Divisão: Magnoliophyta (Angiospermae)
Classe: Magnoliopdida (Dicotiledonae)
Ordem: Guttiferales
Família: Caryocaraceae
Nome Científico: Caryocar brasiliense Camb.
Nomes Populares: Pequi (MG, SP); Piqui (MT); Piquiá-bravo;
Amêndoa-de-espinho, Grão-pequiá; Pequiá-pedra; Pequerim; Suari; Piquiá.
Ocorrência: Cerradão Distrófico e Mesotrófico, Cerrado Denso,
Cerrado, Cerrado Ralo e Mata Seca.
Distribuição: Bahia, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Maranhão,
Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Piauí, Rio de Janeiro,
São Paulo, Tocantins.
Em Minas Gerais, o fruto é encontrado em maiores quantidades na
região de Montes Claros, no norte do Estado (revista.fapemig.br/11/pequi).
No Estado de Goiás a espécie é protegida por lei (Código Florestal do Estado
de Goiás), mas vem sendo dizimada, principalmente, nas áreas de expansão agrícola.
O pequizeiro (Caryocar brasilliense Camb.) é uma árvore típica do cerrado
brasileiro e, com certeza, uma das com maior valor econômico na região, ou
seja, com um alto grau de aproveitamento, não só pelos seus frutos, mas pela
árvore, como um todo. O fruto é chamado de pequi que, em língua indígena da
região, significa casca espinhenta.
A família à qual pertence o pequizeiro tem dois gêneros e mais de uma dezena
de variedades, que podem ser encontradas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
A variedade mais comum no cerrado do Centro-Oeste pode chegar a 10m de altura
e, por esta razão, é uma das maiores árvores do cerrado brasileiro, que apresenta
uma vegetação predominantemente rasteira. Entretanto, é comum encontrarmos,
nessa região, pequizeiros de pouco mais de 1 m de altura.
Na região Norte, entretanto, podemos encontrar variedades muito maiores, com
árvores de mais de 20 m de altura e um diâmetro que pode chegar até 5 m (www.ruralnews.com.br/agricultura/frutas/pequi).
Segundo Almeida et al., (1998), a floração ocorre de agosto a novembro (chuvas)
com pico em setembro, mas ocasionalmente em outras épocas após as chuvas ou
roçados. A frutificação ocorre de novembro a fevereiro.
Em cerrados, normalmente roçados para facilitar a pastagem do gado, encontram-se
exemplares pequenos, com 1 metro de altura, carregados de flores em épocas
fora do tempo normal de floração, quando há veranicos, no período de janeiro
(www.radiobras.gov.br).
A planta possui porte arbório, podendo chegar a 10 m de altura e de 6 a 8
m de diâmetro de copa, com tronco tortuoso de casca áspera e rugosa de 30
40 cm de diâmetro. As folhas pilosas são formadas por 3 folíolos com
as bordas recortadas, longo-pecioladas e opostas (Figura 01).

FIGURA 01 Árvore, folhas e flores
A árvore é hermafrodita. Inflorescêcia racemo terminal curta com10
a 30 flores. As flores são grandes e amarelas. Oliveira (1998) apud Chaves
(2003), encontrou taxas de cruzamento que caracterizam a espécie como alógama.
Estudos realizados com marcadores izoenzimáticos e morfológicos têm mostrado
uma grande variabilidade genética dentro de sub-populações com valores bem
próximos de zero para a variabilidade genética entre sub-populações (Oliveira
et al., 1997; Oliveira, 1998; Trindade et al., 1998), o que é característico
de populações alógamas sem restrições ao fluxo gênico. É planta semidecídua,
cuja floração ocorre logo após a emissão de folhas novas. Apresenta redução
parcial da folhagem durante a estação seca (Ribeiro et al., 1981 apud Almeida
et al., 1998). Várias características identificam a polinização dessa espécie
com a síndrome de quiropterofilia, tais como: estames com abundante quantidade
de pólen pulverulento, volume médio de néctar produzido por flor (0,33 ml),
concentração de açúcar no néctar (13,6%), liberação de forte cheiro pela flor,
especialmente no período de antese, ao redor de 19 a 20 horas. Ocorre autopolinização,
podendo cerca da metade dos botões florais desenvolver-se para frutos (Barradas,
1972 apud Almeida el. Al., 1998).
Os frutos alcançam a maturidade entre três e quatro meses após a floração.
A dispersão dos frutos é realizada por dois vetores, um marsupial (Didelphis
albiventris) e um corvídeo (Cyanocorax cristatellus) (Gabriel, 1986 apud Almeida
et al., 1998). O fruto, do tamanho de uma pequena laranja, está maduro quando
sua casca, que permanece sempre da mesma cor verde-amarelada, amolece.
Partida a casca, encontram-se, em cada fruto, uma, duas, três ou quatro amêndoas
tenras envoltas por uma polpa amarela, branca ou rósea, o verdadeiro atrativo
da planta. A única contra-indicação são os espinhos finos, minúsculos e penetrantes
existentes bem no núcleo do caroço, sendo preciso muito cuidado ao mastigá-lo
para chupar a polpa. (Figura 02).

FIGURA 02 Fruto do Pequizeiro
A coleta de frutos implica a exportação de nutrientes,
e para cada tonelada de fruto fresco seguem 4,3 kg de potássio, 1,8 kg de
nitrogênio e 0,1 kg de fósforo (Miranda et al., 1987 apud Almeida et al.,
1998).
O peso médio do fruto foi de 120 g, sendo que a casca representa 82% do fruto,
o endocarpo 4,6%, a polpa 7% e a amêndoa cerca de 1% (Almeida & Silva,
1994 apud Almeida et al., 1998). O peso unitário dos frutos variou de 50 a
250 g, a casca de 20 a 117 g, a amêndoa de 2 a 4 g, com valor médio de 8,14
g de polpa (Miranda & Oliveira Filho, 1990 apud Almeida et al., 1998).
Segundo Franco (1982) apud Almeida et al., (1998), 100 g de polpa
de pequi contém:
|
Vitamina
A |
20.000
mg |
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Vitamina
C |
12 mg |
|
Tiamina |
30 mg |
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Riboflavina |
463 mg |
|
Niacina
|
387 mg |
Quanto aos sais minerais, a polpa do piqui (coletado no Mato Grosso)
apresentou Na (20,9 mg/g), Fe (15,57 mg/g), Mn (5,69 mg/g), Zn (5,32 mg/g),
Cu (4 mg/g), Mg (0,05 mg/g), P (0,06 mg/g) e K (0,18 mg/g), sendo que a amêndoa
apresentou Na (2,96 mg/g), Fe (26,82 mg/g), Mn (14,37 mg/g), Zn (53,63 mg/g)
e Cu (15,93 mg/g) (Hiane et al., 1992 apud Almeida et al., 1998). O valor
energético, em cada 100 g é de 89 calorias (www.ruralnews.com.br).
O pequi é considerado a carne do Cerrado. Além das proteínas,
poliglicerídeos e carboidratos necessários ao organismo, contém alto teor
de pró-vitamina A em sua polpa (revista.fapemig.br/11/pequi).
O pequizeiro é uma planta muito versátil, no que diz respeito às suas utilidades,
pois dela se aproveita praticamente tudo.
O pequi é muito apreciado nas regiões onde ocorre: o arroz, o frango e o feijão
cozidos com pequi são pratos fortes da culinária regional; o licor de pequi
tem fama nacional; e há, também, uma boa variedade de receitas de doces aromatizados
com seu sabor (www.bibvirt.futuro.ups.br). Como medicinal o óleo da polpa
tem efeito tonificante, sendo usado contra bronquites, gripes e resfriados
e no controle de tumores. É comum o óleo ser misturado ao mel de abelha ou
banha de capivara, em partes iguais, e a mistura resultante ser usada como
expectorante. O chá das folhas é tido como regulador do fluxo menstrual. Na
indústria cosmética, fabricam-se cremes para a pele tendo o piqui como componente.
O potencial forrageiro foi evidenciado quando fragmentos de folha foram encontrados
em fístula esofágica de bovino (Macedo et al., 1978 apud Almeida et al., 1998).
Os frutos também são ingeridos pelos bovinos, mas em função do endocarpo espinhoso,
podem ocorrer acidentes. As flores são importantes para alimentação de animais
silvestres como: paca, veado-campeiro e mateiro, e as árvores floridas são
utilizadas como pontos de espera da caça. Da casca e das folhas extraem-se
corantes amarelos de ótima qualidade, empregados pelos tecelões em tinturaria
caseira (Silva Filho, 1992 apud Almeida et al., 1998). A madeira é própria
para xilografia, construção civil e naval, construção de esteios de curral,
mourões e dormentes. Também é usada na fabricação de móveis, além de ser fonte
de carvão para siderurgias. A planta é melífera e ornamental.
Cada planta adulta poderá produzir, em média, até dois mil frutos por safra.
O preço do litro de caroços de pequi, com aproximadamente 17 unidades, tem
sido comercializado no varejo, em feiras livres e Ceasa-DF, ao preço que varia
entre R$1,50 a R$3,00. A frutificação ocorre normalmente aos cinco anos após
o plantio (Avidos e Ferreira, 2003).
Segundo Moura e Rolim (2003), a forma de obtenção desses frutos é o extrativismo
que envolvem catadores, principalmente de Pequi, que são famílias de baixa
renda e moradores de regiões carentes. Na tarefa de catar pequi é envolvida
toda a família, inclusive as crianças que, após o dia de trabalho vão para
as beiras de estradas oferecer o produto da catação aos transeuntes, ou vendem
a atravessadores que recolhem a produção da região e levam para comercialização
nos centros consumidores, como Goiânia ou Montes Claros em Minas Gerais. Os
valores pagos aos catadores são muito baixos, pouco auxiliando para a melhoria
de vida daquela população, uma vez que a produção é sazonal e na entressafra
essas pessoas têm que buscar outras atividades para garantir a sobrevivência.
A comercialização do fruto in natura é destinada ao consumo na
culinária típica. Ainda pode ser destinada a pequenos fabricantes de conservas
vegetais, que processam sem o conhecimento técnico necessário, colocando em
risco a saúde do consumidor e juntamente a isso a credibilidade do produto
a base de fruto do cerrado.
Outra forma que essas famílias utilizam para aumentar a renda com a catação
do Pequi é a extração do óleo, que é feita às vezes com o fruto que foi catado
e não vendido in natura. O processo utilizado para a extração é muito rudimentar
e com baixa produção, produtividade e qualidade. O óleo obtido é vendido nos
centros de comercialização, CEASA,e mercados municipais também a preços baixos,
além da venda a atravessadores que revendem o produto com nova embalagem e
a preços significativamente maiores. Há também um mercado para a indústria
cosmética que exige determinadas características para o óleo que, no processo
utilizado de extração não atende, e quando atende o extrativista não tem acesso
direto à empresa e sim ao atravessador.
Preocupada em preservar e possibilitar a exploração comercial do pequi, a
Embrapa está pesquisando seu cultivo em lavouras, utilizando técnica de irrigação
e fertilidade. Os trabalhos têm resultado em pomares precoces, de produção
dois anos após o plantio (www.embrapa.br).
Devido à sua origem no cerrado, o pequizeiro é melhor adaptado a regiões com
pouca chuva ou pouca irrigação. Sua produção é sempre maior em período mais
secos e, por esta razão, a variedade do cerrado também pode ser cultivada
em algumas regiões mais secas do Nordeste. No entanto, durante o período de
germinação, é necessário que façamos uma irrigação, caso não haja um volume
adequado de chuvas (www.ruralnews.com.br).
Sua produção não é estável. Em anos de muita chuva, produz pouco; ao contrário,
nos de seca a produção é maior. Tanto que nas regiões interioranas existe
um adágio popular muito conhecido: ano de pequi, ano de crise.
A chuva derruba as flores antes da fecundação, o que reduz a produção (www.radiobras.gov.br).
Os frutos de Pequi caem naturalmente quando estão maduros. Por isso, devem
ser apanhados preferencialmente no chão. Frutos coletados diretamente na planta
podem não apresentar sementes completamente desenvolvidas, reduzindo a taxa
de germinação (Silva et al., 2001).
A propagação da árvore do pequi é feita com os frutos maduros, usados como
semente logo que caem ao chão. A quebra da dormência, entre outras maneiras,
pode ser feita com a movimentação das sementes sem casca em um recipiente
durante 15 a 20 minutos, de modo a provocar pequenos choques, ou deixá-los
por 24 horas em uma solução de água com ácidos específicos (www.altiplano.com.br/Pequi7).
Na produção de mudas, a maior dificuldade está na demora para a germinação,
que só ocorre entre 120 e 360 dias após a semeadura. Para acelerar o processo,
submetem-se os caroços a um tratamento antes de semeá-los. A Embrapa recomenda
a imersão em uma solução com ácido giberélico, encontrado nas lojas de materiais
agrícolas com o nome de Progib.
A proporção da solução é de 1,5 litro de água para 1 grama de ácido giberélico.
Um envelope contém 10 gramas de produto, mas somente 1 grama do ácido (princípio
ativo). Os caroços de pequi, obtidos à partir de frutos maduros, são colocados
na solução após despolpados e secos à sombra em local ventilado. O período
de imersão é de 36 horas. Com isso, reduz-se o tempo de germinação para cada
de 40 dias.
No livro Árvores Brasileiras, Lorenzi, o tratamento recomendado consiste em
deixar os caroços em água por 48 horas, sendo trocada a cada 12 horas. Logo
depois, os caroços são postos para germinar em canteiros ou diretamente em
saquinhos individuais. O desenvolvimento das mudas é lento (globorural.globo.com).
Banhos de ácido e choques térmicos eram os recursos mais utilizados para estimular
a germinação, mas essas e outras técnicas vem sendo substituídas em alguns
viveiros. O pesquisador Roberto de Almeida Torres, coordenador do viveiro
de mudas do CNPq/Funape/UFG, explica que processo de reprodução do pequi começa
com a seleção das matrizes. São escolhidas aquelas com frutos de melhor qualidade,
destacando-se a espessura da polpa, a conformação e a sanidade da árvore.
Os frutos caídos são colhidos e amontoados no chão, à sombra, até que ocorra
a fermentação. Em seguida são despolpados. As primeiras e ácidas chuvas da
estação induzem a semente à germinação, o que ocorre à partir dos 28 dias.
Em 60 dias, 80% do material já está germinado (www.altiplano.com.br/Pequi7).
Tem-se realizado pesquisas com a formação de mudas por propagação vegetativa,
através de técnicas como estaquia, enxertia, alporquia e cultura in vitro
do embrião, com o intuito de reduzir o tempo inicial de produção de frutos.
O pequizeiro pode ser atacado por algumas doenças, dentre elas, Silva
et al., (2001) destaca:
Podridão de raízes de mudas
É uma doença causada pelo fungo. Cylindrocladium clavatum, que ataca as raízes das mudas, apodrecendo-as e causando-lhes a morte ou retardando consideravelmente seu desenvolvimento. Devem-se evitar regas em excesso e sombreamento das mudas.
Mal-do-CipóCausada pelos fungos Cerotelium giacomettii e Phomopsis sp. Até o momento, é a mais grave doença do pequizeiro. Os sintomas em mudas são inicialmente caracterizados por um estiolamento ou alongamento das mudas, deformações e lesões nos ramos tenros e nas folhas mais novas. Posteriormente, as mudas secam ou param de crescer. Em pequizeiros adultos, inicialmente ocorre um alongamento dos internódios (entrenós do caule) e estiolamento dos ramos mais novos, fazendo com que estes se tornem muito flexíveis, retorcido e adquirindo aspecto de cipó. As folhas mais novas tornam-se encarquilhadas, com tamanho reduzido e, apresentam numerosas lesões escuras com até 3 mm de diâmetro que podem coalescer (aderir por crescimento), provocando o escurecimento total ou parcial da folha. Com o tempo, inicia-se o secamento que pode atingir a planta inteira, provocando a morte.
Como medidas de prevenção, recomenda-se evitar a coleta de sementes ou garfos (pontas de galhos para enxertia) de pequizeiros com essa doença. Caso a doença apareça no viveiro, eliminar as mudas com sintomas e, no caso de plantas adultas, recomenda-se podar e queimar todos os galhos afetados pela doença.
Nos ferimentos provocados pela poda, deve-se pincelar uma pasta
composta por 4 kg de cal hidratada e 1 kg de sulfato de cobre, diluídos em
6 litros de água.
Morte descendente
Causada pelo fungo Botryodiplodia theobromae. Os sintomas iniciam
pelo secamento dos ramos mais novos, nos quais as folhas permanecem secas
e retidas por até 3 meses.
Posteriormente, a doença atinge os galhos, culminando com a morte da planta.
Nos galhos e ramos mais novos, podem ser observadas rachaduras profundas e
lesões escuras. Sob a casca de ramos, galhos ou troncos afetados pode ser
observado um tecido escuro e necrosado (em decomposição), que progride no
sentido da copa para a base da planta. Como medida de controle, recomenda-se
cortar e queimar os galhos secos e, sobre os cortes ou ferimentos, aplicar
uma pasta bordalesa.
Fonte: www.fruticultura.iciag.ufu.br