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Problemas Ambientais

 

TEMOS CONSCIÊNCIA DA INFLUÊNCIA DOS MESMOS EM NOSSA VIDA?

1. INTRODUÇÃO

Por cerca de 4 bilhões de anos o balanço ecológico do planeta esteve protegido. Com o surgimento do homem, meros 100 mil anos, o processo degradativo do meio ambiente tem sido proporcional à sua evolução.

No Brasil, o início da influência do homem sobre o meio ambiente pode ser notada a partir da chegada dos portugueses. Antes da ocupação do território brasileiro, os indígenas que aqui habitavam (estimados em 8 milhões) sobreviviam basicamente da exploração de recursos naturais, por isso, utilizavam-nos de forma sustentável (WALLAVER, 2000).

Após a exterminação de grande parte dos índios pelos portugueses, o número de habitantes do Brasil se reduziu a três milhões no início do século XIX. Foi nesse período que começaram as intensas devastações do nosso território.

À época, o homem se baseava em crenças religiosas que pregavam que os recursos naturais eram infindáveis, então, o término de uma exploração se dava com a extenuação dos recursos do local. Infelizmente, essa cultura tem passado de geração em geração e até os dias de hoje ainda predomina (WALLAVER, 2000).

Com a descoberta do petróleo em 1857 nos EUA, o homem saltou para uma nova era: o mundo industrializado, que trouxe como uma das principais conseqüências a poluição.

Ou seja, além de destruirmos as reservas naturais sobrecarregamos o meio ambiente com poluentes. Os acontecimentos decorrentes da industrialização dividiram o povo em duas classes econômicas: os que espoliavam e os que eram espoliados. A primeira classe acumulava economias e conhecimento, enquanto a segunda vivia no estado mais precário possível. A segunda classe pela falta de recursos, utilizava desordenadamente as reservas naturais, causando a degradação de áreas agricultáveis e de recursos hídricos e, com isso, aumentando a pobreza (PORTUGAL, 2002).

O modelo econômico atual está baseado na concentração–exclusão de renda. Ambos os modelos econômicos afetam o meio ambiente. A pobreza pelo fato de só sobreviver pelo uso predatório dos recursos naturais e os ricos pelos padrões de consumo insustentáveis (NEIVA, 2001).

As causas das agressões ao meio ambiente são de ordem política, econômica e cultural. A sociedade ainda não absorveu a importância do meio ambiente para sua sobrevivência. O homem branco sempre considerou os índios como povos “não civilizados”, porém esses “povos não civilizados” sabiam muito bem a importância da natureza para sua vida. O homem “civilizado” tem usado os recursos naturais inescrupulosamente priorizando o lucro em detrimento das questões ambientais. Todavia, essa ganância tem um custo alto, já visível nos problemas causados pela poluição do ar e da água e no número de doenças derivadas desses fatores.

A preocupação com o meio ambiente caminha a passos lentos no Brasil, ao contrário dos países desenvolvidos, principalmente em função de prioridades ainda maiores como, p. ex., a pobreza. As carências em tantas áreas impedem que sejam empregadas tecnologias/ investimentos na área ambiental. Dessa forma, estamos sempre atrasados com relação aos países desenvolvidos e, com isso, continuamos poluindo.

A única forma para evitar problemas futuros, de ainda maiores degradações do meio ambiente, é através de legislações rígidas e da consciência ecológica.

2. PROBLEMAS AMBIENTAIS ATUAIS

Embora estejam acontecendo vários empreendimentos por parte de empresas, novas leis tenham sido sancionadas, acordos internacionais estejam em vigor, a realidade apontada pelas pesquisas mostra que os problemas ambientais ainda são enormes e estão longe de serem solucionados.

É preciso lembrar que o meio ambiente não se refere apenas as áreas de preservação e lugares paradisíacos, mas sim a tudo que nos cerca: água, ar, solo, flora, fauna, homem, etc. Cada um desses itens está sofrendo algum tipo de degradação. Em seguida serão apresentados alguns dados dessa catástrofe.

FAUNA

A fauna brasileira é uma das mais ricas do mundo com 10% das espécies de répteis (400 espécies) e mamíferos (600 espécies), 17% das espécies de aves (1.580 espécies) a maior diversidade de primatas do planeta e anfíbios (330 espécies); além de 100.000 espécies de invertebrados (WALLAVER, 2000).

Algumas espécies da fauna brasileira se encontram extintas e muitas outras correm o risco.

De acordo com o IBGE há pelo menos 330 espécies e subespécies ameaçadas de extinção, sendo 34 espécies de insetos, 22 de répteis, 148 de aves e 84 de mamíferos. As principais causas da extinção das espécies faunísticas são a destruição de habitats, a caça/pesca predatórias, a introdução de espécies estranhas a um determinado ambiente e a poluição (WALLAVER, 2000). O tráfico de animais silvestres movimenta cerca de 10 bilhões de dólares/ano, sendo que 10% corresponde ao mercado brasileiro, com perda de 38 milhões de espécimes (O GLOBO, 03/07/02).

A poluição, assim como a caça predatória, altera a cadeia alimentar e dessa forma pode haver o desaparecimento de uma espécie e superpopulação de outra. P. ex., o gafanhoto serve de alimento para sapos, que serve de alimento para cobras que serve de alimento para gaviões que quando morrem servem de alimento para os seres decompositores.

Se houvesse uma diminuição da população de gaviões devido à caça predatória, aumentaria a população de cobras, uma vez que esses são seus maiores predadores. Muitas cobras precisariam de mais alimentos e, conseqüentemente, o número de sapos diminuiria e aumentaria a população de gafanhotos. Esses gafanhotos precisariam de muito alimento e com isso poderiam atacar outras plantações, causando perdas para o homem (IBAMA, 2001). É importante lembrar que o desaparecimento de determinadas espécies de animais interrompe os ciclos vitais de muitas plantas (O GLOBO, 03/07/02).

FLORA

Desde o princípio de sua história o homem tem exercido intensa atividade sobre a natureza extraindo suas riquezas florestais, pampas e, em menor intensidade, as montanhas. As florestas têm sido as mais atingidas, devido ao aumento demográfico elas vêm sendo derrubadas para acomodar as populações, ou para estabelecer campos agricultáveis (pastagens artificiais, culturas anuais e outras plantações de valor econômico) para alimentar as mesmas.

Essa ocupação tem sido realizada sem um planejamento ambiental adequado causando alterações significativas nos ecossistemas do planeta. As queimadas, geralmente praticadas pelo homem, são atualmente um dos principais fatores que contribuem para a redução da floresta em todo o mundo, além de aumentar a concentração de dióxido de carbono na atmosfera, agravando o aquecimento do planeta. O fogo afeta diretamente a vegetação, o ar, o solo, a água, a vida silvestre, a saúde pública e a economia. Há uma perda efetiva de macro e micronutrientes em cada queimada que chega a ser superior a 50% para muitos nutrientes.

Além de haver um aumento de pragas no meio ambiente, aceleração do processo de erosão, ressecamento do solo entre vários outros fatores. A queimada não é de todo desaconselhada desde que seja feita sob orientação (p. ex., Técnico do IBAMA) e facilmente controlada . Apesar do uso de sistemas de monitoramento via satélite, os quais facilitam a localização de focos e seu combate, ainda é grande o número de incêndios ocorridos nas florestas brasileiras (SILVA, 1998).

150 mil Km2 de floresta tropical são derrubados por ano, sendo que no Brasil, são em torno de 20 mil km2 de floresta amazônica. Além desta, a mata Atlântica é a mais ameaçada no Brasil e a quinta no mundo, já tendo sido devastados 97% de sua área (VITOR, 2002).

RECURSOS HÍDRICOS

Já ouvimos falar muito sobre a guerra do petróleo e os países da OPEP. Como se sabe, a maior concentração de petróleo conhecida está localizada no Golfo Pérsico. Porém, o petróleo deste novo século que também causará muitas guerras é outro: a água. Mais da metade dos rios do mundo diminuíram seu fluxo e estão contaminados, ameaçando a saúde das pessoas.

Esses rios se encontram tanto em países pobres quanto ricos. Os rios ainda sobreviventes são o Amazonas e o Congo. A Bacia do Amazonas é o maior filão de água doce do planeta, correspondendo a 1/5 da água doce disponível. Não é à toa que há um interesse mundial na proteção dessa região (PORTUGAL, 1994).

Não é porque a Amazônia é o pulmão do mundo, isso já foi comprovado que todo o oxigênio produzido por essa floresta é consumido por ela mesma. Em um futuro próximo o mundo sedento virá buscar água na Bacia do Amazonas e o Brasil será a OPEP da água. Por isso, temos que ter muito cuidado para não sermos surpreendidos e dominados por nações mais poderosas.

Apenas 2% da água do planeta é doce, sendo que 90% está no subsolo e nos pólos. Cerca de 70% da água consumida mundialmente, incluindo a desviada dos rios e a bombeada do subsolo, são utilizadas para irrigação. Aproximadamente 20% vão para a indústria e 10% para as residências.

Atualmente a água já é uma ameaça a paz mundial, pois, muitos países da Ásia e do Oriente Médio disputam recursos hídricos.

Relatórios da ONU apontam que 1 bilhão de pessoas não tem acesso a água tratada e com isso 4 milhões de crianças morrem devido a doenças como o cólera e a malária (DIAS, 2000). A expectativa é de que nos próximos 25 anos 2,76 bilhões de pessoas sofrerão com a escassez de água.

A escassez de água se deve basicamente à má gestão dos recursos hídricos e não à falta de chuvas. Uma das maiores agressões para a formação de água doce é a ocupação e o uso desordenado do solo. Para agravar ainda mais a situação são previstas as adições de mais de 3 bilhões de pessoas que nascerão neste século, sendo a maioria em países que já tem escassez de água, como Índia, China, Paquistão (http://www.wiuma.org.br).

OCUPAÇÃO DO SOLO

O acesso a terra continua sendo um dos maiores desafios de nosso país. O modelo urbanístico brasileiro praticamente se divide em dois: a cidade oficial (cidade legal, registrada em órgãos municipais) e a cidade oculta (ocupação ilegal do solo).

A cidade fora da lei, sem conhecimento técnico e financiamento público, é onde ocorre o embate entre a preservação do meio ambiente e a urbanização. Toda legislação que pretende ordenar o uso e a ocupação do solo, é aplicada à cidade legal, mas não se aplica à outra parte, a qual é a que mais cresce.

De acordo com a Profa. Ermíria Maricato (FAU/USP) (apud MEIRELLES, 2000) foram construídos no Brasil 4,4 milhões de moradias entre 1995 e 1999, sendo apenas 700 mil dentro do mercado formal. Ou seja, mais de 3 milhões de moradias foram construídas em terras invadidas ou em áreas inadequadas. Há uma relação direta entre as moradias pobres e as áreas ambientalmente frágeis (beira de córregos, rios e reservatórios, encostas íngremes, mangues, várzeas e áreas de proteção ambiental, APA).

Obviamente esses dados são melhor observados nas grandes metrópoles (Rio de Janeiro, São Paulo, Fortaleza), onde mais da metade da população mora ilegalmente. Infelizmente no Brasil a má gestão do solo, bem como, a ausência de uma política habitacional tem levado a esses fatos. Os invasores passam a ser considerados inimigos da qualidade de vida e do meio ambiente, quando na verdade eles não têm alternativas e isso ocorre devido à falta de planejamento urbano.

As conseqüências dessa ocupação desorganizada já são bastante conhecidas: enchentes, assoreamento dos cursos de água devido ao desmatamento e ocupação das margens, desaparecimento de áreas verdes, desmoronamento de encostas, comprometimento dos cursos de água que viraram depósitos de lixo e canais de esgoto. Esses fatores ainda são agravados pelo ressurgimento de epidemias como dengue, febre amarela e leptospirose (MEIRELLES, 2000).

O censo de 2000, realizado pelo IBGE, aponta um crescimento de 22,5% de novas favelas em 9 anos. Há 3.905 favelas no país, sendo 1.548 em São Paulo e 811 no Rio de Janeiro.

Outro fator que está afetando o solo é o mau uso na agricultura. 24 milhões de toneladas de solo agricultável são perdidos a cada ano correspondendo, no momento, a 30% da superfície da Terra. E o pior é que a situação tende a agravar-se. Trata-se de um fenômeno mundial cujos prejuízos chegam a 26 bilhões de dólares anuais, e, com isso a sobrevivência de 1 bilhão de pessoas está ameaçada. As maiores causas da desertificação são o excesso de cultivo e de pastoreio e o desmatamento, além das práticas deficientes de irrigação (MOREIRA, 2000).

CRESCIMENTO POPULACIONAL

O tema controle da natalidade ainda é um assunto que causa muita polêmica, por isso é tão pouco abordado.

Há muitos aspectos a serem questionados, tanto do ponto de vista ideológico, quanto cultural e religioso. A classe média alta, por ter mais acesso a informação, faz uso de métodos anticoncepcionais, tendo em média dois filhos, semelhante à política adotada em países ricos. Já a maior parte da sociedade brasileira não tem acesso aos mesmos recursos e dispensam menor preocupação com as condições que darão a seus descendentes.

Essa classe sem privilégios é onde deveria ocorrer um controle maior da natalidade, minimizando os problemas sociais para o país. A partir dessa iniciativa seriam evitados abortos indesejáveis, crianças abandonadas, exploradas, prostituídas e com um futuro quase certo para a criminalidade, que é a atual realidade das grandes cidades do Brasil e dos países pobres. O crescimento populacional é uma forma de proliferação da pobreza. A pobreza e o meio ambiente estão tão interligadas que serão o tema central da Conferência Mundial sobre o Meio ambiente (RIO+10) deste ano na África do Sul.

O controle da natalidade é indispensável pois o planeta está acima de sua capacidade máxima de ocupação e há evidências de falta de alimentos e água para as próximas décadas.

Como alternativa, a limitação de 2 filhos por casal, beneficiaria as condições sócio- econômicas do país, principalmente nos grandes centros onde a maior porcentagem da população carente tem muitos filhos. Com número estável de habitantes, os planos assistenciais seriam mais facilmente desenvolvidos e o meio ambiente poderia ser mantido.

A idéia de um controle de natalidade não é nova. Thomas Malthus (1766-1834), um economista inglês, abordou o problema do crescimento populacional e da produção de alimentos em seus livros. De acordo com o pensamento maltusiano, a felicidade do ser humano está diretamente relacionada com os recursos naturais, ou seja, o esgotamento destes condenará a humanidade à infelicidade.

Malthus assegurava que o crescimento populacional traria a miséria, então, se faz necessário conter a explosão demográfica. Para ele, o ótimo da população garantiria mais recursos por habitante, atingindo o equilíbrio entre população e produção de alimentos (RODRIGUES, 2001). Segundo SACHS (apud RODRIGUES, 2001) os maltusianos “acreditavam e ainda acreditam que o mundo já está superpovoado e, portanto, condenado ao desastre, seja pela exaustão dos recursos naturais esgotáveis, seja pela excessiva sobrecarga de poluentes nos sistemas de sustentação da vida”.

O Brasil é um dos países a apresentar maior crescimento populacional. O Censo realizado em 1872 (primeiro) e o de 1991 (décimo) mostraram que a população brasileira passou de 10 milhões para 150 milhões de pessoas, ou seja, um aumento de 15 vezes em 120 anos (http:/ /www.frigoletto.com.br). Entre as décadas de 50-80 sua população teve um acréscimo de 67 milhões, ou seja, muito superior à população de vários países.

Se no planeta com 6 bilhões de habitantes, a população já se encontra no limite, imagine-se com 10 bilhões de pessoas previstas para o ano de 2050. Países como a Índia terão um acréscimo de 519 milhões de pessoas, China 211 milhões e o Paquistão de 200 milhões até o ano de 2050 (http://www.wiuma.org.br). Se não for realizado um controle da natalidade, seremos todos responsáveis pela condenação de milhões de pessoas a morrer de fome ou sede.

A morte por fome já é uma realidade em vários países da África e tem sido destaque na imprensa diariamente (O GLOBO 20/02/01; 26/06/02; 23/05/02; 13/06/02). Com base nestes dados, como se pode pensar em não fazer um controle da natalidade? LIXO Outro trágico fator ambiental é o lixo que em sua maioria ainda é lançado a céu aberto. No Brasil, cerca de 85% da população brasileira vive nas cidades. Com isso, o lixo se tornou um dos grandes problemas das metrópoles. Pela legislação vigente, cabe às prefeituras gerenciar a coleta e destinação dos resíduos sólidos.

De acordo com o IBGE, 76% do lixo é jogado a céu aberto sendo visível ao longo de estradas e também são carregados para represas de abastecimento durante o período de chuvas. Embora muito esteja se fazendo nesta área em nível mundial, ainda são poucos os materiais aproveitados no Brasil onde é estimada uma perda de cerca de 4 bilhões de dólares por ano. Mas, há indícios de melhora na área no país onde se tem como melhor exemplo as latas de alumínio, cuja produção é 63% reciclada (COZETTI, 2001). O lixo industrial apresenta índices maiores de reciclagem.

De acordo com a FIRJAN, no estado do Rio de Janeiro 36-70% das indústrias reciclam seus dejetos (BRANDÃO, 2002).

Cada brasileiro produz 1 Kg de lixo doméstico por dia, ou seja, se a pessoa viver 70 anos terá produzido em torno de 25 toneladas. Se multiplicarmos pela população brasileira, pode- se imaginar a dimensão do problema (COZETTI, 2001).

SANEAMENTO BÁSICO

Outro fator gravíssimo para aumentar a poluição ambiental é a falta de saneamento básico.

Atualmente apenas 8% do esgoto doméstico é tratado no Brasil e o restante é despejado diretamente nos cursos d’ água (MEIRELLES, 2000).

Um relatório da ONU revela que as regiões costeiras, sul e sudeste do Brasil, são as mais poluídas do mundo. 40 milhões de pessoas vivem no litoral lançando 150 mil litros de esgoto por dia ou 6 bilhões de litros de esgoto sem tratamento (VITOR, 2002).

Os poucos investimentos do governo nessa área são inexplicáveis, uma vez que, para cada dólar investido no saneamento básico, 4 dólares são economizados com a prevenção de doenças que requerem internações (CRUZ, 2000).

Segundo dados preliminares do relatório a ser apresentado na RIO+10, a falta de saneamento básico responde por 65% das internações nos hospitais do país (http:// www.ultimosegundo.ig.com.br).

CONDIÇÕES CLIMÁTICAS

Em 1990, 200 cientistas participaram do primeiro painel intergovernamental de mudança do clima, organizado pelas Nações Unidas. À época eles alertaram que o mundo precisava reduzir de 60 a 80% seus gases causadores do efeito estufa, para restabelecer o equilíbrio na Terra. A partir desses dados foi criado o Protocolo de Kioto, o qual estabeleceu que os países industrializados deveriam diminuir as emissões de dióxido de carbono em 5,2% até janeiro de 2012, sobre os níveis vigentes em 1990. O Brasil já aprovou a assinatura deste Protocolo (O GLOBO 20/06/02).

A preocupação com as mudanças climáticas é justificada, pois afetarão todo o planeta e de forma desproporcional os países pobres que serão atingidos por ciclones tropicais, chuvas torrenciais e ventos fortes, escassez de água, doenças e erosão. Esses países são mais vulneráveis devido à falta de recursos. Além disso, poderá haver a redução de colheitas e nesse caso o Brasil seria um dos países afetados entre vários outros efeitos (NORONHA, 2001). Com verões mais longos e quentes aumentará a taxa de reprodução e crescimento de insetos e, com isso, aumenta a transmissão de doenças por estes vetores (O GLOBO 21/06/ 02).

O renomado cientista Stephen Hawkings já havia alertado que a espécie humana não chegaria ao final do Terceiro Milênio justamente por causa do efeito estufa (NORONHA, 2001).

De acordo com o secretário geral da ONU, Kafi Annau, pouco se tem feito com relação ao desenvolvimento sustentável proposto na ECO-92, porque os países ricos não têm cumprido os acordos internacionais firmados à época.

É pouco provável que as medidas propostas venham a ser adotados por esses governos, uma vez que, precisariam de uma mudança total no modelo de desenvolvimento econômico e social (NEIVA, 2001). Os EUA reconheceram que há um elo entre o efeito estufa e o homem, mesmo assim, os maiores poluidores mundiais, anunciaram oficialmente que não se sente no compromisso de colaborar com a despoluição atmosférica, prevista no Protocolo de Kioto, para que suas indústrias gastem com programa de controles de emissões sujas (O GLOBO 04/06/02).

Entre os possíveis danos causados pela emissão descontrolada de compostos para a atmosfera alguns já estão comprovados. Como exemplo, os poluentes lançados por usinas geradoras de energia e indústrias dos EUA, Canadá e Europa causaram uma das principais secas da história da humanidade. A poluição gerada nesses países teria reduzido de 20 a 50% o volume de chuvas no Sahel, afetando os países mais pobres do mundo, como a Etiópia e causando a morte de 1 milhão de pessoas por fome (http://www.newscientist.com/news). Esses dados comprovam que as fronteiras geográficas do planeta não impedem que a poluição se alastre.

Um novo e mais amplo estudo sobre a Terra foi realizado por 1.000 especialistas, através do Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas. Esse relatório prevê um futuro sombrio para o planeta caso não sejam tomadas providências imediatas. De acordo com esse estudo metade dos rios já estão poluídos, 15% do solo estão degradados e 80 países sofrem com a escassez de água. Segundo o relatório, nas próximas três décadas 50% da população sofrerá com a falta de água; 11 mil espécies de animais e plantas estão ameaçados de extinção. O relatório alerta que essas drásticas mudanças, pelas quais o planeta está passando, agravarão o problema da fome e de doenças infecciosas e tornarão as tragédias climáticas mais freqüentes.

O relatório informa que muitos desses problemas poderiam ter sido amenizados se houvessem sido cumpridos os acordos estabelecidos na RIO-92, que até agora não saíram do papel. (O GLOBO 23/05/02) Não devemos pensar que essas mudanças estão muito distantes de nós. É só olharmos para trás e veremos as modificações sofridas no meio ambiente nos últimos dez anos: verões mais quentes, invernos mais curtos, pouca periodicidade nas chuvas, secas e enchentes etc.

Muitos outros efeitos serão somados a esses, nos próximos 10 anos, se não tomarmos providências.

DESPERDÍCIO

No Brasil por se ter disponibilidade de recursos, o desperdício se tornou parte de nossa cultura, isso tanto para pobres quanto ricos.

20% dos alimentos são desperdiçados (desde a colheita até a mesa da comunidade) segundo o IBGE. Essas toneladas perdidas seriam suficientes para matar a fome de toda a população carente. Além disso, jogamos fora muito material reciclável (são despejadas na natureza 125 mil toneladas de rejeitos orgânicos e materiais recicláveis por dia). A cada tonelada de papel que se recicla, 40 árvores deixam de ser cortadas. Em ambos os casos o desperdício gera poluição ambiental.

50% da água tratada é desperdiçada no país. E o pior é que essa água retorna aos mananciais após o uso, sem tratamento e, novamente, retorna a nós para consumo após vários tratamentos com custos elevadíssimos. Entre os maus hábitos estaria a lavagem de carro, calçadas, roupas, banhos demorados, louças na qual é desperdiçada mais água do que o necessário, além de vazamentos. Uma gota de água caindo o dia inteiro corresponde a 46L (CRUZ, 2001).

Com relação à energia elétrica, os brasileiros desperdiçam meia produção anual de Itaipu ou 9,5% da média total anual (CRUZ, 2001). Como exemplo de desperdícios está o uso irracional de aparelhos elétricos e luzes acessas desnecessariamente. O uso racional poderá evitar a construção de novas barragens, que causam grandes impactos ambientais, apenas pela minimização dos desperdícios.

3. OUTROS DADOS “INTERESSANTES”

Dados recentes fornecidos pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) mostraram que o mundo está consumindo 40% além da capacidade de reposição da biosfera (energia, alimentos, recursos naturais) e o déficit é aumentado 2,5% ao ano (COZETTI, 2001).

Relatórios da ONU apontam que 85% de produção e do consumo no mundo estão localizados nos países industrializados que tem apenas 19% da população (VITOR, 2002).

O relatório da PNUD também afirma que as 3 pessoas mais ricas do mundo têm lucro superior ao PIB dos 48 países mais pobres onde vivem cerca de 600 milhões de pessoas.

É estimado que sejam gastos no planeta 435 bilhões de dólares/ano em publicidade. 15 bilhões de dólares seriam suficientes para acabar com a fome do mundo, que mata 10 milhões de crianças por ano (BISSIO, 2000). Nós também somos culpados por essas mortes uma vez que atendemos aos apelos da mídia e da sociedade de consumo (compre isso, compre aquilo!!!).

Os EUA têm 5% da população mundial e consomem 40% dos recursos disponíveis. Se os 6 bilhões de pessoas usufruíssem o mesmo padrão de vida dos 270 milhões de americanos, seriam necessários 6 planetas (Edward Wilson apud MOON, 2002).

Os EUA, em 1997, emitiam 20,3 toneladas (22,7% emissões mundiais) de CO2 por habitante, a China 2,5 toneladas/habitante (13,07%), a Índia 900 Kg/habitante (3,49%) e o Brasil 1,91 toneladas/habitante (1,25%) (http://www.aquecimentoterrestre.ig.com.br). Os EUA aumentaram em 13% (e deverá chegar a 29% até o fim da década) suas emissões poluentes nos últimos 10 anos o que equivale a um aumento conjunto da Índia, China e África, países com uma população dez vezes maior (O GLOBO, 20/06/02).

4. EDUCAÇAO AMBIENTAL - ALTERNATIVA PARA UM FUTURO ECOLOGICAMENTE CORRETO

A questão ambiental ainda é pouco conhecida pela população no Brasil e atinge basicamente as classes mais privilegiadas da sociedade. Poucos sabem, mas a Educação Ambiental já é lei no país. A Lei 9.795 de 27/04/1999 institui a Política Nacional de Educação Ambiental a qual reza que todos os níveis de ensino e da comunidade em geral têm direito à educação ambiental e que os meios de comunicação devem colaborar para a disseminação dessas informações. Até o momento pouco foi implantado nessa área.

Embora ainda não muito familiarizados com a consciência ecológica, os brasileiros se mostram dispostos a colaborar. CRESPO (1998) comprovou esse fato quando realizou uma pesquisa sobre meio ambiente, na qual entrevistou 2.000 pessoas e 90 líderes de vários setores, em 1992 e 1997. A população citou como principais problemas ambientais, o desmatamento e as queimadas (45%) e a contaminação dos rios, mares e oceanos (26%).

Já os líderes em questões ambientais no país apontaram o saneamento e o lixo, seguidos de contaminação dos recursos hídricos. Eles também se mostraram dispostos a ajudar em campanhas de separação e reciclagem de lixo (72%), contra o desperdício de água (52%) e energia (41%) e no reflorestamento (27%). Mais da metade (59%) consideram a natureza sagrada e têm noção de que os danos ambientais causados pelo homem são irreversíveis e concordaram que o controle da natalidade é indispensável para o meio ambiente.

A preservação do meio ambiente depende de todos: governo, educadores, empresas, Organizações Não-Governamentais (ONGs), meios de comunicação e de cada cidadão. A educação ambiental é fundamental na resolução desses problemas, pois vai incentivar os cidadãos a conhecerem e fazerem sua parte, entre elas: evitar desperdício de água, luz e consumos desnecessários (REDUZIR, REUSAR e RECICLAR), fazer coleta seletiva, adquirir produtos de empresas preocupadas com o meio ambiente, cobrar as autoridades competentes para que apliquem a lei, tratem o lixo e o esgoto de forma correta, protejam áreas naturais, façam um planejamento da utilização do solo, incentivem a reciclagem entre outros.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O maior número de leis de proteção ambiental, os grandes investimentos em pesquisas e tecnologias limpas por empresas, a criação de ONGs e a participação mais ativa da sociedade são uma realidade mundial. Todos esses avanços ainda não são suficientes para salvar o planeta e as previsões são sombrias. O tema é complexo e envolve fatores políticos, econômicos, sociais e até mesmo culturais entre todas as nações e por isto a resolução do problema não é tão simples. No Brasil, está aumentando a consciência ecológica e há leis mais rígidas, mas ainda não há uma ação política efetiva nessa área. Evidente que essas atitudes estão mudando, embora lentamente. Nas campanhas eleitorais atuais alguns partidos incluíram em seus planos de governo questões ambientais como o Tratado de Kioto.

Apesar do país estar se destacando na área ambiental frente outros países da América Latina, ainda é no Brasil que ocorrem os maiores desastres ecológicos atribuídos a indústria (BRAGA, 2002).

Para que os danos ambientais não atinjam maiores proporções, ou seja, danos irreversíveis, serão indispensáveis neste século que todos os povos se unam. A educação ambiental será absolutamente necessária para conscientizar a sociedade e, com isso, obter a participação mais ativa da mesma. A adoção de uma política ambiental mais eficiente com leis mais rigorosas, monitoramento ambiental adequado e permanente, fiscalização, maiores investimentos em pesquisas de solução ecologicamente sustentável para os problemas ambientais e incentivos fiscais a empresas, será a única alternativa viável para conter os danos ao meio ambiente.

Para refletir: A cada criação do homem um pouco do planeta se acaba. Então devemos pensar bem no que criamos ou consumimos.

É preciso construir tanto prédio, tanto carro, consumir tanto, para que o ser humano se realize na vida?” Ladislau Dawbor (apud BISSIO, 2000).

ADRIANA GIODA

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BISSIO, B., (2000) As soluções não se situam mais dentro da economia, Revista Ecologia e Desenvolvimento, 76, 2000.
BRAGA, J., Brasil é destaque em lista de crimes ambientais atribuídos a indústria, Jornal O GLOBO, pág. 32, 06/06/2002, RJ.
BRANDÃO, T., Indústrias do Rio aderem a gestão ambiental, Jornal O GLOBO, pág. 21, 04/ 06/2002, RJ.
CADERNO Planeta Terra, Jornal O GLOBO, 03/07/2002, RJ.
CAOS no clima trará fome, Jornal O GLOBO, pág. 27, 20/02/2002, RJ.
COZETTI, N., Lixo- marca incomoda de modernidade, Revista Ecologia e Desenvolvimento, 96: 2001.
CRESPO, S., (1998) Meio ambiente, desenvolvimento e sustentabilidade: o que pensa o brasileiro? Revista Debates Sócioambientais, 9: 24-25.
CRUZ, G. D., As riquezas que jogamos fora, Revista Ecologia e Desenvolvimento, 77, 46- 51, 2001.
DIAS, C, Água, o petróleo do século 21, Revista Ecologia e Desenvolvimento, 22-28, 2000.
Disponível em <http://www.istoedigital.com.br>. Acesso em maio/2002.
Disponível em <http://www.newscientist.com/news>. Acesso em junho/2002.
Disponível em <http://www.ultimosegundo.ig.com.br>. Acesso em junho/2002.
Disponível em <http://www.wiuma.org.br>. Acesso em junho/2002.
DUTRA, B. I. C., Educação e crescimento populacional. Disponível em <http:// www.library.com.br>. Acesso em junho/2002.
EUA reconhecem o elo entre efeito estufa e o homem, Jornal O GLOBO, pág. 35, 04/06/ 2002, RJ.
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FOME provoca a pior crise em dez anos na áfrica, Jornal O GLOBO, pág. 34, 26/06/2002, RJ.
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Fonte: ciencialivre.pro.br

Problemas Ambientais

BREVE HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Não trabalharemos neste texto a forma tradicional de uma resenha histórica. Nossa intenção é desenvolver uma síntese onde o eixo seja o paralelo entre as condições gerais da origem dos problemas ambientais no mundo, sua relações com o desenvolvimento econômico/social e com os avanços do conhecimento científico, em resposta às diversas necessidades da humanidade em seu processo de construção e transformação do natural, social, cultural e ético.

Ao mesmo tempo, não pretendemos assinalar como a Educação Ambiental surge e se transforma, ao longo dessas últimas décadas, como proposta de educação para ajudar na resolução dos novos desafios colocados pelo próprio desenvolvimento das forças produtivas neste final de século.

OS ANOS 1970 Quando e como aparecem os primeiros problemas ambientais?

Todos nós temos conhecimento de que as questões ambientais começaram a se apresentar pelos idos dos anos 1970, quando eclode no mundo um conjunto de manifestações, incluindo a liberação feminina, a revolução estudantil de maio de 1968 na França e o endurecimento das condições políticas na América Latina, com a instituição de governos autoritários, em resposta às exigências de organização democrática dos povos em busca de seus direitos à liberdade, ao trabalho, à educação, à saúde, ao lazer e à definição participativa de seus destinos.

Naquela época em que dançávamos o rock and roll e nos emocionava a canção de Geraldo Vandré, “Para não dizer que não falei de flores”, o que acontecia no mundo? Fortalecia-se o processo de implementação de modelos de desenvolvimento fortemente neoliberais, regidos pela norma do maior lucro possível no menor espaço de tempo. Com o pretexto da industrialização acelerada, apropriava-se cada vez mais violentamente dos recursos naturais e humanos.

O processo de consolidação do capitalismo internacional, paralelo ao paradigma positivista da ciência, já não conseguia dar reposta aos novos problemas, caracterizados pela complexidade e interdisciplinaridade, no contexto de uma racionalidade meramente instrumental e de uma ética antropocêntrica.

No âmbito educativo, processavam-se críticas à educação tradicional e às teorias tecnicistas que visavam à formação de indivíduos eficientes e eficazes para o mundo do trabalho, surgindo movimentos de renovação em educação.

Os antecedentes da crise ambiental da década de 1970 manifestarem-se ainda nas décadas de 1950 e 1960, diante de episódios como a contaminação do ar em Londres e Nova York, entre 1952 e 1960, os casos fatais de intoxicação com mercúrio em Minamata e Niigata, entre 1953 e 1965, a diminuição da vida aquática em alguns dos Grandes Lagos norte-americanos, a morte de aves provocada pelos efeitos secundários imprevistos do DDT e outros pesticidas e a contaminação do mar em grande escala, causada pelo naufrágio do petroleiro Torrei Canyon, em 1966.

Esses acontecimentos, entre outros, receberam ampla publicidade, fazendo com que países desenvolvidos temessem que a contaminação já estivesse pondo em perigo o futuro do homem.

Ainda não se falava de Educação Ambiental, mas os problemas ambientais já demonstravam a irracionalidade do modelo de desenvolvimento capitalista.

Ao mesmo tempo, na área do conhecimento científico, deram-se algumas descobertas que ajudaram a perceber a emergente globalidade dos problemas ambientais. A construção de uma ciência internacional também começava a consolidar-se nas décadas de 1960 e 1970, sendo que grande parte dos conhecimentos atuais dos sistemas ambientais do mundo foi gerada nesse período.

Com o notável avanço da ecologia e de outras ciências correlatas, grande parte do conhecimento existente sobre o meio ambiente, que era suficiente para satisfazer às necessidades do passado, passou a ser insuficiente para embasar a tomada de decisões na organização ambiental da época.

Com a ampliação do “movimento ambientalista”, na Segunda metade do século XX, passaram a ser elaborados quase todos os aspectos do meio natural associados ao interesse pela situação do ser humano, tanto no plano da comunidade como no das necessidades individuais de vida e subsistência, destacando-se a relação entre os ambientes artificiais e os naturais.

O movimento conservacionista anterior, de proteção à natureza, interessava-se em proteger determinados recursos naturais contra a exploração abusiva e destruidora, alegando razões gerais de prudência ética ou estética. O novo movimento ambiental, sem descartar essas motivações, superou-as, estendendo seu interesse a uma variedade maior de fenômenos ambientais. Alegava que a violação dos princípios ecológicos teria alcançado um ponto tal que, no melhor dos casos, ameaçava a qualidade da vida e, no pior, colocava em jogo a possibilidade de sobrevivência, em longo prazo, da própria humanidade.

A fim de buscar respostas a muitas dessas questões, realiza-se, em 1972, a Conferência de Estocolmo. Desde então, a Educação Ambiental passa a ser considerada como campo da ação pedagógica, adquirindo relevância e vigência internacionais.

As discussões em relação à natureza da Educação Ambiental passaram a ser desencadeadas e os acordos foram reunidos nos Princípios de Educação Ambiental, estabelecidos no seminário realizado em Tammi (Comissão Nacional Finlandesa para a UNESCO, 1974). Esse seminário considerou que a Educação Ambiental permite alcançar os objetivos de proteção ambiental e que não se trata de um ramo da ciência ou uma matéria de estudos separada, mas de uma educação integral permanente.

Em 1975, a UNESCO, em colaboração com o Programa das Nações Unidas para o Meio ambiente (PNUMA), em resposta à recomendação 96 da Conferência de Estocolmo, cria o Programa Internacional de Educação Ambiental (PIEA), destinado a promover, nos países-membros, a reflexão, a ação e a cooperação internacional nesse campo. Sem dúvida, a Conferência de Estocolmo configurou-se mais como um ponto centralizador para identificar os problemas ambientais do que como um começo da ação para resolvê-los.

No início da década de 1970, importantes organismos especializados das Nações Unidas tinham iniciado programas sobre vários países desenvolvidos tinham estabelecido instituições nacionais para manejar os assuntos ambientais (ministérios do meio ambiente, organismo especializados, etc.). O elemento ambiental integrou-se aos programas de muitos organismos intergovernamentais e governamentais que se ocupavam das estratégias de desenvolvimento.

Em seu primeiro período em 1973, o PNUMA destacou como alta prioridade os temas referentes ao meio ambiente e ao desenvolvimento, o que constituiu um conceito fundamental de seu pensamento.

Nesse período, realizou-se um conjunto de experiências e práticas de Educação Ambiental em muitos países que possibilitou avanços importantes na sua conceituação, inspirada em uma ética centrada na natureza, que pode ser identificada como a “Vertente Ecológico-Preservacionista da Educação Ambiental”.

A Conferência de Estocolmo inspirou um interesse renovado na Educação Ambiental na década de 1970, tendo sido estabelecida uma série de princípios norteadores para um programa internacional e planejado um seminário internacional sobre o tema, que se realizou em Belgrado, em 1975.

Dois anos mais tarde celebrou-se em Tbilisi, URSS, a Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental, que constitui, até hoje, o ponto culminante do Programa Internacional de Educação Ambiental. Nessa conferência foram definidos os objetivos e as estratégias pertinentes em nível nacional e internacional. Postulou-se que a Educação Ambiental é um elemento essencial para uma educação global orientada para a resolução dos problemas por meio da participação ativa dos educandos na educação formal e não-formal, em favor do bem-estar da comunidade humana.

Acrescentou-se aos princípios básico da Educação Ambiental nessa conferência é a importância que é a importância que é dada às relações natureza-sociedade, que, posteriormente, na década de 1980, dará origem à vertente socioambiental da Educação Ambiental.

A sensibilidade diante do meio ambiente aumentou entre as populações mais ricas e com maior nível de educação, sendo estimulada por meio de livro e filmes, assim com pelos jornais, revistas e meios de comunicação eletrônicos. As organizações não- governamentais desempenharam um importante papel no desenvolvimento de uma melhor compreensão dos problemas ambientais.

No Brasil, em 1973, cria-se a Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA), no âmbito e preocupa-se em definir seu papel no contexto nacional.

Os anos 1980

A década de 1980 caracteriza-se por uma profunda crise econômica que afeta o conjunto dos países do mundo, bem como por um agravamento dos problemas ambientais. Concebe-se a realidade socioeconômica em termos sistêmicos e estruturais, mostrando a entropia do processo econômico, com a aplicação das leis da termodinâmica na economia.

Fundamenta-se, também, a perspectiva global dos anos 1980: globalidade dos fenômenos ecológicos, as inter-relações entre economia, ecologia e desenvolvimento, políticas ambientais e cooperação internacional. A relação entre a economia e a ecologia leva à necessidade de adoção de um novo sistema de contabilidade ambiental e novos indicadores de bem-estar social e econômico. Realiza-se a crítica ao Produto Nacional Bruto (PNB), postulando-se um novo indicador: o beneficio social líqüido, que inclui o bem- estar econômico, social, individual e global e a noção de qualidade de vida.

No Brasil, a Política Nacional do Meio Ambiente, definida por meio da Lei nº 6.983/ 81, situa a Educação Ambiental como um dos princípios que garantem “a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar no país condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana”. Estabelece, ainda, que a Educação Ambiental deve ser oferecida em todos os níveis de ensino e em programas específicos direcionados para a comunidade. Visa, assim, à preparação de todo cidadão para uma participação na defesa do meio ambiente.

No Decreto n. º 88.351/83, que regulamenta a Lei n. º 226/87, do conselheiro Arnaldo Niskier, que determina a necessidade da inclusão da Educação Ambiental nos currículos escolares de 1º e 2º graus. Esse parecer recomenda a incorporação de temas ambientais da realidade local compatíveis com o desenvolvimento social e cognitivo da clientela e a integração escola-comunidade como estratégia de aprendizagem.

Em 1987, realiza-se o Congresso Internacional sobre a Educação e Formação Relativas ao Mio Ambiente, em Moscou, Rússia, promovido pela UNESCO. No documento final, Estratégia internacional de ação em matéria de educação e formação ambiental para o decênio de 90, ressalta-se a necessidade de atender prioritariamente à formação de recursos humanos nas áreas formais e não-formais da Educação Ambiental e na inclusão da dimensão ambiental nos currículos de todos os níveis de ensino.

Os anos 1990

A análise da economia mundial das três últimas décadas revela que a brecha entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos tem aumentado. Nesse período a economia dos países desenvolvidos caracterizou-se por processos inflacionários, associados a um crescente desemprego, induzindo a uma combinação de políticas macroeconômicas que aumenta os problemas socioambientais, com o agravamento do processo de deterioração dos recursos naturais renováveis e não-renováveis nos países do Terceiro Mundo.

Os processos de globalização do sistema econômico aceleram-se. Os fatores globais adquirem maior importância na definição das políticas nacionais, as quais perdem força ante as forças econômicas mundiais. Há uma redefinição do papel do Estado na economia nacional, uma crescente regionalização ou polarização da economia e uma paulatina marginalização de algumas regiões ou países, em relação à dinâmica do sistema econômico mundial. Os países que dependem de produtos básicos são debilitados.

Nesse contexto internacional começa a ser preparada a Conferência Rio-92, na qual a grande preocupação se centra nos problemas ambientais globais e nas questões do desenvolvimento sustentável. Nessa conferência, em relação à Educação Ambiental, destacam-se dois documentos produzidos. No Tratado de Educação ambiental para sociedades sustentáveis, elaborado pelo fórum das ONGs, explicita-se o compromisso da sociedade civil para a construção de um modelo mais humano e harmônico de desenvolvimento, onde se reconhecem os diretos humanos da terceira geração, a perspectiva de gênero, o direito e a importância das diferenças e o direito à vida, baseados em uma ética biocêntrica e do amor. O outro documento foi a Carta brasileira de Educação Ambiental, elaborada pela Coordenação de Educação Ambiental no Brasil e se estabelecem às recomendações para a capacitação de recursos humanos.

A Conferência Rio-92 estabelece uma proposta de ação para os próximos anos, denominada Agenda 21. Esse documento procura assegurar o acesso o acesso universal ao ensino básico, conforme recomendações da Conferência de Educação Ambiental (Tbilisi, 1977) e da Conferência Mundial sobre Ensino para Todos: Satisfação das Necessidades Básicas de Aprendizagem (Jomtien, Tailândia, 1990).

De acordo com os preceitos da Agenda 21, deve-se promover, com a colaboração apropriada das organizações não-governamentais, inclusive as organizações de mulheres e de populações indígenas, todo tipo de programas de educação de adultos para incentivar a educação permanente sobre meio ambiente e desenvolvimento, centrando-se nos problemas locais. As indústrias devem estimular as escolas técnicas a incluírem o desenvolvimento sustentável em seus programas de ensino e treinamento. Nas universidades, os programas de pós-graduação devem contemplar cursos especialmente concebidos para capacitar os responsáveis pelas decisões que visem ao desenvolvimento sustentável.

Em cumprimento às recomendações da Agenda 21 e aos preceitos constitucionais, é aprovado no Brasil o Programa Nacional de Educação Ambiental (PRONEA), que prevê ações nos âmbitos de Educação Ambiental formal e não-formal.

Na década de 1990, o Ministério da Educação (MEC), o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) desenvolvem diversas ações para consolidar a Educação Ambiental no Brasil. No MEC, são aprovados os novos “Parâmetros Curriculares” que incluem a Educação Ambiental como tema transversal em todas as disciplinas. Desenvolve-se, também, um programa de capitação de multiplicadores em Educação Ambiental em todo o país. O MMA cria a Coordenação de Educação Ambiental, que se prepara para desenvolver políticas nessa área no país e sistematizar as ações existentes. O IBAMA cria, consolida e capacita os Núcleos de Educação Ambiental (NEAs) nos estados, o que permite desenvolver Programas Integrados de Educação Ambiental para a Gestão.

Várias organizações estaduais do meio ambiente (OEMAs) implantam programas de Educação Ambiental e os municípios criam as secretarias municipais de meio ambiente, as quais, entre outras funções, desenvolvem atividades de Educação Ambiental. Paralelamente, as ONGs têm desempenhado importante papel no processo de aprofundamento e expansão das ações de Educação Ambiental que se completam e, muitas vezes, impulsionam iniciativas governamentais.

Podemos afirmar, hoje, que as relações sociedade civil organizada entre instituições governamentais responsáveis pela educação ambiental caminham juntas para a construção de uma cidadania ambiental sustentável, baseada na participação, justiça social e democracia consciente.

É evidente que o aprofundamento de processos educativos ambientais apresenta- se como uma condição sine qua non para construir uma nova racionalidade ambiental que possibilite modalidades de relações entre a sociedade e a natureza, entre o conhecimento científico e as intervenções técnicas no mundo, nas relações entre os grupos sociais diversos e entre os diferentes países em um novo modelo ético, centrado no respeito e no direito à vida em todos os aspectos.

Acontecimentos internacionais que influenciaram a educação ambiental

ANO

Anos 1960

1962 - Publicação de Primeira silenciosa, por Rachel Carlson
1965 - Utilizada a expressão Educação Ambiental (Environmental Education) na Conferência de Educação da Universidade de Keele, Grã-Bretanha
1966 -
Pacto Internacional sobre os Direitos Humanos – Assembléia Geral da ONU 1967 Fundação do Clube de Roma

Anos 1970

1972 - Publicação do relatório Os limites do crescimento – Clube de Roma

1972 - Conferência de Estocolmo – discussão do desenvolvimento e ambiente, conceito de ecodesenvolvimento
Recomendação 96 –Educação e Meio Ambiente
1973 -
Registro Mundial de Programas em Educação Ambiental, EUA
1974 - Seminário de Educação Ambiental em Jammi, Finlândia – Educação Ambiental é reconhecida como educação integral e permanente
1975 -
Congresso de Belgrado – Carta de Belgrado – estabelece as metas e princípios da Educação Ambiental
1975 -
Programa Internacional de Educação Ambiental – PIEA-UNESCO
1976 -
Reunião Sub-regional de Educação Ambiental para o Ensino Secundário, Chosica, Peru- discussão sobre as questões ambientais na América Latina estarem ligadas às necessidades de sobrevivência e aos direitos humanos
1976 -
Congresso de Educação Ambiental – Brazzaville, África – reconhece a pobreza como o maior problema ambiental
1977 -
Conferência de Tbilisi, Geórgia – estabelece os princípios orientadores da Educação Ambiental e enfatiza seu caráter interdisciplinar, critico ético e transformador
1979 -
Encontro Regional de Educação Ambiental para América Latina em San José, Costa Rica

Anos 1980

1980 - Seminário Regional Europeu sobre Educação Ambiental para Europa e América do Norte – assinala a importância do intercâmbio de informações e experiências
1980 -
Seminário regional sobre Educação Ambiental nos Estados Árabes, Manama, Barein – UNESCO-PNUMA.
1980 -
Primeira Conferência Asiática sobre Educação Ambiental Nova Delhi Índia
1987 -
Divulgação do relatório da Comissão Brundtland – Nosso futuro comum
1987 -
Congresso Internacional da UNESCO-PNUMA sobre Educação e Formação Ambiental – Moscou – realiza a avaliação dos avanços desde Tbilisi, reafirma os princípios de Educação Ambiental e assinala a importância e necessidade da pesquisa e da formação em Educação Ambiental.
1988 -
Declaração de Caracas – ORPAL-PNUMA – sobre gestão Ambiental na América – denuncia a necessidade de mudar o modelo de desenvolvimento 1989 - Primeiro Seminário sobre Materiais para a Educação Ambiental – ORLEAC- UNESCO-PIESA. Santiago, Chile
1990 -
Declaração de Haia, preparatório da Rio-92 – aponta a importância da cooperação internacional nas questões ambientais.

Anos 1990

1990 - Conferência Mundial sobre Ensino para Todos – satisfação das Necessidades Básicas de Aprendizagem, Jomtien, Tailândia – destaca o conceito de analfabetismo ambiental
1990 -
ONU declara o ano 1990 como o Ano Internacional do Meio Ambiente
1991 -
Reuniões preparatórias para a Rio-92
1992 -
Conferência sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, UNCED, Rio-92
Criação da Agenda 21
Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis, Fórum das ONGs
Carta Brasileira de Educação Ambiental, MEC
1993 -
Congresso Sul-Americano, Argentina – continuidade Rio-92
1993 -
Conferência dos Direitos Humanos, Viena 1994 Conferência Mundial de População, Cairo
1994 -
I Congresso Ibero-americano de Educação Ambiental, Guadalajara, México
1995 -
Conferência para o Desenvolvimento Social, Copenhague – criação de um ambiente econômico-político-social-cultural e jurídico que permita o desenvolvimento social
1995 -
Conferência Mundial da Mulher, Pequim
1995 -
Conferência Mundial do Clima, Berlim
1996 -
Conferência Hábitat II, Istambul
1997 -
II Congresso Ibero-americano de Educação Ambiental, Guadalajara, México
1997 -
Conferência sobre Educação Ambiental, Nova Delhi, Índia
1998 -
Conferência Internacional sobre Meio Ambiente e Sociedade: Educação e Conscientização Pública para a Sustentabilidade, Thessaloniki, Grécia

Anos 1970

1971 - Cria-se no Rio Grande do Sul a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (AGAPAN)
1972 -
A Delegação Brasileira na Conferência de Estocolmo declara que o país está “aberto à poluição, porque o que se precisa é dólares, desenvolvimento e empregos” – apesar disso, contraditoriamente, o Brasil lidera os países do Terceiro Mundo para não aceitar a Teoria do Crescimento Zero proposta pelo Clube de Roma
1973 -
Cria-se a Secretaria especial do Meio Ambiente, SEMA, no âmbito do Ministério do Interior, que, entre outras atividades, contempla a Educação Ambiental
1977 -
SEMA constitui um grupo de trabalho para a elaboração de um documento sobre a Educação Ambiental, definindo o seu papel no contexto brasileiro
1977 -
Seminários, encontros e debates preparatórios à Conferência de Tbilisi são realizados pela FEEMA, RJ
1978 -
A Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul desenvolve o Projeto Natureza (1978-1985)
1978 -
Criação de cursos voltados às questões ambientais em várias universidades brasileiras

Anos 1980

1984 - O Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) apresenta uma resolução, estabelecendo diretrizes para a Educação Ambiental
1986 -
A SEMA e a Universidade de Brasília organizam o primeiro Curso de Especialização em Educação Ambiental (1986-1988)
1986 -
I Seminário Nacional sobre Universidade e Meio Ambiente
1986 -
Seminário Internacional de Desenvolvimento Sustentado e Conservação de Regiões Estuarinas – Lagunares (Manguezais), São Paulo
1987 -
O MEC aprova o Parecer n.º 226/87, do conselheiro Arnaldo Niskier – inclusão da Educação Ambiental nos currículos escolares de 1º e 2º graus
1987 -
II Seminário Universidade e Meio Ambiente, Belém, Pará
1988 -
A Constituição Brasileira de 1988, art. 225 no capítulo VI – Do Meio Ambiente, inciso VI – destaca a necessidade de promover a Educação Ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente. Para cumprimento dos preceitos constitucionais, leis federais, decretos, constituições estaduais e leis municipais determinam a obrigatoriedade da Educação Ambiental
1988 -
Fundação Getúlio Vargas traduz e publica o relatório Brundtland, Nosso futuro comum
1988 -
A Secretaria de Estado do meio Ambiente de São Paulo e a CETESB publicam a edição-piloto do livro Educação Ambiental – Guia para professores de 1º e 2º graus
1988 -
I Fórum de Educação Ambiental – São Paulo 1989 Criação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), pela fusão da SEMA, SUDEPE, SUDHEVEA e IBDF, onde funciona a Divisão de Educação Ambiental
1989 -
Programa de Educação Ambiental em Universidade Aberta da Fundação Demócrito Rocha, por meio de encartes nos jornais de Recife e Fortaleza
1989 -
Primeiro Encontro Nacional sobre Educação Ambiental no Ensino Formal, IBAMA- UFRPE, Recife
1989 -
Cria-se o Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) no Ministério do Meio Ambiente (MMA), apoiando projetos que incluem a Educação Ambiental.
1989 -
III Seminário Nacional sobre Universidade e Meio Ambiente, Cuiabá, Mato Grosso

Anos 1990

1990 - I Curso Latino-Americano de Especialização em Educação Ambiental, PNUMA-IBAMA-CNPq-CAPES-UFMT, Cuiabá, Mato Grosso (1990-1994) 1990 - IV Seminário Nacional sobre Universidade e Meio Ambiente, Florianópolis, Santa Catarina
1991 -
MEC, Portaria n.º 678 (14/05/91) institui que todos os currículos nos diversos níveis de ensino deverão contemplar conteúdos de Educação Ambiental 1991 - Projeto de Informações sobre Educação Ambiental, IBAMA-MEC 1991 Grupo de Trabalho para Educação Ambiental coordenado pelo MEC, preparatório à Conferência Rio-92
1991 -
Encontro Nacional de Políticas e Metodologias para Educação Ambiental, MEC- IBAMA-Secretaria do Meio Ambiente da Presidência da República-UNESCO- Embaixada do Canadá
1991 -
II Fórum de Educação Ambiental – São Paulo 1992 Criação dos Núcleos Estaduais de Educação Ambiental do IBAMA (NEAs)
1992 -
Participação das ONGs do Brasil no Fórum de ONGs e na redação do Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis
1992 -
O MEC promove no CIAC do Rio das Pedras em Jacarepaguá, Rio de Janeiro, o workshop sobre Educação Ambiental, cujo resultado se encontra na Carta Brasileira de Educação Ambiental
1993 -
Publicação dos livros Amazônia: uma proposta interdisciplinar de Educação Ambiental (Temas básicos) e Amazônia: uma proposta interdisciplinar de Educação Ambiental (Documentos metodológicos), Brasília, 1992-1994 (IBAMA- Universidade e SEDUCs da região)
1993 -
Criação dos Centros de Educação Ambiental do MEC, com a finalidade de criar e difundir metodologias em Educação Ambiental 1994 Aprovação do Programa Nacional de Educação Ambiental (PRONEA), com a participação do MMA-IBAMA-MEC-MCT-MINC
1994 -
Publicação em português da Agenda 21, feita por crianças e jovens, UNICEF
1994 -
III Fórum de Educação Ambiental, São Paulo
1996 -
Criação da Câmara Técnica de Educação Ambiental, CONAMA
1996 -
Novos Parâmetros Curriculares do MEC que incluem a Educação Ambiental como tema transversal do currículo
1996 -
Cursos de Capacitação em Educação Ambiental para os técnicos das SEDUCs e DEMECs nos estados, para orientar a implantação dos Parâmetros Curriculares – convênio UNESCO-MEC
1996 -
Criação da Comissão Interministerial de Educação Ambiental, MMA
1997 -
Criação da Comissão de Educação Ambiental do MMA
1997 -
Cursos de Educação Ambiental organizados pelo MEC – Coordenação de Educação Ambiental para as escolas técnicas e segunda etapa de capacitação das SEDUCs e DEMECs – convênio UNESCO – MEC 1997 I Teleconferência Nacional de Educação Ambiental, MEC
1997 -
IV Fórum de Educação Ambiental e I Encontro da Rede Educadores Ambientais, Vitória
1997 -
I Conferência Nacional de Educação Ambiental, Brasília

NANÁ MININNI MEDINA

Fonte: www.cursoecologia.ufba.br

Fonte: www

Problemas Ambientais

1. Preservação ou Conservação Ambiental?

Você sabia que, apesar de serem utilizados amplamente como sinônimos, preservação e conservação são conceitos distintos? O preservacionismo e o conservacionismo são correntes ideológicas que surgiram no fim do século XIX, nos Estados Unidos. Com posicionamento contra o desenvolvimentismo - uma concepção na qual defende o crescimento econômico a qualquer custo, desconsiderando os impactos ao ambiente natural e o esgotamento de recursos naturais – estas duas se contrapõem no que se diz respeito à relação entre o meio ambiente e a nossa espécie.

O primeiro, o preservacionismo, aborda a proteção da natureza independentemente de seu valor econômico e/ou utilitário, apontando o homem como o causador da quebra deste “equilíbrio”. De caráter explicitamente protetor, propõe a criação de santuários, intocáveis, sem sofrer interferências relativas aos avanços do progresso e sua consequente degradação. Em outras palavras, “tocar”, “explorar”, “consumir” e, muitas vezes até “pesquisar”, tornase, então, uma atitude que fere tais princípios. De posição considerada mais radical, este movimento foi responsável pela criação de parques nacionais, como o Parque Nacional de Yellowstone, em 1872, nos Estados Unidos.

Já a segunda corrente, a conservacionista, contempla o amor à natureza, mas aliado ao seu uso racional e manejo criterioso pela nossa espécie, executando um papel de gestor e parte integrante do processo.

Podendo ser identificado como o meio-termo entre o preservacionismo e o desenvolvimentismo, o pensamento conservacionista caracteriza a maioria dos movimentos ambientalistas, e é alicerce de políticas de desenvolvimento sustentável, que são aquelas que buscam um modelo de desenvolvimento que garanta a qualidade de vida hoje, mas que não destrua os recursos necessários às gerações futuras.

Redução do uso de matérias-primas, uso de energias renováveis, redução do crescimento populacional, combate à fome, mudanças nos padrões de consumo, equidade social, respeito à biodiversidade e inclusão de políticas ambientais no processo de tomada de decisões econômicas são alguns de seus princípios. Inclusive, este propõe que se destinem áreas de preservação, por exemplo, em ecossistemas frágeis, com um grande número de espécies endêmicas e/ou em extinção, dentre outros.

Tais discussões começaram a ter espaço em nosso país apenas em meados da década de setenta, com a criação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente – IBAMA, quase vinte anos depois. Em razão de a temática ambiental ter sido incorporada em nosso dia a dia apenas nas últimas décadas, tais termos relativamente novos acabam sendo empregados sem muitos critérios – mesmo por profissionais como biólogos, pedagogos, jornalistas e políticos. Prova disso é que a própria legislação brasileira, que nem sempre considera uso correto destes termos, atribui a proteção integral e “intocabilidade” à preservação; e conservação dos recursos naturais, com a utilização racional, garantindo sua sustentabilidade e existência para as futuras gerações, à conservação.

1.1 CONSERVAÇÃO E PRESERVAÇÃO AMBIENTAL

A palavra preservação é o ato ou efeito de preservar que vem do latim praeservare, que significa livrar de algum mal, manter livre de perigo ou dano.

Já a palavra conservação é o ato ou efeito de conservar que vem do latim conservare e significa resguardar de dano, decadência, deterioração, prejuízo.

A despeito de ambas as palavras apresentarem significado semelhante no dicionário, na Ecologia elas são utilizadas com os seguintes significados: 1) preservação como não utilização dos recursos naturais nem interferência humana de qualquer forma nos ecossistemas e 2) conservação como a utilização sustentável dos recursos naturais renováveis e dos ecossistemas e utilização racional do recursos naturais não renováveis com proteção dos ecossistemas explorados.

Entende-se por utilização dos recursos naturais renováveis de forma sustentável como a utilização desses recursos abaixo do nível de reposição e sem colocar em risco a sua produção.

Tanto a fauna, como a flora constituem recursos naturais renováveis e estão intimamente relacionados. Assim sua utilização não deve ser feita sem levar em consideração o conjunto.

1.2 De ordem filosófica individual (maneira de pensar, sentir, falar e agir de cada um):

Egoísmo do indivíduo humano.
Egoísmo da espécie humana.
Falta de iniciativa do indivíduo humano.
Passividade do indivíduo humano.
Ignorância generalizada (o povo não sabe o que está acontecendo, porque e o que fazer).
Falta de sabedoria generalizada.
Falta de inteligência generalizada.
Falta de cultura generalizada.

1.3 De ordem técnica

Falta de informações científicas, incerteza e a ignorância são gerais. (Como funciona um ecossistema em sua totalidade. Qual a diversidade, abundância e principais ameaças à fauna, à flora e aos ecossistemas de cada região? No caso da fauna é preciso também entender o deslocamento).
Falta de formação de pessoal nas áreas afins (Biologia da Conservação, Ecologia, Educação Ambiental, Fiscalização e Direito).

1.4 De ordem política

Falta da implementação na prática das Unidades de Conservação no Brasil (a maioria só existe no papel e não tem a fiscalização necessária).
Falta de políticas, programas, projetos e ações sérios, integrados (pela três esferas de governo, ongs, empresas e população organizada) a curto, médio e longo prazo.
Falta de assessoria técnica para fundamentar decisões políticas e governamentais.
Corrupção, negligência, imprudência, imperícia, desonestidade da classe política, de alguns técnicos, de ongs e da população de maneira geral.

1.5 De ordem social

Crescimento populacional.
Desigualdade social (má distribuição de riqueza no mundo e no Brasil).
Pobreza.
Miséria.
Guerras.
Valorização do indivíduo pela sua capacidade de consumir e acumular.
Consumo por uma minoria da população mundial, muito além da necessidade, o que gera uma idéia de que esse padrão de consumo é o desejável e ideal.
Consumo do descartável que leva a um consumo excessivo de certos produtos só interrompido com a morte do indivíduo.
Consumo do supérfluo.
Consumo do nocivo (drogas legais, ilegais, produtos cancerígenos e transgênicos).

Obs.: de maneira geral, nenhum consumo de matéria ocorre sem destruição de ecossistemas para a produção de matéria prima que será transformada em produto para o consumo, ou poluição do ar, rios, mares e do solo pelas fábricas, tanto no processo de produção como ao final do uso pela formação de lixões e aterros sanitários.

1.6 De ordem ambiental

Aumento do efeito estufa.
Destruição da camada de ozônio.
Desmatamento.
Chuva ácida.
Lançamento de esgotos domiciliares e industriais não tratados.
Poluição por resíduos sólidos Poluição por lixo tóxico.
Poluição atmosférica tanto por veículos movidos a combustível fóssil, muitos desregulados.
Poluição visual.
Poluição auditiva.
Introdução de espécies exóticas.
Extinção de espécies.
Extrativismo animal e/ou vegetal acima do nível de reposição.
Desperdício de água e energia.
Utilização de agrotóxicos e fertilizantes.

Atenção: a maioria das indústrias, fazendas e bancos, privatizam os lucros (seus donos, e funcionários de altos cargos e seus familiares e descendentes ficam cada vez mais ricos) e socializam os prejuízos ambientais (poluem ou destroem o ambiente onde todos vivemos). Mas nos feriados e férias vão para os lugares bonitos que ainda restam ou onde tem casas e fazendas.

2. Medidas governamentais e institucionais para combater a destruição da natureza:

1) Educação ambiental formal, informal e não-formal em todos os segmentos e níveis de ensino (fundamental, médio e superior); 2) Planejamento, implantação, e gestão de Projetos de Ecoturismo como atividade econômica principal em países com megadiversidade.
3)
Realização de estudos de impacto ambiental (EIA) e relatório de impacto do ambiental (RIMA) anterior ao início de obras e ocupação de uma área. Se inviável para qualquer área o projeto deve ser cancelado. Se inviável para uma área deve ser transferido para outra área mais apropriada, com as devidas precauções e utilizando todas as alternativas possíveis e propondo compensações necessárias e possíveis.
4)
Aplicação de medidas reparadoras e compensatórias nos casos dos problemas repentinos, infrações.
5)
Punição dos infratores.
6)
Regulamentação da caça, pesca e coleta em certas áreas, a fim de permitir a utilização abaixo do nível de reposição.
7)
Criação em cativeiro ou reprodução em estufa, respectivamente de espécies animais e vegetais ameaçadas, com posterior recuperação do habitat natural para reintrodução.
8)
Reintrodução de espécies nativas em ambientes onde desapareceu com a devida proteção e acompanhamento.
9)
Reprodução em cativeiro de espécies animais silvestres ou não, com a devida autorização e fiscalização, para a alimentação.
10)
Implementação das Unidades de Conservação no Brasil, na prática, com infra-estrutura e pessoal necessários. Quanto ao pessoal, deve ser formado na área, especializado, competente, bem remunerado, motivado e com vontade de servir, informar, sensibilizar e educar os moradores e visitantes, fiscalizar a área e punir os infratores e pesquisar sobre os patrimônios histórico, artístico, cultural, natural;
11)
Aumentar a área das Unidades de Conservação;
12)
Criar novas Unidades de Conservação com infra-estrutura e pessoal motivado (vide item 10);
13)
Manutenção da diversidade genética através de banco de semente, germoplasma, cultura de tecido;
14)
Valorização do indivíduo pela:

a) sua capacidade de amar e querer bem, sentir, pensar, falar e fazer o bem, sem olhar a quem, sem que ninguém veja, sem esperar recompensa e de maneira incondicional;
b)
capacidade artística, científica, criativa, voltada para paz, amor, saúde, felicidade, verdade, sabedoria, cultura;
c)
sua capacidade de doar a si mesmo aos outros,
d)
sua capacidade de doar aquilo que não precisa e aquilo que pode (desde que não faça falta)

15) Redução no consumo do descartável, nocivo e supérfluo através da educação; 16) Redução do consumo pelos que consomem muito (a ação de consumir menos e doar tem que partir daquele que consome mais e tem; a sensibilização é o caminho).
17)
Redução do consumo de maneira geral.
18)
Redução do consumo do descartável.
19)
Reutilização em larga escala; 20) Reciclagem em larga escala; 21) Distribuição da renda; 22) Planejamento familiar; 23) Recuperação de áreas degradadas, com produção de mudas e plantio adequado em áreas protegidas Obs.: essas medidas não estão em ordem de importância.

2.1 Sugestões de ações básicas pessoais e de grupo:

Autoconhecimento (corpo, pensamentos, sentimentos, palavras e ações); Estimular o autoconhecimento; Conhecer e estimular o conhecimento do outro que deseja ser conhecido; Conhecer e estimular o conhecimento do ambiente e seus patrimônios, histórico, artístico, cultural e natural; Conhecer e estimular o conhecimento antes da utilização; Conhecer e estimular o conhecimento para preservar e conservar; Informar, sensibilizar, educar e estimular a informação sensibilização e educação para preservação e conservação; Colocar o interesse público acima do privado e pessoal, respeitando os direitos, necessidades e características individuais e pessoais; Conversar para não brigar (veja o texto Relações Humanas na apostila Interpretação Ambiental) estimular a conserva e não o desentendimento; Buscar o melhor para todos e estimular a busca do melhor para todos; Fazer a sua parte e convidar o outro gentilmente, agradavelmente e insistentemente a fazer a parte dele, em grupo ou sozinho. Estimular o outro a também convidar.

Formar grupos para pensar e agir juntos (“sozinho vamos rápido, juntos vamos longe”) e estimular a formação de grupos; Ingressar e estimular o ingresso em ongs e associações; Tomar iniciativa de fazer o que precisa ser feito e bem feito (para fazer um vez só); estimular a iniciativa e a eficiência; Reiniciar e estimular o reinício sempre que necessário for;

Se organizar (um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar) e estimular a organização; Pensamentos, sentimentos, palavras e ações em harmonia e em prol de si mesmo, do outro e do ambiente (tudo junto) estimular o estabelecimento de harmonia no outro; Dar exemplo e estimular o exemplo sem chamar a atenção para si, ou para o grupo, mas para a ação; Só falar o que tiver certeza; Se envolver e se comprometer (na agenda) e estimular o envolvimento e comprometimento; Cumprir o que se comprometeu e estimular o cumprimento; Começar do pequeno para o grande, do aqui para o distante, do agora para o depois, de mim para os outros; Ler, estudar e conversar e estimular esses aspectos ao máximo; Valorizar a si mesmo e aos outros e em si mesmo e nos outros a:

a) sua capacidade de amar e querer bem, sentir, pensar, falar e fazer o bem, sem olhar a quem, sem que ninguém veja, sem esperar recompensa e de maneira incondicional; b) sua capacidade artística, científica, criativa, voltada para paz, amor, saúde, felicidade, verdade, sabedoria, cultura; c) sua capacidade de doar a si mesmo aos outros; d) sua capacidade de doar aquilo que não precisa e aquilo que pode (desde que não faça falta) (reforço positivo para comportamento positivo);

Ter a menor quantidade de filhos possível e estimular o planejamento familiar;

Ser voluntário e estimular o voluntariado; Ser saudável (corpo, pensamentos, sentimentos, palavras e ações saudáveis e construtivos) e estimular a saúde; Eleger e estimular a eleição de representantes honestos, confiáveis, com propostas sérias e que sejam o melhor para todos ou para a maioria, e não em troca de favores, benefícios pessoais ou de pequena parcela da população

Acompanhar e estimular o acompanhamento do desempenho dos representantes e das ongs.

Representar e se fazer representar (veja o texto As qualidades dos líderes) e estimular a representação.

Utilizar e estimular a utilização abaixo do nível de reposição; Reduzir e estimular a redução do consumo de maneira geral, do descartável (por exemplo: levar copo próprio para café e água), do nocivo e do supérfluo.

Reutilizar e estimular a reutilização do que for possível (por exemplo: o papel já escrito ou impresso de um lado, às vezes, pode servir como rascunho do outro); Separar e estimular a separação do lixo; Consumir e estimular o consumo de turismo (sobre tudo o ecoturismo), esporte, cultura, arte, artesanato, música, dança, lazer, teatro etc; Não comprar animais silvestres nem vegetais resultantes de extrativismo, geralmente vendidos à beira da estrada; Consumir e estimular o consumo do que é saudável, produtos orgânicos e ecologicamente corretos; Plantar árvores;

Obs.: amar, sentir, pensar, saber, conhecer, falar, conversar, agir, fazer o que precisa ser feito, bem feito, buscar o melhor para todos, doar, iniciar, reiniciar, agir, persistir, conhecer, preservar, conservar, valorizar a si mesmo e ao outro pelo o que é correto e positivo, informar, sensibilizar, educar, respeitar, formar grupo, agir em grupo, se organizar, dar exemplo, ler, estudar, ser voluntário, ser saudável, eleger, representar e se fazer representar, tudo isso se ensina, se aprende e se aprimora continuamente. Inteligência pode ser desenvolvida.

Conhecimentos devem ser gerados, resgatados, ensinados e aplicados.

2.2 Ações Úteis para Conservação da Natureza

Todos os seres vivos têm direito a vida. A ameaça à vida, em um lugar, é a ameaça à vida em todos os lugares e a ameaça a todas as formas de vida (inclusive a humana). Além disso, todos os seres vivos fazem parte de uma cadeia, que é como se fosse uma corrente, em que todos os elos são importantes para a formação e o funcionamento da corrente. Contribua na preservação de todas as formas de vida e evite o consumismo.

As florestas preservam as nascentes dos rios. As árvores fornecem sombra, proporcionam abrigo e alimentos para vários animais, diminuem o vento forte e embelezam a paisagem com suas folhas, flores etc. As raízes das árvores diminuem a erosão e reduzem deslizamentos de encostas, mantendo ainda o húmus e a serrapilheira, importante para a fertilidade do solo. Procure plantar mudas de árvores nativas. Preserve as árvores e florestas existentes.

Ao observar desmatamentos, queimadas, caça ou pesca ilegal, tente comunicar tais fatos ao IBAMA, Secretaria de Meio Ambiente da sua cidade.

Ligue para todos. Certifique-se de que algo está sendo feito.

Plantas vendidas à beira de estrada (bromélias, orquídeas e outras) em geral são resultantes de extrativismo. Certifique-se antes da compra se existe o cultivo (brotos e mudas) das espécies comercializadas. A compra induz à venda e à coleta. Ao observar a venda ilegal de plantas extraídas da natureza, tente comunicar tais fatos ao IBAMA, Secretaria de Meio Ambiente de sua cidade. Ligue para todos. Certifique-se de que algo está sendo feito.

Os manguezais devem ser preservados. Diversas espécies de mamíferos, aves, répteis, peixes, camarões, siris e caranguejos utilizam os manguezais para reprodução, crescimento e alimentação. Ao observar queimadas, corte de árvores, aterro ou outras destruições nos manguezais, procure comunicar tais fatos aos órgãos já citados.

Comprar animais silvestres é crime e contribui para a extinção de espécie. Animais silvestres exóticos são nativos em algum lugar. De 10 animais silvestres capturados para venda 9 em média morrem durante o processo de captura, transporte, armazenamento e por maus tratos. Muitas vezes os animais são dopados para parecerem mansos e serem vendidos. Passado o efeito do tranquilizante, cachaça ou álcool, tornam-se agressivos e podem ferir os “donos”. Além disso muitos possuem doenças que podem ser fatais para o homem e que podem ser transmitidas no contato. A compra induz à venda e à caça. Ao observar a venda ilegal de animais silvestres, procure comunicar tais fatos aos órgãos competentes.

Procure fazer coleta seletiva de lixo em sua casa, escola, prédio, vizinhança, faculdade e local de trabalho. Cobre das autoridades. O lixo quando separado em latas, plásticos, vidros, e papéis, pode ser reciclado. O lixo separado pode ser doado para cooperativas de catadores de lixo. Latinhas de alumínio tem valor! Procure manter as ruas, calçadas e praças limpas. Jogue o lixo (papel, latas, vidros, plásticos etc) nas lixeiras.

O lixo jogado no chão, além de sujar a paisagem, pode entupir bueiros e assim causar alagamentos. Jogar lixo, ou objetos, pelas janelas dos carros nas ruas, estradas, rodovias, além de sujar a paisagem, pode provocar acidentes. Cigarros e fósforos jogados nas estradas e rodovias podem provocar incêndios. A educação é importante.

A fumaça do cigarro, além de poluir o ar, pode provocar câncer e outros males à saúde. Evite fumar, sobretudo em recintos fechados. Respeite os outros.

Quando for à praia, parques, florestas ou bosques, leve um saco de lixo para trazer o lixo produzido e coletar o encontrado.

Procure economizar e reutilizar papel, para preservar florestas.

Sempre que possível, caminhe ou utilize bicicleta (cuidado com o trânsito nas grandes cidades). Além de ser bom para a saúde, contribui para diminuir a poluição. Utilize transportes coletivos.

Não faça fogueiras sem conhecimento de como fazer e próximo a locais que possam fugir ao controle (cerrado, campos ou florestas).

Procure evitar comprar legumes, frutas e verduras com agrotóxico.

Existem feiras de produtos limpos. Se existem pessoas comprando alimentos com agrotóxico, existem pessoas colocando agrotóxico nesses alimentos, poluindo os rios e comprometendo a saúde de todos.

Procure economizar produtos de limpeza, água e energia elétrica.

Procure fazer a barba com a torneira fechada e tomar banhos sem desperdício de água. Evite deixar luz e aparelhos elétricos ligados sem utilização e evite utilizá-los nas horas de pico.

Procure informar às pessoas, gentilmente, sobre essas sugestões de ações.

3. Texto: Desenvolvimento Sustentável

SILVA, Lélio Costa

Eram 169 pulgas, 38 carrapatos e 75 piolhos. Todos moravam num cão de rua. Naquele "planeta" os carrapatos preferiam o interior das orelhas, os dedos, a cernelha e as axilas. No dorso, lombo e abdômen viviam as pulgas.

Os piolhos no restante.

O cão era uma coceira só. Sugavam o sangue inoculando-lhe uma saliva irritante. Dia e noite, domingos e feriados.

Um dia alguém percebeu que o alimento estava caindo de qualidade - um sangue ralo e cada vez mais cor-de-rosa. Seria necessária uma assembléia de todos os moradores.

Na semana seguinte teve início a I Conferência Planetária do Meio Ambiente. O fórum escolhido foi o dorso do animal.

Compareceram 292 pulgas, 94 carrapatos e 101 piolhos.

Após a aprovação do regimento da Conferência, uma pulga fez uso da palavra:

Senhoras e senhores, tenho notado uma drástica diminuição dos nossos recursos naturais. O planeta está anêmico!

As culpadas são vocês mesmos suas pulgas imediatistas... atacou uma fêmea de carrapato entumescida de sangue.
Que nada, nós até sabemos reciclar...
Não entendi, interpelou um piolho.
Nossas larvas, futuras pulgas, são alimentadas com nossos próprios dejetos...

E a reunião prosseguiu acalorada.

De repente o "planeta" começou a balançar...

Efeito estufa? Aumento da temperatura global? Queimadas? Terremotos? Ou efeito do buraco na camada de ozônio? Na verdade era o cão que se coçava desesperadamente num solitário jequitibá...

Ouvindo toda a discussão a árvore tentou ajudar: - Gente! Vocês já ouviram falar em "desenvolvimento sustentável"? Todos silenciaram para escutar.

Antigamente essa praça era uma floresta. Inúmeras árvores de variadas espécies. Produzíamos flores, frutos, abrigos, sombra e madeira. As folhas mortas e os restos dos animais se decompunham rapidamente com a ação do calor e da umidade freqüente. Assim todos os nutrientes eram devolvidos à terra-mãe, alimentando-nos e possibilitando o nascimento de novas plantas.

Tudo aqui era biodiversidade. Existiam orquídeas, bromélias, cipós e toda a vida animal. As copas amenizavam a queda da chuva que suavemente deslizava entre os galhos. Não havia erosão. De vez em quando cortavam algumas árvores. Nem precisavam reflorestar. Nós mesmas fazíamos o replantio com a ajuda dos morcegos, frugívoros, cutias, gralhas, borboletas, beija-flores e até do vento. Assim a floresta se AUTO-SUSTENTAVA.

Mas um dia começaram a desmatar além da conta... logo fiquei sozinha. Hoje virei mictório de cães e de gente. As minhas folhas são impiedosamente varridas. Não têm mais o direito de apodrecer ao pé da árvore-mãe...

Mas afinal o que é desenvolvimento sustentável? - perguntou um piolho aflito.

É cada um sugar sem exageros o alimento e dar tempo ao "planeta" de se recuperar...

Vamos ter que produzir economizando, lembrou um carrapato demonstrando preocupação - afinal todos nós podemos jejuar mais de um mês...

E a plenária efervesceu. Foram criados manifestos e leis ambientais.

Publicaram a "Carta dos Ectoparasitos". Elegera-se delegados. Todos se comprometeram...

Ao final dos debates já haviam 3.090 pulgas, 2.348 carrapatos, 2.251 piolhos...

No dia seguinte, o cão morreu.

Fim

Para reflexão: O que você concluiu com o texto? O que você entende por Desenvolvimento Sustentável? E por Sociedade Sustentável ? O homem foi feito para a economia ou a economia foi feita para o homem? O que você acha melhor Desenvolvimento Sustentável ou Sociedade Sustentável que possui um Desenvolvimento Econômico Sustentável e realiza outras atividades de forma Sustentável ? O que você entende por Educação Ambiental? Qual a relação que você acha que existe entre Sociedade Sustentável e Educação Ambiental ? O que você entende por Agenda 21 local?

Se você ainda não participa que tal participar de projetos para uma Sociedade Sustentável, sejam de Educação Ambiental, Ecoturismo ou outro? Que tal implementar a Agenda 21 local na sua escola, e/ou faculdade, e/ou bairro, e/ou empresa? Você acha que os políticos, governantes e representantes farão algo, para que a realidade mude, tendo em vista que eles são eleitos em função das eternas promessas de ações e mudanças? Procure as ações já em andamento que pode colaborar e participe delas ou inicie alguma ação. Mãos a obra!

Sem:

1) a realização do planejamento familiar,
2)
redução do consumo dos que consomem muito,
3)
aumento do consumo dos que não consomem nada,
4)
reutilização e reciclagem em larga escala,
5)
produção e consumo de alimentos orgânicos e produtos ecologicamente corretos,
6)
a preservação e conservação do que ainda resta dos ecossistemas,
7)
utilização dos recursos naturais abaixo da capacidade de reposição da natureza e
8)
utilização de meios de transporte não baseados na queima de combustível fóssil, isso só para começar, o nosso cão (planeta Terra) em breve começara a estribuchar. Muito já foi falado, discutidoo, debatido sobre o tema. Muitas viagens, turismo e festivais gastronômicos já foram realizados por conta do assunto. Para aqueles que ainda não estão agindo a hora é essa. "O homem é um peregrino dinâmico numa história que se constrói com sua participação ou se ressente de sua omissão."(DANNUS). Somos responsáveis pelo que fazemos de bom e ruim, mas também pelo que deixamos de fazer de bom e ruim. Nada será esquecido. Boa sorte, muito planejamento e principalmente ação para todos.

Pense, converse, pesquise e escreva sobre isso. Boa produção!

4. Educação para o Desenvolvimento Sustentável

A Educação, em todas as suas formas, pode moldar o mundo de amanhã, instrumentalizando indivíduos e sociedades com as habilidades, perspectivas, conhecimento e valores para se viver e trabalhar de maneira sustentável. Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) é uma visão da educação que busca equilibrar o bem-estar humano e econômico com as tradições culturais e o respeito aos recursos naturais do planeta. A EDS utiliza métodos educacionais transdisciplinares para desenvolver uma ética para a educação permanente; promove o respeito às necessidades humanas compatíveis com o uso sustentável dos recursos naturais e com as necessidades do planeta; e nutre o sendo de solidariedade global.

4.1 Uma Nova Visão da Educação

Educação para o desenvolvimento sustentável é um “conceito dinâmico que compreende uma nova visão da educação que busca empoderar pessoas de todas as idades para assumir a responsabilidade de criar e desfrutar um futuro sustentável”1. O objetivo geral da EDS é empoderar cidadãos para agir por mudanças sociais e ambientais positivas, implicando em uma ação participativa.

EDS integra conceitos e ferramentas analíticas de uma variedade de disciplinas para auxiliar pessoas a compreenderem melhor o mundo em que vivem. Perseguir o desenvolvimento sustentável através da educação requer que educadores e educandos reflitam criticamente em suas próprias comunidades, identifiquem elementos inviáveis em suas vidas, e explorem tensões entre valores e objetivos conflitantes. A EDS traz uma nova motivação para o aprendizado na medida em que os educandos tornam-se empoderados para desenvolver e avaliar visões alternativas de um futuro sustentável e concretizá-las coletivamente.

4.2 Educação para o Desenvolvimento Sustentável: um Conceito em Evolução

A partir do momento em que o desenvolvimento sustentável foi pela primeira vez apoiado pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 1987, o conceito de educação para o desenvolvimento sustentável foi também explorado. A Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento no Rio de Janeiro (Rio-92) uniu representantes de governos, organizações internacionais e não-governamentais e sociedade civil para discutir os desafios do próximo século e adotar um plano global de ação para enfrentá-los. O plano de ação, conhecido como Agenda 21, forneceu uma série de princípios para auxiliar Governos e outras instituições na implementação de políticas e programas para o desenvolvimento sustentável. O capítulo 36 da Agenda 21 afirma que a educação é essencial no rumo ao desenvolvimento sustentável.

Seguindo a Rio-92, a Comissão para o Desenvolvimento Sustentável indicou a UNESCO para ser o organismo coordenador do capítulo 36, responsável por acelerar as reformas na educação e coordenar as atividades dos parceiros. A UNESCO foi também encarregada de fornecer apoio técnico e profissional aos Estados Membros, desenvolvendo currículos experimentais e material de treinamento; e disseminar políticas, programas e práticas inovadoras para a Educação para o Desenvolvimento Sustentável.

4.3 O que é Educação para o Desenvolvimento Sustentável?

O capítulo 36 identifica quatro grandes premissas da Educação para o Desenvolvimento Sustentável: 4.4 Promoção e Melhoria da Educação Básica: o acesso à educação básica ainda é um problema para muitos – especialmente meninas e adultos analfabetos. Aumentar simplesmente a alfabetização básica, como no ensino atual, não desenvolverá significativamente sociedades sustentáveis. Ao contrário, a educação básica deve focar na comunhão de conhecimento, habilidades, valores e perspectivas que encorajem e apóiem os cidadãos a levar vidas sustentáveis.

4.5 Reorientar a Educação existente em todos os níveis em direção ao Desenvolvimento Sustentável: repensar e revisar a educação desde a creche até a universidade para incluir mais princípios, habilidades, perspectivas e valores relacionados à sustentabilidade em cada uma das três esferas – social, ambiental e econômica – é importante para as sociedades atuais e futuras.

4.6 Desenvolver Entendimento Público e Consciência da Sustentabilidade: avanços na direção de sociedades mais sustentáveis requerem uma população que seja ciente dos objetivos das sociedades sustentáveis e que tenha conhecimento e habilidades para contribuir com esses objetivos. Cidadãos conscientes do voto e consumidores informados podem auxiliar comunidades e governos a adotar medidas para a sustentabilidade e caminhar em direção a sociedades mais sustentáveis.

4.7 Treinamento: todos os setores trabalhistas podem contribuir para a sustentabilidade local, regional e nacional. O desenvolvimento de programas de treinamento especializado para garantir que todos os setores tenham o conhecimento e habilidades necessários para realizar seu trabalho de forma sustentável, tem sido identificado como um componente importante para a EDS.

5. Educação para o Desenvolvimento Sustentável em Ação

Por mais de uma década, muitas instituições de ensino superior, organizações não governamentais e agências de governo do mundo inteiro fizeram esforços significativos para incorporar o desenvolvimento sustentável em programas acadêmicos, operações e comunidades locais.

A partir dessas experiências, fica claro que embora haja consenso nos objetivos gerais da EDS, sua criação e implementação nos níveis local, regional e nacional diferem, de acordo com as diferentes condições sociais, econômicas e ambientais, de forma relevante e culturalmente apropriada. Além disso, iniciativas educacionais devem levar em consideração as culturas indígenas e minorias assim como assumir e facilitar suas importantes contribuições para o processo do desenvolvimento sustentável.

O redirecionamento da educação para o desenvolvimento sustentável deve ser apoiado pela cooperação internacional em todos os níveis e por múltiplos parceiros. Cada educador e disciplina têm um aspecto que pode contribuir com o conteúdo e pedagogia da EDS.

As comunidades podem contribuir com o desenvolvimento dos currículos da EDS de forma a garantir que esses reflitam o conhecimento, as habilidades, perspectivas e prioridades das populações locais. Líderes de governo devem dar passos para reorientar as políticas e sistemas nacionais de educação em direção à EDS e estabelecer metas para cumprir compromissos internacionais. Finalmente, redes e parcerias entre governantes, instituições e organizações, sociedade civil, setor privado e mídia podem auxiliar na tradução de conceitos em objetivos e ações.

5.1 Compromissos Internacionais

Líderes de estados, ONGs, empresários e outros grupos reafirmaram seu compromisso em 2002 na Conferência Mundial para o Desenvolvimento Sustentável em Johannesburgo. A centralidade da educação, definida externamente, para a criação de um futuro sustentável é evidente através das diversas referências em quase todos os capítulos do Plano de Implementação e no Parágrafo 18 da Declaração Política. O Plano de Implementação da Conferência Mundial reconhece a educação como crucial para o desenvolvimento sustentável por seu próprio mérito, mas também a vê como peça chave para transformações e uma ferramenta para atender questões como igualdade de gênero, desenvolvimento rural, saúde, HIV/AIDS e padrões de consumo, na medida em que elas interceptam a agenda do desenvolvimento sustentável.

5.2 O Papel da UNESCO: Educação para o Desenvolvimento Sustentável

Em 20 de dezembro de 2002, a Assembléia Geral das Nações Unidas adotou, por consenso, a resolução estabelecendo a Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável. A resolução designa o período de dez anos, de 2005 a 2014, e declara a UNESCO como a agência líder para promover a Década. A UNESCO terá um papel duplo a desempenhar: primeiro como agência líder na promoção da Década e segundo como um implementador substantivo da EDS.

Aumentar a qualidade e abrangência da educação e reorientar seus objetivos para reconhecer a importância do desenvolvimento sustentável deve ser uma das maiores prioridades da UNESCO e do mundo na vinda da Década. A Educação para o Desenvolvimento Sustentável deve ser também atenta aos desdobramentos e reformas na educação, particularmente ao Plano de Ação de Dakar de Educação para Todos (EPT), a Década das Nações Unidas para a Alfabetização e os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

O desafio para implementar a Educação para o Desenvolvimento Sustentável requer parcerias entre governos, comunidades acadêmicas e científicas, professores, ONGs, comunidades locais e mídia.

A Década oferece uma oportunidade para a UNESCO e seus parceiros para reorientar a educação em direção à consciência de que todos nós compartilhamos um destino comum e um compromisso de um futuro melhor para as pessoas e o planeta.

6. Referências

CORRÊA, André Micaldas. Conservação Ambiental. Versão 2005 MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE – MMA. Diretoria de Educação Ambiental (DEA), Projeto Político Pedagógico de Formação de Educadores Ambientais, s/d.
Mundo Educação. Disponível em: http://www.mundoeducacao.com.br/biologia/preservacao-ambiental.htm.
Acesso: 13/02/2010 SILVA, Lélio Costa. Desenvolvimento Sustentável. Disponível em: http://meumundosustentavel.com/noticias/texto-desenvolvimento-sustentavel/ Acesso: 24/02/2010 UNESCO, Educação para o Desenvolvimento Sustentável: o papel do setor educacional, um relatório preparado pela EDS. Encontro intersetorial, 5 de março de 2003. Disponível em: http://www.recea.org.br/acervo/arquivos/sumexec_eds.pdf Acesso: 06/03/2010 TAUTZ, Carlos. A natureza começa dar o troco. Revista Brasileira de Saneamento e Meio Ambiente, São Paulo,30,p 22-29, abril/junho de 2004.
TOMAZELLO, M.G.C. Educação ambiental: abordagem pedagógica de trabalho por projeto. Revista Eletrônica do Mestrado em Educação Ambiental. vol. 05.jan/fev/mar 2001. p. 1-6. Disponível em: http://www.remea.furg.br/ Acesso: 24/02/2010

7. Anexo Desenvolvimento Sustentável

Desenvolvimento sustentável é o desafio de conciliar progresso e ecologia. É o ecodesenvolvimento. É aquele desenvolvimento que atende às necessidades da geração atual sem comprometer a sobrevivência das gerações futuras.

Uma das chaves do desenvolvimento sustentável é a educação ambiental. Essa educação deve basear-se no fato de que a biosfera (solos, água e ar) tem capacidade limitada e as ações do homem podem acarretar modificações nefastas à saúde e à segurança das populações. Essa educação deve demonstrar que, para se desenvolver, todo ser humano depende das condições de seu meio ambiente, e deve acentuar que nenhuma geração pode arrogar-se o direito de destruir os elementos necessários à sobrevivência da geração seguinte.

“Os recursos a serem investidos na conservação ambiental poderiam ser conseguidos mediante solidariedade internacional: por exemplo, substituindo gastos militares por investimentos em meio ambiente, ou estabelecendo um imposto mundial sobre a fabricação e consumo de produtos poluentes, ou criando um fundo mundial de proteção da atmosfera.

Os recursos desse fundo viriam de impostos sobre a emissão de dióxido de carbono e outros gases causadores do efeito estufa. Esse fundo permitiria aperfeiçoar sistemas energéticos menos poluentes, e garantiria também uma partilha mais justa dos custos de despoluir o meio ambiente e proteger a diversidade biológica.” (Berns von Droste, da Unesco) Desenvolvimento sustentável é a continuidade do progresso científico, econômico e social da humanidade sem prejuízos graves à natureza e a manutenção dos recursos para as gerações futuras.

Problemas Ambientais no Planeta Poluição

A poluição é geralmente conseqüência da atividade humana. É causada pela introdução de substâncias (ou de condições), que normalmente não estão no ambiente ou que nele existem em pequenas quantidades.

Poluente é o detrito introduzido num ecossistema não adaptado a ele, ou que não suporta as quantidades que são nele introduzidas. Dois exemplos de poluentes: o gás carbônico (CO2) e fezes humanas.

O CO2 das fogueiras do homem primitivo não era poluente, já que era facilmente reciclado pelas plantas. O mesmo gás, hoje produzido em quantidades muito maiores, é poluente e contribui para o agravamento do conhecido "efeito-estufa". Fezes humanas que são jogadas em pequena quantidade numa lagoa podem não ser poluentes, por serem facilmente decompostas por microorganismos da água. Em quantidades maiores, excedem a capacidade de reciclagem da lagoa e causam a morte da maioria dos organismos; neste caso, são poluentes.

Cidades sufocadas

O fenômeno conhecido como inversão térmica, bastante freqüente em cidades como São Paulo, traz sérios problemas de saúde à população. Ele é assim explicado: normalmente, as camadas inferiores de ar sobre uma cidade são mais quentes de que as superiores e tendem a subir, carregando as poeiras em suspensão. Os ventos carregam os poluentes para longe da cidade grande. No entanto, em certas épocas do ano, há fatores que favorecem o fato de camadas inferiores ficarem mais frias que as superiores.

O ar frio, mais denso, não sobe; por isso, não há circulação vertical e a concentração de poluentes aumenta. Se houver além disso falta de ventos, um denso "manto" de poluentes se mantém sobre a cidade por vários dias.

Poluição de água

O petróleo derramado nos mares prejudica a fotossíntese, por interferir na chegada de luz ao fitoplâncton. São assim afetadas as cadeias alimentares marinhas.

O acúmulo de certos detritos inertes, como poeiras e argilas, também interfere na transparência da água do mar, de rios e de lagoas e, portanto, compromete a realização da fotossíntese.

O despejo de esgoto no mar pode tornar as praias impróprias para o banho, transformando-as em fontes de contaminação por vírus e bactérias.

Esgoto orgânico, doméstico ou industrial, lançado nas águas de rios ou lagoas, pode acabar "matando" o ecossistema.

A água quente usada em usinas atômicas, quando lançada nos rios ou nos mares, diminui a solubilidade do O2 na água; isso afeta os organismos sensíveis à diminuição do oxigênio.

O despejo de substâncias não-biodegradáveis, como detergentes, não sofre ataque dos decompositores e permanecem muito tempo nos ecossistemas. Formam montanhas de espuma em rios poluídos.

Sais de chumbo, de níquel, de cádmio, de zinco ou de mercúrio despejados pelas indústrias propagam-se pelas cadeias alimentares aquáticas, intoxicando os organismos e, eventualmente, o homem.

Chuva ácida

A chuva ácida é uma das principais conseqüências da poluição do ar.

As queimas de carvão ou de derivados de petróleo liberam resíduos gasosos, como óxidos de nitrogênio e de enxofre. A reação dessas substâncias com a água forma ácido nítrico e ácido sulfúrico, presentes nas precipitações de chuva ácida.

Os poluentes do ar são carregados pelos ventos e viajam milhares de quilômetros; assim, as chuvas ácidas podem cair a grandes distâncias das fontes poluidoras, prejudicando outros países.

O solo se empobrece e a vegetação fica comprometida. A acidificação prejudica os organismos em rios e lagoas, comprometendo a pesca.

Monumentos de mármore são corroídos, aos poucos, pela chuva ácida.

Desmatamento e extinção de espécies

Desmatar leva à destruição dos ecossistemas e à extinção das espécies que neles vivem. A ciência identificou até hoje cerca de 1,4 milhões de espécies biológicas. Desconfia-se que devam existir 30 milhões ainda por identificar, a maior parte delas em regiões como as florestas tropicais úmidas.

Calcula-se que desaparecem 100 espécies a cada dia, por causa do desmatamento.

Planeta superlotado

A cada segundo, nascem três novos habitantes em nosso planeta.

Hoje, existem 6 bilhões de habitantes. A população humana está crescendo em 100 milhões de pessoas por ano, o que significa mais um bilhão de pessoas para a próxima década. 90% desses nascimentos ocorrerão nos países subdesenvolvidos. Até o ano 2150, estima-se que chegaremos a quase o dobro da população atual.

O crescimento das populações humanas aumenta terrivelmente a gravidade dos problemas que a Terra já enfrenta. Eis alguns deles: o Maior necessidade de energia - Por enquanto, gerar energia leva a um aumento da poluição (queima de combustíveis como petróleo ou carvão), ou a destruição de ecossistemas (construção de hidrelétricas), ou ainda a riscos de contaminação por radiação (usinas atômicas). Métodos menos poluentes, como energia solar, poderão talvez resolver o problema.

o Mais bocas para nutrir - Implicando maior produção de alimento e, portanto, necessidade crescente de terras agriculturáveis, às custas de mais desmatamento. Hoje, o planeta perde um hectare de solo aproveitável para a agricultura a cada 8 segundos. Buscar um aumento na eficiência da produção de alimentos, através de maior mecanização da agricultura, levaria à degradação maior do solo. Além disso, a utilização intensiva de adubos e pesticidas aumentaria a poluição do solo e dos lençóis de água.

o Maior pressão de consumo - Gera maior demanda de recursos naturais não-retornáveis, como os metais e o petróleo. Além do esgotamento precoce desses recursos, mais resíduos serão produzidos, intensificando a poluição: o homem poderá afogar-se no seu próprio lixo!

Buraco na camada de ozônio

Os raios ultravioleta, presentes na luz solar, causam mutações nos seres vivos, modificando suas moléculas de DNA. No homem, o excesso de ultravioleta pode causar câncer de pele. A camada de gás ozônio (O3), existente na estratosfera, é um eficiente filtro de ultravioleta. O ozônio forma-se pela exposição de moléculas de oxigênio (O2) à radiação solar ou às descargas elétricas.

Detectou-se nos últimos anos, durante o inverno, um grande "buraco" na camada de ozônio, logo acima do Pólo Sul; este buraco tem aumentado a cada ano, chegando à extensão da América do Norte. Foi verificado que a camada de ozônio está também diminuindo de espessura acima do Pólo Norte.

Acredita-se que os maiores responsáveis por esta destruição sejam gases chamados CFC (clorofluorcarbonos).

Estas substâncias são usadas como gases de refrigeração, em aerossóis (spray) e como matérias-primas para a produção de isopor. Os CFC se decompõem nas altas camadas da atmosfera e acabam por destruir as moléculas de ozônio, prejudicando assim a filtração da radiação ultravioleta.

"Um provérbio indígena questiona se somente quando for cortada a última árvore, pescado o último peixe, poluído o último rio, é que as pessoas vão perceber que não podem comer dinheiro".

ECO 92 - Carta da Terra "A paz, o desenvolvimento e a proteção do meio ambiente são interdependentes e inseparáveis".

Há uma ligação íntima entre os três fatores: a Política, a Economia e a Ecologia, que devem caminhar juntos. Não pode haver paz no planeta e nem proteção ao meio ambiente, se a pobreza continuar existindo em tantas regiões. Os países ricos consomem os recursos naturais de forma exagerada; por isso, são os que mais poluem. Cabe a eles uma parcela importante nos esforços para se conseguir um desenvolvimento sustentado, pelas tecnologias de que dispõem e pelos recursos financeiros que deverão investir.

Denise Peralta Lemes

Fonte: www.ajes.edu.br

Problemas Ambientais

Poluição

A poluição é geralmente conseqüência da atividade humana. É causada pela introdução de substâncias (ou de condições), que normalmente não estão no ambiente ou que nele existem em pequenas quantidades.

Poluente é o detrito introduzido num ecossistema não adaptado a ele, ou que não suporta as quantidades que são nele introduzidas. Dois exemplos de poluentes: o gás carbônico (CO2) e fezes humanas.

O CO2 das fogueiras do homem primitivo não era poluente, já que era facilmente reciclado pelas plantas. O mesmo gás, hoje produzido em quantidades muito maiores, é poluente e contribui para o agravamento do conhecido "efeito-estufa".

Fezes humanas que são jogadas em pequena quantidade numa lagoa podem não ser poluentes, por serem facilmente decompostas por microorganismos da água. Em quantidades maiores, excedem a capacidade de reciclagem da lagoa e causam a morte da maioria dos organismos; neste caso, são poluentes.

Cidades sufocadas

O fenômeno conhecido como inversão térmica, bastante freqüente em cidades como São Paulo, traz sérios problemas de saúde à população. Ele é assim explicado: normalmente, as camadas inferiores de ar sobre uma cidade são mais quentes de que as superiores e tendem a subir, carregando as poeiras em suspensão.

Os ventos carregam os poluentes para longe da cidade grande. No entanto, em certas épocas do ano, há fatores que favorecem o fato de camadas inferiores ficarem mais frias que as superiores.

O ar frio, mais denso, não sobe; por isso, não há circulação vertical e a concentração de poluentes aumenta. Se houver além disso falta de ventos, um denso "manto" de poluentes se mantém sobre a cidade por vários dias.

Poluição de água

O petróleo derramado nos mares prejudica a fotossíntese, por interferir na chegada de luz ao fitoplâncton. São assim afetadas as cadeias alimentares marinhas.

O acúmulo de certos detritos inertes, como poeiras e argilas, também interfere na transparência da água do mar, de rios e de lagoas e, portanto, compromete a realização da fotossíntese.

O despejo de esgoto no mar pode tornar as praias impróprias para o banho, transformando-as em fontes de contaminação por vírus e bactérias. Esgoto orgânico, doméstico ou industrial, lançado nas águas de rios ou lagoas, pode acabar "matando" o ecossistema.

A água quente usada em usinas atômicas, quando lançada nos rios ou nos mares, diminui a solubilidade do O2 na água; isso afeta os organismos sensíveis à diminuição do oxigênio.

O despejo de substâncias não-biodegradáveis, como detergentes, não sofre ataque dos decompositores e permanecem muito tempo nos ecossistemas. Formam montanhas de espuma em rios poluídos.

Sais de chumbo, de níquel, de cádmio, de zinco ou de mercúrio despejados pelas indústrias propagam-se pelas cadeias alimentares aquáticas, intoxicando os organismos e, eventualmente, o homem.

Chuva ácida

A chuva ácida é uma das principais conseqüências da poluição do ar. As queimas de carvão ou de derivados de petróleo liberam resíduos gasosos, como óxidos de nitrogênio e de enxofre. A reação dessas substâncias com a água forma ácido nítrico e ácido sulfúrico, presentes nas precipitações de chuva ácida.

Os poluentes do ar são carregados pelos ventos e viajam milhares de quilômetros; assim, as chuvas ácidas podem cair a grandes distâncias das fontes poluidoras, prejudicando outros países.

O solo se empobrece e a vegetação fica comprometida. A acidificação prejudica os organismos em rios e lagoas, comprometendo a pesca. Monumentos de mármore são corroídos, aos poucos, pela chuva ácida.

Desmatamento e extinção de espécies

Desmatar leva à destruição dos ecossistemas e à extinção das espécies que neles vivem. A ciência identificou até hoje cerca de 1,4 milhões de espécies biológicas. Desconfia-se que devam existir 30 milhões ainda por identificar, a maior parte delas em regiões como as florestas tropicais úmidas. Calcula-se que desaparecem 100 espécies a cada dia, por causa do desmatamento.

Planeta superlotado

A cada segundo, nascem três novos habitantes em nosso planeta. Hoje, existem 6 bilhões de habitantes. A população humana está crescendo em 100 milhões de pessoas por ano, o que significa mais um bilhão de pessoas para a próxima década. 90% desses nascimentos ocorrerão nos países subdesenvolvidos. Até o ano 2150, estima-se que chegaremos a quase o dobro da população atual.

O crescimento das populações humanas aumenta terrivelmente a gravidade dos problemas que a Terra já enfrenta.

Eis alguns deles:

Maior necessidade de energia

Por enquanto, gerar energia leva a um aumento da poluição (queima de combustíveis como petróleo ou carvão), ou a destruição de ecossistemas (construção de hidrelétricas), ou ainda a riscos de contaminação por radiação (usinas atômicas). Métodos menos poluentes, como energia solar, poderão talvez resolver o problema.

Mais bocas para nutrir

Implicando maior produção de alimento e, portanto, necessidade crescente de terras agriculturáveis, às custas de mais desmatamento. Hoje, o planeta perde um hectare de solo aproveitável para a agricultura a cada 8 segundos. Buscar um aumento na eficiência da produção de alimentos, através de maior mecanização da agricultura, levaria à degradação maior do solo. Além disso, a utilização intensiva de adubos e pesticidas aumentaria a poluição do solo e dos lençóis de água.

Maior pressão de consumo

Gera maior demanda de recursos naturais não-retornáveis, como os metais e o petróleo. Além do esgotamento precoce desses recursos, mais resíduos serão produzidos, intensificando a poluição: o homem poderá afogar-se no seu próprio lixo!

Buraco na camada de ozônio

Os raios ultravioleta, presentes na luz solar, causam mutações nos seres vivos, modificando suas moléculas de DNA. No homem, o excesso de ultravioleta pode causar câncer de pele. A camada de gás ozônio (O3), existente na estratosfera, é um eficiente filtro de ultravioleta. O ozônio forma-se pela exposição de moléculas de oxigênio (O2) à radiação solar ou às descargas elétricas.

Detectou-se nos últimos anos, durante o inverno, um grande "buraco" na camada de ozônio, logo acima do Pólo Sul; este buraco tem aumentado a cada ano, chegando à extensão da América do Norte. Foi verificado que a camada de ozônio está também diminuindo de espessura acima do Pólo Norte. Acredita-se que os maiores responsáveis por esta destruição sejam gases chamados CFC (clorofluorcarbonos).

Estas substâncias são usadas como gases de refrigeração, em aerossóis (spray) e como matérias-primas para a produção de isopor. Os CFC se decompõem nas altas camadas da atmosfera e acabam por destruir as moléculas de ozônio, prejudicando assim a filtração da radiação ultravioleta.

"Um provérbio indígena questiona se somente quando for cortada a última árvore, pescado o último peixe, poluído o último rio, é que as pessoas vão perceber que não podem comer dinheiro".

ECO 92 - Carta da Terra

"A paz, o desenvolvimento e a proteção do meio ambiente são interdependentes e inseparáveis".

Há uma ligação íntima entre os três fatores: a Política, a Economia e a Ecologia, que devem caminhar juntos. Não pode haver paz no planeta e nem proteção ao meio ambiente, se a pobreza continuar existindo em tantas regiões.

Os países ricos consomem os recursos naturais de forma exagerada; por isso, são os que mais poluem. Cabe a eles uma parcela importante nos esforços para se conseguir um desenvolvimento sustentado, pelas tecnologias de que dispõem e pelos recursos financeiros que deverão investir.

Fonte: Web Ciência

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