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Pedro Álvares Cabral

O Homem   

Pedro Álvares Cabral viveu em Santarém depois de ter recusado a capitania da armada que, em 1502, partiu para a Índia. Depois disso, não voltou a prestar qualquer serviço a D. Manuel. Nem a carta de Afonso de Albuquerque, de 1514, levou o rei a conceder-lhe nenhuma missão, apesar de se conhecer o seu valor e de continuar a ser paga a ele a elevada tença de 200.000 reais por ano.

O descobridor do Brasil viveu de forma discreta os seus últimos anos de vida com a sua esposa D. Isabel de Castro na sua casa situada junto da igreja da Graça, na qual terá falecido em 1520. Este é o ano mais provável de sua morte, baseando-se em duas cartas de D. Manuel, datadas de 3 de novembro de 1520. Nelas, declarava que, em atenção aos muitos serviços prestados pelo falecido Pedro Álvares Cabral, a partir "do primeiro dia de janeiro da era de quinhentos e vinte e um em diante" deveriam ser pagas tenças anuais à sua viúva D. Isabel de Castro, no montante de 30.000 reais, e ao seu filho mais novo António Cabral, no montante de 20.000 reais. O fato de tais tenças, que serviam de pensão, serem pagas apenas a partir de 1521, revela que o falecimento ocorreu em 1520.

Além do mencionado António Cabral, que morreu sem ter deixado descendência, o descobridor do Brasil deixou mais cinco descendentes, tendo sido o filho primogênito Fernão de Álvares Cabral, que foi um fidalgo da confiança de D. João III. A sua última ação importante de Fernão foi o comando da armada que foi para a Índia em 1553. Em 1554, na viagem de regresso a Portugal, a nau de que era capitão, a São Bento, naufragou na África do Sul, tendo ele vindo a morrer em 2 de junho desse mesmo ano, em Moçambique.

Pedro Álvares Cabral teve ainda quatro filhas. A mais velha foi D. Constança de Castro, que casou com Nuno Furtado de Mendonça, do qual não teve filhos. As outras três filhas chamaram-se D. Guiomar de Castro, D. Isabel e D. Leonor, tendo todas elas sido freiras.

O filho mais velho, Fernão de Álvares Cabral, casou com D. Margarida da Silva, de quem teve os seguintes filhos: Pedro Álvares Cabral, João Gomes Cabral, Rui Dias Cabral e D. Beatriz de Noronha.

Terra Natal

Pedro Álvares Cabral

Pelmonte orgulha-se de ser a terra natal do descobridor do maior país de colonização portuguesa.

A pequena e aconchegante vila de Belmonte, situada na Serra da Estrela, mantém viva a história dos Cabrais através de seus monumentos e lendas. O Castelo onde nasceu Cabral, o Panteão da família, a Igreja de São Tiago, a estátua do descobridor, são marcas que permitem a volta ao tempo e a reconstrução de uma história.

Também a arca tumular com as cinzas de Pedro Álvares Cabral, que foi uma oferta da cidade de Santarém a Belmonte, como terra natal do grande capitão e descobridor.

Na placa colocada no tumulo, lê-se:

"ENCERRA ESTE TÚMULO DUPLA URNA DE CHUMBO E MADEIRA
CONTENDO TERRAS E RESÍDUOS MORTUÁRIOS DE PEDRO ÁLVARES
CABRAL RETIRADOS DO TÚMULO DA IGREJA DA GRAÇA EM
SANTARÉM, EM 14-03-1903, NA SEGUNDA ABERTURA DO MESMO
TÚMULO E TRAZIDOS PARA BELMONTE EM 1961, POR DEFERÊNCIA DA
SOCIEDADE DE GEOGRAFIA DE LISBOA E O INTERESSE DA
CÂMARA MUNICIPAL DE BELMONTE.

BELMONTE, 24 DE SETEMBRO DE 1996"

Pedro Álvares Cabral

Exito ou fracasso?

Há razões de sobra para que se faça tal pergunta a respeito de Pedro Álvares Cabral. Comandante da maior esquadra até então composta para a conquista dos mares, encarregado de ampla e esperançosa missão de diplomacia e negócios, viu perder-se grande parte da sua frota, debateu-se com problemas de relações negociais com o principal centro de comércio conhecido na Índia, cometeu equívocos, regressou a Lisboa desencontrado do que restava dos seus comandados, não teve festas apesar de ter-lhe sido assegurada recompensa econômica, retirou-se a um exílio voluntário e no ostracismo morreu sem que se lembrassem dele. Aparentemente, fracasso.

Entretanto, ao longo da sua derrota colheu triunfos inexcedíveis. Apesar de todos os percalços no Índico, regressou a Portugal abarrotado de mercadorias e com a garantia de acordos comerciais novos e significativos. Tornou-se o primeiro navegador a tocar os quatro continentes numa só viagem marítima. E mais do que tudo: alcançou a terra nova, para achá-la por primeira vez ou simplesmente confirmar sua existência, e nela plantou o marco da fundação e do descobrimento, dando-lhe até mesmo o nome de batismo. E ainda que tão cedo não lhe fosse reconhecido o mérito dessa grandeza, plantou as sementes daquela que se viria a tornar num dos mais encantadores e promissores países que a humanidade tem conhecido. Não poderia haver êxito maior.

É o mesmo que se pergunta sobre esta revista on line, quando se publica a sua última edição: terá alcançado seus objetivos? Ou, mesmo ao falhar, terá conseguido ultrapassar algumas metas sonhadas e assegurar-se um êxito estrondoso?

A resposta afirmativa à segunda questão enche-nos de orgulho. Este site na Internet foi criado como apoio e sustentação de um amplo projeto, ao longo do qual sonhávamos poder reunir, por esforço geral e contribuição espontânea, algumas informações novas e inéditas sobre Pedro Álvares Cabral.

Entretanto, o alto nível de leitura e a farta correspondência que temos recebido demonstram que esta revista funcionou - plenamente e muito além do imaginado - como um instrumento de divulgação de conhecimentos mal divulgados e sobretudo como catalisador de interesses novos por um assunto que, além das festas dos 500 anos de Brasil, merecerá sempre ser objeto de investigação, discussão e cultivo. Não temos, por isso, nenhum problema em afirmar que alcançamos pleno êxito. A Revista Online Cabral, Viajante do Rei chega a sua última edição, mas permanecerá no ar, durante todo o ano de comemoração dos 500 anos do Brasil. Assim, o leitor poderá ter acesso a todas as edições e coletar um grande material de pesquisa reunido nestes últimos dois anos. Temos a certeza de que, na esteira da sua rota, gente nova terá descoberto os encantos da investigação histórica e a ela se dedicará, em diferentes níveis. E o Brasil, imenso país de maravilhas e de problemas, poderá ser assim permanentemente estudado e discutido, em seriedade, de forma a que cresça e se desenvolva sempre, amparado tanto pela paixão quanto pelo embasamento científico de tudo aquilo que sobre ele se pense, se diga e se descubra.

A Viagem

Pedro Álvares Cabral

Depois do momento de fascínio que constitui o descobrimento do Brasil entre 22 de abril e 2 de maio de 1500; dos contatos realizados com a África Oriental entre julho e início de agosto de 1500 e das relações estabelecidas com diferentes resultados nas cidades de Calecut, Cochim e Cananor, Pedro Álvares Cabral inicia sua volta em 16 de janeiro de 1501. Os seis navios carregados de especiarias chegaram à costa africana perto de Melinde na noite de 12 de fevereiro de 1501, tendo então naufragado a nau El-rei, de Sancho de Tovar. Os cinco navios restantes fizeram de seguida uma escala na ilha de Moçambique, de onde Cabral enviou a Sofala a caravela São Pedro, sob o comando de Sancho de Tovar.

Pedro Álvares Cabral

Os quatro navios restantes retomaram a sua viagem sofrendo os efeitos de uma tempestade próxima do cabo das Correntes (Moçambique), que fez com que um dos navios se afastasse dos outros três.

No dia 4 de abril de 1501, os três navios que iam com Pedro Álvares Cabral passaram o cabo da Boa Esperança e foram ancorar na baia do Beseguiche, junto do cabo Verde (no Senegal), onde foram reparados e reabastecidos. Foi aí que se depararam com três navios portugueses, dos quais o capitão-mor seria Gonçalo Coelho, os quais fizeram também ali uma escala antes de partirem para a realização do reconhecimento da costa do Brasil. Esse encontro foi assinalado pelo autor anônimo da relação da viagem e na carta de Américo Vespúcio datada de 4 de junho de 1501. Nesta é expressamente mencionado o encontro com dois dos navios da frota de Pedro Álvares Cabral, um dos quais era o do capitão-mor, que encontrou com Gaspar da Gama que lhe forneceu informações sobre o Oriente. Um terceiro navio que havia ido com Cabral já então teria partido para Lisboa.

Os navios da frota de Pedro Álvares Cabral que sobreviveram à longa viagem até a Índia foram chegando a Lisboa em datas diferentes e até hoje imprecisas.

O primeiro a aportar no rio Tejo foi o Nossa Senhora da Anunciada, na noite do dia 23 de junho de 1501.

Pedro Álvares Cabral chegou num dos últimos dias de julho, pouco antes do navio que se havia afastado da armada no cabo das Correntes e da caravela que havia ido a Sofala. Posteriormente chegou a nau comandada por Diogo Dias, que havia se perdido do resto da frota em 24 de maio de 1500 e percorrido toda a costa da África Oriental até à entrada do mar Vermelho.

A perda de seis dos treze navios que haviam partido de Lisboa foi muita pesada, mas ainda assim o carregamento de especiarias e outros produtos valiosos trazidos por aqueles que haviam sobrevivido foi tão valiosa que não apenas compensou as perdas sofridas mas permitiu ainda obter lucro.

A partir da viagem de Pedro Álvares Cabral, quer os muçulmanos, quer os venezianos, compreenderam que os portugueses não iriam desistir de um processo político e econômico que lhes iria garantir um lugar proeminente na economia mundial.

Casa de Cabral

Casa de Cabral
Casa de Cabral

Santarém surge como o lugar onde os sonhos de Pedro Álvares Cabral ficam em suspenso a meio caminho entre a Belmonte da infância e a Lisboa da realização política e pessoal plena. Depois da viagem ao Brasil e à Índia, Cabral fixa-se em Santarém à espera de um sinal do rei para uma nova tarefa ao serviço da coroa. Aos poucos aprende a caminhar e a passear a cavalo na Ribeira de Santarém, a ir à missa na Igreja da Graça ou a conversar com os aldeões. Lentamente deixava de ser um visitante.

Santarém era a segunda cidade do reino, Cabral já a conhecia bem e ia ficando, entrando e saindo pela Porta dos Becos, Porta de Santiago ou caminhando diante do convento de Santa Clara, indo a Marvila, ou até ao Jardim de Cima. Ele se encanta com a cidade que possuía tanta tradição, embora para muita gente ainda estivesse marcada com o luto real pelo episódio da perda do jovem Príncipe Afonso. A decisão de ali ficar, à espera de um chamado de Lisboa, ao mesmo tempo em que procurava construir outra parcela importante em sua vida, faz de Pedro Álvares Cabral um homem sensível e maduro para qualquer mudança.

A casa onde Cabral morou a partir de 1503, até o ano de sua morte, 1520, foi inaugurada pelos presidentes do Brasil e de Portugal - Fernando Henrique Cardoso e Jorge Sampaio - , no dia 09 de março de 2000, após um grande processo de restauração.

A Casa do Brasil/ Casa de Cabral, uma iniciativa da Fundação Banco do Brasil e da Odebrecht, responsáveis pelo Projeto Memória, junto com a Câmara Municipal de Santarém, é agora um amplo centro cultural que possui um auditório, biblioteca, sala de estudos e documentação.

Depois da cerimônia de abertura oficial da Casa do Brasil/Casa de Cabral, Sampaio e Fernando Henrique foram em direção à Igreja da Graça, onde os esperavam cerca de 130 figurantes caracterizados, dirigidos por quatro encenadores brasileiros de São Vicente, SP, que encenaram a chegada dos portugueses ao Brasil.

No interior da Igreja da Graça, onde se encontram os restos mortais de Cabral, os presidentes inauguraram a exposição "Cabral, o Viajante do Rei - As Origens do Brasil", simultaneamente foram inauguradas 30 exposições iguais, em todas as capitais brasileiras, exatamente às 12:00h, hora local, e às 09:00h, hora de Brasília. Transmitida ao vivo para o Brasil e Portugal, a exposição uniu os dois países em torno do início das comemorações pelos 500 anos do descobrimento do Brasil.

Novo Mundo

A fundação da feitoria permitiu o início do sistema regular de trocas entre ameríndios e portugueses, denominado escambo. Os indígenas abatiam as árvores, desbastavam-nas, descascavam-nas e transportavam as toras até a feitoria.

Em troca de pau-brasil e de papagaios, recebiam instrumentos metálicos (machados, facas, tesouras) e outros objetos (pentes, espelhos, manilhas etc). Não tardou a aparecer a concorrência normanda, iniciada após a viagem de Paulmier de Gonneville (1503-1505) que, com dois pilotos portugueses, tentou a alcançar o Oriente, mas, por erro de navegação, aterrou no sul do Brasil. Dali foi para o nordeste, onde carregou pau-brasil, retornando à França. A partir de então, a costa brasileira foi alvo dos interesses comerciais de armadores normandos e bretões.

O Livro da Nau Bretoa, documento referente ao navio que esteve fundeado ao largo da feitoria do Cabo Frio entre o início de junho e o final de julho de 1511, constitui excelente fonte para a compreensão das peculiaridades do escambo, especialmente do ritmo de carregamento de pau-brasil (5.008 toras) e de escravos (em número de 35), bem como de papagaios, sagüis (pequenos macacos) e gatos maracajás.

A intensificação da presença francesa no Brasil e a chegada dos espanhóis ao rio da Prata levaram D. Mauel a tomar, em 1516, diversas medidas, entre elas a de transferir a feitoria para Igaraçu ("canoa grande"), na costa pernambucana, e criar a armada de guarda-costas, cujo comando confiou a Cristóvão Jacques, com a finalidade de patrulhar o litoral. No mesmo ano, foi atacada a feitoria do Cabo Frio por caravela da flotilha Castelhana de João de Solis, que regressava do Prata.

Era uma Vez...

O REGRESSO À CASA

Pedro Álvares Cabral

No regresso, os homens da armada de Cabral tiveram uma agradável surpresa: encontraram a caravela comandada por Diogo Dias, que todos julgavam afundada no Cabo da Boa Esperança. Afinal estava intacta, havia treze sobreviventes de mil aventuras no Índico e tinham descoberto outra terra que ainda não figurava nos mapas, uma ilha batizada com o nome de São Lourenço e que mais tarde se chamou Madagascar.

Felizes por se reencontrarem, zarparam para Lisboa mas o vento, teimoso como sempre, dispersou os navios, impedindo que chegassem juntos conforme desejavam.

Pedro Álvares Cabral

Pedro Álvares Cabral entrou na barra do rio Tejo a 23 de julho de 1501. Tinha passado um ano e quatro meses em viagem, resistira a pavorosas tempestades, a investidas traiçoeiras, a doenças tropicais, a batalhas navais. Trazia os porões carregados de especiarias, sedas e outras preciosidades do Oriente. Trazia também informações animadoras sobre o futuro dos portugueses no Índico e os nomes de novos e poderosos aliados. Podia assim apresentar-se diante do rei D. Manuel I com a serenidade de quem cumpriu a sua missão. No entanto, ao passar a vista pelas margens verdejantes de onde lhe acenavam homens e mulheres ansiosos por notícias dos familiares embarcados, uma sombra de tristeza deve ter pesado sobre seu coração. Tantos companheiros desaparecidos... E tal como muitos outros antes dele e muitos outros depois dele, certamente se interrogou: "Valeu a pena?"

Provavelmente não encontrou logo as palavras certas para uma boa resposta. Em todo caso, certamente pensou que descobrir, conhecer, comunicar, tem o seu preço. E depois, por entre as muitas imagens que lhe cruzaram o espírito, fixou-se numa só: a imagem do mundo novo descoberto a ocidente, suave paragem a caminho da Índia, lugar semelhante às mais belas descrições do paraíso terrestre.

Se não fosse por mais nada, pela terra de Vera Cruz já teria valido a pena!

Pedro Álvares Cabral

Depois de cumprir a missão que o rei lhe confiara, Pedro Álvares Cabral não quis voltar a embarcar. Refletindo um pouco, logo se conclui que procedeu bem pois um êxito estrondoso dificilmente se repete. Ora, Cabral foi o primeiro navegador da História da Humanidade a ligar quatro continentes numa única viagem. Enfrentou os ânimos mais suaves e mais agressivos dos dois oceanos conhecidos na época. Fortaleceu laços de amizade e fez pactos de comércio com reis e rainhas do Oriente. E descobriu o Brasil. Tudo somado, chega e sobra para encher uma vida.

Este bem sucedido viajante do rei casou com Dona Isabel de Castro, senhora ilustre que descendia da família real portuguesa e da família real castelhana. O casal teve seis filhos, dois rapazes e quatro meninas, batizados com os nomes de Fernando, Antônio, Constança, Guiomar, Isabel e Leonor.

Instalado em Santarém, Pedro Álvares Cabral foi sempre recebendo notícias da linda terra que descobrira, afinal bem maior e mais rica do que se pensava. E recompensas do rei D. Manuel I, à medida que ele compreendia a verdadeira importância daquela descoberta.

Pedro Álvares Cabral

O navegador repousa ao lado da mulher numa sepultura na Igreja de Nossa Senhora da Graça, em Santarém. A sua face encontra-se esculpida em pedra na parede do mais belo monumento português, o Mosteiro dos Jerônimos. Aí se encontram também outros navegadores, mas olham em direções diferentes. Vasco da Gama e os companheiros Paulo da Gama e Nicolau Coelho estão virados para Oriente em memória da chegada à Índia. Pedro Álvares Cabral, de sorriso discreto e elegante barbicha, olha para o lado oposto, para Ocidente, para o Brasil.

Quinhentos anos após a sua viagem, continua a ser recordado com amor entre dez milhões de portugueses e cento e sessenta milhões de brasileiros.

Fonte: www.projetomemoria.art.br

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