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O BOI

(Olavo Bilac)

Quando ainda no céu não se percebe a aurora,

E ainda está molhando as árvores o orvalho,

Sai pelo campo afora

O boi, para o trabalho.

Com que calma obedece!

Caminha sem parar:

E o sol, quando aparece,

Já o encontra, robusto e manso, a trabalhar.

Forte e meigo animal! Que bondade serena

Tem na doce expressão da face resignada!

Nem se revolta, quando o lavrador, sem pena,

Para o instigar, lhe crava a ponta da aguilhada.

Cai-lhe de rijo o sol sobre o largo cachaço;

Zumbem moscas sobre ele, e picam-no sem dó;

Porém, indiferente às dores e ao cansaço,

Caminha o grande boi, numa nuvem de pó.

Lá vai pausadamente o grande boi marchando...

E, por ele puxado,

Larga e profundamente o solo retalhando,

Vai o possante arado.

Desce a noite. O luar fulgura sobre os campos.

Cessa a vida rural.

Há estrelas no céu. Na terra há pirilampos.

E o boi, para dormir, regressa ao seu curral...

Fonte: www.unicamp.br

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