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Primeira Guerra Mundial

 

A Primeira Guerra Mundial decorreu, antes de tudo, das tensões advindas das disputas por áreas coloniais.

Dos vários fatores que desencadearam o conflito destacaram-se o revanchismo francês, a Questão Alsácia-Lorena e a Questão Balcânica.

A Alemanha, após a unificação política, passou a reivindicar áreas coloniais e a contestar a hegemonia internacional inglesa, favorecendo a formação de blocos antagônicos.

Constituíram-se, assim, a Tríplice Aliança (Alemanha, Áustria-Hungria e Itália) e a Tríplice Entente (Inglaterra, Rússia e França).

Os blocos rivalizavam-se política e militarmente, até que em 1914, surgiu o motivo da eclosão da Guerra: o assassinato do herdeiro do trono Áustro-Húngaro (Francisco Ferdinando), em Sarajevo (Bósnia).

À declaração de guerra da Áustria à Sérvia seguiram-se outras, formando-se as Tríplices Aliança e Entente.

O conflito iniciou-se como uma guerra de movimento para depois transformar-se em uma guerra de trincheiras.

Em 1917, os EUA entraram na guerra ao lado da Tríplice Entente, no mesmo ano em que a Rússia, por causa da Revolução Bolchevique, retirava-se.

Os reforços dos EUA foram suficientes para acelerar o esgotamento do bloco Alemão, sendo que em 1918, a Alemanha assinou sua rendição.

No ano seguinte foi assinado o Tratado de Versalhes, que estabeleceu sanções aos alemães e a criação de um organismo que deveria zelar pela paz mundial.

Esse tratado, conforme os 14 pontos propostos pelo presidente Wilson (EUA), determinou punições humilhantes aos alemães, semeando o revanchismo que desencadearia, depois, a Segunda Guerra Mundial.

A Primeira Guerra, provocou uma alteração profunda na ordem mundial: os EUA surgiram como principal potência econômica mundial, houve o surgimento de novas nações, devido ao desmembramento do Império Áustro-Húngaro e Turco e surgiu um regime de inspiração marxista na Rússia.

Rivalidades e Tensões Internacionais

As ambições imperialistas das grandes potências européias podem ser mencionadas entre os principais fatoras responsáveis pelo clima internacional de tensão e de rivalidade que marcou o início do século XX.

Essas ambições imperialistas manifestaram-se através dos seguintes fatores:

Concorrência econômica

As grandes potências industrializadas buscavam por todos os meios dificultar a expansão econômica do país concorrente. Essa concorrência econômica tornou-se particularmente intensa entre Inglaterra e Alemanha, que depois da unificação política entrou num período de rápido desenvolvimento industrial.

Disputa colonial

A concorrência econômica entre as nações industrializadas teve como importante conseqüência a disputa por colônias na África e na Ásia. O domínio de colônias era a solução do capitalismo monopolista para os problemas de excedentes de produção e de controle das fontes fornecedoras de matérias-primas.

Além desses problemas meramente econômicos, a Europa possuía focos de conflito que transpareciam no plano político. Em diversas regiões, surgiam movimentos nacionalistas que apresentavam o objetivo de agrupar sob um mesmo Estado povos considerados de mesmas raízes culturais. Todos esses movimentos políticos também estavam vinculados a interesses econômicos.

Entre os principais movimentos nacionalistas que se desenvolveram na Europa, podemos destacar:

O Pan-eslavismo

Liderado pela Rússia, pregava a união de todos os povos eslavos da Europa Oriental, principalmente aqueles que se encontravam dentro do Império Austro-Húngaro.

O Pan-germanismo

Liderado pela Alemanha, pregava a completa anexação de todos os povos germânicos da Europa Central.

Revanchismo francês

Com a derrota da França na guerra contra a Alemanha, em 1870, os franceses foram obrigados a ceder aos alemães os territórios da Alsácia-Lorena, cuja região era rica em minérios de ferro e em carvão. A partir dessa guerra, desenvolveu-se na França um movimento de cunho nacionalista-revanchista, que visava desforrar a derrota sofrida contra a Alemanha e recuperar os territórios perdidos.

Nesse contexto de disputas entre as potências européias, podemos destacar duas grandes crises, que provocariam a guerra mundial:

A crise do Marrocos: Entre 1905 e 1911, França e Alemanha quase chegaram à guerra, por causa da disputa da região do Marrocos, no norte da África. Em 1906, foi convocada uma conferência internacional, na cidade espanhola de Algeciras, com o objetivo resolver as disputas entre franceses e alemães. Essa conferência deliberou que a França teria supremacia sobre o Marrocos, enquanto à Alemanha caberia uma pequena faixa de terras no sudoeste africano. A Alemanha não se conformou com a decisão desfavorável, e em 1911surgira novos conflitos com a França pela disputa da África. Para evitar a guerra, a França concedeu à Alemanha uma considerável parte do Congo francês.

A crise balcânica: No continente europeu, um dos principais focos de atrito entre as potências era a Península Balcânica , onde se chocavam o nacionalismo da Sérvia e o expansionismo da Áustria. Em 1908, a Áustria anexou a região da Bósnia-Herzegovina, ferindo os interesses da Sérvia, que pretendia incorporar aquelas regiões habitadas por eslavos e criar a Grande Sérvia.

Os movimentos nacionalistas da Sérvia passaram a reagir violentamente contra a anexação austríaca da Bósnia-Herzegovina. Foi um incidente ligado ao movimento nacionalista da Sérvia que serviu de estopim para a guerra mundial.

A Política de Alianças e o Estopim da Guerra

As ambições imperialistas associadas ao nacionalismo exaltado fomentavam todo um clima internacional de tensões e agressividade. Sabia-se que a guerra entre as grandes potências poderia explodir a qualquer momento. Diante desse risco quase certo, as principais potências trataram de estimular a produção de armas e de fortalecer seus exércitos. Foi o período da Paz Armada. Característica desse período foi a elaboração de diversos tratados de aliança entre países, cada qual procurava adquirir mais força para enfrentar o país rival.

Ao final de muitas e complexas negociações bilaterais entre governos, podemos distinguir na Europa, por volta de 1907, dois grandes blocos distintos:

A Tríplice Aliança: formada por Alemanha, Império Austro-Húngaro e Itália;

A Tríplice Entente: formada por Inglaterra, França e Rússia

Essa aliança original entre países europeus modificou-se nos anos da guerra, tanto pela adesão de alguns países como pela saída de outros. Conforme seus interesses imediatos, alguns países mudavam de posição, como a Itália, que em 1915 recebeu dos países da Entente a promessa de compensações territoriais, caso mudasse de lado. Mergulhada num clima de tensões cada vez mais insuportáveis, a Europa vivia momentos em que qualquer atrito, mesmo incidental, seria suficiente para incendiar o estopim da guerra. De fato, esse atrito surgiu em função do assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono austríaco. O crime foi praticado pelo estudante Gavrilo Princip, ligado ao grupo nacionalista sérvio "Unidade ou Morte", que era apoiado pelo governo da Sérvia.

O assassinato provocou a reação militar da Áustria, e a partir daí diversos outros países envolveram-se no conflito, uma verdadeira reação em cadeia (devido à política de alianças).

Os passos iniciais do conflito europeu (1914) foram os seguintes:

28 de julho: O Império Austro-Húngaro declara guerra à Sérvia;
29 de julho:
E apoio à Sérvia, a Rússia mobiliza seus exércitos contra o Império Austro-Húngaro e contra a Alemanha;
1º de agosto:
A Alemanha declara guerra à Rússia;
3 de agosto:
A Alemanha declara guerra à França. Para atingí-la, mobiliza seus exércitos e invade a Bélgica, que era um país neutro;
4 de Agosto:
A Inglaterra exige que a Alemanha respeite a neutralidade da Bélgica. Como isso não ocorre, declara guerra à Alemanha.

O nome Primeira Guerra Mundial foi atribuído ao conflito de 1914 a 1918, pois essa foi a primeira guerra da qual participaram as principais potências das diversas regiões da Terra, embora o principal "cenário da guerra" tenha sido o continente europeu.

Vejamos, a seguir, algumas nações que se envolveram no conflito:

Do lado da Alemanha e do Império Austro-Húngaro: Turquia (1914) e Bulgária (1915);
Do lado da França, da Inglaterra e da Rússia:
Bélgica(1914), Sérvia (1914), Japão (1914), Itália (1915), Portugal (1915), Romênia (1916), Estados Unidos (1917), Brasil (1917) e Grécia (1917).

Os conflitos internacionais anteriores tinham um caráter localizado, sempre restrito a países de um mesmo continente. Já o conflito de 1914 a 1918, envolveu potências que tinham alcançado a industrialização. Potências que "dedicam sua capacidade de produção ao desenvolvimento de uma poderosa indústria bélica e todos alinham efetivos consideráveis, extraídos principalmente da população rural, cuja diminuição acarreta uma inquietadora redução dos aprovisionamentos. Assim, o conflito desorganiza as trocas e abala seriamente a estrutura econômica do mundo".

Primeira fase (1914-1915)

Essa fase foi marcada pela imensa movimentação dos exércitos beligerantes. Ocorreu uma rápida ofensiva das forças alemãs, e várias batalhas foram travadas, principalmente em território francês, para deter esse avanço. Em setembro de 1914, uma contra-ofensiva francesa deteve o avanço alemão sobre Paris (Batalha do Marne). A partir desse momento, a luta na frente ocidental entrou num período de equilíbrio entre as forças em combate.

Segunda fase (1915-1917)

A imensa movimentação de tropas da primeira fase foi substituída por uma guerra de posições, travada nas trincheiras. Cada um dos lados procurava garantir seus domínios, evitando a penetração das forças inimigas.

Os combates terrestres tornaram-se extremamente mortíferos, com a utilização de novas armas: metralhadoras, lança-chamas e projéteis explosivos.

Mas a grande novidade em termos de recursos militares foi a utilização do avião e do submarino. Como salientou John Kenneth Galbraith, o desenvolvimento das técnicas militares de matar não foi acompanhado pelo desenvolvimento da "capacidade de pensar" dos generais tradicionais. "A adaptação de táticas estava muito além da capacidade da mentalidade militar contemporânea. Os generais hereditários e seus quadros de oficiais não pensavam em outra coisa senão em enviar contingentes cada vez maiores de homens, eretos, sob pesada carga, avançado a passo lento, em plena luz meridiana, contra o fogo de metralhadora inimigo, após pesado bombardeio de artilharia. A esse bombardeio, as metralhadoras, pelo menos um número suficiente delas, invariavelmente sobreviviam. Por isso, os homens que eram mandados avançar eram sistematicamente dizimados, e essa aniquilação, é preciso que se frise, não é figura de retórica, ou força de expressão.

Quem fosse lutar na Primeira Guerra Mundial não tinha esperança de retornar".

Terceira fase (1917-1918)

Desde o início da guerra, os Estados Unidos mantinham uma posição de "neutralidade" em face do conflito. Ou não intervinham diretamente com suas tropas na guerra. Em janeiro de 1917, os alemães declararam uma guerra submarina total, avisando que tropedariam todos os navios mercantes que transportassem mercadorias para seus inimigos na Europa. Pressionado pelos poderosos banqueiros estadunidenses, cujo capital investido na França e na Inglaterra achava-se ameaçado o Governo dos Estados Unidos declarou guerra à Alemanha e ao Império Austro-Húngaro em 6 de abril de 1917. A Rússia retirou-se da guerra, favorecendo a Alemanha na frente oriental. E pelo Tratado de Brest-Litovsk, estabeleceu a paz com a Alemanha. Esta procurou concentrar suas melhores tropas no ocidente, na esperança de compensar a entrada dos Estados Unidos. A Alemanha já não tinha condições para continuar a guerra. Surgiram as primeiras propostas de paz do presidente dos Estados Unidos, propondo, por exemplo, a redução dos armamentos, a liberdade de comércio mundial etc. Com a ajuda material dos Estados Unidos, ingleses e franceses passaram a deter um superioridade numérica brutal em armas e equipamentos sobre as forças inimigas.

A partir de julho de 1918, ingleses franceses e americanos organizaram uma grande ofensiva contra seus oponentes. Sucessivamente, a Bulgária, a Turquia e o Império Austro-Húngaro depuseram armas e abandonaram a luta. A Alemanha ficou sozinha e sem condições de resistir ao bloqueio, liderado pelos Estados Unidos, que "privaram o exército alemão, não de armamentos, mas de lubrificantes, borracha, gasolina e sobretudo víveres". Dentro da Alemanha, agravava-se a situação política. Sentindo a iminência da derrota militar, as forças políticas de oposição provocaram a abdicação do imperador Guilherme II. Imediatamente, foi proclamada a República alemã, com sede a cidade de Weimar, liderada pelo partido social democrata. Em 11 de novembro de 1918, a Alemanha assinou uma convenção de paz em condições bastante desvantajosas, mas o exército alemão não se sentia militarmente derrotado. Terminada a guerra, os exércitos alemães ainda ocupavam os territórios inimigos, sem que nenhum inimigo tivesse penetrado em territórios alemães.

A Destruição Européia e a Ascensão dos Estados Unidos

Ao final da Guerra, a Europa estava em ruínas no campo econômico e social, além de 13 milhões de pessoas que morreram durante a guerra. E "a estas baixas é preciso juntar as que, no seio das populações civis, resultaram das invasões, das epidemias, das restrições alimentares e da fome, bem como do déficit da natalidade". Às milhões de vidas sacrificadas deve ser acrescentado um assombroso custo econômico que se refletia no "desgaste do material de transporte, do instrumental das fábricas que foram utilizadas ao máximo e insuficientemente renovadas e conservadas, o que representa no total uma séria diminuição de seu potencial econômico. Houve não só prejuízo pela falta de crescimento da produção e de natalidade, mas também o endividamento dos países beligerantes que tiveram de contrair empréstimos, ceder parte de suas reservas de ouro e desfazer-se de parte de seus investimentos no estrangeiro". Todo esse grave quadro de crise e de decadência da Europa veio beneficiar aos Estados Unidos, que despontaram, nos anos de pós-guerra, com uma das mais poderosas potências mundiais. Um dos grandes fatores que colaboraram para a ascensão econômica dos Estados Unidos foi a sua posição de neutralidade durante boa parte da Primeira Guerra Mundial. Assim, puderam desenvolver sua produção agrícola e industrial, fornecendo seus produtos às potências européias envolvidas no conflito. Por outro lado, enquanto as potências européias estavam compenetradas no esforço de guerra, os Estados Unidos aproveitaram-se para suprir outros mercados mundiais, na Ásia e na América Latina. Terminada a Guerra, a Europa arrasada tornou-se um grande mercado dependente de exportações americanas. Possuindo aproximadamente a metade de todo o ouro que circulava nos mercados financeiros mundiais, os Estados Unidos projetavam-se como maior potência financeira mundial do pós-guerra.

O Tratado de Versalhes e a Criação da Liga das Nações

No período de 1919 a 1929, realizou-se no palácio de Versalhes, na França, uma série de conferências com a participação de 27 estados nações vencedoras da Primeira Guerra Mundial. Lideradas pelos representantes dos Estados Unidos, da Inglaterra e da França, essas nações estabeleceram um conjunto de decisões, que impunham duras condições à Alemanha. Era o Tratado de Versalhes, que os alemães se viram obrigados a assinar, no dia 28 de junho de 1919. Do contrário, o território alemão poderia ser invadido. Contendo 440 artigos, o Tratado de Versalhes era uma verdadeira sentença penal de condenação à Alemanha.

Estipulava, por exemplo, que a Alemanha deveria:

Entregar a região da Alsácia-Lorena à França
Ceder outras regiões à Bélgica, á Dinamarca e a Polônia
Entregar quase todos os seus navios mercantes à França, Inglaterra e Bélgica
Pagar uma enorme indenização em dinheiro aos países vencedores
Reduzir o poderio militar dos seus exércitos sendo proibida de possuir aviação militar.

Não demorou muito tempo para que todo esse conjunto de decisões humilhantes, impostas à Alemanha, provocasse a reação das forças políticas que no pós-guerra, se organizaram no país. Formou-se, assim, uma vontade nacional alemã, que reivindicava a revogação das duras imposições do Tratado de Versalhes.

O nazismo soube explorar muito bem essa "vontade nacional alemã", gerando um clima ideológico para fomentar a Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945). Além do Tratado de Versalhes, foram assinados outros tratados entre os países participantes da Primeira Guerra Mundial. Através desses tratados, desmembrou-se o Império Austro-Húngaro, possibilitando o surgimento de novos países. Em 28 de abril de 1919, a Conferência de Paz de Versalhes aprovou a criação da Liga das Nações (ou Sociedade das Nações), atendendo proposta do presidente dos Estados Unidos. Sediada em Genebra, na Suíça, a Liga das Nações deu início às suas atividades em janeiro de 1920, tendo como missão agir como mediadora no caso de conflitos internacionais, procurando, assim, preservar a paz mundial.

A Liga das Nações logo revelou-se uma entidade sem força política, devido à ausência das grandes potências. O Senado americano vetou a participação dos Estados Unidos na Liga, pois discordava da posição fiscalizadora dessa entidade em relação ao cumprimento dos tratados internacionais firmados no pós-guerra. A Alemanha não pertencia à Liga e a União Soviética foi excluída. A Liga das Nações foi impotente para impedir, por exemplo, a invasão japonesa na Machúria, em 1931, e o ataque italiano à Etiópia, em 1935.

As duras marcas deixadas pela guerra motivaram diversas crises econômicas e políticas nos 20 anos seguintes, forjando as razões para o início de um conflito mais terrível: a Segunda Guerra Mundial.

Fonte: www.vestigios.hpg.ig.com.br

Primeira Guerra Mundial

O assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono austríaco, em Sarajevo, foi o estopim para a 1a Guerra Mundial (1914-1918).

Trata-se do primeiro conflito armado a envolver as grandes potências imperialistas da Europa e, em seguida, a maior parte dos países do mundo, causando a morte de mais de 8 milhões de soldados e 6,5 milhões de civis.

Confrontam-se dois grupos de países organizados em pactos antagônicos: a Tríplice Aliança, liderada pela Alemanha, e a Tríplice Entente, encabeçada pela França. A vitória ficou com os aliados da França, mas teve como conseqüência principal perda, pela Europa, do papel de liderança planetária. Os EUA que entram no conflito só em 1917, ao lado da Tríplice Entente, passam a ser o centro de poder do capitalismo. A reorganização do cenário político no continente europeu e as condições humilhantes impostas ao perdedor, a Alemanha, pelo Tratado de Versalhes, são consideradas causas da 2a Guerra Mundial (1939-1945). O mundo pós-guerra assiste também a implantação do primeiro Estado socialista, a União Soviética.

Antes da Guerra

O choque dos interesses imperialistas das diversas nações européias, aliadas ao espírito nacionalista emergente, é o grande fator que desencadeia o conflito. Na virada deste século, entra em cena a Alemanha, como o país mais poderoso da Europa Continental após a guerra franco-prussiana (1870-1871) e a arrancada industrial propiciada pela unificação do país em 1871. A nova potência ameaça os interesses econômicos da Inglaterra e político-militares da Rússia e da França.

Alemães e franceses preparam-se militarmente para a anunciada revanche francesa pela reconquista dos territórios da Alsácia e Lorena, perdidos para a Alemanha. Por sua vez a Rússia estimula o nacionalismo eslavo - Pan Eslavismo - desde o fim do século XIX e apóia a independência dos povos dominados pelo Império Austro-Húngaro. Por trás dessa política está o projeto expansionista russo de alcançar o Mediterrâneo.

Os Preparativos

As diferenças nacionalistas entre França e Alemanha são acirradas pela disputa do Marrocos como colônia. Em 1906, um acordo cede o Marrocos à França.

A Alemanha recebe terras no sudoeste africano, mas também exige da França parte do território do Congo. Outros enfrentamentos desta vez entre a Sérvia e a Áustria nas Guerras Balcânicas, aumentam a pressão pré-bélica. A anexação da Bósnia-Herzegóvina pelos austríacos em 1908 causa a explosão do nacionalismo sérvio, apoiado pela Rússia. Esses conflitos de interesses na Europa levaram à criação de dois sistemas rivais de alianças. Em 1879, o chanceler da Alemanha, Otto von Bismark, conclui um acordo com o império Austro-Húngaro contra a Rússia. Três anos depois a Itália, rival da França no Mediterrâneo alia-se aos dois países formando a Tríplice Aliança. O segundo grupo à beira do confronto tem sua origem na Entente Cordiale, formada em 1904 pelo Reino Unido e pela França, para se opor ao expansionismo germânico. Em 1907, conquista a adesão da Rússia, formando a Tríplice Entente.

O Mundo em guerra

Francisco José (1830 -1916), imperador do império Austro-Húngaro, aos 84 anos prepara-se para deixar o trono ao herdeiro. Mas, em 28 de junho de 1914, o arquiduque Francisco Ferdinando (1863 - 1914) e sua esposa são assassinados durante visita a Sarajevo pelo estudante anarquista Sérgio Gravillo Princip. Confirmada a cumplicidade de políticos da Sérvia no atentado, o governo austríaco envia em julho um ultimato ao governo sérvio. Exigem a demissão de ministros suspeitos de ligações com terroristas, o fechamento de jornais antiaustríacos e a perseguição de sociedades secretas. Como a Sérvia reluta em atender às exigências, o país é invadido pelos austríacos em 1o de agosto. O diabólico sistema de alianças, que impera no continente, arrasta o restante dos países europeus ao conflito. A Rússia declara guerra à Áustria; a Alemanha adere contra a Rússia. A França, ligada ao governo russo, mobiliza suas tropas contra os alemães. No dia 3 de agosto de 1914 o mundo está em guerra.

Reino Unido hesita até o dia seguinte, quando os alemães invadem a Bélgica, violando a tradicional neutralidade deste país, para daí atingir a França.

Outras nações envolvem-se em seguida: a Turquia, do lado dos alemães, ataca os pontos russos no Mar Negro; Montenegro socorre os sérvios em nome da afinidade étnica; e o Japão, interessado nos domínios germânicos no Extremo Oriente, engrossa o bloco contra a Alemanha. Com a guerra, ao lado da França 24 outras nações estabelecendo-se uma ampla coalizão conhecida como "Os Aliados". Já a Alemanha recebe a adesão do Império Turco Otomano, rival da Rússia e da Bulgária, movida pelos interesses nos Bálcãs. A Itália, embora pertencente à Tríplice Aliança, fica neutra no início, trocando de lado em 1915, sob a promessa de receber parte dos territórios turcos e austríacos.

Avanço alemão

Na frente ocidental, a França contém o avanço dos alemães na batalha de Marne, em setembro de 1914. A partir daí, os Exércitos inimigos ocupam no solo francês uma extensa malha de trincheiras protegidas por arame farpado, a Linha Maginot, e dedica-se a ataques de efeitos locais. Essa guerra de posição estende-se praticamente até 1918, sem que nenhum dos lados saía vitorioso. Na frente oriental, os alemães abatem o numeroso e desorganizado Exército da Rússia. O maior país da Europa, fragilizado pela derrota na guerra russo-japonesa (1904 - 1905), paga o preço do atraso industrial e da agitação política interna provocada pelos revolucionários bolcheviques. Na época o povo russo atinge o ponto máximo de insatisfação com a guerra e o colapso do abastecimento.

Greves e confrontos internos obrigam o czar Nicolau II (1868 - 1918) a renunciar ao poder, e a Revolução Russa termina por instalar no país um Estado Socialista, em 1917. Com a derrota militar russa consumada, os Aliados correm o risco de a Alemanha avançar pela frente oriental e dar um xeque-mate na França. A situação leva os EUA a entrarem diretamente na guerra e a decidirem a sorte do confronto. Durante os anos em que permanecem neutros, os norte-americanos tinha enriquecido vendendo armas e alimentos aos Aliados e dominando o mercado latino-americano e asiático. O objetivo dos EUA na luta é preservar o equilíbrio de poder na Europa e evitar uma possível hegemonia alemã.

A paz

Surgem propostas de paz em 1917 e 1918, mas com pouca ou nenhuma repercussão. Apenas a do presidente norte-americano Woodrow Wilson (1856 - 1924) ganha importância, inclusive entre a população alemã. Ela traz a idéia de uma "paz sem vencedores" e sem anexações territoriais, em um programa com 14 itens.

Mas, em julho de 1918, forças inglesas, francesas e norte-americanas lançam um ataque definitivo. A guerra está praticamente vencida. Turquia, Áustria e Bulgária rendem-se. Os bolcheviques, que com a queda do czar russo assumem o poder após dois governos provisórios, já haviam assinado a paz em separado com a Alemanha, em março, pelo tratado de Brest-Litovsk. A fome e a saúde precária da população levam a Alemanha à beira de uma revolução social. Com a renúncia do kaiser, exigida pelos EUA, um conselho provisório socialista negocia a rendição.

Tratado de Versalhes

Em 28 de junho de 1919 é assinado o Tratado de Versalhes. Pressionada por um embargo naval, a Alemanha é obrigada a ratifica-lo. Com ele, perde todas as colônias que são repartidas entre os Aliados, e parte do seu território. Também passa a ser atravessada pelo chamado "Corredor Polonês", que dava a Polônia acesso ao Mar Báltico, e divide o país em dois. Deve ainda pagar monumentais indenizações por todos danos civis causados pela guerra e fica proibida de formas um Exército regular. Mas essas providências, para evitar que a Alemanha possa vir a ter condições econômicas e políticas de se lançar numa nova aventura bélica, terão o efeito contrário. Tanto que o mundo saído do Tratado de Versalhes é o berço de regimes totalitário em muitas nações, do comunismo ao facismo e nazismo, que afiam as armas para, poucas décadas depois, deflagrar a 2a Guerra Mundial. O pós-guerra apresenta um desenho da Europa, com a dissolução dos Impérios Áustro-Húngaro, Turco-Otomano e Russo, e o surgimento de novos países.

Consequências da Primeira Guerra Mundial

Considerando-se humilhados pelo Tratado de Versalhes, os alemães passara a nutrir um ódio sobretudo a França, e os países que o derrotaram.

A primeira guerra trouxe outras conseqüências como:

Declínio da Europa, que foi duramente atingida pelo conflito;
Ascensão dos Estados Unidos, que a partir de então tornaram-se uma das grandes potências;
Intensificação dos problemas que contribuíram para a implantação do socialismo na Rússia;
Aparecimento de regimes políticos autoritários, como o nazismo e fascismo.

Fases da Primeira Guerra Mundial

Primeira Fase: 1914

Esse período caracterizou-se por movimentos rápidos envolvendo grandes exércitos. Certo de que venceria a guerra em pouco tempo, o exército alemão invadiu a Bélgica, e , depois de suplantá-la, penetrou no território francês até as proximidades de Paris. Os franceses contra-atacaram e, na Primeira Batalha do Marne, em setembro de 1914, conseguiram deter o avanço alemão.

Segunda Fase: 1915-1916

Na frente ocidental, essa fase foi marcada pela guerra de trincheiras: os exércitos defendiam suas posições utilizando-se de uma extensa rede de trincheiras que eles próprios cavavam. Enquanto isso, na frente oriental, o exército alemão impunha sucessivas derrotas ao mal-treinado e muito mal-armado exército russo.

Apesar disso, entretanto, não teve fôlego para conquistar a Rússia. Em 1915, a Itália, que até então se mantivera neutra, traiu a aliança que fizera com a Alemanha e entrou na guerra ao lado da Tríplice Entente. Ao mesmo tempo que foi se alastrando, o conflito tornou-se cada vez mais trágico. Novas armas, como o canhão de tiro rápido, o gás venenoso, o lança-chamas, o avião e o submarino, faziam um número crescente de vítimas.

Terceira fase: 1917-1918

Em 1917, primeiro ano dessa nova fase, ocorreram dois fatos decisivos para o desfecho da guerra: a entrada dos Estados Unidos no conflito e a saída da Rússia.

Os Estados Unidos entraram na guerra ao lado da Inglaterra e da França.

Esse apoio tem uma explicação simples: os americanos tinham feitos grandes investimentos nesses países e queriam assegurar o seu retorno. Outras nações também se envolveram na guerra. Turquia e Bulgária juntaram-se à Tríplice Aliança, enquanto Japão, Portugal, Romênia, Grécia, Brasil, Canadá e Argentina colocaram-se ao lado da Entente. A saída da Rússia da guerra está relacionada à revolução socialista ocorrida em seu território no final de 1917. O novo governo alegou que a guerra era imperialista e que o seu país tinha muitos problemas internos para resolver. A Alemanha, então, jogou sua última cartada, avançando sobre a França antes da chegado dos norte-americanos à Europa. Entretanto, os alemães foram novamente detidos na Segunda Batalha do Marne e forçados a recuar. A partir desse recuo, os países da Entente foram impondo sucessivas derrotas aos seus inimigos. A Alemanha ainda resistia quando foi sacudida por uma rebelião interna, que forçou o imperador Guilherme II a abdicar em 9 de novembro de 1918. Assumindo o poder imediatamente, o novo governo alemão substituiu a Monarquia pela República. Dois dias depois rendeu-se, assinando um documento que declarava a guerra terminada.

Formação das Alianças e o Estouro do Conflito

A formação das alianças

Ciente de que a França, partiria para a revanche contra o seu país, o chanceler alemão Bismarck decidiu isolá-la. Inicialmente, a Alemanha aliou-se ao Império Austro-Húngaro, com o qual tinha estreitos laços culturais. Posteriormente, cortejou e conseguiu aliar-se à Itália. A França, por sua vez, reagiu ao isolamento em que se encontravam fazendo um acordo militar secreto com a Rússia, país que temia o avanço alemão para o leste. Depois, foi a vez da Inglaterra -- assustada com o crescente poderio alemão -- assinar um acordo com a França e outro com a Rússia.

Assim em 1907, a Europa já se encontrava dividida em dois blocos político-militares: a Tríplice Aliança, com a Alemanha, Itália e Áustria-Hungria, e a Tríplice Entente, com a Inglaterra, França e Rússia.

Enquanto se organizavam em blocos rivais, as principais potências européias lançaram-se numa desenfreada corrida armamentista: adotaram o serviço militar obrigatório, criaram novas armas e passaram a produzir armamento e munição em quantidades cada vez maiores. Era a paz armada.

Faltava um incidente para a guerra começar. O incidente ocorreu num domingo, 28 de julho de 1914, em Sarajevo, capital da Bósnia. Nesse dia, o herdeiro do trono austríaco, Francisco Ferdinando, e suas esposas foram assassinados a tiros por um estuda da Bósnia. Em 28 de julho de 1914, a Áustria declarou guerra a Sérvia, dando início à Primeira Guerra Mundial.

Fonte: geocities.yahoo.com.br

Primeira Guerra Mundial

O início da Grande Guerra 1914-1918

O estopim deste conflito foi o assassinato de Francisco Ferdinando, príncipe do império austro-húngaro, durante sua visita a Saravejo (Bósnia-Herzegovina). As investigações levaram ao criminoso, um jovem integrante de um grupo Sérvio chamado mão-negra, contrário a influência da Áustria-Hungria na região dos Balcãs.

O império austro-húngaro não aceitou as medidas tomadas pela Sérvia com relação ao crime e, no dia 28 de julho de 1914, declarou guerra à Servia.

Política de Alianças

Os países europeus começaram a fazer alianças políticas e militares desde o final do século XIX. Durante o conflito mundial estas alianças permaneceram. De um lado havia a Tríplice Aliança formada em 1882 por Itália, Império Austro-Húngaro e Alemanha ( a Itália passou para a outra aliança em 1915). Do outro lado a Tríplice Entente, formada em 1907, com a participação de França, Rússia e Reino Unido.

O Brasil também participou, enviando para os campos de batalha enfermeiros e medicamentos para ajudar os países da Tríplice Entente.

Desenvolvimento

As batalhas desenvolveram-se principalmente em trincheiras. Os soldados ficavam, muitas vezes, centenas de dias entrincheirados, lutando pela conquista de pequenos pedaços de território. A fome e as doenças também eram os inimigos destes guerreiros. Nos combates também houve a utilização de novas tecnologias bélicas como, por exemplo, tanques de guerra e aviões. Enquanto os homens lutavam nas trincheiras, as mulheres trabalhavam nas indústrias bélicas como empregadas.

Fim do conflito

Em 1917 ocorreu um fato histórico de extrema importância: a entrada dos Estados Unidos no conflito. Os EUA entraram ao lado da Tríplice Entente, pois havia acordos comerciais a defender, principalmente com Inglaterra e França. Este fato marcou a vitória da Entente, forçando os países da Aliança a assinarem a rendição. Os derrotados tiveram ainda que assinar o Tratado de Versalhes que impunha a estes países fortes restrições e punições. A Alemanha teve seu exército reduzido, sua indústria bélica controlada, perdeu a região do corredor polonês, teve que devolver à França a região da Alsácia Lorena, além de ter que pagar os prejuízos da guerra dos países vencedores. O Tratado de Versalhes teve repercussões na Alemanha, influenciando o início da Segunda Guerra Mundial.

A guerra gerou aproximadamente 10 milhões de mortos, o triplo de feridos, arrasou campos agrícolas, destruiu indústrias, além de gerar grandes prejuízos econômicos.

Fonte: www.pettinato.info

Primeira Guerra Mundial

A Primeira Guerra Mundial foi uma guerra ocorrida devido pretensões imperialistas entre 1914 até 1918, com conflitos principalmente em regiões européias.

Antecedentes

Nas últimas décadas do século XX, o mundo assistiu à explosão de uma Guerra Civil na Iugoslávia que resultou no desmantelamento desse país e no surgimento da Eslovênia, Croácia e Bósnia-Herzegovina, como nações independentes.

O conflito entre sérvios, croatas e bósnios irrompeu em função das diversas étnicas, religiosas e políticas existentes entre eles.

As pretensões imperialistas ganharam profundos contornos a partir de 1870, pois, nessa época, a Europa Ocidental e também os Estados Unidos expandiram sua política econômica e organizaram poderosos impérios, devido à concentração de capitais procedentes do monopólio e da fusão das empresas. As indústrias pesadas exigiram a união das empresas, a fim de garantirem maiores lucros e bons preços. Por esse motivo, tornou-se acirrada a disputa de mercadoria e de fontes de matérias-primas.

Desde o Congresso de Viena, em 1815, a preocupação dos principais paises europeus passou a ser a busca da estabilidade internacional. Para isso, as nações buscaram o prestígio nacional e o fortalecimento militar, mantendo constante vigilância para impedir o crescimento das forças contrárias e a formação de alianças entre países afins. Esta inquietação ocorria mediante o "equilíbrio de poder".

Motivos da Primeira Guerra Mundial

Durante a metade do século XIX, as nações imperialistas dominaram povos e territórios em diversas partes do mundo. Assim, em poucas décadas, acumularam riquezas e aumentaram muito sua capacidade de produzir mercadorias. Da disputa por mercados consumidores entre essas nações nasceu a rivalidade. E desta, a Primeira Guerra Mundial. Além da disputa por mercados, existiram também outras razões para a eclosão da guerra.

Abaixo, as mais importantes:

A rivalidade anglo-alemã

A origem dessa rivalidade entre a Inglaterra e a Alemanha foi a competição industrial e comercial. Em apenas três décadas, a contar de sua unificação, a Alemanha tornou-se uma grande potência industrial. Os produtos de suas fábricas tornaram-se mundialmente conhecidos, inclusive com enorme aceitação no mercado inglês. Fortalecida, a Alemanha passou a pressionar para que houvesse uma nova repartição do mundo colonial. A Inglaterra, por sua, vez, mostrava disposição em manter suas conquistas a qualquer custo.

A rivalidade franco-alemã

Na França, o antigermanismo também era muito forte, devido à derrota francesa na Guerra Franco-Prussiana e à perda da Alsácia e da Lorena para a Alemanha.

A rivalidade austro-russa

A Rússia desejava dominar o Império Turco-Otamano, a fim de obter uma saída para o mar Mediterrâneo, e, também, controlar a península Balcânica. Para justificar esse expansionismo, criou o pan-eslavismo movimente político segundo o qual a Rússia tinha o "direito" de defender e proteger as pequenas nações eslavas da península Balcânica.

O nacionalismo da Sérvia

A Sérvia era uma pequena nação eslava independente, situada na região dos Bálcãs, que almejava libertar e unificar os territórios habitados pelos povos eslavos desta região. Opondo-se aos austríacos e aos turcos, a Sérvia aproximou-se cada vez mais da Rússia, que comprometeu-se a apoiá-la e a protegê-la militarmente. Quando, em 1908, a Áustria ocupou a Bósnia-Herzegovina, a Sérvia passou a conspirar abertamente contra a Áustria.

Fonte: www.conhecimentosgerais.com.br

Primeira Guerra Mundial

A Primeira Guerra Mundial é o acontecimento que realmente dá início ao século XX, pondo fim ao que se convencionou chamar de Belle Epoque – 1871-1914: período em que as grandes potências européias não entraram em guerra entre si e a burguesia viveu sua época de maior fastígio, graças à expansão do capitalismo imperialista e à exploração imposta ao proletariado.

Os fatores que provocaram a I Guerra Mundial podem ser divididos em gerais e específicos.

Examinemo-los:

Fatores gerais

Disputa dos mercados internacionais pelos países industrializados, que não conseguiam mais escoar toda a produção de suas fábricas. Tal concorrência era particularmente acirrada entre a Grã-Bretanha e a Alemanha.

Atritos entre as grandes potências devido a questões coloniais. Alemanha, Itália e Japão participaram com atraso da corrida neocolonialista e estavam insatisfeitos com as poucas colônias que haviam adquirido.

Exacerbação dos nacionalismos europeus, manipulados pelos respectivos governos como um meio de obter a adesão popular à causa da guerra. Há que considerar ainda o nacionalismo das populações que se encontravam sob o jugo do Império Austro-Húngaro ou do Império Russo e ansiavam pela independência.

Fatores específicos

A França alimentava em relação à Alemanha um forte sentimento de revanchismo, por causa da humilhante derrota sofrida na Guerra Franco-Prussiana de 1870-71, e desejava recuperar a região da Alsácia-Lorena, perdida para os alemães naquele conflito.

A Itália, cujo processo de unificação política ocorrera no século XIX, desejava incorporar as cidades “irredentas” (não-redimidas) de Trento e Trieste, que continuavam em poder da Áustria-Hungria.

O Reino da Sérvia aspirava à formação de uma Grande Sérvia; para tanto, pretendia anexar o vizinho Reino do Montenegro e as regiões da Bósnia-Herzegovina, Croácia e Eslovênia, pertencentes ao Império Austro-Húngaro. As ambições sérvias eram respaldadas pela Rússia, desejosa de consolidar sua influência nos Bálcãs para ter acesso ao Mar Mediterrâneo.

O decadente Império Otomano (Turquia), apelidado O Homem Doente da Europa, vinha sofrendo uma dupla pressão: da Rússia, que tencionava apossar-se dos estreitos do Bósforo e dos Dardanelos, e da Grã-Bretanha, que desejava libertar as populações árabes do domínio turco, a fim de poder explorar o petróleo do Oriente Médio. Tal situação levou o governo otomano a se aproximar da Alemanha, em busca de ajuda técnica e militar.

Antecedentes

Depois de unificar a Alemanha em torno do Reino da Prússia, dando origem ao II Reich (Império Alemão, 1871-1918), o chanceler (primeiro-ministro, nos países de língua alemã) Bismarck procurou tecer uma Política de Alianças com as demais potências européias, a fim de manter a França isolada e neutralizar o revanchismo francês. Essa política teve sucesso (exemplo: a União dos Três Imperadores, celebrada entre Alemanha, Áustria-Hungria e Rússia), mas foi abandonada após 1890, quando Bismarck se afastou da vida política.

O novo imperador da Alemanha, Guilherme II (conhecido como o Kaiser, 1888-1918), adotou uma política militarista que minou as relações com a Rússia e a Grã-Bretanha: a primeira irritou-se com o estreitamento da aliança entre Alemanha e Áustria-Hungria, além do apoio dado pelos alemães à Turquia; a Grã-Bretanha, já prejudicada com a concorrência industrial e comercial alemã, inquietou-se com os planos do Kaiser no sentido de criar uma poderosa marinha de guerra e construir uma ferrovia ligando Berlim a Bagdá (cidade do Império Otomano relativamente próxima do Golfo Pérsico).

Em conseqüência, houve um remanejamento de posições das potências européias.

O resultado foi a formação de dois blocos opostos

Tríplice Aliança: Alemanha, Áustria-Hungria e Itália. Esta uniu-se à Alemanha em represália à França, que frustrara a pretensão italiana de conquistar a Tunísia. Mas o fato de a Áustria-Hungria fazer parte do bloco incomodava os italianos, devido à questão das “cidades irredentas”.

Tríplice Entente: Inglaterra (ou melhor, Grã-Bretanha), França e Rússia. Esse nome vem de Entente Cordiale (“Entendimento Cordial”) – forma como o governo francês definiu sua aproximação com a Inglaterra, de quem a França era adversária tradicional.

O período que antecedeu a eclosão da I Guerra Mundial é conhecido pelo nome de Paz Armada, pois as grandes potências, convencidas da inevitabilidade do conflito e até mesmo desejando-o, aceleraram seus preparativos bélicos (exceto a Itália, que não estava bem certa do que iria fazer). Por duas vezes, em 1905 e 1911, a Alemanha provocou a França a respeito do Marrocos, mas as crises foram contornadas.

O início da guerra

Até 1912, o enfraquecido Império Otomano ainda conservava nos Bálcãs uma faixa territorial que se estendia de Istambul (antiga Constantinopla) ao Mar Adriático e incluía a Albânia. Entre 1912 e 1913, porém, perdeu quase todas essas terras para a Grécia, Bulgária e sobretudo para a Sérvia, que deu os primeiros passos no sentido de implementar seu projeto da “Grande Sérvia”; a Albânia tornou-se um Estado independente.

Em 28 de junho de 1914, o arquiduque Francisco Fernando de Habsburgo, herdeiro do trono austro-húngaro, visitava Sarajevo, capital da Bósnia, com sua esposa, quando ambos foram assassinados por um jovem bósnio cristão ortodoxo (a imensa maioria dos bósnios era muçulmana), partidário da união com a Sérvia. A Áustria-Hungria, alegando envolvimento do governo sérvio no crime, apresentou uma série de exigências que foram rejeitadas pela Sérvia.

Em 28 de julho, a Áustria-Hungria declarou guerra à Sérvia. No dia seguinte, a Rússia pôs suas tropas em estado de prontidão, e a Alemanha fez o mesmo em 30 de julho. Na madrugada de 1º de agosto, a Alemanha declarou guerra à Rússia, sendo imitada pelo governo austro-húngaro.

Grã-Bretanha e França, surpreendidas pela rapidez dos acontecimentos, não se moveram. Mas a Alemanha, cujos planos de campanha estavam prontos desde 1911, declarou guerra à França em 3 de agosto. Na madrugada de 4, as tropas alemãs invadiram a Bélgica – que era neutra – para surpreender os franceses com um ataque vindo de direção inesperada. A Bélgica, militarmente fraca, não conseguiria conter os invasores, os quais deveriam alcançar rapidamente o Canal da Mancha.

Alarmado com essa perspectiva, o governo britânico declarou guerra à Alemanha na noite de 4 de agosto.

Em uma semana, o que deveria ser mais um conflito balcânico transformara-se em uma guerra européia. A Itália somente entrou na luta em 1915; mas fê-lo contra a Alemanha e Áustria-Hungria, porque Grã-Bretanha e França lhe prometeram – e depois não cumpriram – que os italianos ganhariam algumas colônias alemãs na África (além de Trento e Trieste, naturalmente).

Durante a I Guerra Mundial, os blocos em conflito mudaram de denominação, passando a ser conhecidos como:

Impérios Centrais: Alemanha, Áustria-Hungria, Turquia e Bulgária.
Aliados: Sérvia, Rússia, França, Bélgica, Grã-Bretanha, Japão, Itália, Romênia, EUA, Brasil etc.

O desenrolar do conflito

O plano de campanha dos alemães previa uma guerra em duas frentes; mas priorizava a Frente Ocidental (contra os anglo-franceses), ainda que isso significasse perdas territoriais temporárias na Frente Oriental (contra os russos). Assim, o Kaiser e seus generais esperavam derrotar rapidamente seus inimigos do oeste, para depois voltar suas forças contra os russos.

Na Frente Ocidental, a I Guerra Mundial apresenta duas fases bem diferenciadas:

Guerra de movimento (agosto/novembro de 1914)

Os alemães ocuparam quase toda a Bélgica e também o norte da França. Mas não conseguiram tomar Paris nem dominar a costa francesa no Canal da Mancha.

Guerra de trincheiras (novembro de 1914/março de 1918)

Durante quase dois anos e meio, as linhas de combate estabilizaram-se e os exércitos adversários procuraram abrigar-se em um complexo sistema de trincheiras onde passaram praticamente a morar – convivendo com ratos, parasitas e ainda com a lama ou o pó, o frio ou o calor, conforme a estação do ano. Protegidas por intrincadas redes de arame farpado e por ninhos de metralhadora, eram posições muito difíceis de conquistar. Os comandantes de ambos os lados, não preparados para essa nova realidade, continuaram durante muito tempo a ordenar ataques frontais de infantaria, perdendo dezenas de milhares de homens para avançar alguns quilômetros. O exemplo mais dramático desse inútil sacrifício de vidas foi a luta pelas posições fortificadas francesas de Verdun. A luta, que se arrastou por dez meses em 1916, provocou mais de um milhão de mortes e, no final, as posições eram as mesmas quando do início da batalha.

Na Frente Oriental, o chamado “rolo compressor russo” (o maior exército do mundo) obteve algumas vitórias iniciais, mas depois teve de recuar diante dos alemães e austro-húngaros. O exército czarista era mal armado, mal organizado e mal comandado; mesmo assim, tentou contra-ofensivas em 1915 e 1916, sofrendo baixas terríveis. No começo de 1917, os Impérios Centrais controlavam firmemente a Polônia, a Lituânia, a Letônia e parte da Bielo-Rússia (todos esses territórios faziam parte do Império Russo).

Na África e no Pacífico, a maioria das colônias alemãs caiu rapidamente em poder dos Aliados. No Oriente Médio, um exército britânico passou a operar contra os turcos a partir de 1917; foi auxiliado por um levante das tribos da Arábia, estimuladas pelo célebre agente inglês Thomas Lawrence, conhecido como “Lawrence da Arábia”.

No Mar do Norte, a esquadra alemã defrontou-se com a britânica na Batalha da Jutlândia (1916), mas não conseguiu romper o bloqueio marítimo imposto pelos Aliados.

1917: o ano decisivo

A Alemanha possuía a maior frota de submarinos entre os países beligerantes. Entretanto, os comandantes dessas embarcações vinham se abstendo de torpedear navios de passageiros (ainda que de bandeira inimiga) e quaisquer navios de países neutros. A exceção foi o transatlântico inglês Lusitania, torpedeado em 1915 e que explodiu – provavelmente por estar transportando secretamente munições norte-americanas para a Inglaterra.

Em janeiro de 1917, o governo alemão anunciou que iria iniciar uma campanha submarina “sem restrições”; ou seja, seus submarinos torpedeariam quaisquer navios que tentassem alcançar portos franceses ou britânicos. Essa decisão complicou a situação dos Aliados, pois a Grã-Bretanha dependia de fornecimentos marítimos para sua própria sobrevivência.

Em março de 1917, estourou a Revolução Russa. O czar Nicolau II foi derrubado e um governo provisório liberal (formado por aristocratas e burgueses) assumiu o poder. Oficialmente, a Rússia continuou na guerra contra a Alemanha; mas seus soldados, esgotados e desmoralizados, praticamente pararam de combater.

Essa circunstância poderia permitir aos alemães deslocarem tropas para a frente ocidental, derrotando definitivamente ingleses e franceses.

No decorrer da guerra, os Estados Unidos haviam-se tornado os grandes fornecedores dos Aliados, aos quais vendiam desde alimentos até armas e munições. Grã-Bretanha, França e outros países tinham acumulado débitos enormes junto aos empresários norte-americanos, os quais não poderiam suportar o fantástico prejuízo advindo de uma possível derrota anglo-francesa.

Por essa razão, em 6 de abril de 1917, tomando como pretexto o afundamento de cinco navios norte-americanos por submarinos alemães, o presidente Wilson (o mesmo que em janeiro daquele ano divulgara seus 14 pontos para uma paz justa), declarou guerra aos Impérios Centrais. Como o país não tinha serviço militar obrigatório, foram necessários dez meses para treinar um enorme exército que pudesse operar na Europa. Mas a marinha de guerra norte-americana entrou imediatamente na luta contra os submarinos alemães, aliviando a grave situação dos ingleses.

1918: Cronologia do término do conflito

Fevereiro: Chegada das primeiras tropas norte-americanas à França.
Março:
O governo bolchevique (comunista) russo, que fora instaurado em novembro de 1917, assina o Tratado de Brest-Litovsk com a Alemanha, retirando a Rússia da guerra. No mesmo mês, os alemães iniciam uma última ofensiva na frente ocidental, mas mais uma vez não conseguem tomar Paris.
Julho:
Contra-ofensiva aliada na França. Os alemães começam a bater em retirada.
Setembro:
Capitulação (rendição) da Bulgária.
Outubro:
Capitulação da Turquia.
Novembro:
O Império Austro-Húngaro desintegra-se no dia 3. Áustria e Hungria assinam armistícios (acordos de cessar-fogo) separados. No dia 9, irrompe uma revolução republicana na Alemanha; fuga do Kaiser Guilherme II. No dia 11, o novo governo alemão assina um armistício com os Aliados, na expectativa de serem observados os “14 Pontos” de Wilson (expectativa frustrada pela dureza das condições impostas pelos vencedores).

Os tratados de paz

Em 1919, reuniu-se a Conferência de Paz de Paris, para a qual somente a Rússia não foi convidada. Todavia, em vez de discussões amplas e abertas entre todos os envolvidos na Grande Guerra (nome dado ao conflito de 1914-18 até 1939, quando começou a II Guerra Mundial), os tratados de paz foram elaborados pelos Três Grandes – Wilson, dos EUA; Lloyd George, da Grã-Bretanha; Clemenceau, da França – e impostos aos países vencidos.

O tratado mais importante foi o de Versalhes, que a Alemanha foi obrigada a assinar.

Eis suas cláusulas mais importantes:

A Alemanha foi considerada a única responsável pela eclosão da guerra.
Foram perdidas todas as colônias e vários territórios alemães na Europa (principais: a Alsácia-Lorena, restituída à França; o Corredor Polonês, que dividiu a Alemanha em duas partes; o porto de Danzig, transformado em cidade-livre).
Limitações militares: proibição do serviço militar obrigatório e da produção de aviões de combate, tanques, canhões gigantes, navios de guerra de grande porte e submarinos, além da limitação do exército alemão a 100 mil homens.
Pagamento de pesadíssimas reparações de guerra.
As duras (e injustas) condições do Tratado de Versalhes geraram entre os alemães um profundo ressentimento, responsável em grande parte pela ascensão de Hitler ao poder– o que acabaria levando à II Guerra Mundial.

Conseqüências da I Guerra Mundial

11 milhões de mortos (destes, 8 milhões eram combatentes).
Fim dos impérios Russo, Austro-Húngaro, Alemão e Otomano.

Surgimento de novos Estados europeus: Do desmembramento do Império Austro-Húngaro: Áustria, Hungria, Checoslováquia e Iugoslávia (nome oficial da “Grande Sérvia”, criado em 1931).

Do desmembramento do Império Russo:

URSS, Finlândia, Polônia, Lituânia, Letônia e Estônia.
Crise econômica generalizada, com especial gravidade na URSS, Itália e Alemanha.
Surgimento dos regimes totalitários, tanto de esquerda (comunismo) como de direita (fascismo).
Ascensão dos EUA à posição de maior potência mundial.
Criação da Sociedade das Nações ou Liga das Nações – um dos poucos itens dos “14 Pontos” que foram aproveitados.
Existência de minorias étnicas com tendência separatista em vários países da Europa Central e Oriental, criando graves focos de tensão.

O fim da Primeira Guerra Mundial está ligado ao início da Segunda, pois as perdas territoriais alemãs iriam servir de justificativa para o expansionismo nazista. Na foto, um desfile das unidades SS (força de elite da Alemanha Nazista).

Fonte: www2.curso-objetivo.br

Primeira Guerra Mundial

A Primeira Guerra Mundial foi um conflito militar (1914-1918), iniciado por um confronto regional entre o Império Austro-Húngaro e a Sérvia, em 28 de julho de 1914. Confronto que se transformaria em luta armada, em escala européia, quando a declaração de guerra austro-húngara foi estendida à Rússia em 1º de agosto de 1914.

E que finalmente passaria a ser uma guerra mundial da qual participaram 32 nações: 28 delas, denominadas ‘aliadas’ ou ‘potências coligadas’, entre as quais se encontravam a Grã-Bretanha, a França, a Rússia, a Itália, e os Estados Unidos, lutaram contra a coligação dos chamados impérios centrais, integrada pela Alemanha, pela Áustria-Hungria, pelo império otomano e pela Bulgária.

A causa imediata do início das hostilidades entre a Áustria-Hungria e a Sérvia foi o assassinato do arquiduque Francisco Fernando de Habsburgo, herdeiro do trono austro-húngaro, cometido, em Sarajevo no dia 28 de junho de 1914, por um nacionalista sérvio.

Entretanto, os verdadeiros fatores determinantes do conflito foram: o espírito nacionalista que crescia por toda a Europa durante o século XIX e princípios do XX e a rivalidade econômica e política entre as diferentes nações, o processo de militarização e a corrida armamentista que caracterizaram a sociedade internacional dos últimos anos do século XIX, raiz da criação de dois sistemas de alianças que se diziam defensivas: a Tríplice Aliança e a Tríplice Entente. A primeira nasceu do pacto firmado entre a Alemanha, Áustria-Hungria e Itália contra a ameaça de ataque da França. A Tríplice Entente era a aliança entre a Grã-Bretanha, França e Rússia para contrabalançar a Tríplice Aliança.

O assassinato do Arquiduque austríaco teve sérias repercussões. Diante da ineficácia das gestões diplomáticas, a Áustria declarou guerra à Sérvia em 28 de julho de 1914. A Rússia respondeu, mobilizando-se contra a Áustria, e a Alemanha lhe declarou guerra em 1º de agosto. As tropas alemãs cruzaram a fronteira do Luxemburgo, em 2 de agosto, e no dia seguinte, 3 de agosto, a Alemanha declarou guerra à França. O governo britânico declarou guerra à Alemanha no dia 4 de agosto. A Itália permaneceria neutra até 23 de maio de 1915, quando, então, declarou guerra à Áustria-Hungria. O Japão declarou guerra à Alemanha em 23 de agosto de 1914 e em 6 de abril de 1917 os Estados Unidos fizeram o mesmo.

1914-1915: A GUERRA DE TRINCHEIRAS

As operações militares na Europa se desenvolveram em três frentes: a ocidental ou franco-belga, a oriental ou russa e a meridional ou sérvia.

Posteriormente, surgiriam novas zonas de combate com a intervenção do império otomano, da Itália e da Bulgária.

Na frente ocidental, o plano inicial da estratégia alemã era derrotar rapidamente a França, no oeste, com uma ‘guerra relâmpago’, enquanto uma pequena parte do exército alemão e todas as forças austro-húngaras conteriam, a leste, a invasão russa. No outono de 1914 a queda da capital francesa parecia tão iminente que o governo francês se transferiu para Bordeaux. Porém os franceses, comandados pelo general Joseph Joffre, cercaram Paris e atacaram o exército alemão.

Na primeira batalha do Marne (de 6 a 9 de setembro), os franceses conseguiram deter o exército alemão. No entanto, no fim de 1914, os adversários ainda estavam entrincheirados, cada um em suas linhas de frente que se estendiam da Suíça ao Mar do Norte. No decurso de três anos poucas modificações ocorreram nestas linhas, o que faria da luta uma guerra de trincheiras ou de ‘exaustão’.

Os russos assumiram a ofensiva, na frente oriental, no início da guerra, mas foram detidos pelos exércitos austro-alemães. Em 1915 estes haviam conseguido expulsar os russos da Polônia e da Lituânia e tinham tomado todas as fortalezas limítrofes da Rússia que ficou sem condições de empreender ações importantes por falta de homens e de suprimentos.

Os austríacos invadiram a Sérvia três vezes ao longo de 1914, sendo rechaçados em todas. Quando a Bulgária declarou guerra à Sérvia em 14 de outubro de 1915, as forças aliadas entraram pela Sérvia. Os búlgaros derrotaram o exército sérvio e também o britânico e o francês que vieram de Salonica. No fim de 1915, os impérios centrais haviam ocupado toda a Sérvia.

O império otomano entrou na guerra em 29 de outubro de 1914. Os turcos iniciaram a invasão da zona russa da cordilheira do Cáucaso em dezembro. O governo russo pediu aos britânicos que fizessem uma manobra destinada a distrair sua atenção no Estreito de Dardanelos. Porém a Campanha de Gallípoli resultou em fracasso total para as tropas aliadas.

1916: A ESTAGNAÇÃO CONTINUA

O triunfo obtido pelos alemães, em 1915, deu condições para eles centrarem suas operações na frente ocidental. Desencadearam a batalha de Verdun em 21 de fevereiro, mas não conseguiram conquistar esta cidade devido à contra-ofensiva do general francês Henri Philippe Pétain. Os aliados atacaram, por sua vez, na batalha do Somme, iniciada em 1º de julho, na qual os britânicos usaram pela primeira vez carros de combate modernos. E os franceses empreenderam nova ofensiva em outubro, restabelecendo a situação que existia antes de fevereiro.

Quanto à situação na frente oriental, os russos atacaram os austríacos na linha que se estendia do sul de Pinsk a Chernovtsi. Apesar de não conseguirem tomar seus principais objetivos, o ataque russo levaria a Romênia a entrar na guerra, apoiando os aliados (em 27 de agosto de 1916). As forças austro-alemães invadiram a Romênia (novembro e dezembro) que, em meados de janeiro de 1917, já estava totalmente ocupada.

A atividade na frente italiana, durante o ano de 1916, esteve concentrada, na 5ª batalha do Rio Isonzo, e na ofensiva austríaca em Trentino. Nos Balcãs, as potências aliadas intervieram na vida política da Grécia por todo a ano de 1916, o que provocaria a criação de um governo provisório em Salonica.

Eclodiram duas lutas nos Balcãs em 1916: o ataque conjunto de sérvios e italianos às forças búlgaras e alemães e uma ofensiva aliada sobre a Macedônia.

Ocorreu também o confronto naval mais importante da guerra, a batalha da Jutlândia (31 de maio a 1º de junho) entre a Grande Frota Britânica e a Frota de Ultramar Alemã, que terminaria com a vitória britânica.

1917: ENTRADA DOS ESTADOS UNIDOS E O ARMISTÍCIO COM A RÚSSIA

A política de neutralidade americana mudou quando a Alemanha anunciou, em janeiro de 1917, que a partir de fevereiro recorreria à guerra submarina. Em 3 de fevereiro os Estados Unidos romperam relações diplomáticas com a Alemanha, declarando, em 6 de abril, guerra a este país. Para enfrentar o conflito, enviou para Europa a chamada Força Expedicionária Americana (AEF), frente a qual se encontrava o general John Pershing. Várias nações latino-americanas, entre elas o Peru, o Brasil e a Bolívia apoiariam esta ação. O afundamento de alguns navios levou o Brasil, em 26 de outubro de 1917, a participar da guerra, enviando uma divisão naval em apoio aos aliados. Aviadores brasileiros participaram do patrulhamento do Atlântico, navios do Lóide Brasileiro transportaram tropas americanas para a Europa e, para a França, foi enviada uma missão médica.

Em 1917 os aliados lançaram duas ofensivas, em grande escala, para romper as linhas alemães na frente ocidental. Na primeira, o ataque foi dirigido contra a linha Hindenburg, travando-se a terceira batalha de Arras. Na segunda, tentou-se atravessar o flanco direito das posições alemãs em Flandres. A batalha de Messina e a terceira batalha de Ypres terminaram sem qualquer avanço para os aliados. Por outro lado, a guerra submarina alemã fracassava em seu intento de provocar a rendição da Grã-Bretanha por meio da destruição da frota aliada.

Em março de 1917 a primeira fase da Revolução Russa culminou com a implantação de um governo provisório e a abdicação do czar Nicolau II. Em setembro e outubro os alemães tomaram Riga, ocuparam a Letônia e inúmeras ilhas russas do mar Báltico. Em 20 de novembro as autoridades russos propuseram à Alemanha a cessação das hostilidades. Representantes da Rússia, Áustria e Alemanha assinaram o armistício em 15 de dezembro, cessando assim a luta na frente oriental.

Os aliados sofreram vários reveses na frente italiana em 1917. As forças italianas foram obrigadas a se retirar de suas posições no rio Piave. Na frente balcânica, os aliados iniciaram a invasão da Grécia e conseguiram a abdicação de Constantino I. A Grécia declarou guerra aos impérios centrais em 27 de junho. No Oriente Médio os britânicos tomaram Jerusalém, ocuparam Bagdá em março e em setembro já haviam avançado até Ramadi e Tikrit.

1918: ANO FINAL

Os primeiros meses de 1918 não foram favoráveis às potências aliadas. Em 3 de março a Rússia assinou o Tratado de Brest-Litovsk, com a qual punha oficialmente um fim à guerra entre esta nação e os impérios centrais. Em 7 de maio a Romênia assinou o Tratado de Bucarest com a Áustria-Hungria e a Alemanha, às quais cedia diversos territórios.

No entanto, a luta nos Balcãs, no ano de 1918, foi catastrófica para os impérios centrais. Uma força de cerca de 700.000 soldados aliados iniciou uma grande ofensiva contra as tropas alemãs, austríacas e búlgaras na Sérvia. E os búlgaros, totalmente derrotados, assinaram um armistício com os aliados. Além disso, estes obteriam a vitória definitiva na frente italiana entre outubro e novembro. A comoção da derrota provocou rebeliões revolucionárias no Império Austro-Húngaro que se viu obrigado a assinar um armistício com os aliados em 3 de novembro. Carlos I abdicou oito dias depois e a 12 de novembro foi proclamada a República da Áustria.

Os aliados também puseram fim à guerra na frente turca de forma que lhes foi satisfatória. As forças britânicas tomaram o Líbano e a Síria, ocupando Damasco, Alepo e outros pontos estratégicos. A Marinha francesa, por sua vez, ocupou Beirute e o governo otomano solicitou um armistício. As tropas de elite nas colônias alemães da África e do oceano Pacífico, com exceção das que se encontravam na África oriental no fim de 1917 e durante 1918, lutaram na defensiva a maior parte do tempo. Praticamente todas se haviam rendido aos aliados no término da guerra (1918).

Em princípios de 1918, os alemães decidiram chegar a Paris. Lançaram uma ofensiva, mas, apesar do avanço conseguido, na segunda batalha do Marne o avanço foi detido pelas tropas francesas e americanas. Os britânicos ganharam terreno ao norte da França e ao longo da costa belga, e as tropas francesas e americanas chegaram ao Sudão em 10 de novembro. A linha Hindenburgo já estava completamente destroçada. Em conseqüência da derrota do exército alemão, a frota alemã amotinou-se, o rei da Baviera foi destronado e o imperador Guilherme II abdicou em novembro, fugindo para os Países Baixos. No dia 9 deste mesmo mês foi proclamada, na Alemanha, a República de Weimar, cujo governo enviou uma comissão para negociar com os aliados. Em 11 de novembro foi assinado o armistício entre a Alemanha e os aliados, baseado em condições impostas pelos vencedores.

O Tratado de Versalhes (1919), que pôs fim à guerra, estipulava que todos os navios aprisionados passassem a ser de propriedade dos aliados. Em represália a tais condições, em 21 de junho de 1919, os alemães afundaram seus próprios navios em Scapa Flow. As potências vencedoras permitiram que deixassem de ser cumpridos certos itens estabelecidos nos tratados de paz de Versalhes, Saint-Germain-en-Laye, Trianon, Neuilly-sur-le-Seine e Sèvres, o que provocaria o ressurgimento do militarismo e de um agressivo nacionalismo na Alemanha, além de agitações sociais que se sucederiam em grande parte da Europa.

Fonte: br.geocities.com

Primeira Guerra Mundial

A causa imediata da eclosão do conflito foi o assassinato em Sarajevo, em 28 de junho de 1914, do herdeiro do trono austro-húngaro, arquiduque Francisco Ferdinando, por um militante nacionalista sérvio.

O fato motivou um ultimato do Império Austro-Húngaro à Sérvia e, em 28 de julho seguinte, a declaração de guerra àquele país.

Na verdade, as tensões e rivalidades que, desde meados do século XIX, envolviam as principais potências européias e não européias haviam crescido a tal ponto que foi rompido o equilíbrio de poder que governava a política internacional.

O resultado foi uma corrida armamentista sem precedentes e a formação de alianças diplomático-militares que, embora tivessem inicialmente caráter defensivo, bloqueram a possibilidade de uma guerra localizada.

A declaração de guerra da Áustria-Hungria à Sérvia, república independente aliada da Rússia, apenas precipitou a generalização do conflito.

Enfrentaram-se, de um lado, a aliança entre a Alemanha e o Império Austro-Húngaro, fortalecida a seguir pela adesão da Turquia e da Bulgária, e, de outro, a entente cordiale entre a França e a Inglaterra, com a posterior adesão da Rússia e de mais outros 18 países, entre eles os Estados Unidos.

Em janeiro de 1918, o presidente norte-americano Woodrow Wilson tornou públicos os seus Quatorze Pontos, que deveriam servir de base à condução das negociações de paz. Estes incluíam, entre outras questões, a resolução das disputas coloniais, o retorno da Alsácia-Lorena à França, a independência da Turquia e a criação de uma Liga das Nações. Ao longo do ano, seguiram-se as declarações de armistício da Bulgária, da Turquia, da Áustria-Hungria e da Alemanha.

Em março de 1918, já sob o governo revolucionário bolchevique, a Rússia firmou uma paz em separado com a Alemanha e o Império Austro-Húngaro pelo Tratado de Brest-Litovsky. As negociações de paz com as potências aliadas foram posteriormente detalhadas durante a Conferência de Paz de Paris.

Fonte: www.cpdoc.fgv.br

Primeira Guerra Mundial

A Primeira Guerra Mundial foi um conflito internacional que durou de Julho de 1914 a Novembro de 1918 no qual se envolveram países de todos os continentes.

De um lado, os países da Entente, os Aliados. Do outro, os impérios centrais. A Primeira Guerra Mundial, um conflito de proporções nunca antes vistas, apesar de toda a tragédia humana, representou também um grande avanço tecnológico e teve uma intensa atividade de inteligência - a criptologia teve um papel decisivo nas tomadas de decisão e mudou o rumo da História... mas isto é uma outra história (procure a Criptografia Numaboa).

Entre os complexos fatores que contribuíram para atear a primeira grande conflagração mundial figura o nacionalismo, o imperialismo econômico, a política de alianças secretas e a corrida armamentista.

O nacionalismo

O nacionalismo, que se manifestava sob diferentes formas nos diversos povos, provocou choques de aspirações e ambições. Foi desta forma que a estabilidade do Império Austro-Húngaro foi ameaçada pelo desejo de independência das suas minorias eslavas estimuladas pelo pan-eslavismo do Império Russo.

Este, por sua vez, alimentou a ambição de tirar da Turquia o domínio dos estreitos que ligam o Mar Negro ao Mediterrâneo, o que vinha de encontro a uma das diretrizes do movimento pan-germanista: a expansão para o Leste. A Alemanha, recém-unificada e em fase de extraordinário desenvolvimento econômico, ambicionava a ampliação do seu império colonial, bem como uma posição de hegemonia na Europa, alarmando justificadamente as outras potências. Na França, o nacionalismo era marcado pelo desejo de "revanche" pela derrota de 1871 e da recuperação da Alsácia-Lorena, desejo este exacerbado pela rudeza da intervenção diplomática alemã nas crises internacionais.

O imperialismo econômico

O imperialismo econômico, marcado pelas lutas pela conquista de mercados, de fontes de matéria-prima e de campos de inversão de capitais, ocasionou múltiplos atritos entre as nações, especialmente depois que a Alemanha e a Itália, tendo conquistado a unidade nacional, entraram na competição. A expansão colonial, econômica e naval alemã provocou uma rivalidade com a Inglaterra que temia pela sua supremacia marítima.

Alianças secretas

A política de alianças secretas já havia dividido as maiores potências européias em dois grupos hostis. Em 1882, Bismarck havia formado a Tríplice Aliança entre a Alemanha, o império Austro-Húngaro e a Itália. A França respondeu com a Aliança Franco-Russa de 1893 e a Entente Cordiale franco-inglesa de 1904. Estas foram complementadas pelos entendimentos anglo-russos em 1907, formando-se assim a Tríplice Entente.

A necessidade de fortalecer essas alianças induzia cada um dos seus membros a apoiar os outros, mesmo nas questões em que não estivessem diretamente interessados.

Corrida armamentista

A desconfiança mútua dos grupos aliados, insuflada pelos fabricantes de munições e outros "mercadores de guerras", resultou na corrida armamentista, outra fonte de temor e ódio entre as nações. Por outro lado, a formação de grandes exércitos acabou criando a poderosa classe dos chefes militares, cuja influência nas crises internacionais era sempre a de ordenar mobilizações gerais como medida de precaução. Isto tornava ainda mais difícil chegar às soluções pacíficas das pendências.

Os países em conflito

Apesar dos esforços de outras potências, especialmente da Grã-Bretanha, em 28 de Julho a Áustria declarou guerra à Sérvia. No dia seguinte a Rússia, que se considerava protetora dos eslavos balcânicos, iniciou a mobilização de suas forças. Em 31 de Julho a Alemanha proclamou estado de guerra e enviou um ultimato à Rússia.

Numa rápida sucessão de eventos, em 01 de Agosto houve a declaração de guerra alemã à Rússia e a mobilização geral da Alemanha e da França; em 02 de Agosto a Alemanha ocupou Luxemburgo e fez um pedido de passagem de tropas alemãs pela Bélgica; em 03 de Agosto a Alemanha declarou guerra à França e invadiu a Bélgica; em 04 de Agosto a Alemanha declarou guerra à Bélgica e a Inglaterra enviou um ultimato à Alemanha, em protesto contra a violação da neutralidade belga, declarando guerra à Alemanha; em 06 de Agosto a Áustria declarou guerra à Rússia; em 08 de Agosto Montenegro declarou guerra à Áustria; em 09 de Agosto a Sérvia declarou guerra à Alemanha e em 10 de Agosto a França declarou guerra à Áustria. Delineados os primeiros envolvidos, em 12 de Agosto a Grã-Bretanha declarou guerra à Áustria; em 23 de Agosto o Japão declarou guerra à Alemanha, em 25 de Agosto a Áustria declarou guerra ao Japão e, em 28 de Agosto, à Bélgica.

Em Outubro do mesmo ano, a Turquia uniu-se às potências centrais. Em 1915, a Itália entrou na guerra contra a Áustria em Maio e contra a Turquia em Agosto.

Em Outubro, a Bulgária se colocou ao lado dos impérios centro-europeus.

Em 1916 mais países entraram na arena. Entraram na guerra contra as potências centrais, Portugal em Março e Romênia em Agosto. Também em Agosto de 1916, a Itália declarou guerra à Alemanha.

Longe das coisas se acalmarem, 1917 foi um ano de novas adesões, todas contra as potências centrais: em Abril, EUA, Cuba e Panamá; em Julho, Grécia e Sião; em Agosto, Libéria e China e, em Outubro, o Brasil.

No que seria o último ano desta guerra, entraram contra as potências centrais: em Abril, a Guatemala; em Maio, a Nicarágua e a Costa Rica; em Julho, o Haiti e Honduras.

Depois que a Alemanha impôs a derrota à França na Guerra Franco-Prussiana de 1870-71, a maioria das nações européias começou a se ocupar com planos para uma próxima guerra, fato tido como inevitável devido às ambições beligerantes dos principais líderes. No caso da França, os planos incluíam a reconquista da Alsácia e da Lorena, ambas perdidas para os alemães na Guerra Franco-Prussiana.

Em geral dá-se grande importância ao Plano Schlieffen da Alemanha e, em menor extensão, ao Plano XVII da França. Porém, é preciso não esquecer o Plano B do Império Austro-Húngaro e o Plano 19 da Rússia.

O Plano XVII da França

O objetivo principal do Plano XVII, elaborado por Ferdinand Foch no rastro da humilhação da Guerra Franco-Prussiana e aperfeiçoado pelo Comandante em Chefe francês Joseph Joffre em 1913, era recapturar o território da Alsácia-Lorena.

Primeira Guerra Mundial
Comandante Ferdinand Foch
(1851-1929)

De natureza inteiramente ofensiva, o Plano XVII baseava-se principalmente na crença mística do "elan vital" - um espírito de luta cujo poder seria capaz de vencer qualquer inimigo - que se imaginava instilar em cada combatente francês. Acreditava-se que todo soldado francês seria superior a qualquer soldado alemão. Esta presunção foi levada tão a sério que muitos oficiais franceses foram demitidos do exército durante o início da guerra devido à falta de espírito de luta, inclusive o general Lanzerac, depois da derrota do exército francês em Charleroi.

Tecnicamente falando, o Plano XVII previa o avanço de quatro exércitos franceses na Alsácia-Lorena pelos dois lados da fortaleza de Metz-Thionville, ocupada pelos alemães desde 1871. A asa sul das forças de invasão capturariam primeiramente a Alsácia e a Lorena (nesta ordem), enquanto que a asa norte - dependendo dos movimentos dos alemães - avançaria para a Alemanha através das florestas de Ardennes, no sul, ou então se moveria a noroeste, na direção de Luxemburgo e da Bélgica.

Os arquitetos do Plano XVII, incluindo Joseph Joffre, não deram muita importância a uma possível invasão da França com os alemães atravessando a Bélgica um pouco antes da declaração de guerra. Também não modificaram o plano para incluir o deslocamento de tropas nesta eventualidade, falha que se tornou mais aparente em Agosto de 1914.

Antes de estourar a guerra, Joffre e seus conselheiros estavam convencidos de que a ameaça de um envolvimento britânico impediria a invasão da Alemanha através da Bélgica (com a qual os britânicos mantinham um tratado que garantia sua neutralidade).

Primeira Guerra Mundial
Joseph Jacques Cesaire Joffre
O Papa Joffre (1852-1931)

Apesar dos franceses terem estimado corretamente a força do exército alemão no início da guerra, eles praticamente desconsideraram o uso extensivo das tropas de reserva alemãs e pouco confiavam nas próprias tropas. Este sério erro de cálculo, associado ao Plano Schlieffen subestimado, fez com que a França fosse praticamente anulada no primeiro mês da guerra.

Nas primeiras semanas da guerra, o ataque francês na Alsácia e Lorena foi um desastre, repelido facilmente pela defesa alemã. Com o avanço inevitável do Plano Schlieffen, os franceses foram forçados a ficar na defensiva.

O Plano Schlieffen da Alemanha

O Plano Schlieffen da Alemanha, que recebeu o nome do seu idealizador, conde Alfred von Schlieffen, tinha uma natureza tanto ofensiva quanto defensiva.

Primeira Guerra Mundial
Conde Alfred von Schlieffen
(1833-1913)

Schlieffen e os homens que posteriormente melhoraram e modificaram sua estratégia, incluindo Helmuth von Moltke, Chefe do Estado-Maior da Alemanha em 1914, considerou inicialmente uma guerra em duas frentes de batalha: contra a França no oeste e contra a Rússia no leste. A natureza do sistema de alianças garantia que a Rússia fosse aliada da França (e, mais tarde, da Grã-Bretanha), contrapondo-se à aliança da Alemanha com o Império Austro-Húngaro e a Itália.

Não menosprezando o enorme exército russo, com seu interminável suprimento de homens, Schlieffen partiu do pressuposto - absolutamente correto, como provado posteriormente - que os russos levariam seis semanas ou mais para mobilizar efetivamente suas forças, pobremente conduzidas e equipadas como eram.

Primeira Guerra Mundial
Helmuth von Moltke
(1848-1916)
Pôs o Plano Schlieffen em ação

Apoiado nesta hipótese, Schlieffen elaborou uma estratégia para tirar a França da guerra nestas seis semanas. Para atingir este objetivo, ele deslocaria a maior parte das forças germânicas para o oeste num ataque avassalador tendo Paris como objetivo e, na Prússia Oriental, deixaria apenas forças suficientes para conter os russos depois do processo de mobilização. Depois de neutralizar a França, os exércitos do oeste seriam deslocados para o leste afim de enfrentar a ameaça russa.

Para atacar a França, von Schlieffen determinou a invasão através da Bélgica. Devido a razões táticas, como também políticas, uma invasão através da Holanda foi descartada (a Alemanha desejava manter a neutralidade holandesa o máximo possível). Além disso, a Suiça, ao sul, era geograficamente à prova de invasão. A passagem pelas planícies de Flandres seria a rota mais rápida para a França e para a vitória.

Trabalhando com um prazo muito curto, cinco exércitos alemães avançariam através da Bélgica e da França num grande movimento circular, voltando-se através das planícies de Flandres para o nordeste da França. As forças alemãs se moveriam da Alsácia-Lorena a oeste através da França, em direção a Paris.

Flanqueando os exércitos franceses, von Schlieffen tinha como objetivo atacar pela retaguarda, onde os franceses seriam provavelmente mais vulneráveis. Uma pequena força alemã guardaria a divisa franco-germânica, incitando os franceses a avançar, depois do que poderiam ser atacados na retaguarda pelo grosso do exército alemão, garantindo o cerco e a destruição.

Além disso, o Plano Schlieffen previa que o grosso da resistência francesa estivesse na própria França, e não na Alemanha. Mesmo ao recuar - o que não fazia absolutamente parte do plano - os alemães poderiam (e o fizeram) entrincheirar-se bem dentro do território francês.

Enquanto os franceses, com o objetivo de expulsar os invasores do seu país, construíram trincheiras leves, imaginando que não seriam usadas por muito tempo, os alemães cavavam trincheiras profundas e sofisticadas, visando ficar onde estavam e preparando um avanço posterior.

O ponto fraco do Plano Schlieffen não se deveu à rigidez do prazo - mesmo porque o exército germânico esteve muito perto de capturar Paris no tempo previsto - mas por ter subestimado as dificuldades de suprimento e de comunicação com forças muito distantes do comando e das linhas de suprimento.

Em última análise, foram estes problemas, particularmente o da comunicação da estratégia a partir de Berlim, que arruinaram o Plano Schlieffen. As forças aliadas, usando ferrovias, conseguiam transportar tropas para a linha de frente mais rápido do que os alemães conseguiam novos suprimentos e tropas de reserva.

Mais crítico foi o isolamento de Moltke da linha de frente próxima a Paris. Isto levou a uma série de decisões inadequadas e ao enfraquecimento crucial das suas forças ao norte. Um contra-ataque francês, articulado a tempo e explorando uma lacuna nas linhas germânicas - a Primeira Batalha do Marne - desencadeou a assim chamada "corrida para o mar" e o início da guerra das trincheiras. Terminava assim a guerra dos movimentos rápidos.

Os Planos B e R do Império Austro-Húngaro

Os planos austro-húngaros são muito menos discutidos do que os da França e da Alemanha por uma boa razão. É que, ao arquitetar inicialmente o Plano B, e depois o Plano R, a Austro-Hungria imaginou que a guerra que se aproximava ficaria limitada à Sérvia.

O Plano B, para os Balcãs, detalhava a necessidade de seis exércitos austro-húngaros: três para invadir a Sérvia e outros três para guardar a fronteira com a Rússia e evitar um ataque vindo deste lado.

O Plano R, para a Rússia, revisava essencialmente o Plano B. Previa um volume maior de tropas para evitar a ajuda dos russos aos sérvios ao sul, enquanto esperava a atividade da Alemanha ao norte. Isto fez com que fossem deslocados quatro exércitos para a fronteira russa e dois contra a Sérvia. Apesar do plano ter sido escolhido em Agosto de 1914, esta estratégia nunca chegou a ser usada porque, ao aplicar o Plano Schlieffen, a Alemanha colocou a maior parte das suas forças a oeste antes de desviar sua atenção para o leste.

Os Planos G, A e 19 da Rússia

A Rússia elaborou dois planos totalmente diferentes. O Plano G assumia que a Alemanha iria começar a guerra com um ataque maciço contra a Rússia - exatamente o contrário do que havia transpirado. Estranhamente, o Plano G contentava-se em permitir que os alemães ultrapassassem as fronteiras russas, com a consequente perda de território e de homens em larga escala, dependendo da mobilização do exército russo se completar.

Primeira Guerra Mundial
Tzar Nicolau II

Em resumo, os militares russos imaginavam que o país poderia absorver uma série de derrotas no início da guerra, tal era a reserva de homens disponível. Uma vez efetivamente mobilizados, acreditavam que o exército russo expulsaria os alemães do seu território. Napoleão havia falhado em conquistar a vastidão da Rússia e acreditava-se que a Alemanha falharia da mesma maneira.

O Plano 19, também conhecido como Plano A, era menos drástico no sacrifício inicial de seus homens. Os franceses pressionaram os militares russos para que elaborassem uma estratégia de guerra mais ofensiva.

O Plano 19, elaborado pelo general Danilov em 1910 e substancialmente modificado em 1912, assumia corretamente que a Alemanha iniciaria a guerra com um ataque contra a França, e não contra a Rússia.

Sendo este o caso, dois exércitos russos avançariam até a Prússia Oriental e a Silésia, em direção ao centro da Alemanha. Ao mesmo tempo, a Rússia usaria uma defesa de praças fortes contra as forças invasoras.

Neste evento, o avanço dos russos na Prússia Oriental foi rechaçado quase que imediatamente no início da guerra, com o exército russo sofrendo uma derrota particularmente esmagadora em Tannenberg, seguida por reveses menores na Primeira e na Segunda Batalha dos Lagos Masúricos.

A Grã-Bretanha

Os britânicos não elaboraram uma estratégia de guerra geral no mesmo sentido que a França, a Alemanha, a Austro-Hungria e a Rússia. Contrariamente a essas potências, a Grã-Bretanha não mostrava grande desejo na deflagração e não tinha planos de expansão, apesar de se preocupar em proteger seus interesses, particularmente os elos comerciais com os pontos distantes do seu império.

Entretanto, quando a guerra estourou, a Grã-Bretanha, governada pela administração de Asquith, depois de um estremecimento inicial confuso, estava determinada a ajudar a 'brava pequena Bélgica' (como a Bélgica era representada na propaganda da campanha britânica de recrutamento) e a França.

Na ausência de um exército recrutado, a Força Expedicionária Britânica (ou BEF) foi transportada para o continente e, por ferrovia, até a Bélgica e o flanco esquerdo francês. Foi estimado que levaria três semanas completas, 21 dias, para se mobilizar a BEF. A Alemanha e a França precisaram apenas de 15 dias.

Primeira Guerra Mundial
Herbert Henry Asquith
(1852-1928)

A Bélgica

A Bélgica, devido à sua neutralidade, não podia planejar abertamente. Ao invés disto, com a declaração da guerra (ou, no caso da Alemanha, com a invasão), todas as forças armadas da Bélgica, com cerca de 117.000 homens, foram concentradas a oeste do rio Meuse para a defesa (que não teve sucesso) de Antuérpia.

Adicionalmente, cerca de 67.000 homens foram responsáveis pela defesa dos fortes de Liege, Namur e Antuérpia.

A Sérvia

O plano sérvio para a guerra era simples: após a declaração de guerra, o exército seria dobrado, de cinco para dez divisões, e colocado em prontidão para atacar a Austro-Hungria assim que as intenções táticas da mesma ficassem evidentes.

A neutralidade dos EUA

Os Estados Unidos da América do Norte estavam determinados a adotar uma postura de rígida neutralidade no início da guerra e o presidente Wilson anunciou esta postura, que refletia a opinião pública, em 19 de Agosto de 1914. Consequentemente, os EUA não tinham planos para a guerra e não atuaram no início do conflito.

Apesar da neutralidade oficial, uma queda muito grande da exportação para os aliados levou a um franco interesse na vitória dos aliados, pelo menos nos estados do leste. A exportação para a Alemanha e seus aliados diminuiu rapidamente, paralelamente a um aumento significante de embarques para a Inglaterra e a França.

A opinião popular em favor dos aliados começou a se formar quando se espalharam as notícias das táticas agressivas da Alemanha, onde se dizia que incluíam uma campanha de terror contra a 'pequena Bélgica'.

De forma semelhante, a política alemã da guerra submarina irrestrita causou muito mal-estar nos EUA. A submersão do Lusitania em Maio de 1915 e do Sussex em Abril de 1916 quase levaram os EUA para a guerra. Foi a persistente política submarina da Alemanha que, em última análise, levou Wilson a levar a declaração de guerra para o congresso em 2 de Abril de 1917. Outros fatores, como a suspeita do envolvimento dos alemães com o México (através do Telegrama de Zimmermann), solidificaram o antagonismo da população contra a Alemanha.

Fontes de Referência

Dicionário Enciclopédico Brasileiro ilustrado - Editora Globo - 6a. Ed. 1958

Fonte: www.numaboa.com

Primeira Guerra Mundial

A Primeira Guerra Mundial decorreu, antes de tudo, das tensões advindas das disputas por áreas coloniais.

Dos vários fatores que desencadearam o conflito destacaram-se o revanchismo francês, a questão da Alsácia-Lorena e a questão Balcânica. A Alemanha, após a unificação política, passou a reivindicar áreas coloniais e a contestar a hegemonia internacional inglesa, favorecendo a formação de blocos antagônicos.

Constituíram-se, assim, a Tríplice Aliança (Alemanha, Áustria-Hungria e Itália) e a Tríplice Entente (Inglaterra, Rússia e França).

Os blocos rivalizavam-se política e militarmente, até que em 1914, surgiu o motivo da eclosão da Guerra: o assassinato do herdeiro do trono Áustro-Húngaro (Francisco Ferdinando), em Sarajevo (Bósnia). À declaração de guerra da Áustria à Sérvia seguiram-se outras, formando-se as Tríplices Aliança e Entente.

O conflito iniciou-se como uma guerra de movimento para depois transformar-se em uma guerra de trincheiras. A primeira parte da Guerra foi marcada pelo equilibrio, principalmente na frente ocidental. Na frente oriental, os russos sofreram várias derrotas, sendo inclusive forçados a entregar territórios. Os russos mantiveram-se na Guerra até a ascensão dos Bolcheviques ao poder, retirando em 1917. Nesse mesmo ano, os EUA entraram na guerra ao lado da Tríplice Entente.

Os reforços dos EUA foram suficientes para acelerar o esgotamento do bloco Alemão, sendo que, em 20 de outubro de 1918, a Alemanha assinou sua rendição. No ano seguinte foi assinado o Tratado de Versalhes, que estabeleceu sanções aos alemães e a criação de um organismo que deveria zelar pela paz mundial.

Esse tratado, conforme os 14 pontos propostos pelo presidente Wodroow Wilson (EUA), determinou punições humilhantes aos alemães, semeando o revanchismo que desencadearia, depois, a Segunda Guerra Mundial.

A Primeira Guerra provocou uma alteração profunda na ordem mundial: os EUA surgiram como principal potência econômica mundial, houve o surgimento de novas nações - devido ao desmembramento do Império Áustro-Húngaro e Turco - e surgiu um regime de inspiração marxista na Rússia.

As três fases da Guerra

A Primeira Guerra Mundial pode ser resumida em 3 diferentes fases, assim distribuídas:

Primeira Fase

Marcada pela imensa movimentação dos exércitos beligerantes. Ocorreu uma rápida ofensiva das forças alemãs, e várias batalhas foram travadas, principalmente em território francês, para deter esse avan ço.

Em setembro de 1914, uma contra-ofensiva francesa deteve o avanço alemão sobre Paris (Batalha do Marne). A partir desse momento, a luta na frente ocidental entrou num período de equilíbrio entre as forças em combate.

Segunda Fase

A imensa movimentação de tropas da primeira fase foi substituída por uma guerra de posições, travada nas trincheiras. Cada um dos lados procurava garantir seus domínios, evitando a penetração das forças inimigas. Os combates terrestres tornaram-se extremamente mortíferos, com a utilização de novas armas: metralhadoras, lança-chamas e projéteis explosivos. Mas a grande novidade em termos de recursos militares foi a utilização do avião e do submarino.

Terceira Fase

Declaração de guerra dos Estados Unidos à Alemanha e ao Império Austro-Húngaro, em 6 de abril de 1917. Com a ajuda material dos Estados Unidos, ingleses e franceses passaram a deter um superioridade numérica brutal em armas e equipamentos sobre as forças inimigas. A ajuda americana seria fundamental para o êxito da Tríplice Entente.

Fonte: www.unificado.com.br

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