e implementa o projeto MOVA-SP – Movimento de Alfabetização do Município de São Paulo / Paulo Freire, as the São Paulo Secretary of Education, proposed and implemented the Project “MOVA-SP” Literacy Moviment for the City of São Paulo

1992 – Publica o livro “Pedagogia da Esperança” – reencontra a pedagogia do oprimido / Published the book “Pedagogy of Hope” where he reencounters “Pedagogy of the Oppressed”

1996 – Publica o seu último livro “Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa” / Published his last book “The Pedagogy of Autonomy: Necessary Knowledge that Leads to Educational Practice”

1996 – Falece Paulo Freire . Dito seu: “ …ao fazer a docência o meio da minha vida, eu termino transformando a docência no fim de minha vida” / Paulo Freire passes away. As he said, “in making teaching my way of life, I finished transforming teaching at the end of my life”

Fonte: www.csus.edu

Paulo Freire

Paulo Reglus Neves Freire, o Paulo Freire
(1921 - 1997)

Educador e intelectual brasileiro nascido em Recife, PE, criador de um método de ensino que se baseava no estabelecimento de um campo centrado em idéias de interesse social e político, contrariando a idéia de educação para a domesticação e objetivando uma educação para a libertação, denominado método Paulo Freire de alfabetização.

Bacharel em direito, dirigiu o Serviço de Extensão Universitária da Universidade Federal de Pernambuco e participou da fundação de círculos populares de cultura por todo o Brasil.

Sua atividade como educador levou-o à criação do chamado movimento de educação de base (1961), sob o patrocínio do bispo D.

Hélder Câmara, levadas a cabo no Brasil (1950-1964), cujo objetivo era erradicação do analfabetismo.

Criador de um método revolucionário de alfabetização de adultos, utilizado no Brasil e em vários países, seu método descarta a memorização de palavras e as cartilhas já prontas, usando palavras habituais na vida social e emocional de cada indivíduo, partindo do princípio de que o domínio da leitura e da escrita são formas de conscientização e participação social.

Seu método foi implantado pela primeira vez em Angicos, RN (1963).

Durante o governo João Goulart, Freire assumiu a direção do Plano Nacional de Educação, porém quando se preparava para a fundação de novos círculos de cultura, com os quais pretendia desenvolver uma campanha de alfabetização em grande escala e em curto espaço de tempo, foi preso e exilado com o golpe militar (1964).

Foi primeiro para o Chile, onde participou de campanhas de alfabetização no país e logo se radicou em Genebra, na Suíça.

Com grande prestígio internacional foi nomeado (1968) consultor da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, a UNESCO, e trabalhou no México, na Guiné-Bissau e na Tanzânia.

Depois tornou-se consultor especial do setor de educação do Conselho Mundial de Igrejas (1970) e lecionou nas universidades de Harvard, nos Estados Unidos, e de Genebra, na Suíça.

Lançou Pedagogia do Oprimido (1970) e posteriormente trabalhou no Centro Internacional de Documentação (CIDOC), em Cuernavaca, no México, onde contou com a colaboração de outro famoso contestador do sistema educacional da época, Ivan Ilich.

Retornou ao país após a anistia (1978) e ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores, o PT, e voltou a morar no Recife (1980).

Foi secretário municipal da Educação de São Paulo (1989-1991), na gestão da prefeita Luiza Erundina, recebeu o título de doutor honoris causa em 28 universidades e morreu de parada cardíaca, em São Paulo.

Fonte: www.dec.ufcg.edu.br

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