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Produtos Orgânicos

 

Produtos Orgânicos

O que são?

Para ser considerado orgânico, o produto tem que ser produzido em um ambiente de produção orgânica, onde se utiliza como base do processo produtivo os princípios agroecológicos que contemplam o uso responsável do solo, da água, do ar e dos demais recursos naturais, respeitando as relações sociais e culturais.

Na agricultura orgânica não é permitido o uso de substâncias que coloquem em risco a saúde humana e o meio ambiente. Não são utilizados fertilizantes sintéticos solúveis, agrotóxicos e transgênicos. O Brasil, em função de possuir diferentes tipos de solo e clima, uma biodiversidade incrível aliada a uma grande diversidade cultural, é sem dúvida um dos países com maior potencial para o crescimento da produção orgânica.

Prefira os produtos orgânicos

Os produtos orgânicos, tanto de origem animal como vegetal, são mais saudáveis, têm mais sabor e podem estar bem perto de você. Ao consumir os orgânicos, você leva à mesa da sua casa produtos mais saborosos e com todas as vitaminas e minerais preservados. Tal resultado decorre do manejo diferenciado que é dado às plantas e aos animais.

A inserção dos produtos orgânicos nos cardápios de restaurantes tem sido uma forma de valorizar os pratos e marcar uma posição de responsabilidade dos estabelecimentos por estimularem o desenvolvimento sustentável.

Os Produtos orgânicos e meio ambiente

Uma das características fundamentais da produção orgânica é a preocupação com o meio ambiente. Os sistemas orgânicos de produção priorizam o uso responsável dos recursos naturais, contribuindo para o desenvolvimento sustentável. A agricultura orgânica busca diversificar e integrar a produção de espécies vegetais e animais com o objetivo de criar ecossistemas mais equilibrados.

Consumo responsável

Ao consumir produtos orgânicos, você contribui para o fortalecimento dessa grande rede de pessoas e instituições que trabalham em prol de uma melhor qualidade de vida para as gerações atuais e futuras. O consumidor responsável deve considerar e valorizar, no ato da compra, os produtos da estação, os regionais, aqueles que fortalecem os produtores locais e os que têm processo de produção e embalagens que agridem menos o meio ambiente.

O que é Agricultura Orgânica

Os produtos orgânicos são cultivados sem o uso de agrotóxicos, adubos químicos e outras substâncias tóxicas e sintéticas. A ideia é evitar a contaminação dos alimentos ou do meio ambiente. O resultado desse processo são produtos mais saudáveis, nutritivos e com mais qualidade de produção, o que garante a saúde de sua família e a do Planeta.

A agricultura orgânica busca criar ecossistemas mais equilibrados, preservar a biodiversidade, os ciclos e as atividades biológicas do solo. Esta é a razão pela qual o agricultor orgânico não cultiva produtos transgênicos, pois ele não quer colocar em risco a diversidade de variedades que existem na natureza.

Verduras, legumes, frutas, castanhas, carnes, pães, café, laticínios, sucos e outros produtos "in natura" e processados _ só podem ser considerados  orgânicos se forem cultivados dentro de ambiente de plantio orgânico, respeitando todas as regras do setor.  

O comércio de produtos orgânicos no Brasil, bem como no mundo, depende da relação de confiança entre produtores e consumidores e dos sistemas de controle de qualidade.

As leis brasileiras abriram uma exceção à obrigatoriedade de certificação dos produtos orgânicos para agricultura familiar que hoje pode vender os orgânicos diretamente aos consumidores finais. Para isso, porém, os agricultores precisam estar vinculados a uma Organização de Controle Social - OCS.

O que é agroecologia?

É uma nova abordagem que integra os conhecimentos científicos (agronômicos, veterinários, zootécnico, ecológicos, sociais, econômicos e antropológicos) aos conhecimentos populares para a compreensão, avaliação e implementação de sistemas agrícolas, com vistas a sustentabilidade. Não se trata de uma prática agrícola específica ou um sistema de produção.

O que é um ecossistema?

Um sistema funcional de relações complementares entre os organismos vivos e seu ambiente, que apresenta limites no espaço e no tempo para manter um contínuo equilíbrio dinâmico. Pode-se ter ecossistemas naturais ou manipulados pelo homem, como os agroecossitemas.

O que é um agroecossistema?

É a interpretação, avaliação e manejo do sistema agrícola, a exemplo de um ecossistema. Permite conduzir a produção com base nas interrelações entre os elementos constituintes desses sistemas, como homem e recursos naturais (solo, água, plantas e organismos e microrganismos) e entre outros sistemas externos, sob o aspecto econômico, social, cultural e ambiental. Assim, nos agroecossistemas é considerado o complexo conjunto das interações biológicas, físicas e químicas que determinam o processo de obtenção e manutenção em longo prazo da produção, que não se restringe à preocupação isolada com as saídas dos sistemas (produtividade ou rendimento das atividades agropecuárias).

Como surgiu o termo agricultura orgânica que usamos hoje em dia?

Na década de 1920 surgiram, quase que simultaneamente, alguns movimentos contrários à adubação química, que valorizavam o uso da matéria orgânica e de outras práticas culturais favoráveis aos processos biológicos.

Esses movimentos podem ser agrupados em quatro grandes vertentes: agricultura biodinâmica, orgânica, biológica e natural. Com o passar do tempo apareceram outras designações variantes das quatro vertentes citadas ou denominações recentes de uso restrito. Tais como, método Lemaire-Boucher, permacultura, ecológica, ecologicamente apropriada, regenerativa, agricultura poupadora de insumos e renovável.

Nos anos 1970, o conjunto dessas vertentes passaria a ser chamado de agricultura alternativa. Em seguida, o termo agricultura orgânica passou a ser comumente usado com o sentido de agricultura alternativa. O texto da Lei 10.831, de dezembro de 2003, considera como sistema orgânico de produção agropecuária todo aquele em que se adotam técnicas específicas, mediante a otimização do uso dos recursos naturais e socioeconômicos disponíveis e o respeito à integridade cultural das comunidades rurais. O objetivo é garantir a sustentabilidade econômica e ecológica, a maximização dos benefícios sociais, a minimização da dependência de energia não-renovável, empregando, sempre que possível, métodos culturais, biológicos e mecânicos, em contraposição ao uso de materiais sintéticos, a eliminação do uso de organismos geneticamente modificados e radiações ionizantes, em qualquer fase do processo de produção, processamento, armazenamento, distribuição e comercialização, e a proteção do meio ambiente.

O conceito de sistema orgânico de produção agropecuária e industrial abrange os denominados: ecológico, biodinâmico, natural, regenerativo, biológico, agroecológicos, permacultura e outros que atendam os princípios estabelecidos na Lei 10.831

Quais são os princípios dos sistemas orgânicos de produção?

I - Contribuição da rede de produção orgânica ao desenvolvimento local, social e econômico sustentáveis;
II - Manutenção de esforços contínuos da rede de produção orgânica no cumprimento da legislação ambiental e trabalhista pertinentes na unidade de produção, considerada na sua totalidade;
III - Relações de trabalho baseadas no tratamento com justiça, dignidade e eqüidade, independentemente das formas de contrato de trabalho;
IV - Incentivo à integração da rede de produção orgânica e à regionalização da produção e comércio dos produtos, estimulando a relação direta entre o produtor e o consumidor final;
V – Produção e consumo responsáveis, comércio justo e solidário baseados em procedimentos éticos;
VI - Desenvolvimento de sistemas agropecuários baseados em recursos renováveis e organizados localmente;
VII - Inclusão de práticas sustentáveis em todo o seu processo, desde a escolha do produto a ser cultivado até sua colocação no mercado, incluindo o manejo dos sistemas de produção e dos resíduos gerados;
VIII - Oferta de produtos saudáveis, isentos de contaminantes, oriundos do emprego intencional de produtos e processos que possam gerá-los e que ponham em risco a saúde do produtor, do trabalhador ou do consumidor e o meio ambiente;
IX - Preservação da diversidade biológica dos ecossistemas naturais, a recomposição ou incremento da diversidade biológica dos ecossistemas modificados em que se insere o sistema de produção, com especial atenção às espécies ameaçadas de extinção, e a diversificação da paisagem e produção vegetal;
X - Uso de boas práticas de manuseio e processamento com o propósito de manter a integridade orgânica e as qualidades vitais do produto em todas as etapas;
XI - Adoção de práticas na unidade de produção que contemplem o uso saudável do solo, da água e do ar de modo a reduzir ao mínimo todas as formas de contaminação e desperdícios desses elementos;
XII - Utilização de práticas de manejo produtivo que preservem as condições de bem-estar dos animais; o manejo produtivo deve permitir condições onde os animais vivam livres de dor, sofrimento, angústia, em um ambiente em que possam expressar proximidade com o comportamento em seu habitat original, compreendendo movimentação, territorialidade, descanso e ritual reprodutivo. A nutrição dos animais deve assegurar alimentações balanceadas, correspondentes à fisiologia e comportamento de cada raça;
XIII - Incremento dos meios necessários ao desenvolvimento e equilíbrio da atividade biológica do solo;
XIV - Emprego de produtos e processos que mantenham ou incrementem a fertilidade do solo em longo prazo;
XV - Reciclagem de resíduos de origem orgânica, reduzindo ao mínimo o emprego de recursos não-renováveis;
XVI - Manutenção do equilíbrio no balanço energético do processo produtivo;
XIX - Conversão progressiva de toda a unidade de produção para o sistema orgânico.

O que é o equilíbrio ecológico?

Estado ou condição de um ambiente natural ou manejado pelo homem em que ocorrem relações harmoniosas entre os organismos vivos e entre estes e o meio ambiente, ao longo do tempo.

O que é diversidade biológica ou biodiversidade?

Compreende todas as formas de vida do planeta (animais, plantas e microorganismos), suas diferentes relações e funções e os diversos ambientes formados por eles.

Quais as vantagens da biodiversidade?

É responsável pela manutenção e recuperação do equilíbrio e estabilidade dos ambientes naturais e manejados pelo homem. Proporciona o aumento da frequência de reprodução, da taxa de crescimento, do tamanho e da diversidade de organismos vivos num dado espaço; e o consequente surgimento e manutenção de espécies que sustentam outras formas de vida e modificam o ambiente, tornando-o apropriado e seguro para a vida.

Qual a relação e importância da biodiversidade para a agricultura orgânica?

Um dos princípios da produção orgânica é a preservação e ampliação da biodiversidade. A restituição da biodiversidade vegetal permite o restabelecimento de inúmeras interações entre o solo, as plantas e os animais, resultando em efeitos benéficos para o agroecossistema.

Entre estes efeitos pode-se citar: variedade na dieta alimentar e de produtos para o mercado; uso eficaz e conservação do solo e da água, através da proteção com cobertura vegetal contínua, manejo da matéria orgânica e implantação de quebra ventos; otimização na utilização de recursos locais; e controle biológico natural.

Fonte: www.prefiraorganicos.com.br

Produtos Orgânicos

O que são produtos orgânicos?

Em poucas palavras: São produtos cultivados sem o uso de fertilizantes, agrotóxicos, hormônios ou sementes geneticamente modificadas.

No Brasil ainda é relativamente pequena sua produção (70% da produção de orgânicos no Brasil vem de núcleos de agricultura familiar), por isso nem sempre é possível encontrar tudo o que se gostaria em determinadas épocas. Itens cultivados sem serem borrifados com agrotóxicos (100% naturais) são menores e um pouco mais feiosos que os convencionais, porém os micronutrientes, (minerais, vitaminas e fitoquímicos, antibióticos naturais sintetizados por todas as plantas) estão presentes em maiores quantidades. A proliferação de bactérias nos orgânicos é menor porque eles têm menos água em sua composição.

Resultado: a durabilidade é muito maior.

O modelo de produção de orgânicos é socialmente mais justo e traz benefícios ecológicos em escala global. O ideal ecológico prega a independência do agricultor em relação à indústria agro-química. Ao abrir mão dos químicos e se preocupar com a fertilidade da terra, em vez de se ater apenas aos resultados da produção, ele está defendendo a biodiversidade e protegendo o meio ambiente.

Hoje, há várias instituições que dão certificados de garantia a produtos orgânicos: algumas das mais importantes são o IBD, a EcoCert e a AAOCert que só concedem o selo de qualidade a quem estiver em dia com uma agenda social (que inclui o combate ao trabalho infantil e cuidados com a saúde e a moradia dos agricultores) e ecológica!

Por que consumir orgânicos?

Afinal o que tem levado mais e mais consumidores a aderirem ao consumo de produtos orgânicos?

Pesquisas realizadas em várias partes do mundo apontam para três motivos: a preocupação com a saúde; a vontade de participar na proteção do meio ambiente e a busca de sabor e frescor nos alimentos consumidos.

Preocupação com a saúde

É a principal motivação dos consumidores de produtos orgânicos. Eles aspiram por uma alimentação mais saudável, natural e equilibrada. Você sabia que durante a existência de uma pessoa (com média de 70 anos) transitam cerca de 25 toneladas de alimento pelo sistema digestivo. Mesmo que contaminados com teores baixos de agentes químicos, pode ocorrer alguma intoxicação em determinado período do ciclo de vida. Um dos problemas no diagnóstico é que não existem sintomas característicos da epidemia de intoxicação subclínica por agrotóxico. Segundo HIGASHI (2002) , nenhum medicamento pode agir adequadamente em pacientes com acúmulo de agrotóxicos em seu organismo.

Meio ambiente

Pesquisa do IBOPE Opinião revela que os transgênicos não têm boa aceitação no Brasil. Enquanto existirem divergências entre os cientistas em relação a possíveis prejuízos à saúde e ao meio ambiente, 65% dos entrevistados afirmam que os transgênicos deveriam ser proibidos.

Melhor sabor

Encontrar o gosto autêntico dos alimentos no sabor das frutas, dos legumes e nas carnes provenientes de animais criados soltos é uma preocupação constante.

Além disso, os alimentos orgânicos são livres de antibióticos, hormônios de crescimento, sendo processados sem o uso de aromas artificiais, conservantes e corantes.

Pesquisas de análise sensorial comparando alimentos orgânicos e convencionais mostraram superioridade do alimento orgânico, sobretudo em preparo ao vapor (Marinho Carvalho, 2004 - EMBRAPA ).

Referências

HIGASHI, T. Agrotóxicos e a saúde humana. Agroecologia Hoje. Ano II, N. 12, Dezembro 2001 - Janeiro 2002. p. 5-8.

Fonte: www.vivacomorganicos.com.br

Produtos Orgânicos

Produtos Orgânicos

Produtos orgânicos: que negócio é esse?

Os consumidores exigem alimentos saudáveis, nutritivos, naturais e equilibrados.

Segurança alimentar é a ordem do dia!

Cada vez adquire mais força a voz dos compradores conscientes, preocupados com a saúde e bem-estar, que buscam uma melhor qualidade de vida e procuram encontrar alimentos de alta qualidade e com gosto autêntico, sentir o sabor e frescor das frutas, legumes, carnes e hortaliças.

Neste mundo globalizado onde tudo se passa de maneira veloz, queremos degustar na comida o antigamente, lembrar das comidinhas feitas em casa pelas avós.

Os mesmos consumidores preocupam-se com o meio ambiente e preferem comprar daqueles produtores que com suas lavouras não o degradem.

A produção orgânica não usa agrotóxicos e resulta de sistemas de manejo de recursos naturais equilibrados e harmônicos. Os consumidores, sobretudo os europeus, desejam conhecer como foram produzidos e preparados os alimentos.

Produtos orgânicos e lavouras agroecológicas são nichos, segmentos de mercado, um modismo passageiro ou negócios com grande potencial do qual podem participar pequenos e grandes produtores? O mercado de orgânicos está em rápida expansão, sobretudo na Europa, e cada produto leva na sua embalagem o carimbo de certificação. Este serve como instrumento de garantia ao comprador de que está consumindo o resultado de um rigoroso sistema de produção, de processos ecológicos que não agridem ao meio ambiente, onde existe a conservação e recuperação da diversidade ambiental. Isto sem mencionar o respeito total às regulamentações trabalhistas, indispensáveis à certificação orgânica. É um modo de oferecer a transparência exigida pelos consumidores.

O mercado de produtos orgânicos engloba as práticas desde antes da porteira da fazenda e que se estendem por toda a cadeia de processamento, manuseio, armazenamento e transporte até os alimentos chegarem ao supermercado ou ponto de varejo. Todos os elos são responsáveis pela preservação da qualidade do produto.

Além da preocupação com a segurança alimentar e com o meio ambiente, cresce na Europa a preocupação com a responsabilidade social do produtor rural. O consumidor deseja conhecer quem é o produtor, como é a fazenda, qual é sua filosofia de vida, seu aporte e relação com o desenvolvimento da região onde está situado, que se espera tenha prosperado com a presença da fazenda orgânica. Na criação animal espera-se que o produtor leve em conta todas as boas práticas relativas à saúde e bem-estar animal.

Quais são as práticas trabalhistas da fazenda? Os trabalhadores têm carteira assinada, existem escolas para seus filhos, assistência médica e lazer? Abre-se então uma janela pela qual o comprador dos produtos orgânicos olha para os produtores, que não são mais anônimos e podem ser julgados pelo consumidor. Eles agora têm uma face.

Até cerca de 15 anos atrás os produtos orgânicos podiam ser adquiridos em feiras livres, ou através de pequenos produtores ou lojas naturais, sempre à margem do varejo convencional. Hoje os orgânicos chegaram à maioridade e não são mais vistos como marginais. A popularidade tem crescido, não só na Europa, mas também no Brasil e nos Estados Unidos onde alguns alimentos estão sendo produzidos por empresas gigantes que vão da Nestlé a Unilever.

O suco de laranja orgânico que é comercializado sob a marca Odwalla, pertence à Minute Mait, divisão da Coca Cola. Por exemplo, a empresa Cascadian Farms, uma subsidiária do Small Planet Foods, representa a divisão de agronegócios da gigante General Mills que por sua vez tem Philip Morris, General Electric, Nike, McDonald´s, Monsanto, Dupont e outras entre suas principais acionistas. Marcas conhecidas em outras áreas, como Wal-Mart, Citigroup, Microsoft e Danone também participam deste mercado.

Como aparecer e ganhar espaço neste mercado mais exigente

Mas a face da produção orgânica pode não ser tão risonha.

Principalmente para os pequenos agricultores brasileiros. As regulamentações dos grandes mercados importadores vêm se tornando cada vez mais exigentes, talvez mais que o mercado de produtos convencionais. Os casos de vaca louca, febre aftosa e gripe aviária assustaram os europeus.

O produtor rural, empreendedor (a) ou empresa que decidir participar deste exigente mercado pode levar em média dois anos até adequar sua fazenda aos requerimentos da produção orgânica, dentre eles a certificação. Ela é cara, mas pequenos produtores podem se unir em grupos, através de cooperativas e associações, o que pode ser a saída para reduzir burocracia e custos. Um plano de negócios racional deve levar em conta que o investimento não é baixo e o retorno é de médio a longo prazo. Para não correr riscos desnecessários, as próprias certificadoras credenciadas e outras empresas oferecem consultoria, garantindo ao consumidor a idoneidade de produtos e produtores.

Nos EUA já existe até uma cadeia de supermercados orgânicos, a Whole Foods. Ela apresentou uma taxa de crescimento de 20%, com vendas de US$ 3,5 bilhões. Em 2004 foi inaugurada uma monumental loja no centro de Manhattan (no centro de Nova Iorque), onde consegue destacar-se pela apresentação atraente de seus produtos. Seth Lubove, na revista norte-americana de economia Forbes, afirma que os produtos da Whole Foods são apresentados ao consumidor de maneira sedutora. Eles contam uma história que serve de chamariz para as pessoas que desejam consumir produtos provenientes de fazendas e criadores com que eles possam se identificar.

A cadeia desenvolveu até um personagem próprio, Rosie, uma galinha caipira, que, antes de acabar sem penas e cabeça sobre uma cama de gelo no supermercado, morava num sítio na Califórnia, se exercitava ao ar livre e comia milho dourado.

E, segundo o panfleto de papel reciclado que acompanha o produto, ela nunca recebeu antibióticos ou hormônios de crescimento. Rosie é comercializada a duas vezes o preço das galinhas convencionais.

Até o macarrão vendido na cadeia não é composto somente de água e trigo embalado num simples pacote. “Pasta” representa o trabalho da vida de um artesão italiano chamado Gino, que, de sua fazenda com vista para o Mar Adriático, coloca seus produtos no Whole Foods iluminados como numa galeria de arte. O preço? US$ 2,49 por um pacote de 0,454 kg, o que representa 70% a mais do cobrado pela venda de outros tipos de macarrões.

O produto, visto através da transparência das embalagens, deve “gritar”: “sou fresco, sou gostoso, fui feito com carinho e sob restritas normas de qualidade para você”. Embalagens coloridas e atrativas levam esse recado aos consumidores.

Os preços dos produtos orgânicos acabam sendo mais altos do que os dos produtos convencionais, e os consumidores, mais exigentes, devem ser tratados de maneira distinta.

Devemos colocar no mercado produtos diferenciados, vender qualidade, segurança alimentar e credibilidade. No mercado dos orgânicos existe espaço para empreendedores inovadores dispostos a participar de um mercado exigente e que atrai cada vez produtores especializados e grandes empresas.

Sylvia Wachsner

Fonte: www.sna.agr.br

Produtos Orgânicos

Produtos Orgânicos

O que são Produtos Orgânicos?

Produto orgânico é um alimento sadio, limpo, cultivado sem agrotóxicos e sem fertilizantes químicos.

Eles provêm de sistemas agrícolas baseados em processos naturais, que não agridem a natureza e mantêm a vida do solo intacta.

As técnicas usadas para se obter o produto orgânico incluem emprego de compostagem, da adubação verde, o manejo orgânico do solo e da diversidade de culturas, que garantem a mais alta qualidade biológica dos alimentos.

O produto orgânico é completamente diferente do produto da agricultura convencional, que emprega doses maciças de inseticidas, fungicidas, herbicidas e adubos químicos altamente solúveis.

Esses agroquímicos fazem com que os alimentos tenham baixo valor nutricional e, em sua toxicidade pode estar a causa de muitas doenças, que afetam o homem, em proporção crescente. Além do mais, esses agroquímicos contaminam o ambiente, poluindo a água, o ar, a terra, a flora e a fauna.

A Agricultura Orgânica é o modo verdadeiramente científico e respeitoso de produzir alimentos saudáveis e assegurar a integridade do meio ambiente.

ALGUMAS RAZÕES PARA CONSUMIR PRODUTOS ORGÂNICOS

Seu sabor é melhor - O sabor é pessoal, porém existem certos critérios determinados por "degustadores" que afirmam que os alimentos orgânicos possuem mais "gosto" que os alimentos produzidos pelo sistema convencional.

É mais saudável - Os produtos orgânicos crescem sem pesticidas e fertilizantes químicos sintetizados artificialmente. Muitas pessoas possuem hábitos de descascar a cenoura para o preparo de uma salada, devido à possibilidade de ingestão de pesticidas presentes em sua casca. Escolhendo os produtos orgânicos, o consumidor usufrui na totalidade as frutas e vegetais sem a preocupação com o consumo de pesticidas.

São produtos livres de organismos geneticamente modificados - A prática da engenharia genética cria novas formas artificiais de vida que não possuem um desenvolvimento natural. Este processo visa extrair e enxertar genes de uma espécie em outra, para criar novos tipos de safras e animais, objetivando assim uma melhor produtividade e colheita. O assunto é polêmico e ninguém pode afirmar categoricamente sobre os efeitos destes alimentos na genética dos nossos filhos e netos.

É uma cultura que está em harmonia com o meio ambiente - Fertilizantes artificiais e pesticidas são levados aos rios, lagos e lençóis freáticos através das chuvas e/ou irrigação. Traços de pesticidas são encontrados em peixes, gado e outros animais que se nutrem destas águas.

É uma agricultura sustentável - Nos anos 90 foi bem difundida a cultura de "usar o solo até esgotá-lo". Em uma fazenda orgânica as gerações futuras podem usufruir da terra e seus benefícios, pois este tipo de cultura nutre o solo, alimentado-o naturalmente com produtos originados por compostagem e estercos.

É mais nutritivo - Alimentos frescos orgânicos normalmente possuem menor teor de água em sua composição, quando comparado com os alimentos convencionais (aproximadamente 20% menos). Isto significa que os nutrientes estão mais concentrados. Assim como o conteúdo de açúcar, motivo do sabor mais adocicado dos vegetais orgânicos. Produções orgânicas tendem a ter maiores níveis de vitaminas, como em tomates orgânicos, que contêm 23% mais vitamina A do que os convencionais.

IMPORTANTE: O fato de ser um alimento orgânico não elimina a necessidade de lavarmos e desinfetá-los, pois etapas como a água de rega, contato com a terra, manuseio humano e o transporte, são fontes naturais de contaminação.

O que acontece quando você compra produtos orgânicos

1) Sua comida é mais gostosa

Esta é a simples razão pela qual muitos dos famosos chefs  procuram produtos orgânicos.  

2) As substâncias químicas ficam fora de seu prato

" Produzido organicamente" significa produzido sem pesticidas, herbicidas ou fungicidas tóxicos ou fertilizantes artificiais que danificam o solo. Um relatório da Academia Americana de Ciências, de 1987, calculou em 1 milhão e 400 mil os novos casos de câncer provocados por pesticidas.

3) Você protege as futuras gerações

Um relatório recente do Environmental Group (Grupo de Trabalho Ambiental) diz: " Quando uma criança completa um ano de idade, já recebeu a dose máxima aceitável para uma vida inteira de oito pesticidas que provocam câncer". As crianças são as mais vulneráveis.

4) Você protege a qualidade da água

Somos compostos por 2/3 de água. Pesticidas infiltram nos lençóis freáticos e córregos de água. A Agência de Proteção Ambiental Americana calcula que os pesticidas, alguns deles causadores de câncer, já poluem metade da água potável dos EUA.

5) Você refaz bons solos

Revertemos a perda anual de bilhões de toneladas de terra boa. Na América do Norte, agricultores orgânicos usam compostos e cobertura verde para tornar o solo vivo e saudável novamente. Isso traz de volta o sabor do alimento.

6) Você gasta menos, com melhor nutrição

Um estudo preliminar dos " Doctor´s Data" (Dados Médicos) de Chicago indica que frutas e hortaliças orgânicas contém 2,5 vezes mais minerais que o alimento produzido artificialmente.

7) Você paga o verdadeiro custo da comida

O alimento orgânico é, na realidade, a forma mais barata de comida. Uma alface convencional parece custar 50centavos, mas não se esqueça os custos ambientais e médicos.

O escritor Gary Null diz: " Se você somar o real custo ambiental e social de um pé de alface, ele pode vir a custar de 2 a 3 dólares.

8) Você ajuda o pequeno agricultor

O trabalhador rural precisa ser preservado, não o alimento. Comprar o produto orgânico ajuda a acabar com o envenenamento por pesticidas de cerca de um milhão de agricultores por ano, no mundo inteiro, e ajuda a manter as pequenas propriedades.

9) Você ajuda a restaurar a biodiversidade

Fazendas orgânicas criam ecossistemas fortes equilibrados e culturas mistas, em vez de monoculturas, que são mais sensíveis a pragas. Apesar do uso de pesticidas ter aumentado, as perdas por causa de insetos estão cada vez maiores.

10) Você reduz o aquecimento global e economiza energia

O solo tratado com substâncias químicas libera uma quantidade enorme de gás carbônico, gás metano e óxido nitroso, segundo Lovins, do Instituto das Montanhas Rochosas. A agricultura e administração florestal sustentáveis podem eliminar 25% do aquecimento global. Atualmente, mais energia é consumida para produzir fertilizantes artificiais do que para plantar e colher todas as safras.  

Não Confunda: Hidropônico não é Orgânico

Com a atual variedade de produtos nos supermercados, fica difícil para o consumidor não se confundir entre tantos nomes: natural, hidropônico, processado, orgânico… A seguir, veremos com mais detalhes cada uma dessas denominações.

“Natural”

Em princípio, vale lembrar de que toda verdura, fruta ou legume é natural, já que o homem pode apenas reproduzir plantas a partir de sementes ou outras partes de plantas, multiplicando-as através da agricultura. Ou seja, independentemente do sistema em que foram produzidos (convencional ou orgânico), do grau de contaminação ou da qualidade nutricional que apresentem, qualquer verdura, legume ou fruta é natural. Portanto, a palavra “natural” indicada nas embalagens não significa que o produto esteja isento de agrotóxicos e outras substâncias que trazem riscos para a saúde humana.

“Processado”

Os produtos lavados, cortados e embalados, usados para facilitar a vida da dona de casa, continuam sendo verduras e legumes convencionais, ou seja, que receberam agrotóxicos e adubos químicos; apenas já foram selecionados pela indústria. Atualmente, é possível encontrar produtos higienizados e processados que foram produzidos no sistema orgânico e que por isso, não contêm agrotóxicos nem qualquer outro produto potencialmente tóxico. Para encontrá-los, basta verificar na embalagem a palavra “orgânico” juntamente com o selo de uma instituição certificadora. Desta forma, o consumidor terá a certeza de que os produtos processados seguiram, de fato, todas as normas de produção que geram alimentos saudáveis, como são os orgânicos.

“Hidropônico”

O hidropônico é um alimento produzido sem a presença do solo e sempre em ambiente protegido, ou seja, em estufa. Cultivado sobre suportes artificiais, em água, recebe soluções químicas para nutrição e tratamento de eventuais doenças.

“Orgânico”

O produto orgânico, ao trazer este nome na embalagem juntamente com o selo de uma Instituição Certificadora, demonstra a quem o compra muito mais que um alimento isento de substâncias nocivas à saúde. Ao ser gerado dentro de um sistema produtivo que preservou o ambiente natural, o produto orgânico contribui para a melhor qualidade de vida não de um consumidor isolado, mas de toda a sociedade.

Para ressaltar bem um produto hidropônico de um orgânico, veja esta tabela comparativa:

HIDROPONIA AGRICULTURA ORGÂNICA
Produção de alimentos sem o uso do solo Produção de alimentos no solo
Plantas recebem agrotóxicos Plantas não recebem agrotóxicos.
Plantas precisam receber fertilizantes químicos, devido a ausência de solo. Plantas recebem apenas fertilizantes orgânicos ou minerais moídos.
Eventuais excessos de nutrientes ou impurezas na solução nutritiva podem se acumular no produto hidropônico. O solo filtra e neutraliza as eventuais impurezas e a planta aproveita os nutrientes sem acumular excessos.
Plantas com metabolismo desequilibrado, suscetíveis ao ataque de pragas e doenças. Plantas com metabolismo equilibrado, mais resistentes a pragas e doenças.
A beleza garante ao consumidor que o produto é saudável. O sistema de produção certificado garante ao consumidor que o produto é saudável.

Fonte: planetaorganico.com.br

Produtos Orgânicos

Os benefícios dos alimentos orgânicos

Produtos Orgânicos

Muitas pessoas já colocaram os alimentos orgânicos em sua rotina. Com o crescimento da classe C, os brasileiros hoje possuem maior possibilidade de consumi-los, inclusive por encontrá-los com maior facilidade.

Para quem não sabe, os alimentos orgânicos são cultivados com técnicas que respeitam o meio ambiente e são livre de agrotóxicos e conservantes que podem fazer mal à saúde.

Muitos especialistas estimulam o consumo destes alimentos alegando que eles podem trazer muitos benefícios, prevenindo doenças como o câncer. Além disso, quem trabalha no cultivo destes alimentos é poupado do contato com os perigosos produtos químicos.

Além de beneficiar a saúde, os alimentos orgânicos são amigos do planeta. As ervas daninhas são mantidas, o solo e a água não recebem nenhum tipo de poluente, a erosão da terra é evitada ao máximo e a biodiversidade é respeitada.

O que ainda impede grande parte dos brasileiros de consumir este tipo de alimento é a disponibilidade e viabilidade. Como são produtos que possuem um cuidado especial, os custos são altos e muitas vezes eles não são encontrados facilmente. Mas o consumo e cultivo estão crescendo significativamente, em especial nas regiões sul e sudeste. Parece que a população está conhecendo mais sobre o assunto e se conscientizando sobre os benefícios.

Então, faça uma experiência: compre um produto orgânico e um semelhante cultivado de maneira tradicional. O sabor e a qualidade podem ser vistos e sentidos, e o seu organismo e o planeta agradecem.

Fonte: www.avonrenew.com.br

Produtos Orgânicos

A busca por saúde, qualidade de vida e respeito ao meio ambiente tem feito muitos consumidores se renderem aos alimentos orgânicos. Frutas, verduras, hortaliças, carnes, cereais – a cada dia mais variedades de alimentos são produzidos de forma sustentável. Entenda sobre essa opção de alimentação consciente que se preocupa com o que chega ao seu prato, desde a produção até a hora de ser consumido.

O que são alimentos orgânicos?

Os alimentos orgânicos são todos aqueles produzidos em sistemas que não utilizam agrotóxicos ou insumos artificiais em sua produção, como inseticidas, herbicidas, fungicidas, nematicidas ou adubos químicos. Por conceito, eles também não podem ser organismos geneticamente modificados (OGM), como os transgênicos.

Esses alimentos priorizam a preservação da saúde do homem, dos animais e do meio ambiente. Sua definição na lei nº 10.831, de 23 de dezembro de 2003, ainda afirma que o sistema orgânico de produção é aquele que busca aperfeiçoar o uso de recursos naturais e socioeconômicos, respeitar a integridade cultural das comunidades rurais e reduzir a dependência de energias não-renováveis.

Para um alimento processado ser considerado orgânico e receber o selo de qualidade, é preciso que ele contenha pelo menos 95% de ingredientes originados da agricultura orgânica.

Produção orgânica X Produção tradicional

Um alimento orgânico segue alguns critérios de produção diferentes do processo tradicional utilizado na agricultura de hoje em dia. Nesse método tudo é planejado e controlado de forma a causar o menor impacto nos recursos naturais, gerar alimentos de melhor qualidade e valorizar a comunidade produtora.

Principais características dos alimentos orgânicos:

O solo é considerado um organismo vivo e deve ser modificado o mínimo possível;
Uso de adubos orgânicos de baixa solubilidade;
Controle de pragas e doenças com medidas preventivas e produtos naturais;
Os efeitos das ações no meio ambiente são considerados, por isso são realizadas ações de preservação do solo e das fontes de água;
Os animais se alimentam de produtos orgânicos e naturais;
É realizado um rodízio de animais de exigências e hábitos alimentares diferenciados, como bovinos, eqüinos, ovinos, caprinos e aves;
Uso de instalações adequadas que proporcionem conforto e saúde aos animais, com fácil acesso à água, alimentos e pastagens e que possua espaço suficiente para a movimentação do rebanho;
A reprodução e o desmame são feitos de forma natural;
As culturas seguem os ciclos das estações e às características de cada região;
A colheita é realizada na época da maturação, sem o uso de recursos de indução artificiais.

O lado bom

Quatro fatores principais estão fazendo com que esse mercado movimente $40 bilhões anuais em todo o mundo: benefícios para a saúde, respeito ao meio ambiente, melhor qualidade dos produtos e incentivo aos pequenos produtores.

Saúde

Os consumidores que compram produtos orgânicos prezam por uma alimentação saudável, natural e equilibrada. Por isso pagam a mais para ingerir um alimento sem produtos químicos. Alguns estudos apontam que os alimentos orgânicos, especialmente legumes e folhosas, possuem um menor teor de nitratos, mais matéria seca e vitaminas. Por serem isentos de radiações ionizantes (utilizadas para esterilizar, pasteurizar, desinfetar e inibir a germinação dos alimentos), os produtos mantêm sua integridade vital e nutricional natural.

Meio ambiente

Os alimentos orgânicos agridem muito menos o meio ambiente. Por não utilizarem produtos tóxicos, o risco de contaminação do solo e dos lençóis freáticos é reduzido. Além disso, os alimentos orgânicos preservam a fertilidade do solo, a qualidade da água, a vida silvestre, assim como os demais recursos naturais. A saúde das plantas, o bem-estar animal e a biodiversidade nas propriedades rurais também são valorizados.

Qualidade

Segundo Moacir Darolt, em seu estudo

O mercado de orgânicos no Paraná: Características e tendências, pesquisas de análise sensorial, comparando alimentos orgânicos e convencionais, mostraram superioridade do alimento orgânico. Eles ainda são mais frescos e freqüentemente utilizados por profissionais da gastronomia, que preferem esses produtos por garantirem melhor qualidade de sabor e aroma.

Incentivo social

A produção orgânica valoriza e incentiva o trabalho da agricultura familiar. Isso contribui para melhorar a qualidade de vida dessas famílias e previne o êxodo rural. Ela também aumenta os postos de trabalho, permitindo uma melhor geração e distribuição de renda, e respeita as normas sociais baseadas nos acordos internacionais de trabalho. Propriedades que exploram os trabalhadores ou usam mão-de-obra infantil não recebem o certificado de Produto Orgânico.

O lado ruim

Preço

Os alimentos orgânicos são mais caros do que os tradicionais. Para levar qualquer um deles para casa, o consumidor terá que pagar de 10% a 40% a mais. Isso acontece porque o modo de preparo desses alimentos é mais artesanal e não explora a mão-de-obra do trabalhador. Por não utilizarem pesticidas, ocorrem muitas perdas durante as colheitas, e o prejuízo tem que se repassado aos produtos que chegam às prateleiras.

Translado

A produção orgânica tem crescido em todo o mundo, entretanto, somente os Estados Unidos e a União Européia consomem mais de 90% do que é produzido no mundo. Isso significa que grande parte do que é produzido passa por um grande deslocamento para chegar ao seu consumidor final. Por isso, ao contrários dos alimentos locais, eles emitem grande quantidade de poluentes na atmosfera além de outra série de danos ao meio ambiente.

Contaminação

Alguns críticos da agricultura orgânica sugerem que o uso intensivo de dejetos de animais nesse tipo de sistema pode causar a contaminação de alguns alimentos.

Contudo, não há evidências científicas de que esses produtos possam ser mais suscetíveis a contaminação microbiológica que os convencionais. Na dúvida, prefira os produtos que seguem a algumas medidas como a compostagem dos estercos de animais, controle da qualidade da água (livre de coliformes fecais); uso de adubos orgânicos de fontes conhecidas e aplicação de chorume.

Fonte: www.ecodesenvolvimento.org.br

Produtos Orgânicos

Produtos Orgânicos

Sabemos que na base na nossa saúde encontra-se a alimentação, e para que possamos ter uma boa qualidade de vida esta alimentação necessita ser rica em frutas, legumes e verduras. Mas até que ponto podemos ter a certeza de que esses alimentos fazem bem a nossa saúde com tanto produto químico utilizado para que possa ser cultivado? Será que estamos comendo algo natural? Qual é a segurança que temos para afirmar que uma salada crua é mais natural e saudável que legumes cozidos?

A resposta para esse questionamento alinha-se com o que chamamos de produtos orgânicos, os quais dizem respeito a qualidade do processo do alimento, contando com a qualidade do solo onde ele é cultivado, ou seja, são alimentos cultivados da forma mais simples, pela ação da natureza.

Os produtos orgânicos vêm ganhando espaço no mercado brasileiro e conquistando alguns países. Para se ter uma idéia, o Braisl exportou 37 mil toneladas em produtos orgânicos no período de agosto de 2006 a setembro de 2008.

Segundo o instituto de Biodinâmico, a produção orgânica ocupa cerca de 6,5 milhões de hectares de terras, conseqüentemente inserindo o Brasil na segunda colocação dentre os maiores produtores mundiais de orgânicos. Dentre a exportação, a soja e o café lideram, já no mercado interno, os alimentos mais comuns são as hortaliças, açúcar, sucos, mel, geléias, feijão, entre outros.

Mas o que é este produto tão falando principalmente por profissionais da saúde?

É considerado alimento orgânico, todo produto que é cultivado sem o uso de adubos químicos ou agrotóxicos. Este alimento está sendo a preferência na hora da escolha pela grande preocupação com saúde, além da preservação do meio ambiente e qualidade sensorial e nutricional do produto.

Outro fator importante que faz o consumidor optar por este produtos é a durabilidade do mesmo; estudos mostram que os produtos orgânicos apresentam grande resistência quanto ao armazenamento, levando a um maior prazo de vida.

A maior vantagem dos orgânicos é a questão de serem ricos em nutrientes, pelo fato da terra utilizada no seu cultivo ser fértil e natural, sem apresentar interferência de produtos químicos.

O nome orgânico é explicado justamente por essa idéia: eles interagem e são muito melhor absorvidos pelo nosso organismo.

Desintoxicação

Quando falamos de desintoxicação, também podemos incluir os alimentos orgânicos. Pois também podem ser adaptados a carnes e laticínios, sendo a diferença entre legumes, verduras e frutas, na questão de como se cria o animal; com rações adequadas e naturais, por exemplo. Assim todo cardápio pode ser constituído de orgânicos.

Entre os benefícios que já falamos, ainda encontra-se o processo de purificação do organismo que os mesmos proporcionam. A desintoxicação melhora problemas gastrointestinais e hepáticos, gerados pela química contida nos alimentos normais.

Sabemos que o preço destes alimentos é superior aos alimentos normais, mas a tendência é que isto mude, uma vez que a produção e o consumo levam a um aumento progressivo. As pessoas estão conscientes da importância de levar a sua mesa um alimento realmente saudável, sem riscos para a saúde de sua família, promovendo uma boa qualidade de vida.

Juliana Paula Bruch

Fonte: www.anutricionista.com

Produtos Orgânicos

Alimentos orgânicos são produzidos de acordo com certos padrões. Para a agricultura alimentos orgânicos significam que os produtos foram cultivados sem uso de pesticidas convencionais, fertilizantes artificiais ou dejetos humanos, além de serem processados sem radiação ionizadora ou aditivos. Para animais, alimentos orgânicos são aqueles criados sem o uso rotineiro de antibióticos e sem utilização de hormônios de crescimento. Na maioria dos países, alimentos orgânicos não podem ser geneticamente modificados. Alimentos orgânicos certificados devem passar por uma cuidadosa inspeção de produção.

BENEFICIOS À SAÚDE

Um estudo de 2001, feito por pesquisadores na Washington State University com um painel de degustadores, concluiu que as maçãs orgânicas são mais doces e têm melhor textura do as convencionais. Essas diferenças são atribuídas à melhor qualidade do solo resultante das técnicas orgânicas. Por outro lado, alimentos orgânicos geralmente custam de 10 a 40% mais do que os similares produzidos convencionalmente.

1. Com relação ao sabor

Com solos balanceados e fertilizados com adubos naturais, se obtém alimentos mais nutritivos. A comida fica mais saborosa, conservam-se suas propriedades naturais como vitaminas, sais minerais, carboidratos e proteínas. Um alimento orgânico não contém substâncias tóxicas e nocivas à saúde. Em solos equilibrados as plantas crescem mais saudáveis, preservam-se suas características originais como aroma, cor e sabor.

Consumindo produtos orgânicos é possível apreciar o sabor natural dos alimentos.

2. Com relação à saúde

Vários pesticidas utilizados hoje em dia no Brasil estão proibidos em muitos países, em razão de consequências provocadas à saúde, tais como o câncer, as alergias e a asma. Um relatório da Academia Americana de Ciências, de 1982, calculou em 1.400.000 o número de novos casos de câncer provocados por agrotóxicos. Além disso, os alimentos de origem animal estão contaminados pela ação dos perigosos coquetéis de antibióticos, hormônios e outros medicamentos que são aplicados na pecuária convencional, quer o animal esteja doente ou não. Consumindo orgânicos protegemos nossa saúde e a saúde de nossos familiares com a garantia adicional de não estarmos consumindo alimentos geneticamente modificados.

BENEFICIOS AO MEIO AMBIENTE

1. Proteção às Futuras Gerações

As crianças são os alvos mais vulneráveis da agricultura com agrotóxicos. “Quando uma criança completa um ano de idade, já recebeu a dose máxima aceitável para uma vida inteira, de agrotóxicos que provocam câncer”, diz um relatório recente do Environmental Working Group (Grupo de Trabalho Ambiental). A agricultura orgânica, além do mais, tem a grande tarefa de legar às futuras gerações um planeta reconstruído.

2. Vantagens para o pequeno Produtor Rural

O trabalhador rural precisa ser preservado, tanto quanto a qualidade ecológica dos alimentos. Adquirindo produtos ecológicos, contribuímos com a redução da migração de famílias para as cidades, evitando o êxodo rural e ajudando a acabar com o envenenamento por agrotóxicos em cerca de 1 milhão de agricultores no mundo inteiro. Assim, as pequenas propriedades poderão manter-se sem dívidas pela compra de insumos químicos.

3. Solos mais férteis

Uma das principais preocupações da Agricultura Orgânica é o solo. O mundo presencia a maior perda de solo fértil pela erosão em função do uso inadequado de práticas agrícolas convencionais. Com a Agricultura Orgânica é possível reverter essa situação.

4. Água Pura e Biodiversidade

Quando são utilizados agrotóxicos e grande quantidade de nitrogênio, ocorre a contaminação nas fontes de água potável. Cuidando desse recurso natural, garante-se o consumo de água pura para o futuro. A perda das espécies é um dos principais problemas ambientais. A Agricultura Orgânica preserva sementes por muitos anos e impede o desaparecimento de numerosas espécies, incentivando as culturas mistas e fortalecendo o ecossistema. A Fauna permanece em equilíbrio e todos os seres convivem em harmonia, graças à não utilização de agrotóxicos. A Agricultura Orgânica respeita o equilíbrio da natureza e cria ecossistemas saudáveis.

5. Redução do Aquecimento Global e Economia de Energia

O solo tratado com substâncias químicas libera uma quantidade enorme de gás carbônico, gás metano e óxido nitroso. A agricultura e administração florestal sustentáveis podem eliminar 25% do aquecimento global. Atualmente, mais energia é consumida para produzir fertilizantes artificiais do que para plantar e colher todas as safras.

6. Custo Ambiental, Cidadania e Responsabilidade Social

O alimento orgânico não é, na realidade, mais caro que o alimento convencional se consideramos que, indiretamente, estaremos reduzindo nossas despesas com médicos e medicamentos e os custos com a recuperação ambiental. Consumindo orgânicos, estamos exercitando nosso papel social, contribuindo com a conservação e preservação do meio ambiente e apoiando causas sociais relacionadas com a proteção do trabalhador e com a eliminação da mão-de-obra infantil.

MODO DE PRODUÇÃO NAS ETEC’S AGRICOLAS

As Etec’s agrícolas seguem as normas da agricultura orgânica no Brasil e tem critérios para o seu sistema de produção, desde a propriedade rural ao ponto de venda. Estas regras estão expressas no Decreto n.º 6.323. A legislação, que regulamenta a Lei n.º 10.831/2003, inclui a produção, armazenamento, rotulagem, transporte, certificação, comercialização e fiscalização dos produtos. Existem regras claras quanto aos processos e produtos aprovados e pela criação do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica, que propicia aos consumidores mais garantias e facilidade na identificação desses produtos. A elaboração do decreto envolveu a participação de técnicos e especialistas de entidades públicas e privadas. Para facilitar a relação comercial com outros países foram utilizadas, também como base, as diretrizes do Codex Alimentarius para a produção orgânica e regulamentos já adotados nos Estados Unidos, União Européia e Japão.

PRODUÇÃO

1. PERIODO DE CONVERSÃO

Para que uma área dentro de uma unidade de produção seja considerada orgânica, deverá ser obedecido um período de conversão, que varia de acordo com o tipo de exploração e a utilização anterior da unidade, considerada a situação socioambiental atual. E as atividades a serem desenvolvidas durante o período de conversão deverão estar estabelecidas em plano de manejo orgânico da unidade de produção.

2. PRODUÇÃO PARALELA

É permitida a produção paralela nas unidades de produção e estabelecimentos onde haja cultivo, criação ou processamento de produtos orgânicos, porém, nas áreas e estabelecimentos em que ocorra a produção paralela, os produtos orgânicos deverão estar claramente separados dos produtos não orgânicos e será requerida descrição do processo de produção, do processamento e do armazenamento.

No caso de unidade processadora de produtos orgânicos e não orgânicos, o processamento dos produtos orgânicos deve ser realizado de forma totalmente isolada dos produtos não orgânicos no espaço ou no tempo. E todas as unidades de produção e estabelecimentos de produção, orgânica e não orgânica, serão objeto de controle por parte do organismo de avaliação da conformidade ou da organização de controle social a que estiver vinculado o agricultor familiar em venda direta.

Nas unidades de produção ou estabelecimentos envolvidos com a geração de produtos orgânicos que apresentem produção paralela, a matéria-prima, insumos, medicamentos e substâncias utilizadas na produção não orgânica deverão ser mantidos sob rigoroso controle, em local isolado e apropriado. E na produção não orgânica, não pode conter organismos geneticamente modificados.

Fonte: cooperativaeteccm.hd1.com.br

Produtos Orgânicos

Alimentos Orgânicos: Qualidade Nutritiva e Segurança do Alimento

‘Orgânico’ é um termo de rotulagem que indica que o alimento é produzido de acordo com normas específicas que vetam o uso de quaisquer agroquímicos e que está certificado por uma agência devidamente constituída. Esta revisão discute as distinções entre os alimentos orgânicos e convencionais, com respeito à qualidade nutritiva e à segurança do alimento, e evidencia a existência de diversas diferenças qualitativas.

Introdução

Têm sido observados sinais que evidenciam uma mudança de hábito alimentar entre os brasileiros, na direção de uma maior demanda por produtos orgânicos. A julgar pela presença dos orgânicos nas gôndolas de supermercados, estima-se que exista um potencial de mercado de expressiva magnitude para estes produtos.

Tais observações, por si mesmas, chamam a atenção para o potencial deste novo nicho de consumo e para a necessidade da implementação de análises sobre o tema [1].

Há um mercado potencial para os produtos orgânicos, uma vez que existe resistência de uma parcela da população em manter a aquisição e consumo de alguns alimentos convencionais, como tomate, morango e batata, cujo cultivo reconhecidamente envolve o emprego de substanciais quantidades de adubos sintéticos e pesticidas [2]. No entanto, existem controvérsias sobre os alimentos orgânicos, principalmente, quando são classificados como mais nutritivos e seguros [3], devido à escassez de dados científicos que assegurem tais vantagens em relação ao convencional.

Orgânico é um termo de rotulagem que indica que os produtos são produzidos atendendo às normas da produção orgânica e que estão certificados por uma estrutura ou autoridade de certificação devidamente constituída. A agricultura orgânica se baseia no emprego mínimo de insumos externos. No entanto, devido à contaminação ambiental generalizada, as práticas de agricultura orgânica não podem garantir a ausência total de resíduos. Contudo, é possível aplicar métodos que visem à redução, ao mínimo, da contaminação do ar, do solo e da água[4].

Considerando-se o aumento da demanda e também do interesse do consumidor pelos produtos da agricultura orgânica, esta revisão visa abordar aspectos relacionados à qualidade nutritiva e à segurança dos alimentos orgânicos.

Alimentos orgânicos: legislação, certificação e mercado

Segundo Souza [5], a busca por alimentos provenientes de sistemas de produção mais sustentáveis, como os métodos orgânicos de produção, é uma tendência que vem se fortalecendo e se consolidando mundialmente.

No Brasil, o sistema orgânico de produção está regulamentado pela Lei Federal no 10.831, de 23 de dezembro de 2003, que contém normas disciplinares para a produção, tipificação, processamento, envase, distribuição, identificação e certificação da qualidade dos produtos orgânicos, sejam de origem animal ou vegetal.

De acordo com a referida Lei, considera-se sistema orgânico de produção agropecuária todo aquele em que são adotadas técnicas específicas, mediante a otimização do uso dos recursos naturais e socioeconômicos disponíveis e o respeito à integridade cultural das comunidades rurais, tendo por objetivo a sustentabilidade ecológica e econômica, a maximização dos benefícios sociais, a minimização da dependência de energia não-renovável, empregando, sempre que possível, métodos culturais, biológicos e mecânicos, em contraposição ao uso de materiais sintéticos, a eliminação do uso de organismos geneticamente modificados e radiações ionizantes, em qualquer fase do processo de produção, processamento, armazenamento, distribuição e comercialização, e a proteção do meio ambiente [6].

De acordo com Torjusen et al. [7], a agricultura orgânica tem sido praticada desde a década de 20, inicialmente como uma resposta ao processo de industrialização da agricultura, marcado pela tecnificação.

Com relação às metas da agricultura orgânica, as mais relevantes para os consumidores são: a não utilização de pesticidas e fertilizantes químicos sintéticos, de organismos geneticamente modificados, de estimulantes de crescimento sintéticos e de antibióticos, além do uso restrito de aditivos em alimentos processados.

De acordo com Souza [5], quanto menos direta for a relação entre produtores e consumidores, maior será a necessidade de instrumentos formais de certificação da produção. Isso ocorre devido à maior distância entre os agentes e à dificuldade para a comprovação das características inerentes a esses produtos.

Existem, mundialmente, centenas de agências de certificação orgânica, as quais estabelecem seus próprios padrões de produção e processo de certificação. No Brasil, existem cerca de 15 certificadoras. Um pequeno número destas agências obteve autorização da International Federation of Organic Agricultural Movements (IFOAM), baseado na constatação de que operavam em concordância com os padrões básicos da IFOAM.

Os produtos comercializados in natura, sobretudo as hortaliças, são os mais expressivos na produção orgânica nacional [8]. Entre os produtos orgânicos destinados à exportação, merecem destaque a soja, café, cacau, açúcar mascavo, erva-mate, suco de laranja, mel, frutas secas, castanha de caju, óleos essenciais, óleo de palma, frutas tropicais, palmito, guaraná e arroz.

Estima-se que 90% dos agricultores orgânicos no país sejam classificados como pequenos produtores ligados a associações e grupos de movimentos sociais. Os 10% restantes são representados pelos grandes produtores vinculados a empresas privadas. Os agricultores familiares são responsáveis por 70% da produção orgânica, com maior expressão na região sul do país, enquanto na região sudeste, observa-se maior adesão aos sistemas orgânicos de produção por parte de propriedades de grande porte [5].

Consumo de alimentos orgânicos

Os meios de comunicação têm divulgado as vantagens da alimentação baseada em produtos orgânicos, o que vem contribuindo para aumentar o número de consumidores destes alimentos. Segundo Archanjo et al. [9], o crescimento do consumo não está diretamente relacionado com o valor nutricional dos alimentos, mas aos diversos significados que lhes são atribuídos pelos consumidores. Tais significados variam desde a busca por uma alimentação mais saudável, de melhor qualidade e sabor, até a preocupação ecológica de preservar o meio ambiente.

Pesquisa realizada por Archanjo et al. [9] demonstrou que os consumidores que freqüentavam a feira de produtos orgânicos de Curitiba (Paraná) apresentavam algumas peculiaridades. A maioria estabelecia uma estreita relação entre alimentação e saúde e muitos começaram a freqüentar a feira e adquirir os alimentos ali comercializados, seguindo uma prescrição médica. Alguns consumidores não demonstraram preocupação com cuidados com a saúde, adotados por meio da alimentação, e justificavam a preferência por alimentos orgânicos devido à qualidade organoléptica. À medida que despendiam, para a compra de alimentos orgânicos, mais recursos financeiros do que gastariam com a aquisição de alimentos convencionais, os consumidores acreditavam que investiam na saúde.

Para os referidos consumidores, o alimento orgânico significava um meio de prevenir e até mesmo de curar doenças. Desta forma, o alimento adquire valor simbólico de medicamento, por meio do qual se busca garantir a saúde. Tais registros são comuns em outras pesquisas nacionais [10, 11], que abordam o consumo de alimentos orgânicos.

De acordo com Torjusen et al. [7], as pessoas que compravam alimentos orgânicos manifestaram maior preocupação no tocante às questões éticas, ambientais e de saúde. A maior parte dos consumidores estava atenta para os aspectos de produção e de processamento dos alimentos orgânicos, enfatizando os alimentos isentos de substâncias prejudiciais à saúde. Muitos dos consumidores preocupavam-se também com o conteúdo nutricional dos alimentos.

O preço dos alimentos orgânicos é considerado um fator limitante para o consumo dos mesmos, como pode ser observado por meio da totalidade das pesquisas nacionais e internacionais sobre o consumo destes alimentos [1, 10, 11, 12, 13, 14].

Segundo Souza & Alcântara [15], no mercado de produtos orgânicos não existe um parâmetro definido para o estabelecimento de preços, mas sabe-se que as estratégias de atribuição de preços variam amplamente de acordo com o estabelecimento comercial. Por exemplo, nas grandes redes varejistas o sobre-preço cobrado em relação aos produtos convencionais é elevado, enquanto nas feiras de produtos orgânicos esta diferença é reduzida. Em média, os produtos orgânicos in natura têm um sobre-preço de 40%, quando comparados aos produtos convencionais, porém, alguns produtos, como o trigo e o açúcar, chegam a custar (venda ao atacado), respectivamente, 200% e 170% acima do convencional.

Comparações entre o valor nutritivo de alimentos orgânicos e convencionais

Devido ao substancial aumento do interesse do consumidor pelos alimentos orgânicos, existe a necessidade de conhecer o alcance das bases científicas para as alegações de superioridade atribuídas aos produtos orgânicos.

De acordo com Bourn & Prescott [16]; Ren et al. [17], as considerações sobre o impacto do sistema orgânico de produção na biodisponibilidade de nutrientes e o teor de compostos antioxidantes têm recebido pouca atenção, mas são importantes diretrizes para futuras pesquisas.

Estudos que compararam alimentos produzidos por meio dos sistemas orgânico e convencional foram avaliados por Bourn & Prescott [16] sob três diferentes aspectos: valor nutricional, qualidade sensorial e segurança do alimento. Os autores afirmaram que existe reduzido número de estudos bem controlados, que sejam capazes de viabilizar uma comparação válida. Com possível exceção ao conteúdo de nitratos, os autores não verificaram fortes evidências de que alimentos orgânicos e convencionais diferissem quanto ao teor de nutrientes.

Existe uma considerável variação nos tipos e nos delineamentos de estudos que visam a identificação de diferenças entre o valor nutricional de alimentos orgânicos e convencionais.

Ainda de acordo com os referidos autores [16], são quatro os tipos básicos de comparação:

1) a análise química de alimento orgânico e convencional adquiridos no comércio;
2)
o efeito da fertilização na qualidade nutricional das culturas;
3)
a análise dos alimentos orgânicos e convencionais provenientes de propriedades conduzidas organicamente e convencionalmente e
4)
o efeito da ingestão dos alimentos orgânicos e convencionais sobre a saúde humana ou animal.

Estudos com foco no efeito do tipo de fertilizante sobre o valor nutricional do alimento e aqueles que envolvem análises de alimentos comprados no comércio não permitem a obtenção de conclusões claras sobre o impacto do sistema de produção orgânico e convencional no valor nutritivo.

No primeiro tipo de comparação, embora importante, apenas um aspecto da produção é considerado, a adubação, enquanto no segundo tipo, pouco ou nada é conhecido sobre a origem dos alimentos avaliados.

Entretanto, uma vez que estudos sobre diferentes tratamentos com fertilizantes são mais baratos e mais fáceis de serem conduzidos, quando comparados aos resultados obtidos por meio de estudos envolvendo o sistema de produção como um todo, fica claro que o primeiro tipo de comparação seja o mais freqüente.

Estes estudos contribuem para o conhecimento sobre os efeitos da fertilização, mas não respondem claramente às questões quanto ao efeito dos diferentes sistemas de produção sobre o valor nutricional das culturas.

Informações mais precisas sobre diferenças do valor nutricional podem ser obtidas a partir da análise de alimentos provenientes de propriedades orgânicas e convencionais, pois o efeito de todo o sistema de produção sobre o valor nutricional seria realmente avaliado [16].

Toor et al. [18] verificaram a influência de diferentes tipos de fertilizantes sobre os principais componentes antioxidantes de tomates e concluíram que as fontes de adubos podem ter um expressivo efeito sobre a concentração destes compostos. A utilização de adubos orgânicos aumentou os níveis de fenólicos totais e ácido ascórbico. Porém, os autores afirmam que são necessários estudos em escala comercial, para que seja possível a confirmação de tais resultados.

Smith [19] analisou o teor de minerais de alimentos adquiridos em várias lojas da cidade de Chicago, durante o período de dois anos. As frutas (maçãs e pêras), batata e milho foram selecionados entre amostras de alimentos convencionais e orgânicos, considerando-se variedades e tamanhos similares.

Os resultados revelaram que nos alimentos orgânicos, as concentrações foram superiores para os seguintes minerais: cálcio (63%), ferro (59%), magnésio (138%), fósforo (91%), potássio (125%), zinco (72,5%), sódio (159%) e selênio (390%).

Inversamente, foi verificado menor conteúdo de alumínio (40%), chumbo (29%) e mercúrio (25%).

Deste modo, este estudo sugere que existem diferenças significativas, quando se estabelece a comparação entre a composição dos alimentos orgânicos e convencionais, no que diz respeito a nutrientes e contaminantes minerais.

A pesquisa de Smith [19] foi muito divulgada na mídia com alcance popular, assegurando que o alimento orgânico é mais nutritivo que o alimento convencional. Porém, o delineamento do estudo impede que os resultados sejam conclusivos, pois, aparentemente, não foi atribuída a devida atenção para verificar se os produtos rotulados como orgânicos eram de fato provenientes de um sistema orgânico de produção. Acrescenta-se, também, o fato de que não foram descritos detalhes sobre o sistema de amostragem.

Alguns pesquisadores argumentam que a melhor forma de avaliar os nutrientes é por meio da análise dos alimentos adquiridos diretamente nos locais de compra.

Entretanto, esta abordagem não considera que algumas variáveis não controladas, como maturidade na colheita e tipo de cultivar e as condições de produção, possam mascarar eventuais diferenças no valor nutricional [16].

Identificar os agentes de comercialização ou produtores de alimentos orgânicos e convencionais, que atuem numa área similar, e estabelecer um protocolo experimental que permita documentar as informações do sistema de produção, tais como: a data de colheita, as condições de distribuição e transporte, as condições de armazenamento, entre outras, pode ser o mais indicado [16]. Neste caso, haveria a necessidade de estabelecer um maior número de ensaios conduzidos em diferentes áreas no sentido de poder alcançar alguma conclusão generalizada.

Pesquisa realizada por Schuphan [20], na Alemanha, durante um período de doze anos, visou a comparação entre dois padrões de aplicação de fertilizantes na produção de espinafre, batata, cenoura e repolho. Em um processo, foi utilizado um fertilizante convencional de alta solubilidade, contendo NPK (nitrogênio, fósforo e potássio), e no outro houve a adoção de adubo orgânico. Os resultados revelaram um decréscimo de 24% na produtividade, quando se utilizou adubo orgânico.

No entanto, ao examinar os demais resultados, obtidos para os alimentos cultivados com a aplicação da adubação orgânica, observou-se acréscimos de matéria seca (23%), proteína (18%), vitamina C (28%), açúcares totais (19%), metionina (23%), ferro (77%), potássio (18%), cálcio (10%) e fósforo (13%).

Inversamente, verificou-se o decréscimo do sódio (12%) e do nitrato (93%). Embora a produção absoluta tenha sido menor com o uso dos adubos orgânicos, o substancial aumento da matéria seca, vitaminas e minerais resultou em um alimento com maior valor nutricional.

Reconhece-se que a aplicação de fertilizantes no sistema de produção afeta a composição do produto. O estudo de Schuphan [20] é freqüentemente citado com o objetivo de confirmar a superioridade do valor nutricional dos produtos orgânicos.

Premuzic et al. [21] compararam o conteúdo de ácido ascórbico de tomates cultivados com substrato orgânico aos tomates cultivados hidroponicamente e registraram um conteúdo maior de ácido ascórbico para os frutos produzidos mediante utilização de composto orgânico.

Ren et al. [17] avaliaram o conteúdo de polifenóis de cinco hortaliças (couve, repolho chinês, espinafre, alho e pimentão verde) amplamente consumidas no Japão, produzidas pelo cultivo orgânico e convencional. Os conteúdos dos orgânicos em flavonóides (quercetina) e ácido caféico foram de 1,3 a 10,4 vezes superiores aos encontrados nos convencionais, sugerindo assim a influência exercida por diferentes práticas de cultivo.

Ishida & Chapman [22] estimaram o conteúdo total de carotenóides e, especificamente, o conteúdo de licopeno em amostras de ketchup orgânicos e convencionais. As amostras de ketchup produzidas por empresas de alimentos orgânicos apresentaram maiores teores de licopeno e de carotenóides totais.

Caris-Veyrat et al. [23] realizaram um estudo visando à comparação do conteúdo de compostos antioxidantes presentes em tomates cultivados orgânica e convencionalmente. Os resultados, expressos em base úmida, demonstraram maior teor de vitamina C, carotenóides e polifenóis para o tomate orgânico.

Pesquisa realizada no Brasil por Borguini [24] registrou que tomates provenientes de sistema orgânico de produção apresentaram maior teor de fenólicos totais e de ácido ascórbico do que o tomate produzido por cultivo convencional.

Alguns pesquisadores mantêm-se atentos para controlar variáveis como localização da propriedade, cultivar e maturação na colheita, como uma maneira de reduzir o número de fatores potenciais que podem afetar o valor nutricional. Os estudos comparando o sistema de produção como um todo têm relativa vantagem, pois evitam atribuir importância a fatores individuais no valor nutricional dos alimentos. Além disso, é importante que as propriedades venham sendo manejadas orgânica ou convencionalmente por um considerável período de tempo.

Segundo Bourn & Prescott [16], a ampla gama de fatores que pode afetar a composição dos alimentos (genéticos, práticas agronômicas, clima e condições de pós-colheita) faz com que as pesquisas sobre o valor nutricional de alimentos, produzidos orgânica e convencionalmente, tornem-se difíceis de serem estabelecidas e seus resultados interpretados de forma consistente. No entanto, devido ao crescente interesse pelo tema e ao aumento da produção e do consumo de alimentos orgânicos, maior número de pesquisas deve ser implementado neste sentido.

Existe uma tendência, que pode ser observada por meio dos resultados das pesquisas anteriormente citadas, que indica maior conteúdo de nutrientes para os alimentos produzidos organicamente.

Resíduos de pesticidas em alimentos

O maciço uso de produtos químicos na agricultura teve início na década de 50, logo após o final da Segunda Guerra Mundial. De acordo com os alvos contra os quais são destinados, os citados produtos químicos são denominados inseticidas, fungicidas, herbicidas, nematicidas, entre outros [25].

Este conjunto de produtos químicos recebeu as seguintes denominações: defensivos agrícolas, pesticidas, praguicidas, produtos fitossanitários ou agrotóxicos (este último termo restrito ao Brasil, por força da Lei no 7.802/89).

O aumento do uso de produtos químicos na agricultura tem gerado preocupação crescente, quanto aos riscos à saúde humana e ao meio ambiente. Esta preocupação decorre de casos de doenças registradas em seres humanos e das alterações ambientais, que parecem ter como agentes etiológicos os agrotóxicos.

De acordo com Kotaka & Zambrone [25], no Brasil, o uso de produtos químicos na agricultura depende do registro concedido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), condicionado à autorização do Ministério da Saúde (MS) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).

Uma das maiores preocupações dos consumidores com relação ao uso de agrotóxicos na agricultura é o conhecimento do grau de contaminação, a ponto de saber se os alimentos estão contaminados com resíduos tóxicos, que possam comprometer a saúde. Conforme a Portaria no 03, de 16 de janeiro de 1992, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) [26], resíduo de agrotóxico consiste em “substância ou mistura de substâncias remanescente ou existente em alimentos ou no meio ambiente, decorrente do uso ou da presença de agrotóxicos e afins, inclusive quaisquer derivados específicos, tais como: produtos de conversão e de degradação, metabólitos, produtos de reação e impurezas, consideradas tóxicas e ambientalmente importantes”.

A agricultura orgânica baseia-se no emprego mínimo de insumos externos. Devido à contaminação ambiental, as práticas de agricultura orgânica não podem garantir a ausência total de resíduos. No entanto, é possível adotar métodos destinados a reduzir ao mínimo a contaminação do ar, do solo e da água. Os manipuladores, processadores e vendedores envolvidos no manuseio dos produtos orgânicos aderem às normas que mantém a integridade dos produtos da agricultura orgânica [4].

A produção orgânica de alimentos surge como uma alternativa ao quadro de contaminação química dos alimentos, buscando oferecer produtos isentos de resíduos químicos. Os atributos de qualidade dos produtos obtidos por meio da agricultura orgânica, como a ausência de resíduos químicos ou aditivos sintéticos, representam elevado grau de afinidade com o conceito de segurança do alimento, que inclui a aquisição pelo consumidor de alimentos de boa qualidade, livre de contaminantes de natureza química (pesticidas, aditivos), física ou biológica [15].

Os consumidores freqüentemente citam a preocupação com a saúde como a principal motivação para consumir alimentos orgânicos. A possível ausência de agrotóxicos é apontada como o principal atributo destes alimentos. Considerando-se a proibição da aplicação de pesticidas químicos sintéticos no sistema orgânico de produção, seria razoável assumir que alimentos produzidos organicamente, em geral, contenham menores níveis de resíduos de pesticidas do que aqueles produzidos convencionalmente [16].

A quantidade de pesticidas utilizada na produção de um vegetal varia amplamente de cultura para cultura. Um considerável número de fatores irá afetar a presença de resíduos em alimentos, incluindo o estágio de desenvolvimento da cultura em que o pesticida foi aplicado, a persistência do produto, o uso de pesticida no pós-colheita e o nível de pesticidas presentes no meio ambiente [16]. Devido à tendência de uso de pesticidas na agricultura convencional, é provável que os consumidores de orgânicos estejam, no mínimo, consumindo menores quantidade e tipos de resíduos. Porém, ainda não foi elucidado se tais resultados envolvem benefícios à saúde dos consumidores.

Ainda de acordo com Bourn & Prescott [16], considerando-se que muitos consumidores optam por comprar alimentos produzidos organicamente por acreditarem que estes alimentos possuem um menor nível de resíduos de pesticidas, seria interessante implementar pesquisas com vistas à confirmação de tal hipótese. No futuro, com a tendência de declínio do uso de pesticidas nas culturas produzidas convencionalmente, devido às técnicas de produção, como o Manejo Integrado de Pragas, pode ser que a questão dos resíduos de pesticidas venha a se revelar menos importante para a decisão dos consumidores pela compra de alimentos orgânicos em comparação às outras questões.

Conforme a Portaria no 03, de 16 de janeiro de 1992, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), Ingestão Diária Aceitável (IDA) é a “quantidade máxima que, ingerida diariamente durante toda a vida, parece não oferecer risco apreciável à saúde, à luz dos conhecimentos atuais.

É expressa em miligramas (mg) do agrotóxico por quilograma (kg) de peso corpóreo (mg / kg p.c.)”.

De acordo com a mesma Portaria, Limite Máximo de Resíduo (LMR) significa a “quantidade máxima de resíduo de agrotóxico legalmente aceita no alimento, em decorrência da aplicação adequada numa fase específica, desde sua produção até o consumo, expressa em partes (em peso) do agrotóxico ou seus derivados por um milhão de partes de alimento (em peso) (ppm ou mg / kg)” [26].

Para garantir a qualidade dos alimentos e a segurança para a população, o Ministério da Saúde exige que sejam realizadas análises de resíduos de agrotóxicos comprobatórias da segurança do alimento em todas as culturas para as quais ele será registrado. Os níveis de resíduos, eventualmente detectados nos alimentos, devem ser inferiores ao LMR estabelecido após a realização de todos os estudos toxicológicos necessários para efeito de registro. Os testes toxicológicos realizados têm como um de seus principais objetivos determinar qual a quantidade que poderá ser ingerida pelas pessoas (IDA), sem que isto provoque qualquer tipo de dano à sua saúde [27].

Em muitos países, a presença e a quantidade de resíduos de agrotóxicos em alimentos nacionais e importados são monitoradas para assegurar que a população tenha acesso a uma dieta que não ultrapasse o nível de tolerância (LMR) recomendado, com base nos estudos de Ingestão Diária Aceitável.

Para tanto, os Limites Máximos de Resíduos são estabelecidos internacionalmente e divulgados pela Food and Agriculture Organization (FAO). Este monitoramento pode contribuir para ampliar a confiança do consumidor na qualidade dos alimentos ofertados e minimizar possíveis riscos à saúde pública[27].

A legislação brasileira previu normas que visam a regulamentação do uso de defensivos na agricultura, mas, salvo em alguns estados que dispõem de fiscalização efetiva, a obediência às leis ainda esbarra em questões sócio-culturais peculiares de cada região [28].

A presença de resíduos de defensivos em alimentos, somada à contaminação da água, constituem risco para a população em geral e representam, sem dúvida, um grande problema de saúde pública no Brasil. Com o objetivo de ampliar o nível de conhecimento da situação, Araújo et al.[28] analisaram a utilização de defensivos em tomates produzidos no estado de Pernambuco. Outras motivações para a pesquisa referem-se ao fato da grande importância socioeconômica da cultura deste fruto e o potencial risco epidemiológico relacionado à saúde dos consumidores dos referidos alimentos.

No modelo dominante de produção, a cultura do tomate demanda uso intensivo de agroquímicos e este fruto integra o hábito alimentar da população em geral.

De acordo com os referidos autores [28], todas as áreas integrantes da pesquisa careciam de ações que visassem à proteção da saúde dos trabalhadores rurais, que lidavam com os defensivos e, também, de medidas de proteção ao meio ambiente, que se revelou gravemente comprometido. Os autores relataram ainda que produtos sem registro autorizado para o uso na produção de tomates eram comumente utilizados pelos agricultores. Tal situação era agravada pelo fato de não existir qualquer tipo de controle sistemático da presença de resíduos de defensivos nos alimentos ou dos produtos comercializados no estado de Pernambuco.

Observou-se ainda a escassez de campanhas efetivas com vistas à orientação, apoio e educação dos produtores envolvidos. Foi registrado o desconhecimento, por parte dos produtores e aplicadores de defensivos, no que se refere aos efeitos tóxicos para a saúde e o meio ambiente, associados ao uso indevido dos produtos não-autorizados.

Caldas & Souza [29], a partir de dados de consumo de alimentos registrados pela Pesquisa de Orçamentos Familiares, realizada pelo IBGE, em 1995-96, identificaram os alimentos que mais contribuíram para a Ingestão Diária Máxima Teórica (IDMT) de pesticidas. O cereal (arroz) e a leguminosa (feijão), de expressivo consumo pela população brasileira, as frutas, principalmente as cítricas, e o tomate foram alimentos que exerceram papel preponderante para a elevação da ingestão.

O estudo de Lourenço [27] teve por objetivo discutir as possíveis interações entre os agrotóxicos, de uso autorizado em produtos de origem vegetal, como tomate, banana e maçã, consumidos nas principais regiões metropolitanas brasileiras, e o possível risco à saúde humana. O autor concluiu que existe perigo à saúde humana, decorrente de tais interações, com efeitos danosos e de diferentes proporções. À medida que outros estudos forem realizados nesta linha de pesquisa, os resultados gerados permitirão que as autoridades competentes harmonizem os interesses agrícolas com a proteção da saúde pública. Neste contexto, a população tem o direito de conhecer os riscos a que está exposta ao ingerir cada alimento e, a partir disso, optar pelo que prefere consumir.

Ainda de acordo com Lourenço [27], os danos à saúde humana, devido à ingestão de resíduos de agrotóxicos em alimentos, só poderão ser minimizados pelo uso restrito, controlado e racional destes produtos na agricultura. Existe uma necessidade urgente de ações na área de saúde pública, para que seja possível uma identificação rápida e segura das intoxicações causadas por agrotóxicos.

Também de acordo com Lourenço [27], como medida de segurança, a população tenta evitar os possíveis riscos da presença de resíduos de agrotóxicos em alimentos, entre outras práticas, comprando alimentos orgânicos que, em geral, são mais caros que os convencionais e preferindo a aquisição de produtos de origem vegetal com selo de qualidade e consumindo alimentos da época.

Vale registrar que o consumo de alimentos seguros significa a promoção da saúde e manutenção da qualidade de vida da população. A garantia de alimento relativamente livre de contaminantes é essencial para a prevenção de doenças, principalmente em um país como o Brasil, onde uma parte considerável da população enfrenta sérios problemas relativos aos distúrbios nutricionais e limitações no tocante ao acesso ao sistema público de saúde [29].

Considerando-se a permissão do uso de pesticidas na agricultura convencional, espera-se encontrar menores níveis de resíduos nos produtos orgânicos. Porém, existem poucos registros sobre os níveis de pesticidas em alimentos orgânicos [30].

Segundo Pussemier et al. [31], quando são comparados os efeitos do sistema de produção na segurança do alimento, há evidências de que, com relação à presença de resíduos de pesticidas, os alimentos orgânicos apresentam uma clara vantagem sobre os convencionais.

Kouba [32] registrou que os alimentos orgânicos de origem animal apresentavam menores níveis de pesticidas e de drogas de uso veterinário.

Moore et al. [33] analisaram alimentos infantis de diversas marcas, elaborados com produtos provenientes do cultivo orgânico e convencional, quanto à presença de resíduos de pesticidas, e não encontraram tais resíduos em nenhum dos produtos analisados. Portanto, neste caso, não houve diferença entre orgânicos e convencionais.

Baker et al. [34] avaliaram dados relativos à presença de resíduos de pesticidas em alimentos produzidos por meio do cultivo convencional, do Manejo Integrado de Pragas e do sistema orgânico.

Segundo os autores, os alimentos orgânicos continham menor número de resíduos de pesticidas, quando comparados àqueles provenientes dos outros sistemas de produção, e, quando presentes, tais resíduos estavam em menor quantidade nos alimentos orgânicos.

Rekha et al. [35] analisaram amostras de trigo e arroz produzidas em sistema orgânico e convencional, quanto à presença de resíduos de pesticidas. Considerando que não foi encontrada nem mesmo quantidade-traço de resíduos nos alimentos produzidos organicamente, os autores recomendaram o consumo de arroz e trigo orgânicos.

Em pesquisa realizada no Brasil, Borguini [24] registrou que a forma de cultivo foi um fator determinante em relação à presença de resíduos de pesticidas e, como esperado, de acordo com as diretrizes para produção orgânica de alimentos [36], o tomate orgânico não apresentou tais resíduos.

Portanto, de acordo com os resultados das pesquisas anteriormente citadas, os alimentos genuinamente orgânicos contêm menores níveis ou, simplesmente, não apresentam resíduos de pesticidas, quando comparados aos alimentos convencionais.

Os dados sugerem que os consumidores, que buscam reduzir sua exposição aos resíduos de pesticidas, podem optar pela aquisição de alimentos orgânicos.

Considerações Finais

As informações indicam que existem diferenças relativas à qualidade nutritiva, quando se estabelece uma comparação entre os alimentos produzidos pelos métodos orgânico e convencional.

Entretanto, as evidências não são suficientes para assumir, de forma definitiva, a superioridade do alimento produzido organicamente, quanto à qualidade nutritiva e aos benefícios do seu consumo para a saúde do consumidor.

Deste modo, recomenda-se que pesquisas sejam desenvolvidas, controlando-se a ampla gama de fatores que podem afetar a composição dos alimentos, tais como: fatores genéticos, práticas agronômicas, clima e condições de pós-colheita, entre outros.

Os alimentos orgânicos possuem menores níveis de resíduos de pesticidas ou, simplesmente, não contêm quantidades detectáveis de tais resíduos. Porém, a escassez de dados sobre a presença de resíduos de pesticidas em alimentos produzidos organicamente não permite conclusões definitivas para estabelecer alguma diferença entre alimentos orgânicos e convencionais.

Renata Galhardo Borguini

Elizabeth A. Ferraz da Silva Torres

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Fonte: www.unicamp.br

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