
Pedro Álvares Cabral nasceu em Belmonte, à volta do ano 1467/68. Filho de Isabel de Gouveia (filha de João de Gouveia, alcaide-mor do Castelo Rodrigo) e de Fernão Cabral (alcaide-mor dos castelos de Belmonte e da Guarda). Teve berço abastado numa casa, onde lhe incendiaram decerto, não só o orgulho de fidalgo, mas tanto ou mais que isso: a contemplação dos feitos de seu pai e a lembrança dos seus antepassados.
Um grande exemplo de bravura e coragem fora, sem dúvida, o seu bisavô Luís Álvares Cabral que fora, segundo se crê, o primeiro membro da família investido na alcaidaria-mor de Belmonte. E que, em 1415, tivera uma activa participação na primeira campanha marroquina, a da conquista de Ceuta, como um dos combatentes incorporados no grupo chefiado pelo Infante D. Henrique.
Outro, fora o seu avô, Fernão Álvares Cabral que se contava que tendo também participado na expedição da Conquista de Ceuta, não pudera por doença combater, mas tendo permanecido nessa cidade marroquina nos seguintes anos, ajudara a defendê-la, quando dos cercos a ela postos pelos mouros em 1418. Mais tarde, em 1437, na fracassada tentativa de conquista de Tânger, perdera a vida em combate.
E finalmente o seu pai, Fernão Álvares, cuja participação nas conquistas marroquinas se apresentavam para o pequeno Pedro como romances de aventuras. Devido também ao rigor com que exercia as suas funções militares e judiciais de alcaide-mor de Belmonte e corregedor da comarca da Beira, foi cognominado de O Gigante da Beira.
Como era costume da época, à volta de 1478, Pedro Álvares Cabral foi mandado para a corte com a finalidade de receber uma educação própria da elevada classe social. Esta consistia em alguma instrução literária e científica de ordem geral, bem como no uso de armas e sociabilidade cortesã. Já ali o precedera o seu irmão mais velho, João Fernandes Cabral.
Segundo Damião Peres, da vida de Pedro Álvares Cabral, desde a sua chegada à corte até ao fim do século, nada de concreto se sabe além de que, jovem ainda, desposou D. Isabel de Castro, prima do Marquês de Vila Real e sobrinha daquele que viria a ser o maior governador de Índia, Afonso de Albuquerque.
Dos navios da frota de Vasco de Gama regressados a Portugal, o primeiro foi a nau Bérrio, que ancorou no Tejo a 10 de Julho de 1499. Logo se conheceu o sucesso da empresa descobridora do caminho marítimo para a Índia. Esta ideia foi confirmada algumas semanas depois, à vista das especiarias trazidas, embora em pouca quantidade, por outra nau da mesma frota, S. Gabriel, o que causou grande entusiasmo entre a população lisboeta.
Quando no limiar do Outono, Vasco da Gama regressou a Portugal (após ter passado pelos Açores para sepultar o seu irmão Paulo da Gama), contou ao rei as suas dificuldades em comerciar com os povos orientais, visto que, aos olhos duma civilização tão avançada, os nossos presentes de homenagem pareciam-lhes insignificantes.Assim, o rei concluiu que convinha aparecer nos mares da Índia com maior aparato de força e melhor brilho de ostentação humana. Pois, pensava ele, os moradores daquelas partes pensariam que o reino de Portugal era muito poderoso para prosseguir com aquela empresa e que, vendo gente luzida e com riqueza, quereriam a sua amizade.
Com esta intenção, e sob o estímulo do interesse e do entusiasmo geral, começou-se sem demora a organizar uma nova armada, esta agora, bem mais "poderosa em armas e em gente luzida", isto é, capaz de obter, por persuasão ou pela força, os resultados que, Vasco da Gama, com a escassez dos seus meios militares-navais, não conseguira alcançar. No comando supremo desta armada, composta por treze navios, foi investido Pedro Álvares Cabral através da carta Régia de 15 de Fevereiro de1500.
Sobre o que levou o monarca a fazer esta escolha (segundo Damião Peres) não há certezas, só hipóteses. Por um lado, o prestígio da sua ascendência e a influência de alguns parentes por afinidade, tais como, Afonso de Albuquerque e principalmente o Marquês de Vila Real. Finalmente, aqueles seus desconhecidos "feitos e merecimentos" a que aludira a carta régia de 1497 e a sua categoria de fidalgo da casa real.
Assim, um dos propósitos do rei estava concluído. Pois, Pedro Álvares Cabral, que com o comando geral acumulava a capitania do navio-chefe, juntamente com os demais capitães - Nicolau Coelho, Bartolomeu Dias, Diogo Dias, Sancho de Tovar, Simão de Miranda de Azevedo, Aires Gomes da Silva, Pedro de Ataíde, Vasco de Ataíde, Simão de Pina, Nuno Leitão da Cunha, Gaspar de Lemos e Luís Pires - de igualmente portentosa ascendência, constituíam um bom núcleo daquela "gente luzida" com que o monarca pretendia mostrar ao Oriente os melhores brilhos de Portugal.
Porém, a par deste aspecto, o outro, o de a armada ser "poderosa em armas", fora igualmente tratado, pois além de abundantemente provida de artilharia e demais armamento - tudo do melhor que se conseguiu arranjar -, a armada transportava 1500 homens, dos quais 1000 eram combatentes. Estes são bem esclarecedores quando comparados com os da frota de Vasco da Gama, cujos tripulantes, incluindo mareantes e combatentes, rondavam os 150 homens.
Outro aspecto importante era o de converter ao cristianismo "os mouros e as gentes idólatras daquelas partes" - como dizia o próprio rei. Para isso, este embarcou alguns sacerdotes para os serviços religiosos da armada e eventual fixação de um pequeno grupo de Franciscanos no Oriente.
Finalmente, os meios de navegação e a rota a seguir foram também cuidadosamente assentes, recorrendo-se, quanto a esta, a instruções régias cujas normas foram sugeridas por Vasco da Gama. Em cada navio ia um piloto e, pelo menos nos maiores, um sota-piloto. O único piloto conhecido actualmente é Pedro Escobar, a quem também chamavam Pero Escolar. O facto de Pero Escolar ter pilotado, entre outras, uma caravela de Diogo Cão, outra de Gonçalo de Sousa e também a Bérrio, da armada de Vasco da Gama , juntamente com alguns pormenores sobre a sua competência profissional, faziam dele um piloto exemplar. Assim, esta grandiosa armada, parecia estar disposta a cumprir a todo o custo, a sua missão no Oriente.
Concluídos todos os preparativos, o rei fixou a data da partida: 8 de Março de 1500, devendo pomposamente realizar-se o embarque na praia do Restelo que, nesse tempo, ficava perto da Ermida de Nossa Senhora de Belém.
Desde a madrugada que devem ter convergido para os extensos areais de Belém, com as suas famílias, os soldados e marinheiros que iam embarcar. Aqui e além, brotavam algumas lágrimas, talvez de medo da separação ou de terror dos mares desconhecidos. Era um Domingo, dia de preceitual assistência à missa, celebrada, nesse dia, na Ermida do Restelo. Acabada a cerimonia religiosa, e depois de beijar a mão ao monarca D. Manuel I, Pedro Álvares Cabral, com a bandeira portuguesa na mão, entrou com os demais capitães, para os batéis onde já os aguardavam os demais tripulantes. O cenário era fantástico. Todo o povo de Lisboa tumultuava perante um tão grandioso espectáculo, no Tejo vogavam os batéis repletos de gente e toda a esplendorosa armada. Animando tudo isto, ouvíam-se, em terra e no Tejo, os sons melodiosos de vários instrumentos musicais, tais como: trombetas, tambores, flautas e pandejos.
Porém, o único a faltar, foi o vento, levando a armada a um inesperado adiamento da largada. Mas não foi grande a enervante espera, pois logo no dia seguinte um vento favorável de norte ou nordeste, tornou possível a partida. Erguidas as velas, a armada rumou à barra iniciando-se uma viagem de sucessos inesperados.Por fim, ao anoitecer do dia 9 de Março de 1500, a grandiosa armada transpunha a barra do Tejo e cortava finalmente a águas do Atlântico.
A bordo da nau-capitânia viajava o famosa escrivão, antigo mestre da Balança da Casa da Moeda do Porto, Pero Vaz da Caminha que começava a escrever os primeiros incidentes da viagem e que, mais tarde, enviaria numa carta ao rei D. Manuel. Essa carta. Enviada do Brasil, é o documento principal que permite aos historiadores actuais saber o que se passou na primeira parte da viagem. As instruções náuticas, inspiradas, como já disse, por Vasco da Gama, diziam que a armada se devia dirigir à ilha de S. Nicolau, no arquipélago de Cabo Verde, em vez de se dirigir à ilha de Santiago pois esta contraía-se uma epidemia que era preciso evitar. Mas, se tivesse água necessária para quatro meses, não precisaria de aí fazer escala. Deveria então remar a sul, sem perda de tempo, enquanto o vento fosse favorável. A seguir deveria fazer a volta do largo a fim de atingir a latitude necessária para dobrar o cabo da Boa Esperança.
Iniciando essa marcha, a frota lançou-se " por este mar de longo", como escreveu Pêro Vaz de Caminha, aí permanecendo, virado a sudoeste, por quase um mês. Desfalcada pela perda da nau de Vasco de Ataíde que, tresmalhada, nunca mais fora vista, no mar ou em terra, tendo sido "engolida pelo mar", como dizia a tripulação.
Durante esses dias, nada de aliciante se passou, que despertasse a curiosidade de Pêro Vaz de Caminha, que se limitou a descrever as tarefas banais de bordo, abrindo uma excepção no dia 19 de Abril, visto que se tratava das celebrações da Páscoa. Porém, dois dias depois (dia 21 de Abril), começou a haver alvoroço entre a tripulação. Embora sabendo que viajavam longe da costa Africana, os marinheiros começaram a ver umas algas boiantes, que, segundo os mais experientes, indicavam que havia terra por perto. Nas primeiras horas do dia seguinte, dia 22 de Abril, o aparecimento de aves, veio confirmar as suspeitas. E finalmente, ao entardecer desse dia, começaram-se a distinguir, embora muito mal devido à névoa, os contornos de montanhas. E, à medida que a frota ia avançando foram-se distinguindo, segundo escreveu Caminha, " um grande monte, mui alto e redondo, e outras serras mais baixas, e terra chã, com muitos arvoredos; ao qual monte o capitão deu o nome de Monte Pascoal e à terra, Terra de Vera Cruz". Era a primeira visão daquilo que actualmente se chama Brasil.
Ao crepúsculo desse dia, embora ainda a umas seis léguas da costa, a frota ancorou. O entusiasmo duma descoberta tão inesperada , não permitia adiamentos. A falta de fontes históricas comprovadoras, não nos permite saber se este facto foi casual ou intencional. Conhece-se, é verdade, um regulamento minucioso sobre o que Pedro Álvares Cabral iria fazer durante o percurso, assim como as instruções de Vasco da Gama. Infelizmente, esses arquivos estavam tão incompletos quando chegaram aos nossos dias, que as informações àcerca deste problema, não vieram acrescentar muito ao que já se sabia. Até ao séc. XIX, pensava-se que a descoberta tinha sido meramente casual e, a certa altura, já era tal a fantasia que se diziam coisas, completamente contraditórias aos relatos de Pero Vaz de Caminha. Como por exemplo, nos livros estava escrito que a frota, ao passar pelas ilhas de Cabo Verde presenciara uma terrível tempestade que fizera desaparecer a nau de Vasco de Ataíde. Enquanto Pero Vaz de Caminha diz : " E Domingo, 22 do dito mês (Março), (...) houvemos vista das ilhas de Cabo Verde (...). Na noite seguinte, segunda-feira, se perdeu a nau de Vasco de Ataíde sem haver motivo vento forte ou contrário, para que tal acontecesse."
Porém, formada a lenda da tempestade e da casualidade do descobrimento, deveu-se a um brasileiro, em 1854, sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, a primeira hipótese da sua intencionalidade. De facto, não era necessário fazer um tão grande desvio para sudoeste se se queria apenas dobrar o Cabo da Boa Esperança. Desde então, esta tese tem tido tantos defensores como contraditores. Intencional ou não, este descobrimento foi o ponto de partida para três séculos de desenvolvimento das terras sul-americanas sob aspectos de fusão nacional, aproximação humana, valorização económica e criação espiritual, que iria formar, a grande e independente nação: o Brasil dos nossos dias. Na manhã seguinte, dia 23, Nicolau Coelho foi a terra e, embora deslumbrado com a originalidade das populações, estabeleceu os primeiros contactos com os povos indígenas daquelas terras.
No dia seguinte, toda a tripulação, desembarcou, umas 10 léguas a norte. Ficaram completamente deslumbrados com o clima, a paisagem, as plantas, os animais e sobretudo, as gentes " pardos e todos nus", como disse Pero Vaz de Caminha na carta que escreveu ao rei, a contar a descoberta.
Após uma semana no Brasil, a nau de Gaspar de Lemos, regressou a Lisboa, com a carta de Pero Vaz de Caminha. As outras, seguiram o seu destino para a Índia. Porém, a segunda parte da viagem, foi terrível. À passagem do Cabo da Boa Esperança, houve uma tão violenta tempestade que dissipou a armada afundando várias naus com as suas tripulações, incluindo, o grande descobridor daquele cabo, Bartolomeu Dias, o seu irmão, Diogo Dias (que foi ter a uma grande ilha, a actual Madagáscar) e muitos outros. As restantes chegaram à Índia e estabeleceram contactos com vários reinos locais: Cochim, Cananor e Coulão. Regressaram a Lisboa a 23 de Julho de 1501 carregadas de riquezas.
Fonte: web.educom.pt
Filho de Fernão Cabral e Isabel Gouveia, Pedro Álvares Cabral nasceu no castelo de Belmonte e pouco se sabe de sua vida até o final do século, além de que foi educado na Corte de D. João II. Em 1499, D. Manuel o nomeou capitão-mor da armada que faria a primeira expedição à Índia após o retorno de Vasco da Gama.
Com treze navios e cerca de 1.200 homens, a maior frota até então organizada em Portugal, Cabral partiu de Lisboa em 9 de março de 1500, com a missão de fundar uma feitoria na Índia. Dela participavam navegadores experientes, como Bartolomeu Dias e Nicolau Coelho.
Em 22 de abril, após 43 dias de viagem e tendo-se afastado da costa africana, a esquadra avistou o monte Pascoal no litoral sul da Bahia. No dia seguinte houve o contato inicial com os indígenas.
Em 24 de abril, a frota seguiu ao longo do litoral para o norte em busca de abrigo, fundeando na atual baía Cabrália, em Porto Seguro, onde permaneceu até 2 de maio. Em seguida, um dos navios retornou a Lisboa com as notícias da descoberta, enquanto o resto da frota seguia para Calicute, lá chegando em 13 de setembro, depois de escalas no litoral africano.
A feitoria ali instalada durou pouco: saqueada em 16 de dezembro, nela morreram 30 portugueses, entre os quais o escrivão Pero Vaz de Caminha. Depois de bombardear Calicute e apresar barcos árabes, Cabral seguiu para Cochim e Cananor, onde carregou as naus com especiarias e produtos locais e retornou à Europa. Chegou a Lisboa em 23 de junho de 1501.
Convidado para comandar nova expedição ao Oriente, desentendeu-se com o monarca e recusou a missão. Casou-se em 1503 com D. Isabel de Castro, sobrinha de Afonso de Albuquerque, deixando descendência. Em 1518, era cavaleiro do Conselho Real. Foi senhor de Belmonte e alcaide-mor de Azurara.
Fonte: www.netsaber.com.br
Pedro Álvares nascera em Belmonte, norte de Portugal, entre 1467 e 1468. Seu trisavô era Álvaro Gil Cabral, que não apenas teve importante participação na batalha de Aljubarrota, em 1385, como foi o heróico defensor do castelo de Belmonte – do qual se tornou alcaide-mor (ou governador), cargo vitalício e hereditário.
A família obteve também o direito de ter um brasão, no qual Álvaro Gil decidiu colocar a imagem de três cabras – animal "valente e leal" tão comum naquela "rude terra centeeira, nas abas da serra da Estrela". Pelos 200 anos seguintes, Belmonte seria um feudo da família Cabral.
O filho de Álvaro Gil e bisavô de Pedro Álvares era Luís Álvares Cabral, que lutou com o pai em Aljubarrota, foi escudeiro-fidalgo do rei D. João I e vedor (ou fiscal de finanças) da casa do Infante D. Henrique, ao lado do qual participou da tomada de Ceuta, em 1415. Também combatendo em Marrocos esteve Fernão Álvares, filho de Luís Álvares e avô do Cabral que descobriu o Brasil. Apesar de Ter adoecido de peste na galé de D. Henrique, Fernão Álvares recuperou-se a tempo e se tornou o primeiro europeu a "matar um mouro a cavalo nas terras de Ceuta".
Fernão Álvares teve dois filhos: Diogo e Fernão. Fernão Cabral, tido por "galanteador e troveiro, metedor d’alvoroços entre as moças", era um homem alto, de mais de 1,90m, apelidado de "Gigante da Beira". Fernão casou-se com D. Isabel Gouveia, mulher riquíssima. Com ela, teve sete filhos, o segundo dos quais chamou-se Pedro Álvares.
Por não ser filho primogênito, Pedro Álvares, embora criado na corte de D. João II, não tinha direito à herança de seu pai. Mas acabou não precisando dela: ao casar-se com D. Isabel de Castro – que era neta do reis D. Fernando de Portugal e D. Henrique de Castela e sobrinha de Afonso de Albuquerque, o maior dos conquistadores lusos do século XVI -, Cabral tornou-se mais rico que o pai, o avô e o bisavô jamais haviam sido.
Em 15 de fevereiro de 1500, o rei D. Manoel o nomeou capitão-mor da armada que em breve entraria nas amplitudes do Atlântico. Não são poucos os analistas que acham que tal honraria se deveu ao "casamento bom". É muito provável que Cabral, que era membro da Ordem de Cristo, jamais houvesse navegado.
Ao longo desses anos, o próprio Pedro Álvares caíra desgraça na corte, jamais voltando navegar ou a manter qualquer vínculo não só com o Brasil, mas com o próprio com império ultramarino que ajudara a criar.
Pouco mais de um mês após retornar a Lisboa, Cabral recebera do rei uma "tença" (ou pensão) anual de 30 mil reais, quase 14 vezes menos do que os 400 mil reais dados em 1498 a Vasco da Gama, a pensão também foi um prêmio por ter sido ele o primeiro a chegar à Índia por via marítima.
Logo em seguida à chegada de Cabral, D. Manoel começou a armar a chamada "Esquadra da Vingança", que seria enviada para desferir novo e violento ataque contra Calicute. O descobridor do Brasil foi escalado para fazer parte dela. Não se sabe exatamente o que houve, mas o fato é que, ao recusar-se a aceitar o cargo de subcomandante, Cabral se indispôs com o rei.
Os motivos podem Ter sido dois. O primeiro é que da esquadra faria parte uma frota comandada por um certo Vicente Sodré – e, como ela teria autonomia de movimentos do Índico, Cabral se indignou com o que julgou ser uma diminuição de seus poderes. O segundo motivo, mais provável, é que, baseado nos poderes conferidos por uma carta régia assinada em 2 de outubro de 1501, Vasco da Gama – nomeado Almirante das Índias – teria exigido que o comando da armada fosse exclusivamente seu.
O fato é que quando a "Esquadra da Vingança" deixou Lisboa na primavera de 1502, seu único chefe era Vasco da Gama. Ao mesmo tempo, Cabral partia para o aumento-exílio em Santarém. Embora documentos provem que o rei continuou lhe pagando a pensão anual, Cabral jamais foi perdoado. Seu nome desaparece por completo das crônicas oficiais e nada se sabe sobre as duas últimas décadas de sua vida, exceto que ele estava doente das febres que adquirira na Índia.
Pedro Álvares Cabral morreu na obscuridade, por volta de 1520, sem nunca ter retornado à corte – e virtualmente sem saber que revelara ao mundo um território que era quase um continente. Em 1521 morria também o rei D. Manoel I, o monarca que jamais se interessou pela terra descoberta por Cabral.
Fonte: www.coladaweb.com
Navegador português, nascido em Belmonte, por 1467-68, e a quem D. Manuel I confiou o comando da segunda armada que mandou à Índia.
Partiu Cabral de Lisboa em 9 de Março de 1500, e, como se tivesse desviado a sua rota para descobrir novas terras, não tardou a encontrar o Brasil, a 3 de Maio de 1500, no dia de Santa Cruz. Daí seguiu para a Índia.
No seu regresso, D. Manuel concedeu-lhe muitas honras, mas nunca mais utilizou os seus serviços.
Pedro Álvares Cabral morreu esquecido em Santarém, uns dizem em 1520, outros em 1526. Foi-lhe erigido um monumento no Rio de Janeiro e outro em Lisboa, na Avenida que tem o seu nome.
Com duas mãos - o Acto e o Destino -
Desvendámos. No mesmo gesto, ao céu
Uma ergue o facho trémulo e divino
E a outra afasta o véu.
Fosse a hora que haver ou a que havia
A mão que ao Ocidente o véu rasgou,
Foi alma a Ciência e corpo a Ousadia
Da mão que desvendou.
Fosse Acaso, ou Vontade, ou Temporal
A mão que ergueu o facho que luziu,
Foi Deus a alma e o corpo Portugal
Da mão que o conduziu.
Fernando Pessoa, Mensagem
Fonte: www.geocities.com
Pedro Álvares Cabral (Belmonte, 1467 ou 1468 — Santarém, 1520 ou 1526) foi um fidalgo e navegador português a quem geralmente se atribui o descobrimento do Brasil (22 de Abril de 1500).

Pedro Álvares Cabral
Acredita-se nascido em Belmonte, na Beira Baixa, Portugal. Foi o terceiro filho de Fernão Cabral, governador da Beira e alcaide-mor de Belmonte, e de Isabel de Gouveia de Queirós. Assim, seu nome original teria sido Pedro Álvares Gouveia, pois geralmente apenas o primogênito herdava o sobrenome paterno. Posteriormente, com a morte do irmão mais velho, teria passado a ser Pedro Álvares Cabral. A 15 de fevereiro de 1500 - quando recebeu de D. Manuel I (1495-1521) a carta de nomeação para capitão-mor da armada que partiria para a Índia - já usava o sobrenome paterno.
Páginas portuguesas dizem de sua nobreza, que remontaria a um terceiro avô, Álvaro Gil Cabral, alcaide-mor do Castelo da Guarda sob os reis D. Fernando (1367-1383) e D. João I (1385-1433), da dinastia de Avis. Teria recebido por mercê as alcaidarias dos castelos da Guarda e Belmonte, com transmissão à descendência. Eram terras fronteiras da Espanha, de pastorícia, origem dos símbolos das cabras passantes do escudo de armas da família Cabral.
Aos 11 anos de idade mudou-se para o Seixal (onde ainda hoje existe a Quinta do Cabral), estudando em Lisboa: literatura, história, ciência como, por exemplo, cosmografia, aptidões marinheiras, além de artes militares. Na corte de D. João II (1481-1495), onde entrou como moço fidalgo, aperfeiçoou-se em cosmografia e marinharia.
Com a subida ao trono de D. Manuel I (1495-1521) foi agraciado com o foro de fidalgo do Conselho do Rei, o hábito de cavaleiro da Ordem de Cristo e uma tença, pensão em dinheiro anual. Casou-se com D. Isabel de Castro, sobrinha de Afonso de Albuquerque, aumentando sua fortuna - pois a de seu pai devia dividir com os dez irmãos.
Em 1499, D. Manuel o nomeou capitão-mor da primeira armada que se dirigiria à Índia após o retorno de Vasco da Gama. Teria então cerca de 33 anos. Foi a mais bem equipada do século XV, integrada por dez naus e três caravelas, transportando de 1.200 a 1.500 homens, entre funcionários, soldados e religiosos. Deveria desempenhar funções diplomáticas e comerciais junto ao Samorim, reerguendo a imagem de Portugal, instalando um entreposto comercial ou feitoria e retornar com grande quantidade de mercadorias.
Integrada por navegadores experientes, como Bartolomeu Dias e Nicolau Coelho, a armada partiu de Lisboa a 9 de março de 1500. A 22 de abril, após 43 dias de viagem e tendo-se afastado da costa africana, avistou o Monte Pascoal no litoral sul da Bahia. No dia seguinte, houve o contato inicial com os nativos. A 24 de abril, seguiu ao longo do litoral para o norte em busca de abrigo, fundeando na atual baía de Santa Cruz Cabrália, nos arredores de Porto Seguro, onde permaneceu até 2 de maio, a chamada "Semana de Cabrália".
Cabral tomou posse, em nome da Coroa portuguesa, da nova terra, a qual denominou de Terra de Vera Cruz, e enviou uma das embarcações menores com as notícias, inclusive a famosa carta de Caminha, de volta ao reino. Retomou então a rota de Vasco da Gama rumo às Índias. Ao cruzar o cabo da Boa Esperança, quatro de seus navios se perderam, entre os quais, ironicamente, o de Bartolomeu Dias, navegador que o descobrira em 1488.
Chegaram a Calicute a 13 de setembro, depois de escalas no litoral africano. Cabral assinou o primeiro acordo comercial entre Portugal e um potentado na Índia. A feitoria foi instalada mas durou pouco: atacada pelos muçulmanos em 16 de dezembro, nela pereceram cerca de 30 portugueses, entre os quais o escrivão Pero Vaz de Caminha. Depois de bombardear Calicute e apresar barcos árabes, Cabral seguiu para Cochim e Cananor, onde carregou as naus com especiarias e produtos locais e retornou à Europa. Chegou em Lisboa a 23 de junho de 1501. Foi aclamado como herói, não obstante o facto de, das 13 embarcações, terem regressado apenas seis.

Monumento a Cabral em Belmonte
Convidado para comandar nova expedição ao Oriente, desentendeu-se com o monarca acerca do comando da expedição e recusou a missão, vindo a ser substituído por Vasco da Gama. Não recebeu mais nenhuma outra missão oficial até ao fim da vida. Faleceu esquecido e foi sepultado na Igreja da Graça cidade de Santarém, segundo alguns em 1520, e outros, em 1526.
Casou-se em 1503 com D. Isabel de Castro, sobrinha de Afonso de Albuquerque, deixando descendência. Em 1518, era cavaleiro do Conselho Real. Foi senhor de Belmonte e alcaide-mor de Azurara.
Cabral, lembrado pelos brasileiros como aquele que "descobriu" o Brasil, não recebeu do rei as mesmas honrarias outorgadas a Vasco da Gama. No Brasil, é o grande homenageado a cada dia 22 de abril.
Foram-lhe erguidos um monumento na cidade do Rio de Janeiro e outro em Lisboa, na avenida que tem o seu nome; de igual modo, sua terra natal o homenageou com uma estátua, bem como a cidade onde está sepultado, Santarém.
Fonte: pt.wikipedia.org