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Povos Eslavos

 

Eslavos, membro do corpo étnica e linguística mais numeroso dos povos na Europa, residindo principalmente na Europa oriental e do sudeste, mas que se estende também pelo norte da Ásia para o Oceano Pacífico.

Línguas eslavas pertencem à família indo-européia.

Definição

O termo "eslavos" designa um grupo étnico de pessoas que compartilham uma continuidade cultural a longo prazo e que falam um conjunto de línguas relacionadas conhecidas como as línguas eslavas (todos os que pertencem à família das línguas indo-europeia). Pouco se sabe sobre os eslavos antes que eles são mencionados nos registros bizantino do século 6 dC, e mais do que sabemos sobre eles antes deste tempo é derivado principalmente de estudos arqueológicos e lingüísticos. Os autores bizantinos referem-se aos eslavos como "Sclaveni".

A origem do Eslavos

Os eslavos são o grupo menos documentado entre os chamados "bárbaros" inimigos de Roma durante a Antiguidade tardia, por isso não há consenso acadêmico sobre sua origem.

Autores que escreveram sobre os eslavos não concordam: alguns dizem que os eslavos eram nômades, e outros afirmam que viviam em assentamentos permanentes localizadas em florestas e pântanos; alguns relatos dizem que viveram sob o domínio de um rei, enquanto outros que abraçou uma forma de democracia. Além dessas discrepâncias, devemos ter em mente que a maioria desses relatos são preenchidos com o preconceito dos romanos, que viram todos os povos bárbaros como primitivo, incivilizado e violento.

Alguns autores traçaram a origem dos eslavos de volta à Idade do Ferro tribos indígenas que vivem nos vales dos rios Oder e Vístula (na atual Polônia e na República Checa) em torno do século 1 dC. Esta é, no entanto, ainda uma questão de debate. Com base em evidências arqueológicas, sabemos que as pessoas proto-eslavas já estavam ativos em 1500 aC dentro de uma área que se estendia aproximadamente do oeste da Polônia para o rio Dnieper na Bielorrússia. Ao invés de ter um centro de origem da cultura eslava, parece mais razoável considerar uma ampla território em que um traço cultural comum foi compartilhada por seus habitantes.

Evidência lingüística sugere que em algum momento durante os seus primeiros tempos, o território dos eslavos atingiu na região ocidental da Rússia e as estepes russas do sul, onde eles entraram em contato com os grupos de língua iraniana. Isto é baseado em línguas eslavas que compartilham de um número impressionante de palavras com as línguas iranianas, que só podem ser explicados através da difusão do iraniano em eslavo. Mais tarde, quando eles se mudaram para o oeste, eles entraram em contato com tribos germânicas e novamente emprestados vários termos adicionais de línguas germânicas.

Curiosamente, um pensador polonês chamado Józef Rostafinski tinha notado que em todas as línguas eslavas as palavras para faia, larício, e teixo são emprestadas de línguas estrangeiras, o que implica que durante os primeiros tempos este tipo de árvores eram desconhecidos para os eslavos, uma sugestão que poderia ser utilizado como pista para determinar onde a cultura eslava se originou.

Localização

Eslavos são as pessoas que vivem na Europa Central e de Leste, os Balcãs, a Ásia Central eo Norte da Ásia.

Eles incluem: russos, poloneses, tchecos, sérvios, ucranianos, bielorrussos, os búlgaros, eslovacos, croatas e bósnios.

Atuais povos eslavos são classificados em eslavo ocidental (principalmente poloneses, tchecos e eslovacos), eslava oriental (principalmente russos, bielorrussos e ucranianos), e eslavo do sul (principalmente sérvios, búlgaros, croatas, bósnios, macedônios, eslovenos e montenegrinos ).

Húngaros, romenos, lituanos e letões vivem perto das nações eslavas, mas não são eslavos.

Há muitas pequenas nações eslavas históricas como Lusatia, Rusin, Kashubia e outros. A Rússia é agora o mais poderoso país eslavo, mas no século 10 os tchecos eram mais poderosos, e no século 16. A Polónia foi o país mais forte na área.

As línguas eslavas estão intimamente relacionados. As maiores semelhanças podem ser encontradas dentro do mesmo grupo (por exemplo, polacos e eslovacos, tanto ocidental eslavas línguas), mas existem semelhanças entre línguas eslavas mesmo de outros subgrupos diferentes (por exemplo, polonês e russo, West Slavic e eslava oriental, respectivamente). No entanto, existem as maiores semelhanças entre sérvio, bósnio e croata - línguas eslavas do Sul são considerados em separado pelos governos bósnios e croatas, mas alguns linguistas dizem que são uma linguagem chamada servo-croata. Línguas eslavas são faladas nativamente por 400 milhões de pessoas, e como segunda ou terceira língua por muitas mais pessoas em países tão distantes como a Alemanha ea China.

Fonte: www.ancient.eu/www.britannica.com

Povos Eslavos

Tradições folclóricas:

Eslováquia, um país no centro da Europa, predestinado pela sua posição geográfica a se transformar num cruzamento de várias culturas e rotas comerciais. No vale do Danúbio, os Eslavos antigos encontraram outros povos cujos elementos culturais conseguiram assimilar depressa.

Assim do núcleo da cultura paleoslava, surgiu e evoluiu a arte popular eslovaca impressionante pela sua variedade e estruturação, abrangendo cantigas populares, danças, música popular instrumental, expressão oral, materializada nas lendas, provérbios, contos populares e noutros artefatos materiais, feitos de madeira, tecido, couro, pedra, barro, vidro e cornos de animais. Os valores assim produzidos que se conservaram até hoje servem de testemunha dos vários períodos históricos pelos quais passou o nosso povo e ao mesmo tempo são a expressão das atitudes morais e estéticas do povo, cuja herança merece a admiração pela sua autêntica e única beleza.

Esta cultura material tem se formado nas condições modestas da vida cotidiana tendo sido protegida pelo povo durante os períodos de guerra e catástrofes da natureza, e assim ficou conservada para as futuras gerações.

O essencial é que a cultura popular do povo eslovaco ainda hoje continua a fazendo parte integrante da sociedade moderna.

Eslováquia é um dos países da Europa Central cujo povo tem conservado até aos meados do século vinte o seu traje tradicional. Ainda hoje podemos ver as pessoas vestidas de maneira tradicional sobretudo nas ocasiões especiais, festas populares, etc.

O interesse cada vez mais forte pelo movimento folclórico na segunda metade do século XX, reanimou o traje popular e também as suas formas estilizadas.

A característica predominante da decoração deste tipo de traje é o bordado típico que tem criado, durante séculos, as variedades regionais muito específicas.

Nos finais do século XX, o traje tradicional eslovaco representa um mosaico composto de mais do que 60 tipos regionais.

Na região de Kysuce mantinham-se as formas originais de trajes decorados com bordado em forma de cruz, nos arredores de Cicmany e Trencianska Teplá as formas antigas de bordado foram combinadas com um tipo de bordado renascentista característico pelos seus motivos vegetais e geométricos.

Nos arredores de Tmava o ponto alto da arte do bordado está representado pelo bordado em prata e ouro, a cidade de Pieštany é famosa pelo bordado tipo Biedenneier (madeira).

Na Eslováquia Central o mais interessante é o bordado com motivos de flores e plantas de Detva, feitas com uma antiga técnica com agulha torta, proveniente do Oriente. Faz parte do traje masculino composto de camisa curta e um cinto grosso decorado com os cravos metálicos.

Na região de Horehronie foi desenvolvido um tipo muito fino de bordado em cruz com motivos geométricos que mais tarde evoluiu para uma ornamentação naturalista com forte preponderância de motivos vegetais (flores).

Na região de Liptov (Važec, Východná), o traje feminino atrai a atenção pela sua decoração específica, consistente em tecido azul decorado com desenhos brancos, feito com uma especial técnica gráfica chamada “modrotlac" (impressão em azul), e bordados vermelhos em forma de flores ou circular.

Muito específico, sobretudo nas montanhas de Altas Tatras e Orava é o chamado traje tipo,,goralský" (aldeias de Ždiar, Ostuffla, Lendak), com vestido feminino colorido e decoração de corda no traje masculino, sobretudo nos casacos de pele. O que é típico também, é o chapeuzinho masculino decorado com fitas, pequenas conchas e uma pena de águia.

Na Eslováquia Oriental não podemos omitir o traje feminino de Spiš (cidade de Levoca), com o seu típico avental de lã de ovelha e coifa rendada.

É o Museu Nacional de Martin que dispõe duma exposição completa de trajes regionais, e também nos museus regionais podemos admirar a beleza dos trajes-locais. Também durante as festas populares, romarias e peregrinações temos a oportunidade de admirar os trajes da Eslováquia Ocidental - Cicmany, Pieštany, Myjava, Tmava, Liptov, Važec, Vychodná, Detva, Zvolen, Orava, Ždiar, etc.

Os centros de bordado mais conhecidos: Cicmany, Detva. Krupina, Cataj, Šoporna, região de Horehronie - Polomka, Helpa, Šumiac, Pohorelá

Arquitetura Popular:

Os monumentos arquitetônicos da Eslováquia correspondem ao caráter do nosso país. Representam a união harmoniosa da arquitetura popular com a natureza.

As construções mais antigas eram feitas de vime e cobertas de lama. Este tipo de construção encontramos nas regiões com a mais antiga colonização eslava - no sul e sudoeste da Eslováquia atual, na planície da Eslováquia de Leste, assim como nas bacias hidrográficas dos rios. Casas de dois andares podemos encontrar na cidade de Myjava, Eslováquia Ocidental, assim como as casas “habanas” denominadas segundo o povo que as construía.

Nas partes setentrionais do país ainda hoje podemos achar os restos das aldeias antigas com grande densidade de casas de madeira. São sobretudo as regiões de Orava, Liptov, Kysuce, Horehronie, Spiš e a parte da Eslováquia Central - ao sul da cidade Ružomberok - na aldeia de Vlkolínec - onde encontramos os conjuntos habitacionais praticamente intactos deste tipo de arquitetura de madeira. É precisamente a aldeia Vlkolínec que faz parte do Patrimônio Mundial do UNESCO. Na aldeia Cicmany, situada ao sul da cidade de Žilina podemos admirar a decoração original das fachadas das casas, feita com cal sobre a madeira escura.

Na Eslováquia do Norte, nas encostas de Belianske Tatry está situada a aldeia de Ždiar. Hoje em dia é a única aldeia agrícola nestas altas montanhas, transformada num hotel original, onde as suas 200 casas fornecem o alojamento aos turistas durante o ano inteiro.

Também a arquitetura sacra de madeira com a sua grandiosidade e originalidade não deixa de atrair o interesse dos turistas. As igrejas de madeira, de excelente qualidade de construção e de original concepção da parte interior são na verdade únicas em toda a Europa. Hoje todas fazem parte do Patrimônio Nacional e são protegidas por lei. A mais antiga destas igrejas católicas - construída no século XV - esta situada na aldeia de Hervartov, perto da cidade de Bardejov.

Existem também as igrejas protestantes construídas da mesma maneira mas delas somente cinco sobreviveram até hoje. Pelo contrário, na Eslováquia Oriental podemos admirar cerca de 50 igrejas de madeira ortodoxas e de culto bizantino.

As casas cavadas em rochas das montanhas vulcânicas Štiavnické vrchy, nos arredores da cidade de Štúrovo e Brhlovce na região de Levice - fazendo parte do patrimônio nacional - representam uma das grandes atrações turísticas.

A atmosfera original da aldeia eslovaca foi ressuscitada nos museus da arquitetura popular no ar livre. Encontram-se neles concentradas, num ambiente natural, as casas autênticas construídas de madeira, assim como as suas dependências , igrejas, campanários, moinhos etc.

O maior destes museus - skanzen - que depois de ser concluído, representará 10 -12 regiões mais típicas da Eslováquia, está situado na cidade de Martin, outros encontram-se em Zuberec - Brestová nos arredores de Dolný Kubín, em Vychylovka perto da cidade de Cadca, em Pribylina, na cidade balneária de Bardejov, em Humenné, Stará Lubovna e em Svidník. Estes museus ao ar livre oferecem aos seus visitantes um programa muito rico - o autêntico folclore, artesanato, venda dos produtos nas típicas feiras populares, cozinha tradicional e outras atrações.

Artesanato Popular:

TECIDOS

A tecelagem manual na Eslováquia tem uma tradição muito longa. A produção doméstica de tecidos de linho e cânhamo atinge o seu apogeu nos séculos XVIII e XIX., sobretudo nas regiões setentrionais da Eslováquia de Leste (Orava, Liptov, Šariš, Spiš). Na Eslováquia Central (Zvolen e Horehronie) desenvolveu-se uma técnica muito especial com os tecidos coloridos que hoje em dia serve de inspiração para a produção de tecidos decorativos. Um centro ativo de tecelagem encontra-se na Eslováquia de Leste, nos arredores de Trebišov (Kuzmice). Na aldeia Rejdová está concentrada a produção de tapetes com desenhos típicos.

Os tecidos específicos de lã chamados ”guba” estão produzidos na aldeia de Klenovec.

A rendaria surgiu na Eslováquia no início do século XVI os centros mais antigos são nos arredores das cidades mineiras - Banská Hodruša, Staré Hory, Špania Dolina, Solivar, Prešov, Slovenský Grob - onde ainda hoje podemos encontrar as mulheres que cultivam este tipo da arte popular.

Modrotlac - imprimido em azul - é uma técnica única de decorar os tecidos com o índigo. Na Eslováquia esta técnica continua viva nas regiões onde ainda hoje as pessoas vestem traje tradicional, sobretudo em Liptov, Spiš, Orava, Turiec, Šariš muito conhecida é a família Trnkovci de Púchov que mesmo hoje continua a desenvolver esta técnica. Além da combinação branco-azul, podemos encontrar os motivos amarelos, verdes, azul claro, cor de laranja - e os tecidos deste tipo hoje em dia são utilizados na decoração interior de casas.

Os centros atuais da tecelagem: produção de tapetes - várias aldeias na Eslováquia de Norte e de Leste, tecidos decorativos - Važec, Horehronie, Trebišov

Centros de rendaria: Slovenský Grob, Staré Hory, Špania Dolina (museu de rendaria), Solivar

CERAMICA

A técnica de faiança foi trazida ao território da atual Eslováquia no século XVII pelos membros da seita religiosa reformista denominada Habáni. As oficinas em Dechtice, Dobrá Voda e, sobretudo Modra tem - se mantido até hoje. Além da produção de louça, nestas oficinas eram fabricadas também as plásticas figurativas dum alto nível artístico. Foram os mestres cerâmicos Ferdiš Kostka e Ignác Bizmayer que depois de 1918 reanimaram a produção da cerâmica figurativa. Hoje a louça de faiança está a ser produzida sobretudo em Modra, Lubietová, Senica e Siladice.

Uma coleção interessante de faiança está exposta no Záhorské Múzeum em Skalica e no Museu da Eslováquia Ocidental em Trnava. São também os depósitos do Museu Nacional Eslovaco de Bratislava que dispõem duma coleção importante de louça de faiança. Para os turistas é muito interessante a possibilidade de visitar a casa dos mestres cerâmicos situada na vila de Vel’ké Leváre.

PALHA

Cestos feitos de erva, palha e vime são uma das mais antigas tecnologias no quadro da produção artesanal eslovaca. Nas regiões setentrionais (na parte norte de Spiš) ainda hoje se fazem cestos das raízes de zimbro assim como de vime (Bardejov). Na Eslováquia Central, o material preferido dos cesteiros era e continua a ser o vime da aveleira. Na parte ocidental do país prevalece como material a palha de trigo e cevada - nos arredores de Senica, Gemer, Novohrad e Hont. No sul do país o material mais utilizado pelos cesteiros é, sobretudo a palha de milho - Nové Zámky - onde ainda hoje fazem dela bolsas de senhora, sandálias, e até bonecas.

MADEIRA

A madeira é um material universal, utilizado na cultura popular. A maior variedade de trabalho em madeira existe na louça utilizada pelos pastores de ovelhas (formas de queijo, queijo defumado, varinhas, cântaros, jarros, vários tipos de canecas), que ainda hoje continua a ser fabricada na maior parte de centros de criação de ovelhas e tem as características regionais bem pronunciadas. Enquanto as asas de jarros da Eslováquia Central (Detva, Poniky, Rejdová) são decoradas com motivos figurativos, na Eslováquia do Norte (Liptovská Lužná, Važec), predominam os motivos de cavalos e serpentes fantásticos.

Muito preciosas são as santas cruzes decoradas em estilo de barrocos provenientes dos arredores de Zvolen. Esculturas em madeira com motivos figurativos encontramos também nas colméias populares e geralmente representa os santos padroeiros dos apicultores. A melhor coleção de colméias antigas desse tipo está exposta no Museu de apicultura em Králová pri Senci. Os motivos ornamentais abundam na decoração de mobílias de madeira. Os artefatos tradicionais da escultura em madeira hoje em dia são propriedade dos museus regionais, assim como do Museu Nacional de Martin e Bratislava.

As localidades mais famosas pela escultura de madeira são: Poniky nos arredores de Banská Bystrica, Detva, Liptovská Lužná, Važec etc.

METALURGIA

A metalurgia artesanal ocupa um lugar muito importante no quadro de artesanato popular. É sobretudo o trabalho com feno, prata, cobre e latão que tem uma longa tradição. A filigrana tem sido preferida sobretudo na Eslováquia Ocidental e Oriental, onde assim fabricavam vários objetos decorativos (jóias, cruzes etc.). Na Eslováquia Central os mestres ferreiros preferiam a produção de grelhas decorativas, fechaduras, persianas, candeeiros etc. Na segunda metade do século XIX e no início do século XX os ferreiros de Gemer, Liptov, Pohronie e Orava dedicavam-se à produção dos sinos para o gado bovino e ovelhas e esta tradição continua sempre viva - ainda hoje os pastores fabricam os sinos para os seus animais.

Nos arredores de Trencín e na região circunvizinha de Kysuce surgiu a produção artesanal filigrana, feita a partir dos fios metálicos (ferro, aço). Nos finais do século XIX nas regiões setentrionais da Eslováquia Ocidental, Spiš, Šariš e Nitra havia mais que 150 aldeias onde os homens se dedicavam a essa profissão. No período do apogeu conseguiam vender os seus produtos também para o estrangeiro. Alguns deles começaram a produzir as obras de arte sem utilidade prática e assim nós podemos hoje admirar as estátuas feitas dos fios metálicos pelo artista plástico J. Kerák no Museu de Filigrana de fios metálicos de Žilina. O próprio artista vive na cidade de Hlohovec, conhecido pela produção de fios de aço onde continua a desenvolver esta sua arte.

BARRO

Graças a ricos jazigos de barro vermelho na maior parte do território eslovaco (somente na região de Gemer e Hont o barro é branco), a olaria na Eslováquia está caracterizada pela sua longa tradição e grande variedade de formas e técnicas de decoração. O desenvolvimento do artesanato deste tipo na Eslováquia Ocidental (Modra; Hont - Pukanec, Nová Bana, Brehy; Gemer - Sivetice; Liptov - Hybe; Orava -Trstená; Zemplín -Pozdríovce; Šariš - Bardejov) e noutras partes do Pais, ocorreu nos finais do século XIX e no início do século XX. Os produtos de olaria eslovaca destacam - se pela perfeição técnica e sobretudo pela expressão artística da sua decoração. Entre várias oficinas de olaria podemos mencionar a de Pukanec com a sua cerâmica branca decorada com motivos figurativos, fabricada por uma família, cujos descendentes ainda hoje continuam a cultivar esta tradição familiar. Nesta região podemos encontrar ainda outra oficina em Beluja, (destacada pela sua técnica de decoração em grafite) única na Eslováquia.

Hoje em dia são muito procurados os produtos da olaria de Pozdišovce (louça pintada de castanho com desenhos brancos).

Os centros tradicionais de olaria em funcionamento: Bardejov, Pozdišovce, Prešov, Pukanec, Sivetice, Prievidza e Nová Bana.

Em certas regiões da Eslováquia, a tradição de artesanato popular continua sempre viva. Existem dezenas de produtores que nas suas oficinas desenvolvem a harmonia das formas e funções dos objetos tradicionais. Os produtos destes mestres artesãos estão apresentados todos os anos nas feiras populares.

É o Centro do Artesanato Popular que vigia o desenvolvimento e preservação de artesanato popular. Nas suas salas de exposição assim como nas próprias lojas em Bratislava, Banská Bystrica, Bardejov, Pieštany, Tatranská Lomnica, Prešov e Košice é possível conhecer e comprar os produtos dos artesãos eslovacos.

Arte Plástica Popular:

Pintura popular eslovaca é o fenômeno único no contexto da Europa Central. Sua característica principal é a limpeza e simplicidade de estilo. A pintura, plástica e arte gráfica faziam parte dos costumes, rituais e vida religiosa da população rural e passavam de geração para geração.

O desenvolvimento da arte popular culminou na Eslováquia nos finais do século XIX, nalgumas regiões até na primeira metade do século XX.

As plásticas populares de madeira, pedra e barro eram geralmente feitas pelos artesãos - escultores, cerâmicos e até moleiros autodidatas. O motivo mais freqüente era Deus e santos católicos. As estátuas da Nossa Senhora, assim como vários tipos de pietá eram mais freqüentes na Eslováquia Ocidental onde existiam vários centros de peregrinação - Šaštín, Mariánka; nas cidades mineiras e também na parte setentrional da Orava. As estatuetas de Cristo eram muito apreciadas no centro e norte do País habitado pela população católica e protestante. A maior parte das esculturas era feita a partir dos originais barrocos, eventualmente góticos e renascentistas. Os presépios dos arredores de Banská Štiavnica e Orava atraem atenção do público pela invenção demonstrada na materialização dos motivos pastorais.

A pintura sobre o vidro formou-se na Eslováquia nos séculos XVIII e XIX nos alicerces das oficinas dos vidreiros no centro e leste do País (Kokava nad Rimavicou, Katarínska Huta, Poltár, Nová Baila, Kremnica, Banská Štiavnica). Os motivos mais freqüentes eram os retalhos da vida dos santos, do herói nacional eslovaco Jánošík etc. Nos finais do século XVI aparece à pintura sobre a madeira, sobretudo como decoração das igrejas de madeira. Geralmente representam os ciclos bíblicos muito simplificados. Os ícones nas igrejas de madeira no Nordeste do País (Bardejov, Humenné) são sem dúvida as obras religiosas mais preciosas. Este tipo da arte popular continuou também no século XIX, sob a forma de pintura das decorações nos teatros amadores, fachadas de lojas assim como os quadros da autoria de pintores naifs dos finais do século XIX (Kremnica, Banská Štiavnica).

A pintura a fresco nas casas de Slovenský Grob e Vajnory na Eslováquia ocidental feita pelas mulheres autodidatas chama atenção pela autenticidade dos seus motivos predominantes (galos, sol, rosas).

Uma das manifestações muito intensas da arte gráfica é a decoração de ovos na altura da Páscoa, onde se aplicam várias técnicas de pintura, gravura e colagem. As gravuras divulgadas através da imprensa, calendários, almanaques são sem dúvida, também uma das manifestações específicas da arte popular.

As oficinas tipográficas existiam nas cidades de Skalica, Levoca, Trnava e no século XIX também em Martin. São principalmente os pintores modernistas que se inspiravam pela arte popular eslovaca - L. Fulla, A. Bazovský, M. Benka, etc., e esta tradição continua a ser mantida também pelos pintores amadores.

Música Popular:

A música tem ocupado sempre uma posição específica no quadro da arte popular. Acompanhava o homem do berço até a morte. Existia na forma de cantigas, música instrumental ou acompanhava a dança. Na Eslováquia de hoje nada dela se tem perdido, pelo contrário, ela continua a existir e fazer parte da vida cotidiana, sobretudo nas aldeias , onde funcionam centenas de grupos folclóricos que apresentam a sua atividade nos festivais de folclore e festas populares.

Os festivais mais famosos são: Podpolianske folklórne slávnosti v Detve, Podrohácske národopisné slávnosti no museu ao ar livre Brestová, assim como os festivais de Košice e Východná.

A canção no quadro da música popular mantém uma posição privilegiada. Existem aldeias onde foram encontradas mais de 4000 canções.

A música popular instrumental talvez represente no quadro da Europa Central a última cultura instrumental que conseguiu a conservar seu caráter autêntico até hoje. A variedade de instrumentos está idêntica a dos instrumentos populares de outras nações européias, mas graças às condições favoráveis, na Eslováquia conseguiu a manter a sua variedade tipológica muito rica. Hoje estamos registrando 205 tipos de instrumentos populares, dentro dos quais é preciso chamar atenção a vários tipos de cornos e tubos e, sobretudo a fujara (pronuncia “fuiara”)- instrumento dos pastores nas regiões setentrionais que produz uma música muito sugestiva. Na Eslováquia existem também vários tipos de instrumentos de cordas, cuja tonalidade chama a atenção do público nacional e estrangeiro.

Na Eslováquia vivem hoje cerca de 200 artesãos que produzem instrumentos de tipo fujara, 300 produtores de apitos, assim como alguns produtores dos violinos. A música popular instrumental continua viva e faz parte do nosso cotidiano.

Foi precisamente este fato que tem inspirado muitos compositores modernos do século XX: A. Moyzes, E. Suchon, J. Cikker.

A dança popular é também muito rica pelo ponto de vista de estilo, tipologia, repertório. Através dos grupos de amadores, mas também profissionais, como Lúcnica e SLUK, a dança popular está presente na vida da população moderna. As danças mais conhecidas e típicas são as masculinas chamadas ”odzemok” - acompanhadas de adereços como “por exemplo” machado de pastor - que ainda hoje continuam vivas nas montanhas da Eslováquia Central e de Norte. Nas aldeias festejam - se regularmente as festas como carnaval, festas de primavera, danças notícias acompanhadas de antigos rituais que garantem a conservação e continuação da tradição de dança folclórica na Eslováquia de hoje.

Nas vilas de Detva, Ocová, Hrinová, Víglaš, Zvolenská Slatina vivem os mestres que fabricam os instrumentos musicais como “fujara”, que além da qualidade acústica tem uma decoração impressionante.

Comidas Típicas:

Bryndzové halušky – nhoque de batata com queijo típico de ovelha “BRYNDZA”, creme de leite e toucinho defumado e torrado em cima;
kapustnica – sopa grossa de repolho azedo, carne defumada, lingüiça, cogumelos silvestres, ameixa preta seca, creme de leite.

As Línguas Eslavas

As línguas faladas no sul e no leste do mundo eslavo, na Europa oriental, preservaram, em sua evolução, os alfabetos criados na época em que surgiram tais troncos filológicos.

Assim, a partir dos chamados caracteres glagolíticos surgiram os modernos alfabetos cirílicos: russo, búlgaro e servo-croata.

As línguas eslavas constituem um ramo da família lingüística do indo-europeu. Abrangem todos os idiomas e dialetos que se falam na vasta região compreendida entre as estepes russas, a leste, a planície polonesa, a oeste, e a parte setentrional da península balcânica ao sul, com exceção do húngaro, que é uma língua fino-úgrica.

Tradicionalmente, distinguem-se três grandes áreas lingüísticas entre os povos eslavos. Nas regiões meridionais falam-se o búlgaro, próprio da Bulgária e das regiões limítrofes da Romênia e Grécia; o macedônio, da Macedônia e norte da Grécia; o esloveno, da Eslovênia e zonas fronteiriças da Croácia, Itália e Áustria; e o servo-croata, principal língua eslava do sul, falada na Sérvia, Croácia, Montenegro e Bósnia e Herzegovina. O servo-croata é grafado no alfabeto latino na Croácia, e no cirílico na Sérvia.

As línguas eslavas orientais compreendem o russo, o russo branco ou bielorrusso e o ucraniano. As línguas eslavas ocidentais são o tcheco, o eslovaco, o polonês, o kashubio, falado em uma faixa litorânea báltica, e o sorábio ou vendo, usado numa pequena área no leste da Alemanha.

Histórico

As línguas eslavas modernas descendem do proto-eslavo, estreitamente aparentado com o protobáltico, do qual se originaram as línguas bálticas. Destas, só persistiram o lituano e o letão. Os eslavos habitaram uma região ao norte dos Cárpatos até os primeiros séculos da era cristã, quando começaram a se expandir, alcançando, no século VI, as fronteiras do império bizantino.

Em fins do século IX, esses povos foram evangelizados pelos monges bizantinos são Cirilo e são Metódio, que tiveram papel de destaque na história das línguas eslavas. A língua que utilizaram em seus textos religiosos constituiu a base do eslavônio, língua litúrgica dos eslavos ortodoxos. Para transcrever os sons das línguas eslavas criaram o alfabeto glagolítico, inspirado essencialmente nas letras cursivas gregas, mas que, para representar os fonemas inexistentes em grego, contava também com signos de outra procedência. Quase ao mesmo tempo começou-se a usar o alfabeto cirílico - assim chamado em homenagem a são Cirilo - que apresentava traços comuns com a escrita glagolítica e a uncial grega.

O eslavo disseminou-se pelos territórios evangelizados e proporcionou a esses povos uma língua escrita comum. Embora a origem da língua escrita de Cirilo e Metódio pareça estreitamente vinculada às línguas macedônias, variantes do búlgaro, sua expressão oral não devia diferir muito do idioma usado pelos eslavos, pois a divergência dialetal da época era muito pequena.

Entre os séculos X e XII registraram-se diversas mudanças no sistema vocálico, com diferentes resultados em cada dialeto, o que levou ao desenvolvimento de grupos separados de línguas. Estas em parte coincidem com as características gerais que modernamente distinguem o ramo eslavo. Embora o eslavo eclesiástico tenha-se conservado em essência como língua litúrgica, com o tempo o ramo eslavo dividiu-se em vários dialetos.

A maior parte dos documentos redigidos em eslavo (os mais antigos remontam ao século X) são religiosos. No século XI, em conseqüência do cisma do Oriente, que separou as igrejas romana e bizantina, a escrita eslava foi suprimida nas regiões cristianizadas. Assim, as literaturas vernáculas começaram a desenvolver-se em alfabetos derivados do latino e começou o processo de normalização das línguas eslavas ocidentais. Todavia, o desenvolvimento das línguas literárias vernáculas nos grupos eslavos orientais e na maioria dos meridionais foi condicionado pelo uso da escrita eslava. Na Rússia, a língua escrita surgiria em grande parte como um meio-termo entre a língua popular e o eslavo eclesiástico.

Na Idade Média, as línguas eslavas expandiram-se nas regiões orientais, onde se impôs um alfabeto cirílico simplificado, em detrimento do glagolítico. Contudo, nas regiões do oeste os colonos germânicos as fizeram retroceder progressivamente. As línguas eslavas ocidentais que entraram em contato direto com o alemão são chamadas lekhites. Delas só perduraram o polonês e, em menor escala, o kashubio e o sorábio ou vendo. Outras desapareceram, como o polábio, do curso inferior do Elba, e o pomerânio.

Entre as modernas línguas eslavas, o russo ocupa lugar de destaque, tanto pela cultura de que tem sido veículo como por sua expansão e número de falantes. A partir da idade moderna propagou-se pela Sibéria, e em fins do século XX era falado como primeira ou segunda língua pela grande maioria dos países que formavam a extinta União Soviética.

Evolução lingüística. As línguas eslavas, junto com as bálticas, são os grupos lingüísticos que seguem mais fielmente o modelo indo-europeu. À diferença das línguas germânicas e latinas, no ramo eslavo registram-se poucos fenômenos de evolução radical e quase todas as línguas mantêm os traços característicos do eslavo comum. Assim, a comunicação oral entre os falantes de diferentes idiomas, embora difícil, não é impossível.

No campo da fonologia é comum a todas elas a oposição entre consoantes duras ou brandas, ou seja, palatalizadas, como entre o n e o nh em português. O mais curioso no plano gramatical é a manutenção do sistema indo-europeu de casos, do qual perduram o nominativo, genitivo, dativo, acusativo, vocativo, instrumental e locativo, somente faltando o ablativo. Sob esse aspecto, o búlgaro e o macedônio constituem grandes exceções, pois mantiveram apenas um sistema bicasual (com os casos direto e oblíquo), compensado pelo uso mais freqüente de preposições. É também característica dessas duas línguas o artigo definido posposto, que não existe nos demais troncos eslavos.

Os substantivos podem ser de três gêneros: masculino, feminino e neutro, e, exceto no esloveno e no sorábio, perderam o número dual. Os tempos verbais se formam sobre dois radicais de um mesmo verbo, que indicam o pretérito perfeito e o imperfeito (exemplos em russo: ya napisál, "eu escrevi" e ya pisál, "eu escrevia").

O vocabulário fundamental das línguas eslavas, que deixa transparecer antigos vínculos com os troncos lingüísticos germânico e indo-iraniano, enriqueceu-se progressivamente com a introdução de prefixos e sufixos e mediante combinações de raízes. Regionalmente se observam influências de línguas estrangeiras, sobretudo do alemão, no oeste, e do turco, nos Balcãs. Para criar novos termos costuma-se recorrer à adaptação de vocábulos gregos e latinos, e são muito freqüentes os empréstimos entre as diferentes línguas eslavas.

Fonte: www.slovakiaconsulado.com.br/Encyclopaedia Britânnica do Brasil

Povos Eslavos

A Língua Russa – Origem do povo russo

O russo pertence às línguas eslavas que constituem o grupo resultante do Proto-Eslavo (periodo pré-histórico), oriundo por sua vez do Indo-Europeu, língua falada por homens que habitavam uma região situada nas estepes a sul da Sibéria e da Rússia. No séc. II A. C. começam a ocupar regiões que iam da Europa Ocidental até à India, onde impõem a sua língua; esta vai evoluindo consoante os novos contatos, conservando, no entanto, muito em comum.

Na Idade Média os estados eslavos tinham um grande peso político e econômico junto dos países vizinhos. Os principais estados dessa época eram o principado da Morávia, a Russ de Kiev e a Republica de Dubrovnik.

Foi no estado da Grande Morávia que, em 863, dois irmãos, os bispos Cirilo e Método de origem grega, que viviam em Tessalônica, profundos conhecedores do eslavo antigo, espalharam por mais de 20 anos a fé cristã. O imperador bizantino Miguel III, a pedido do princípe Rastislav da Morávia, enviou-lhe estes dois filósofos e assim com os seus conhecimentos eles podiam unir os habitantes desta região à volta do culto falado numa língua que lhes era familiar. Até aí, Rastislav lutara contra os imperadores alemães.

Bizâncio promete ajudá-lo, na condição de este aceitar a religião cristã segundo o dogma ortodoxo, isto é, o culto poderia ser efetuado na língua de cada povo, enquanto a igreja romana apenas permitia que o culto se realizasse em latim ou em grego.

Cirilo e Método traduzem então para o eslavo antigo, ou eslavo eclesiástico, os livros sagrados escritos em grego. Estes dois filósofos tiveram necessidade de criar um alfabeto, a partir de outros já existentes, principalmente do grego e do latino, com correspondência aos sons da respectiva língua, ao qual se veio a chamar alfabeto “cirílico” em homenagem ao seu criador principal.

No séc. IX os dialetos eslavos do Oeste e do Sul apresentavam poucas diferenças e, assim, os livros santos traduzidos por Cirilo e Método podiam ser lidos pelos habitantes da Grande Morávia, para quem o latim era uma língua estranha. A influência de Cirilo e Método penetra primeiro nas regiões mais abertas à civilização grego-romana.

A escrita cirilica é introduzida pelos clérigos búlgaros na “Rus” de Kiev, dando origem ao eslavo antigo, a única língua literária dos Eslavos orientais até ao séc. XVIII. Desenvolve-se então uma literatura em língua nacional, enquanto noutros países eslavos, pertencentes à igreja católica onde se impunha o latim, esse desenvolvimento se travava artificialmente.

No séc. X e XI o eslavo antigo começa a ser utilizado, não só como língua da Igreja, mas como língua da ciência e da literatura.

O eslavo antigo foi utilizado durante vários séculos por muitos povos eslavos como língua literária. Na Rússia utilizou-se até ao séc. XVII, isto é, até ao período em que o russo começa a formar-se como língua nacional.

As línguas eslavas dividem-se em três grupos:

a) orientais – russo, bielorusso e ucraniano
b) ocidental –
polaco, checo e eslovaco
c) meridional –
búlgaro, servo-croata, esloveno e macedônio

Quanto à origem da palavra “russo” ainda hoje não há uma certeza do que ela significa ao certo, embora a maioria dos investigadores se incline para o conceito de “svetli” que significa “côr clara”.

Na “Crônica dos Tempos Antigos”, obra histórica escrita no séc. XII, os autores interrogam-se “de onde teria surgido a terra “Rus”. Narram um conjunto de ideias e fatos que nos convencem de que no séc. IX, provavelmente em 856, várias cidades se recusaram a pagar tributo aos Varegues, expulsando-os do seu território. Estas tribos caem em seguida numa verdadeira anarquia e acabam por pedir ajuda aos vikings Rurik e Oleg . Entre os anos 860 e 880 Rurik unificou as colônias comerciais a norte formando o principado de Novgorod, enquanto Oleg forma o principado de Kiev a Sul.

A “Rus” de Kiev resultaria da união das tribos eslavo orientais e abrangia um território enorme que se estendia desde a península de Taman ao sul do Dniestre até ao rio Dbina, a norte.

A Oleg sucede seu filho Igor que, quando morre seu filho Sviatoslav ainda é menor, ficando como regente sua mãe, a princesa Olga, que para vingar a morte do marido, assassinado quando pela segunda vez consecutiva recolhia o tributo na cidade de Iskorosten, manda deitar fogo à cidade, matando quase todos os seus habitantes.

A Sviatoslav sucede seu filho Vladimir, que desejoso de fortificar os laços pacíficos com o império Bizantino, se casa com a princesa bizantina Ana e aceita o cristianismo em 988.

A introdução do cristianismo na “Rus” foi um fator de desenvolvimento, aproximandoa de Bizâncio e de outros estados da Europa Ocidental.

A “Rus” de Kiev, à volta da qual se uniram as tribos eslavas orientais, nem sempre teve uma história pacífica. Além das lutas internas, em que vários príncipes disputam o trono, há também as invasões dos povos estrangeiros. Quando em 1240 os tártaros tomam Kiev encontram um estado em ruína, dividido por numerosos príncipes que pretendem o trono de Kiev.

Durante quatro séculos, o estado de Kiev, berço da Velha Rus, é palco de acontecimentos históricos importantes, defendendo-se não só das invasões dos vizinhos asiáticos, como também afirmando a sua existência política perante o Império Bizantino.

A última tentativa de unir todos os príncipes contra estas invasões foi feita por Vladimir Monamax. Porém, com a sua morte em 1125, o estado de Kiev perde cada vez mais a sua importância.

Só em 1147 nos aparece pela primeira vez a palavra “Moskva” (Moscovo). Moscovo é um pequeno lugar situado no cimo do rio com o mesmo nome. A fundação de Moscovo está ligada ao nome de Iuri Dolgoruki (Iuri de “braço comprido”), um dos filhos de Vladimir Monamax. Moscovo vai-se desenvolvendo e no séc. XIII já assume relativa importância, tendo para isso ajudado a sua situação geográfica. O rio Moscovo permite fácil ligação entre os rios Volga e Oka.

Os acontecimentos da época são contados nas “bilinas” (conto épico popular russo). Segundo a definição de V. G. Mizev “bilina” é a síntese das observações populares e suas conclusões. O estilo heróico da época explica-se por um orgulho guerreiro do povo e pelos seus sucessos na luta contra a natureza.

Este género mantém-se até ao séc. XVI onde, a pouco e pouco, começa a dar lugar ao “conto histórico” de onde é banido o irreal.

Durante o período em que ambos os géneros coexistem, tanto as “bilinas” como as “canções históricas” tratavam dos mesmos assuntos, mas de maneira diferente, sem esquecer a fantasia das “bilinas” e a maneira seca de retratar os assuntos das “canções históricas”. Enquanto as “bilinas” atribuem todo o valor e o papel principal ao povo, os “contos históricos” apenas valorizam o papel dos príncipes na orientação dos acontecimentos.

Nos sécs. XIV e XV a “Rus” atravessa tempos extremamente difíceis, lutando pela sua libertação das invasões dos tartaro-mongóis; o sujeito das “bilinas” é então a luta do povo contra os invasores. Surgem muitas canções tristes, onde se lamenta a perda da liberdade.

As “bilinas” russas foram, há muito, objeto de estudo e em resultado formaramse três escolas básicas: a mitológica, a comparativa e a histórica. Podemos dizer que qualquer delas é valiosa pelos métodos elaborados no estudo das “bilinas”. Na sua análise devemos ter como critério a tentativa de o povo se rever no seu passado, tirando conclusões práticas que o ajudam a compreender o presente.

Maria Teresa Neves Ferreira

Fonte: ww3.fl.ul.pt

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