A polinização é a transferência de grãos de pólen das anteras de uma flor para o estigma (parte do aparelho reprodutor feminino) da mesma flor ou de uma outra flor da mesma espécie. As anteras são os órgãos masculinos da flor e o pólen é a gameta masculino. Para que haja a formação das sementes e frutos é necessário que os grãos de pólen fecundem os óvulos existentes no aparelho reprodutor feminino.
A transferência de pólen para o estigma pode ocorrer das anteras para o estigama da mesma flor ou de flor diferente, mas na mesma planta (autopolinização) ou pode ser feita de uma flor para outra em plantas diferentes (polinização cruzada).
A transferência de pólen pode ser através de fatores bióticos, ou seja, com auxílio de seres vivos, ou abióticos, através de fatores ambientais, esses fatores pode ser: vento (Anemofilia), água (Hidrofilia); insetos (Entomofilia), morcegos (Quiropterofilia), aves (Ornitofilia).
Para atrair os agentes polinizadores bióticos as espécies vegetais oferecem recompensas, pólen, néctar, óleos ou mesmo odores, utilizadas na alimentação ou reprodução dos animais. Contudo, nem todos os animais que procuram as recompensas atuam como polinizadores efetivos, muitos visitantes são apenas pilhadores oportunistas, que roubam a recompensa sem exibir um comportamento adequado para realizar uma polinização eficiente.
Anos de co-evolução entre planta e agente polinizador, favoreceram umas adaptações morfológicas, fisiológicas e comportamental, que algumas vezes tiveram como conseqüência uma dependência tão estreita que a extinção de um leva a extinção do outro.
As abelhas e a polinização
Na maioria dos ecossistemas mundiais, as abelhas são os principais polinizadores (BIESMEIJER & SLAA, 2006). Estudos sobre a ação das abelhas no meio ambiente evidenciam a extraordinária contribuição desses insetos na preservação da vida vegetal e também na manutenção da variabilidade genética (NOGUEIRA-COUTO, 1998).
Estima-se existir cerca de 20.000 espécies de abelhas, contudo este número pode ser duas vezes maior, sendo necessário realizar estudos de levantamento das abelhas e as interações abelha-planta nos diversos biomas (ROUBICK, 1992). Entretanto, devido à redução das fontes de alimento e locais de nidificação, ocupação intensiva das terras e uso de defensivos agrícolas, as populações de abelhas silvestres têm sido reduzidas drasticamente, colocando em risco todo o bioma em que vivem. Uma das dificuldades em se promover a conservação das abelhas é a falta de conhecimento sobre as mesmas.
Nas regiões tropicais, as abelhas sociais (Meliponina, Bombina e Apina) estão entre os visitantes florais mais abundantes (HEITHAUS, 1979; ROUBIK, 1992; BAWA, 1990). No Brasil, as abelhas sem ferrão (Meliponina) são responsáveis pela polinização de 40 a 90% das espécies arbóreas (KERR et. al., 1996); dessa forma, a preservação das matas nativas é dependente da preservação dessas espécies.
BAWA, K.S. Plant-pollinator interactions in tropical rain
forests. Ann. Rev. Ecol. System., v. 21, p. 399-422, 1990.
BIESMEIJER, J. C.; SLAA, E. J. The structure of eusocial
bee assemblages in Brazil. Apidologie, n. 37, p. 240-258, 2006.
HEITHAUS, E.R. Community structure of neotropical flower
visiting bees and wasps: diversity and phenology. Ecology, n. 60, p. 190-202,
1979.
KERR, W.E.; CARVALHO, G. A; NASCIMENTO, V.A.; et al.
Abelha uruçu: biologia, manejo e conservação. Belo Horizonte: Fundação Aguangaú,
144p., 1996.
NOGUEIRA-COUTO, R. H. As abelhas na manutenção da biodiversidade
e geração de rendas. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE APICULTURA, 12, 1998, Salvador-BA.
Anais... Salvador: 1998, p. 101.
ROUBIK, D. W. Ecology and natural history of tropical
bees. 1. ed.
Fonte: www.cpamn.embrapa.br

O objetivo principal de qualquer flor é atrair o agente polinizador, para garantir a perpetuação de espécie pela polinização.
Os agentes polinizadores geralmente são insetos
(entomofilia), aves (ornitofilia) e morcegos (quiropterofilia). Normalmente,
as flores coloridas atraem seu agente com eficiência, devido aos diferentes
tons e quantidade de cores.
Os insetos conseguem perceber tons que variam do amarelo ao vermelho com grande
facilidade. As flores coloridas também se destacam entre os vários tons de
verde da vegetação. Mas, as flores brancas não dispõem deste mecanismo, e,
portanto utilizam o seu perfume. Este também é um mecanismo muito eficaz.
Após ser atraído, o inseto se alimenta e, ao retirar o néctar de uma planta,
acaba levando o pólen dela para outra, garantindo assim a variabilidade genética.
Mas quais são as partes da flor que recebem o pólen? Como ocorre a fecundação?
Antes de responder estas questões, vejamos as partes de uma flor.
Primeiramente as flores são formadas por três partes distintas, são elas:
Pedúnculo: parte que sustenta a flor e está ligada ao caule
Receptáculo: porção dilatada do pedúnculo onde se encontram os verticilos florais
Verticilos florais: cálice e a corola (estes servem para proteção) e androceu e gineceu (que servem para reprodução).
O cálice é o conjunto de sépalas (folhas verdes
modificadas), enquanto que a corola corresponde ao conjunto de pétalas (folhas
coloridas). O androceu é o órgão masculino da flor e é formado por estames.
Os estames são formados por filete, antera e conectivo. Na antera se localizam
dois sacos polínicos, local onde são produzidos e armazenados os grãos de
pólen.
O gineceu é o órgão feminino da flor e é formado por um ou mais carpelos.
O carpelo ou pistilo é formado por estigma, estilete e ovário.
No interior do ovário podemos encontrar os óvulos. Algumas plantas amadurecem apenas um óvulo por ovário como, por exemplo, o pêssego, o abacate entre outros, enquanto outras plantas amadurecem vários óvulos como é o caso do tomate, melancia, etc.
Agora que já desvendamos as partes da flor, vejamos
o caminho que o pólen realiza para que ocorra a fecundação. A maioria das
flores é hermafrodita, pois apresentam o androceu e o gineceu, mas geralmente
as plantas não realizam a autofecundação, ou seja, o grão de pólen não atinge
o seu estigma. Plantas como a ervilha são capazes de serem fecundadas antes
mesmo da abertura da flor.
Há ainda flores hermafroditas em que isto não ocorre, pois no momento em que
o pólen está sendo dissipado, o gineceu da mesma planta não se encontra "aberto",
ou apresenta mecanismos para impedir a autofecundação, como maturidade dos
gametas em momentos diferentes, ou disposição do androceu em relação ao gineceu.
Existe um grande caminho entre a formação de uma planta, abertura da flor,
polinização, desenvolvimento do fruto e da semente, até o
reinício de um novo ciclo no Reino plantae e só nos resta observar, contemplar
e respeitar o tempo estipulado pela natureza.
Cristina Faganelli Braun Seixas
Fonte: educacao.uol.com.br