Facebook do Portal São Francisco Google+
+ circle
Home  Postura Corporal  Voltar

Postura Corporal

É impossível imaginar um piano que tenha um som perfeito se estiver com alguma parte faltando, ou quebrado, ou mesmo mal posicionado. Uma flauta amassada não terá o mesmo som de uma que está perfeita.

Desta forma, acontece com o corpo humano. O som produzido será sempre influenciado pela postura que se adota, por diversas razões.

Uma boa postura:

1 - É bem menos cansativa do que uma postura má ou relaxada, pois assim, os ossos e músculos fìcam posicionados de modo que haja o mínimo de esforço e tensão.

2 - Causa um melhor aproveitamento respiratório.

3 - Dá um melhor aspecto à visualização, além de transmitir maior segurança.

4 - Coloca o mecanismo vocal na melhor posição para o seu posicionamento, tornando mais fácil a produção de uma sonoridade com qualidade.

5 - Traz confiança, bem-estar psicológico e físico o todo o organismo.

6 - Faz o corpo funcionar melhor, consequentemente beneficia a saúde vocal.

A boa postura para cantar deve ser aprendìda e praticada até que se torne um bom hábito:

1. Pés

Uma boa base dá maior segurança e firmeza. Inicialmente, deverão estar um pouco afastados. Em apresentações mais demoradas, o ideal é variar a sustentação do peso entre os pés, porém não de forma demorada, para evitar fadiga e tensão. Não se deve colocar o peso apenas sobre os calcanhares.

2. Pernas

Como ajudam a fixar e sustentar o corpo, elas nunca ficam totalmente relaxadas. No entanto, elas devem ficar flexíveis, nunca rígidas, prontas para o movimento.

Não se deve apoiar todo 0 peso do corpo somente em uma perna, pois haverá uma forte tendência a tremer. Para ajudar a resolver a tensão nas pernas e pés, pode-se fazer algum alongamento nesta região.

3.Quadris

Devem estar equilibrados, evitando um lado estar mais elevado que o outro. Porém, uma leve alternancia, ou movimentação ajuda a relaxar esta região, pois não é bom que esteja muito rígida durante a apresentação.

4.Abdome

Não deve estar exageradamente projetado para dentro ou para fora. Deve-se evitar tensões demasiadas neste local, pois a musculatura desta região é de extrema importância para a respiração controlada, como é a de um cantor ou orador.

5.Costas

Manter a coluna ereta de forma não rígida favorece o bem estar do som, por melhorar as condições da expansão do tórax, melhorando a respiração. Deve permanecer de forma equilibrada, sem inclinações exageradas.

6. Tórax

Deve estar numa posição relaxada, evitando-se qualquer contração muscular exagerada, para facilitar o mecanismo do ar. Deve-se sentir todo o tórax agindo em conjunto.

7. Ombros

Devem estar descontraídos, sem nenhuma tensão nestas articulações. Qualquer rigidez nesta região pode comprometer a ação dos músculos do tórax e do pescoço. Eles não devem se mover muito para frente, nem para trás, nem para baixo, muito menos para cima. A rigidez local pode complicar a toda a postura.

8. Braços e mâos

Devem estar caídos livremente ao longo do corpo, de forma natural, o mais livre de tensão possível. Os maneirismos devem ser evitados, como ficar aperfando as mãos à frente ou atrós, ou torcendo-as, pois isso causa uma tremenda tensão nos braços e no tórax, além de interferir na ação dos outros músculos do corpo.

Esse tipo de atitude também é bastante deselegante. E ao segurar o microfone, deve-se ter o cuidade de manter os ombros e braços relaxados, para evitar tensão no pescoço.

9.Cabeça

Deve estar centralizada. O olhor deve estar na dìreção das pessoas, e o queixo não deve estar nem muito baixo nem muito alto.

10. Posição sentada

Quando se está sentado, o principal apoio do corpo é o assento. O tronco e a cabeça devem estar alinhados, com a coluna ereta, e os quadris devem estar bem apoiados no encosto, sem, no entanto, fazer com que o abdome fique projetado para frente, ou o oposto, ficando com a coluna inclinada para frente.

Em ambas as situações haverá comprometimento da respiração, e cansaço em pouco tempo. Se se está sentado em uma cadeira com braços, não se deve apoiar os próprios braços sobre os da cadeira, pois haverá maior sobrecarga nos ombros, prejudicando a coluna.

Fonte: www.escolaunileiser.hpg.ig.com.br

Postura Corporal

FATORES QUE INFLUENCIAM NA POSTURA CORPORAL DE ESCOLARES E FORMAS DE PREVENÇÃO

Introdução

O termo postura pode ser entendido como uma posição otimizada, mantida com característica automática e espontânea, de um organismo em perfeita harmonia coma gravidade. Além disso, pode ser considerado o conjunto de relações existente entre um organismo como um todo, e o ambiente que o cerca. (TRIBSTONE,2001).

A má postura é um hábito adquirido na infância, e se não corrigido, carrega-se por toda vida, com várias conseqüências, entre elas os desvios posturais. (Érica Verderi,2005) A utilização de posturas corporais equivocadas e o excesso de sobrecarga diária na coluna podem levar a algias precoces em escolares. Os desvios posturais nas crianças e adolescentes sofrem influência de fatores biológicos e ergonômicos.

Entre os fatores que alteram a postura corporal estão os sobrepeso. Esse provoca instabilidade músculo-esquelético, deslocamento do centro de gravidade e a combinação de encurtamento e alongamento excessivos.

Outro fator biológico é a respiração. Os músculos respiratórios quando tensos favorecem alterações posturais. O mobiliário inadequado e o elevado número de horas na mesma posição, além da carga excessiva na mochila são os maiores problemas ergonômicos.

Acreditamos, que, para se tentar minimizar incidência de afecções posturais no escolar se faz necessário mudanças na estrutura física da sala de aula, monitorar a carga das mochilas, mudança de hábitos alimentares e a prática de exercícios físicos e posturais regularmente.

O que é postura

A Academia Americana de Ortopedia define a postura como o estado de equilíbrio entre músculos e ossos com capacidade para proteger as demais estruturas do corpo humano de traumatismos, seja na posição em pé, sentado ou deitado (ADAMS et al citado por BRACCIALLI E VILARTA, 2000).

A postura consiste numa relação estável entre o sujeito e o meio, o que resulta numa estabilização espacial. Dessa forma, quando o indivíduo se percebe, tem a impressão de estabilidade no espaço por ele ocupado. (NORRÉ citado por BRACCIALLI E VILARTA, 2000).

Uma postura correta é indispensável para um bom equilíbrio, mas uma postura incorreta não implica obrigatoriamente num distúrbio do equilíbrio. Ele argumenta dizendo que a postura é um momento estático com poucas oscilações, já o equilíbrio é dinâmico e pode ser mantido com pouca ou muita oscilação. (GUIDETTI citado por CAMPELO et al, 1997).

Existem inúmeras outras definições, porém deve-se ressaltar que postura envolve uma relação dinâmica nas quais as partes do corpo, principalmente, os músculos esqueléticos, se adaptam em resposta a estímulos recebidos.

Aspectos fisiológicos que interferem na postura

Diversos fatores que influenciam a postura humana. A herança genética é considerada um dos mais importantes, mas tem ainda fatores internos e externos, biológicos, sociais e ou culturais, momentâneos e definitivos. (BRACCIALLI E VILARTA, 2001).

Respiração

O homem, na tentativa de manter-se ereto, submete os músculos da estática, que são responsáveis pela diminuição da flexibilidade do sistema locomotor humano, a um estado de tensão constante. Os músculos da dinâmica, após a contração inicial, retornam completamente a um estado de relaxamento, sendo responsáveis pelos movimentos de grande amplitude. (SOUCHARD, 1996)

O autor enfatiza, também, o importante papel desempenhado pela respiração na manutenção da postura, tendo em conta que os músculos responsáveis pela inspiração são considerados da estática e que os músculos abdominais, exercem um papel dinâmico. Geralmente os músculos inspiratórios se mantêm constantemente tensos e os expiratórios relaxados. Esses padrões podem favorecer alterações posturais.

Obesidade

A associação da obesidade com alterações ósteo-articulares pelo excesso de massa corporal, diminuição da estabilidade e aumento das necessidades mecânicas para adaptação corporal. (CAMPOS et al, 2002) Há alteração postural no obeso; a presença de abdômen protuso determina o deslocamento anterior do centro de gravidade, com aumento da lordose lombar e inclinação anterior de pelve (anteroversão).

A cifose torácica se acentua, ocasionando aumento da lordose cervical e o deslocamento anterior da cabeça. Com a evolução do quadro, instalam-se encurtamentos e alongamentos excessivos que em combinação com a inclinação anterior da pelve ocasionarão rotação interna dos quadris e aparecimento dos joelhos valgos e pés planos. (BRUSCHINI e NERI,1995) .

Na obesidade ocorrem alterações torácicas que interferem na mecânica respiratória. (TEIXEIRA,1996). O padrão apical somado a hipertonia da musculatura assessoria. (CAMPOS et al,2002) A partir do exposto, é possível inferirmos que a obesidade, por se constituir em um problema multifatorial e plurissistêmico, influi também no aparelho locomotor.

As alterações posturais não são exclusivas dos portadores da obesidade, mas sugerem com maior freqüência em virtude da ação mecânica desempenhada pelo excesso de massa corporal e o aumento das necessidades mecânicas regionais.(SACCO et al e TEIXEIRA citado por CAMPOS et al,2002)

Influência da Mochila e Mobiliário na postura dos Escolares

Ao relacionar ambiente escolar e postura percebe-se que os problemas são diversos, como por exemplo: dificuldades ergonômicas, como as encontradas no transporte do material escolar, arquitetura desfavorável do imóvel, disposição e proporções inadequadas do mobiliário, as quais, provavelmente, serão responsáveis pela manutenção, aquisição ou agravamento de hábitos posturais inapropriados.

MOBILIÁRIO

O aluno terá de utilizar a postura sentada por, no mínimo, oito anos, cerca de quatro a cinco horas por dia, e de maneira muitas vezes inadequada, exigindo desse uma manutenção dos mecanismos visual, auditivo, oculomotor e motor em atividade prolongada. Essas atividades são responsáveis pela fadiga do sistema visual e psicológico afetando, assim, a motivação e atenção e, consequentemente, o rendimento escolar e sua saúde, pois, é altamente desaconselhável permanecer sentado por mais de 45 a 50 minutos sem interrupções.

A postura sentada gera várias alterações nas estruturas músculo-esqueléticas da coluna lombar. O simples fato de o indivíduo passar da postura em pé para a sentada aumenta em aproximadamente 35% a pressão interna no núcleo do disco intervertebral e todas as estruturas (ligamentos, pequenas articulações e nervos) que ficam na parte posterior são esticadas – isso se o sujeito estiver sentado nas melhores condições possíveis. Além dos problemas lombares. (ZAPATERA et al, 2004; NACHEMSON,1975; BRACCIALLI E VILARTA, 2000).

Na região do vale do Aço foram constatados diversos irregularidades e problemas ergonômicos no mobiliário escolar. O mobiliário não se adequava as normas da ABNT e não se adaptava a estatura dos alunos (utilizado pela faixa etária de sete anos até a idade adulta), exigindo desses maiores flexões de tronco resultando em fadiga postural. CURSO e PAOLIELLO. Em outro estudo as cadeiras e mesas inadequadas provocaram o deslocamento lateral dos braços, movendo o centro de massa lateralmente, aumentando a carga na coluna. (ANDERSSON et al citado por BRACCIALLI E VILARTA, 2000).

O assento deve ser adequado ao tipo de atividade, tenha as dimensões adequadas e que permita variações freqüentes de postura para aliviar as tensões nos discos e músculos, reduzindo assim a fadiga. As salas tinham excesso de cadeiras, não possibilitando o espaço mínimo entre as classes. A iluminação era inadequada tanto a falta dela como em excesso ou reflexo de luz no quadro prejudicando o campo visual do aluno.

CURSO e PAOLIELLO Mesmo utilizando mobiliário inadequado raramente se manifestará distúrbios patológicos graves, mas pode ocorrer dor de cabeça, sono, dores articulares, dores lombares, irritabilidade, perda de interesse pela leitura, pelos contatos sociais. CURSO e PAOLIELLO Caso o indivíduo sentado realize posturas incorretas por longo período – flexão anterior do tronco, falta de apoio lombar e falta de apoio do antebraço – as alterações são potencializadas, sendo que a pressão intradiscal aumenta para mais de 70%. Este fato pode predispor o indivíduo a maiores índices de desconfortos gerais, tais como dor, sensação de peso e formigamento em diferentes partes do corpo e, principalmente, a processos degenerativos, como a hérnia de disco (COURY, citado posr ZAPATER, 2004).

Uma forma de minimizar os efeitos adversos da postura sentada para as estruturas músculo- esqueléticas é o planejamento e/ou replanejamento do ambiente físico, com adoção de mobiliário ajustável a diferentes requisitos da tarefa e às medidas antropométricas individuais (ZAPATER et al, 2004).

A coluna lombar em lordose, promove diminuição na pressão intradiscal, portanto uma cadeira com apoio na região lombar e inclinação do encosto em 100º seria a mais adequada. (NACHEMSON, 1975). A inclinação anterior do assento de 0º para 15º em relação à horizontal, adequação da altura da cadeira, inclinação em 10º da prancha de trabalho em relação à horizontal, posicionamento dos olhos a 40 cm da prancha de trabalho sem impor a flexão da coluna lombar, permitiram uma diminuição em 50% na pressão intradiscal nas três últimas vértebras lombares, quando comparado com uma estação de trabalho habitual. (LELONG et al citado em BRACCIALLI E VILARTA 2000).

A utilização de intervalos e as mudanças de posturas durante as atividades de trabalho são necessárias para manter a boa hidratação do disco intervertebral. (KRAMER citado em BRACCIALLI E VILARTA, 2000),

MOCHILA

A inclinação anterior e aumento de pressão intradiscal na região lombossacral em escolares devido o peso da mochila com fixação dorsal. Já os indivíduos que usavam mochilas com fixação escapular, apresentaram modificações no plano látero-lateral, observando alterações no deslocamento torácico e lombar, na linearidade do ombro e na distância cotovelo-tronco, desenvolvendo curvaturas laterais. (REBELLATO et al, 1991).

Uma carga de 15 a 20% da massa corporal nas mochilas leva a inclinação do tronco, isso não ocorre quando é utilizado o valor recomendado inferior a 10 % da massa corporal dos estudantes do ensino fundamental. (FLORES et al, 2006). Já a analise da marcha usando mochila sem carga, com 10% e 20% do peso corporal foi observado inclinação do tronco já com 10% do peso corporal, diferente do estudo de Flores. (CARVALHO, 2004).

Ambos concordam que ocorrem maiores alterações na coluna com 20% do peso corporal como esforços musculares excessivos, fadiga e suscetível aumento de lesão no aparelho locomotor. Além disso, o peso deve ser menor que 10% evitando alterações acentuadas na coluna. O ministério da saúde também utiliza como parâmetro de saúde essa porcentagem. (Neves, 2007). Esse estudo mostra que para evitar algias na coluna a mochila deve ter alças reguláveis, largas e acolchoadas; com presença de cinto abdominal regulado à altura da criança para que fique bem firme nas costas.

Conclusões

As alterações posturais relacionadas às posturas inadequadas são distúrbios anátomo-fisiológicos que se manifestam geralmente na fase de adolescência e pré-adolescência, pois é o período em que há o estirão de crescimento.(KAVALCO, 2000).

Os casos de algias posturais da coluna vertebral, inclusive em crianças e adolescentes, vêm crescendo consideravelmente. A prevalência de desvios na coluna em estudantes de 11 a 16 anos e relacionou-os aos hábitos diários (onde dorme, come, faz tarefas escolares) estrutura escolar (mobiliário tipo de mochila) (MANGUEIRA, 2004). As deformidades ósseas se desenvolvem principalmente dos 7 aos 14 anos, por isso é considerado um bom período para correções posturais. (LAPIERRE citado em SACCO et al, 2003).

Acreditamos que, para se tentar minimizar a alta incidência de afecções posturais no adulto, se faz necessário um trabalho de base abrangente, atuando, principalmente, no plano preventivo e educacional, possibilitando a mudança de hábitos inadequados.

Quando os alunos são mantidos durante todo o período de aula na posição sentada, verifica-se que os mesmos tornam-se desatentos, derrubam constantemente objetos da mesa, movimentam-se o tempo todo (SILVA citado por BRACCIALLI E VILARTA, 2000). Portanto, a movimentação corporal e participação dos alunos, seria uma medida eficaz na prevenção de futuras afecções posturais. Se uma carga estática é repetida freqüentemente e mantida por um longo tempo, resultam em dores não somente devido a alterações dos músculos, mas também dos tecidos conjuntivos dos tendões, cápsulas articulares e nos ligamentos (GRANDJEAN e HÜNTING citado por BRACCIALLI e VILARTA, 2000).

Utilização de mochilas com no máximo 10% da massa corporal do estudante prevenindo assim algias e possíveis desvios posturais. (REBELLATO et al,1991; FLORES et al,2006). 2000 sugeriram que o transporte de uma carga externa assimétrica, durante um tempo significativo, por crianças e pré-adolescentes, seria um dos fatores contribuidores do aparecimento de curvas escolióticas.Outra solução interessante é a instalações de armários individuais nas escolas. (NOONE et alcitado por BRACCIALLI E VILARTA, 2000).

A educação postural tem como finalidade possibilitar à pessoa ser capaz de proteger ativamente seus segmentos móveis de lesões dentro das condições de vida diária e profissional seja no plano estático ou dinâmico. Ela permite a realização dentro de um espaço de segurança gestual (SIMON et al citado por BRACCIALLI E VILARTA 2000).

O primeiro passo seria um trabalho de orientação aos professores das escolas sobre a importância da profilaxia e prevenção das dores nas costas, devido a posturas pobres, teria um grande efeito na redução de alterações posturais no adulto. Portanto a variação das posturas corporais e das atividades didáticas seria uma forma de aumentar o prazer do aluno e professores durante o dia letivo.

As aulas de Educação Física podem melhorar o nível de consciência corporal e da imagem corporal através da educação corporal.

O Professor de educação física pode intervir na detecção precoce de possíveis alterações posturais, juntamente com profissionais da saúde. Estimular a exploração do corpo, evitar sobrecargas posturais desnecessárias e adaptar mobiliário e ambiente às necessidades de cada indivíduo. Importância da detecção precoce de afecções posturais, principalmente se considerarmos o enorme potencial adaptativo das estruturas relacionadas à postura durante o período de crescimento.

O trabalho realizado por Souchard pode ser utilizado em uma etapa futura como trabalho de educação postural nas escolas, combinado com outras técnicas e trabalhos posturais. Os exercícios de alongamento de Souchard devem ser realizados por meio de trações globais que corrijam ao mesmo tempo todas as possíveis compensações ligadas a determinada cadeia muscular, procurando aspectos a serem considerados na elaboração de programas de prevenção normalização da morfologia. Os alongamentos prolongados, suaves, progressivos e com baixo número de repetições, são considerados mais eficazes do que as trações bruscas e com grande número de repetições.

Esse mostra a importância da realização simultânea de exercícios concêntricos para a musculatura da dinâmica enfraquecida, e exercícios excêntricos para a musculatura da estática retraída liberação expiratória. Tais atividades podem permitir um reequilíbrio do tônus postural e a realização eficaz, harmônica e segura de quaisquer movimentos. Além disso, permitir a manutenção da flexibilidade global do indivíduo e, conseqüentemente, um desempenho melhor nas atividades físicas e uma maior conscientização corporal para a criança.

Crixel Badia Rita Mariane Brocker

REFERÊNCIAS

BRACCIALLI, L.M. ; VILARTA, R. Aspectos a serem considerados na Elaboração de programas de prevenção e orientação de problemas posturais. Revista paulista de Educação Física, São Paulo, v.14, n.2, p.159-71, 2000.
BRACCIALLI, L.M. ; VILARTA, R. Postura corporal: reflexões teóricas. Revista Fisioterapia em movimento, Curitiba,v. 14, n. 1,2001.
BRUSCHINI, S. & NERY, C.A.S. Aspectos ortopédicos da obesidade na infância e adolescência. In: FISBERG, M. (ed.). Obesidade na infância e adolescência. São Paulo, Fundação BYK, 1995. p.105-25.
CAMPELO,T.S;BANKOFF,A.D.P;SCHMITT,A;CIOL,P;ZAMAI,C.A. Postura e equilíbrio corporal: um estudo das relações existentes,Revista Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v.6,n.9, 2006.
CAMPOS, F.S; SILVA,A.S; FISBERG,M. Descrição fisioterpêutica das alterações posturais de adolescentes obesos,Universidade de São Carlos, São Paulo,2002.
Disponivel pelo site: www.brazilpednews.org.br/junh2002/obesos.pdf CARVALHO,L.A.P.Análise cinética do perfil da coluna vertebral durante o transporte de mochila escolar.Tese (Mestrado) – Universidade federal do Paraná, Engenharia Mecânica, Área de Gestão e produção de ergonomia, Curitiba, 2004. CURSO,L.S.F; PAOLIELLO,C. Análise ergonômica do trabalho: estudo de caso do mobiliário existente nas escolas públicas do vale do aço. VERDEVI,E.Programa de educação postural. São Paulo, Phorte,2005.
FLORES,F; GURGEL, J; PORTO, F; FERREIRA,R; TESSER,G; GONÇALVES, F; RUSSOMANO, T.,O efeito do uso de mochila na cinética da marcha de crianças. Scientia Médica, Porto Alegre: PUCRS, v.16, n.1,p.4-11, 2006.
KAVALCO,T.F. A manifestação de alterações posturais em crianças de primeira a quarta séries do ensino fundamental e sua relação coma ergonomia escolar. Revista Brasileira de Fisioterapia,v.2,n.4,2000.
MANGUEIRA,J.O.Prevalência de desvios posturais na coluna vertebral ao exame físico de estudantes de 11 a 16 anos em uma escola do bairro Sinhá Sabóia –Sobral (CE), Brasil.Tese (Especialista em Saúde da Família) – Universidade estadual Vale do Acaraú, Escola de saúde da família Visconde de Sabóia, Sobral, 2004. NACHEMSON, A. Towards a better understanding of low-back pain: a review of mechanics of the lumbar disc. Rheumatology and Rehabilitation,v.14,p. 129-43, 1975.
NEVES, A.B. Atenção às mochilas! E à postura das crianças... Revista Notícias Santa Casa. n.112 ,2007.
PENHA, P.J; CASAROTTO, R.A; JOÃO, S.M.A;AMINO,C.J; PENTEADO, D.C. Avaliação postural em meninas de 7 a 10 anos. Clinics, São Paulo,v.60, p. 9-16,2005.
PEREZ, V. A influência do mobiliário e da mochila escolares nos distúrbios músculos-esqueléticos em crianças e adolescentes. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) Programa de Pós-Graduação em engenharia de Produção, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2002. REBELLATO,J.R; CALDAS,M.A.J;VITTA,A. Influência do transporte do material escolar sobre a ocorrência de desvios posturais em estudantes. Revista Brasileira de Ortopedia,Rio de Janeiro,v.26,n.11/12,p.403-10,1991.
SACCO,I.C.N;MELO,M.C.S;ROJAS,G.B;NAKI,I.K;BURGI,K;SILVEIRA,L.T.Y;GUEDES,V.A;KANAYAMA,E.H;VASCONCELOS,A.A;PENTEADO,D.C;TAKAHASI,H.Y;KONNO,G. Análise biomecânica e cinesiológica de posturas mediante fotografia digital:estudo de casos. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, Brasília, v.11 n.2, p.25-33, 2003.
SOUCHARD, E. Reeducação postural global: método do campo fechado. São Paulo, Ícone, 1990.
_____. O stretching global ativo: a reeducação postural global a serviço do esporte. São Paulo, Manole, 1996.
TEIXEIRA, L.A. Atividades motoras e obesidade, coord. Educação física escolar adaptada: postura, asma, obesidade e diabetes na infância e adolescência. São Paulo, EEFUSP/EFP. P.139-47,1993.
TEIXEIRA, L. A Importância do movimento humano na relação homem/trabalho: Aspectos posturais. IV SIPAT do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo, IME-USP, 1996.
TRIBSTONE, F.Tratado de exercícios corretivos aplicados à reeducação motora postural. São Paulo, Manole,2001.
ZAPATER, A.R; SILVEIRA,D.M; PADOVANI,C.R; DA SILVA, J.C.P.Postura sentada: a eficácia de um programa de educação para escolares. Ciência e Saúde Coletiva, Rio de Janeiro,v.9,n.1,p.191-99,2004.

Fonte: www.pucrs.campus2.br

Postura Corporal

Verticalidade é sinônimo de boa postura?

Introdução

A avaliação da postura corporal através da posição ortostática tem sido utilizada há várias décadas e por muitos autores como um instrumento para verificar se a pessoa apresenta postura normal ou, em outras palavras, boa postura.

Nessa avaliação, o alinhamento e a simetria dos segmentos corporais são os parâmetros utilizados para a definição da boa postura, isto é, pressupõe-se que a verticalidade corporal e a simetria representam o bom equilíbrio muscular e o bom funcionamento dos sistemas ósteo-articular e muscular.

Mas o que significa ter boa postura? Será que podemos afirmar que a verticalidade na posição ortostática é sinônimo de boa postura?

Será que a pessoa que apresenta um bom alinhamento dos segmentos corporais não sofre de problemas álgicos e articulares?

Propomos, a partir dessas questões, discutir os pressupostos e a validade da avaliação da posição ortostática para classificar a qualidade da postura corporal.

Verticalidade e boa postura

O alinhamento dos segmentos corporais é considerado um parâmetro de boa postura desde Cícero (143-103 a.C.) e Santo Ambrósio (340 - 397 d.C.). Nessa época, os desvios dos segmentos corporais, o relaxamento muscular e a perda da compostura eram vistos como sinais de desvirtuamento da alma, sendo valorizada a capacidade de restringir gestos e posturas por indicarem virtudes morais. Acreditava-se que uma disciplina corporal, apoiada em valores da razão humana ou do olhar de Deus, poderia influir sobre a alma para conformá-la às normas morais. Na Idade Média, o posicionamento mediano do corpo e o alinhamento da cabeça ainda tinham conotação moral, sendo a modestia — entendida como o ideal da medida e o justo meio — a virtude específica do gesto e da postura1 (Schmitt, 1995).

No século XVII, quando as descobertas da Física revolucionaram o pensamento ocidental e se firmou a analogia entre corpo e máquina, a retitude corporal continuou a ser considerada requisito à boa postura, mas como uma qualidade mecânica do corpo e não mais como uma virtude moral. Os desvios dos segmentos corporais passaram a ser entendidos como problemas musculares e ósteo-articulares, que deveriam ser tratados através de uma intervenção mecânica.

Para garantir a boa postura, os especialistas passaram a recomendar a utilização de panóplias corretivas (aparelhos metálicos ou espartilhos), embasadas nas leis mecânicas da Física, inicialmente como uma medida terapêutica e, posteriormente, como uma medida preventiva de problemas posturais (Vigarello, 1995).

No século XIX, essas ações externas foram trocadas por ações internas de contrações musculares corretivas através de exercícios para reforço muscular.

Utilizava-se aparelhos contra os quais se deveria aplicar forças previamente medidas, orientadas e contabilizadas. Mas, para Vigarello (1995), as panóplias corretivas a as contrações musculares corretivas, muito mais que medidas mecânicas e estéticas, como eram consideradas, continuavam a ser um recurso pedagógico à disciplina corporal.

A postura militar, reconhecida, por muito tempo, como protótipo de boa postura, também se embasava numa disciplina corporal rigorosa, da qual fazia parte o bom alinhamento dos segmentos corporais. Os soldados eram, até o século XVII, selecionados pelas suas aptidões físicas, pelo seu porte e postura; mas, a partir do século XVIII, a fisionomia de soldado passou a ser desenvolvida nos recrutas por meio de ações posturais corretivas, fazendo-se “de uma massa informe, de um corpo inapto, [...] a máquina de que se precisava” (Foucault, 1996, p.125).

A postura era, então, treinada para apresentar, segundo Foucault (1996) as seguintes características: cabeça alta e ereta, costas retas, ventre encolhido e peito saliente. Também fazia parte dessa disciplina corporal “nunca fixar os olhos na terra, [...]olhar com ousadia aqueles diante de quem eles passam, [...] ficar imóveis esperando o comando” (Foucault,1996, p.125).

O conforto e o bem-estar corporal não são mencionados em nenhum desses momentos históricos, e o cuidado com a postura parecia muito mais direcionado ao controle do corpo para moldá-lo a padrões morais, estéticos e culturais do que ao bom funcionamento do organismo. Será que, passado um século, mudaram as concepções sobre a postura corporal?

A revisão bibliográfica de alguns livros publicados na segunda metade desse século demostrou que as leis mecânicas da Física aplicadas ao corpo humano — área de estudo denominada Biomecânica — ainda são utilizadas no estudo da postura corporal (Kelly, 1949; Anderson, 1951; Metheny, 1952; Bowen, 1953; Rasch & Burke, 1977; Kendall, McCreary & Provance, 1995; Knoplich, 1996; Smith, Weiss & Lehmkuhl, 1997). Os autores normalmente definem a postura como as posições ou atitudes que o corpo assume nas situações cotidianas (subir e descer escadas, deitar, sentar, ficar em pé e caminhar) e concordam que as forças internas e externas que agem no corpo influenciam a postura, mas discordam ao definir os parâmetros que caracterizam a boa postura.

Dentre os autores que defendem o bom alinhamento dos segmentos corporais na posição ortostática como requisito à boa postura, podemos destacar Kendall, McCreary & Provance (1995), considerados uma das principais referências bibliográficas ao estudo da postura corporal. Eles afirmam que a postura ideal ou padrão é representada pela retitude dos segmentos corporais na posição em pé e estática.

Na postura-padrão:

“a coluna apresenta as curvaturas normais e os ossos dos membros inferiores ficam em alinhamento ideal para sustentação de peso. A posição ‘neutra’ da pélvis conduz ao bom alinhamento do abdômen, do tronco e dos membros inferiores. O tórax e coluna superior ficam em uma posição que favorece a função ideal dos órgãos respiratórios. A cabeça fica ereta em uma posição bem equilibrada que minimiza a sobrecarga sobre a musculatura cervical.” (Kendall, McCreary & Provance, 1995, p.71)

Para averiguação do alinhamento postural, esses autores sugerem uma avaliação através do teste do fio de prumo2, no qual se observa o posicionamento de pontos de refêrencia anatômica3 em relação à linha do fio de prumo. Quando os pontos de referência da pessoa que está sendo avaliada passam sobre a linha do fio de prumo, análoga à linha da gravidade, os autores afirmam que há uma distribuição equilibrada do peso, uma posição estável de cada articulação e uma atividade muscular mínima, ou seja, que a pessoa apresenta boa postura.

Por outro lado, quando esses pontos de referência afastam-se da linha do fio de prumo, eles “revelam a extensão na qual o alinhamento dessa pessoa é defeituoso” (Kendall, McCreary & Provance, 1995, p.71) e indicam os encurtamentos e as fraquezas musculares que o indivíduo apresenta. É importante destacar, no entanto, o que afirmam os autores na mesma página: “Não se espera que alguém consiga combinar o padrão em cada aspecto, nem os autores jamais viram alguém que o fizesse.”(Kendall, McCreary & Provance, 1995, p.71)

Smith, Weiss & Lehmkuhl (1997), dentre outros, discordam dos supracitados e dizem que o teste do fio de prumo não serve para avaliar a boa postura. Para eles, a postura idealmente vertical não é natural, sendo necessário solicitá-la, o que determina esforço

consciente e aumento acentuado da atividade muscular. Defendem, assim, que o parâmetro de uma postura ereta normal deve ser o relaxamento e o conforto corporal, em vez de um modelo ideal e pré-determinado de alinhamento corporal.

Os autores sugerem que a postura-padrão com base em pontos de referência anatômica surgiu de um engano na leitura do artigo de Braune e Fischer publicado em 1889, no qual são definidos pontos de referência anatômica para plotar o corpo e não para determinar parâmetros à postura normal. Metheny (1952), no livro Body Dinamics, também afirma que:

“Não existe uma só postura melhor para todos os indivíduos. Cada pessoa deve pegar o corpo que tem e tirar o melhor proveito dele. Para cada pessoa, a melhor postura é aquela em que os segmentos corporais estão equilibrados na posição de menor esforço e máxima sustentação. Essa é uma questão individual” (p. 193).

Esses autores concordam que a boa postura caracteriza-se por uma atividade muscular mínima; mas enquanto os primeiros argumentam que a postura-padrão seria a de menor utilização muscular, os últimos dizem que a postura-padrão, por não ser uma atitude natural, exige um aumento considerável da atividade muscular.

Como medir a quantidade de esforço muscular que a pessoa utiliza para assumir uma determinada postura? Será que os esforços musculares podem ser identificados através do posicionamento dos segmentos corporais? Como avaliar o conforto e o relaxamento musculares? As divergências teóricas presentes entre autores de uma mesma perspectiva indicam o quanto é difícil determinar a postura que solicita menor esforço muscular, fator por eles considerado preponderante para definição da boa postura.

Considerando que a estrutura corporal está sujeita à força da gravidade, podemos afirmar que quanto mais desalinhados estiverem os segmentos corporais, maior será a força muscular necessária para equilibrá-los — uns em relação a outros e todos em relação à base de sustentação.

Contudo, se para obter o alinhamento corporal tivermos de realizar contrações musculares voluntárias e mantê-las constantemente, deparamo-nos com o mesmo problema: o aumento de tensão muscular.

Muitos dos desenhos, fotografias e descrições de boa postura presentes nos livros que defendem o bom alinhamento corporal no fio de prumo (Kelly, 1949; Bowen, 1953; Kendall, McCreary & Provance, 1995; Knoplich, 1996) são, em geral, bastante semelhantes à fisionomia de soldado descrita anteriormente, a qual em nada condizem com uma postura confortável, mas com certa rigidez e tensão muscular. Poderíamos então questionar se é a idéia de verticalidade que é inadequada, ou se é a maneira de entender o que é uma boa verticalidade que está equivocada. Alguns autores, como Rasch & Burke (1977), relacionam tensão e força muscular com boa postura, considerando a fraqueza muscular uma das principais causas da má postura.

Eles sugerem que:

“os ossos, os tendões e os músculos devem ser fortalecidos e endurecidos através de esforços e resistência, gradualmente progressivos, de modo que elas possam confrontar, adequadamente, com as forças comuns encontradas na vida cotidiana.” (p.439)

No livro Viva Bem com a Coluna que Você Tem, Knoplich (1996) relaciona boa postura e tensão muscular ao falar sobre a maneira correta de caminhar:

“O método correto de andar é olhando sempre para a linha do horizonte, olhando as pessoas nos olhos e até mesmo com um certo ar de arrogância. Isso significa que a cabeça está erguida e não apenas os ombros. O caminhar de cabeça baixa dá um certo ar de timidez, insegurança. Ao caminhar, contraia a musculatura abdominal e as nádegas.” (p.139)

Será que músculos endurecidos e contrações musculares voluntárias podem contribuir à aquisição de boa postura? Por exemplo, como seria possível, durante o caminhar, realizar a flexão da articulação coxo-femural se as nádegas, responsáveis pela extensão dessa articulação, ficarem permanentemente contraídas? Para que serve erguer os ombros? Qual o benefício dessas contrações? Será que a contração ininterrupta e voluntária das nádegas, do abdômen e dos ombros e o endurecimento muscular não levam os músculos à fadiga e as articulações à sofrerem sobrecarga?

Essas questões nos levam a inferir que, apesar dos autores citarem a tensão muscular como um fator prejudicial à postura, muitos ainda propõem um posicionamento adequado do corpo através do endurecimento muscular e do comando voluntário e exacerbado de contrações musculares, retratando, assim, certa incoerência teórica.

Como será que os profissionais lidam com essas questões ao utilizar a posição ortostática como um instrumento para a avaliação da postura? O que propor para melhorar a postura classificada como defeituosa? Pode-se devolver o equilíbrio muscular alongando músculos encurtados e fortalecendo músculos fracos, tal como sugerido pela maioria dos autores citados? Será que a boa postura pode ser avaliada pela simples observação da posição ortostática?

Finalizando essa discussão, consideramos relevante ressaltar que termos como correção, defeito, ideal, bom, certo, errado, utilizados pela maioria dos autores que se referem à postura corporal, remetem a uma visão de postura vinculada à disciplina corporal.

As considerações feitas por Knoplich (1996) em relação à maneira correta de caminhar também sugerem que a literatura ainda enfatiza concepções morais na definição da boa postura. Sousa (1972) oferece outro exemplo bastante claro ao dizer que o indivíduo com boa postura “verá a vida de um ponto de vista otimista, ganhará o respeito de seus concidadãos e será um membro dos autores consultados, como Rasch & Burke (1977), salientam a interferência de padrões estéticos ou sociais no que a literatura define como uma postura biomecanicamente adequada.

Podemos, então, questionar se realmente a valorização da verticalidade como preceito à boa postura está embasada apenas em parâmetros biomecânicos, ou se conceitos morais, estéticos e culturais estão camuflados no discurso biomecânico. Segundo o antropólogo Mauss (1974), desde cedo somos ensinados ou aprendemos pela observação e convivência com adultos a gesticular, movimentar e posicionar-nos conforme os padrões culturais 4; por isso, considera que “talvez não exista ‘maneira natural’ no adulto” (Mauss, 1974, p.216). Os valores sócio-culturais são insculpidos no corpo através do que Mauss (1974) denominou técnicas corporais e, provavelmente, interferem na maneira de concebermos e corrigirmos problemas posturais.

No livro Le Corps Redressé, Vigarello (1978) diz que:

“O corpo é o primeiro lugar onde a mão do adulto marca a criança, é o primeiro espaço onde se impõem os limites sociais e psicológicos dados à sua conduta, é o emblema onde, tal como nos brasões, a cultura inscreve seus signos”. (p.9).

Essas colocações nos fazem questionar de é válido desconsiderar a influência dos valores sócio-culturais no pensar, sentir e agir tanto do indivíduo quanto do próprio especialista5. A concepção do que é adequado ao organismo em termos posturais pode estar distorcida por valores estéticos, morais e culturais que só serão identificados se autores, professores e alunos discutirem sobre o assunto.

Considerações finais

Pensamos que a postura é uma maneira de a pessoa pensar, agir e sentir através de sua estrutura corporal, ou seja, a maneira pela qual a pessoa se expressa corporalmente no mundo.

Os hábitos posturais e gestuais de cada pessoa estão relacionados:

[1] à forma de seus ossos, músculos e articulações, que determinam padrões básicos de movimento e constituem o substrato de sua motilidade;

[2] à sua imagem corporal, a qual vai configurando-se continuamente através da observação, da aprendizagem e dos valores sócio-culturais por ela internalizados nas vivências;

[3] através das suas percepções táteis, cinestésicas, visuais e auditivas, que a guiam no meio circundante.

Assim, definir boa postura para que possamos, através de uma avaliação, identificar possíveis problemas é uma questão bastante difícil e delicada. Conforme comentamos acima, os valores sócio-culturais e morais estão tão internalizados na maneira de pensarmos, há tantas controvérsias teóricas a respeito do assunto e tantas diferenças entre uma pessoa e outra, que o normal se torna relativo.

Entretanto, não podemos negar que a existência de problemas ósteo-articulares e musculares, tais como processos degenerativos e dores, pode dificultar o bem-estar e interferir na qualidade de vida. Para propormos uma melhora da postura como uma das possibilidades à resolução desses problemas, temos de determinar o que é normal, ou seja, quais as características que podem preservar ou favorecer os sistemas ósteo-articular e muscular.

Dentro das limitações já citadas, definimos a postura normal como sendo a capacidade de manter e movimentar todas as partes do corpo de maneira coordenada e confortável, sem perder a mobilidade, sem sobrecarregar a estrutura anatômica do indivíduo e sem gerar tensões desnecessárias nas mais variadas situações de vida diária, e, segundo colocou Metheny (1952), essas questões são peculiares a cada indivíduo, não há como determinar um padrão postural.

Em relação à avaliação da posição ortostática, pensamos que ela é um dado a ser considerado na avaliação dos aspectos que podem estar desencadeando dores e degenerações músculo-articulares, mas não é suficiente para caracterizar a qualidade da postura.

No nosso entender, a verticalidade não é sinônimo de boa postura; as dores e degenerações músculo-articulares podem ser causadas tanto pelo alinhamento quanto pelo desalinhamento dos segmentos corporais, pois, nas duas situações, podem estar agindo forças indevidas que traumatizam os tecidos musculares e articulares.

Propomos, portanto, uma avaliação postural que considere todos aspectos envolvidos na definição de postura corporal. E, de acordo com nossa definição, mesmo que o enfoque esteja direcionado a questões musculares e articulares, a postura não pode ser desconectada do sujeito que a vive, ou, em outras palavras, que é essa postura.

Concordamos, portanto, com autores que, compreendendo a limitação das avaliações que se embasam principalmente na posição ortostática e no comprimento muscular, têm sugerido uma avaliação postural que considere as tensões musculares presentes em diversos hábitos posturais e as percepções que o indivíduo tem de seu próprio corpo (Lapierre; 1982; Bertherat, 1986; Alexander, 1992; Denys-Struyf, 1995; Souza, 1995; Vieira, 1998).

A postura não é apenas uma questão de músculos fortes ou fracos e nem de uma posição específica; ela representa a dinâmica corporal assumida pelo indivíduo no seu dia-a-dia, estando vinculada a determinadas motivações que o levam a posicionar-se desta e não daquela maneira, à idéia que ele tem de sua postura e à maneira de ele perceber sua postura.

Adriane Vieira

1 “Conserva-te firme a ti mesmo. Não te lances para baixo, não te eleves para o alto (...) Mantém o meio, se não queres perder a medida. O lugar médio é seguro. O meio é a sede da medida, e a medida é a sede da virtude” (São Bernardo apud Schmitt, 1995, p.150)
“(...) não baixando humildemente a cabeça, dava a seu rosto uma aparência alongada: a nuca aprumada, ela fixava os olhos nas realidades superiores” (Alain de Lille apud Schmitt, 1995, p.154)

“(...) ela delimita o gesto da cabeça, equilibra com justeza o rosto que ergue suavemente (...) Um rosto excessivamente abaixado para a terra indica um espírito ocioso e vazio (...) Quando o rosto não ultrapassa a medida, nem se elevando nem se abaixando, é qua a constância imprimiu sua marca ao espírito.” (Alain de Lille apud Schmitt, 1995, p.155)

2 O teste do fio de prumo é uma avaliação da posição ortostática através de uma linha vertical. O teste consiste em verificar se os pontos de referência anatômica, correspondentes a postura-padrão no plano sagital e frontal, coincidem com o fio de prumo (Kendall, McCreary & Provance, 1995).

3 Os pontos de referência anatômica estão descritos no livro Provas e Funções Musculares de Kendall, McCreary & Provance (1995).

4 Mauss (1974) sugere que todos os nossos hábitos são, em certa medida, vinculados a padrões e valores sócio-culturais, dando como exemplo o caminhar da tribo Maori (Nova Zelândia) documentada por Elsdon Best. Nessa tribo, o balançar destacado do quadril, chamado de “onioi”, é ensinado e cobrado das filhas pelas mães, sendo uma maneira adquirida e não natural de caminhar.

5 “ as concepções que o homem desenvolve a respeito de sua corporeidade e as suas formas de comportar-se corporalmente estão ligadas a condicionamentos sociais e culturais. [...] O corpo de cada indivíduo de um grupo cultural revela, assim, não somente sua singularidade pessoal, mas também tudo aquilo que caracteriza esse grupo como unidade.” (Gonçalves, 1994, p.13)

Referências bibliográficas

ALEXANDER, F.M. O Uso de Si Mesmo. São Paulo: Martins Fontes, 1992.
ANDERSON, T.M.C. Humam Kinetics and Analysing Body Movements. London: William Heinemann Medical Books Ltd, 1951.
BERTHERAT, T. O Corpo Tem Suas Razões: Antiginástica e Consciência de Si. Colaboração de C. Bernstein. 10ed., São Paulo: Martins Fontes, 1986.
BOWEN, W.P. Applied Anatomy and Kinesiology: The Mechanism of Muscular Movement. 7ed., Philadelphia: Lea & Febiger, 1953.
COOPER, J.M. & GLASSOW, R.B. Kinesiology. 3ed., Saint Louis: The C. V. Mosby Company, 1972.
DENYS-STRUYF, G. Cadeias Musculares e Articulares: O Método G.D.S. São Paulo: Summus, 1995.
FOUCAULT, M. Vigiar e Punir: História da Violência nas Prisões. 14ed., Petrópolis: Vozes, 1987.
FREIRE, L. Grande e Novíssimo Dicionário da Língua Portuguesa. 3ed., Rio de Janeiro: José Olympio, 1957.
GONÇALVES, M.A.S. Sentir, Pensar, Agir: Corporeidade e Educação. Campinas: Papirus, 1994.
KELLY, E.D. Teaching Posture and Body Mechanics. New York: Barnes and Company, 1949.
KENDALL, F.P., McCREARY, E.K. & PROVANCE, P.G. Músculos: Provas e Funções. 4ed., São Paulo: Manole, 1995.
KNOPLICH, J. Viva Bem com a Coluna que Você Tem. 25ed., São Paulo: Ibrasa, 1996.
LAPIERRE, A. A Reeducação Física. 6ed., São Paulo: Manole, vol. I, 1982.
MAUSS, M. Técnicas Corporais. In: Sociologia e Antropologia. São Paulo: Editora da universidade de São Paulo, pp. 211-233, 1974.
METHENY, E. Body Dinamics. New York: McGraw-Hill Book Company, 1952.
RASCH, P.J. & BURKE, R.K. Cinesiologia e Anatonia Aplicada: A Ciência do Movimento Humano. 5ed., Guanabara Koogan: Rio de Janeiro, 1977.
SCHIMITT, J.C. A moral dos Gestos. In: Sant’Anna, D.B. (Org.). Políticas do Corpo. pp.21-38, São Paulo: Estação Liberdade, 1995.
SMITH, L.K.; WEISS, E.L. & LEHMKUHL, L.D. Cinesiologia Clínica de Brunnstrom. 5ed., São Paulo: Manole, 1997.
SOUSA, A.V. Gimnasia Correctiva. 2ed., Barcelona: Sintes, 1972.
SOUZA, J.L. Untersuchungen zur Wirksamkeit von Bewegungsprogrammen bei Rückenbeschwerden. Inauguraldissertation zur Erlangung des Doktorgrades an der Fakultät für Sozial und Verhaltenswissenschaften der Ruprecht-Karls-Universität Heidelberg, 1995.
VIEIRA, A. A corporeidade na Escola Postural. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1998.
VIGARELLO, G. Panóplias Corretivas. In: Sant’Anna, D.B. (Org.). Políticas do Corpo. pp.21-38, São Paulo: Estação Liberdade, 1995.
VIGARELLO, G. Le Corps Redressé: Histoire d’un Pouvoir Pédagogique. Paris: Jean-Pierre Delarge, 1978.

Fonte: www.movimentoes.com

Postura Corporal

Reeducação da postura corporal

Introdução

A postura corporal apresenta variações individuais decorrentes de uma série de fatores como má-formação de estruturas corporais, doenças, acidentes e também hábitos posturais desenvolvidos ao longo da vida.

Apesar dos diversos fatores causais, Tribastone (2001) afirma que 65,5% das alterações morfológicas relacionadas a postura são decorrentes de hábitos posturais incorretos. Um recente estudo realizado com crianças de 7 a 10 anos no Brasil, ilustra estes dados, pois a partir de seus resultados, constatou-se uma alta incidência de alterações posturais neste grupo etário, provavelmente causados por demandas assimétricas diárias do corpo, o que inclui sentar-se inadequadamente, ter um estilo de vida sedentário, além de utilizar mochilas muito pesadas (PENHA et al., 2005).

Diferentes programas de exercícios surgiram ao longo do tempo com o intuito de aprimorar e eventualmente até corrigir padrões posturais que diferem da normalidade. Estas metodologias têm apresentado eficiência em melhorar dores na coluna lombar (BLUM, 2002, CACCIATORE et al., 2005, RYDEARD et al., 2006), mal alinhamento de membros inferiores (LUGO-LARCHEVEQUE et al., 2006) e desordens músculo-esqueléticas não específicas (MALGREN-OLSSON; BRANHOLM, 2002) e geralmente se baseiam em exercícios de fortalecimento e alongamento para determinados grupos musculares. Entretanto, outros aspectos que podem influenciar a reorientação dos segmentos corporais como aqueles relacionados a aprendizagem motora não são abordados.

Como a procura destes programas tem aumentado nos últimos anos, provavelmente em decorrência de estilos de vida mais sedentários que provocam um aumento das alterações posturais e dores nas costas, torna-se necessário um melhor entendimento dos fatores relacionados a aprendizagem motora importantes no processo de reeducação postural, para que profissionais da área de Educação Física possam elaborar programas formais e não formais de ensino com este objetivo.

Assim, esta revisão de literatura tem por objetivo demonstrar a partir de evidências científicas como aspectos inerentes a aprendizagem de habilidades motoras tais como feedback somatosensorial e visual, prática física e prática mental também estão presentes e são importantes na aquisição de uma nova postura corporal.

Controle da Postura

De acordo com Shumway-Cook e Woollacott (2003) o controle postural envolve o controle da posição do corpo no espaço para duas finalidades: orientação e estabilidade. A orientação postural refere-se à capacidade de manter uma relação adequada entre os segmentos do corpo e entre o corpo e o ambiente para realizar uma determinada tarefa e a estabilidade postural refere-se à capacidade de manter o centro de massa projetado dentro dos limites da base de suporte. Nesta revisão, o foco está voltado ao entendimento de como a prática de exercícios modifica a orientação dos segmentos corporais.

Para Shumway-Cook e Woollacott (2003), a orientação dos segmentos corporais depende de referências sensoriais múltiplas como as advindas do sistema vestibular, sistema somatosensorial e sistema visual.

Alguns estudos demonstraram que pessoas que apresentam escoliose idiopática do adolescente (EIA), que é um desvio lateral da coluna vertebral de causa desconhecida, apresentam uma alteração na informação somatosensorial o que as leva tanto a uma orientação corporal em desequilíbrio quanto a uma alteração no controle postural. Assim, et al. (1985) demonstraram que na EIA há uma interpretação incorreta do alinhamento vertical ereto entre as estruturas vertebrais e isto é decorrente de informação somatosensorial alterada.

O sujeito percebe-se ereto, quando na verdade está em desalinhamento. Consequentemente, mudanças compensatórias ocorrem no sistema motor axial regulando o alinhamento vertebral. Silferi et al. (2004) e mais recentemente, Guo et al. (2006) demonstraram que há relações entre EIA e alterações no controle no postural, como por exemplo, maior amplitude de oscilação do Centro de Gravidade, o que explicita uma alteração sensorial nos sujeitos que apresentam EIA.

No processo normal de manutenção da orientação dos segmentos corporais, Teixeira (1993) relata que uma vez que os receptores sensoriais captam as informações relevantes para os ajustes posturais, entram em cena processos da mais alta complexidade, chamados de mecanismos de detecção e correção de erros. Nos diferentes estágios de aprendizagem motora, estes mecanismos atuam de forma mais consciente ou inconsciente.

No estágio cognitivo de aprendizagem de uma postura, por exemplo, os mecanismos de detecção e correção de erros são bastante conscientes e as informações que chegam ao Sistema Nervoso Central (SNC) são comparadas a um modelo de referência interna. No caso de diferenças entre a posição pretendida e a posição real, produz-se um sinal de erro que será utilizado pelos mecanismos reguladores de postura os quais enviarão os comandos motores que forem considerados mais apropriados para a correção da posição corporal.

Desta maneira, tanto a orientação quanto a estabilidade corporais podem ser adequadas em relação às demandas do meio ambiente. Em estágios mais avançados de aprendizagem, estes processos de detecção e correção de erros tornam-se relativamente automatizados, liberando o SNC do controle direto dos ajustes posturais para a realização de diversos outros atos motores executados simultaneamente à manutenção desta posição global do corpo. O controle passa a ser exercido por estruturas sub-corticais, de forma que a regulação da postura, até certo limite, ocorre automaticamente.

A hipótese de ponto de equilíbrio parece ser interessante para explicar como se dá a regulação automática da postura num estágio mais avançado de aprendizagem. De acordo com Schmidt (2001) nesta hipótese um membro atinge uma determinada posição no espaço pela especificação de comprimento-tensão de um conjunto de músculos, com funções antagonistas entre si, responsáveis pelo movimento em uma dada articulação.

O comportamento destes músculos se assemelharia a molas ajustáveis, sendo que a posição final da estrutura corporal se daria pela relação entre o comprimento (estiramento) do músculo e do tônus muscular de pares agonistas/antagonistas. Para a manutenção de uma postura estável, seria necessário apenas manter fixo um ponto de equilíbrio, que ocorreria independentemente da posição inicial do membro ou da disponibilidade de informação de feedback. Para a modificação e ajuste de uma nova postura seria necessária uma seleção de novos pontos de equilíbrio para que com o tempo esta nova orientação dos segmentos corporais fosse automatizada.

Na implementação de programas de exercícios, voltados a reeducação postural, Shumway-Cook e Woollacott (2003) assumem que estratégias como a utilização de feedback visual e somatosensorial devem ser empregadas, como seria esperado em qualquer ambiente de aprendizagem de movimentos.

Um exemplo da utilização de feedback somatosensorial para a melhoria do alinhamento corporal apresentado pelas autoras é uma prática por meio da qual a pessoa que possui um desalinhamento corporal apóia-se numa parede contendo uma saliência vertical alinhada, para que então possa comparar seu alinhamento com a estrutura e fazer a auto-correção. Há, entretanto outros aspectos de aprendizagem que podem ser considerados na elaboração de programas de exercícios físicos que pretendem alterar padrões de orientação corporal.

Aspectos da aprendizagem para melhoria da postura corporal Aspectos inerentes à aprendizagem motora, como feedback, prática física e mental já foram utilizadas em pesquisas experimentais revelando sua importância na modificação de alterações posturais como escoliose, cifoses e lordoses. Abaixo serão relatados alguns estudos publicados sobre estes aspectos da aprendizagem motora que parecem influenciar a aquisição de uma nova postura corporal.

Biofeedback O biofeedback ou feedback gerado a partir de sinais biológicos, é uma técnica desenvolvida na década de 60 que envolve a utilização de artefatos que amplificam alguns processos fisiológicos (ex. pressão arterial, atividade muscular) que são difíceis de serem percebidos sem algum tipo de amplificação (ASTIN et al., 2003). Os participantes são instruídos a alterarem seus processos fisiológicos utilizando como guia o biofeedback que geralmente consiste num sinal auditivo ou visual. Algumas pesquisas foram encontradas na literatura em que o biofeedback foi utilizado para alterar e modificar o alinhamento postural de pessoas que apresentam escoliose e cifose.

Dworkin et al. (1985) realizaram uma pesquisa em que doze adolescentes diagnosticadas com escoliose, utilizaram um artefato de biofeedback de estímulo auditivo durante um período mínimo de 10 meses. Estas adolescentes possuíam curvas flexíveis e seriam encaminhadas para o tratamento tradicional com a utilização de coletes ortopédicos para evitar a progressão da curvatura.

Ao participarem da pesquisa, estas pacientes foram acompanhadas por seus respectivos ortopedistas para identificação de um inesperado aumento da curvatura, o que determinaria o término do experimento com o biofeedback. O equipamento foi utilizado durante 23 horas por dia e o mesmo era capaz de medir a curvatura da coluna em tempo real e compará-la com critérios estabelecidos individualmente, no início do tratamento.

A partir disto, nos momentos em que houvesse aumento da curvatura em relação ao critério, um sinal auditivo era gerado até que o padrão de alinhamento postural fosse alterado. Durante o experimento, somente duas adolescentes precisaram recorrer ao tratamento tradicional. As outras pacientes observaram suas curvas escolióticas progredirem sem aumentos significativos, reduzirem e até aumentarem em alguns casos, sem risco à sua saúde e relataram uma preferência maior pelo artefato, já que este causava menos desconforto estético que o colete.

Em 1994, o mesmo grupo de pesquisadores testou novamente o artefato, mas agora também em adolescentes com cifose torácica (BIRBAUMER et al., 1994).

Neste novo experimento, foi incluído também um grupo controle e sessões de correção postural que eram realizadas a cada seis semanas, no mesmo momento em que o equipamento era ajustado devido às mudanças decorrentes do crescimento dos pacientes.

Estes exercícios corretivos deveriam ser praticados durante 10 minutos em frente a um espelho diariamente por todos os participantes. As radiografias eram tiradas em cada 4 ou 6 meses. Comparando-se o desenvolvimento das curvaturas dos 22 pacientes do grupo experimental (15 com escoliose e 7 com cifose), em relação aos 5 pacientes do grupo controle (4 com escoliose e 1 com cifose), observou-se a partir da ANOVA de medidas repetidas uma melhora significativa somente para o grupo experimental, inclusive indicando uma melhora levemente maior nos pacientes com cifose.

Wong et al. (2001) realizaram mais recentemente um estudo semelhante com 16 pacientes com escoliose idiopática, dos quais, 3 desistiram do tratamento, 2 evoluíram mais de 10º na curvatura e, portanto, retornaram ao tratamento com o colete e 9 sujeitos mantiveram suas curvas controladas o que possibilitou a estes adolescentes que alcançassem a maturidade óssea, utilizando somente este artefato.

O estudo diferenciou-se dos outros dois, pois investigou um pouco mais detalhadamente, por meio de um questionário, a aceitação dos adolescentes a esta forma de tratamento da escoliose. O questionário era composto de 18 perguntas que investigavam a possibilidade de realização de tarefas diárias, o desconforto em sua utilização e restrições físicas causadas pelo artefato. Todos os adolescentes participantes no estudo relataram uma significativa preferência pela utilização do artefato em relação ao colete.

Mais recentemente, o mesmo grupo de pesquisadores procurou investigar, por meio de um estudo piloto, se um equipamento de feedback visual poderia ser efetivo no alinhamento e também no controle postural de crianças com escoliose idiopática (WONG et al., 2002). Para isto, utilizaram uma análise tridimensional da coluna de 4 adolescentes com escoliose enquanto os mesmos utilizavam ou não lentes prismáticas para os olhos.

Com estas lentes, os adolescentes necessitavam alterar seu padrão postural para corrigir o posicionamento de certos objetos observados no espaço. Os dados deste trabalho sugerem que a partir de um feedback visual é possível a auto-correção do alinhamento da coluna, necessário no controle e desenvolvimento da escoliose idiopática do adolescente.

Prática física De acordo com Magill (1998), a aprendizagem de uma nova tarefa motora, surge em função da prática desta tarefa, sendo condição necessária para que ocorra a aprendizagem e a melhora no desempenho da tarefa aprendida. Há evidências de que a prática física e também uma prática mental da tarefa levam a um melhor desempenho.

Neste tópico será abordada prioritariamente a prática física que é caracterizada por Pellegrini como uma atividade organizada que consiste da repetição de uma mesma tarefa ou ação motora. Para aprender uma nova postura corporal a partir da prática física seria necessário então, realizar exercícios em que a postura almejada ou correta fosse praticada diversas vezes.

Na literatura foram identificadas pesquisas que demonstraram que a prática física pode alterar o controle da postura e assim, minimizar alterações posturais existentes.

Entre estes estudos está o trabalho de Den Boer et al. (1999), em que um grupo de 44 adolescentes com escoliose idiopática recebeu um tratamento de prática física e foram comparados com um grupo de 120 adolescentes que utilizava colete para a correção da escoliose. O tratamento com prática consistiu primordialmente em ensinar o que foi chamado de terapia de mudança de lado (side-shifting therapy). A cada adolescente foi ensinado o movimento a ser realizado para que a curvatura da coluna fosse corrigida. Cada participante do estudo recebeu de 10 a 12 sessões com duração de 30 minutos de prática monitorada no início do tratamento, que teve em média 2 anos e 2 meses de duração.

O exercício para mudança de lado deveria durar ao menos 10 segundos e foi incentivado a estes sujeitos que realizassem este movimento tantas vezes quantas lembrassem ao longo do dia. Após o período inicial, havia uma prática monitorada a cada 4 meses para relembrar o movimento corretivo.

Quando foram comparados o grupo de prática e o grupo que utilizou colete, foi verificado que a pequena diferença de 5º de progressão no ângulo da curvatura observada ao final do período de tratamento era insignificante e os autores concluíram então que este seria um método interessante para evitar os aspectos negativos relacionados ao tratamento com colete. Outro grupo de pesquisadores num trabalho mais recente também identificou que a terapia do side-shifting pode minimizar a curvatura da escoliose de adolescentes após a maturação esquelética (MAMYAMA et al., 2002).

A terapia do side-shifting, citada até aqui, se restringe a uma prática em que a nova posição ou nova postura a ser adquirida e automatizada é praticada inúmeras vezes ao longo do dia. Entretanto, é possível identificar outros trabalhos na literatura em que variáveis relacionadas à postura corporal são modificadas pela prática de exercícios físicos específicos de força, alongamento e auto-correção associadas. Este é o caso do estudo de Wang et al. (1999), que verificou mudanças significativas na inclinação torácica de indivíduos adultos assintomáticos, mas que possuíam os ombros projetados à frente do alinhamento normal.

A prática física consistia de exercícios de força isométrica para rotadores externos de ombro e adutores de escápula, bem como exercícios de alongamento passivo para a musculatura dos músculos peitorais que foram realizados numa freqüência de 3 vezes por semana, durante 6 semanas.

Harman et al. (2005) observaram mudanças na protusão da cabeça em adultos que realizaram exercícios de força para flexores do pescoço e músculos que fazem a retração dos ombros e alongamento de extensores da coluna cervical e peitorais. Após 10 semanas de prática, com uma freqüência de 4 vezes por semana, observaram-se mudanças significativas tanto no grupo controle como no grupo experimental para algumas variáveis quantitativas selecionadas pelos pesquisadores, como o ângulo da cabeça e o ângulo do pescoço.

Por fim, um trabalho ainda mais recente identificou melhoria na hipercifose de idosas a partir da prática de exercícios de força, alongamento e auto-correção de alinhamento. Neste experimento, os exercícios foram realizados durante 12 semanas, 2 vezes por semana e consistiam de exercícios de força para a extensão torácica e de quadril e flexão de ombros, força para a estabilização do transverso do abdômen e exercício de alinhamento que deveria ser feito durante a realização das tarefas cotidianas e sempre que possível (Katzman et al., 2007).

Como pode ser observado, artigos que tratam da prática física em si, mostram diversas variáveis relacionadas à postura corporal que podem melhor partir deste tipo de intervenção. A terapia de side-shifting, que apresenta o mesmo princípio de auto-correção apresentada no estudo de Katzman et al. (2007), bem como exercícios de força e alongamento parecem ser práticas essenciais para a reeducação postural.

Um ponto interessante nestes trabalhos é observar que são estimulados exercícios de força e alongamento de pares agonistas/antagonistas como abordado inicialmente e sugerido a partir da hipótese do ponto de equilíbrio. Variáveis como freqüência e duração dos exercícios, bem como formas de contração muscular e de alongamento precisam ser mais explorados em pesquisa. Isto certamente deverá ser observado também quanto à prática mental e sua relação com a postura, haja vista a produção quase inexistente sobre o assunto.

Prática mental De acordo com Guillot e Collet (2005) imagem motora (IM) é definida como uma representação mental do movimento sem que haja nenhum movimento corporal. Há evidências de que a IM tenha um papel importante na aprendizagem de habilidades esportivas. Durante a representação mental ocorre uma ativação subliminar dos mesmos músculos que são ativados durante a prática motora (JEANNEROD; FRAK, 1999), o que aumenta a perspectiva para o uso da IM na reabilitação também.

De acordo com Fontani et al. (2007), a IM leva a uma melhora do desempenho de movimentos habilidosos similar aquela obtida com a prática física, o que pode ser explicado por adaptações nos neurônios do córtex motor. A IM pode envolver todo o corpo ou pode ser limitada a alguma parte do corpo e sabe-se que por meio desta prática melhora-se o desempenho de tarefas motoras, principalmente quando se combina IM e prática física. Estudos foram encontrados na literatura relacionando o controle postural e a prática mental (FANSLER et al., 1985, RODRIGUES et al., 2003, HAMEL; LAJOIE, 2005). Entretanto, com relação à orientação dos segmentos corporais, encontrou-se somente um artigo na literatura que investigou a influência da IM na melhoria do alinhamento corporal de indivíduos com lordose e cifose.

Neste estudo, Fairweather e Sidaway (1993) tinham como principal objetivo verificar se a IM poderia modificar o padrão de alinhamento postural de pessoas adultas com desvios sagitais de alinhamento (cifose e lordose). Os 40 sujeitos que fizeram parte deste experimento (20 homens e 20 mulheres), participaram de uma filmagem para obtenção dos ângulos da cifose e lordose. Após a filmagem, foram divididos em 3 grupos experimentais e um controle. Um grupo experimental utilizou IM, outro grupo fez exercícios de relaxamento e outro fez exercícios de flexibilidade e abdominais.

O grupo que praticou IM realizava esta prática 3 vezes por semana e o fez durante 8 semanas, com duração de 15 minutos. Os dois outros grupos experimentais realizaram suas práticas na mesma freqüência e duração. No grupo IM foi estabelecido que os sujeitos deveriam realizar 4 exercícios de visualização em cada sessão. Numa destas visualizações deveriam imaginar-se deitados no final de um tobogã, ou seja, no momento em que há uma inversão da curvatura lombar.

Os resultados deste estudo mostraram diferença significativa nos ângulos das curvaturas entre o pré e pósteste apenas para o grupo IM e nos sujeitos do sexo masculino. Os autores relatam que o pouco tempo de prática pode ter influenciado na ausência de respostas significativas no grupo de prática de flexibilidade e abdominais.

Com apenas um estudo a ser incluído nesta revisão, acredita-se que a IM ainda pode ser muito explorada no que diz respeito à sua contribuição na melhoria da orientação postural. Entretanto, deve-se observar que os estudos que relacionam IM e estabilização da postura mostraram mudanças significativas em variáveis como manutenção da postura em apoio unipodal e oscilações antero-posteriores e laterais, após esta prática. Se a estabilidade e orientação dos segmentos corporais são regidas pelos mesmos controles, pode-se supor que a IM também possa fazer parte dos programas de reeducação postural.

Conclusões A postura corporal é um conteúdo da área de Educação Física pouco explorado pelos profissionais da área tanto no contexto escolar como no contexto não formal de ensino. Por meio desta revisão de literatura procurou-se relacionar alguns parâmetros relativos ao processo de aprendizagem motora para que seja mais estimulada a implementação de programas de reeducação postural para a população.

Proporcionar um ambiente de aprendizagem em que seja fornecido feedback visual e somatosensorial a respeito da própria postura parece ser essencial. Na prática, o professor deve criar estratégias em que o aluno visualize sua própria postura, a partir do uso de espelhos lisos ou quadriculados para melhorar o quadro de referências espaciais. Deve também estimular o sistema somatosensorial, a partir de experiências táteis em que o aluno possa apoiar-se em estruturas alinhadas e de diferentes densidades para que perceba o seu alinhamento em relação a estas estruturas.

A prática física deve ser implementada a partir de exercícios de auto-correção, força e alongamento. É importante lembrar que estes exercícios devem ser selecionados de acordo com as alterações posturais e que os exercícios de auto-correção devem ser realizados durante a realização de tarefas cotidianas. Pode-se incrementar ainda mais o programa de reeducação postural com exercícios de IM, selecionando-se imagens de que eliminem as alterações posturais do aluno.

Maria Claudia Vanicola Luzimar Teixeira Carla Prisco Arnoni Simone Padilha Cavalcante Matteoni Fabiane Villa Negipe Valbão Junior

Referências

ASTIN, J. A.; SHAPIRO, S. L.; EISENBERG, D. M.; FORYS, K. L. Mind-body medicine: state of the science, implications for practice. Journal of the American Board of Family Medicine, Waltham, v. 16, p. 132-147, 2003.Disponível em: http://www.jabfm.org/cgi/content/abstract/16/2/131 Acesso em: 31 jan. 2007.
BIRBAUMER, N.; FLOR, H.; DWORKIN, B.; MILLER, N.E. Behavioral treatment of scoliosis and kyphosis. Journal of Psychosomatic Research, London, v. 38, n. 6, p. 623-8, 1994. http://doi.dx.org/ 10.1016/0022-3999(94)90060-4 BLUM, C. L. Chiropractic and pilates therapy for the treatment of adult scoliosis. Journal of Manipulative and Physiological Therapeutics, Lombard, v. 25, n. 4, p. E3, 2002. http://dx.doi.org/ 10.1067/mmt.2002.123336 CACCIATORE, T. W.; HORAK, F. B.; HENR, S. M.Improvement in automatic postural coordination following Alexander technique lessons in a person with low back pain.
Physical Therapy, Alexandria, v. 85, n. 6, p. 565-578, 2005.Disponível em: http://www.ptjournalonline.net/cgi/content/abstract/85/6/565 Acesso em: 31 jan. 2007.
DEN BOER, W. A.; ANDERSON, P. G.; LIMBEEK, J. V.; KOOIJMAN, M. A. P. Treatment of idiopathic scoliosis with side-shift therapy: an initial comparison with a brace treatment historical cohort. European Spine Journal, Heidelberg, v. 8, p. 406-410, 1999.http://dx.doi.org/10.1007/s005860050195 DWORKIN, B.; MILLER, N. E.; DWORKIN, S.; BIRBAUMER, N.; BRINES, M. L.; JONAS, S.; SCHWENTKER, E. P.;GRAHAM, J. J. Behavioral method for the treatment of idiopathic scoliosis. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America, Washington, v. 82, n. 8, p. 2493-2497, 1985.Disponível em: http://www.pubmedcentral.nih.gov/articlerender.fcgi? tool=EBI&pubmedid=3857596 Acesso em: 31 jan. 2007.
FAIRWEATHER, M. M.; SIDAWAY, B. Ideokinetic imagery as a postural development technique. Research Quarterly for Exercise and Sport, Reston, v. 64, n. 4, p. 385-388, 1993.
FANSLER, C. L.; POFF, C. L.; SHEPARD, K. F. Effects of mental practice on balance in elderly women. Physical Therapy, Alexandria, v. 65, p. 1332-8, 1985.
FONTANI, G.; MIGLIORINI, S.; BENOCCI, R.; FACCHINI, A.; CASINI, M.; CORRADESCHI, F. Effect of mental imagery on the development of skilled motor actions.Perceptual Motor Skills, Missoula, v. 105, p. 803-826, 2007. http://dx.doi.org/10.2466/PMS.105.3.803-826 Acesso em: 31 jan. 2008.
GUILLOT, A.; COLLET, C. Contribution from neurophysiological and psychological methods to the study of motor imagery. Brain Research Reviews, Amsterdam, v. 50, p. 387-397, 2005. http://dx.doi.org /10.1016/j.brainresrev.2005.09.004 GUO, X.; CHAU, W. W.; HUI-CHAN, C. W.; CHEUNG, C.
S.; TSANG, W. W.; CHENG, J. C. Balance control in adolescents with idiopathic scoliosis and disturbed somatosensory function. Spine, Philadelphia, v. 31, n. 14, p.
E437-440, 2006. Disponível em: http://www.spinejournal.com/pt/re/spine/ abstract.00007632- 200606150-00029.htm;jsessionid=HznR0JTQzqPkxZgGxPptZKwc1 TRH8hQrfYtp SGg17MMqzQtyyM2G!172353749!181195629!8091!-1 Acesso em: 31 jan. 2007.
HAMEL, M. F.; LAJOIE, Y. Mental imagery: effects on static balance and attentional demands of the elderly. Aging Clinical Experimental Research, Milano, v. 17, n. 3, p. 223- 8, 2005.
HARMAN, K.; HUBLEY-KOZEY, C. L.; BUTLER, H.Effectiveness of an exercise program to improve forward head posture in normal adults: a randomized, controlled 10- week trial. Journal of Manual & Manipulative Therapy, Hillsborough, v. 13, p. 163- 176, 2005. Disponível em:
HARMAN, R.; MIXON, J.; FISHER, A.; MAULUCCI, R.; STUYCK, J. Idiophatic scoliosis and the central nervous system: a motor control problem. The Harrington Lecture, 1983. Scoliosis Research Society. Spine, Hagerstown, v. 10, p. 1-14, 1985.
JEANNEROD, M.; FRAK, V. Mental imaging of motor activity in humans. Current Opinion in Neurobiology, London, v. 9, n. 6, p. 735-739, 1999.
http://dx.doi.org/10.1016/S0959-4388(99)00038-0 KATZMAN, W. B.; SELLMEYER, D. E.; STEWART, A.
L.; WANEK, L.; HAMEL, K. A. Changes in flexed posture, musculoskeletal impairments, and physical performance after group exercise in community-dwelling older women. Archives of Physical Medicine and Rehabilitation, Philadelphia, v. 88, n. 2, p. 192-9, 2007.http://dx.doi.org/10.1016/j.apmr.2006.10.033 LUGO-LARCHEVEQUE, N.; PESCATELLO, L. S.; DUGDALE, T. W.; VELTRI, D. M.; ROBERTS, W. O.
Management of lower extremity malalignment during running with neuromuscular retraining of the proximal stabilizers. Current Sports Medicine Reports, Philadelphia, v. 5, n. 3, p. 137-40, 2006. http://dx.doi.org/10.1007/s11932-006-0016- 1 MAGILL, R. A. Aprendizagem motora: conceitos e aplicações. São Paulo: Edgard Blücher, 1998.
MALGREN-OLSSON, E. B.; BRANHOLM, I. B. A comparison between three physiotherapy approaches with regard to health-related factors in patients with non-specific musculoskeletal disorders. Disability and Rehabilitation, London, v. 24, n. 6, p. 308-17, 2002. Disponível em: http://www.ingentaconnect.com/content/apl/tids/2002/000000 24/00000006/art00003 Acesso em: 31 jan. 2007.
MAMYAMA, T.; KITAGAWAL, T.; KATESHITA, K.; NAKAINURA, K. Side shift exercise for idiopathic scoliosis after skeletal maturity. Studies in Health Technology and Informatics, Amsterdam, v. 91, p. 361-4, 2002. Abstract disponível em: http://proceedings.jbjs.org.uk/cgi/content/abstract/85- B/SUPP_I/22-d Acesso em: 31 jan. 2007.
PENHA, P. J.; JOÃO, S. M. A.; CASAROTTO, R. A.; AMINO, C. J.; PENTEADO, D. P. Postural assessment of girls between 7 and 10 years of age. Clinics, São Paulo, v. 60, p. 9-16, 2005. http://dx.doi.org/10.1590/S1807- 59322005000100004 RODRIGUES, E. C.; IMBIRIBA, L. A.; LEITE, G. R.; MAGALHÃES, J.; VOLCHAN, E.; VARGAS, C. D. Mental stimulation strategy affects postural control. Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, v. 25, Supl. II, p. 33-5, 2003. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462003000600008 RYDEARD, R.; LEGER, A.; SMITH, D. Pilates-based therapeutic exercise: effect on subjects with nonspecific chronic low back pain and functional disability: a randomized controlled trial. Journal of Orthopaedic Sports and Physical Therapy, Alexandria, v. 36, n. 7, p. 472-84, 2006.http://dx.doi.org/10.2519/jospt.2006.2144 SCHMIDT, R. A. Aprendizagem e performance motora: uma abordagem da aprendizagem baseada no problema. Porto Alegre: ArtMed, 2001.
SHUMWAY-COOK, A.; WOOLLACOTT, M. H. Controle motor : teoria e aplicações práticas. Barueri: Manole, 2003.
SILFERI, V.; ROUGIE, P.; LABELLE, H.; ALLARD, P.Postural control in idiophatic scoliosis: comparison between healthy and scoliotic subjects. Revue de Chirurgie Orthopédique et Réparatrice de L'Appareil Moteur, Paris, v. 90, n. 3, p. 215-25, 2004.
TEIXEIRA, L. A. Controle postural. In: ______. Educação física escolar adaptada: postura, asma, obesidade e diabetes na infância e adolescência. São Paulo: EEFUSP, EFP, 1993.p. 1-26.
TRIBASTONE, F. Tratado de exercícios corretivos aplicados à reeducação motora postural. Tamboré: Manole, 2001.
WANG, C. H.; McCLURE, P.; PRATT, N. E.; NOBILINI, R.Stretching and strengthening exercises: their effect on threedimensional scapular kinematics. Archives of Physical Medicine and Rehabilitation, Philadelphia, v. 80, n. 8, p.923-9, 1999. http://dx.doi.org/10.1016/S0003- 9993(99)90084-9 WONG, M. S.; MAK, A. F.; LUK, K. D.; EVANS, J. H.; BROWN, B. Effectiveness of audio-biofeedback in postural training for adolescent idiophatic scoliosis patients.
Prosthetics and Orthotics International, Hellerup, v. 25, p.60-70, 2001. http://dx.doi.org/10.1080/03093640108726570 WONG, M. S.; MAK, A. F.; LUK, K. D.; EVANS, J. H.; BROWN, B. Effect of using prismatic eye lenses on the posture of patients with adolescent idiopathic scoliosis measured by 3-d motion analysis. Prosthetics and Orthotics International, Hellerup, v. 26, p. 139-53, 2002.

Fonte: www.periodicos.rc.biblioteca.unesp.br

Postura Corporal

Como sentar

A Posição Sentada

A posição sentada é a posição mais freqüentemente adotada pela maioria das pessoas nas atividades profissionais, domésticas e no lazer. Pessoas que passam longos períodos sentadas sofrem mais de dor nas costas do que pessoas que se movimentam mais. Desta forma, é importante considerar como ficamos sentados, que tipo de cadeiras utilizamos e o que podemos fazer para prevenir a dor nas costas.

Escolha da cadeira adequada

Sentar bem em uma cadeira requer primeiramente uma cadeira com dimensões apropriadas para o nosso corpo. Ao sentar em uma cadeira você deve ter os 2 pés apoiados no chão, o assento deve ser firme e profundo o suficiente para suportar as nossas coxas, não forçando o ângulo posterior dos joelhos e ter apoio para os antebraços .As bordas anteriores do assento devem ser arredondadas.

O encosto da cadeira é essencial para fornecer estabilidade para a pessoa que se senta. Numa situação de trabalho o encosto deve ser levemente inclinado para trás, pois o encosto em ângulo reto não nos dará suporte e tenderemos a escorregar o quadril para frente. O uso de um apoio lombar pode ajudar na manutenção de uma boa postura sentada, exercendo um suporte na coluna lombar e influenciando a postura global da coluna vertebral e reduzindo a fadiga muscular.

Firmeza do assento

Para que uma pessoa tenha uma boa postura na posição sentada, o assento da cadeira ou sofá deve ser firme o suficiente para impedir que a pessoa se afunde ao sentar e aumente a flexão da coluna lombar, forçando as articulações vertebrais.

Altura do assento

A altura ideal de um assento deve ser aquela em que a pessoa sentada mantenha ângulo reto nas articulações dos joelhos e tornozelos. Para as pessoas mais baixas que não conseguem encostar os pés no chão, o uso de um apoio para os pés auxilia a manutenção da postura correta.

Suporte lombar

Mesmo estando sentado em uma cadeira adequada, a manutenção da postura ereta é uma tarefa difícil já que há uma fadiga dos músculos estabilizadores do tronco. O apoio lombar vai exercer um suporte na coluna, recuperando a lordose lombar fisiológica e reaproximando a coluna de sua conformação anatômica, reduzindo assim a fadiga muscular. O suporte lombar ajustável permite ao paciente experimentar diferentes posições até encontrar a mais confortável para a sua coluna.

Como levantar

Certo

Inclinar o corpo para frente sem tencionar os músculos do pescoço e costas, estender os joelhos enquanto leva a cabeça e o tronco para frente e para cima, até chegar à posição em pé.

Errado

A cabeça está retraída encurtanto os músculos do pescoço e tronco, desta forma, os discos intervertebrais ficam comprimidos, podendo resultar, a longo prazo, no aparecimento de hérnia de disco.

No escritório

Se você trabalha em escritório, deve prestar atenção em diversos fatores que podem influenciar o bom uso da sua postura e dos seus movimentos e desta forma, evitar dores e desconforto nas costas.

Em primeiro lugar, verifique se a disposição dos móveis é adequada à sua atividade profissional.

Evite andar com a cadeira de rodinhas se torcendo para pegar objetos em armários; prefira sempre levantar e andar usando padrões de movimentos adequados para pegar coisas tanto nas prateleiras de cima como nas de baixo. Evite segurar o telefone entre o ombro e o pescoço e deixe-o em uma posição fácil de ser alcançado.

Usando microcomputadores

O mobiliário e o equipamento disponível para seu trabalho devem estar distribuídos de forma que facilite sua execução, minimizando lesões. A cadeira deve ser regulada conforme a dimensão do seu corpo, ou seja, joelhos e tornozelos em ângulo reto. A cadeira deve ter apoio lombar que sustente sua postura ereta e apoio para os antebraços. A altura ideal de uma mesa de trabalho deve ser aproximadamente 5 cm superior a altura do cotovelo.

O teclado deve estar aproximadamente na mesma altura dos cotovelos. A melhor posição para a tela do computador é 15 graus para baixo da linha horizontal e a aproximadamente 40 a 70 cms. de distância dos seus olhos. Se você costuma ler documentos enquanto digita, use um suporte para leitura, pois assim você pode prevenir movimentos combinados do pescoço e tronco que, com o tempo, podem causar dor.

Observe se o encosto da sua cadeira é levemente inclinado para trás, pois assim diminui as cargas musculares estáticas na coluna.

A utilização de apoios para os punhos também reduz a atividade muscular dos músculos superiores do ombro. No entanto, é importante que você experimente para verificar se é confortável para você usá-los.

Dentro dos padrões acima mencionados você deve experimentar variações para descobrir as posições ideais para seu conforto. O mais importante é você se sentir confortável, relaxado, e usando seus movimentos de forma correta e harmoniosa, sem esforço desnecessário.

Agindo assim suas tarefas vão se tornar mais leves e fáceis.

Dormindo

Passamos uma boa parte de nossas vidas dormindo ou repousando, de forma que devemos considerar as características do leito e as posições mais apropriadas para prevenir lesões na coluna. Se você sente dor no pescoço ou dor lombar, deve tomar cuidados redobrados com as posturas que adota ao dormir.

Uma posição que inicialmente se mostra confortável, se mantida por um tempo prolongado pode causar dor. A posição deitado de lado é a posição mais adequada para quem sofre de dores no pescoço e costas. A posição menos adequada é de bruços, pois aumenta a curva lombar e o pescoço fica torcido.

Mas não se aflija, é importante que durante a noite nós mudemos várias vezes de posição, pois como vimos anteriormente, a permanência por muito tempo em uma mesma posição pode ocasionar desconforto e dor. Um fator decisivo para uma boa noite de sono é relaxar, isto é, soltar as tensões dos músculos do corpo e agindo desta forma, você evitará agressões à sua coluna.

Colchões

A dureza do colchão deve ser suficiente para suportar o peso do corpo e não comprimir as saliências ósseas. Ao comprar um colchão, o usuário deve se deitar por alguns minutos sobre o colchão e verificar o seu conforto. Colchões ditos "ortopédicos" são muito duros e podem causar lesões por comprimir as saliências ósseas. As pessoas mais pesadas necessitam de um colchão com alta densidade de espuma e pessoas mais leves necessitam colchões de espumas menos densas.

Travesseiros

O travesseiro deve ser de uma altura suficiente para manter a coluna cervical alinhada com a coluna dorsal. Para testar isto, deite-se de costas sem travesseiro, e sua cabeça cairá para trás. Ponha um ou dois travesseiros até que você sinta a cabeça alinhada.

Para deitar de lado, a distância da extremidade do ombro e a cabeça determina o número de travesseiros necessários.

Levantando peso

O levantar peso de forma incorreta pode ser a causa do desencadeamento de uma dor lombar aguda. Ao longo de nossas vidas executamos atividades que forçam a nossa coluna, e não temos consciência das pequenas lesões que estão se produzindo nela em cada esforço mau feito.

A coluna tem capacidade de absorver lesões sem o aparecimento da dor e, num dado momento, após um pequeno esforço, a pessoa pode sentir uma dor na região lombar e ficar impossibilitado de voltar à posição em pé.

A maneira correta de levantar peso é manter as costas estendidas e flexionar os joelhos para pegar o objeto, colocar o objeto junto ao corpo e levantá-lo estendendo os joelhos e os quadris. Nunca levante o peso com os joelhos estendidos e o corpo dobrado para frente. Se o objeto for muito pesado use patamares intermediários, isto é, você pega o peso do chão, põe sobre um apoio à meia altura entre a superfície para onde você deve colocar o objeto e o chão, e daí faça um novo movimento até levantar o peso para o nível desejado. Evite levantar o peso do chão para a superfície mais alta de uma só vez. Não se acanhe em pedir ajuda se o objeto for muito pesado.

No lar

Se você é dona de casa, é importante saber quais são as melhores formas e posições para executar suas tarefas domésticas sem prejudicar a sua coluna.

Para fazer a cama, em vez de se inclinar sobre a cama, ajoelhe-se no chão e arrume um lado de cada vez.

Para passar aspirador ou varrer o chão, os cabos do aspirador e da vassoura devem ter um comprimento que permita a você manter a sua postura ereta enquanto trabalha, em vez de se inclinar para frente.

Na arrumação do armário, mantenha o quadril encaixado e não se estique muito para cima. Se um objeto estiver na parte de cima do armário, suba sobre um banco para alcançar a altura desejada.

Para arrumar a parte de baixo do armário, evite enclinar o corpo para frente. Em vez disso, sente-se em um banquinho que proporcionará maior conforto para a tarefa.

Dirigindo

Pessoas que passam longos períodos dirigindo são mais propensas a sofrer de dor nas costas. Sendo assim, é importante manter uma boa postura ao dirigir. A possibilidade de ajuste do encosto e do assento, um suporte lombar e uma boa angulação do assento são fatores essenciais para prevenir ou minimizar dores nas costas.

Procure ajustar o banco do veículo o mais confortável possível, mantendo o ângulo do encosto entre 110 a 120 graus. Quando o encosto permanece muito inclinado para trás a pessoa força muito os músculos do pescoço e tronco podendo, com o tempo, lesar as articulações da coluna. O encosto na posição correta e o uso de um suporte lombar, muitas vezes são soluções simples para o problema de má postura ao dirigir.

Se você precisa viajar grandes distâncias, pare o carro a cada 2 horas e faça pequenas caminhadas. Aprenda alguns exercícios de alongamento e não se acanhe em executá-los quando sentir seus músculos tensionados.

Dor nas costas no trabalho

Prevenção:

Certifique-se que sua cadeira, mesa e instrumentos estejam posicionados de forma ideal. Você deve ter noção do que é uma postura correta.

Se você tiver que executar uma tarefa sentado por um longo período, procure interromper a atividade de tempos em tempos, para fazer uma pequena caminhada, ou para fazer exercícios de alongamento.

Isto vai aliviar a tensão muscular e você vai se sentir melhor.

Se você costuma executar tarefas repetitivas, a adoção de um rotina de exercícios de alongamento diários é importante para evitar lesões. Os exercícios fazem com que os músculos sejam distendidos e trabalhados dinamicamente, aumentando a circulação sanguínea.

Isto vai ajudar você a evitar lesões por esforço repetitivo (LER) que são muito comuns em pessoas que trabalham em atividades que repetem os mesmos movimentos: digitadores, operários, dentistas, cirurgiões, etc.

Dor nas costas dormindo

Prevenção:

Se você costuma sentir tensão nos músculos do pescoço, o uso de travesseiro anatômico é uma boa dica pois ele relaxa os músculos do pescoço e mantem a curvatura normal da lordose cervical.

Se você costuma ler antes de dormir, deve usar uma poltrona confortável e apoio lombar. Evite ler na cama pois força o pescoço.

Evite dormir de barriga para baixo porque aumenta a curvatura lombar e a coluna cervical fica no extremo da amplitude articular, podendo causar lesões ou piorar as que já existirem.

Dor nas costas nas atividades diárias

Prevenção:

Toda a vez que você iniciar uma atividade que não pode ser interrompida ou uma atividade esportiva, faça alongamentos para preparar os músculos e articulações para a tarefa. Se for possível, a cada uma hora, interrompa sua atividade e caminhe.

Se sentir algum desconforto, faça exercícios de alongamento.

Não continue uma atividade que esteja ocasionando dor ou desconforto.

Se você tiver que manter uma atividade na posição em pé por um longo período, use um apoio em um pé mantendo um joelho semi flexionado, pois diminuirá a tensão dos músculos que suportam a coluna, diminuindo a fadiga muscular.

Ficar em pé numa fila pode tencionar os músculos das costas. Passar o peso de uma perna para a outra alternadamente, colocando uma perna na frente da outra e mantendo os joelhos semi flexionados, previne esta tensão.

Nas viagens, prefira levar 2 malas pequenas, uma em cada mão a uma grande em uma mão só.

Fonte: www.dornascostas.com.br

Postura Corporal

A importância da boa postura corporal

Muitos fatores podem causar dor nas costas. Entre as causas mais comuns, incluem-se os movimentos bruscos, esforços para levantar pesos, acidentes de carro, quedas, e muitas vezes os resultados podem ser severos. Algo que poucas pessoas consideram quando se trata de superar a dor lombar é a adoção de uma postura correta, embora estejam muito claras as vantagens de se ter uma boa postura.

E o contrário é bem sabido - quando não se mantém boa postura, ocorre uma sobrecarga adicional na musculatura dorsal. Um stress é adicionado à coluna vertebral, e se a má postura continua por um longo período de tempo, a anatomia da coluna pode realmente ser alterada por causa disso.

Vasos sanguíneos e nervos que estão localizados dentro dos músculos podem ser comprimidos, ocasionando falta de nutrientes, de oxigênio e de remoção de resíduos do trabalho muscular, o que provoca alteração dos nervos e dos músculos, podendo incluir modificações nas articulações. Todas estas condições podem resultar em dor nas costas, e outros problemas como dor de cabeça, deficiência da respiração e fadiga.

A boa postura é importante porque mantém um equilíbrio entre as partes do corpo. Identifica-se a boa postura ao determinar o alinhamento entre as partes do corpo. A postura perfeita, estando de pé, pode ser determinada traçando-se uma linha que passa pelo tornozelo e o lóbulo da orelha - numa boa postura a linha é reta. A linha deve ser o mais próximo da reta entre as orelhas, os ombros, os quadris, os joelhos, e o tornozelo.

Se você quer melhorar sua postura, uma das primeiras coisas que você deve fazer é analisar a sua postura atual. Observe-se durante todo o dia, tomando nota das regiões do corpo em que há tensões musculares, a sua simetria ou assimetria, ou a sua percepção de problemas posturais. Desta forma, identificando onde reside o problema, você pode fazer algumas coisas para melhorar.

Postura Corporal
Anteriorização do ombro - um problema comum

Muitas pessoas têm problemas posturais quando estão sentadas em cadeiras. Talvez você se identifique com algum dos hábitos mais freqüentes. Um, é deixar o corpo inclinar-se para frente, outro, não apoiar a região lombar no encosto da cadeira, ou então deixar-se escorregar, em vez de permanecer sentado sobre os ísquios, ossos que fazem parte da bacia, na sua porção mais inferior.

Essas atitudes corporais causam pressão adicional sobre a região lombar.

Postura Corporal

Postura Corporal

Cadeiras ergonômicas podem ajudar a para corrigir problemas posturais, mas mesmo assim, se você permanece sentado por muitas horas, é recomendável fazer pausas, para permitir que os músculos possam voltar às suas posições de relaxamento, e alongar-se.

Postura Corporal
A posição do corpo para dormir também merece atenção

Existem várias técnicas eficazes e de efeitos rápidos, para tratar as conseqüências da má postura, e para promover a correção, visando prevenir os desconfortos e manter a saúde.

Além disso, muitas vezes a atitude corporal reflete o que se passa no interior da pessoa, e ao mesmo tempo influencia sobre o estado de espírito. Assim, além de transmitir uma boa imagem, uma boa postura contribui para a saúde física e emocional.

Fonte: www.clinicasistema.com-a.googlepages.com

Postura Corporal

Postura correta ao usar um computador

Siga estes conselhos para uma boa postura ao usar um computador:

Postura Corporal

1 - Manter o topo da tela ano nível dos olhos e distante de um comprimento do braço

2 - Manter a cabeça e pescoço em posição reta, ombros e braços relaxados

3 - Manter a região lombar (as costas) apoiada no encosto da cadeira ou em um suporte para as costas

4 - Manter o antebraço, punhos e mãos em linha reta (posição neutra do punho) em relação ao teclado

5 - Manter o cotovelo junto ao corpo

6 - Manter um espaço entre a dobra do joelho e a extremidade final da cadeira. Manter ângulo igual ou superior a 30 graus para as dobras dos joelhos e do quadril;

7 - Manter os pés apoiados no chão ou quando recomendado, usar descanso para os pés

Fonte: www.digiprotector.com.br

Postura Corporal

A postura correta diante do computador

A tecnologia nos trouxe muita comodidade e o computador está presente em todos os ambientes de trabalho e nos lares. Estas dicas servem para orientar o bom uso desta ferramenta que muito nos facilita a vida. No entanto, se adotarmos posturas inadequadas em frente ao micro, poderemos ter conseqüências desagradáveis na nossa coluna e articulações.

Dicas de boa postura diante do computador

Postura Corporal

Mantenha o topo da tela do vídeo ao nível dos olhos e a distância certa de um comprimento de um antebraço.

Mantenha a cabeça e pescoço em posição reta e ombros relaxados.

Vídeo na altura dos olhos e a cerca de um antebraço de distância ou 45 cm a 70 cm.

Postura Corporal

Mantenha o antebraço, punho e mãos em linha reta (posição neutra do punho) em relação ao teclado.

Mantenha o cotovelo junto ao corpo num ângulo de 90º.

Postura Corporal

Mantenha a região lombar apoiada no encosto da cadeira ou no suporte das costas.

Mantenha um espaço entre a dobra do joelho e a extremidade final da cadeira.

Mantenha ângulo de 90º para as dobras do joelho e do quadril.

Mantenha os pés apoiados no chão ou use um descanso para os pés.

Postura Corporal

Mantenha o mouse e outros acessórios próximos ao teclado e no mesmo plano.

Postura Corporal

Mantenha o documento próximo ao monitor e no mesmo plano visual, nos trabalhos de digitação.

Não torcer o pescoço.

Monitor não deve estar nem muito alto, nem muito baixo.

Postura Corporal

Utilize apoio para os punhos (é importante para ajudar você a manter-se na posição neutra).

Quando for movimentar o mouse, movimente somente o mouse e não o punho, evitando fazer movimentos para os lados com o punho.

Postura Corporal

Quando for teclar observe as mesmas recomendações dos cuidados com o mouse.

Possíveis efeitos da má postura:

Dor no pescoço, costas, braços, antebraços e punhos.

Sensação de cansaço, desconforto.

Problemas de saúde (LER / DORT).

Limitações de movimento.

Perda da qualidade de vida.

A melhor e mais barata maneira de evitar estes problemas e sempre cuidar de sua postura diariamente isso pode significar um dia mais produtivo, mais confortável e sua coluna agradece.

Fonte: www.personalcorpo10.com.br

Postura Corporal

Como vai sua postura corporal no trabalho?

Esta é uma pergunta que a maioria das pessoas só se preocupa em responder quando iniciam processos dolorosos, principalmente nas costas. Quase sempre usamos o nosso corpo sem pensar nele. É daí que vem a importância da consciência corporal, pois com ela podemos aprender a utilizar mais o nosso corpo sem agredi-lo.

Mas como saber usar bem o nosso corpo? Primeiro, precisamos investir naquela posição na qual passamos longos períodos do dia.

Por exemplo: se você trabalha a maior parte do tempo sentado, é necessário que tenha uma cadeira adaptável a sua anatomia. Assim ela deverá ter o encosto, o apoio de braço e a altura para os pés reguláveis, para que você consiga se sentar corretamente, ou seja, com a coluna lombar bem apoiada, pés tocando o chão, fazendo um ângulo de 90º nos joelhos, além dos braços que também devem manter, de preferência, o mesmo ângulo. Pode-se, ainda, utilizar um apoio para os pés para fazer trocas constantes de posição e, assim, garantir uma atividade dos membros inferiores.

Se você trabalha em computador, os punhos deverão estar na mesma altura do teclado. A distância dos olhos em relação ao monitor deve ser a mesma em relação ao teclado e ao papel que você possa estar olhando. Além disso, os olhos deverão estar na altura do topo do monitor.

Agora, se você trabalha a maior parte do tempo de pé deve manter uma boa postura abdominal e de toda a coluna, evitando também ficar parado por muito tempo, como é o caso dos vigilantes. Procure caminhar, pois isso garantirá uma melhor circulação sangüínea e, se possível, sente-se um pouco em tempos regulares de 50 minutos, aproximadamente.

Um alerta para as mulheres é o excessivo uso de sapatos com saltos altos. Eles causam problemas na circulação sangüínea, dificultando o retorno venoso, além de provocarem encurtamento de toda a cadeia muscular posterior do corpo, o que pode levar a dores, principalmente na região lombar da coluna vertebral. O ideal é que as mulheres variem sempre o tipo de salto e, se possível, andem descalças algumas horas do dia.

Após um período de trabalho, vem o descanso. E é bom lembrar que a posição de dormir também é muito importante e deve ser, preferencialmente, de lado com um travesseiro numa altura adaptável entre o ombro e a cabeça. Evite dormir de bruços, pois esta é pior posição para a coluna. No início a adaptação da forma correta de dormir poderá tirar-lhe o sono, mas lembre-se que a nossa capacidade adaptativa é muito boa e, logo, logo, você conseguirá dormir com qualidade.

Uma queixa muito comum, hoje em dia, é a de dores de cabeça (cefaléias) que, quando não tratadas, podem cronificar, especialmente se o paciente se automedica. Alguns medicamentos podem levar a cronificação das dores, fazendo com que haja mais crises em intervalos menores. É preciso, antes de se tomar qualquer medicação, investigar as causas da cefaléia, já que elas são inúmeras, indo desde uma simples tensão a um tumor cerebral. É muito importante buscar a avaliação de um neurologista.

A má postura pode ser um dos fatores contribuintes das cefaléias tensionais crônicas. Nesses casos a fisioterapia tem muito a contribuir, pois a cefaléia tensional crônica, na maioria das vezes, torna o couro cabeludo hipersensível, a caixa craniana excessivamente rígida e a musculatura do pescoço dolorida. O tratamento pode ser feito através da técnica de RPG/RPM (Reeducação Postural Global pelo Reequilíbrio Proprioceptivo e Muscular).

O objetivo da RPG/RPM nas dores de cabeça é dessensibilizar o couro cabeludo, diminuir a rigidez craniana e cervical, além, é claro, de melhorar o padrão postural, evitando, com isso, que o fator mecânico contribua para a perpetuação do quadro. A melhora é surpreendente.

A RPG/RPM é uma excelente técnica para melhorar a consciência corporal e, ainda, dar condições para que o indivíduo consiga se manter numa boa postura, já que muitas vezes, o corpo já se adaptou numa postura incorreta, provocando dores musculares ao se tentar corrigir a postura . Após algumas sessões o paciente já relata conforto na postura correta.

E agora? Quando alguém perguntar como vai a sua postura no trabalho, o que você dirá? Pense nisso! E lembre-se sempre que prevenir é bem melhor que tratar a dor.

Sandra Motta

Fonte: www.escelsanet.com.br

Postura Corporal

Postura Corporal

Fonte: www.nossadica.com

Postura Corporal

Como sentar em boa forma?

Existem três princípios básicos que devemos ter em mente quando pensamos sobre sentar:

1. O homem não foi “projetado” para ficar parado muito tempo.

Não importa que tenhamos a postura mais correta do mundo, se permanecermos mais de 20-40 minutos nesta postura, vamos começar a sentir desconforto. Portanto, procure variar a sua postura periodicamente.

2. A postura correta deve ser obtida com pouco esforço muscular.

Mesmo quando a postura aparenta estar boa, se tivermos que contrair os músculos para mantê-la, ela não é adequada. Se você tem uma postura tensa sem perceber, em breve os músculos vão estar doloridos, e problemas como dores de cabeça ou dores nos ombros vão começar a ocorrer.

3. Devemos manter a lordose lombar

Quando ficamos de pé, notamos que há uma concavidade na parte baixa da coluna (a região lombar). Esta concavidade, chamada lordose lombar, é normal e saudável, e diminui a carga de peso sobre as vértebras e a cintura. Quando sentamos, entretanto, a lordose lombar diminui ou mesmo se inverte. Esta postura pode parecer confortável no início, mas coloca uma grande tensão sobre as costas. Ao sentarmos, devemos nos preocupar em manter a lordose, mas com um bom apoio, para não aumentar a tensão dos músculos.

Como sentar-se para trabalhar com o computador:

Os pés e as pernas

A altura da cadeira deve ser regulada para que a sola dos pés possa estar bem apoiada no chão. Os joelhos devem ficar em um nível um pouco mais baixo do que a bacia. Não há problema em mudar a posição das pernas com freqüência, cruzando os joelhos, esticando as pernas, etc. Colocar um pequeno tablado elevado para apoiar os pés não é uma boa solução, pois os pés devem ter liberdade de movimento.

A cintura

O ideal é sentar bem atrás da cadeira, com as nádegas tocando no encosto, ou no vão do encosto. Esta posição permite o máximo apoio das costas no encosto da cadeira.

O tronco

O tronco deve estar ereto, com as costas bem apoiadas no encosto. Certifique-se de que você está conseguindo manter uma ligeira lordose lombar. As omoplatas devem estar acima do nível do encosto da cadeira, liberando o movimento dos braços.

Os braços e as mãos

Os braços devem estar em posição de repouso, com os cotovelos ao longo do corpo. Esta postura permite que os ombros e o pescoço fiquem relaxados. Nesta posição, os cotovelos ficam fletidos em 90 graus e as mãos repousam naturalmente sobre o teclado. O ideal é não apoiar os punhos sobre a superfície da mesa, deixando as mãos livres para digitar.

O pescoço e a cabeça

O ponto médio do monitor deve ficar um pouco abaixo da altura dos olhos. Assim, com a cabeça ereta, você estará ajudando a relaxar o pescoço e os ombros

Utilidade Pública

Agora que você já sabe como montar a disposição de seu computador e como sentar-se com uma boa postura, não se esqueça: levante-se, boceje, e dê uma longa espreguiçada!

Deitar-se e dormir

Qual é a postura correta para deitar-se?

Durante a noite, é normal mudarmos de posição algumas vezes. Isto acontece espontaneamente, e é saudável, pois ao mudarmos nossa postura ao dormir, diminuímos a pressão sobre a parte do corpo em contato com o colchão ou travesseiro. Podemos dormir de barriga para cima, ou de lado, ou variando entre as duas posturas.

Há dois elementos fundamentais para os quais precisamos prestar atenção ao dormir:

1. A coluna deve estar alinhada.

Isto significa que devemos evitar dormir em "posição fetal", com a coluna curva, e também que o pescoço deve estar alinhado com o resto da coluna. Assim, é importante não dormir com um travesseiro muito alto, quando nos deitamos de barriga para cima, nem com um travesseiro muito baixo, quando nos deitamos de lado. Ao deitar de lado, é importante também desviar o ombro um pouco para frente ou para trás, impedindo que haja muita compressão sobre o ombro. Dormir de bruços não é uma boa opção: esta postura coloca um estresse muito grande sobre o pescoço e a coluna lombar, e impede um bom alinhamento da coluna.

2. Devemos conseguir relaxar os músculos ao dormir.

Para muitas pessoas que acordam com dor, não é a postura, mas sim a dificuldade em relaxar os músculos que provoca mal-estar. Algumas pessoas mantém os punhos fechados, ou rangem os dentes, e isto dificulta um sono restaurador. O melhor conselho para esta situação é procurar começara a relaxar algumas horas antes de ir para a cama. Ao deitar-se, é sempre uma boa idéia permanecer alguns minutos com a luz apagada, conscientizando-se sobre a postura do corpo, e procurando soltar os músculos tensos.

Qual é o melhor colchão?

Há dois tipos de colchões: de molas e de espuma.

Quando de boa qualidade, ambos os tipos são bons, e a escolha depende de sua preferência pessoal. Os colchões de molas mais modernos são feitos com molas individuais, ensacadas separadamente. Além disso, tem um enchimento de sisal e revestimento de espuma ou manta acrílica.

Os colchões de espumas devem ter um selo de qualidade da associação pró-espuma. São feitos com espumas das seguintes densidades, em kg/m3: 20, 23, 26, 28, 33, 45. Tanto para os colchões de mola quanto para os de espuma, quanto maior o peso da pessoa, maior deve ser a densidade da espuma (espuma de revestimento, no caso de colchões de molas). Atualmente, há excelentes colchões fabricados no Brasil.

E o melhor travesseiro?

Aqui, também, não há uma resposta única. O travesseiro ideal deve adaptar-se ao seu corpo, e, portanto depende da forma de seu corpo e de suas preferências.

Para adaptar-se à forma de sua cabeça, o travesseiro não deve ser muito firme. Também não deve ser muito alto, pois isso impede o bom alinhamento da coluna.

Pessoas mais idosas podem preferir travesseiros mais altos, devido ao aumento da curvatura entre o tronco e o pescoço, enquanto que algumas pessoas jovens podem preferir dormir com travesseiros finos. Algumas pessoas preferem ter dois travesseiros, dependendo da postura em que estão dormindo.

Como deitar-se com dor nas costas?

Levantar pesos

Utilidade PúblicaTodos sabemos que é comum as pessoas terem crises de dores nas costas após levantar pesos, e que devemos evitar levantar pesos quando estamos com dores. Neste folheto, vamos explicar o que ocorre com nosso corpo quando levantamos objetos, e quais as formas corretas para levantar pesos.

Como funciona o princípio da alavanca.

Sempre que levantamos pesos, nosso corpo funciona como se fosse uma alavanca: o tronco vai para frente do nosso centro de equilíbrio, e os músculos, inicialmente alongados, contraem-se para elevar o peso. Porisso, quanto mais próximo o objeto estiver do nosso corpo, menor a força necessária para erguê-lo.

É fácil observar este fato: segure um objeto de um quilo próximo do seu ombro, e depois segure-o como braço esticado para frente. Qual dos dois exige mais força?

Quando estamos levantando um objeto, também estamos levantando o peso do nosso corpo.

Há um outro motivo por que é mais difícil levantar um peso que está longe do nosso corpo: quando abaixamos o nosso tronco sem flexionar os joelhos, estaremos levantando não somente o objeto à nossa frente: estaremos levantando também todo o peso do nosso tronco! Assim para levantar uma simples caneta, nossas costas estarão tendo que levantar uns 40 quilos do peso do nosso tronco, mais 10 gramas da caneta!

Que músculos devemos usar para levantar pesos.

Os músculos das extremidades inferiores (a região glútea, coxas, pernas e pés) são os maiores e mais fortes do corpo, e raramente se lesam ao levantar pesos.

Os músculos da coluna, por sua vez, são menores, e tem como principal função estabilizar o tronco, e não levantar pesos.

Ao levantar pesos, é necessário contrair estes dois grupos de músculos, mas por motivos diferentes: os músculos das costas contraem-se para proteger as costas, enquanto os músculos das pernas contraem-se para levantar o objeto.

Como Levantar pesos corretamente:

1. Mantenha os pés afastados, proporcionando uma boa base de apoio para o corpo.

2. Mantenha os joelhos flexionados

3. Mantenha as costas arqueadas para trás. Para isso, é necessário que os músculos das costas estejam sempre contraídos.

4. Mantenha o objeto próximo do seu corpo.

O que não fazer

1. Não rode o tronco enquanto estiver carregando pesos

2. Não curve as costas para carregar um peso

3. Não deixe os joelhos esticados, ou os pés juntos.

4. Não erga objetos distantes do seu corpo.

Tipos de levantamento de pesos

I. Agachamento

Este é o tipo clássico, e requer uma boa força nas pernas. Para realizá-lo, flexione completamente os joelhos e mantenha o corpo ereto. Segure o objeto próximo do seu tórax, e eleve todo o corpo estendendo os joelhos.

II. Guindaste

Este é um ótimo método para objetos mais pesados ou distantes de seu corpo, como por exemplos objetos no interior de um porta-malas. O principal objetivo é proteger as costas. Assim, inicie o levantamento contraindo os músculos das costas e mantendo as costas arqueadas. Com os pés separados e os joelhos ligeiramente fletidos, flexione o tronco para frente e erga o peso, sem encurvar as costas.

III. Tripé

Este levantamento é adequado para pesos leves, mas requer um bom equilíbrio. Com ele, você utiliza a sua perna como contrapeso, como uma gangorra. Com os músculos das costas contraídos, abaixe o seu tronco, enquanto você levanta a perna de trás, até que sua mão alcance o objeto. Para elevar o tronco de volta, force a perna de trás para baixo.

Lembre-se:

Sempre peça auxílio para levantar objetos pesados. Não tente levantar sozinho objetos mais pesados do que 25% do peso de seu corpo.

Fonte: www.quiropraxia.org.br

Postura Corporal

Reeducação da postura corporal

Resumo

A postura corporal apresenta variações individuais decorrentes de fatores como a repetição de movimentos incorretos no cotidiano. Esta revisão de literatura teve por objetivo identificar como aspectos relacionados à aprendizagem motora como feedback, prática física e mental, podem influenciar uma reeducação da postura corporal.

Foi observado em estudos recentes, que pessoas com desvios posturais obtiveram sucesso e muitas vezes tratamentos ortopédicos foram evitados quando a prática física, mental e o feedback foram utilizados. É importante que educadores físicos tenham acesso a estas informações para que implementem estas estratégias em sua prática incentivando a aquisição de uma postura corporal mais adequada por seus alunos.

Introdução

A postura corporal apresenta variações individuais decorrentes de uma série de fatores como má-formação de estruturas corporais, doenças, acidentes e também hábitos posturais desenvolvidos ao longo da vida.

Apesar dos diversos fatores causais, Tribastone (2001) afirma que 65,5% das alterações morfológicas relacionadas a postura são decorrentes de hábitos posturais incorretos.

Um recente estudo realizado com crianças de 7 a 10 anos no Brasil, ilustra estes dados, pois a partir de seus resultados, constatou-se uma alta incidência de alterações posturais neste grupo etário, provavelmente causados por demandas assimétricas diárias do corpo, o que inclui sentar-se inadequadamente, ter um estilo de vida sedentário, além de utilizar mochilas muito pesadas (PENHA et al., 2005).

Diferentes programas de exercícios surgiram ao longo do tempo com o intuito de aprimorar e eventualmente até corrigir padrões posturais que diferem da normalidade. Estas metodologias têm apresentado eficiência em melhorar dores na coluna lombar (BLUM, 2002, CACCIATORE et al., 2005, RYDEARD et al., 2006), mal alinhamento de membros inferiores (LUGO-LARCHEVEQUE et al., 2006) e desordens músculo-esqueléticas não específicas (MALGREN-OLSSON; BRANHOLM, 2002) e geralmente se baseiam em exercícios de fortalecimento e alongamento para determinados grupos musculares. Entretanto, outros aspectos que podem influenciar a reorientação dos segmentos corporais como aqueles relacionados a aprendizagem motora não são abordados.

Como a procura destes programas tem aumentado nos últimos anos, provavelmente em decorrência de estilos de vida mais sedentários que provocam um aumento das alterações posturais e dores nas costas, torna-se necessário um melhor entendimento dos fatores relacionados a aprendizagem motora importantes no processo de reeducação postural, para que profissionais da área de Educação Física possam elaborar programas formais e não formais de ensino com este objetivo.

Assim, esta revisão de literatura tem por objetivo demonstrar a partir de evidências científicas como aspectos inerentes a aprendizagem de habilidades motoras tais como feedback somatosensorial e visual, prática física e prática mental também estão presentes e são importantes na aquisição de uma nova postura corporal.

Controle da Postura

De acordo com Shumway-Cook e Woollacott (2003) o controle postural envolve o controle da posição do corpo no espaço para duas finalidades: orientação e estabilidade. A orientação postural refere-se à capacidade de manter uma relação adequada entre os segmentos do corpo e entre o corpo e o ambiente para realizar uma determinada tarefa e a estabilidade postural refere-se à capacidade de manter o centro de massa projetado dentro dos limites da base de suporte. Nesta revisão, o foco está voltado ao entendimento de como a prática de exercícios modifica a orientação dos segmentos corporais.

Para Shumway-Cook e Woollacott (2003), a orientação dos segmentos corporais depende de referências sensoriais múltiplas como as advindas do sistema vestibular, sistema somatosensorial e sistema visual.

Alguns estudos demonstraram que pessoas que apresentam escoliose idiopática do adolescente (EIA), que é um desvio lateral da coluna vertebral de causa desconhecida, apresentam uma alteração na informação somatosensorial o que as leva tanto a uma orientação corporal em desequilíbrio quanto a uma alteração no controle postural. Assim, et al. (1985) demonstraram que na EIA há uma interpretação incorreta do alinhamento vertical ereto entre as estruturas vertebrais e isto é decorrente de informação somatosensorial alterada. O sujeito percebe-se ereto, quando na verdade está em desalinhamento.

Consequentemente, mudanças compensatórias ocorrem no sistema motor axial regulando o alinhamento vertebral. Silferi et al. (2004) e mais recentemente, Guo et al. (2006) demonstraram que há relações entre EIA e alterações no controle no postural, como por exemplo, maior amplitude de oscilação do Centro de Gravidade, o que explicita uma alteração sensorial nos sujeitos que apresentam EIA.

No processo normal de manutenção da orientação dos segmentos corporais, Teixeira (1993) relata que uma vez que os receptores sensoriais captam as informações relevantes para os ajustes posturais, entram em cena processos da mais alta complexidade, chamados de mecanismos de detecção e correção de erros. Nos diferentes estágios de aprendizagem motora, estes mecanismos atuam de forma mais consciente ou inconsciente.

No estágio cognitivo de aprendizagem de uma postura, por exemplo, os mecanismos de detecção e correção de erros são bastante conscientes e as informações que chegam ao Sistema Nervoso Central (SNC) são comparadas a um modelo de referência interna. No caso de diferenças entre a posição pretendida e a posição real, produz-se um sinal de erro que será utilizado pelos mecanismos reguladores de postura os quais enviarão os comandos motores que forem considerados mais apropriados para a correção da posição corporal. Desta maneira, tanto a orientação quanto a estabilidade corporais podem ser adequadas em relação às demandas do meio ambiente.

Em estágios mais avançados de aprendizagem, estes processos de detecção e correção de erros tornam-se relativamente automatizados, liberando o SNC do controle direto dos ajustes posturais para a realização de diversos outros atos motores executados simultaneamente à manutenção desta posição global do corpo.

O controle passa a ser exercido por estruturas sub-corticais, de forma que a regulação da postura, até certo limite, ocorre automaticamente.

A hipótese de ponto de equilíbrio parece ser interessante para explicar como se dá a regulação automática da postura num estágio mais avançado de aprendizagem. De acordo com Schmidt (2001) nesta hipótese um membro atinge uma determinada posição no espaço pela especificação de comprimento-tensão de um conjunto de músculos, com funções antagonistas entre si, responsáveis pelo movimento em uma dada articulação.

O comportamento destes músculos se assemelharia a molas ajustáveis, sendo que a posição final da estrutura corporal se daria pela relação entre o comprimento (estiramento) do músculo e do tônus muscular de pares agonistas/antagonistas. Para a manutenção de uma postura estável, seria necessário apenas manter fixo um ponto de equilíbrio, que ocorreria independentemente da posição inicial do membro ou da disponibilidade de informação de feedback. Para a modificação e ajuste de uma nova postura seria necessária uma seleção de novos pontos de equilíbrio para que com o tempo esta nova orientação dos segmentos corporais fosse automatizada.

Na implementação de programas de exercícios, voltados a reeducação postural, Shumway-Cook e Woollacott (2003) assumem que estratégias como a utilização de feedback visual e somatosensorial devem ser empregadas, como seria esperado em qualquer ambiente de aprendizagem de movimentos.

Um exemplo da utilização de feedback somatosensorial para a melhoria do alinhamento corporal apresentado pelas autoras é uma prática por meio da qual a pessoa que possui um desalinhamento corporal apóia-se numa parede contendo uma saliência vertical alinhada, para que então possa comparar seu alinhamento com a estrutura e fazer a auto-correção. Há, entretanto outros aspectos de aprendizagem que podem ser considerados na elaboração de programas de exercícios físicos que pretendem alterar padrões de orientação corporal.

Aspectos da aprendizagem para melhoria da postura corporal

Aspectos inerentes à aprendizagem motora, como feedback, prática física e mental já foram utilizadas em pesquisas experimentais revelando sua importância na modificação de alterações posturais como escoliose, cifoses e lordoses. Abaixo serão relatados alguns estudos publicados sobre estes aspectos da aprendizagem motora que parecem influenciar a aquisição de uma nova postura corporal.

Biofeedback

O biofeedback ou feedback gerado a partir de sinais biológicos, é uma técnica desenvolvida na década de 60 que envolve a utilização de artefatos que amplificam alguns processos fisiológicos (ex. pressão arterial, atividade muscular) que são difíceis de serem percebidos sem algum tipo de amplificação (ASTIN et al., 2003).

Os participantes são instruídos a alterarem seus processos fisiológicos utilizando como guia o biofeedback que geralmente consiste num sinal auditivo ou visual.

Algumas pesquisas foram encontradas na literatura em que o biofeedback foi utilizado para alterar e modificar o alinhamento postural de pessoas que apresentam escoliose e cifose.

Dworkin et al. (1985) realizaram uma pesquisa em que doze adolescentes diagnosticadas com escoliose, utilizaram um artefato de biofeedback de estímulo auditivo durante um período mínimo de 10 meses. Estas adolescentes possuíam curvas flexíveis e seriam encaminhadas para o tratamento tradicional com a utilização de coletes ortopédicos para evitar a progressão da curvatura.

Ao participarem da pesquisa, estas pacientes foram acompanhadas por seus respectivos ortopedistas para identificação de um inesperado aumento da curvatura, o que determinaria o término do experimento com o biofeedback. O equipamento foi utilizado durante 23 horas por dia e o mesmo era capaz de medir a curvatura da coluna em tempo real e compará-la com critérios estabelecidos individualmente, no início do tratamento.

A partir disto, nos momentos em que houvesse aumento da curvatura em relação ao critério, um sinal auditivo era gerado até que o padrão de alinhamento postural fosse alterado. Durante o experimento, somente duas adolescentes precisaram recorrer ao tratamento tradicional. As outras pacientes observaram suas curvas escolióticas progredirem sem aumentos significativos, reduzirem e até aumentarem em alguns casos, sem risco à sua saúde e relataram uma preferência maior pelo artefato, já que este causava menos desconforto estético que o colete.

Em 1994, o mesmo grupo de pesquisadores testou novamente o artefato, mas agora também em adolescentes com cifose torácica (BIRBAUMER et al., 1994).

Neste novo experimento, foi incluído também um grupo controle e sessões de correção postural que eram realizadas a cada seis semanas, no mesmo momento em que o equipamento era ajustado devido às mudanças decorrentes do crescimento dos pacientes.

Estes exercícios corretivos deveriam ser praticados durante 10 minutos em frente a um espelho diariamente por todos os participantes. As radiografias eram tiradas em cada 4 ou 6 meses.

Comparando-se o desenvolvimento das curvaturas dos 22 pacientes do grupo experimental (15 com escoliose e 7 com cifose), em relação aos 5 pacientes do grupo controle (4 com escoliose e 1 com cifose), observou-se a partir da ANOVA de medidas repetidas uma melhora significativa somente para o grupo experimental, inclusive indicando uma melhora levemente maior nos pacientes com cifose.

Wong et al. (2001) realizaram mais recentemente um estudo semelhante com 16 pacientes com escoliose idiopática, dos quais, 3 desistiram do tratamento, 2 evoluíram mais de 10º na curvatura e, portanto, retornaram ao tratamento com o colete e 9 sujeitos mantiveram suas curvas controladas o que possibilitou a estes adolescentes que alcançassem a maturidade óssea, utilizando somente este artefato. O estudo diferenciou-se dos outros dois, pois investigou um pouco mais detalhadamente, por meio de um questionário, a aceitação dos adolescentes a esta forma de tratamento da escoliose.

O questionário era composto de 18 perguntas que investigavam a possibilidade de realização de tarefas diárias, o desconforto em sua utilização e restrições físicas causadas pelo artefato. Todos os adolescentes participantes no estudo relataram uma significativa preferência pela utilização do artefato em relação ao colete.

Mais recentemente, o mesmo grupo de pesquisadores procurou investigar, por meio de um estudo piloto, se um equipamento de feedback visual poderia ser efetivo no alinhamento e também no controle postural de crianças com escoliose idiopática (WONG et al., 2002). Para isto, utilizaram uma análise tridimensional da coluna de 4 adolescentes com escoliose enquanto os mesmos utilizavam ou não lentes prismáticas para os olhos.

Com estas lentes, os adolescentes necessitavam alterar seu padrão postural para corrigir o posicionamento de certos objetos observados no espaço. Os dados deste trabalho sugerem que a partir de um feedback visual é possível a auto-correção do alinhamento da coluna, necessário no controle e desenvolvimento da escoliose idiopática do adolescente.

Prática física

De acordo com Magill (1998), a aprendizagem de uma nova tarefa motora, surge em função da prática desta tarefa, sendo condição necessária para que ocorra a aprendizagem e a melhora no desempenho da tarefa aprendida. Há evidências de que a prática física e também uma prática mental da tarefa levam a um melhor desempenho. Neste tópico será abordada prioritariamente a prática física que é caracterizada por Pellegrini como uma atividade organizada que consiste da repetição de uma mesma tarefa ou ação motora.

Para aprender uma nova postura corporal a partir da prática física seria necessário então, realizar exercícios em que a postura almejada ou correta fosse praticada diversas vezes.

Na literatura foram identificadas pesquisas que demonstraram que a prática física pode alterar o controle da postura e assim, minimizar alterações posturais existentes. Entre estes estudos está o trabalho de Den Boer et al. (1999), em que um grupo de 44 adolescentes com escoliose idiopática recebeu um tratamento de prática física e foram comparados com um grupo de 120 adolescentes que utilizava colete para a correção da escoliose.

O tratamento com prática consistiu primordialmente em ensinar o que foi chamado de terapia de mudança de lado (side-shifting therapy). A cada adolescente foi ensinado o movimento a ser realizado para que a curvatura da coluna fosse corrigida. Cada participante do estudo recebeu de 10 a 12 sessões com duração de 30 minutos de prática monitorada no início do tratamento, que teve em média 2 anos e 2 meses de duração. O exercício para mudança de lado deveria durar ao menos 10 segundos e foi incentivado a estes sujeitos que realizassem este movimento tantas vezes quantas lembrassem ao longo do dia. Após o período inicial, havia uma prática monitorada a cada 4 meses para relembrar o movimento corretivo.

Quando foram comparados o grupo de prática e o grupo que utilizou colete, foi verificado que a pequena diferença de 5º de progressão no ângulo da curvatura observada ao final do período de tratamento era insignificante e os autores concluíram então que este seria um método interessante para evitar os aspectos negativos relacionados ao tratamento com colete. Outro grupo de pesquisadores num trabalho mais recente também identificou que a terapia do side-shifting pode minimizar a curvatura da escoliose de adolescentes após a maturação esquelética (MAMYAMA et al., 2002).

A terapia do side-shifting, citada até aqui, se restringe a uma prática em que a nova posição ou nova postura a ser adquirida e automatizada é praticada inúmeras vezes ao longo do dia.

Entretanto, é possível identificar outros trabalhos na literatura em que variáveis relacionadas à postura corporal são modificadas pela prática de exercícios físicos específicos de força, alongamento e auto-correção associadas. Este é o caso do estudo de Wang et al. (1999), que verificou mudanças significativas na inclinação torácica de indivíduos adultos assintomáticos, mas que possuíam os ombros projetados à frente do alinhamento normal.

A prática física consistia de exercícios de força isométrica para rotadores externos de ombro e adutores de escápula, bem como exercícios de alongamento passivo para a musculatura dos músculos peitorais que foram realizados numa freqüência de 3 vezes por semana, durante 6 semanas. Harman et al. (2005) observaram mudanças na protusão da cabeça em adultos que realizaram exercícios de força para flexores do pescoço e músculos que fazem a retração dos ombros e alongamento de extensores da coluna cervical e peitorais.

Após 10 semanas de prática, com uma freqüência de 4 vezes por semana, observaram-se mudanças significativas tanto no grupo controle como no grupo experimental para algumas variáveis quantitativas selecionadas pelos pesquisadores, como o ângulo da cabeça e o ângulo do pescoço. Por fim, um trabalho ainda mais recente identificou melhoria na hipercifose de idosas a partir da prática de exercícios de força, alongamento e auto-correção de alinhamento. Neste experimento, os exercícios foram realizados durante 12 semanas, 2 vezes por semana e consistiam de exercícios de força para a extensão torácica e de quadril e flexão de ombros, força para a estabilização do transverso do abdômen e exercício de alinhamento que deveria ser feito durante a realização das tarefas cotidianas e sempre que possível (Katzman et al., 2007).

Como pode ser observado, artigos que tratam da prática física em si, mostram diversas variáveis relacionadas à postura corporal que podem melhor partir deste tipo de intervenção.

A terapia de side-shifting, que apresenta o mesmo princípio de auto-correção apresentada no estudo de Katzman et al. (2007), bem como exercícios de força e alongamento parecem ser práticas essenciais para a reeducação postural. Um ponto interessante nestes trabalhos é observar que são estimulados exercícios de força e alongamento de pares agonistas/antagonistas como abordado inicialmente e sugerido a partir da hipótese do ponto de equilíbrio.

Variáveis como freqüência e duração dos exercícios, bem como formas de contração muscular e de alongamento precisam ser mais explorados em pesquisa. Isto certamente deverá ser observado também quanto à prática mental e sua relação com a postura, haja vista a produção quase inexistente sobre o assunto.

Prática mental

De acordo com Guillot e Collet (2005) imagem motora (IM) é definida como uma representação mental do movimento sem que haja nenhum movimento corporal. Há evidências de que a IM tenha um papel importante na aprendizagem de habilidades esportivas. Durante a representação mental ocorre uma ativação subliminar dos mesmos músculos que são ativados durante a prática motora (JEANNEROD; FRAK, 1999), o que aumenta a perspectiva para o uso da IM na reabilitação também.

De acordo com Fontani et al. (2007), a IM leva a uma melhora do desempenho de movimentos habilidosos similar aquela obtida com a prática física, o que pode ser explicado por adaptações nos neurônios do córtex motor. A IM pode envolver todo o corpo ou pode ser limitada a alguma parte do corpo e sabe-se que por meio desta prática melhora-se o desempenho de tarefas motoras, principalmente quando se combina IM e prática física.

Estudos foram encontrados na literatura relacionando o controle postural e a prática mental (FANSLER et al., 1985, RODRIGUES et al., 2003, HAMEL; LAJOIE, 2005). Entretanto, com relação à orientação dos segmentos corporais, encontrou-se somente um artigo na literatura que investigou a influência da IM na melhoria do alinhamento corporal de indivíduos com lordose e cifose.

Neste estudo, Fairweather e Sidaway (1993) tinham como principal objetivo verificar se a IM poderia modificar o padrão de alinhamento postural de pessoas adultas com desvios sagitais de alinhamento (cifose e lordose). Os 40 sujeitos que fizeram parte deste experimento (20 homens e 20 mulheres), participaram de uma filmagem para obtenção dos ângulos da cifose e lordose. Após a filmagem, foram divididos em 3 grupos experimentais e um controle.

Um grupo experimental utilizou IM, outro grupo fez exercícios de relaxamento e outro fez exercícios de flexibilidade e abdominais. O grupo que praticou IM realizava esta prática 3 vezes por semana e o fez durante 8 semanas, com duração de 15 minutos. Os dois outros grupos experimentais realizaram suas práticas na mesma freqüência e duração. No grupo IM foi estabelecido que os sujeitos deveriam realizar 4 exercícios de visualização em cada sessão. Numa destas visualizações deveriam imaginar-se deitados no final de um tobogã, ou seja, no momento em que há uma inversão da curvatura lombar.

Os resultados deste estudo mostraram diferença significativa nos ângulos das curvaturas entre o pré e pósteste apenas para o grupo IM e nos sujeitos do sexo masculino. Os autores relatam que o pouco tempo de prática pode ter influenciado na ausência de respostas significativas no grupo de prática de flexibilidade e abdominais.

Com apenas um estudo a ser incluído nesta revisão, acredita-se que a IM ainda pode ser muito explorada no que diz respeito à sua contribuição na melhoria da orientação postural. Entretanto, deve-se observar que os estudos que relacionam IM e estabilização da postura mostraram mudanças significativas em variáveis como manutenção da postura em apoio unipodal e oscilações antero-posteriores e laterais, após esta prática. Se a estabilidade e orientação dos segmentos corporais são regidas pelos mesmos controles, pode-se supor que a IM também possa fazer parte dos programas de reeducação postural.

Conclusões

A postura corporal é um conteúdo da área de Educação Física pouco explorado pelos profissionais da área tanto no contexto escolar como no contexto não formal de ensino. Por meio desta revisão de literatura procurou-se relacionar alguns parâmetros relativos ao processo de aprendizagem motora para que seja mais estimulada a implementação de programas de reeducação postural para a população.

Proporcionar um ambiente de aprendizagem em que seja fornecido feedback visual e somatosensorial a respeito da própria postura parece ser essencial. Na prática, o professor deve criar estratégias em que o aluno visualize sua própria postura, a partir do uso de espelhos lisos ou quadriculados para melhorar o quadro de referências espaciais. Deve também estimular o sistema somatosensorial, a partir de experiências táteis em que o aluno possa apoiar-se em estruturas alinhadas e de diferentes densidades para que perceba o seu alinhamento em relação a estas estruturas.

A prática física deve ser implementada a partir de exercícios de auto-correção, força e alongamento. É importante lembrar que estes exercícios devem ser selecionados de acordo com as alterações posturais e que os exercícios de auto-correção devem ser realizados durante a realização de tarefas cotidianas.

Pode-se incrementar ainda mais o programa de reeducação postural com exercícios de IM, selecionando-se imagens de que eliminem as alterações posturais do aluno.

Maria Claudia Vanicola
Luzimar Teixeira
Carla Prisco Arnoni
Simone Padilha Cavalcante Matteoni
Fabiane Villa
Negipe Valbão Junior

Grupo de Estudo e Pesquisa em Atividade Motora Adaptada/Escola de Educação Física e Esporte da USP São Paulo, Brasil

Referências

ASTIN, J. A.; SHAPIRO, S. L.; EISENBERG, D. M.; FORYS, K. L. Mind-body medicine: state of the science, implications for practice. Journal of the American Board of Family Medicine, Waltham, v. 16, p. 132-147, 2003. Disponível em: http://www.jabfm.org/cgi/content/abstract/16/2/131 Acesso em: 31 jan. 2007.
BIRBAUMER, N.; FLOR, H.; DWORKIN, B.; MILLER, N.E. Behavioral treatment of scoliosis and kyphosis. Journal of Psychosomatic Research, London, v. 38, n. 6, p. 623-8, 1994. http://doi.dx.org/ 10.1016/0022-3999(94)90060-4
BLUM, C. L. Chiropractic and pilates therapy for the treatment of adult scoliosis. Journal of Manipulative and Physiological Therapeutics, Lombard, v. 25, n. 4, p. E3, 2002. http://dx.doi.org/ 10.1067/mmt.2002.123336
CACCIATORE, T. W.; HORAK, F. B.; HENR, S. M. Improvement in automatic postural coordination following Alexander technique lessons in a person with low back pain. Physical Therapy, Alexandria, v. 85, n. 6, p. 565-578, 2005. Disponível em: http://www.ptjournalonline.net/cgi/content/abstract/85/6/565 Acesso em: 31 jan. 2007.
DEN BOER, W. A.; ANDERSON, P. G.; LIMBEEK, J. V.; KOOIJMAN, M. A. P. Treatment of idiopathic scoliosis with side-shift therapy: an initial comparison with a brace treatment historical cohort. European Spine Journal, Heidelberg, v. 8, p. 406-410, 1999. http://dx.doi.org/10.1007/s005860050195
DWORKIN, B.; MILLER, N. E.; DWORKIN, S.; BIRBAUMER, N.; BRINES, M. L.; JONAS, S.; SCHWENTKER, E. P.;GRAHAM, J. J. Behavioral method for the treatment of idiopathic scoliosis. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America, Washington, v. 82, n. 8, p. 2493-2497, 1985. Disponível em: http://www.pubmedcentral.nih.gov/articlerender.fcgi? tool=EBI&pubmedid=3857596 Acesso em: 31 jan. 2007.
FAIRWEATHER, M. M.; SIDAWAY, B. Ideokinetic imagery as a postural development technique. Research Quarterly for Exercise and Sport, Reston, v. 64, n. 4, p. 385-388, 1993. http://find.galegroup. com
FANSLER, C. L.; POFF, C. L.; SHEPARD, K. F. Effects of mental practice on balance in elderly women. Physical Therapy, Alexandria, v. 65, p. 1332-8, 1985.
FONTANI, G.; MIGLIORINI, S.; BENOCCI, R.; FACCHINI, A.; CASINI, M.; CORRADESCHI, F. Effect of mental imagery on the development of skilled motor actions. Perceptual Motor Skills, Missoula, v. 105, p. 803-826, 2007. http://dx.doi.org/10.2466/PMS.105.3.803-826 Acesso em: 31 jan. 2008.
GUILLOT, A.; COLLET, C. Contribution from neurophysiological and psychological methods to the study of motor imagery. Brain Research Reviews, Amsterdam, v. 50, p. 387-397, 2005. http://dx.doi.org /10.1016/j.brainresrev.2005.09.004
GUO, X.; CHAU, W. W.; HUI-CHAN, C. W.; CHEUNG, C. S.; TSANG, W. W.; CHENG, J. C. Balance control in adolescents with idiopathic scoliosis and disturbed somatosensory function. Spine, Philadelphia, v. 31, n. 14, p. E437-440, 2006. Disponível em: http://www.spinejournal.com/pt/re/spine/ abstract.00007632- 200606150- 00029.htm;jsessionid=HznR0JTQzqPkxZgGxPptZKwc1 TRH8hQrfYtp SGg17MMqzQtyyM2G!172353749!181195629!8091!-1 Acesso em: 31 jan. 2007.
HAMEL, M. F.; LAJOIE, Y. Mental imagery: effects on static balance and attentional demands of the elderly. Aging Clinical Experimental Research, Milano, v. 17, n. 3, p. 223- 8, 2005.
HARMAN, K.; HUBLEY-KOZEY, C. L.; BUTLER, H. Effectiveness of an exercise program to improve forward head posture in normal adults: a randomized, controlled 10- week trial. Journal of Manual & Manipulative Therapy, Hillsborough, v. 13, p. 163- 176, 2005. Disponível em: http://search.ebscohost. com/login.aspx?direct=true&db=c8h&AN=2009043055&site =ehost-live Acesso em: 31 jan. 2007.
HARMAN, R.; MIXON, J.; FISHER, A.; MAULUCCI, R.; STUYCK, J. Idiophatic scoliosis and the central nervous system: a motor control problem. The Harrington Lecture, 1983. Scoliosis Research Society. Spine, Hagerstown, v. 10, p. 1-14, 1985.
JEANNEROD, M.; FRAK, V. Mental imaging of motor activity in humans. Current Opinion in Neurobiology, London, v. 9, n. 6, p. 735-739, 1999. http://dx.doi.org/10.1016/S0959-4388(99)00038-0
KATZMAN, W. B.; SELLMEYER, D. E.; STEWART, A. L.; WANEK, L.; HAMEL, K. A. Changes in flexed posture, musculoskeletal impairments, and physical performance after group exercise in community-dwelling older women. Archives of Physical Medicine and Rehabilitation, Philadelphia, v. 88, n. 2, p. 192-9, 2007. http://dx.doi.org/10.1016/j.apmr.2006.10.033
LUGO-LARCHEVEQUE, N.; PESCATELLO, L. S.; DUGDALE, T. W.; VELTRI, D. M.; ROBERTS, W. O. Management of lower extremity malalignment during running with neuromuscular retraining of the proximal stabilizers. Current Sports Medicine Reports, Philadelphia, v. 5, n. 3, p. 137-40, 2006. http://dx.doi.org/10.1007/s11932-006-0016- 1
MAGILL, R. A. Aprendizagem motora: conceitos e aplicações. São Paulo: Edgard Blücher, 1998.
MALGREN-OLSSON, E. B.; BRANHOLM, I. B. A comparison between three physiotherapy approaches with regard to health-related factors in patients with non-specific musculoskeletal disorders. Disability and Rehabilitation, London, v. 24, n. 6, p. 308-17, 2002. Disponível em: http://www.ingentaconnect.com/content/apl/tids/2002/000000 24/00000006/art00003 Acesso em: 31 jan. 2007.
MAMYAMA, T.; KITAGAWAL, T.; KATESHITA, K.; NAKAINURA, K. Side shift exercise for idiopathic scoliosis after skeletal maturity. Studies in Health Technology and Informatics, Amsterdam, v. 91, p. 361-4, 2002. Abstract disponível em: http://proceedings.jbjs.org.uk/cgi/content/abstract/85- B/SUPP_I/22-d Acesso em: 31 jan. 2007.
PENHA, P. J.; JOÃO, S. M. A.; CASAROTTO, R. A.; AMINO, C. J.; PENTEADO, D. P. Postural assessment of girls between 7 and 10 years of age. Clinics, São Paulo, v. 60, p. 9-16, 2005. http://dx.doi.org/10.1590/S1807- 59322005000100004
RODRIGUES, E. C.; IMBIRIBA, L. A.; LEITE, G. R.; MAGALHÃES, J.; VOLCHAN, E.; VARGAS, C. D. Mental stimulation strategy affects postural control. Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, v. 25, Supl. II, p. 33-5, 2003. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462003000600008
RYDEARD, R.; LEGER, A.; SMITH, D. Pilates-based therapeutic exercise: effect on subjects with nonspecific chronic low back pain and functional disability: a randomized controlled trial. Journal of Orthopaedic Sports and Physical Therapy, Alexandria, v. 36, n. 7, p. 472-84, 2006. http://dx.doi.org/10.2519/jospt.2006.2144
SCHMIDT, R. A. Aprendizagem e performance motora: uma abordagem da aprendizagem baseada no problema. Porto Alegre: ArtMed, 2001.
SHUMWAY-COOK, A.; WOOLLACOTT, M. H. Controle motor : teoria e aplicações práticas. Barueri: Manole, 2003.
SILFERI, V.; ROUGIE, P.; LABELLE, H.; ALLARD, P. Postural control in idiophatic scoliosis: comparison between healthy and scoliotic subjects. Revue de Chirurgie Orthopédique et Réparatrice de L'Appareil Moteur, Paris, v. 90, n. 3, p. 215-25, 2004.
TEIXEIRA, L. A. Controle postural. In: ______. Educação física escolar adaptada: postura, asma, obesidade e diabetes na infância e adolescência. São Paulo: EEFUSP, EFP, 1993. p. 1-26.
TRIBASTONE, F. Tratado de exercícios corretivos aplicados à reeducação motora postural. Tamboré: Manole, 2001.
WANG, C. H.; McCLURE, P.; PRATT, N. E.; NOBILINI, R. Stretching and strengthening exercises: their effect on threedimensional scapular kinematics. Archives of Physical Medicine and Rehabilitation, Philadelphia, v. 80, n. 8, p. 923-9, 1999. http://dx.doi.org/10.1016/S0003- 9993(99)90084-9
WONG, M. S.; MAK, A. F.; LUK, K. D.; EVANS, J. H.; BROWN, B. Effectiveness of audio-biofeedback in postural training for adolescent idiophatic scoliosis patients. Prosthetics and Orthotics International, Hellerup, v. 25, p. 60-70, 2001. http://dx.doi.org/10.1080/03093640108726570
WONG, M. S.; MAK, A. F.; LUK, K. D.; EVANS, J. H.; BROWN, B. Effect of using prismatic eye lenses on the posture of patients with adolescent idiopathic scoliosis measured by 3-d motion analysis. Prosthetics and Orthotics International, Hellerup, v. 26, p. 139-53, 2002. http://dx.doi.org/10.1080/ 03093640208726637

Fonte: ecemca.rc.unesp.br

Postura Corporal

Dentre os distúrbios dolorosos que afetam a humanidade, a dor lombar (lombalgia, dor nas costas ou dor na coluna) é a grande causadora de morbidade e incapacidade para o trabalho, só perdendo para a cefaléia ou dor de cabeça; e afeta mais os homens do que as mulheres.

Aos 30 anos de idade, inicia-se um processo de dessecação progressiva dos discos da coluna vertebral, que sofrem maior risco de rompimento e arrancamento, por perda de elasticidade e resistência. Hérnia de disco e "bico de papagaio" são doenças comuns da coluna lesada.

A postura no desenrrolar de tarefas pesadas é a principal causa de problemas de coluna, mais precisamente na hora de levantar, transportar e depositar cargas, ocasião em que os trabalhadores mantêm as pernas retas e "dobram" a coluna vertebral.

Pode ocorrer também outro movimento perigoso, o giro do tronco, quando a carga for pega ou depositada mais para o lado e não necessariamente à sua frente.

Quanto maior o peso da carga, maior será a pressão sobre cada vértebra ( figura abaixo ) e cada disco. Quanto mais distante do corpo, maior será a pressão.

Cargas que representam o equivalente a apenas 10% do peso do corpo, já causam problema à coluna.

A postura correta do indivíduo ao trabalhar com o computador doméstico (posição da coluna, das pernas, a altura dos olhos, etc.) está esquematizada na figura ao abaixo.

Postura Corporal

Quando as pernas e os pés não estão bem apoiados, por exemplo, podem ocorrer caimbras após um certo tempo de operação. O encosto da poltrona, também deve ser curvo e ajustar-se às costas, sempre que possível.

Quanto à posição de trabalho em pé ou sentado, diz a Norma número 17 do Ministério do Trabalho - MTE que: "sempre que o trabalho puder ser executado na posição sentada, o posto de trabalho deve ser planejado ou adaptado para esta posição."

O trabalho em pé favorece a incidência do alargamento das veias das pernas (varizes) e causa edemas dos tecidos dos pés e das pernas.

A penosidade da posição em pé pode ser agravada se o agricultor tiver ainda que manter posturas inadequadas dos braços (acima do ombro, p.ex., como na colheita do cacau mostrada na foto abaixo ), inclinação ou torção do tronco (como na colheita da laranja) ou de outras partes do corpo.

Assim, sempre que a atividade agrícola o permitir, a alternância de posturas (em pé-sentado-em pé) deve ser sempre buscada, pois permite que os músculos recebam seus nutrientes e não fiquem fatigados.

Transporte manual de cargas

O transporte manual de cargas é uma das formas de trabalho mais antigas e comuns, sendo responsável por um grande número de lesões e acidentes do trabalho.

Estas lesões, em sua grande maioria, afetam a coluna vertebral, mas também podem causar outros males como, por exemplo, a hérnia escrotal.

A figura abaixo mostra a técnica correta para o levantamento de cargas (caixa, barra, saco, etc.).

Postura Corporal

O joelho deve ficar adiantado em ângulo de 90 graus. Braços esticados entre as pernas. Dorso plano. Queixo não dirigido para baixo. Pernas distanciadas entre si lateralmente. Carga próxima ao eixo vertical do corpo. Tronco em mínima flexão.

Na figura abaixo, a técnica indicada para a movimentação lateral de carga (no caso, um barril) é a seguinte: posição dos pés em ângulo de 90 graus, para evitar a torção do tronco.

No outro croqui, em que o modelo carrega uma caixa, o porte da carga é feito com os braços retos (esticados), de modo a obter menor tensão nos músculos dos mesmos.

A movimentação manual de cargas é cara, ineficaz (o rendimento útil para operações de levantamento é da ordem de 8 a 10%), penosa (provoca fadiga intensa) e causa inúmeros acidentes. Portanto, sempre que possível, deve ser evitada ou minimizada.

Transporte de Cargas

Postura Corporal

Postura Corporal

A mecanização das atividades pode ser feita com o emprego de: polias, transportadores de correia, talhas empilhadeiras, carrinhos de transporte, elevadores, guindastes, pontes-rolantes, etc.

Recomendações gerais para o transporte manual de cargas

Evitar manejo de cargas não adequadas ao biotipo, à forma, tamanho e posição

Usar técnica adequada em função do tipo de carga

Procurar não se curvar; a coluna deve servir como suporte

Quando estiver com o peso, evite rir, espirrar ou tossir

Evitar movimentos de torção em torno do corpo

Manter a carga na posição mais próxima do eixo vertical do corpo

Procurar distribuir simetricamente a carga

Transportar a carga na posição ereta

Movimentar cargas por rolamento, sempre que possível

Posicionar os braços junto ao corpo

Usar sempre o peso do corpo, de forma a favorecer o manejo da carga

Fonte: www.ufrrj.br

Sobre o Portal | Política de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal