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Polinização

 

Polinização
Polinização

A polinização é o transporte do grão de pólen da antera ao estigma.

Existem dois tipos de polinização: a polinização direta ou autopolinização e a polinização indireta ou cruzada.

Polinização direta ou autopolinização: o grão de pólen cai sobre o estigma da mesma flor onde foi produzido. Esse tipo de polinização ocorre somente em flores monóclinas, porém estas realizam em sua maioria a polinização indireta. A polinização direta não é muito vantajosa para o vegetal, pois ela não permite a variabilidade genética.

Polinização indireta ou cruzada: grãos de pólen são transportados de uma flor para o estigma de outra flor de outro vegetal da mesma espécie. Esta polinização é considerada vantajosa pois permite a variabilidade genética. A polinização indireta exige a participação de um agente polinizador, os quais podem ser o vento, pássaros, insetos, morcegos, água, homem, entre outros.

Polinização anemófila: é a polinização através do vento. As perdas causadas por este transporte são compensadas graças a grande produção de pólen proporcionada pelas anteras e estigmas de tamanhos acentuados.

Polinização ornitófila: é realizada pelos pássaros. Nesse caso as flores são vistosas, apresentam nectários bem desenvolvidos e glândulas odoríferas.

Polinização entomófila: é realizada por insetos. Os insetos mais comuns são a abelha, a vespa e a borboleta. As flores entomófilas apresentam as mesmas características das flores ornitófilas.

Polinização quiropterófila: é realizada por morcegos que fazem visitas noturnas às flores para se alimentarem do néctar, do pólen e frutos, transportando assim, o pólen de uma flor para outra.

Polinização hidrófila: ocorre quando o agente transportador do pólen é a água.

Fonte: equipe4.8m.com

Polinização

Termos da biologia da polinização aplicados à fruticultura

Introdução

O conhecimento da estrutura floral e biologia da polinização de culturas agronômicas é a base para que o melhorista desenvolva técnicas de emasculação e métodos de polinização adequados (Allard, 1999). Segundo Damião Filho (1993), o rápido progresso alcançado no melhoramento genético de plantas cultivadas se deve aos estudos dos processos reprodutivos que ocorrem nas flores.

Na execução de qualquer programa de conservação e melhoramento genético de uma espécie, é importante o conhecimento dos níveis de distribuição da variabilidade genética entre e dentro de suas populações.

Por sua vez, a estrutura genética é o resultado da interação de vários fatores reprodutivos e evolutivos, tais como: seleção, deriva genética, mutação e fluxo gênico (Hamrick e Godt, 1990).

De fundamental relevância, é conhecer o sistema reprodutivo da espécie, dado ser este que determina como os genes são transmitidos de uma geração para a outra e como são reorganizados nos indivíduos, portanto, também estabelece sua estrutura genética espacial e temporal (Brown, 1989). Devido este fato, o mecanismo reprodutivo deve ser o primeiro passo a ser seguido para o conhecimento genético de uma espécie, quando se objetiva sua conservação e seu melhoramento.

Apesar de existirem plantas que se hibridizam facilmente, há espécies em que a promoção da hibridação constitui-se num sério problema ao fitomelhoramento.

Portanto, o estudo da biologia floral e dos mecanismos reprodutivos torna-se a meta básica para alcançar o sucesso na hibridação (Nation et al., 1992).

A polinização e a fertilização são processos biológicos essenciais à frutificação, sendo que na sua ausência, sucede a abscisão do fruto, a exceção os fenômenos da partenocarpia e da apomixia. O fruto somente se desenvolve a partir da embriogênese, quando se inicia a síntese local dos reguladores de crescimento. Assim, o processo de polinização-fertilização é considerado um elo dos mais importantes na cadeia reprodutiva de uma planta e produtiva de uma cultura agronômica, pois deste depende toda a produção de frutas comerciais e o agronegócio de um país (Greulach, 1973; Westwood, 1978; Monet, 1983; Barbosa et al., 1990).

Neste contexto, este trabalho foi desenvolvido visando auxiliar pesquisadores, docentes, discentes, técnicos e todos aqueles que trabalham direta ou indiretamente com esta área do conhecimento. Pode-se afirmar que neste estudo a linguagem é diferente de um glossário técnico, em que os termos são extremamente complexos e de difícil entendimento. Aqui os termos são definidos de forma mais simples, sendo que, em alguns casos, há introdução de exemplos práticos da área, facilitando a compreensão dos mesmos.

Por sua vez, pode-se observar que neste glossário há um destaque nas variantes dos termos, sendo que os mesmos são de difícil acesso e não estão disponíveis facilmente em livros didáticos utilizados por professores nos Cursos de Agronomia e Biologia. Isto porque, os termos e seus conceitos estão retidos em cada definição que possuem traços característicos dos universos cognitivos, ideológicos, sociais, profissionais e políticos de quem os expressou, formando uma combinação de conceitos entendidos como “unidades do plano do conteúdo construídos por um conjunto sistemático de características” (Cabré, 1993).

A pesquisa terminológica se propõe, primeiramente, a identificar termos que comunicam conhecimentos especializados. Sua função principal consiste em transmitir os conhecimentos especializados e autenticar o uso terminológico (Pavel e Nolet, 2002).Na sua totalidade, isto é sempre muito laborioso. A etapa que compreende a leitura, a compreensão da matéria, a esquematização em sistemas de conceitos que englobam a temática e a extração dos termos é básica e fundamental no processo. A qualidade da obra final depende muito de como o terminólogo trata o material de que dispõe. “Concener uma materia equivale a tener um dominio de parte de los lenguajes de esa materia; dominar los lenguajes de una materia equivale a tener cierta comprensión de la materia” (Sager, 1993).

A estrutura e delimitação dos termos foram feitos com base na utilização de livros, artigos e sites de órgãos de pesquisa da área em foco dos mais renomados periódicos nacionais e internacionais. Na primeira leitura, buscou-se os contextos definitórios que auxiliam no entendimento da matéria e na construção dos termos e suas definições. Os termos desta pesquisa quase sempre deixam perceptíveis traços situacionais e temporais de caráter técnico, político e ideológico.

A estrutura foi estabelecida da seguinte forma: entrada + categoria gramatical + gênero + definição ± remissiva. O glossário foi confeccionado após o preenchimento das fichas terminológicas, seguindo o modelo supracitado. Na parte final deste trabalho, o leitor encontrará uma lista de equivalências dos termos em inglês, uma língua amplamente utilizada na literatura científica.

Segue a lista de abreviaturas usadas:

f = feminino
m =
masculino
S. =
substantivo
Var. =
variante
V. =
ver

Esta pesquisa possibilitou comprovar que nesta área científica em estudo, em especial, a botânica aplicada a fruticultura, nem todos os termos apresentaram variantes, devido a natureza do termo ser complexa e universal. Assim sendo, este glossário vem como um instrumento de auxílio aos pesquisadores e todos envolvidos na área, já que tenta sistematizar definições e possibilitar a transferência de conhecimentos em área restrita da pesquisa científica.

Glossário

Androceu S.m. É o aparelho reprodutor masculino e é formado pelos estames, que por sua vez é constituído por filete, conectivo e antera. V. estame.
Andromonóico
S. f. Indivíduo com esporófito, isto é, possui somente flores masculinas.
Anemofilia
S. f. Var. anemogamia. É o tipo de polinização que se realiza pelo vento. As flores em que ocorre este evento são desprovidas de cálice e corola (aperiantadas); possuem grande número de estames, produtores de grande quantidade de pólen seco; pulverulento; que flutua facilmente no ar. O estigma do gineceu é amplo ou às vezes plumoso. V. anemogamia, polinização pelo vento.
Antese
S. f. É o momento da abertura das flores, quando um de seus órgãos sexuais (ou todos) amadurece e o perianto abre-se, iniciando o ciclo reprodutivo das flores. V. Abertura das flores.
Apomixia
S. f. Var. agamospermia. Reprodução biológica sem fertilização, meiose ou produção de gametas, com o resultado de que as sementes são geneticamente idênticas às da planta mãe. Pode ser definida também como, modo de reprodução assexuada por sementes, onde a planta gerada é idêntica a planta mãe. Há dois tipos principais de apomixia, gametofitica e esporofitica. A gametofítica é a mais amplamente distribuída e ocorre também em plantas de interesse econômico, especialmente em gramíneas forrageiras como aquelas dos gêneros Brachiaria, Cenchrus, Panicum, Paspalum, Poa, entre outras. Já esporofítica, é também chamada de embrionia adventícia e é comum em espécies de Citrus e Mangifera. V. agamospermia, reprodução assexual.
Autofecundação
S. f. Var. autogamia. Autofertilização. É a fusão do gameta masculino com o gameta feminino do mesmo indivíduo sendo de duas maneiras: natural ou artificial. No caso de plantas monóicas hermafroditas ou monóclinas (exemplo: goiabeira), a flor reúne os dois sexos e a fertilização se dá entre pólen e óvulo da mesma flor. No caso de plantas monóicas com flores unissexuais ou diclinas (exemplo: mandioca), o indivíduo apresenta flores masculinas e femininas separadas, chamando-se geitonogamia este tipo particular de polinização autógama; (2) tipo de reprodução sexual em que existe menos de 5% de polinização cruzada. As plantas que se reproduzem por autofecundação são quase ou completamente homozigóticas. V. autogamia; autofertilização.
Autopolinização.
S.f. É quando o pólen da mesma flor ou pólen advindo de outra flor da mesma planta, atinge o estigma da mesma flor, ocorrendo ou não a fecundação dos gametas.
Auto-incompatibilidade
S. f. Var. auto-esterilidade. Quando as flores não são fecundadas ao serem polinizadas por seu próprio pólen.V. auto-esterilidade.
Biologia floral
S. f. Inclui o estudo de todas as manifestações de vida da flor, inclusive a fertilização. Neste sentido a biologia floral mescla-se com a ecologia da polinização, que engloba estudos de interação entre flores e seus visitantes / polinizadores.V. biologia reprodutiva; morfologia floral; aspectos florais.
Cleistogamia
S. f. forma de autofecundação em plantas, por polinização direta, na flor ainda fechada antes de desabrochar. Ocorre em algumas flores hermafroditas; polinização antes da antese. V. autofecundação em plantas.
Dicogamia
S. f. Consiste no amadurecimento dos órgãos reprodutores em épocas diferentes.V. protandria; protoginia.
Dioicia
S. f. Aparecimento de indivíduos com sexos separados: uma planta masculina e outra feminina. V. plantas monóicas.
Endogamia
S. f. É um sistema onde os acasalamentos se dão entre indivíduos aparentados, ou seja, relacionados pela ascendência.V. auto-incompatibilidade.
Emasculação
S. f. Remoção das anteras ou dos gametas masculinos de uma flor.
Entomofilia
S. f. É a polinização que se realiza por meio de insetos. As flores são perfumadas e exibem corolas ou brácteas coloridas e atraentes. O odor e a cor atraem os insetos para as flores, as quais possuem espécies de glândulas chamadas nectários, que servem para produzir uma solução adocicada chamada néctar, que é o alimento para o inseto. V. polinização por insetos.
Fecundação cruzada
S. f. Var. alogamia. Fertilização cruzada; é o transporte e a fusão do gameta masculino de um indivíduo com o gameta feminino de outro indivíduo podendo ser de forma natural ou artificial. V. alogamia.
Fenologia
S. f. É o estudo dos padrões de florescimento e de frutificação de uma espécie. Normalmente são estudos mais comuns para as espécies cultivadas em plantios do que para as populações naturais em florestas, por exemplo; Estudo do ciclo biológico das plantas que compreende o acompanhamento de fases como a floração, frutificação e mudança foliar. V. floração, sazonalidade.
Gineceu
S. m. Var. carpelo. É o aparelho reprodutor feminino, formado por folha carpelares ou carpelos. Estas folhas dobram-se, fundem-se, para formar uma estrutura semelhante a uma garrafinha, chamado gineceu ou pistilo. O gineceu é dividido em 3 partes: estigma, estilete e ovário. V. pistilo.
Germoplasma
S. m. Var. material genético; recursos genéticos. Material genético que constitui a base física da hereditariedade e que se transmite de uma geração para outra através das células reprodutivas.V. germoplasma vegetal; germoplasma animal; microorganismos; recursos genéticos.
Germinabilidade.
S.f. É a capacidade que o grão de pólen tem em formar tubo polínico, indispensável a fecundação dos gametas.
Hidrofilia
S. f. É a polinização realizada pela água. É um fenômeno raro. V. polinização.
Hercogamia
S. f. Ocorre uma barreira física, que separa o androceu do gineceu impossibilitando a autopolinização. V. polinização.
Heterose
S. f. Vigor híbrido que ocorre quando o híbrido F1 se situa acima da média de seus genitores. Geralmente, este termo se aplica a tamanho, velocidade de crescimento ou características agronômicas.
Hibridação
S. f. Cruzamento; fusão de gametas masculinos com femininos. V. hibridização.
Heterostilia
S. f. Var. heterostilico. É quando uma espécie apresenta dois ou mais tipos de indivíduos com flores de estames e pistilos de dimensões diferentes.
Osmóforo
S. m. tecido que emite fragrância localizado na base do tubo da corola.
Ornitofilia
S. f. É a polinização realizada por pássaros, como ocorre com os beija-flores. Estes animais são atraídos por flores coloridas, geralmente tubulosas e produtoras de néctar; V. polinização.
Pré-antese
S. f. Momento que antecede abertura da flor.
Polinização
S. f. É o processo de transporte do pólen desde a antera, onde foi produzido, até o estigma do gineceu.
Pós-antese
S. f. Período após a abertura floral.
Poliploidia
S. f. É a existência de mais de dois genomas no mesmo núcleo, é de ocorrência comum nas plantas, tendo desempenhado um importante papel na origem e evolução de plantas silvestres e cultivadas.
Pólen
S. m. Estrutura onde está o gameta masculino das plantas que produzem flores.
Protandria
S. f. Quando amadurecem em primeiro lugar os órgãos masculinos e posteriormente os órgãos femininos
Protoginia
S. f. Quando amadurecem primeiramente os órgãos femininos e posteriormente os órgãos masculinos
Quiropterofilia
S. f. É a polinização feita por morcegos. As flores polinizadas por estes organismos são grandes, de coloração opaca, abrem-se à noite e são perfumadas.V.polinização.
Razão pólen-óvulo
S. f. Var. Relação pólen-óvulo. Técnica que determina o sistema reprodutivo (autogamia ou alogamia) com base na quantidade de pólen e óvulo de uma espécie (P/O) prescrita por Cruden (1977 e 2000).
Receptividade do estigma
S. f. É quando o estigma apresenta-se propício (geralmente, com o aspecto viscoso) para recepção do grão de pólen. Este parâmetro pode ser determinado com peróxido de hidrogênio (H2O2), segundo Kearns e Inouye (1993).
Viabilidade do pólen
S. f. É quando o grão de pólen está mais apto a germinar e conseqüentemente promover a fecundação. Geralmente, os métodos a seguir permitem determinar se o pólen está viável ou não por meio de coloração usando corantes, a exemplo, do carmim acético, segundo a técnica de Linsley e Cazier (1963), Lawrence (1966), Almeida (1986), Almeida et al. (2004) e Pereira et al. (2007). V. grãos de pólen.

Douglas de Almeida Pereira

Bruno Portela Brasileiro

Cláudio Lúcio Fernandes Amaral

Referências

Allard, R. W. 1999. Principles of Plant Breeding. John Wiley & Sons, New York, 254pp.
Almeida, E. C. 1986. Biologia floral e mecanismos de reprodução em Crotaria mucrota, Desv. Ceres, 33 (190): 528-540.
Almeida, O. S.; Silva, A. H. B.; Silva, A. B.; Silva, A. B.; Amaral, C. L. F. 2004. Estudo da biologia floral e mecanismos reprodutivos do alfavacão (Ocimum officinalis L.) visando o melhoramento genético. Revista Acta Scientiarum, 26 (3): 343-348.
Barbosa, W. 1990. Desenvolvimento vegetativo e reprodutivo do pessegueiro em pomar compacto sob poda drástica anual. Dissertação de Mestrado, ESALQ, Brasil, 154pp.
Brown, A. H. D. 1989. Genetic characterization of plant mating systems. In: Brown, A. H. D.; Clegg, M. T.; Kahler, A. L. & Weir, B. S. (Eds). Plant populations genetics, breeding and genetics resources. Sinauer, Sunderland, USA, p.145-162.
Cabré, M. T. 1993. La Terminología – Teoria, metodologia, aplicaciones. Ed. Alcalá, Madrid, Espana, 529pp.
Cruden, R. W. 1977. Pollen-ovule ratios: a conservative indicator of breeding systems in fl owering plants. Evolution, 31: 32-46.
Cruden, R. W. 2000. Pollen grains: Why so many? Plant Systematics and Evolution, 222: 143-165.
Damião-Filho, C. F. 1973. Morfologia vegetal. FUNEP/UNESP, Jaboticabal, Brasil, 243pp.
Greulach, V. A. 1973. Plant function and structure. MacMillan, New York, USA, 575pp.
Hamrick, J. L.; Godt, M. J. 1990. Allozyme diversity in plant species. In: Brown, A. H. D.; Clegg, M. T.; Kahler, A. L. & Weir, B. S. (Eds). Plant populations genetics, breeding and genetics resources. Sinauer, Sunderland, USA, p.43-63.
Kearns, C. A.; Inouye, D. W. 1993. Techinques for pollination biologists. University Press of Colorado, Niwot, USA, 523pp.
Lawrence, G. H. 1966. Taxonomy of vascular plants. Mcgraw-Hill, New York, USA, 823pp.
Linsley, E. C.; Cazier, M. A. 1963. Further observation on bees which take polen form plants of genus Solanum. Pan Pacific Entomologist, 39 (1): 1-18.
Monet, R. 1983. Le pêcher: Génétique et physíologie. INRAet Masson, Paris, France, 133pp.
Nation, G. R.; Janick, J.; Simon, E. J. 1992. Estimation of outcrossing in basil. HotSiencence, 27 (11): 1221-1222.
Pavel, S.; Nolet, D. 2002. Handbook of terminology. Public Works and Government Services Canada, Ottawa, Canadá, 151pp.
Pereira, D. A.; Brito, A. C.; Amaral, C. L. F. 2007. Biologia floral e mecanismos reprodutivos do Mussambê (Cleome spinosa Jacq) com vistas ao melhoramento genético. Biotemas, 20 (4): 27-34.
Sager, A. A. 1993. Curso práctico sobre el procesamiento de la terminología. Con un capítulo adicional de Juan Torruella y Gloria Clavería. Bibliografía de Blaise Nkwenti-Azeh, Fundación Germán Sánchez Ruipérez, Pirámide, Madrid, 448pp.
Vidal, W. N.; Vidal, M. R. R. 2000. Botânica organografia; Quadros sinóticos ilustrados de fanerógamos. 4ª ed. Viçosa, UFV, Brasil, 124pp.
Westwood, M. N. 1978. Temperate zone pomology. W. H. Freeman, San Francisco, USA, 428pp.

Fonte: www.biotemas.ufsc.br

Polinização

O contraste entre síndromes de polinização e sistemas efetivos de polinização e suas perspectivas para ecossistemas associados à Mata Atlântica

Introdução

A Floresta Atlântica é muito rica em diversidade biológica e, apesar de estar ameaçada, e é considerada um dos cinco mais importantes hotspots mundiais de biodiversidade. No Sudeste brasileiro sua fragmentação já atinge estágio muito avançado e a preservação de suas áreas florestais remanescentes é um dos maiores problemas de conservação do país (Fundação SOS Mata Atlântica, 2002; Rambaldi & Oliveira, 2003; Tabarelli et al., 2005). Esse processo de fragmentação vem sendo crítico, e muito do que ainda não se conhece pode ser perdido, sem que chegue a ser identificado (Mittermier et al., 1992).

Nas comunidades florísticas, diversas são as interações conhecidas de plantas e animais pois estas fornecem recurso e/ou condições favoráveis para diversas espécies animais (Benzing, 2000). Dentre essas interações são comuns estudos que exploram a relação entre flores e seus visitantes, bem como sobre a utilização dos recursos por animais que não polinizam, mas afetam a interação planta-polinizador e o sucesso reprodutivo dos indivíduos (Mestre et al., 2001).

É importante dimensionar o grau de dependência nas relações planta-polinizador e entender a importância dos recursos florais para a manutenção da fauna associada. Ligações assim tão estreitas produzem a informação necessária para expor as necessidades que populações animais e vegetais apresentam em seu processo de diversificação (Mittermier et al., 1992; Endress, 1994).

As conseqüências destas interações são marcantes para biologia reprodutiva de plantas e animais envolvidos, seja pela diversificação do fluxo polínico para as plantas, ou pela pressão que a disponibilidade de recursos florais exerce sobre o ajustamento dos ciclos reprodutivos dos animais que exploram essas flores (Abrahamson, 1989; Hunter et al., 1992; Barthlott et al., 1993), afetando o sucesso das espécies.

A morfologia floral e a oferta de recursos delimitam as síndromes de polinização, baseadas na cor e forma das flores, presença de recompensas e odores, e sistemas sexuais, pois pode restringir ou orientar a acessibilidade do visitante aos recursos florais (Sakai et al., 1998). Visitantes específicos são observados em determinadas flores supostamente adaptadas a tipos específicos de polinizadores (Faegri & Pijl, 1979), o que vem sendo questionado há alguns anos, com base em evidências de uma ampla generalização dos sistemas de polinização (e.g., McDade, 1992; Waser et al., 1996; Herrera, 1996; Ollerton, 1996), onde espécies vegetais com flores morfologicamente complexas e com características favoráveis à polinização por um grupo específico apresentam um amplo espectro de visitantes. Estas idéias de ajustes morfológicos recíprocos entre flores e polinizadores proliferaram como hipóteses a serem testadas.

É importante dimensionar o grau de dependência nas relações planta-polinizador e entender a importância dos recursos florais para a manutenção da fauna associada. Ligações assim tão estreitas produzem a informação necessária para expor as necessidades que populações animais e vegetais apresentam em seu processo de diversificação (Mittermier et al., 1992; Endress, 1994).

Estrutura de assembléias de polinizadores

A assembléia de polinizadores pode ser definida por um grupo de polinizadores de espécies diferentes que utilizam o mesmo recurso floral de maneiras distintas, estes polinizadores podem ser classificados como exclusivos, quando é o único a executar a polinização de uma determinada espécie vegetal; como principais, quando um grupo animal poliniza uma determinada espécie com mais eficácia que outros grupos também envolvidos na polinização; e como adicionais, quando o polinizador eventualmente poliniza determinada espécie. A participação de um grupo animal na polinização como exclusivo, principal ou adicional depende das condições morfológicas, fenológicas e ambientais existentes (Silberbauer-Gottsberger & Gottsberger, 1988).

Esses sistemas de polinização envolvem desde insetos pouco especialistas até animais estritamente dependentes das flores para sua sobrevivência, como abelhas e mesmo vertebrados, como aves e morcegos. Tecidos florais, por exemplo, podem ser consumidos pelas larvas de insetos galhadores cujos adultos polinizam a flor, como em Ficus (Barth, 1985) ou em Siparuna (Feil, 1992).

Grande variedade de pequenos insetos generalistas é responsável pela polinização, principalmente pequenas abelhas sociais generalistas e moscas (Bawa, 1980; Givnish, 1982). Também há outras abelhas que se especializaram na utilização de um dado recursos, como as que são especialistas na coleta de lipídios florais utilizando estruturas coletoras em forma de pente presentes nas pernas dianteiras e medianas (Neff & Simpsom, 1981; Roubik, 1989). Esses grupos de insetos são sensíveis a pequenas variações individuais na disponibilidade de recursos florais (Beach, 1981).

A polinização por moscas tem sido considerada irregular e incerta, pois esses insetos não alimentam sua prole com recursos florais, utilizando outras fontes alimentares, e porque as plantas visitadas por moscas são geralmente visitadas também por uma grande variedade de outros insetos (Proctor et al., 1996). No entanto, os dípteros podem ser importantes polinizadores, pois geralmente estão presentes ao longo de todo o ano, ao contrário de outros vetores, que podem apresentar períodos mais restritos de atividade (Faegri & Van der Pijl, 1979) e estes sistemas de polinização pouco especializados parecem ser mais comuns do que previamente se pensava (Bawa 1990) e a polinização por moscas tem sido freqüentemente observada em espécies importantes de florestas tropicais (Taroda & Gibbs, 1982; Pombal & Morellato, 1995).

Outro grupo de polinizadores importantes são os beija-flores que são atraídos pelas características florais de algumas angiospermas como cores vivas, principalmente vermelhas, abundância de néctar, ausência de odor, corolas tubulosas e nectário distante do estigma e das anteras (Faegri & Pijl, 1979; Endress, 1994). Desse modo, certas flores estão especializadas em menor ou maior grau para a polinização por estas aves, assim como espécies diferentes de beija-flores também estão adaptadas a determinados tipos de flores (Snow & Snow, 1980).

Síndromes de Polinização

Algumas flores apresentam características que tornam os recursos acessíveis apenas aos visitantes efetivos (Fabaceae, Malpighiaceae, Bignoniaceae, Orchidaceae, etc.). A esse diferencial da atratividade tem sido dada uma maior importância, interpretando por que visitantes específicos são observados em determinadas flores, o que levou ao estabelecimento das síndromes de polinização, baseadas na cor e forma das flores, presença de recompensas e odores, e sistemas sexuais, supostamente adaptadas a tipos específicos de polinizadores (Faegri & Pijl, 1979). A tradicional visão em estudos de polinização baseados no conceito de síndrome (Faegri & Pijl, 1979), sustenta que sistemas de polinização tendem à especialização.

As várias síndromes de polinização sensu Faegri & Pijl (1976) são encontradas em todas as florestas tropicais, onde relativamente poucas espécies são anemófilas (Bawa 1990). Segundo Bullock (1994), em muitas espécies de plantas pode ocorrer um sistema de polinização misto - ambofilia - incluindo correntes de vento e insetos como vetores obrigatórios de pólen. Apenas a análise da morfologia floral, muitas vezes, não é indicativa da ocorrência de ambofilia, que para o autor estaria subestimada, assim como a anemofilia. Segundo Bawa (1990), a maior diversidade de sistemas de polinização é encontrada no sub-bosque, possivelmente devido ao grande número de espécies de plantas nesse estrato. Nas florestas tropicais também ocorrem todas as síndromes de dispersão sensu Pijl (1982), sendo a mais freqüente a zoocoria, seguida da anemocoria e da autocoria (Howe & Smallwood, 1982).

Existe uma distribuição espacial não aleatória das síndromes de polinização, podendo ocorrer tanto a estratificação vertical como a diferenciação da borda em relação ao interior das matas (Roth, 1987; Smith, 1973).

O conceito de síndromes, conforme Faegri & Pijl (1976), Dafni (1982) e Pijl (1982) é especialmente interessante quando aplicado às comunidades, e constitui uma importante ferramenta para uma abordagem nesse tipo de estudo, como utilizado nos trabalhos de Spina et al. (2001) Além disso, esses estudos fornecem informações sobre a forma das flores, permitindo assim caracterizar mecanismos de polinização e adequação do visitante à flor (Sazima & Sazima, 1990; Buzato et al., 1994).

Entretanto, a idéia de síndromes tem sido questionada há alguns anos, com base em evidências de uma ampla generalização dos sistemas de polinização.

Segundo (Roubik, 1989; Endress, 1994) nos ambientes tropicais, espécies vegetais com flores morfologicamente complexas e com características favoráveis à polinização por um grupo específico são visitadas por um amplo espectro de visitantes, com apenas algumas espécies atuando como polinizadores eficientes, enquanto os demais não têm função na polinização, evidenciando uma ampla generalização dos sistemas de polinização.

Em muitos casos, apenas a morfologia floral não é suficiente para determinar os polinizadores de uma dada espécie vegetal (Regal, 1982), pois diferenças nas dimensões do corpo e comportamento de visita são fatores determinantes para a eficiência das diferentes espécies de polinizadores (Faegri & Van der pijl, 1979; Neff & Simpson, 1993; Endress, 1994).

Sistemas de polinização

Estudos relacionados aos sistemas de polinização levam em conta características vegetais que interferem no sucesso reprodutivo das espécies vegetais, e esses estudos têm uma importância fundamental para o entendimento de vários processos biológicos, principalmente daqueles relacionado às interações planta-animal (Ramirez & Brito, 1987).

A dioicia em espécies vegetais é caracterizada por populações nas quais os indivíduos produzem exclusivamente flores estaminadas ou pistiladas. Este sistema sexual é apresentado por aproximadamente 6% das angiospermas (Renner & Ricklefs, 1995). Em populações de plantas dióicas, algumas diferenças Intra-sexuais em estratégias reprodutivas, como período de floração e freqüência relativa de indivíduos reprodutivos na população, ou razão sexual, são interpretadas como conseqüência da seleção sexual agindo na separação dos sexos (Bawa, 1980).

A maioria das Angiospermas apresenta flores hermafroditas. No entanto, o sistema sexual do tipo dioicia, que se caracteriza pela presença de indivíduos de sexos separados em uma população de uma mesma espécie, tem sido considerado como um mecanismo freqüente em matas tropicais (Ashton, 1969; Bawa & Opler, 1978). A dioicia ocorre amplamente em grupos filogeneticamente distintos (Bawa et al., 1985; Bullock, 1985), principalmente nos trópicos, sendo registrado em cerca de 6% das angiospermas (Renner & Ricklefs, 1995).

Flores de espécies dióicas são geralmente pequenas e pouco especializadas (Bawa, 1980, Ibarra-Manríquez & Oyama, 1992; Oliveira, 1996) possuindo cores claras e inconspícuas (Bawa, 1980; Givnish, 1982; Sakai et al., 1995). Estudos com espécies dióicas em ecossistemas tropicais mostram forte associação entre a dioicia e a polinização por grande variedade de insetos generalistas (Bawa, 1980; Bawa et al., 1985; Oliveira, 1996).

Em plantas hermafroditas, esse tipo de forrageamento promove o fluxo direcional de pólen de indivíduos com mais recursos para aqueles com menos recursos, sendo um dos mecanismos responsáveis pela evolução da dioicia (Beach, 1981). Estes sistemas de polinização pouco especializados parecem ser mais comuns do que previamente se pensava (Bawa, 1990) e a polinização por moscas tem sido freqüentemente observada em espécies importantes de florestas tropicais (Taroda & Gibbs, 1982; Pombal & Morellato, 1995).

Recursos florais e Polinização

A ecologia da polinização é de grande importância para a compreensão da estrutura das comunidades vegetais naturais (Silberbauer-Gottsberger & Gottsberger, 1988; Machado, 1990), fornecendo informações sobre a composição genética de populações vegetais (Proctor et al., 1996) e abordando aspectos da biologia floral, tais como período de antese e disponibilidade de néctar e pólen.

As relações entre as flores e seus polinizadores são freqüentemente interpretadas como resultado de interações onde as estruturas florais estão adaptadas para otimizar o transporte de pólen e mediar à ação dos vetores (Faegri & Van der Pijl, 1979; Proctor et al., 1996). Estas interações estão associadas à grande diversidade de flores tropicais e à biodiversidade tropical como um todo (Bawa, 1990; Endress, 1994).

Essa dinâmica populacional dos visitantes florais relaciona-se diretamente com a quantidade e qualidade dos recursos disponíveis em um dado ecossistema, que dependem da dinâmica temporal da floração, grau de sincronia entre os indivíduos floridos e o número de flores e demais visitantes florais (Willians et al., 1999).

Além de fatores climáticos e fisiológicos (Alencar et al., 1979), a floração pode estar relacionada ao comportamento dos polinizadores e ao sistema reprodutivo das plantas (Schemske, 1980).

As relações entre planta-polinizador também são importantes na estruturação das comunidades, podendo influenciar a distribuição espacial das plantas, a riqueza, a abundância de espécies, a estrutura trófica e a fenodinâmica (Bawa et al., 1985, Morellato, 1991), bem como a diversidade genética com a promoção do fluxo de genes (Nason et al., 1997).

As características florais de algumas angiospermas como cores vivas, principalmente vermelhas, abundância de néctar, ausência de odor, corolas tubulosas e nectário distante do estigma e das anteras (Faegri & Pijl 1979, Endress 1994) estão relacionadas a visitas por beija-flores. Dessa maneira, certas flores estão especializadas em menor ou maior grau para a polinização por estas aves (Snow & Snow 1980) .

Segundo Faegri & Pijl (1976), Dafni (1982) e Pijl (1982) todas as espécies de plantas têm características fisiológicas e morfológicas que podem atrair somente alguns grupos de visitantes florais e muitas das características e aspectos funcionais da biologia floral podem delimitar as relações entre planta e polinizador. Além disso, estudos relacionados às síndromes de polinização fornecem informações sobre a forma das flores, permitindo assim caracterizar mecanismos de polinização e adequação do visitante à flor (Sazima & Sazima, 1990; Buzato et al., 1994).

Considerações finais

O conceito de síndromes, conforme Faegri & Pijl (1976), Dafni (1982) e Pijl (1982) é especialmente interessante quando aplicado às comunidades, e constitui uma importante ferramenta para uma abordagem nesse tipo de estudo, pois permite caracterizar mecanismos de polinização e adequação do visitante à flor (Sazima & Sazima, 1990; Buzato et al., 1994).

Dentro do conceito de síndrome de polinização, espera-se que as características florais sejam correlacionadas com a dos polinizadores, de tal maneira que, nas espécies de planta que se especializaram num determinado tipo de polinizador, elas se converteriam num conjunto de características fenotípicas que as adaptam à morfologia, fisiologia sensorial e nutricional, e ao comportamento desse polinizador (Sakai et al. 1998).

Entretanto, a idéia de síndromes vem sendo questionada há alguns anos, com base em evidências de uma ampla generalização dos sistemas de polinização. Nos ambientes tropicais, espécies vegetais com flores morfologicamente complexas e com características favoráveis à polinização por um grupo específico apresentam um amplo espectro de visitantes, com apenas algumas espécies atuando como polinizadores eficientes, enquanto os demais não têm função na polinização, evidenciando uma ampla generalização dos sistemas de polinização (Roubik, 1989; Endress, 1994).

Em muitos casos, apenas a morfologia floral não é suficiente para determinar os polinizadores de uma dada espécie vegetal (Regal, 1982), pois diferenças nas dimensões do corpo e comportamento de visita são fatores determinantes para a eficiência das diferentes espécies de polinizadores (Faegri & Van der pijl, 1979; Neff & Simpson, 1993; Endress, 1994).

Eduardo A Obermuller

Gleidmar B Nascimento

Henrique Z Gava

Luci F Ribeiro

Ary G Silva

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Fonte: www.naturezaonline.com.br

Polinização

As Abelhas Como Agentes Polinizadores

Resumo

As abelhas são os principais agentes polinizadores dos vegetais em troca os vegetais produzem substâncias adocicadas que atraem as abelhas, as quais carregam em seus pêlos o pólen dessa planta florífera.

O pólen é importante para o desenvolvimento da colméia, pois é a fonte principal de proteína das abelhas, logo ao garantir o desenvolvimento da família à abelha também perpetuam a espécie vegetal..

A interação entre as abelhas e plantas garantiu aos vegetais o sucesso na polinização cruzada, que constitui numa importante adaptação evolutiva das plantas, aumentando o vigor das espécies, possibilitando novas combinações de fatores hereditários e aumentando a produção de frutos e sementes. Assim como as abelhas nativas, as abelhas naturalizadas também dependem da vegetação nativa ou introduzida para garantir a sobrevivência de suas famílias garantindo reserva de mel e pólen. Estudos realizados por diversos pesquisadores evidenciam a importância da preservação das condições ambientais e da utilização desses insetos como polinizadores, potencializando a qualidade e quantidade econômica de diversas culturas.

Para assegurar serviços sustentados de polinizadores associados com ecossistemas agrícolas, é preciso muito mais entendimento dos múltiplos benefícios e serviços fornecidos pela diversidade de polinizadores e os fatores que influenciam seu declínio e atividade. É necessário promover a conservação e a diversidade de polinizadores nativos e naturalizados, além de conservar e restaurar as áreas naturais necessárias para otimizar os serviços dos polinizadores em ecossistemas agrícolas e em outros ecossistemas terrestres.

Introdução

A polinização representa atualmente um fator de produção fundamental na condução de muitas culturas agrícolas ao redor do mundo. Esta polinização pode ocorrer na própria planta, onde o grão de pólen é transportado para o estigma da flor ou, ainda, com a transferência dos grãos de pólen da antera de uma flor para o estigma de outra flor da mesma espécie, mas de pés diferentes com intervenção de agentes polinizadores, como por exemplo, os insetos.

As abelhas são os principais agentes polinizadores dos vegetais em troca os vegetais produzem substâncias adocicadas que atraem as abelhas, as quais levam em seus pêlos o pólen dessa planta florífera. O pólen é importante para o desenvolvimento da colméia, pois é a fonte principal de proteína das abelhas, logo ao garantir o desenvolvimento da família as abelhas também perpetuam a espécie vegetal.

A interação entre as abelhas e plantas garantiu aos vegetais o sucesso na polinização cruzada, que constitui numa importante adaptação evolutiva das plantas, aumentando o vigor das espécies, possibilitando novas combinações de fatores hereditários e aumentando a produção de frutos e sementes (Couto e Couto, 2002).

Neste contexto não apenas os componentes desta interação são beneficiados, mas também o homem, que ao longo dos anos desenvolveu técnicas que lhe permitiram tirar proveito do trabalho de polinização das abelhas. Através da apicultura migratória um grande número de enxames é transportado para culturas de interesse econômico onde aumentam consideravelmente a produção dos frutos. Embora no Brasil o aluguel de colméias não seja uma prática comum, considerando que no clima tropical há um número maior de polinizadores tais como coleópteros, dípteros e outros, nos últimos anos têm crescido o interesse dos produtores agrícolas no uso das abelhas para o aumento da produção (Vieira et al., 2004).

De acordo com Picolli (1999), Santa Catarina foi a pioneira, na utilização das colméias para a polinização dos pomares de macieiras, de modo racional e profissional, em nosso País. A macieira, por sua vez, é uma planta de total dependência dos insetos e especialmente das abelhas, para a sua frutificação.

São vários os fatores que levam à diminuição das abelhas nativas, de acordo com Maia (2004), a destruição das colônias, na hora de colher o mel, elimina o produtor do mel e impossibilita sua multiplicação; a destruição da árvore onde o enxame se encontra e o corte em geral de árvore de porte médio e grande sem deixá-las chegar a ficar ocas elimina as condições que muitas abelhas precisam para poder viver e armazenar mel e o empobrecimento da vegetação natural elimina espécies que as abelhas precisam para sua sobrevivência e diminui a quantidade de plantas em floração em cada época do ano, assim, a quantidade e segurança da alimentação para as abelhas diminuem também.

Assim como as abelhas nativas, as abelhas naturalizadas também dependem da vegetação nativa e/ou introduzida para garantir a sobrevivência de seus enxames garantindo reserva de mel e pólen. Estudos realizados por diversos pesquisadores evidenciam a importância da preservação das condições ambientais e da utilização desses insetos como polinizadores, potencializando a qualidade e quantidade econômica de diversas culturas.

O uso de agentes polinizadores em áreas cultivadas é uma atividade complexa, uma vez que exige do responsável bons conhecimentos sobre fisiologia de plantas, requerimentos de polinização da cultura em questão, biologia e eficiência polinizadora do inseto usado. Esses conhecimentos por parte de quem propõe-se a trabalhar com polinização são de fundamental importância para o sucesso da atividade (Freitas, 1998).

As abelhas cujo manejo para a polinização é comum em boa parte do mundo são: as abelhas de mel (Apis mellifera) nas mais diversas culturas; as mamangavas (especialmente Bombus terrestris) manejadas, de modo particular, no cultivo de solanáceas, e, em especial, em plantações de tomate; as abelhas carpinteiras (Xylocopa sp), no maracujá; diversas espécies do gênero Osmia, em plantações de maçã e outras frutíferas; e Megachile rotundata na polinização de alfafa (Malagodi-Braga, 2005).

Recentemente vem crescendo o número de trabalhos sobre a utilização das abelhas na polinização de diversas culturas. Trindade et al. (2003) trabalhando com polinização e estudo comportamental observou que a abelha (A. mellifera) é de extrema importância na polinização da cultura do meloeiro e que a presença da abelha (A. mellifera) no processo de polinização da cultura do meloeiro é indispensável, já que na sua ausência, praticamente, não houve produção.

Malerbo-Souza et al (2003a) estudando a cultura da laranja (Citrus sinensis L. Osbeck, var. Pêra-Rio), concluiu que a flor de laranjeira é altamente atrativa para as abelhas A. mellifera, sendo mais visitada no período da manhã e que o início da frutificação das flores está em função do número de visitas (pelo menos, 10 visitas).

A polinização realizada pelas abelhas A. mellifera influenciou quantitativamente e qualitativamente a produção de laranjas. Os frutos cujas flores foram visitadas adequadamente pelas abelhas foram mais pesados, menos ácidos e com maior número de sementes por gomo. Malerbo-Souza et al (2003b), estudando uma cultura de café (Coffea arabica L., var. Mundo Novo), quanto à biologia floral, a freqüência e comportamento dos insetos na flor, testando o produto Bee-Here® quanto a sua atratividade para as abelhas A. mellifera e verificando a produção de frutos com e sem a visita dos insetos chegaram à conclusão que a polinização realizada pelas abelhas A. mellifera provocou aumento quantitativo na produção de grãos de café, var. Mundo Novo.

A acerola é uma espécie dependente de polinização cruzada para produção satisfatória de frutos, sendo as abelhas importantes polinizadores desta cultura. Na Paraíba, Martins et al. (1999) conduzindo experimento em pomar de acerola (Malpighia emarginata D.C.) para avaliar o efeito do tipo e polinização na produção de frutos mostrou que a maior ocorrência foi de Apoidea, principalmente Anthophoridae e Apidae (Meliponinae). A abundância e o comportamento dos meliponíneos presentes na acerola destacam este grupo de abelhas como importantes polinizadores deste pomar, devendo-se mencionar também os gêneros de abelhas de maior velocidade de vôo, Epicharis e Centris. As abelhas africanizadas raramente foram observadas forrageando esta floração. O fato de os meliponíneos serem abelhas silvestres faz necessária a presença de áreas conservadas nas proximidades dos pomares.

Melo et al. (1997) trabalhando em pomar de acerola (Malpighia glabra L.) na região Nordeste tem registrado como polinizadores efetivos as abelhas Anthophoridae e Halictidae.

Verificaram a presença de dez espécies de abelhas: Centhris fuscata, C. aenea, C. spousa, Epicharis bicolor (Anthophoridae), Trigona trigona sp., T. trigona spinipes, Plebeia spp., Partamona cupira, Nonnatrigona testaceicornis (Meliponinae), A. mellifera (Apinae). A sub-família Meliponinae representada pela tribo Trigonini destacou-se em número e freqüência, tendo como principais visitantes Trigona trigona sp. e Plebeia spp. Malpighia glabra L. não foi atrativa à A. mellifera e os meliponíneos, destacando-se Trigonini, foram os responsáveis pela polinização desta cultura. T. trigona sp. foi o visitante mais abundante e freqüente durante os períodos seco e chuvoso e T. spinipes o mais instável.

Falcão et al. (2001) estudando a fenologia e produtividade do abacate na Amazônia Central para ajudar o planejamento do seu manejo e comercialização observaram que as flores foram visitadas por oito espécies de abelhas, destacando-se T. branneri, Frieseomelitta sp. e Partamona pseudomusarum.

O Brasil é o maior produtor mundial de maracujá-amarelo (Passiflora edulis), porém apresenta baixas produtividades devido à carência de polinizadores naturais, como as abelhas mamangavas (Xylocopa spp.), nas áreas cultivadas (Freitas e Oliveira-Filho, 2003). Os mesmos autores trabalhando com um novo modelo de ninho racional para mamangavas, chegaram à conclusão que a presença dos ninhos propiciaram aumentos da população, consequentemente, o número de visitas às flores de maracujá e o índice de polinização.

O açaizeiro por ser uma planta que oferta razoável quantidade de pólen e néctar, por possuir seu pico de floração no período de menor oferta de recursos florais por outras espécies botânicas, constitui-se como uma importante espécie apícola para a região amazônica. As inflorescências do açaizeiro por possuírem deiscência diurna, flores pequenas e abertas, podem ser efetivamente polinizadas por uma grande quantidade de insetos pequenos. Dentre todos os polinizadores, as abelhas da família Halictidae demonstraram ser os mais eficientes polinizadores, tanto pela grande freqüência como pela quantidade de grãos de pólen transportados, contudo, devido ao pouco conhecimento existente sobre a biologia e manejo deste grupo de abelhas, os meliponíneos são sugeridos como os melhores insetos para serem manejados para a polinização dirigida em cultivos comerciais de açaizeiro, com vistas ao aumento da produção de frutos (Venturieri et al., 2005).

Thomazini e Thomazini (2002) pesquisando as principais espécies de abelhas visitantes da inflorescência de pimenta longa (Piper hispidinervum C.DC.), uma planta encontrada no Estado do Acre que está sendo estudada visando à obtenção de óleos essenciais ricos em safrol, composto utilizado na fabricação de inseticidas, observaram que a subfamília Meliponinae predominou em número e espécies, enquanto que a família Halictidae predominou em número de indivíduos. A entomofauna da pimenta longa ainda é pouco conhecida.

De acordo com Witter e Blochtein (2003) a deficiência de polinização tem sido apontada como uma das causas da baixa produção de sementes na cultura da cebola. Estudos realizados pelas mesmas autoras comprovaram que as flores da cebola são visitadas por uma gama de insetos representantes de Hymenoptera e Díptera e que a presença de A. mellifera é indispensável para a produção comercial de sementes de cebola.

No Estado do Ceará, Cruz et al. (2004), pesquisando a influência do ambiente protegido no comportamento de pastejo da abelha Jandaíra (Melipona subnitida) na cultura do pimentão observou que essa abelha adapta-se bem ao uso em casa de vegetação e realiza vôos de forrageamento durante todo o dia, podendo ser utilizada para polinização de culturas agrícolas sob cultivo protegido.

Silva et al. (2001) estudando a biologia reprodutiva de etnovariedades de mandioca observou em campo que a flor de mandioca é visitada por coleópteros, vespas, abelha irapuá (Trigona spinipes) e abelha A. mellifera. A abelha irapuá e as vespas raramente foram constatadas fazendo polinização, mas a espécie A. mellifera foi o principal polinizador. Observaram ainda que os insetos utilizam o estigma da flor feminina como “pista de pouso” e ao apoiar-se nas pernas traseiras atingem o néctar localizado na base da flor, próximo ao disco estaminal, promovendo contato entre os grãos de pólen aderidos ao seu corpo com o estigma.

Para coletar o néctar, as abelhas contornam toda a flor, depositando pólen nos três lóbulos do estigma, caracterizando uma perfeita interação entre o agente polinizador e a flor da mandioca.

Estudos realizados por Sanchez-Junior e Malerbo-Souza (2004) sobre a freqüência e o comportamento dos insetos nas flores do algodoeiro (Glossypium hirsutum L.), bem como o tipo de coleta e o efeito dessas visitas na produção do algodão mostraram que as flores são visitadas por abelhas A. mellifera e Trigona spp., himenópteros, coleópteros e lepidópteros. Com exceção da abelha africanizada e da irapuá todos coletaram exclusivamente néctar nas flores. A abelha africanizada foi considerada polinizadora efetiva da cultura.

Em São Paulo estudos florísticos e fenológicos das plantas ornamentais arbóreas e arbustivas visitadas por abelhas, realizados por Agostini e Sazima (2003), mostraram que A. mellifera, T. spinipes e Tetragonisca angustula, abelhas consideradas generalistas e Xylocopa frontalis e Bombus morio, consideradas mais especializadas, foram as cinco espécies que visitaram as flores de maior quantidade de espécies de plantas. Essas informações podem ser úteis para a elaboração de planos de manejo em ambientes urbanos visando à utilização de plantas ornamentais adequadas para atender maior diversidade de abelhas.

Silva-Pereira et al. (2003) acompanhando o comportamento de Melissoptila thoracica durante visita as flores de Sida observou que as flores garantem alimento para a prole de M. thoracica e, portanto sua reprodução. Por sua vez, através da elevada freqüência de visita, da alta fidelidade e do comportamento nas flores, essas abelhas devem contribuir para a polinização cruzada e formação de sementes das espécies de Sida estudadas beneficiando assim o aumento da taxa de heterozigose nas sementes destas plantas.

O siratro (Macroptilium atropurpureum) é uma leguminosa perene originário do México. Ocorre naturalmente em vários países da América Central e do Sul, é uma das leguminosas mais populares para as pastagens nos trópicos e subtrópicos (Vieira et al, 2002). Os mesmos autores realizando estudos sobre polinização em siratro chegaram à conclusão que das seis famílias de abelhas que ocorrem no Brasil as que mais freqüentam esses vegetais são da família Andrenidae, Anthophoridae, Apidae, Halictidae e Megachilidae. O siratro é uma importante fonte de pólen e néctar para as abelhas que contribuem para a polinização desta planta.

Efeito da polinização e produção de mel na caatinga

A flora da caatinga é diversificada e rica em néctar e pólen. Inclusive, a característica da grande diversidade botânica e diferenciado comportamento fenológico da vegetação de caatinga propicia um escalonamento das floradas durante o ano, significando haver sempre algumas espécies florescendo ao longo do ano, independente da estação. Por isso, esse ecossistema é responsável por uma considerável parte da produção de mel de abelhas que eleva a região nordestina à condição de terceiro maior produtor do País. As floradas das espécies da caatinga garantem ao Nordeste a produção de um mel totalmente puro, livre de resíduos de agrotóxicos muito comum em explorações agropecuárias intensivas proporcionando a produção do chamado “mel orgânico” (Alcoforado-Filho, 1997). Maia (2004) cita ameixa (Ximenia americana L.), angico (Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan var. cebil (Griseb.) Altshul), canafístula (Senna spectabilis (DC.) H. S. Irwin & Barneby var. excelsa (Schrad.) H. S. Irwin & Barneby), catingueira (Caesalpinia pyramidalis Tul.), cumaru (Amburana cearensis Allemão), faveleiro (Cnidoscolus phyllacanthus (Müll. Arg.) Pax & K. Hofffm.), imburana (Commiphora leptophloeos (Mart.) J. B. Gillett), juazeiro (Ziziphus joazeiro Mart.), jurema branca (Piptadenia communis (Benth.) Ducke), jurema preta (Mimosa hostilis (Willd.) Poir.), marmeleiro-preto (Croton sonderianus Muell. Arg.), mofumbo (Crombretum leprosum Mart.), mororó (Bauhinia cheilantha (Bong.) Steud.), murici (Byrsonima crassifolia , L.), umbuzeiro (Spondias tuberosa Arruda), dentre outras plantas representantes da caatinga como fonte de néctar e pólen e abrigo para as abelhas em diferentes épocas do ano.

O muricizeiro (Byrsonima crassifolia , L.) é uma espécie vegetal nativa do Norte e Nordeste do Brasil, cujo fruto é explorado de forma extrativista para alimentação e comércio. Pereira e Freitas (2002) conduzindo um experimento no Ceará observaram que o muricizeiro é uma planta predominantemente de polinização cruzada, e seu agente polinizador são abelhas coletoras de óleos. Teixeira e Machado (2002) estudando o sistema de polinização, reprodução e fenologia de Byrsonima sericea DC observaram que as abelhas visitantes das flores foram da família Anthophoridae (coletores de óleo e pólen), Apidae e Halictidae (somente pólen). O estudo deixa clara a importância das abelhas especializadas em coleta de óleo no ciclo de vida de B. sericea, pois estas mostraram ser os polinizadores mais numerosos e eficientes.

Pereira et al. (1989) estudando a fenologia de espécies lenhosas e herbáceas da caatinga com ênfase nas de interesse apícola observaram que das espécies lenhosas, o marmeleiro (C. sonderuanus Mül. Arg.), o pau-branco (Auxemma oncocalyx Taub.), o pereiro (Aspidosperma pirifolium Mart.) o sabiá (Mimosa caesalpiniaefolia Bentn.) floresceram no período das chuvas, enquanto o angico (Anadenanthera macrocarpa (Benth.) Brenan), a jurema preta (Mimosa acutistipula Benth.) e o juazeiro (Zizyphus joazeiro Mart.) o fizeram ao longo da estação seca.

Todas as espécies herbáceas, que eram anuais, floresceram no período úmido, concentrando sua florada nos meses de abril e maio. Os resultados sugerem que a ocorrência de floradas ao longo de todo o ano torna a vegetação da caatinga adequadamente adaptada à exploração apícola sustentável, além de fornecerem fomentos para alimentação de rebanhos.

Conclusão

Para assegurar serviços sustentados de polinizadores associados com ecossistemas agrícolas, é preciso muito mais entendimento dos benefícios e serviços fornecidos pela diversidade de polinizadores e os fatores que influenciam seu declínio e atividade. É necessário promover a conservação e a diversidade de polinizadores nativos e naturalizados, além de conservar e restaurar as áreas naturais necessárias para otimizar os serviços dos polinizadores em ecossistemas agrícolas e em outros ecossistemas terrestres.

Darklê Luiza Souza

Adriana Evangelista-Rodrigues

Maria do Socorro de Caldas Pinto

Referencias Bibliográficas

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Fonte: www.veterinaria.org

Polinização

Polinização
Polinização

A polinização consiste no transporte de pólen desde as anteras até ao estigma de uma flor.

As plantas destinadas à produção de frutos e sementes devem ser polinizadas, ou seja, as flores destas plantas devem receber pólen em quantidade suficiente para se transformarem em frutos e estes por sua vez produzirem sementes.

Em determinadas espécies a polinização pode ser directa, isto é, a transferência de pólen faz-se para o estigma da mesma flor. Todavia, a maior parte das espécies vegetais necessitam de polinização cruzada, ou seja, da transferência de pólen de uma flor para outra, na mesma planta ou em plantas diferentes da mesma espécie. Para que a polinização ocorra, nas espécies que necessitam de polinização cruzada, é necessário que o pólen seja transportado geralmente ou pelo vento - polinização anemófila - ou pelos insectos - polinização entomófila.

As relações ecológicas entre as plantas entomófilas e as abelhas datam de há cerca de 80 milhões de anos ( ORTEGA SADA, 1987 ). Esta relação recíproca consiste no fornecimento de néctar e pólen às abelhas necessários à sua alimentação e estas, por sua vez, proporcionam às plantas a polinização.

A introdução de abelhas nas áreas agrícolas é uma técnica que permite aumentar a produtividade sem ameaçar o meio ambiente ( GODINHO, 1995 ).

Axenogamia1 oferece às plantas uma descendência muito mais variável, em termos genéticos que a autogamia, e com maiores possibilidades de produzir variedades que se adaptem a novos ambientes, competir com outras espécies e ocupar novas posições ecológicas.

Uma abelha pode visitar, para conseguir uma carga de néctar, entre 1000 a 1500 flores e pode fazer até 20 viagens por dia ( ORTEGA SADA, 1987 ).

Quando a abelha efectua a colheita de néctar ou de pólen arrasta-se entre os estames e, os grânulos de pólen aderem aos pêlos de todo o seu corpo. São estes grânulos de pólen que viajarão com a abelha de flor em flor, polinizando novas flores.

As abelhas que desenvolvem a polinização possuem pêlos por todo o corpo, especialmente nas patas traseiras, onde podem transportar até cinco milhões de grânulos de pólen ( ORTEGA SADA, 1987 ).

A abelhamelífica2 não é a única que efectua a polinização cruzada, existindo cerca de 15 a 20000 espécies de abelhas sociais, semi-sociais e solitárias que realizam esta função, contribuindo também para esta área vários outros insectos e pássaros, mas calcula-se que a abelha leva a cabo 80% da polinização entomófila.

As abelhas são politrópicas, pois realizam a sua actividade polinizadora numa grande variedade de plantas.

PAIXÃO (1974) diz que um sábio norte americano declarou que a riqueza em mel e cera, produzida pelas abelhas nos E.U.A, nada é em comparação com os serviços que elas prestam na fecundação das plantas, indispensável à formação dos frutos.

Estudos levados a cabo na Hungria, Roménia e Espanha mostram claramente que a instalação de colmeias em zonas de cultivo de girassol pode aumentar a colheita em cerca de 30%. Também no cultivo do melão, o aumento devido a uma boa polinização pelas abelhas pode ser superior a 50% (ORTEGA SADA, 1987).

Fonte: www.dacostadesigns.com

Polinização

Polinização é o transporte do pólen dos estames de uma flor até a parte feminina de outra; deste modo, obtêm-se as sementes que produzirão uma nova planta.

Em alguns casos, o pólen é transportado pelo vento, mas há plantas que dependem dos animais, especialmente insetos, para que ocorra a polinização.

As abelhas são um dos insetos polinizadores mais importantes, já que visitam muitas flores. Quando pousam sobre uma flor, seu corpo fica coberto de pólen e, ao visitar a flor seguinte, parte do pólen se desprende, polinizando a planta.

A importância da polinização

As abelhas dependem das flores para sua sobrevivência, pois obtêm nelas os açúcares de que necessitam para obter a energia calórica, e o pólen, que é sua fonte de proteínas.

Esta relação entre as abelhas e as flores funciona nos dois sentidos: ao mesmo tempo que as abelhas se beneficiam visitando as flores e colhendo ali o seu alimento, as flores se beneficiam da visita produzindo melhores frutos. As abelhas sem ferrão são visitantes importantes das copas das árvores.

Provavelmente são responsáveis pela preservação da nossa vegetação nativa.

Polinização

Polinização:

1) A flor possui órgãos reprodutivos. No centro temos o órgão feminino que contém o óvulo
2)
Ao redor deste estão os órgãos masculinos que contêm os grãos de pólen
3)
O grão de pólen 4) se adere ao corpo da abelha.
5)
Ao visitar outras flores a abelha deixa o pólen no órgão feminino e ocorre a polinização.
6)
Quando o grão de pólen germina e se une ao óvulo ocorre a fertilização que resultará em sementes e frutos.

Fonte: www.webbee.org.br

Polinização

A polinização é o processo de condução de grãos de pólen que sai do órgão masculino (antera) e vai até o órgão feminino (estigma).

A polinização é responsável pela reprodução das plantas.

A polinização pode ser de dois tipos: direta ou indireta.

Polinização Direta

A polinização direta pode ser chamada de autopolinização ou autogamia.

Acontece quando o pólen sai da antera e cai sobre o estigma da mesma flor, sem a ajuda dos agentes polinizadores. Este tipo de polinização resulta na autofecundação, e isso não é vantajoso para os vegetais, pois impede a formação de novas sementes, e o desenvolvimento de flores férteis e fortes.

Para evitar que ocorra este tipo de fecundação, as plantas possuem alguns mecanismos de defesa:

Dicogamia: os órgãos reprodutores da planta amadurem em épocas distintas.

Existem dois tipos de dicogamia:

Protandria – é quando o órgão reprodutor masculino amadurece primeiro que o feminino.
Protoginia –
acontece o inverso, o órgão reprodutor feminino amadurece primeiro que o masculino.

Dioicia: a planta não possui flores com os dois sexos.

Hercogamia: há um obstáculo entre o gineceu e o androceu.

Heterostilia: o estame e o pistilo possuem tamanhos diferentes.

Auto-esterilidade: a flor não pode ser fecundada pelo seu próprio pólen.

Polinização Indireta

A polinização cruzada ou indireta ocorre quando os grãos de pólen são levados da antera de uma flor até o estigma da outra.

Veja a classificação dos agentes polinizadores:

Entomofilia: é quando o pólen é conduzido pelos insetos, que são fascinados pelo odor e pela cor das flores. Outro fator que atrai os insetos para as flores é a substância produzida por elas, denominada néctar, que é um alimento para os insetos que contêm grande quantidade de nutrientes.
Ornitofilia:
é quando o pólen é conduzido pelas aves. O principal agente polinizador é o beija-flor. Que são atraídos pelas suas cores vivas, seu cheiro agradável e pelo néctar, que também é um alimento para os beija-flores.
Anemofilia:
é a polinização realizada pelo vento. Para este tipo de polinização, não é necessário que a planta seja atraente, ela só deve possui uma quantidade significante de pólen que tenham facilidade de voar pelos ares. E o estigma deve ter uma eminência para conseguir captar o pólen que vem com o vento.
Quiropterofilia:
é o tipo de polinização realizada por morcegos, que são atraídos por flores de forte odor. A quiropterofilia é um tipo de polinização noturna.
Hidrofilia:
é quando o pólen é transportado pela água. Ocorre em pouca freqüência, geralmente em plantas aquáticas. Por exemplo: Vallisnéria.

Fonte: www.colegioweb.com.br

Polinização

Polinização é o ato da transferência de grãos de pólen de uma flor para o estigma de outra flor, ou para o seu próprio estigma. Pode-se dizer que a polinização é o processo de reprodução das plantas.

A transferência de pólen pode ocorrer através de fatores bióticos, ou seja, com auxílio de outras espécies, ou abióticos, através de fatores ambientais.

Os tipos gerais de polinização são os seguintes:

Anemofilia - vento
Entomofilia: insetos (abelhas e moscas);
Cantarofilia: besouros;
Psicofilia: borboletas;
Falenofilia: mariposas;
Quiropterofilia: morcegos
Ornitofilia: aves
Hidrofilia: água
Flor de Neomarica candida sendo visitada por abelha:
entomofilia.
Gramínea Cortaderia sellowana, com suas inflorescências ao vento: anemofilia.
Polinização por borboleta - psicofilia
Polinização por aves - ornitofilia
Polinização por morcegos – quiropterofilia
Polinização por moscas - entomofilia
Polinização por mariposa - falenofilia
Polinização por besouro - cantarofilia

Entre as Gimnospermas a polinização é quase sempre anemófila. Especula-se que isso seja conseqüência do momento em que estas plantas evoluíram, quando não haviam insetos especializados na coleta de pólen, como abelhas e outros insetos.

Em contraste, entre as Angiospermas, o surgimento de flores coincidiu com o surgimento de abelhas, borboletas, mariposas, aves e mamíferos, e a estrutura reprodutiva destas plantas foi selecionada de forma a atrair estes animais, surgindo então uma infinidade de formas, tamanhos, cores, aromas e texturas, cada uma de acordo com uma estratégia mais ou menos específica de atração de polinizadores.

Surgiram novas estruturas, como nectários, ornamentações, pétalas comestíveis, glândulas de perfume, óleo e resina, todos recursos benéficos a aqueles animais que asseguram que suas flores sejam visitadas e seu pólen carregado para outra flor da mesma espécie.

Os insetos, ou outros animais, coletam substâncias oferecidas pelas flores, como néctar, pólen, óleos, perfume ou resinas e, em contrapartida, transfere pólen entre as flores.

A polinização é o passo que precede a fecundação.

A polinização entre diferentes plantas da mesma espécie é o principal mecanismo de recombinação genética para os vegetais, fonte de variabilidade das características.

Muitas plantas polinizadas por insetos apresentam pétalas pigmentadas de azul ou amarelo, produzindo também substâncias aromáticas que atraem os insetos (animais com olfato bem desenvolvido).

As plantas polinizadas por aves geralmente são vermelhas ou laranjadas, cores que as aves enxergam bem, contudo estas sem aroma, visto que as aves não possuem olfato apurado, o que acaba por não atrair os insetos tanto pela cor quanto pelo cheiro.

Dessa forma, as flores diurnas são mais vistosas e coloridas, podendo geralmente utilizar recursos odoríferos. Plantas com floração noturna não são muito coloridas, pois no escuro a estratégia adaptativa é atrair seus polinizadores pelo odor. É o caso da paineira, que ao exalar cheiro forte atrai morcegos e também a dama-da-noite, com flores brancas de intensa fragrância e veios de néctar que atraem as mariposas.

Outra característica está relacionada à resistência da pétala.

Normalmente, a pétala é uma estrutura muito frágil, sendo a sua consistência favorável ao pouso de alguns insetos e outros não. Animais de peso mais considerável vão polinizar flores com pétalas mais espessas.

Ophrys insectifera - Espécie de orquídea que depende da polinização de machos de moscas e abelhas que a confundem com a fêmea.

Muito comum em plantas é o mimetismo reprodutivo. Algumas partes da flor mimetizam a fêmea de algumas espécies de insetos e se beneficiam da tentativa de cópula do macho para sua polinização.

Fonte: aprender.unoeste.br

Polinização

A maneira pela qual as plantas se reproduzem

O objetivo principal de qualquer flor é atrair o agente polinizador, para garantir a perpetuação de espécie pela polinização.

Os agentes polinizadores geralmente são insetos (entomofilia), aves (ornitofilia) e morcegos (quiropterofilia). Normalmente, as flores coloridas atraem seu agente com eficiência, devido aos diferentes tons e quantidade de cores.

Os insetos conseguem perceber tons que variam do amarelo ao vermelho com grande facilidade. As flores coloridas também se destacam entre os vários tons de verde da vegetação. Mas, as flores brancas não dispõem deste mecanismo, e, portanto utilizam o seu perfume. Este também é um mecanismo muito eficaz.

Após ser atraído, o inseto se alimenta e, ao retirar o néctar de uma planta, acaba levando o pólen dela para outra, garantindo assim a variabilidade genética. Mas quais são as partes da flor que recebem o pólen? Como ocorre a fecundação? Antes de responder estas questões, vejamos as partes de uma flor.

Partes da flor

Primeiramente as flores são formadas por três partes distintas, são elas:

Pedúnculo: parte que sustenta a flor e está ligada ao caule
Receptáculo:
porção dilatada do pedúnculo onde se encontram os verticilos florais
Verticilos florais:
cálice e a corola (estes servem para proteção) e androceu e gineceu (que servem para reprodução).

O cálice é o conjunto de sépalas (folhas verdes modificadas), enquanto que a corola corresponde ao conjunto de pétalas (folhas coloridas). O androceu é o órgão masculino da flor e é formado por estames. Os estames são formados por filete, antera e conectivo. Na antera se localizam dois sacos polínicos, local onde são produzidos e armazenados os grãos de pólen.

O gineceu é o órgão feminino da flor e é formado por um ou mais carpelos. O carpelo ou pistilo é formado por estigma, estilete e ovário.

No interior do ovário podemos encontrar os óvulos. Algumas plantas amadurecem apenas um óvulo por ovário como, por exemplo, o pêssego, o abacate entre outros, enquanto outras plantas amadurecem vários óvulos como é o caso do tomate, melancia, etc.

O caminho do pólen

Agora que já desvendamos as partes da flor, vejamos o caminho que o pólen realiza para que ocorra a fecundação. A maioria das flores é hermafrodita, pois apresentam o androceu e o gineceu, mas geralmente as plantas não realizam a autofecundação, ou seja, o grão de pólen não atinge o seu estigma. Plantas como a ervilha são capazes de serem fecundadas antes mesmo da abertura da flor.

Há ainda flores hermafroditas em que isto não ocorre, pois no momento em que o pólen está sendo dissipado, o gineceu da mesma planta não se encontra "aberto", ou apresenta mecanismos para impedir a autofecundação, como maturidade dos gametas em momentos diferentes, ou disposição do androceu em relação ao gineceu.

Existe um grande caminho entre a formação de uma planta, abertura da flor, polinização, desenvolvimento do fruto e da semente, até o reinício de um novo ciclo no Reino plantae e só nos resta observar, contemplar e respeitar o tempo estipulado pela natureza.

Cristina Faganelli Braun Seixas

Fonte: educacao.uol.com.br

Polinização

O que é polinização?

Polinização
Polinização

A polinização é a transferência de grãos de pólen das anteras de uma flor para o estigma (parte do aparelho reprodutor feminino) da mesma flor ou de uma outra flor da mesma espécie. As anteras são os órgãos masculinos da flor e o pólen é a gameta masculino. Para que haja a formação das sementes e frutos é necessário que os grãos de pólen fecundem os óvulos existentes no aparelho reprodutor feminino.

A transferência de pólen para o estigma pode ocorrer das anteras para o estigama da mesma flor ou de flor diferente, mas na mesma planta (autopolinização) ou pode ser feita de uma flor para outra em plantas diferentes (polinização cruzada).

Como ocorre a polinização?

A transferência de pólen pode ser através de fatores bióticos, ou seja, com auxílio de seres vivos, ou abióticos, através de fatores ambientais, esses fatores pode ser: vento (Anemofilia), água (Hidrofilia); insetos (Entomofilia), morcegos (Quiropterofilia), aves (Ornitofilia).

Para atrair os agentes polinizadores bióticos as espécies vegetais oferecem recompensas, pólen, néctar, óleos ou mesmo odores, utilizadas na alimentação ou reprodução dos animais. Contudo, nem todos os animais que procuram as recompensas atuam como polinizadores efetivos, muitos visitantes são apenas pilhadores oportunistas, que roubam a recompensa sem exibir um comportamento adequado para realizar uma polinização eficiente.

Anos de co-evolução entre planta e agente polinizador, favoreceram umas adaptações morfológicas, fisiológicas e comportamental, que algumas vezes tiveram como conseqüência uma dependência tão estreita que a extinção de um leva a extinção do outro.

As abelhas e a polinização

Na maioria dos ecossistemas mundiais, as abelhas são os principais polinizadores (BIESMEIJER & SLAA, 2006). Estudos sobre a ação das abelhas no meio ambiente evidenciam a extraordinária contribuição desses insetos na preservação da vida vegetal e também na manutenção da variabilidade genética (NOGUEIRA-COUTO, 1998).

Estima-se existir cerca de 20.000 espécies de abelhas, contudo este número pode ser duas vezes maior, sendo necessário realizar estudos de levantamento das abelhas e as interações abelha-planta nos diversos biomas (ROUBICK, 1992). Entretanto, devido à redução das fontes de alimento e locais de nidificação, ocupação intensiva das terras e uso de defensivos agrícolas, as populações de abelhas silvestres têm sido reduzidas drasticamente, colocando em risco todo o bioma em que vivem. Uma das dificuldades em se promover a conservação das abelhas é a falta de conhecimento sobre as mesmas.

Nas regiões tropicais, as abelhas sociais (Meliponina, Bombina e Apina) estão entre os visitantes florais mais abundantes (HEITHAUS, 1979; ROUBIK, 1992; BAWA, 1990). No Brasil, as abelhas sem ferrão (Meliponina) são responsáveis pela polinização de 40 a 90% das espécies arbóreas (KERR et. al., 1996); dessa forma, a preservação das matas nativas é dependente da preservação dessas espécies.

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Fonte: www.cpamn.embrapa.br

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